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00:00Olá, eu sou Patrícia Valle e esse é o WealthPoint, onde grandes gestores compartilham as suas visões.
00:17Muitos brasileiros de grandes fortunas têm decidido sair do país nos últimos anos,
00:22para morar na Europa, Estados Unidos, em busca de mais qualidade de vida, mais estabilidade e pagar menos impostos.
00:28E têm buscado uma assessoria de planejamento patrimonial para realizar esse sonho.
00:33Para falar sobre esse movimento, recebemos Pedro Olmo, sócio responsável pela área de gestão patrimonial da STEM Multifamily Office,
00:42e Pedro Romeiro, sócio responsável pelo planejamento patrimonial da CARPA Family Office.
00:49Bem-vindos ao WealthPoint.
00:51Obrigado, Patrícia.
00:52Obrigado, Patrícia. É um prazer estar aqui. Eu agradeço o convite.
00:55Não é mais para ir a essa agenda aqui com o meu xará.
00:58O prazer é todo meu.
01:01Vamos começar falando se essa percepção que a gente tem de que as grandes fortunas, os milionários,
01:07realmente têm cada vez mais querido sair do Brasil.
01:11Pela experiência de vocês no Multifamily Office, pelos dados que a gente tem,
01:16isso realmente aumentou ao longo do tempo?
01:20Sim. Na nossa experiência, as conversas aumentaram muito, o interesse das famílias aumentou muito.
01:25Algumas famílias que nunca tinham pensado nisso estão começando a considerar.
01:30Os motivos são os mais diversos possíveis, a gente vai falar um pouquinho mais à frente.
01:34Agora, eu não posso te dizer que o número de saídas efetivas, ela cresceu na mesma proporção do número de interesse.
01:41A gente tem muitas conversas, mas o número de famílias que, de fato, opta por sair não é tão grande assim, ainda.
01:49Tem algumas que estão ali bem esquentando os motores, quase lá, mas ainda não foram,
01:54porque a saída envolve muitos aspectos.
01:56Não é simplesmente você informar para a Receita Federal que você está saindo e transformar o seu CPF para não residente.
02:03Tem muito mais coisa além disso.
02:04É uma decisão difícil, especialmente se o núcleo familiar, se você tem filhos pequenos, filhos na escola.
02:11Então, tem vários aspectos a serem considerados, que não só, talvez, uma preocupação com segurança
02:16ou preocupação com aumento da carga tributária para motivar a saída.
02:20Então, sim, a gente tem visto muito interesse, mas o número de saídas tem crescido,
02:26mas não na mesma proporção.
02:27Não sei se a maus traje do Pedro é parecida.
02:29A nossa experiência é a mesma.
02:31A gente tem visto um interesse crescente, uma potencial saída do Brasil.
02:35Como o Pedro disse, não é algo fácil, óbvio, são N elementos que têm que ser considerados,
02:41mas, sim, há um movimento crescente de desejo de sair do país.
02:46Mas, quando você olha as estatísticas, olhando o número de milionários no Brasil,
02:50você pega o relatório UBS, a gente tem hoje 433 mil milionários no Brasil.
02:55No relatório do UBS, a gente considera aquele que tem um milhão de dólares ou mais
02:59em patrimônio líquido, não só dinheiro.
03:02E o número de saídas que a gente teve de milionários,
03:06que é um dado super difícil de conseguir,
03:07então, a gente olhando o report da Helen Partners,
03:09que é a maior empresa do mundo de imigração,
03:11eles colocaram que foram 800 brasileiros que saíram,
03:14se não me engano, no ano passado e projetados 1.200 para esse ano.
03:18É muito pouco.
03:18A gente está falando de 0,2%, 0,3% da quantidade de milionários do Brasil.
03:22Então, o interesse sempre há, mas quando você coloca um contexto mais amplo,
03:28o milionário, a quantidade de milionários do Brasil é muito grande,
03:31acaba sendo o Brasil tendo um saldo positivo em relação à saída desses mesmos indivíduos.
03:37Você quer dizer que a gente gera mais milionários do que gente saindo também?
03:41Gera muito mais milionários do que gente saindo.
03:43A gente está falando de um número, assim, é muita diferença mesmo.
