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O vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin (PSB-SP), afirmou que ainda há margem para diálogo com os Estados Unidos sobre o tarifaço imposto por Donald Trump. Segundo ele, as negociações seguem em andamento e os próprios americanos sofrerão impactos com as sobretaxas, especialmente nos setores de café e carne bovina.

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Transcrição
00:00O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que as negociações sobre o tarifácio imposto pelos Estados Unidos não chegaram ao fim.
00:08Ele disse que a taxa vai impactar apenas 35,9% das exportações do país e que a lista de isenções que foi divulgada pela Casa Branca
00:18deve beneficiar 45% da pauta exportadora brasileira, que seguirá sujeita apenas àquela tarifa de 10% em vigor desde abril,
00:27imposta no chamado Dia da Libertação.
00:30O vice-presidente afirmou que os setores afetados pelas taxas serão alvo de novas rodadas de negociação.
00:36Vou abrir aspas para essa declaração de Geraldo Alckmin, que foi inclusive no programa da apresentadora Ana Maria Braga.
00:43Ele disse o seguinte, os americanos vão pagar mais caro pelo café, pela carne e pelos peixes.
00:49O tarifácio é um perde-perde.
00:51Fecho aspas.
00:52Você, Cristiano Beraldo, Geraldo Alckmin, tem tratado das questões ligadas à taxação.
00:59Ele inclusive disse nessa participação do programa de televisão que a negociação vai começar agora,
01:05a partir da taxação, e ele vê boas possibilidades de negociar, reverter, diminuir a tarifa de 40%,
01:16que se somam inclusive aos 10% já estipulados.
01:20Enfim, quais são os caminhos que o governo pode adotar para tentar fazer negociações pontuais, específicas?
01:30Esse é o problema, Caniato.
01:32Eu me lembro, alguns programas, você me perguntou quais eram os instrumentos que o Brasil tinha para levar à mesa de negociação.
01:39E eu sou obrigado a repetir a minha resposta.
01:43Primeiro, é preciso o governo efetivamente querer negociar, porque negociar exige que você tenha instrumentos ali para ceder.
01:54Você tem não só que ter bons argumentos, mas você também precisa, de alguma forma, você tem que entregar alguma coisa para o outro lado,
02:01para haver ali um ponto de equilíbrio.
02:03O que é mais importante?
02:04O que é mais estratégico?
02:05O que a gente pode propor de diferente, pensar a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos,
02:11de forma a privilegiar essa relação, em detrimento ao privilégio que nós damos como país, a relação com a China.
02:20Aliás, a gente viu vários países sendo beneficiados, digamos assim, nessa operação de implementação de tarifas de Donald Trump,
02:29porque anunciaram investimentos nos Estados Unidos.
02:32Aí vão falar, não, mas o Brasil não tem condição de fazer isso.
02:37E aí eu tenho que lembrar aqui, a nossa audiência, como é que está o plano de investimento da Petrobras?
02:44Quanto dinheiro o BNDES liberou?
02:46Quantos bilhões o BNDES liberou?
02:49Para que empresas administradas por corruptores de servidores públicos e políticos no Brasil pudessem colocar aí milhões na praça e fazer uma festa,
03:02inclusive adquirindo empresas nos Estados Unidos.
03:05Então, o que o Brasil não vai fazer, ele não vai fazer porque ele não quer fazer.
03:10Porque mesmo no sentido de fomentar investimentos nos Estados Unidos, era possível se organizar.
03:18Mas o governo não quer isso.
03:21O governo não quer se colocar na posição que o Brasil precisa estar para conseguir uma negociação que faça sentido,
03:30tanto para os Estados Unidos quanto para o Brasil.
03:32Essa reversão de tarifas que houve ontem, ela aconteceu porque o interesse dos Estados Unidos prevaleceu
03:40e o lobby feito pelos setores.
03:42Lembro sempre, o lobby nos Estados Unidos é legal, é oficial.
03:47As associações setoriais contratam empresas de lobby para que elas possam expor as pautas
03:53e demonstrar os interesses dos Estados Unidos naquele assunto.
03:58Portanto, Caniato, se o vice-presidente não tiver até autonomia de ir para uma mesa de negociação a sério,
04:07realmente nós não vamos conseguir sair do lugar, a menos que o próprio Estados Unidos tenha interesse em alguma coisa específica.
04:14Apesar do vice-presidente não ter sido muito expresso nessa informação,
04:19muitos interpretaram que a retórica adotada ali, a maneira como ele apresentou as informações,
04:28dava ou sugeria ou dava a impressão que o governo tinha arregaçado as mangas,
04:33negociado e que as isenções seriam uma consequência dessa atuação de bastidor do governo.
04:39E convenhamos, não foi exatamente isso que aconteceu,
04:43mesmo porque os Estados Unidos olharam para os produtos que eles não produzem.
04:48Então, Kobayashi, quando o Geraldo Alckmin fala em perde-perde,
04:52que é uma expressão muito utilizada em negociações,
04:56seria perde-perde genuíno se os Estados Unidos não tivessem excluído absolutamente nada,
05:04porque isso iria interferir em hábitos de consumo do americano.
