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O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) subiu o tom das críticas em meio à crise do tarifaço. Sem citar nomes, ele lamentou que "maus brasileiros são contra o país". A declaração foi interpretada no meio político como uma resposta ao deputado Eduardo Bolsonaro (PL). Reportagem: Igor Damasceno.

Assista à íntegra: https://youtube.com/live/NDW2TN3CVx0

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Transcrição
00:00Vamos então abrir esta edição do Jornal da Manhã porque o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin,
00:06classificou como lamentável que brasileiros continuem trabalhando contra o Brasil
00:12ao ser questionado sobre a nova reunião do deputado licenciado Eduardo Bolsonaro
00:18com autoridades dos Estados Unidos. Agora, o destaque do Igor Damasceno.
00:23O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, afirmou que o Congresso Nacional
00:30precisa dar uma resposta rápida na análise e votação do pacote de ajuda aos exportadores afetados pelo tarifácio.
00:37A fala foi durante visita a uma concessionária de automóveis em Brasília.
00:42No estado moderno, as mudanças são muito rápidas.
00:47Nosso tempo é o tempo da mudança e da velocidade da mudança.
00:51Então, você precisa agir rápido. Por isso que nós, na Constituinte, estabelecemos o princípio da medida provisória.
00:59O governo fez uma parte da legislação por MP e uma parte por projeto de lei complementar.
01:05Tenho certeza que vai ser rapidamente analisada e votada pelo Congresso.
01:11Alckmin foi questionado sobre um encontro do deputado federal Eduardo Bolsonaro
01:16com o secretário do Tesouro americano, Scott Besant, na semana passada.
01:20O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, havia antecipado que teria uma reunião virtual com Besant.
01:26A conversa, até então, era uma aposta do governo para começar a destravar as negociações.
01:33Mas a agenda foi cancelada.
01:35Sem citar nomes, o vice-presidente chamou de maus brasileiros quem atrapalha as negociações.
01:41É lamentar que maus brasileiros trabalhem contra o interesse do país.
01:47E, aliás, de maneira injusta.
01:49Porque, em relação à tarifa, 74% do que os Estados Unidos vende para o Brasil não tem imposto.
01:57É zero.
01:59E a média tarifária é 2,7%.
02:03Não tem parceiro melhor.
02:06É um parceiro bom o Brasil.
02:07Enquanto as negociações com o governo norte-americano não avançam,
02:11o governo federal aposta na medida provisória que já está em vigor
02:15para proteger as empresas afetadas pelas tarifas.
02:19Cerca de 30 bilhões de reais estão disponíveis em linhas de crédito.
02:24Por se tratar de uma MP, o texto terá validade de apenas quatro meses.
02:29O governo aposta no apoio dos presidentes da Câmara e do Senado
02:33para aprovar a medida no Congresso.
02:35O projeto de lei complementar, o PLP, ele precisa ser aprovado.
02:41E nós temos expectativa de que seja rapidamente, porque um é vinculado ao outro.
02:46A partir dessa semana, o presidente Lula vai começar uma série de reuniões virtuais
02:51com presidentes europeus e do BRICS, o bloco dos países emergentes.
02:56Nas conversas, Lula pretende defender o multilateralismo para ampliar o mercado
03:01e diminuir a dependência dos Estados Unidos.
03:04As conversas vão ser com os chefes da África do Sul, da Alemanha, da França e da Comissão Europeia.
03:11Lula já conversou com os presidentes da China e da Índia.
03:14A parceria comercial com este último deve ser expandida para 20 bilhões de dólares até 2030.
03:21De Brasília, Igor Damasceno.
03:24E para comentar as notícias conosco neste Jornal da Manhã, vamos receber o Túlio Nassa e também o Acácio Miranda.
03:32Túlio, vou começar com você.
03:34Bom dia.
03:35A gente observou, então, o vice-presidente.
03:37De fato, olhando friamente para a balança comercial Estados Unidos e Brasil,
03:41ela é muito favorável aos Estados Unidos há muito tempo.
03:44Se fosse essa questão principal, não haveria, então, uma retaliação, um aumento para 50%.
03:52Nós tivemos exceções, aviões na Embraer, suco de laranja, mostrando também que o poder interno do mercado norte-americano
03:59vai determinar também aí essa relação, os empresários de lá pressionando o próprio governo norte-americano
04:05para que possa haver o negócio aqui com o Brasil.
04:08Então, a questão, de fato, é mais ideológica esse ataque que é feito aí, evidentemente, do vice-presidente Eduardo Bolsonaro.