03:47São de 410 mil para 433 esse ano.
03:51Se você pegar o último ano do governo,
03:53do começo do governo Michel Temer, em 2017,
03:55eram 165 mil milionários pelo mesmo relatório do UBS.
03:58Hoje temos 433 mil milionários.
04:01Estamos, então, em três diferentes governos
04:03e o crescimento continua sendo forte, consistente.
04:08E a saída, embora haja esse aumento,
04:10ela é insignificante perto da quantidade de novos milionários
04:14que vão surgindo no mercado como o Brasil.
04:16Mas ainda que seja insignificante,
04:18até pela projeção do estudo da Henry Partners,
04:20você vê um crescimento muito grande de um negócio, né?
04:22De 800 com uma projeção de 1.200.
04:25Então, certamente, acho que tem esse movimento nos clientes.
04:28Tem.
04:29Apesar de ainda não ser relevante no tudo.
04:30É isso.
04:31Eu concordo com o Pedro.
04:33A gente que está num mercado muito específico,
04:35que a gente está olhando é uma família que realmente é...
04:37Não é só um milhão de dólares.
04:38A gente está falando de famílias muito maiores, né?
04:40Que têm mais mobilidade, em geral.
04:42Então, eles têm mais capacidade de mudança
04:44do que o milionário que normalmente tem uma empresa
04:47e o patrimônio dele significa aquela empresa.
04:49Então, a gente vê um crescimento relevante
04:52no desejo de sair do Brasil.
04:55Isso se reflete, em parte, na saída efetiva.
04:58Mas era importante, acho, colocar esse contexto.
05:00A gente tem muitas discussões na Europa,
05:02especialmente em relação à Inglaterra,
05:03que perdeu um monte de milionário.
05:04E as pessoas falam,
05:05está tendo um êxodo de milionário.
05:06Mas quando você coloca a quantidade de milionários saindo,
05:09com a quantidade de milionários que ficaram na Inglaterra,
05:11é um número ainda também irrelevante.
05:12A gente está falando, se me engano, de 0,6%.
05:14Olhando os dados da Helen Parkes
05:16com os dados da quantidade de milionários no país.
05:19Mas para te dar um exemplo de que essa discussão
05:21de saída fiscal de mobilidade de milionários,
05:24ao mesmo tempo que a gente tem, de fato,
05:28algo crescente, essa mobilidade é crescente,
05:31ela é dada,
05:33quando você coloca num contexto maior,
05:35não é tão simples assim a mudança.
05:36Aqui a gente vai falar um pouco ao longo dessa conversa.
05:38Mas do aumento do interesse pelo assunto,
05:42como vocês colocaram,
05:43mais gente procurando a sua assessoria,
05:46seu family office,
05:47advogados,
05:48para entender como poderia fazer isso.
05:51O que tem motivado o assunto?
05:54O que dá discussão de vocês aí, dos clientes?
05:57Algum fator impulsionou mais a procura por isso?
06:01Olha,
06:02claro que a parte fiscal é sempre um trigo importante.
06:07Então ela vai se somando.
06:08Você teve a tributação dos fundos exclusivos,
06:11aí você tem a tributação offshore,
06:13agora tem uma discussão de tributação sobre dividendos,
06:16você teve o IOF,
06:17que isso é um ponto importante.
06:18Ainda que tenha sido derrubado pelo Congresso,
06:20pelo menos temporariamente,
06:21na prática isso pode significar um controle de capital.
06:24Então você imagina que aquele sujeito que tinha um engenheiro aqui
06:26estava tranquilo, surfando 15% de CD,
06:28e de repente ele falou,
06:29pô, mas uma canetada o governo pode colocar 20%, 25% de IOF?
06:32Melhor mandar meu dinheiro para fora.
06:34E aí, será que eu vou mandar meu dinheiro para fora?
06:35Será que faz sentido eu também me mudar?
06:37E aí começam outros elementos na discussão.
06:41Então, a decisão de mudança tem triggers específicos,
06:44existem momentos,
06:45então você tem esses momentos que a gente colocou de mudança na tributação,
06:49mas existem também triggers de violência.