05:09Mas não, eles excluíram muitos itens, cerca de 700 itens.
05:13Então, me parece que os Estados Unidos perdem em alguma medida, sim,
05:18mas também vão ganhar olhando para essa tarifação de 50%.
05:23Enfim, disse que a negociação começa a partir da implementação dessa tarifa.
05:28Kobayashi, o que a gente precisa considerar em relação às estratégias,
05:33os dispositivos e as contrapartidas que o governo brasileiro pode oferecer
05:37para atenuar a taxação, diminuir o índice, pensar em uma reversão do quadro?
05:44Olha, Caniato, a primeira questão é que está certo o vice-presidente em falar que é um perde-perde,
05:49mas tem que detalhar.
05:51Perde-perde com proporções diferentes.
05:53Os Estados Unidos perdem pouco.
05:56O Brasil perde muito.
05:58Então, não é na mesma proporção.
06:00Não estão em pé de igualdade nessa negociação o Brasil e os Estados Unidos.
06:04E isso faz toda a diferença, viu?
06:06Faz toda a diferença saber sobre isso
06:09para não chegar com a crista muito erguida nessa negociação,
06:14como se o Brasil estivesse em pé de igualdade,
06:17sentado à mesa.
06:18O Brasil precisa saber que, de fato, tem mais a perder do que a ganhar
06:22nas relações econômicas,
06:24desta maneira como está justamente depois das exceções previstas no decreto americano.
06:31Então, de fato, é importante que haja, sim, a negociação,
06:34mas uma negociação com base, primeiro,
06:37no reconhecimento de que o Brasil tem mais a perder do que os Estados Unidos.
06:41E isso precisa ser dito ao presidente da República,
06:44porque ele é quem parece que não entendeu muito bem essa situação.
06:47Nos discursos públicos, pelo menos,
06:50ele se coloca como se fosse os Estados Unidos da América do Sul,
06:54como se o Brasil fosse aqui na mesma proporção do Estado americano.
06:59Não é.
07:00A gente tem o que negociar, a gente tem o que colocar na mesa,
07:03mas isso tem que ser feito com, primeiro, reconhecimento
07:06e depois com estratégia, planejamento,
07:09com a via adequada, institucional, diplomática,
07:13e não com discursos para aliados em encontros públicos
07:17que mais parecem comícios do que, de fato, manifestações
07:21com solução para a crise instalada entre Brasil e Estados Unidos.
07:27Então, o vice-presidente tem razão no que ele fala.
07:30Tomara que encontre abertura suficiente para esse tipo de negociação.
07:35E se ele tiver essa margem toda,
07:37essa carta branca do presidente,
07:38o Lula precisa combinar bem com o presidente,
07:40para o presidente não atrapalhar o vice-presidente,
07:42porque hoje é isso que está acontecendo.
07:44Inclusive, desmoralizando o vice-presidente.
07:46Esses dias, o presidente Lula falou que
07:48todo dia o Alckmin liga para alguém e ninguém atende ele.
07:52Ou seja, está acabando com a representatividade brasileira
07:56do seu próprio vice-presidente.
07:58Ou seja, se o presidente ficar calado,
08:00já ajuda bastante o vice-presidente a tentar alcançar alguma solução.
08:03Bem lembrado, Kobayashi. Bem lembrado.
08:06Agradecer Keila Alves, Tereza Garcia, Fabiano Gusmão,
08:09Alexander Vieira.
08:11E aí, o Almir Aparecido Ferreira, Dávila,
08:13trouxe uma reflexão que você costuma fazer também.
08:17Ele disse, cadê o adulto na sala deste governo?
08:19Será que não adiantou de nada tantos avisos?
08:23Mas você, Dávila, Geraldo Alckmin concedeu essa entrevista,
08:26enfim, adotando um discurso relativamente otimista
08:30e minimizando os impactos, né?
08:32Dizendo que 35,9% das exportações serão afetadas.
08:37A maior parte, não.
08:41É, e isso é um dado muito importante.
08:43A gente está falando que, em termos de valor, Canhato,
08:46metade, quase metade das exportações brasileiras foram salvas.
08:50E aí tem uma estratégia de negociação,
08:53que diz assim, a negociação é importante,
08:55mas qual é a melhor alternativa se não negociar?
08:58O Brasil teve a melhor alternativa não negociando,
09:01que foi Donald Trump isentar 42% das exportações brasileiras
09:05de produtos vitais, como aviação, como petróleo,
09:09como a questão do suco de laranja.
09:12Então, assim, não negociando, o Brasil já ganhou muito
09:16em relação ao que era, o que nós achávamos
09:21que seria a tarifa de 50% sobre todos os produtos.
09:24E essa vitória não foi uma vitória da não negociação,
09:29foi uma vitória de como isso ia afetar a vida dos americanos
09:32no cotidiano.
09:33É esse o importante.
09:34Então, agora, na hora dessa negociação,
09:38é preciso dois ingredientes importantes.
