- há 10 meses
ID Michael Morton
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TVTranscrição
00:00:00E a manchete de hoje é um assassinato brutal no condado de Williamson que está deixando
00:00:16investigadores perplexos.
00:00:22Não deve existir oposição a uma busca honesta pela verdade.
00:00:27Foi bestial.
00:00:32Não foi totalmente humano.
00:00:36Existem muitas coisas naquela cena que fazem o investigador se perguntar.
00:00:41Foi alguém próximo a ela?
00:00:42Austin não era o tipo de lugar onde as pessoas trancavam as portas.
00:00:47O porquê e o quem eram perguntas que precisavam de uma resposta.
00:00:50Você não pode ter dois assassinatos idênticos e não ver a relevância de um para o outro.
00:00:58Um lado quer esconder a verdade e mantê-la na escuridão.
00:01:03O outro lado quer revelar a verdade e trazê-la à luz.
00:01:07Quando Deus inculte em você uma coisa que deve ser feita, geralmente é uma coisa para a qual você não está qualificado.
00:01:16Mas, às vezes, são dadas oportunidades de fazer coisas fora da nossa zona de conforto.
00:01:22E não devemos ter medo.
00:01:23Diários de Investigação
00:01:53Parte da razão pela qual me tornei advogado foi por ler O Sol é para Todos.
00:02:09Edgar Spence foi um dos meus heróis de infância.
00:02:13Eu pensei que se tivesse a chance de algum dia desferir um golpe pela justiça, não seria um momento único na vida?
00:02:23Trabalhei por 20 anos como advogado na esfera civil.
00:02:28Eu fiz algumas coisas boas que ajudaram algumas pessoas.
00:02:34Mas nunca fiz nada na esfera criminal.
00:02:43Eu estava absolutamente despreparado para a altura e a profundidade, o poder e a arrogância do gabinete do procurador distrital do condado de Williamson.
00:02:52Havia uma máquina política fortíssima contra nós.
00:02:57E isso eu não previ.
00:03:00Esse caso me mudou completamente.
00:03:03Mudou todos na minha família.
00:03:05Em 12 de agosto de 1986, era o aniversário de 33 anos de Michael Morton.
00:03:24E ele e a sua adorável esposa Christine moravam no norte de Austin.
00:03:29Eles tinham um garotinho de 3 anos e meio chamado Eric.
00:03:36Tinham uma casinha.
00:03:38Tinham um quintal.
00:03:39Eles tinham uma pequena varanda que o Michael construiu no quintal.
00:03:43Tinham um cachorro.
00:03:48Eles eram gente boa.
00:03:49Muito boa.
00:03:50Naquela noite, comemoraram o aniversário do Michael jantando juntos em Austin.
00:04:03Sendo o aniversário dele, ele queria um pouco de romance com a Christine depois do Eric ser posto na cama.
00:04:11Ela estava muito cansada.
00:04:13O beijou e disse, amanhã, noite, amor.
00:04:15Na manhã seguinte, o Michael disse que se levantou às 5 da manhã.
00:04:26Tomou banho.
00:04:28Fez a barba.
00:04:30Deixou um bilhete no espelho do banheiro para a Christine.
00:04:36E depois, bateu o cartão em seu emprego na Seifo e às 6 horas da manhã.
00:04:45Se não pensamos que a nossa vida pode mudar rápido assim, estamos errados.
00:04:55Mais tarde naquela manhã, uma vizinha encontrou o Eric andando sozinho no jardim da frente.
00:05:04Ele tinha a fralda suja e a vizinha pegou o Eric e o levou para dentro de casa, chamando pela Christine.
00:05:11A Christine não estava respondendo.
00:05:15Ela andou com o Eric procurando por ela pela casa e encontrou o corpo da Christine.
00:05:24Havia sangue nas paredes, no teto, pedaços de carne.
00:05:32A vizinha ficou absolutamente apavorada e ligou para a polícia, que chegou logo depois.
00:05:39Atenção, unidade 78. Seguir para Main Street.
00:05:41O delegado John Balthwell foi até o local, na rua Hazelhurst, na casa dos Mortons.
00:05:49O delegado Balthwell era o personagem perfeito para um faroeste.
00:05:53Ele usava chapéu Stetson e botas e o prendedor de gravata que ele usava eram algemas.
00:06:00E ele começou a vasculhar a casa.
00:06:03E fez isso sem ligar para o Maiko para dizer que a esposa dele estava morta.
00:06:11E ele foi para os fundos e encontrou o corpo da Christine.
00:06:16Atenção! Notificação de assalto com reféns perto do Parque Central.
00:06:21Perto do Parque Central, repito.
00:06:23O assassino cobriu o cadáver dela com uma mala azul e uma cesta de vime.
00:06:30O rosto dela não era mais reconhecível como o de um ser humano.
00:06:35Usando, provavelmente, um sarrafo da obra dos fundos, sabemos disso porque havia pedaços de madeira embutidos em seu cérebro.
00:06:50Christine Morton estava deitada de costas e o assassino deu um golpe violentíssimo no rosto dela.
00:06:56E a golpeou repetidamente, nove ou dez vezes.
00:07:05Ela estava morta após o segundo, ou provavelmente, se não o primeiro golpe.
00:07:16O delegado Balthwell não viu sinais de entrada forçada.
00:07:20Ele não viu se alguma coisa foi roubada.
00:07:22E os investigadores determinaram que a Christine Morton não foi agredida sexualmente.
00:07:31Ele encontrou o bilhete do Michael para a Christine.
00:07:36E o bilhete dizia,
00:07:38Eu não queria brigar com você sobre sexo, mas você me deixou sem no meu aniversário.
00:07:45E eu te vejo hoje à noite.
00:07:47Enquanto isso, o Michael Morton foi à creche para pegar seu filho Eric.
00:07:54O Eric não estava na creche.
00:07:57Então o Michael ligou para casa para ver o que estava acontecendo.
00:08:01O delegado Balthwell atendeu o telefone.
00:08:05E disse, você tem que voltar para cá agora.
00:08:07Atenção, unidade 17 e 24.
00:08:13Voltem para a central.
00:08:16Ele respondeu a todas as perguntas.
00:08:19E disse a eles.
00:08:21Eu não fiz isso.
00:08:23Eu não sei quem fez.
00:08:25Eu estava no trabalho.
00:08:26Eu só soube disso depois.
00:08:28E a manchete de hoje é um assassinato brutal no condado de Williamson que está deixando investigadores perplexos.
00:08:35Os policiais se recusaram a dar detalhes sobre o assassinato, mas o possível suspeito está sendo interrogado sobre o crime.
00:08:44A primeira vez que eu vi meu irmão Michael depois do assassinato foi no funeral.
00:08:51Ele era uma pessoa diferente.
00:08:54Nós também.
00:08:55Eu também.
00:08:55Nossa família ficou totalmente diferente.
00:08:57Quando a Chris morreu, nossa família se despedaçou.
00:09:00Uma parte de nós morreu.
00:09:04Quando a investigação criminal começou, eles começaram a interrogar meu irmão.
00:09:09E começaram a interrogar os vizinhos.
00:09:11E os colegas de trabalho.
00:09:13E as pessoas que eles conheciam perguntando que tipo de pessoa ele é.
00:09:18Eles o viam como o principal suspeito.
00:09:20Pensar que ele poderia fazer algo assim com a própria esposa ou com qualquer um deixou a gente chocado.
00:09:29E aí o pesadelo foi para outro nível.
00:09:32Pouco depois do funeral da Christine, Michael ouviu a campainha da sua casa.
00:09:42Ele pegou o filho Eric e eles foram até a porta, juntos.
00:09:46E era o delegado Poutwell e vários subdelegados.
00:09:55Eles tiraram o filho dos braços dele.
00:10:03Algemaram o Michael.
00:10:04E o Michael olhou para trás e viu o Eric estendendo a mão e gritando,
00:10:12Papai! Papai! Papai!
00:10:17O garotinho que tinha acabado de perder a mãe, estava perdendo o pai.
00:10:26Isso me afetou como pai, porque pensei nos meus filhos.
00:10:29E é por isso que foi assombrado por esse caso.
00:10:37Pode imaginar como foi horrível para aquele garotinho de três anos e meio.
00:10:41Não, eu não consigo.
00:10:42Você não pode. Nenhum de nós pode.
00:10:44Não dá para imaginar.
00:10:51Tudo o que aconteceu com o meu irmão aconteceu muito rápido.
00:10:55Logo depois do funeral, caíram em cima dele.
00:10:58Menos de seis meses depois que o Michael foi preso, o caso foi a julgamento.
00:11:02Isso é muito rápido para um julgamento de assassinato.
00:11:06Michael Morton procurou e conseguiu os melhores advogados que pôde.
00:11:11Bill Allison e Bill White.
00:11:13O Michael estava...
00:11:16se sentindo massacrado pela situação em que se encontrava.
00:11:21Ele não tinha uma personalidade forte.
00:11:23Era o único suspeito que eles tinham.
00:11:27E a única coisa que ele tinha a dizer a respeito era foi outra pessoa, não sei quem foi.
00:11:32Enquanto eu viver, terei sentimentos conflitantes sobre esse caso.
00:11:36Me envolvi com o Michael Morton como estudante, trabalhando para os advogados de defesa Bill White e Bill Allison, que o defenderam no caso.
00:11:44Minhas primeiras impressões do Michael foram que ele era um homem muito bem vestido e articulado, mas não particularmente emotivo por natureza.
00:11:51Um pouco rígido, às vezes, mas muito controlado.
00:11:59No período que antecedeu ao julgamento, eu fiquei um pouco indeciso se ele havia cometido ou não o crime.
00:12:10Eu fui enviado a Georgetown para pegar as fotos da cena do crime.
00:12:14Foi quando eu vi as fotos da cena do crime pela primeira vez.
00:12:26Foi um momento de muita reflexão para um estudante de direito de vinte e poucos anos.
00:12:42O tribunal onde ocorreu o julgamento era enorme, no antigo prédio do tribunal do condado de Williamson.
00:12:55E tinha uma atmosfera sulista, antiga, com assentos longos, tipo banco de igreja e corrimãos de madeira antigos.
00:13:04Parecia até um julgamento de cinema.
00:13:08O promotor era o procurador distrital eleito Ken Anderson.
00:13:12Ken Anderson era um promotor muito sarcástico, agressivo e inteligente.
00:13:20Ele foi muito inteligente, jogando com as emoções do caso.
00:13:25Aquilo foi bastante eficaz.
00:13:27Ele era meticuloso. Ele estava muito, muito bem preparado.
00:13:32Eles colocaram a sua melhor equipe nesse julgamento.
00:13:35A estratégia principal que eles usaram, em grande parte, foi destruir o caráter do Michael.
00:13:45O enredo, essencialmente, era de um casamento infeliz, do qual ele queria fugir.
00:13:51E aí ele perdeu a paciência naquela noite e tentou acobertar tudo.
00:13:55A teoria do estado, no caso de um julgamento, era que o Michael havia matado a Christine em um acesso de raiva sexual.
00:14:04Porque ela não fez sexo com ele no aniversário dele.
00:14:08E o bilhete aqui estava no espelho do banheiro.
00:14:11Você me deixou sem no meu aniversário?
00:14:13Foi a prova que eles usaram.
00:14:15Mas havia mais provas.
00:14:16Havia um fio de cabelo na mão dela.
00:14:20Houve testemunho no julgamento de que era consistente com o cabelo do Michael.
00:14:24De fato, eles disseram que era consistente com um pelo do pênis dele.
00:14:29Havia também uma mancha de sêmen na cama.
00:14:32O estado chamou uma testemunha para testemunhar que era uma mancha pura, contendo apenas células masculinas.
00:14:38O promotor pediu ao patologista do estado, Roberto Baiardo, para dar um parecer sobre a hora da morte.
00:14:48Então, ele examinou o conteúdo estomacal da Christine e a taxa de digestão.
