00:00Muitos assuntos importantes, você como sempre é nosso convidado especial.
00:04O governo federal impôs condições para iniciar as negociações sobre a taxação dos Estados Unidos contra o Brasil.
00:11Mesmo sendo alvo de uma tarifa de 50%, o Planalto afirmou que o chefe do executivo só vai conversar de fato com Donald Trump
00:19se o republicano restringir o diálogo à agenda comercial, à pauta comercial,
00:24sem debater a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro, por exemplo.
00:28A partir disso, o governo iniciaria uma preparação prévia sobre os temas a serem abordados em uma ligação telefônica
00:35entre os dois líderes de Estado e quando ela ocorreria.
00:39A avaliação do Itamaraty, no entanto, é que se algo der errado nessa abordagem,
00:44o prejuízo para os interesses do Brasil poderiam ser muito maiores.
00:49Chama o Luiz Felipe Dávila para trazer suas impressões a respeito desse receio da administração federal.
00:56Dávila, seja bem-vindo, uma ótima noite a você.
00:59Esse assunto volta à pauta, né?
01:01Nós tratamos disso na semana que vem, só que justamente esse assunto foi tema de discussão
01:06no Palácio do Planalto entre os auxiliares do presidente da República,
01:10essas informações que foram divulgadas.
01:13E aí tem um receio de que o presidente norte-americano queira tratar de outros assuntos
01:17para além da agenda econômica.
01:19Tudo bem, ainda que exista esse receio, pode o Brasil impor uma série de condições
01:26para a realização dessa ligação?
01:29Porque Donald Trump sinalizou a possibilidade de Lula conversar com ele, né?
01:34Ele falou, olha, pode ligar a hora que bem entender, eu estou aqui à disposição.
01:38Agora, é preciso aproveitar o time, né?
01:41Porque se demorar muito, se perder tempo pensando em estratégias, pode passar o trem, né?
01:47É, Caniato, já passou uma vez, tem chance de passar a segunda.
01:53Boa noite a você, ao Kregner Alberalde, a nossa audiência.
01:57Parece que o presidente da República não escolheu, não conseguiu lembrar do nosso conselho
02:03aqui no Pingos nos diz, o conselho que nós damos, sempre demos durante as últimas semanas é
02:10fique longe do microfone, foque nas questões técnicas e comerciais
02:16e evite depoimentos políticos, justamente para poder separar a agenda política da agenda econômica
02:26e focar nas questões comerciais.
02:29E não permitir que o outro lado explore as questões políticas que, na verdade, acabam
02:36tirando o foco do real interesse brasileiro, resolver a questão tarifária com os Estados
02:43Unidos e reduzir as tarifas para os nossos produtos exportados para os Estados Unidos.
02:49É esta que deveria ser a conduta do chefe de Estado brasileiro.
02:54Mas o chefe de Estado é também chefe político partidário e ele não resiste o microfone,
03:01principalmente o microfone, como foi o caso da posse do novo presidente do Partido dos
03:08Trabalhadores, e aí ele tem que fazer o seu auê político eleitoral.
03:13E isso só aumenta o desgaste das relações e permite que dê um peso político desnecessário
03:22à negociação econômica.
03:25Ou seja, o presidente devia ter feito exatamente o oposto do que fez.
03:30Ficar longe dos microfones, não dar desculpa para que a questão política polua a questão
03:38comercial e econômica e deixasse o seu time técnico de ministros e especialistas no assunto
03:46para negociar as tarifas com os Estados Unidos.
03:50Mas nada disso foi feito.
03:53Isso acaba dando margem para o presidente dos Estados Unidos, se ele quiser continuar a
03:59usar argumentos políticos para atrapalhar as negociações econômicas.
04:05Isto era a última coisa que o presidente da República deveria ter feito, ou seja, dar
04:12um pretexto ao presidente americano para poder explorar as questões políticas e bloquear
04:19e dificultar as negociações tarifárias.
04:22Chama o Cristiano Beraldo também ao vivo, conectado com a gente.
04:26Beraldo, seja bem-vindo, excelente noite e semana a você.