09:40Primeiro, o que o Kobo nos lembrou aqui.
09:42Precisa botar um esparadrapo na boca do presidente da República
09:45para ele não falar, para ele não criar marola política
09:48nessa negociação.
09:50A segunda coisa é segurar a ala radical do partido
09:56que já quer partir para uma retaliação tarifária.
10:00Não, você tem que criar um clima onde você encontre
10:03consenso do outro lado.
10:05Então, deixe as negociações correr de maneira técnica,
10:08não ameace com tarifa, para criar um bom caminho de entendimento.
10:14Isso é fundamental.
10:14Então, se o presidente não falar ou disparar falas
10:21que atrapalha a negociação porque cria animosidade
10:24com o presidente dos Estados Unidos,
10:26se a ala governista radical conseguir segurar um pouco a língua
10:30e não começar com história de retaliação tarifária,
10:34nós vamos ter um bom caminho para começar um diálogo.
10:38E esse diálogo é fundamental para o interesse nacional.
10:41Nós queremos assentar a mesa, reduzir o máximo possível essas tarifas.
10:47E se nós tivéssemos a visão de que essa negociação
10:53poderia ainda mais ajudar o Brasil a ganhar competitividade e produtividade,
10:58nós colocaríamos nessa lista zerar determinadas tarifas
11:03para produtos que ajudem a aumentar a produtividade e a competitividade brasileira,
11:08principalmente em máquinas de precisão, em questões de tecnologia.
11:13Mas isso é esperar demais de um governo que tem uma atitude anti-mercado.
11:18Enfim, esta negociação pode beneficiar muito os Estados Unidos, o Brasil.
11:24Aliás, como foi a negociação da comunidade europeia?
11:27Nós não comentamos isso aqui nos Pingos nos Is,
11:30mas a negociação da comunidade europeia com o governo dos Estados Unidos
11:35foi uma excelente negociação.
11:38A crítica sempre vem daqueles presidentes que acham que estão afetando os interesses agrícolas.
11:46Mas, exceto o negócio da agricultura, foi ótima a negociação.
11:50Por quê?
11:50Porque manteve uma tarifa de 15% e zerou em determinados produtos
11:55que justamente vai ajudar a aumentar a competitividade da Europa
11:59porque é equipamento de ponta, tecnologia, é na corrida tecnológica
12:04que a comunidade europeia está perdendo a batalha da produtividade para os Estados Unidos.
12:08E nessa, está zerando as tarifas.
12:12Então, veja o que é negociar pensando como transformar isso
12:17numa coisa benéfica para a comunidade europeia.
12:20Então, essa deveria ser a visão para pautar as nossas negociações com os Estados Unidos.
12:27Mas, se conseguirmos reduzir tarifa sem criar mais marola política,
12:34já é uma boa vitória para o Brasil.
12:36Se tivéssemos um pouco mais de cabeça,
12:39aí sim usaríamos isso para melhorar ainda mais a competitividade do país.
12:45Eberaldo, só temos dois minutinhos até o break.
12:47Vou pedir um comentário mais curto a respeito de uma situação que você já tinha destacado aqui.
12:54O Dávila também é essa mistura de temas nos comunicados de Donald Trump em relação ao Brasil.
13:00É possível avançar com negociações, tentar reverter lá na frente?
13:04Ou, como disse o Dávila, diminuir a taxação, sei lá, para 15% ou 20%?
13:09Independentemente daquelas pautas que não são ligadas ao Executivo Federal,
13:15às questões tarifárias e econômicas.
13:19Você acha que é preciso separar ou você acha que sempre há uma condicionante?
13:23Ah, não vamos diminuir a tarifa porque aconteceu determinada coisa com o ex-presidente Jair Bolsonaro.
13:29É preciso separar as coisas? Um minuto e meio.
13:31É fundamental separar as coisas, Caniato.
13:35É só você observar a atuação pragmática da diplomacia americana e do próprio governo de Donald Trump.
13:43Não é possível que simplesmente você pegue uma carta como aquela escrita que mistura um monte de assuntos
13:49e aí vai ficar de mal, vai fazer beicinho e aí não vou lá negociar.
13:53Não, o papel da diplomacia é justamente tirar essa espuma, essa fumaça e observar exatamente o que tem ali no fundo,
14:05colocar os argumentos de uma forma adequada, entender o que de fato eles querem,
14:10porque é óbvio que ninguém espera que o poder executivo de um país democrático
14:15interfira, imponha algum tipo de atitude ao poder judiciário.
14:20Então, as sanções colocadas no ministro estão colocadas e pronto, esse é o remédio necessário.
14:29Essa é a forma dos Estados Unidos lidar com esse problema.
14:33Mas, obviamente, os assuntos não podem ser misturados e é muito primário
14:37alguém representante do poder executivo brasileiro
14:40colocar isso como um motivo para não avançar em negociação. Não existe.
14:45Rápida parada em um minuto e vinte. Nós voltaremos.
14:49Tem mais notícia, mais informação, mais debate. Eu conto com você. Super rápido. Até já.
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