00:14:54E daí produziu uma teoria sobre a hora da morte.
00:14:58O Dr. Baiardo testemunhou que a hora da morte foi algum momento antes do Michael sair para o trabalho.
00:15:03A defesa do Michael era, não fui eu.
00:15:09Não sei quem foi.
00:15:10Eu estava no trabalho.
00:15:12Claro e simples.
00:15:14A única teoria de defesa que tínhamos era que foi o ato de algum maníaco que poderia entrar na sua casa e matar você.
00:15:27Do ponto de vista emocional, eu não acho que o Michael foi a melhor das testemunhas.
00:15:35Mas, sinceramente, eu não senti que eles tinham provas necessárias para uma condenação.
00:15:41Assim, Ken Anderson, o promotor,
00:15:44esperou até a refutação do argumento final, quando já era tarde demais para a defesa, dizer algo em resposta.
00:15:51E aí, se masturbou a ponto de ejacular.
00:16:21E isso foi mais baixo que isso, é impossível.
00:16:26Isso matou a gente.
00:16:28Isso quase acabou com a gente.
00:16:31E então, ele mostrou fotos coloridas da cena do crime.
00:16:35E do sangue por toda parte.
00:16:37E disse, não deixem esse monstro escapar.
00:16:41Não estaremos seguros se ele ficar solto.
00:16:43O júri não deliberou por muito tempo.
00:16:47Eles tinham a comprovação científica da hora da morte pela análise do conteúdo estomacal.
00:16:54E Michael Morton foi condenado.
00:16:56Michael Morton foi condenado à prisão perpétua.
00:17:08Eu não fiz isso.
00:17:09Desculpe.
00:17:10Eu não poderia fazer isso.
00:17:12O promotor público, Ken Anderson, disse que a prisão perpétua era boa demais para ele.
00:17:17Ele devia ter recebido a pena de morte.
00:17:20Depois de um tempo, foi doentio ver esse homem chorar.
00:17:23E pra mim, parecia que ele chorava só por ele mesmo e mais ninguém.
00:17:25Então, poucos meses depois que Michael foi condenado, uma outra mulher foi golpeada no rosto com um instrumento contundente enquanto dormia.
00:17:41Morte exatamente da mesma forma que Christine Morton.
00:17:51Notícia de última hora em North Austin esta manhã.
00:17:54O corpo de uma moradora de 32 anos foi encontrada em sua casa na quinta-feira, assassinada no que os investigadores chamaram de um espancamento selvagem.
00:18:05Na manhã de 13 de janeiro de 1988, Deborah Jan Baker não apareceu pra trabalhar.
00:18:13O empregador dela procurou a mãe da Deborah e pediu pra que ela contatasse a Deborah, porque não era costume dela não aparecer no trabalho.
00:18:22Então, a mãe foi até a residência dela e chamou pela Deborah.
00:18:34E como ela não obteve resposta, foi até o quarto principal.
00:18:48E foi quando ela fez uma descoberta terrível.
00:18:51A minha mãe me ligou no trabalho e disse que a Debbie estava morta.
00:19:00E eu não sei, eu não sabia o que pensar.
00:19:04Eu só pensei, não pode ser.
00:19:06Como?
00:19:07Ela pode estar morta.
00:19:08E ela disse que foi assassinada.
00:19:10Atenção, apoio aéreo solicitado.
00:19:19Apoio aéreo solicitado na High Line, perto do Shopping Mall.
00:19:22Quando chegamos lá, eles já tinham colocado aquela fita e eu passei por baixo da fita, correndo em direção à casa.
00:19:34E eu só lembro da polícia me parando, dizendo, ou, ou, ou, me impedindo e dizendo, não pode entrar, quem é você?
00:19:41Atenção, fuga em alta velocidade pela Highway 27.
00:19:44Deborah Jan Baker estava deitada em posição semipronada na cama dela.
00:19:49Havia, na cena do crime, indícios de um ataque violento.
00:19:56Tinha travesseiro sobre a cabeça e o corpo da Deborah Baker.
00:20:03Tinha muitas semelhanças com o caso da Christine Morton.
00:20:07Ela foi atingida várias vezes na cabeça.
00:20:11Todos os golpes na cabeça dela foram de natureza fatal e fraturaram o crânio.
00:20:16A arma era provavelmente um objeto fino e linear, bem pesado.
00:20:25E foi uma cena horripilante e sangrenta, que faz você pensar naquela pobre mãe que teve que encontrar a filha.
00:20:35Naquele estado.
00:20:35Havia outros ferimentos nas mãos dela.
00:20:40Eles eram característicos de ferimentos defensivos.
00:20:45Como se ela estivesse tentando lutar contra o agressor.
00:20:49Existiam muitas coisas naquela cena que fazem um investigador se perguntar.
00:20:54Foi alguém próximo a ela?
00:20:56Parecia a pessoal.
00:20:57Pelo grau de violência.
00:21:02Tinha também um travesseiro apoiado embaixo dela.
00:21:07Ela estava meio que de lado, de barriga.
00:21:11Isso, às vezes, é um indício de agressão sexual.
00:21:14Mas durante a necrópsia que fizeram nela, eles não conseguiram localizar nenhuma amostra de fluido seminal.
00:21:26Deborah Jean Baker morava com seus dois filhos, mas naquela noite em particular, ela estava sozinha na residência.
00:21:33A porta de vidro de correr na parte traseira da residência da casa provavelmente foi o ponto de entrada.
00:21:47As caixas de joias estavam abertas, mas não parecia que qualquer coisa tinha sido levada de lá.
00:21:56Tinha uma toalha azul no chão do banheiro.
00:22:00O que sugeria que o agressor podia ter se limpado após o crime, ou, nesse caso, podia até ter tomado banho.
00:22:11Quando usaram um aspirador de pó, os investigadores encontraram fios de cabelo.
00:22:16E aspiraram um edredom cor-de-rosa, a cama e os lençóis.
00:22:20As únicas coisas que faltavam na casa da Debbie eram o videocassete, algum dinheiro da bolsa e umas roupas que provavelmente foram usadas para embrulhar o videocassete.
00:22:35Em crimes como esse, é normal que um suspeito às vezes leve um objeto.
00:22:42Mas não é normal ser um videocassete.
00:22:44A minha mãe morreu em 13 de janeiro de 1988, e eu fiz quatro anos em 16 de janeiro do mesmo ano.
00:23:14Eu estava, como a minha avó disse, há poucos dias do meu quarto aniversário.
00:23:22Então, eu não sei muito sobre ela, sobre a minha mãe.
00:23:26Eu só sei pelo que os outros contam.
00:23:28Mas, eu passei toda a minha vida vivendo as histórias de outras pessoas.
00:23:34A Debbie era a minha irmã mais velha.
00:23:40A Debbie sempre foi a irmã mais velha de todo mundo.
00:23:44Ela era muito ambiciosa, não havia nada que não tentasse.
00:23:48Ela era corretora, trabalhava com imóveis, administração de propriedades.
00:23:52Ela era bastante ocupada, tinha dois filhos pequenos.
00:24:01Nós sempre íamos à casa da Debbie.
00:24:04E, na noite em que ela foi assassinada, eu e ela estávamos relaxando na casa dela.
00:24:11Ela não estava com as crianças naquela noite.
00:24:13E tivemos uma noite bem normal, tomando café, conversando.
00:24:17Mas, tinha um vento gelado, eu lembro disso.
00:24:22E, lá, não costumava ventar assim.
00:24:29Eu ouvi um barulho.
00:24:32E, perguntei o que era aquilo.
00:24:34O que eu estou ouvindo?
00:24:36E, ela disse, é uma vidraça quebrada.
00:24:39E, ela pôs um saco de plástico no lugar, por causa da frente fria.
00:24:43E, ela disse, deve ser isso que você está ouvindo.
00:24:52Eu fui embora, por volta da meia-noite.
00:24:55Sempre pensei que o que eu ouvi era ele, no closet.
00:25:20Sempre tive a sensação de que ele estava lá, só esperando que eu fosse embora.
00:25:25Bem no início da investigação, os investigadores se concentraram em indivíduos que eram próximos a Deborah Baker.
00:25:42Disseram, precisamos que todos vocês venham à delegacia para um depoimento.
00:25:48E entrevistaram cada um de nós, separadamente.
00:25:52Queriam saber mais sobre ela e fazer perguntas, se conhecíamos alguém que tivesse alguma coisa contra ela, que quisesse machucá-la.
00:26:02E, começaram a fazer muitas perguntas sobre o ex-marido, o Phil.
00:26:11A Debbie e o marido eram separados, mas tinham a guarda conjunta dos filhos.
00:26:17O Phil morava muito perto.
00:26:19E eles queriam saber se o Phil era violento e como ficou a relação deles com o divórcio.
00:26:28E eu me lembro de contar que eles seguiram caminhos separados e tiveram muitos problemas de dinheiro e...
00:26:37Você sabe.
00:26:39Mas os investigadores tinham certeza de que foi o Phil.
00:26:48É, porque você nunca sabe quem vai surtar, quem vai fazer uma coisa dessas.
00:26:52Mais de 50% dos feminicídios nos Estados Unidos são resultado de relacionamentos com familiares ou com namorados.
00:27:05Portanto, logo no início da investigação, os investigadores se concentraram no ex-marido da Deborah Baker.
00:27:13Eles o interrogaram e fizeram questão de ser muito minuciosos ao longo das entrevistas com o ex-marido.
00:27:22Eles decidiram que ele queria as crianças. Foi o que disseram.
00:27:25Oh, ele queria a guarda das crianças.
00:27:29E durante o interrogatório, eles tentavam imaginar cenários de como ele poderia estar dentro da casatela.
00:27:38Ele negou. Ele negou tudo.
00:27:41Eles conseguiram encontrar e identificar aproximadamente 15 impressões digitais dele no quarto principal e no banheiro principal.
00:27:58E aí resolveram pedir um teste de polígrafo.
00:28:02O Phil passou bem no polígrafo.
00:28:18E lembro que na época eu não mencionei o real motivo da separação.
00:28:23Eu voltei lá e disse, eu tenho que dizer uma coisa.
00:28:28Eles se separaram porque o Phil era gay e ele tinha se assumido.
00:28:33A Debbie e o Phil estavam separados, mas tinham uma relação muito amigável e a guarda compartilhada.
00:28:39Cada um ficava com as crianças por uma semana.
00:28:42Ele morava muito perto e estava com as crianças naquela noite quando ela foi assassinada.
00:28:48E eu digo isso com respeito ao Phil, mas ele não queria os filhos em tempo integral.
00:28:53Ele estava curtindo a vida.
00:28:55Ele podia namorar e fazer coisas que não podia fazer antes.
00:29:00E ter dois filhos pequenos não facilitava isso.
00:29:05E não havia provas de que o ex-marido quisesse causar esse tipo de dano a ela.
00:29:11A Debbie não tinha inimigos.
00:29:14Ela nunca irritava as pessoas.
00:29:16Ela era amiga de todos.
00:29:19E eu nunca soube que alguém tenha dito alguma coisa de ruim sobre ela.
00:29:25E isso não é para lembrar dela como uma santa.
00:29:27Era assim que ela era.
00:29:29Era impossível imaginar como alguma pessoa pudesse estar com tanta raiva dela
00:29:36porque ela foi morta com extrema violência.
00:29:41Enquanto isso, o assassino estava solto em algum lugar.
00:29:46E foi a partir desse momento que eles decidiram seguir em frente e começaram a investigar outras pessoas.
00:29:59Nós queríamos explorar todas as possibilidades e determinar se ela tinha outros relacionamentos amorosos.
00:30:05A Debbie não estava namorando, estava muito ocupada com o novo emprego e dois filhos pequenos.
00:30:13Foi realizada uma investigação no bairro dela.
00:30:19Os policiais também analisaram qualquer outra atividade suspeita que já tivesse sido relatada,
00:30:25mesmo antes do homicídio.