06:51Você tem um momento,
06:52você tem uma violência,
06:54além do que a gente já está acostumado no Brasil,
06:57e aquela família sofreu um sequestro,
07:00você teve algum tipo de atrocínio,
07:03alguma coisa em uma região nobre,
07:05isso tudo vai fazer com que as pessoas fiquem mais preocupadas
07:07e com mais vontade de sair.
07:09Então, sempre tem esses triggers,
07:11mas não é nunca um fator exclusivo,
07:12é uma soma de elementos.
07:15Eu concordo 100%,
07:15até um copo d'água vai enchendo.
07:18A cada nova tributação,
07:20a cada insegurança jurídica no nosso país,
07:22o copo da família vai enchendo.
07:23E alguma coisa é a gota d'água,
07:24pode ser um evento de segurança,
07:26pode ser um filho que vai estudar fora,
07:27bom, por que não vamos todos?
07:30E acredito que tem temas comuns a todas as famílias,
07:33como as seguranças,
07:33que ninguém no Brasil se sente seguro,
07:35exceto raíssimas exceções, talvez,
07:37de algumas cidades,
07:39mas todos se sentem inseguros.
07:40Mas não é só isso que leva a pessoa a sair.
07:42Além disso, tem que ter alguma outra coisa.
07:44Tem que ter, às vezes,
07:45uma desesperança com o futuro do país.
07:47A gente tem ouvido muito isso nos clientes.
07:48Alguns clientes,
07:50o copo ainda não virou,
07:51mas ele está tão desesperançoso,
07:53não teve nada ali que motivou ele a ser do país,
07:54ele está tão desesperançoso com o futuro político, fiscal,
07:59que ele quer sair.
08:00É isso que é importante que o Pia colocou,
08:02porque quando você olha...
08:04Por que os milionários mudam no mundo?
08:06Não é só no Brasil.
08:07A parte fiscal é um dos elementos.
08:09Então, ele olha a estabilidade política,
08:12ele olha o ambiente de negócios,
08:15ele olha a segurança, a qualidade de vida,
08:17e ele olha a questão fiscal.
08:19Então, é sempre um conjunto de coisas.
08:20Quando o Brasil começa a perder
08:21parte desses elementos,
08:23então, ele fala que tem uma tributação
08:24que ainda não é das mais elevadas,
08:26olhando especificamente para esse grupo específico,
08:28porque ela é mais elevada da carga total,
08:32mas você tem perda de qualidade de vida,
08:34você tem um ambiente de negócios favorável,
08:36você tem um ambiente que recrimina o rico.
08:38Você começa a juntar esses elementos,
08:40e fala, opa, calma aí,
08:40talvez aqui não seja o melhor lugar para eu ficar,
08:43e eu vou embora.
08:44Então, é isso.
08:45Exatamente.
08:46Vocês colocaram aqui várias motivações
08:48para os brasileiros,
08:50em especial os milionários,
08:51saírem do país.
08:52Mas vocês também disseram
08:53que pouquíssimos, de fato, saem.
08:56O que está por trás disso?
08:58Porque, talvez, na hora de avaliar,
09:00no fim das contas,
09:02quase ninguém sai, Pedro.
09:03Patrícia, a saída fiscal,
09:05ela tem que ser bem feita.
09:06Não adianta, simplesmente,
09:07você pegar um número fiscal em outro país
09:09e continuar aqui no Brasil,
09:11com empresa aqui,
09:12às vezes até com família aqui.
09:13Então, a saída fiscal,
09:14ela tem que ser feita, de fato,
09:16levando o centro de interesse vitais da família
09:18para o destino escolhido.
09:19E essa decisão não é trivial.
09:22É uma decisão que envolve a família inteira,
09:24envolve escola de filhos,
09:25envolve se o seu cônjuge vai estar feliz
09:27ou não no novo país.
09:29Então, quando o cliente coloca,
09:31colocar na mesa,
09:32todos os aspectos da mudança fiscal,
09:34não é uma decisão simples.
09:35Se você perguntar para alguém,
09:37você quer pagar menos imposto?
09:38Claro, então vamos lá para Portugal,
09:41ou para Espanha, ou para Itália.