04:30Governo pensa em impor condições para negociar a taxação com o Donald Trump.
04:35É preciso olhar exatamente qual é a situação do Brasil nessa negociação.
04:39E, naturalmente, o que se espera dessa negociação quando o Brasil tem uma taxa de 50% sobre
04:48os seus produtos.
04:49Enfim, também não pode esperar muito tempo, senão o time da negociação pode passar,
04:54né, Beraldo?
04:55Aquela sinalização de Donald Trump foi na semana passada.
04:57Pois é, Caniato, boa noite a você, ao Dávila, ao Kriegner, boa noite à nossa audiência
05:04que prestigia diariamente os pingos nos is.
05:06Caniato, é interessante porque, ao mesmo tempo que o presidente da República coloca
05:12essa preocupação de que a conversa com o presidente norte-americano tem que ser dentro
05:19de assuntos pré-definidos e, ontem, durante a posse de Edinho Silva na presidência do
05:26PT, ele disse também, ele reconheceu que tem os seus limites em relação aos Estados
05:32Unidos.
05:33Mas, ao mesmo tempo, ele continua fazendo ataque aos Estados Unidos quando diz que não vê razão
05:41para que o dólar seja a única moeda, a moeda mais forte do comércio internacional.
05:47E isso demonstra que o presidente brasileiro carece de um pouco mais de estudo sobre história
05:54econômica.
05:56Ele precisa compreender melhor como acontecem essas movimentações, essas transações,
06:03o motivo pelo qual o dólar foi escolhido para ser essa moeda comum que o mundo inteiro
06:07usa ou gostaria de utilizar para fazer as suas transações.
06:12Quando a Rússia entrou em conflito com a Ucrânia e foi sancionada tanto pela Europa quanto
06:19pelos Estados Unidos, uma das armas utilizadas para tornar a vida da Rússia muito difícil
06:25foi justamente impedi-la de continuar participando do SWIFT, que é o sistema de pagamento que
06:31tem o dólar ali como a sua principal moeda e viabilizar a utilização de dólar nas transações
06:39comerciais da Rússia.
06:42Isso porque o dólar é, de fato, um instrumento que facilita a vida de todo mundo que está
06:48envolvido no comércio internacional.
06:50Mas o presidente brasileiro não está afim de saber disso.
06:52Ele não quer levar em consideração os fatos concretos da vida real.
06:57Ele fica preso, envolto, nessa necessidade de fazer discurso para os seus apoiadores que
07:06também, assim como ele, são ignorantes nessa matéria.
07:10Ele fala bobagens enormes, mas é sempre aplaudido, sempre carregado no colo, todo mundo vai lá
07:17dar um tapinha nas costas, o parabeniza.
07:21E aí, com isso, ele acha que está arrasando.
07:23Pois bem, não pode, não combina criticar o dólar, atacar o dólar, atacar o presidente
07:29norte-americano.
07:30E na hora que o Brasil está preparando, o Brasil está precisando negociar as tarifas
07:37que serão impostas pelos Estados Unidos, é o Brasil que vai definir as regras do jogo.
07:42Não vai.
07:44Estados Unidos arrecadou, no mês passado, mais de 29 bilhões de dólares em tarifas.
07:49Então, para os Estados Unidos, esse jogo está positivo.
07:52É o Brasil que precisa fortalecer a sua frágil economia, setores que correm o risco
07:58de serem destruídos em razão da inviabilidade de exportação para os Estados Unidos, porque
08:04tem toda a sua logística e toda a sua lógica de funcionamento feita com base no destino
08:10dos Estados Unidos para a produção brasileira.
08:13E agora terão que se reorganizar num mundo que está bastante desafiador.
08:17Portanto, Caniato, o presidente está querendo muita coisa, mas não está entregando nada.
08:23Ao contrário, ele continua entregando ofensa, continua entregando desordem e não trabalha
08:30efetivamente como um líder, um chefe de Estado, alguém que tem uma estratégia para conquistar
08:36aquilo que o seu próprio país precisa.
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