00:30:26Aconteceram investigações de suspeitos na área onde haviam históricos de agressões sexuais anteriores,
00:30:37arrombamentos, esse tipo de coisa.
00:30:40E eu sei que inicialmente havia 52 suspeitos de quem compararam impressões digitais que tiraram da cena.
00:30:48Essas informações podem ser inseridas em um banco de dados nacional
00:30:54e podem ser compartilhadas com agências da costa leste e a costa oeste.
00:30:58Mas não houve correspondência entre os DNAs pesquisados.
00:31:01Em 1988, a tecnologia do DNA estava apenas no começo.
00:31:06Então, aquela era uma época em que nós não tínhamos em nossas mãos
00:31:11todos os recursos que necessariamente nós teríamos à nossa disposição hoje.
00:31:15Mas havia um dispositivo eletrônico, o videocassete, que seria identificável.
00:31:20Os investigadores conseguiram obter o número de série
00:31:22e colocaram panfletos em várias lojas de penhores da área
00:31:27para que se algum funcionário se deparasse com o videocassete Montgomery Ward de 1984
00:31:32com aquele número de série, deveria notificar a divisão de homicídios.
00:31:38Mas aquilo não deu em nada.
00:31:45O caso era realmente um mistério e nós não tínhamos muitos dados
00:31:52para seguir em frente naquela época, em 1998.
00:31:58Aí fizemos o funeral
00:31:59e foi estranho, porque a gente sabia que a polícia estava lá
00:32:04e eles disseram que estariam lá,
00:32:06olhando para ver quem é que ia no enterro, quem é que estaria lá.
00:32:10E a gente ficava olhando em volta, pensando,
00:32:12quem é que está aqui que poderia ter feito isso.
00:32:16Aí ligamos para a polícia e perguntamos,
00:32:18deu algum resultado?
00:32:21Só que eles nunca, nunca diziam nada.
00:32:25Nós não conseguimos nenhuma pista
00:32:26para poder seguir adiante e com isso
00:32:29Esse caso acabou sendo arquivado.
00:32:37A gente só podia suspeitar
00:32:39de todas as pessoas que conhecíamos.
00:32:44Passamos vários anos olhando
00:32:46para as pessoas e imaginando
00:32:49E era meio venenoso, de certa forma,
00:32:54pensar nas pessoas
00:32:57de forma suspeita.
00:33:04As pessoas me dizem que
00:33:06quando eu era criança, bem nova,
00:33:07eu começava a chorar chamando a minha mãe.
00:33:10Eu não me lembro de nada disso.
00:33:12Mas não se tornou real para mim
00:33:14até que eu tinha 18 anos
00:33:15e me formei no ensino médio.
00:33:17E por algum motivo,
00:33:18naquele dia da formatura, eu disse,
00:33:19Ai, a minha mãe não vai estar lá.
00:33:21E foi quando a ficha caiu.
00:33:22E a partir daí foi uma história diferente.
00:33:27Mas foi só aos 18 anos que eu
00:33:28comecei a pensar sobre o que aconteceu.
00:33:34Mas com certeza
00:33:35tinha uma nuvem sobre a minha família,
00:33:38uma nuvem pesada.
00:33:43A minha mãe foi assassinada,
00:33:44mas o motivo,
00:33:46o motivo e quem foi
00:33:47eram perguntas que ficaram no ar.
00:33:49Parabéns pra você
00:33:53nesta data querida.
00:33:57Muitas felicidades,
00:34:02muitos anos de vida.
00:34:04Michael estava na prisão havia 14 anos.
00:34:15Ele perdeu recurso após recurso.
00:34:18Mas em 2002,
00:34:20o Projeto Inocência descobriu seu caso
00:34:23através do Bill Ellison,
00:34:24seu advogado no julgamento.
00:34:26O Projeto Inocência é um grupo de advogados
00:34:34que conta com algumas das melhores
00:34:36e mais brilhantes pessoas que já conheci,
00:34:38que estavam entre os primeiros
00:34:40a considerar como usar
00:34:42a nova tecnologia de DNA
00:34:44que estava revolucionando a ciência.
00:34:47O objetivo
00:34:48é libertar os inocentes.
00:34:50Em 2004,
00:34:52o Projeto Inocência de Nova York
00:34:55me ligou e me pediu
00:34:56para assumir o caso.
00:34:58Levei um minuto
00:34:59para entender
00:35:00porque pensei,
00:35:02você está ligando
00:35:02para o número certo?
00:35:04Eu nunca tinha participado
00:35:05de um caso criminal.
00:35:07Pode-se argumentar
00:35:08que eu era o advogado
00:35:09menos qualificado do Texas
00:35:11para aceitar
00:35:12um caso de assassinato
00:35:13desse nível.
00:35:14Mas eles
00:35:16disseram que
00:35:17eles me queriam.
00:35:20Acho que minha experiência
00:35:21com negligência médica
00:35:23em análise de conteúdo estomacal
00:35:25foi o que me levou
00:35:26para esse caso.
00:35:27Uma vez dentro,
00:35:29eu estava dentro.
00:35:33Uma das primeiras coisas
00:35:35que me impressionou
00:35:36foi o bilhete
00:35:37que ele deixou
00:35:37para Christine.
00:35:39E eu pensei,
00:35:41espera aí,
00:35:42se eu fosse matar
00:35:44a minha esposa,
00:35:45a última coisa
00:35:47que eu faria
00:35:47seria deixar um bilhete
00:35:49chamando a atenção
00:35:50para uma discussão
00:35:51com a minha esposa.
00:35:53Não faria sentido.
00:35:57Ao ler o arquivo,
00:35:58não encontrei
00:35:59nenhuma prova real
00:36:00de culpa.
00:36:01Nenhuma testemunha,
00:36:02não havia testemunha
00:36:03de qualquer violência.
00:36:04Ele não era fechado.
00:36:06O Sr. Morton
00:36:06passou em dois testes
00:36:08o polígrafo
00:36:09na época do julgamento
00:36:10e o médico legista
00:36:12não examinou o corpo
00:36:13por alguns dias
00:36:14então não pôde usar
00:36:15os métodos padronizados
00:36:17para estabelecer a morte
00:36:18por rigor mortis
00:36:19ou fígado mortis.
00:36:21Ele usou uma análise
00:36:22do conteúdo estomacal
00:36:23como único meio
00:36:24para determinar
00:36:25a hora da morte
00:36:26o que toda a literatura médica
00:36:27diz que não pode se fazer.
00:36:29Isso nunca deveria
00:36:30ter entrado como prova
00:36:31e se essa foi a base
00:36:32para a conclusão do júri
00:36:34então não havia nada.
00:36:35Não havia nada
00:36:36para condenar aquele homem
00:36:37no julgamento.
00:36:38não quer dizer
00:36:39que ele era inocente
00:36:40mas eu estava determinado
00:36:43a fazer o que precisasse
00:36:44fazer para descobrir.
00:36:49John Raley
00:36:50estava me ensinando tudo
00:36:51como estudante
00:36:52de direito
00:36:52e escrituária.
00:36:53eu sempre me interessei
00:36:55pelos casos
00:36:57do projeto Inocência
00:36:59e no caso do Michael
00:37:00eles precisavam
00:37:01de gente no Texas.
00:37:03Então o John Raley
00:37:04disse
00:37:05é aí garota
00:37:06vamos fazer isso juntos
00:37:07e foi meio que
00:37:08para me dar uma oportunidade
00:37:10de fazer uma coisa do gênero.
00:37:13A Jack foi comigo
00:37:14visitar o Michael
00:37:15pela primeira vez
00:37:15na prisão.
00:37:16Ela estava muito animada.
00:37:18eu estava cética
00:37:21de que ele fosse inocente
00:37:22para ser bem sincera
00:37:24mas eu tinha certeza
00:37:25absoluta
00:37:26de que ele não teve
00:37:26um julgamento justo
00:37:27e a investigação
00:37:28não foi
00:37:29totalmente completa.
00:37:31Eu sabia
00:37:32que precisávamos
00:37:32nos aprofundar
00:37:33no caso
00:37:34obter uma análise
00:37:36de quais eram
00:37:37os fatos
00:37:37no momento
00:37:39em que o Michael
00:37:39foi preso
00:37:40no momento
00:37:40de seu julgamento
00:37:41e trazê-la
00:37:42para os dias de hoje.
00:37:44Fomos de carro
00:37:47para a chamada
00:37:48Unidade Michael
00:37:49no leste do Texas
00:37:50no meio do nada.
00:37:56O John e eu
00:37:57encontramos o Michael
00:37:59e esse encontro
00:38:00aconteceu na área
00:38:01de reunião de família.
00:38:03Achamos estranho
00:38:04porque nós éramos
00:38:06os advogados.
00:38:07eu perguntei a ele
00:38:14o que aconteceu
00:38:15em 12 e 13 de agosto
00:38:17de 1986
00:38:18me fala
00:38:19desses dois dias
00:38:20com o máximo
00:38:21de detalhes que puder
00:38:22e ele fez isso.
00:38:26Depois de um
00:38:27dos melhores dias
00:38:28da minha vida
00:38:29às 5 horas da manhã
00:38:31seguinte
00:38:31o alarme tocou
00:38:32e eu
00:38:33tomei banho
00:38:34me barbiei
00:38:35me vesti
00:38:36e foi
00:38:37a última vez
00:38:38que eu vi
00:38:38minha mulher
00:38:39com vida.
00:38:42Foi exatamente
00:38:43a mesma coisa
00:38:44que ele havia
00:38:44dito no julgamento
00:38:45muitos e muitos
00:38:46anos atrás.
00:38:50O John
00:38:51quando conheceu
00:38:52o Michael
00:38:53não teve dúvida
00:38:54de que
00:38:55ele era inocente.
00:38:58Não afirmo
00:38:59ter poderes
00:38:59mediúnicos
00:39:00mas minha especialidade
00:39:01é interrogar pessoas
00:39:02e geralmente
00:39:03sei quando estão mentindo
00:39:04e não havia
00:39:06nada
00:39:06sobre aquele homem
00:39:07que não se
00:39:09traduzisse
00:39:10em integridade
00:39:11e honestidade.
00:39:16Num dado momento
00:39:17John pediu licença
00:39:18para ir no banheiro
00:39:19e deixou a jaqueta dele
00:39:21dobrada
00:39:21sobre a mesa.
00:39:24Eu precisei
00:39:25de toda a força
00:39:26de vontade
00:39:27que eu tinha
00:39:27para não estender a mão
00:39:28e tocar nela
00:39:29porque parecia
00:39:30muito macia
00:39:30e confortável
00:39:31parecia muito boa.
00:39:32A visita
00:39:36ao Michael
00:39:37confirmou
00:39:38para mim
00:39:39que ele era
00:39:40mesmo inocente
00:39:41e isso aumentou
00:39:41a aposta.
00:39:42Agora não era só
00:39:43mais uma moção
00:39:43legal.
00:39:44Agora havia
00:39:45um homem
00:39:45inocente
00:39:46na prisão.
00:39:47Agora havia
00:39:47um assassino
00:39:48brutal
00:39:48talvez a solta
00:39:49talvez matando
00:39:50outras pessoas.