09:42Mas não é só essa a pergunta, né?
09:44Você quer pagar menos imposto?
09:45Está disposto a passar a maior parte
09:47do seu tempo fora do Brasil?
09:49Está disposto a levar os seus filhos
09:52para uma escola nova?
09:52Às vezes o seu filho tem uma dificuldade
09:53de adaptação na escola,
09:55tem uma questão de aprendizado.
09:56Você está disposto a não ver seus pais,
09:59que não estão ficando mais novos a cada ano?
10:01Você está disposto a vê-los cada vez menos?
10:03Então, realmente,
10:04é uma decisão que não é fácil.
10:06Por isso que eu acredito que
10:08o interesse está altíssimo.
10:10Toda hora um cliente vem perguntar sobre isso,
10:12mas na hora de virar a chave,
10:14ele vê que não é simplesmente
10:15pagar menos ou mais imposto.
10:17E talvez essa percepção
10:18que seja só pagar mais ou menos imposto
10:20seja até levada por alguns consultores
10:24que simplesmente dizem que basta você
10:26escolher um novo país
10:27e ter uma casa lá,
10:29mas pode ficar no Brasil.
10:30Não é assim.
10:31A nossa receita está cada vez mais sofisticada.
10:33A gente tem casos aí que, enfim,
10:36multas de trânsito,
10:37movimentação bancária,
10:38tudo isso é indício para a Receita Federal
10:40trazer aquele indivíduo
10:42para ser residente de fiscal no Brasil de novo,
10:44independentemente dele ter passado mais tempo
10:46fora do que aqui no Brasil.
10:48Então,
10:49outro equívoco,
10:50muito comum dos clientes.
10:51Ah, então,
10:51se eu passar mais de 183 dias fora,
10:54quer dizer que eu não sou residente no Brasil?
10:56Não é bem assim.
10:57Essa regra é para o estrangeiro no Brasil.
10:59Para o brasileiro,
11:01não basta você passar 184 dias no exterior
11:03e o resto no Brasil.
11:05Se você tiver aqui
11:06o seu centro de leitura de fitagem,
11:07você será residente de fiscal no Brasil.
11:09Então,
11:09quando essa fiscal é bem feita,
11:11ela implica uma mudança
11:12da sua família para o exterior.
11:13E é nessa hora
11:14que muitas vezes o cliente
11:14conta de ideia.
11:16Eu concordo com o Pedro.
11:18A gente vê muito essa discussão, né?
11:21Tipo,
11:21eu vou pagar menos imposto,
11:22mas e o clima?
11:23O Brasil é quente o ano todo,
11:25pelo menos na boa parte do Brasil, né?
11:27O Brasil é quente.
11:28E o nosso público específico
11:30é um público que,
11:31a despeito da sensação de insegurança, né?
11:33Quer dizer,
11:33o brasileiro rico,
11:34ele aproveita muito pouco a cidade, né?
11:36Ele anda muito pouco pela cidade.
11:38Ele não explora a cidade
11:39como o europeu, por exemplo,
11:40pode explorar.
11:41Mas ele tem carro blindado,
11:43ele tem casa em condomínio legal,
11:44ele tem clube legal.
11:45Quer dizer,
11:45ele tem uma vida,
11:46a vida do rico no Brasil,
11:48ela é maravilhosa, né?
11:50Até certo ponto.
11:52A classe média,
11:53ela sofre mais,
11:54as classes mais baixas.
11:56Mas o rico,
11:56ele tem uma vida muito boa aqui.
11:58Então,
11:58aquele cidadão,
11:59ele fala,
11:59vamos mudar,
12:00ele tem que se adaptar
12:01com toda a cultura diferente
12:02de outro país, né?
12:03Com todos esses aspectos
12:04que o Pedro colocou
12:05de saúde,
12:06educação,
12:06da língua, né?
12:07Às vezes coisas menores
12:08até de um lado ou do outro, né?
12:11E você, de fato,
12:12tem,
12:13nós, latinos,
12:13temos essa conexão
12:15com a família, né?
12:15Vamos estar longe dos amigos,
12:17longe da minha mãe,
12:17do meu pai,
12:18dos meus irmãos.