04:15Muito bom dia. Seja bem-vindo.
04:18Bom dia, Marcelo. Bom dia, Márcia. Bom dia, o Acácio. Bom dia, audiência da Jovem Pan.
04:24Olha, Marcelo, Clarice Lispector falava que o óbvio é a verdade mais difícil de enxergar.
04:30Muito se questiona qual seria o efetivo motivo ou o único exclusivo motivo desse tarifácio dos Estados Unidos em relação ao Brasil.
04:39Não me parece que isso seja o óbvio. O óbvio me parece que é um pouco de cada coisa.
04:44A verdade está em uma situação mais complexa do que se imagina.
04:49Existe, de um lado, evidentemente, a questão Jair Bolsonaro.
04:52No começo, não demos muito crédito ao Eduardo Bolsonaro, mas parece que agora realmente é visível que ele tem um grande poder de articulação.
05:01E ele está defendendo os interesses da família dele, do pai dele.
05:05Algo que seria discutível.
05:07Mas não é só isso. Veja só a questão das terras raras.
05:10O Brasil é a terceira maior reserva de terras raras do mundo.
05:14São aqueles metais muito importantes para as baterias de carro, de celular.
05:19Isso pode garantir um futuro até de autonomia energética para o Brasil.
05:23Então, os Estados Unidos têm muito interesse nisso.
05:25Aliás, dizem que é um dos motivos pelos quais os Estados Unidos está fazendo esse acordo com a Rússia.
05:31Veja a questão ideológica, o posicionamento em relação aos BRICS.
05:34O Brasil está liderando, mais ou menos liderando, uma espécie de derrubada do dólar nas transações comerciais mundiais.
05:42Veja a ajuda que o Brasil dava à Rússia. Dá ainda à Rússia com óleo diesel.
05:46Então, me parece o óbvio que é uma sucessão, um somatório de fatores, Marcelo.
05:52Agora, o que precisa ser feito é efetivamente uma negociação técnica, setorial e séria do Brasil.
05:59Não adianta querer surfar na popularidade nesse momento e depois economie mal.
06:04O Brasil está, no meu ponto de vista, agindo muito mal, querendo ir só para o campo político e ideológico,
06:10só para o motivo Jair Bolsonaro e esquecendo todos os outros.
06:14Todos os outros motivos, estes sim, os econômicos também, como você citou, em relação à balança comercial,
06:20esses podem dar resultado, como já deram, porque Trump já recuou num primeiro momento.
06:25Então, vamos focar nos outros motivos, Marcelo, e esquecer um pouco o lado ideológico.
06:31É essa lição de casa que o governo federal tem que fazer.
06:33Agora, Cássio Miranda, o presidente Lula fez ligações importantes esta semana para a Índia, para a China
06:42e vai fazer na próxima semana outras ligações também para grandes presidentes mundiais.
06:48Agora, você acredita que isso pode ser já um sinal de abertura de mercados,
06:53de buscar realmente algo sustentável a longo prazo diante desse tarifácio, Cássio?
07:02Bom dia, Márcia. Bom dia, Marcelo. Bom dia, Túlio.
07:05E um bom dia especial à nossa audiência.
07:08É exatamente isso, Márcia.
07:10O que resta ao governo brasileiro neste momento, para além das negociações com os Estados Unidos,
07:16é a abertura de novos mercados, seja através da consolidação daquelas parcerias que já existem,
07:25seja através efetivamente da construção de novas relações.
07:31É importante nós frisarmos que os parceiros procurados pelo governo brasileiro até agora
07:37são parceiros que já têm relações com o Brasil
07:40e foi ofertada uma nova possibilidade através do aumento destas relações
07:47em situações obviamente favoráveis.
07:51O governo brasileiro ofereceu descontos e tarifas favoráveis a estes governos.
07:58Em segundo lugar, há, e por mais que o governo brasileiro não diga isso de forma expressa e ostensiva,
08:05a vontade de restabelecer as relações com os Estados Unidos.
08:11Primeiro porque são o nosso segundo principal parceiro.
08:16Em segundo lugar, porque eles são a grande potência do mundo.
08:19E em terceiro lugar, nas relações internacionais,
08:23assim como em qualquer outra atividade econômica,
08:26a pluralidade de parceiros é boa exatamente para que você não fique refém das vontades de um único parceiro.
08:37Fosse o Brasil mais vinculado aos Estados Unidos,
08:41os efeitos para a nossa economia seriam ainda maiores.
08:46Reitero, por isso que nós batemos a porta de diversos outros países
08:51e por isso que nós tentamos tornar mais plural ainda a nossa capacidade econômica
08:59para evitarmos qualquer tipo de dependência.

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