00:39:51quando John
00:40:00voltou para casa
00:40:01naquela noite
00:40:02ele estava
00:40:03empolgado
00:40:04e dava
00:40:05para ver
00:40:06que era
00:40:06outro nível
00:40:07de intensidade
00:40:09foi tipo
00:40:10tá bom
00:40:11isso é
00:40:12para valer
00:40:12acabei de conhecer
00:40:14um homem
00:40:14que está na prisão
00:40:15todos esses anos
00:40:16e que
00:40:17perdeu
00:40:18tudo
00:40:19ele perdeu
00:40:20tudo
00:40:20e é inocente
00:40:21não deveria
00:40:22estar lá
00:40:23e ele disse
00:40:23Kelly
00:40:23temos que
00:40:24eu tenho
00:40:25que tirá-lo
00:40:26tem que acontecer
00:40:27e eu só disse
00:40:28então
00:40:28faça isso
00:40:29faça isso
00:40:31John
00:40:31Kelly Raleigh
00:40:34é a melhor
00:40:36pessoa
00:40:36e a mais
00:40:36inteligente
00:40:37que eu conheço
00:40:38ela é
00:40:40brilhante
00:40:41ela é linda
00:40:42e
00:40:43ela é boa
00:40:44e eu sou
00:40:46abençoado
00:40:47que
00:40:47ela até
00:40:48quisesse
00:40:49sair comigo
00:40:49quanto mais
00:40:50casar comigo
00:40:51que ela é
00:40:52uma advogada
00:40:52muito boa
00:40:53uma investigadora
00:40:53muito boa
00:40:54uma pesquisadora
00:40:55muito boa
00:40:55então ela pesquisou
00:40:56com dados de
00:40:57Williamson
00:40:58e descobriu
00:40:59a máquina
00:40:59política
00:41:00que eu enfrentaria
00:41:01e entendeu
00:41:01mais do que eu
00:41:02o quanto
00:41:03seria difícil
00:41:04o John
00:41:06ama desafios
00:41:07ele sempre
00:41:08amou desafios
00:41:09ele ainda ama
00:41:10desafios
00:41:10e definitivamente
00:41:12não é o tipo
00:41:13de pessoa
00:41:14que vai
00:41:14recusar alguma
00:41:15coisa só porque
00:41:16pode estar fora
00:41:17da zona de conforto
00:41:19dele
00:41:19mas
00:41:19eu não quero
00:41:21chamá-lo de ingênuo
00:41:22porque ele foi mesmo
00:41:23foi sim
00:41:25existia uma
00:41:29forte conexão
00:41:30familiar
00:41:31e política
00:41:32naquele condado
00:41:33havia décadas
00:41:35ele não ia conseguir
00:41:51a cooperação
00:41:52daquelas pessoas
00:41:53porque lançaria
00:41:54uma luz ruim
00:41:55sobre seus mentores
00:41:56seus amigos
00:41:57seus colegas
00:41:58e eles iam
00:41:59proteger uns aos outros
00:42:00aí eu disse
00:42:02John não se deixe
00:42:03enganar
00:42:03por esses caras
00:42:04eles não vão ser
00:42:05legais com você
00:42:06isso foi muito
00:42:08difícil
00:42:09para entender
00:42:10não deveria
00:42:11haver oposição
00:42:13a uma busca
00:42:14honesta da verdade
00:42:15eu não tinha ideia
00:42:17entrando nisso
00:42:18a extensão que teria
00:42:20e quanto trabalho
00:42:21seria preciso
00:42:21montamos uma equipe
00:42:26pequena
00:42:26e começamos
00:42:28a trabalhar
00:42:28quando obtivemos
00:42:32a lista de provas
00:42:33que ainda estava
00:42:34arquivada
00:42:35vimos uma bandana
00:42:36que tinha
00:42:37sangue nela
00:42:38existe um registro
00:42:40feito por um dos
00:42:42subdelegados
00:42:43que notou
00:42:44que havia
00:42:45uma bandana
00:42:45suja
00:42:46em um meio fio
00:42:48perto de um canteiro
00:42:49de obras
00:42:49a cerca de uns
00:42:50100 metros
00:42:51da casa
00:42:51ele não pegou
00:42:53porque achou
00:42:53que parecia
00:42:54que ela estava
00:42:54lá há muito tempo
00:42:55o irmão
00:42:57da Christine Morton
00:42:58que não estava
00:42:58impressionado
00:42:59com a equipe
00:42:59investigativa
00:43:00do caso
00:43:01fez a sua
00:43:02própria busca
00:43:03ele encontrou
00:43:04a bandana
00:43:04pegou
00:43:05levou de volta
00:43:07para casa
00:43:07e colocou
00:43:08em um
00:43:09um saquinho
00:43:11ele levou
00:43:12para a delegacia
00:43:14e praticamente
00:43:14forçou eles
00:43:15a registrarem
00:43:16como prova
00:43:17notou-se
00:43:20que havia
00:43:21sangue nela
00:43:22não havia
00:43:23teste de DNA
00:43:24disponível
00:43:24naquela época
00:43:25então foi
00:43:26colocada
00:43:27num saco
00:43:28e guardada
00:43:29e foi
00:43:29ignorada
00:43:30naturalmente
00:43:36queríamos
00:43:37tentar
00:43:37fazer um
00:43:38teste
00:43:38de DNA
00:43:39na bandana
00:43:40para ver
00:43:41de quem
00:43:42era o sangue
00:43:43pensando que
00:43:44poderia ser
00:43:44o sangue
00:43:45da Christine
00:43:45misturado
00:43:47com suor
00:43:48as células
00:43:50epiteliais
00:43:51talvez
00:43:51cabelo
00:43:52do agressor
00:43:54se pudéssemos
00:43:56obter
00:43:57uma amostra
00:43:57concreta
00:43:58de DNA
00:43:58dessas coisas
00:43:59poderíamos
00:44:00passá-la
00:44:00pelo banco
00:44:01de dados
00:44:02federal
00:44:02e talvez
00:44:03identificar
00:44:04o assassino
00:44:05e assim
00:44:07o foco
00:44:08do caso
00:44:08se tornou
00:44:09a bandana
00:44:10azul
00:44:11e era
00:44:13como uma
00:44:13pequena
00:44:14cápsula
00:44:14do tempo
00:44:15esperando
00:44:16para ser
00:44:16testada
00:44:16mandamos
00:44:22a Jack
00:44:23meio que
00:44:23furtivamente
00:44:24para o condado
00:44:25de Williamson
00:44:26eu fui
00:44:29falar
00:44:30com o funcionário
00:44:31do tribunal
00:44:31e procurei
00:44:32a senhora
00:44:32mais simpática
00:44:33que eu consegui
00:44:34encontrar
00:44:35no grupo
00:44:35e
00:44:37eu perguntei
00:44:38se eu podia
00:44:38por favor
00:44:39ver as provas
00:44:39do caso
00:44:40eu disse
00:44:41que era
00:44:41só uma
00:44:41olhadinha
00:44:42eu me lembro
00:44:45que eles tinham
00:44:46acabado de se mudar
00:44:47para um novo
00:44:47prédio
00:44:48e estava
00:44:48tudo
00:44:48meio bagunçado
00:44:49mas ela
00:44:50me levou
00:44:51para o porão
00:44:51daquele tribunal
00:44:53e
00:44:54apontou
00:44:56para um canto
00:44:56e disse
00:44:57provavelmente
00:44:58está ali
00:44:58e
00:45:00ela me deixou
00:45:01lá
00:45:01naquele
00:45:03porão
00:45:03que estava
00:45:03cheio
00:45:04de caixas
00:45:04mas a bandana
00:45:09azul
00:45:10não estava
00:45:10lá
00:45:11então
00:45:15ela foi
00:45:16à delegacia
00:45:16de polícia
00:45:17e
00:45:18eles riram
00:45:19na cara
00:45:19dela
00:45:20e disseram
00:45:20não
00:45:21você não
00:45:21pode ver
00:45:22mas por que
00:45:24eles fariam
00:45:25isso
00:45:26a menos
00:45:26que a bandana
00:45:27pudesse ser
00:45:27um problema
00:45:28para eles
00:45:29em fevereiro
00:45:34de 2005
00:45:35apresentamos
00:45:36nosso pedido
00:45:36de teste
00:45:37de DNA
00:45:38da bandana
00:45:38ensanguentada
00:45:39se conseguíssemos
00:45:41aprovar
00:45:42uma moção
00:45:42isso os forçaria
00:45:44a entregar
00:45:45a bandana
00:45:45para teste
00:45:46o promotor
00:45:48público
00:45:49nem respondeu
00:45:50a nossa moção
00:45:51por 10 meses
00:45:51eles continuaram
00:45:52pedindo extensões
00:45:54que foram
00:45:54inevitavelmente
00:45:55concedidas
00:45:56enquanto isso
00:46:00acontecia
00:46:00um homem
00:46:02inocente
00:46:03passava a vida
00:46:04em uma
00:46:04chala
00:46:04o promotor
00:46:07público
00:46:07tinha
00:46:08convencido
00:46:09a família
00:46:10da Christine
00:46:11de que o Michael
00:46:12era culpado
00:46:13então o Eric
00:46:13foi criado
00:46:14pela irmã
00:46:15da Christine
00:46:15acreditando
00:46:16que o pai
00:46:16dele matou
00:46:17a mãe
00:46:17havia visitas
00:46:20ordenadas
00:46:21pelo tribunal
00:46:21o Eric
00:46:22teria que ser
00:46:23trazido a mim
00:46:24a cada 6 meses
00:46:25pela minha cunhada
00:46:26as visitas
00:46:29eram como oxigênio
00:46:31eu amava
00:46:32ver ele
00:46:32mas também
00:46:33podia ver
00:46:34que ele estava
00:46:34ficando cada vez
00:46:35mais distante
00:46:36quando o Eric
00:46:37ficou um pouco
00:46:38mais velho
00:46:39quando ele começou
00:46:39a entrar na
00:46:40puberdade
00:46:41eu recebi
00:46:42uma carta dele
00:46:43dizendo que
00:46:44gostaria de suspender
00:46:45as visitas
00:46:45de não ir mais
00:46:47eu pensei
00:46:50a respeito
00:46:51pesei os prós
00:46:54os contras
00:46:54e eu escrevi
00:46:55para ele
00:46:56e disse
00:46:56tá
00:46:58eu vou realizar
00:46:59o seu desejo
00:47:00mas
00:47:01você tem que vir
00:47:02aqui
00:47:02e me olhar
00:47:03nos olhos
00:47:03e me dizer
00:47:04isso
00:47:04nós nos
00:47:06cumprimentamos
00:47:07e eu perguntei
00:47:07para ele
00:47:08se aquela
00:47:08era a última
00:47:09visita
00:47:09e ele
00:47:11não me olhou
00:47:11nos olhos
00:47:12ele me disse
00:47:13é
00:47:14é a última
00:47:15com todas
00:47:17as coisas ruins
00:47:18que aconteceram
00:47:19o assassinato
00:47:20da minha esposa
00:47:20minha prisão
00:47:21condenação
00:47:22minha prisão
00:47:23perpétua
00:47:24tudo isso
00:47:26não acabou
00:47:30comigo
00:47:30eu pensei
00:47:31que era durão
00:47:32e que podia
00:47:33aguentar
00:47:33mas
00:47:35quando
00:47:35eu perdi
00:47:36o Eric
00:47:37isso me
00:47:40destruiu
00:47:41na época
00:47:46meu pai
00:47:47era um promotor
00:47:48aposentado
00:47:49e ele
00:47:49sugeriu
00:47:50que ligasse
00:47:50para o promotor
00:47:51público
00:47:51e tentasse
00:47:52conversar
00:47:53com ele
00:47:53argumentar
00:47:54com ele
00:47:54e fiz isso
00:47:55liguei
00:47:56para John Bradley
00:47:56ele tinha sido
00:47:59o promotor
00:48:00do ano
00:48:00do Texas
00:48:01era um homem
00:48:01muito poderoso
00:48:02e então
00:48:04eu estava
00:48:06negociando
00:48:08com o promotor
00:48:10público
00:48:10John Bradley
00:48:11para um teste
00:48:12que poderia
00:48:13revelar
00:48:13que Ken Anderson
00:48:15mentor dele
00:48:16e agora juiz
00:48:18podia ter
00:48:19mandado uma pessoa
00:48:20inocente
00:48:21para a prisão
00:48:21e deixado
00:48:22um assassino
00:48:22em liberdade
00:48:23e eu tentei
00:48:24sei lá
00:48:25falar com ele
00:48:26numa boa
00:48:28eu disse
00:48:28olha
00:48:29tudo que queremos
00:48:30saber
00:48:31é a verdade
00:48:32e nada de ruim
00:48:33pode vir
00:48:34de buscar a verdade
00:48:35ou Michael
00:48:36está onde
00:48:36deveria estar
00:48:37o que é uma coisa boa
00:48:38ou ele é inocente
00:48:40o que significa
00:48:41que pode haver
00:48:41um assassino brutal
00:48:42a solta
00:48:43matando outras pessoas
00:48:44você não quer descobrir?