12:19Então,
12:19não é uma decisão óbvia.
12:20E lembrando que
12:21boa parte dos ricos no Brasil,
12:24eles são ricos empresários, né?
12:26A gente tem,
12:26obviamente,
12:27os herdeiros
12:27que têm maior mobilidade,
12:29os herdeiros
12:29que não fizeram
12:30a sucessão empresarial,
12:32mas ricos empresários
12:33estão no Brasil trabalhando.
12:35É uma ilusão
12:36achar que você consegue
12:37tocar uma companhia
12:38como CEO
12:39à distância.
12:40Você toca a companhia lá,
12:42junto do seu time.
12:43Então,
12:43isso traz,
12:44na prática,
12:45que ele faça com que
12:46ele volte o tempo todo
12:47para o Brasil, né?
12:47E aí ele fica distante
12:48da família dele,
12:49que ele mudou.
12:50E tem outros aspectos
12:51que muitas vezes
12:51tem que considerar,
12:52que são questões específicas,
12:53por exemplo,
12:54de família e sucessões.
12:55Então,
12:56ele tem um regime
12:56de bens no Brasil,
12:57ele vai para a detenção
12:58do país,
12:58se aquele regime não existe.
13:00E aí muda tudo,
13:01ele não tem discussão
13:01de guarda.
13:02Como funciona a questão
13:02de guarda se eu me separar
13:04naquele país?
13:04Como funcionam os alimentos
13:05naquele país, né?
13:06A discussão de pensão
13:08alimentícia.
13:09Tudo isso tem que ser
13:09levado em consideração, né?
13:11O casamento está bem,
13:11mas pode mudar, né?
13:13Então,
13:14a gente tem,
13:15de fato,
13:16quando você começa
13:17a colocar
13:17de maneira detalhada
13:19todos esses pontos,
13:21a decisão,
13:22muitas vezes,
13:22é, ok,
13:23vamos deixar mais para frente.
13:24Vamos mandar o dinheiro
13:25para fora.
13:26Eu vou esperar
13:26mais algum outro movimento
13:28para poder sair, né?
13:29Pelo que vocês estão falando,
13:31as últimas
13:32movimentações
13:33em prol de tributação
13:35mais das grandes fortunas
13:36têm incomodado, sim.
13:38Você falou do IOF também,
13:40aí,
13:40o questão dos dividendos,
13:42isso influencia,
13:43mas,
13:44pelo que eu entendi também,
13:46vocês estão
13:46tentando mostrar
13:47para o cliente
13:48que a saída fiscal
13:50tem que ser muito mais
13:51do que
13:51não pagar imposto.
13:53teria que ser
13:54uma decisão
13:55de vida,
13:56o que que deveria
13:56ser, então,
13:57avaliado,
13:57o que que vocês conversam
13:59quando esse cliente
14:00vem para vocês
14:01perguntando,
14:02olha,
14:02eu quero sair,
14:03não aguento mais,
14:04estou pagando muito,
14:06quais são as primeiras
14:07perguntas,
14:08se a gente poderia
14:08citar, assim,
14:09que devem ser feitas
14:11e se ponderar?
14:13Olha,
14:14tem,
14:15normalmente,
14:16eu separo
14:16essas discussões
14:17em grandes temas, né?
14:18O tema,
14:19vamos dizer assim,
14:20da família,
14:21então,
14:21quando a gente fala
14:22em saúde,
14:22temos um problema
14:23de saúde,
14:23não temos um problema
14:24de saúde,
14:24porque a depender
14:25do país que você vai,
14:25você não tem
14:26uma estrutura
14:26adequada de saúde
14:28para te atender,
14:29né?