00:48:48ah
00:48:48e ele disse
00:48:50que
00:48:52fazer o teste
00:48:53turvaria as águas
00:48:55ele disse
00:48:56que fazer o teste
00:48:57turvaria as águas
00:48:59e eu não tinha ideia
00:49:00do que ele queria dizer
00:49:01com isso
00:49:02e eu disse
00:49:03Sr. Bradley
00:49:04a verdade esclarece
00:49:06e
00:49:08a batalha começou
00:49:10a Kelly me deu
00:49:15uma grande analogia
00:49:16uma vez
00:49:17ela disse
00:49:18que era como
00:49:19uma tela dividida
00:49:20de um lado
00:49:21tem o Michael
00:49:21sozinho
00:49:22em uma jaula
00:49:23e do outro lado
00:49:25o John
00:49:26e a Kelly
00:49:27e nós vemos
00:49:28os nossos filhos
00:49:29e os estamos vendo
00:49:30crescer
00:49:31e fazendo atividades
00:49:32escolares com eles
00:49:33reuniões de escoteiros
00:49:35e de esportes
00:49:36e eles vão para o ensino fundamental
00:49:38e médio
00:49:38e vão para a faculdade
00:49:40no mesmo período de tempo
00:49:41e isso sempre me assombrou
00:49:44e ficou na minha mente
00:49:46durante toda a nossa luta
00:49:47ele está sozinho
00:49:49em uma jaula
00:49:50temos que continuar lutando
00:49:52não podemos desistir
00:49:53não podemos parar
00:49:54em 7 de março
00:49:59de 2008
00:50:00tivemos nossa
00:50:01primeira audiência
00:50:02no caso
00:50:03isso foi mais de 3 anos
00:50:04depois
00:50:05de apresentarmos
00:50:06a nossa moção
00:50:07e eu pensei
00:50:10que seria uma chance
00:50:11de fazer um registro
00:50:12sobre o que estava acontecendo
00:50:14e aqui está
00:50:17o que eu disse
00:50:17meritíssimo
00:50:20a uma bandana
00:50:20manchada de sangue
00:50:21que foi encontrada
00:50:22na cena do crime
00:50:23essa bandana
00:50:24pode conter o sangue
00:50:25da vítima
00:50:26Christine Morton
00:50:27mas também pode conter
00:50:29células epiteliais
00:50:30saliva e suor
00:50:31que podem conter
00:50:33o DNA do assassino
00:50:34ela nunca foi submetida
00:50:36a testes de DNA
00:50:37não há mal nenhum
00:50:39acreditamos
00:50:40em tentar buscar a verdade
00:50:41e não entendemos
00:50:43porque o estado
00:50:44está resistindo a isso
00:50:45eles lutaram
00:50:47contra nós
00:50:47a cada passo
00:50:48do caminho
00:50:49se não houver
00:50:51DNA suficiente
00:50:52para fazer qualquer coisa
00:50:53pelo menos
00:50:54saberemos que tentamos
00:50:55obrigado juiz
00:50:57bom
00:51:02o juiz
00:51:04ele não aceitou
00:51:05porque John Bradley
00:51:09não queria
00:51:10que ele aceitasse
00:51:11é simples assim
00:51:13o senhor Bradley
00:51:15nem falou
00:51:16na audiência
00:51:17já estava
00:51:18tudo resolvido
00:51:19John e eu
00:51:23estávamos sentados
00:51:25à mesa
00:51:25estávamos lendo
00:51:27o jornal de Houston
00:51:28e abrimos o jornal
00:51:30e
00:51:30eu vi
00:51:32primeiro
00:51:32e quase tive
00:51:33um infarto
00:51:34disse John
00:51:35Rick Perry
00:51:36acabou
00:51:37de atribuir
00:51:38um lugar
00:51:39na comissão
00:51:39de ciência
00:51:40forense
00:51:41para John Bradley
00:51:42não dava para acreditar
00:51:50eu simplesmente não podia
00:51:52acreditar que ele foi nomeado
00:51:54para ser o presidente
00:51:55não só colocaram ele na comissão
00:51:57naquela semana
00:51:58mas também nomearam
00:51:59presidente da comissão
00:52:01e
00:52:02eu disse
00:52:03esse é um homem que não permite
00:52:05o teste de DNA
00:52:06não permite esse tipo de exame
00:52:08agora o chefe de perícia
00:52:09do nosso estado
00:52:10não fazia sentido para mim
00:52:11aí eu soube o tamanho
00:52:13da influência política
00:52:14em toda a situação
00:52:15existia toda essa
00:52:17essa
00:52:18confusão
00:52:19política
00:52:21e jogo
00:52:22com a vida
00:52:23das pessoas em jogo
00:52:24e a verdade em jogo
00:52:26sabe
00:52:30houve um tempo
00:52:30em que
00:52:31eu
00:52:32eu nunca contei isso a ninguém
00:52:34nem sei se deveria agora
00:52:36houve uma época
00:52:39no meio daquilo
00:52:39em que tínhamos
00:52:41poucos casos civis
00:52:42e estávamos com dificuldades
00:52:44financeiras
00:52:46e
00:52:48existiu
00:52:48a tentação real
00:52:49de
00:52:50manter o foco
00:52:51em um trabalho que faturasse
00:52:52em que
00:52:53eu pudesse ganhar dinheiro
00:52:54para a família
00:52:54e não gastar tanto tempo
00:52:56com aquele caso
00:52:57pro bono
00:52:58em que
00:52:58enfrentávamos estruturas
00:53:00de poder
00:53:01e nada estava dando certo
00:53:02nada de bom
00:53:03estava acontecendo
00:53:04e
00:53:06essa foi a tentação
00:53:09mas eu também estava orando
00:53:12por orientação
00:53:13e direção
00:53:14e a resposta
00:53:16sempre era
00:53:16continue em frente
00:53:19tentei falar com o promotor público
00:53:24john bradley
00:53:24de novo
00:53:25ele disse que nos permitiria
00:53:30testar o cabelo
00:53:31que estava na mão
00:53:32da christine
00:53:33se nós
00:53:35desistíssemos
00:53:36de todo o resto
00:53:37incluindo a bandana
00:53:38ensanguentada
00:53:38olhei de volta
00:53:41para o promotor
00:53:42bradley
00:53:43e disse
00:53:43não
00:53:44vocês acham que somos
00:53:46tão burros assim
00:53:47o cabelo provavelmente
00:53:48é do michael
00:53:49os dois dormiram
00:53:50naquela cama
00:53:51o mais provável
00:53:52é que o cabelo
00:53:53seja de um deles
00:53:54mas esse é um caso
00:53:55sobre a bandana
00:53:56ensanguentada
00:53:57se não vai nos deixar
00:53:58testar a bandana
00:53:59não temos mais nada
00:54:00a dizer
00:54:00e ele disse
00:54:01então terminamos
00:54:03talvez seja
00:54:06porque eu tinha dirigido
00:54:07todo o caminho
00:54:08de houston
00:54:09a georgetown
00:54:10talvez porque eu estava
00:54:11cansado
00:54:12porque eu estava
00:54:13frustrado
00:54:13mas eu disse
00:54:15alto o suficiente
00:54:16para que todos
00:54:17em seu escritório
00:54:18pudessem ouvir
00:54:19do que o senhor
00:54:20tem medo
00:54:21e se fosse o senhor
00:54:25senhor Bradley
00:54:26o que o senhor
00:54:27faria se os resultados
00:54:28do teste
00:54:28o inocentassem
00:54:30e identificassem
00:54:31outra pessoa
00:54:31como assassino
00:54:32da esposa
00:54:33porque
00:54:34eu não quero
00:54:35dar uma de
00:54:35Jack Nicholson
00:54:36com o senhor
00:54:37mas eu aguento
00:54:37a verdade
00:54:38e o senhor
00:54:40e aí eu fui embora
00:54:42ele tinha medo
00:54:48da verdade
00:54:50ele temia
00:54:52a verdade
00:54:53eu fiquei seriamente
00:55:00preocupada
00:55:00naquele dia
00:55:01que ele pudesse
00:55:02realmente ter um derrame
00:55:03ou coisa parecida
00:55:04foi ruim assim
00:55:05a pressão arterial
00:55:06dele estava muito alta
00:55:07e ele estava
00:55:08tão
00:55:08intensamente
00:55:10irritado
00:55:11que eu lembro
00:55:12de ter pensado
00:55:13ou isso vai
00:55:14matar o meu marido
00:55:15alguns dias depois
00:55:27num sábado de manhã
00:55:28recebi uma ligação
00:55:29era um Michael
00:55:31e ele disse
00:55:33bom
00:55:33tenho outra audiência
00:55:35de condicional
00:55:36e eu disse
00:55:38isso é ótimo
00:55:39e ele disse
00:55:40há apenas um problema
00:55:41e eu disse
00:55:42qual é a pegadinha
00:55:43e ele disse
00:55:44tenho que confessar
00:55:46que sou culpado
00:55:46de assassinato
00:55:47ele estava preso
00:55:52havia 22 anos
00:55:53seus pais eram idosos
00:55:55ele não sabia
00:55:56onde o filho estava
00:55:57quem realmente
00:56:00o culparia
00:56:00se ele dissesse
00:56:01é
00:56:01eu sou culpado
00:56:02sinto muito
00:56:03me deixem sair
00:56:04ele disse
00:56:05tudo o que me resta
00:56:08é a minha inocência
00:56:09e se eu tiver
00:56:12que ficar na prisão
00:56:13o resto da minha vida
00:56:14não vou abrir mão dela
00:56:18bom
00:56:25eu não tinha prometido
00:56:26pra Deus
00:56:27que
00:56:28eu não mentiria
00:56:29pra sair
00:56:30mas
00:56:31tinha
00:56:33bom
00:56:38eu pensei nisso
00:56:39eu disse
00:56:39eu não vou mentir
00:56:40quando ele disse isso
00:56:41eu senti uma onda
00:56:42de
00:56:43emoção
00:56:45e eu disse pra ele
00:56:47eu nunca vou desistir
00:56:50enquanto estiver
00:56:54respirando
00:56:57vou lutar
00:56:59pra tirar você
00:57:00da prisão
00:57:10eu estava me preparando
00:57:12pra ir a uma audiência
00:57:14contra o John Bradley
00:57:15e liguei
00:57:16pro meu pastor
00:57:18e disse
00:57:19acho que não tenho chance
00:57:22ele disse
00:57:25Deus está cuidando disso
00:57:27e me ligou de volta
00:57:29e disse
00:57:29tenho dezenas de pessoas
00:57:32que estão orando
00:57:33por você
00:57:33agora mesmo
00:57:34vão orar
00:57:35no início da audiência
00:57:36está tudo organizado
00:57:38ele disse
00:57:45essa é a coisa mais importante
00:57:46que fará
00:57:47como advogado
00:57:48estávamos naquela luta
00:57:56havia seis anos
00:57:57fomos ao tribunal federal
00:58:00uma vez
00:58:00fomos ao tribunal
00:58:02de segunda instância
00:58:03duas vezes
00:58:04então
00:58:05Nina Morrison
00:58:06minha co-advogada
00:58:07no projeto
00:58:08inocência
00:58:08e eu
00:58:09comparecemos
00:58:10ao terceiro tribunal
00:58:11de segunda instância
00:58:12para apresentar
00:58:13argumentação oral
00:58:14e era um tribunal
00:58:16conservador
00:58:17era também
00:58:19um tribunal