14:31Você tem temas
14:32de educação,
14:32se você tem
14:33filhos menores,
14:34para onde você vai,
14:34tem escolas
14:35que são compatíveis
14:36com a escola
14:36onde seus filhos
14:38estavam estudando,
14:39temas específicos
14:40jurídicos,
14:41família e sucessões,
14:42qual é o regime
14:43de bens,
14:44como funciona a sucessão,
14:45tem coisas específicas,
14:47vou te dar um exemplo,
14:47Portugal, por exemplo,
14:48não reconhece a união
14:49estável para fins
14:50sucessórios,
14:50o Brasil reconhece,
14:52então,
14:52se você tem
14:52a união estável
14:53no Brasil
14:53e você muda
14:54para Portugal,
14:55você tem que fazer
14:55um planejamento
14:56específico
14:56para que o seu
14:57parceiro,
14:58sua parceira
14:59receba bens
15:00na sucessão,
15:01porque por regra
15:02não se aceita,
15:03ele não é herdeiro
15:04necessário
15:04como é no Brasil,
15:05então,
15:05apenas um exemplo
15:06de como as coisas
15:07funcionam,
15:07a gente sempre olha
15:08questões jurídicas
15:09relacionadas à família,
15:10sucessão,
15:12casamento,
15:13imigração,
15:15questões fiscais
15:16e de propriedade
15:17imobiliária,
15:17você vai comprar um imóvel,
15:18alugar imóvel,
15:19etc.,
15:19a gente olha
15:20essas questões
15:20pessoais,
15:22saúde,
15:23educação,
15:24língua,
15:24porque muitos brasileiros,
15:25embora sejam ricos,
15:26não falam inglês,
15:27não falam espanhol,
15:28não falam a língua local,
15:30então,
15:31se você potencialmente
15:32vai mudar,
15:33já teve uma família
15:33lá em Pesas,
15:34que era um casal
15:35de mais idade,
15:37e eles queriam,
15:37porque queriam morar
15:38na Inglaterra,
15:40e eles tinham uma série
15:41de problemas de saúde,
15:41etc.,
15:42e eu falei,
15:42olha,
15:43vocês falam inglês,
15:44eles não falam nada
15:44de inglês,
15:45eu falei,
15:45o que eu recomendo,
15:46vou para a Flórida,
15:47essa é brincadeira,
15:49a Flórida,
15:49que a Flórida é todo mundo,
15:50o clima é todo mundo,
15:50eles têm o portuol ali,
15:53então,
15:54e no final,
15:55eles até se mudaram
15:55para a Flórida
15:56a despeito da questão fiscal,
15:58porque de fato,
15:58eles tinham uma série
15:59de alimentos de questões
16:00de saúde,
16:00o clima,
16:01era importante eles estarem
16:02com o sol,
16:03etc.,
16:04então,
16:04parece uma coisa besta,
16:05mas você mudar para um país
16:06sem falar a língua,
16:07isso traz um impacto
16:09significativo,
16:10na maneira como você
16:12se integra àquele país.
16:13Exatamente.
16:15É,
16:15eu costumo perguntar
16:16qual é a dor
16:16que está levando a família
16:17a pensar nisso,
16:18e inevitavelmente
16:20é a tributação,
16:21então,
16:22e o que eu tento
16:23sempre é um pouco
16:24desmistificar
16:25que a tributação
16:28é tão relevante
16:28assim a ponto
16:29da pessoa sair.
16:30Vamos lá,
16:30tributar os fundos fechados
16:32é algo que a indústria
16:32já esperava
16:33há muito tempo,
16:34né,
16:35usar os fundos fechados
16:36como a gente usava,
16:37a indústria inteira usava
16:38para uma família
16:39com muito patrimônio,
16:41não era a ideia
16:42do fundo fechado
16:42quando ele foi mantido
16:44sem 5 mil cotas
16:44lá atrás.
16:45Então,
16:45sabia-se que isso ia acabar,
16:47então,
16:47não foi o fim do mundo
16:48na minha visão
16:49aqui para o Brasil.
16:51O offshore também,
16:52a gente esperava
16:54essa tributação
16:54do offshore
16:55já há muito tempo,
16:56os países quando lá
16:57querem ser
16:57países de membros
16:58do OCDE,
16:59se comprometem
16:59uma série de coisas,
17:00esse é um dos requisitos
17:01e poderia ter sido pior,
17:02tá,
17:03porque você pega,
17:04por exemplo,
17:04a regra de Portugal
17:04de CFC Rules,
17:06de tributação
17:06de empresas controladas
17:07no exterior,
17:08eles deixam muito mais
17:10pejorativa a tributação
17:11quando você está
17:13em um paraíso fiscal.