00:58:20muito inteligente
00:58:21e um tribunal
00:58:22imparcial
00:58:23e foi muito
00:58:26revigorante
00:58:26ter novos olhos
00:58:27sobre o caso
00:58:28e eu disse
00:58:32essa bandana
00:58:32ensanguentada
00:58:33era tudo
00:58:34sobre o caso
00:58:35e não havia
00:58:36base legal
00:58:37que pudesse
00:58:38negar
00:58:38o teste
00:58:39da bandana
00:58:39ensanguentada
00:58:40qualquer que seja
00:58:41eles fizeram
00:58:43a pergunta
00:58:44que todo mundo
00:58:44parecia fazer
00:58:45e se
00:58:47por acaso
00:58:48o teste
00:58:48de DNA
00:58:49for contra
00:58:50o seu cliente
00:58:51e eu disse
00:58:52só há uma maneira
00:58:54de descobrir
00:58:55faça o teste
00:58:56enquanto
00:59:00a deliberação
00:59:01estava pendente
00:59:02John Bradley
00:59:03foi à mídia
00:59:04e deu uma entrevista
00:59:07e disse
00:59:08se Michael Morton
00:59:11prometer
00:59:12que
00:59:14se os resultados
00:59:16do DNA
00:59:17forem inconclusivos
00:59:18ele confessará
00:59:20a culpa
00:59:20então eu concordo
00:59:24agora
00:59:24com o teste
00:59:25de DNA
00:59:25dizer que
00:59:29o Michael
00:59:29concordaria
00:59:30antecipadamente
00:59:31em confessar
00:59:31a culpa
00:59:32se os resultados
00:59:34do DNA
00:59:34forem
00:59:35inconclusivos
00:59:36isso é brincar
00:59:38com o futuro
00:59:38das pessoas
00:59:39tiranos
00:59:41fazem isso
00:59:42eu pensei
00:59:45lutamos demais
00:59:47e chegamos
00:59:49longe demais
00:59:50para chegar
00:59:51a este momento
00:59:53e tê-lo
00:59:53tirado de nós
00:59:54e eu disse
00:59:57juiz
00:59:57estamos pagando
00:59:58por isso
00:59:59só o que
01:00:00queremos saber
01:00:01é a verdade
01:00:02e assim
01:00:04apesar dos esforços
01:00:06do
01:00:06promotor Bradley
01:00:08o tribunal
01:00:09de segunda instância
01:00:09decidiu
01:00:10que poderíamos
01:00:12testar
01:00:12a bandana
01:00:13em junho
01:00:21em junho
01:00:21de 2011
01:00:22o primeiro
01:00:23grupo de resultados
01:00:24do teste
01:00:24chegou
01:00:25e eles
01:00:27revelaram
01:00:27que o sangue
01:00:28na bandana
01:00:29era da
01:00:30Christine
01:00:30Morton
01:00:31era dela
01:00:32misturado
01:00:34com o
01:00:35suor
01:00:36e as células
01:00:36de pele
01:00:37de um homem
01:00:38que não era
01:00:40Michael Morton
01:00:41meu telefone
01:00:58tocou
01:00:58enquanto eu
01:00:58estava
01:00:59num ônibus
01:01:00e o John
01:01:01estava
01:01:02exultante
01:01:03ele gritava
01:01:04encontraram
01:01:05um DNA
01:01:06depois que
01:01:10obtivemos
01:01:11o primeiro
01:01:11grupo
01:01:12de resultados
01:01:12eu fui
01:01:13visitar
01:01:14o Michael
01:01:14na prisão
01:01:15o John
01:01:16me contou
01:01:17sobre o DNA
01:01:18ele
01:01:20não tinha
01:01:22detalhes
01:01:22ou nomes
01:01:23ainda
01:01:23mas
01:01:24bingo
01:01:25eu saí
01:01:27dando pulo
01:01:28eu me levantei
01:01:29me sentei
01:01:30e até que
01:01:31enfim
01:01:31eles me disseram
01:01:32tá legal
01:01:33respira
01:01:34eles não sabiam
01:01:35quanto tempo
01:01:36aquilo ia levar
01:01:36talvez seis
01:01:37nove meses
01:01:38sei lá
01:01:38então
01:01:40era hora
01:01:42de submeter
01:01:43o resultado
01:01:44de DNA
01:01:45do homem
01:01:45ao banco
01:01:46de dados
01:01:47federal
01:01:47CODES
01:01:48para ver
01:01:49se encontraríamos
01:01:50um criminoso
01:01:50conhecido
01:01:51e identificamos
01:02:00alguém
01:02:00o DNA
01:02:01do homem
01:02:02da bandana
01:02:02era de
01:02:03Mark
01:02:03Alan
01:02:04Orwood
01:02:04que passou
01:02:06anos
01:02:06entrando
01:02:07e saindo
01:02:07da prisão
01:02:08ele era
01:02:08conhecido
01:02:09então
01:02:10um homem
01:02:11inocente
01:02:12estava preso
01:02:13e um assassino
01:02:13estava solto
01:02:14e
01:02:16o promotor
01:02:17público
01:02:18John Bradley
01:02:18ainda lutava
01:02:19contra a soltura
01:02:20do Michael
01:02:20Morton
01:02:21dizendo que
01:02:21a bandana
01:02:22não importava
01:02:23criando
01:02:23teorias malucas
01:02:25como que
01:02:25talvez o Michael
01:02:26matou a Christine
01:02:27e depois saiu
01:02:28encontrou uma bandana
01:02:29nos fundos
01:02:30levou pra casa
01:02:31e mergulhou
01:02:32o sangue
01:02:32da Christine
01:02:33nela
01:02:33talvez usando
01:02:34luvas
01:02:35na época
01:02:35e depois
01:02:36a pegou
01:02:37e a largou
01:02:37na rua
01:02:37de novo
01:02:38ou talvez
01:02:39alienígenas
01:02:40o tenha
01:02:40obtusido
01:02:41eu não sei
01:02:41era só
01:02:42coisa maluca
01:02:43é incrível
01:02:45não é
01:02:46mas a situação
01:02:49ganhou um impulso
01:03:03nossa solicitação
01:03:07de acesso
01:03:07ao arquivo
01:03:08completo
01:03:08do promotor
01:03:09pela lei
01:03:10de liberdade
01:03:10de informação
01:03:11foi um divisor
01:03:12de água
01:03:12mudou tudo
01:03:13quando finalmente
01:03:16consegui pôr
01:03:17as mãos
01:03:18no arquivo
01:03:18eu
01:03:20vi
01:03:21que a prova
01:03:21da inocência
01:03:22do Michael
01:03:23estava no arquivo
01:03:23do promotor
01:03:24público
01:03:25e fora
01:03:25ocultada
01:03:26havia uma grande
01:03:32pegada
01:03:33na lama
01:03:33e ninguém
01:03:34fez um molde
01:03:35de gesso
01:03:35dela
01:03:35depois
01:03:36havia impressões
01:03:39digitais
01:03:40de alguém
01:03:40estranho
01:03:41na porta
01:03:41de vidro
01:03:42de correr
01:03:42ninguém
01:03:43nunca
01:03:43checou
01:03:44essas impressões
01:03:45alguém
01:03:45viu um
01:03:46homem
01:03:46estranho
01:03:47em um
01:03:48furgão
01:03:48verde
01:03:49nos dias
01:03:50anteriores
01:03:51ao assassinato
01:03:52na área
01:03:53onde a bandana
01:03:53ensanguentada
01:03:54foi encontrada
01:03:55e eles não
01:03:56seguiram
01:03:56a pista
01:03:57outra prova
01:04:01que foi ocultada
01:04:02e isso é crucial
01:04:04e de cortar
01:04:05o coração
01:04:06é que o Eric
01:04:08conversou
01:04:09com a avó
01:04:09materna
01:04:10a mãe
01:04:11da Christina
01:04:12no dia
01:04:13do funeral
01:04:13da Christina
01:04:14ela escreveu
01:04:18exatamente
01:04:18o que o Eric
01:04:19lhe disse
01:04:20a mamãe
01:04:23está chorando
01:04:23ela
01:04:24para com isso
01:04:25vá embora
01:04:25por que ela
01:04:27está chorando
01:04:27porque o monstro
01:04:29está aqui
01:04:29o que ele
01:04:34está fazendo
01:04:35ele bateu
01:04:36na mamãe
01:04:37a mamãe
01:04:42ainda está chorando
01:04:43não
01:04:44mamãe parou
01:04:45o monstro
01:04:47pôs a mala azul
01:04:47em cima da cama
01:04:48ele está bravo
01:04:49o monstro
01:04:51machucou a mamãe
01:04:52sim
01:04:52mamãe
01:04:56vai para o hospital
01:04:56ele era grande
01:05:13era
01:05:14por onde ele foi embora
01:05:16a porta
01:05:17qual porta
01:05:19Eric
01:05:19porta da frente
01:05:20então
01:05:23a parte crucial
01:05:25onde estava
01:05:27o papai
01:05:27Eric
01:05:28o papai
01:05:29estava lá
01:05:30não
01:05:32a mamãe
01:05:33e o Eric
01:05:34estavam lá
01:05:35isso estava
01:05:38no arquivo
01:05:39deles
01:05:39e eles
01:05:42esconderam
01:05:43da defesa
01:05:45do tribunal
01:05:47e também
01:05:48do júri
01:05:48eles sabiam
01:05:51sabiam que ele
01:05:52era inocente
01:05:52e mandaram
01:05:54um homem
01:05:54inocente
01:05:55para a prisão
01:05:55pela vida
01:05:56toda
01:05:57e deixaram
01:05:58o monstro
01:05:59que matou
01:05:59sua esposa
01:06:00livre
01:06:01para matar
01:06:02de novo
01:06:03no ID
01:06:06temos um
01:06:11pequeno
01:06:11escritório
01:06:12de advocacia
01:06:13e todos
01:06:13estiveram
01:06:14envolvidos
01:06:15no caso
01:06:15de uma forma
01:06:16ou de outra
01:06:16tentando ajudar
01:06:17estávamos
01:06:18investigando
01:06:19Mark Allen
01:06:19Orwood
01:06:20não somos
01:06:22representantes
01:06:23da lei
01:06:23mas
01:06:23estávamos
01:06:24nos descobrindo
01:06:25como agentes
01:06:26da lei
01:06:27queríamos ver
01:06:28se havia
01:06:29outros casos
01:06:29arquivados
01:06:30alinhados
01:06:31com o da
01:06:31Christine Morton
01:06:32existe um site
01:06:34de casos
01:06:34arquivados
01:06:35para assassinatos
01:06:36tão resolvidos
01:06:37minha esposa Kelly
01:06:38havia encontrado
01:06:39alguns anos
01:06:40antes
01:06:40algumas paralegais
01:06:43de nossa firma
01:06:44a Cynthia
01:06:46Martinez
01:06:46e Kate Kennedy
01:06:47estavam olhando
01:06:48o site
01:06:49bom
01:06:51eu sempre
01:06:52senti
01:06:53que sempre
01:06:54tive
01:06:54algum tipo
01:06:55de
01:06:56personalidade
01:06:58tipo
01:06:58detetive
01:06:59particular
01:07:00e os
01:07:01meus pais
01:07:02diziam
01:07:02que eu
01:07:02era
01:07:02intrometida
01:07:03estávamos
01:07:06procurando
01:07:07casos
01:07:07arquivados
01:07:08no condado
01:07:09de Travis
01:07:09e eu
01:07:10estava
01:07:10descendo
01:07:11pelas páginas
01:07:12e encontramos
01:07:12uma
01:07:13senhora
01:07:14que
01:07:14se parecia
01:07:16com a
01:07:16Christine Morton
01:07:17e ela
01:07:18era
01:07:18Deborah
01:07:19John
01:07:19Baker
01:07:19Deborah
01:07:22John
01:07:22Baker
01:07:22foi espancada
01:07:24até a morte
01:07:25em sua
01:07:26casa
01:07:26de maneira
01:07:27muito semelhante
01:07:28a Christine
01:07:28Morton
01:07:29e descobrimos
01:07:34onde Mark
01:07:35Alan Norwood
01:07:36estava morando
01:07:37em Austin
01:07:38na época
01:07:39do assassinato
01:07:40da Christine
01:07:41Morton
01:07:42aí eu pensei
01:07:43vamos comparar
01:07:44o endereço
01:07:45da senhorita
01:07:46Baker
01:07:46com o do
01:07:47senhor Norwood
01:07:48e ver a distância
01:07:49entre as casas
01:07:49e
01:07:50as casas
01:07:51deles
01:07:51ficavam
01:07:52a uma
01:07:53rua
01:07:53de distância
01:07:54e os
01:07:58fundos
01:07:58de suas
01:07:58casas
01:07:59meio que
01:07:59ficavam
01:08:00de frente
01:08:00um pro
01:08:01outro
01:08:01meio que
01:08:02diagonalmente
01:08:03eram muito
01:08:04próximas
01:08:05e a verdade
01:08:06é que isso
01:08:07foi tipo
01:08:07grande
01:08:08pra nós
01:08:09sentimos
01:08:10que era
01:08:10grande
01:08:10não sabíamos
01:08:11na época
01:08:12a importância
01:08:13que teria
01:08:14e pensamos
01:08:17meu Deus
01:08:18nós temos
01:08:20temos que contar
01:08:22pra alguém
01:08:22temos que contar
01:08:23a polícia
01:08:24e descobrimos
01:08:26que a Deborah
01:08:27Jen Baker
01:08:28foi morta
01:08:29no condado
01:08:29de Travis
01:08:30não confiamos
01:08:31no promotor
01:08:32do condado
01:08:32de Williamson
01:08:33mas olha
01:08:34talvez possamos
01:08:35contar com
01:08:35o promotor
01:08:36do condado
01:08:36de Travis
01:08:37Nina Morrison
01:08:41e eu
01:08:42fomos juntos
01:08:43ao promotor
01:08:44público
01:08:44e lembro
01:08:45que era um dia
01:08:46muito quente
01:08:47e tivemos
01:08:47que caminhar
01:08:48cerca de 800 metros
01:08:50pra chegar lá
01:08:50chegamos encharcados
01:08:52de suor
01:08:52e aquelas pessoas
01:08:53gentis
01:08:54nos esperavam
01:08:55na sala
01:08:55de reuniões
01:08:56o John
01:08:59o John era
01:08:59muito passional
01:09:00dava pra ver
01:09:01que ele
01:09:01sabia
01:09:03que o Michael
01:09:05Morton
01:09:05era inocente
01:09:06e isso
01:09:08embrulhou
01:09:08o meu estômago
01:09:09e a minha
01:09:11meta principal
01:09:12era solucionar
01:09:13o caso
01:09:14Deborah Baker
01:09:14conseguimos voltar
01:09:17e vasculhar
01:09:18as provas
01:09:19que tínhamos
01:09:19no caso
01:09:20Deborah Baker
01:09:20e nós
01:09:22identificamos
01:09:22pelos pubianos
01:09:23que foram encontrados
01:09:24no edredom rosa
01:09:25e na
01:09:30toalha azul
01:09:31que estava
01:09:32no banheiro
01:09:32e mandamos
01:09:35pro laboratório
01:09:36o que revelou
01:09:38que
01:09:38nós definitivamente
01:09:40tínhamos
01:09:41identificado
01:09:42Mark
01:09:43Alan Norwood
01:09:44como sendo
01:09:45o autor
01:09:46do assassinato
01:09:47da Deborah Baker
01:09:48eu me lembro
01:09:53de te ser
01:09:54é isso
01:09:56um homem
01:09:57inocente
01:09:57na prisão
01:09:58um assassino
01:09:59a solta
01:10:00não há
01:10:02sentimento
01:10:02como esse
01:10:03Norwood
01:10:06morava
01:10:06com a mãe
01:10:07descobrimos
01:10:08onde ele
01:10:08morava
01:10:08e informamos
01:10:09aos investigadores
01:10:10que o visitaram
01:10:12Mark
01:10:15David
01:10:15Fulich
01:10:16eu sou
01:10:17o investigador
01:10:18principal
01:10:18do caso
01:10:19Deborah Baker
01:10:20sabe Mark
01:10:22já faz
01:10:2223 anos
01:10:23que a Deborah Baker
01:10:24foi assassinada
01:10:25eu sei
01:10:25tudo ligado
01:10:25tudo ligado
01:10:26e com os avanços
01:10:29da tecnologia
01:10:29era inevitável
01:10:31você sabe
01:10:31tão bem quanto eu
01:10:32que nós
01:10:32vemos chegar
01:10:33a essa
01:10:33encruzilhada
01:10:34e amigo
01:10:35olha
01:10:35eu nem sei
01:10:36o que te dizer
01:10:37sobre isso aí
01:10:38mas
01:10:38uma coisa
01:10:38eu digo
01:10:39pra você
01:10:39a única dúvida
01:10:40que eu tenho
01:10:40nesse momento
01:10:41pelo bem
01:10:42da sua mãe
01:10:43é se
01:10:45você pretendia
01:10:46entrar lá
01:10:47e fazer o que fez
01:10:49ou se houve
01:10:49algum imprevisto
01:10:50ou circunstância
01:10:51é quem o levou
01:10:51a isso
01:10:52peraí
01:10:55você vai me
01:10:56prender
01:10:56agora?
01:11:04hoje
01:11:05a delegacia
01:11:05do condado
01:11:06de Williams
01:11:06prendeu
01:11:07Mark
01:11:07Alan Norwood
01:11:08pelo assassinato
01:11:09de Christine
01:11:09Morton
01:11:10ocorrido em
01:11:1013 de agosto
01:11:11de 1986
01:11:12é tanta
01:11:18tanta alegria
01:11:20tanta paz
01:11:21que toma conta
01:11:22da gente
01:11:23eles encontraram
01:11:24o assassino
01:11:25isso me provou
01:11:26naquele dia
01:11:27que há um deus
01:11:28e um espírito santo
01:11:29olhando pra gente
01:11:30ficamos muito felizes
01:11:34com aquilo
01:11:35mas a família
01:11:36Baker
01:11:36merecia justiça
01:11:38eles também
01:11:39importavam
01:11:39era isso
01:11:41até que enfim
01:11:43eles estão
01:11:43abrindo o caso
01:11:44de novo
01:11:45e realmente
01:11:45vão fazer
01:11:46alguma coisa
01:11:47a respeito
01:11:47recebemos a notícia
01:11:51de que o Ken Anderson
01:11:52faria uma coletiva
01:11:52de imprensa
01:11:53e eu disse
01:11:53eu tenho que ir
01:11:54tenho que ir
01:11:55pra essa coisa
01:11:55e nós fomos
01:11:56pra Georgetown
01:11:57e a minha tia
01:11:58me encontrou lá
01:11:58e era só
01:12:02uma pequena multidão
01:12:03principalmente repórteres
01:12:04e o Ken Anderson
01:12:04disse
01:12:05o sistema
01:12:05errou
01:12:06no meu coração
01:12:07eu sei que não houve
01:12:09qualquer má conduta
01:12:10acredito que os promotores
01:12:12cumpriram todas as ordens
01:12:14do tribunal
01:12:15quando o Ken entrou
01:12:16eu lembro que ele não
01:12:17respondeu nenhuma pergunta
01:12:18mas eu levantei os olhos
01:12:20do meu telefone
01:12:20e disse
01:12:20oh droga
01:12:21eu estou cercada
01:12:22e encurralada
01:12:23eu estou encurralada
01:12:24por repórteres
01:12:25e eu me senti
01:12:26num filme de zumbi
01:12:27quando eles estão
01:12:28rastejando em cima de você
01:12:29ele não assumiu
01:12:33a responsabilidade
01:12:34ele está dando
01:12:36um monte de desculpas
01:12:36o fato dele ter
01:12:38deixado um homem livre
01:12:40após matar minha mãe
01:12:41é motivo mais que suficiente
01:12:42se ele se sente mal
01:12:43renuncia
01:12:44prova isso
01:12:44e renuncia
01:12:46se aposenta
01:12:46e vai pra Flórida
01:12:48tudo o que fazemos
01:12:49tem consequências
01:12:50e uma das consequências
01:12:50do que ele fez
01:12:51foi que um assassino
01:12:52estava solta
01:12:53você não pode ficar falando
01:12:54e se pra sempre
01:12:55mas eu vou dizer o seguinte
01:12:56olha
01:12:57e se o Michael
01:12:59não fosse
01:13:00o principal suspeito
01:13:01e o único suspeito
01:13:02que sabemos
01:13:02a minha mãe
01:13:04podia estar viva
01:13:05se ele
01:13:06não tivesse feito
01:13:07o que fez
01:13:08então eu ainda
01:13:09até hoje
01:13:09considero
01:13:10que é Nanderson
01:13:11responsável por isso
01:13:12a Caitlyn disse
01:13:14nos degraus
01:13:14do tribunal
01:13:15se ele tivesse
01:13:16feito o trabalho dele
01:13:17a minha mãe
01:13:18ainda estaria viva
01:13:19sim
01:13:19eu me pergunto
01:13:20se você acredita
01:13:21nessa afirmação
01:13:22sim acredito nisso
01:13:23acho que se tivessem
01:13:24seguido as pistas
01:13:25seriam apanhado
01:13:26Norwood em poucas semanas
01:13:27depois do caso
01:13:32Baker
01:13:33e daquele golpe
01:13:35o estado
01:13:35não tinha mais
01:13:36pra onde ir
01:13:37o tribunal
01:13:39da opinião pública
01:13:40estava se virando
01:13:41totalmente contra eles
01:13:42a mídia
01:13:43estava noticiando
01:13:44as correspondências
01:13:45de DNA
01:13:46as pessoas
01:13:47se perguntavam
01:13:47por que
01:13:48Marco Morton
01:13:48ainda está preso
01:13:49na segunda-feira
01:13:50Bradley
01:13:51que não era
01:13:51o promotor original
01:13:52evitou perguntas
01:13:54sobre o motivo
01:13:55então
01:13:57conseguimos
01:13:59negociar
01:14:00a libertação
01:14:02dele
01:14:02bom
01:14:14foi tudo
01:14:15meio caótico
01:14:16tinha uma
01:14:17procissão
01:14:18câmeras
01:14:19por toda
01:14:20parte
01:14:20pessoas
01:14:21eu não sabia
01:14:22nem pra onde
01:14:22a gente estava
01:14:23indo
01:14:23o sol
01:14:25estava
01:14:25brilhando
01:14:26lá fora
01:14:26e era
01:14:27um lindo
01:14:28dia de outono
01:14:29o sol
01:14:31estava
01:14:32tão gostoso
01:14:33no meu rosto
01:14:33que eu
01:14:34me inclinei
01:14:34pra trás
01:14:35e respirei
01:14:36fundo
01:14:37me senti
01:14:39livre
01:14:39e ele
01:14:41disse
01:14:42as cores
01:14:42são tão
01:14:43vibrantes
01:14:43e são
01:14:44tão
01:14:44bonitas
01:14:45foi um
01:14:46daqueles
01:14:47momentos
01:14:48na vida
01:14:49que você
01:14:49aprecia
01:14:50pra sempre
01:14:51ele não
01:14:52era funcionário
01:14:53de ninguém
01:14:53e eu
01:14:54não tinha
01:14:54grana
01:14:55pra dar
01:14:55pra ele
01:14:55pra divulgar
01:14:57publicamente
01:14:58coisas boas
01:14:59sobre a minha
01:15:00pessoa
01:15:00então
01:15:01até hoje
01:15:07ele é meu amigo
01:15:11ele é meu irmão
01:15:15então
01:15:16combinamos
01:15:18de nos encontrar
01:15:19pra jantar
01:15:19mais tarde
01:15:20nós
01:15:22nos sentamos
01:15:23pra jantar
01:15:24ele comeu
01:15:24um filé
01:15:25e eu lembro
01:15:26que ele
01:15:27tava
01:15:27meio incerto
01:15:28com a faca
01:15:29e o garfo
01:15:30e eu disse
01:15:32você tá bem
01:15:32cara
01:15:32e ele disse
01:15:34eu tô tentando
01:15:34me lembrar
01:15:35de como fazer
01:15:36isso
01:15:36não segura
01:15:37um garfo
01:15:38e uma faca
01:15:38há 25 anos
01:15:40o Reagan era
01:15:42presidente
01:15:42quando ele foi
01:15:43preso
01:15:43ele não conhecia
01:15:43celular
01:15:44a gente falou
01:15:45sobre o celular
01:15:45ele disse
01:15:46ah eu ouvi
01:15:47falar disso
01:15:48ouvi que dá
01:15:48pra mandar
01:15:48foto
01:15:49e ele disse
01:15:51loucura né
01:15:52eu disse
01:15:53Michael
01:15:53você pode
01:15:55mandar um
01:15:56filme
01:15:56dá pra
01:15:59imaginar
01:15:59meu papel
01:16:06neste caso
01:16:07é de procuradora
01:16:08geral assistente
01:16:08do estado
01:16:09do Texas
01:16:10e portanto
01:16:11fui chamada
01:16:11pra processar
01:16:12o caso
01:16:13de Mark Norwood
01:16:14quando tudo
01:16:20aquilo começou
01:16:21havia
01:16:24a investigação
01:16:25sobre o assassinato
01:16:26da Christine
01:16:26e separada
01:16:28e além disso
01:16:29a constatação
01:16:30de que havia
01:16:30outro assassinato
01:16:32o assassinato
01:16:32de Deborah Baker
01:16:34que tinha
01:16:34semelhanças
01:16:35impressionantes
01:16:36que podia
01:16:37muito bem
01:16:38estar relacionado
01:16:39naquele momento
01:16:40eu não sabia
01:16:41se o caso
01:16:41da Deborah
01:16:42iria a julgamento
01:16:42quando
01:16:47quando nos encontramos
01:16:48com a promotoria
01:16:49e eles disseram
01:16:50não achamos
01:16:51que necessariamente
01:16:52queremos fazer isso
01:16:53vai ser só
01:16:54contribuintes
01:16:55pagando por outro
01:16:55julgamento
01:16:56eu fiquei
01:16:58passada
01:16:59e
01:16:59todos deixamos
01:17:01bem claro
01:17:02que isso
01:17:02não ia rolar
01:17:03não ia rolar
01:17:04porque
01:17:05queríamos que
01:17:06a mamãe
01:17:07tivesse sua própria
01:17:08história
01:17:08que ela era
01:17:09ela não era
01:17:10apenas
01:17:11uma vítima
01:17:12de assassinato
01:17:13em uma das minhas
01:17:14aulas
01:17:14que era ministrada
01:17:16pelo delegado
01:17:16do condado
01:17:17de Travis
01:17:18ele falava
01:17:20ele ficava dizendo
01:17:21tem essa outra mulher
01:17:22e eu dizia não
01:17:23o nome dela
01:17:24era Deborah
01:17:24e ele disse
01:17:25quem se importa
01:17:26eu me importo
01:17:27euzinha
01:17:28eu sou filha dela
01:17:29eu me importo
01:17:30não podemos
01:17:34desfazer
01:17:35o que aconteceu
01:17:35e a única coisa
01:17:36que podemos fazer
01:17:37por alguém
01:17:37nessa hora
01:17:38é
01:17:38continuar lutando
01:17:40para que a pessoa
01:17:41tenha o que merece
01:17:42no final
01:17:42o que nesse caso
01:17:44é um julgamento
01:17:45e uma condenação
01:17:46eu não vejo
01:17:59muita maldade
01:18:00na minha vida
01:18:01quando Mark
01:18:07Alan Norwood
01:18:08entrou no tribunal
01:18:09eu o vi
01:18:10e percebi
01:18:12essa é a cara
01:18:14que ele tem
01:18:14esse é o mal
01:18:18as ironias
01:18:20são tão vastas
01:18:21nesse caso
01:18:22que
01:18:22a primeira vez
01:18:24que o Michael
01:18:24esteve em um tribunal
01:18:25ele era o réu
01:18:26e na segunda vez
01:18:27ele era
01:18:27minha primeira testemunha
01:18:29foi muito surreal
01:18:31como você pode imaginar
01:18:33não era segredo
01:18:37que
01:18:37quem fosse julgar
01:18:39o Mark Norwood
01:18:40por um dos assassinatos
01:18:41provavelmente
01:18:42iria querer
01:18:43que o júri
01:18:43soubesse
01:18:44sobre o outro assassinato
01:18:45porque isso ajudava
01:18:47a saber
01:18:47que ele era
01:18:48o cara certo
01:18:49nós tivemos
01:18:52que provar
01:18:52todo o caso
01:18:53de assassinato
01:18:54da Deborah Baker
01:18:55durante nosso julgamento
01:18:56essencialmente
01:18:57foram dois julgamentos
01:18:59juntos
01:18:59as semelhanças
01:19:02entre os dois casos
01:19:03eram impressionantes
01:19:04acredito que listei
01:19:0716 semelhanças
01:19:08diferentes
01:19:09Deborah Baker
01:19:10e Christine
01:19:11eram ambas mulheres
01:19:12de 33 anos
01:19:13com cabelos longos
01:19:14e escuros
01:19:15que tinham filhos
01:19:16que estavam em casa
01:19:17na cama
01:19:18ambas dormiam
01:19:19em camas de água
01:19:20o que parecia estranho
01:19:21as duas foram assassinadas
01:19:24no dia 13
01:19:24as duas foram assassinadas
01:19:28em uma quarta-feira
01:19:29as duas foram assassinadas
01:19:30no início da manhã
01:19:31ou tarde da noite
01:19:33nas duas casas
01:19:34encontraram evidências
01:19:36que mostravam
01:19:36que um criminoso
01:19:37havia assaltado
01:19:38uma cerca nos fundos
01:19:39as duas foram atingidas
01:19:43por um objeto
01:19:43contundente na cabeça
01:19:45várias vezes
01:19:46as duas tiveram
01:19:48itens empilhados
01:19:49em cima da cabeça
01:19:50depois de serem mortas
01:19:52como se quisessem
01:19:53esconder o rosto delas
01:19:54nas duas casas
01:19:57tinham
01:19:57joias valiosas
01:20:00à vista de todos
01:20:01que não foram mexidas
01:20:03ou seja
01:20:04as semelhanças
01:20:04continuam
01:20:05as duas cenas de crime
01:20:06eram
01:20:06notavelmente semelhantes
01:20:09mas o mais importante
01:20:12foi que o DNA
01:20:13do Mark Norwood
01:20:14estava nas duas cenas
01:20:15de crime
01:20:16nunca tivemos a oportunidade
01:20:21de sentar com
01:20:22Mark Allen Norwood
01:20:23para determinar
01:20:24porque ele cometeu
01:20:24aqueles assassinatos brutais
01:20:26eu acredito
01:20:29que Mark Norwood
01:20:30é um assassino em série
01:20:31e provavelmente
01:20:33existem outros crimes
01:20:34que ele cometeu
01:20:36e que nós
01:20:37como investigadores
01:20:38ainda não relacionamos a ele
01:20:40Mark Allen Norwood
01:20:42foi condenado
01:20:44pelo assassinato
01:20:45da esposa
01:20:46de Michael Morton
01:20:48Christine
01:20:48e da Deborah
01:20:50Jan Baker
01:20:50duas penas
01:20:52de prisão perpétua
01:20:53duas condenações
01:20:54e foi
01:21:03eu nem quero dizer
01:21:05que foi um alívio
01:21:06porque só
01:21:06eu não sei
01:21:09se eu posso atribuir
01:21:09uma emoção a isso
01:21:11eu estava
01:21:13de mãos dadas
01:21:14com meu marido
01:21:15abracei meu irmão
01:21:15abracei meu pai
01:21:16e
01:21:18eu sei lá
01:21:19isso é uma coisa
01:21:24que sempre esteve presente
01:21:25para mim
01:21:26então
01:21:27eu não sei como descrever isso
01:21:30eu lembro
01:21:32de ficar sentada
01:21:33nos degraus
01:21:34chorando
01:21:35e desabafando
01:21:36e até que enfim
01:21:38percebendo
01:21:39que tínhamos feito
01:21:41tudo o que podíamos
01:21:42foi uma grande
01:21:43sensação de alívio
01:21:45uma sensação
01:21:46de justiça
01:21:47durante muitos anos
01:21:48a nossa família
01:21:49esteve totalmente
01:21:51acabada
01:21:51vivíamos o dia a dia
01:21:53mas estávamos
01:21:54destroçados
01:21:55por dentro
01:21:56eu nem sei te dizer
01:21:57eu não consigo
01:21:59expressar com palavras
01:22:01como foi aquele dia
01:22:02finalmente
01:22:03foi alguma satisfação
01:22:05saber que ele vai passar
01:22:07o resto da vida
01:22:07na prisão
01:22:08e aí então
01:22:10a gente começou
01:22:12a se curar
01:22:13levou 25 anos
01:22:28para o arco
01:22:31do universo moral
01:22:31se curvar
01:22:32em direção
01:22:33à justiça
01:22:33ao lutar
01:22:35para libertar
01:22:36Michael Morton
01:22:37sentimos que fazíamos
01:22:39parte de uma tradição
01:22:40de advogados
01:22:42nos Estados Unidos
01:22:43que defenderam
01:22:44a justiça
01:22:45contra grandes forças
01:22:47dissemos a verdade
01:22:51ao poder
01:22:51e nos sentimos honrados
01:22:55esta história
01:22:57não acabou
01:22:57a investigação
01:22:58continua
01:22:59sobre a ocultação
01:23:01dessa evidência
01:23:02que deveria ter exonerado
01:23:04Michael
01:23:04há quase 25 anos
01:23:06há muitos momentos
01:23:13felizes
01:23:13para mim
01:23:14neste caso
01:23:14para mim
01:23:15pessoalmente
01:23:16o reencontro
01:23:18do Michael
01:23:18com o Eric
01:23:19foi na minha casa
01:23:20vi que nossos sapatos
01:23:24eram assustadoramente
01:23:25iguais
01:23:26a gente estava
01:23:27de jeans novos
01:23:28o jeito que mexemos
01:23:29a cabeça
01:23:30nosso modo
01:23:30de andar
01:23:31era
01:23:31extremamente
01:23:33similar
01:23:34é
01:23:36os genes estão lá
01:23:38ouve o mais longo
01:23:41dos silêncios
01:23:41o mais longo
01:23:42de todos
01:23:43e aí
01:23:44eu estava
01:23:45na sala do lado
01:23:46e eu podia ouvir
01:23:47fiquei pensando
01:23:48o que eles estão
01:23:49sussurrando
01:23:50a gente apertou
01:23:53a mão na hora
01:23:53mas aí já transformou
01:23:55logo num abraço
01:23:56foi como uma
01:23:57fusão
01:23:57a gente se conectou
01:23:59foi natural
01:24:01assim
01:24:03e eu
01:24:04não poderia ter planejado
01:24:06nada melhor
01:24:06e o Michael
01:24:10disse
01:24:10filho
01:24:11e o Eric
01:24:13disse
01:24:14pai
01:24:14e eu acho
01:24:16que só por um
01:24:17segundo
01:24:18eu tive um
01:24:20vislumbre
01:24:20de como
01:24:21o paraíso
01:24:21deve ser
01:24:22versão brasileira
01:24:45dpn sam
01:24:46e aí
01:24:51e aí
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