17:14Aqui a nossa legislação
17:15ela falou em controle,
17:16então você pode manter
17:17a sua PIC lá,
17:18sua offshore,
17:19onde ela está
17:19e você tributar
17:20dá 15%.
17:21Tem o projeto aí
17:22que talvez vá para 17,5%.
17:24Mas não é,
17:25vamos dizer assim,
17:26não é uma mudança abrupta
17:28e nada que fosse inesperado.
17:30Acho que dentro do possível,
17:31claro que ninguém quer
17:32pagar mais imposto,
17:33ainda mais quando você
17:34não vê a contrapartida
17:35do Estado,
17:36ninguém quer pagar
17:37mais imposto,
17:38mas dentro do possível
17:39foi dentro do esperado,
17:40o G.
17:40então não sei se é isso
17:42que deveria motivar
17:43a família a sair.
17:44Então geralmente
17:45a gente acaba a discussão
17:46da tributação aí,
17:47porque a gente ainda
17:47tem um ambiente,
17:49não diria favorável,
17:50mas nos investimentos
17:51financeiros ainda temos
17:52um ambiente saudável
17:54no Brasil.
17:55Agora a gente vai
17:55para outros ambientes,
17:56poxa, eu tenho uma empresa
17:57e não aguento mais
17:58ser empresário,
17:59realmente ser empresário
18:00no Brasil é uma luta árdua,
18:03então muitas vezes
18:03o cliente quer vender,
18:05fazer liquidez
18:06e viver.
18:07Isso aí realmente
18:08é uma vontade
18:09que muitos clientes têm.
18:12Às vezes é segurança,
18:13aí segurança não tem
18:14muito o que falar também,
18:15então realmente
18:16se ele teve algum fator
18:17na família,
18:18um sequestro,
18:19às vezes é uma coisa
18:20mais grave até,
18:21ele quer sair do país
18:22por isso.
18:22Então primeiro entender
18:23a dor da família
18:23e por que está levando
18:24a sair,
18:25inevitavelmente ao tributário,
18:26não sei se o tributário
18:27hoje deveria ser
18:28a única motivação,
18:29mas a gente chega
18:31muitas vezes
18:31a uma conversa difícil
18:32que é o futuro do país,
18:33a gente falou
18:34um pouquinho mais cedo,
18:35a família estar
18:36desesperançosa
18:37com os rumos
18:38que o país está tomando
18:39em diversos aspectos.
18:40Aí realmente
18:41não tem muito o que fazer.
18:43Então uma vez
18:44que a família
18:44tem convicção
18:45de que quer sair,
18:46que é uma decisão
18:47mais ampla
18:48e muito mais forte,
18:50muito mais séria
18:50do que a princípio
18:51eles acham que é,
18:52aí a gente analisa
18:53o caso a caso.
18:54Poxa,
18:54você tem empresa offshore,
18:56você está indo para Portugal
18:56porque você escolheu Portugal
18:57porque é um lugar legal.
18:59Portugal você não pode
18:59estar offshore,
19:00vamos fazer o que?
19:00Vamos desmontar?
19:01Pô, desmontar vai ter
19:02falta de gerador?
19:03Então assim,
19:04uma vez que a gente
19:04define quem é a família
19:05que quer sair,
19:06a gente pensa num destino
19:07que é aliás outro ponto,
19:07né Pedro?
19:08Às vezes o cliente pergunta
19:09para onde eu vou?
19:11Você tem que dizer
19:11para onde você quer ir,
19:12né?
19:13Claro que você não vai
19:13escolher um lugar
19:14que é o pior
19:15tributariamente falando,
19:16mas não deve-se escolher
19:18um lugar também
19:18só porque paga menos imposto,
19:19tem que escolher um lugar
19:20que você vai ser feliz
19:21ou no mínimo um equilíbrio
19:23entre as coisas, né?
19:25Então aí a gente escolhe
19:26o lugar que o cliente vai.
19:28Uma vez escolhido o lugar
19:29a gente faz o diagnóstico
19:30do patrimônio dele,
19:31financeiro e não financeiro,
19:32e o que a gente precisa fazer
19:33para adaptá-lo
19:34às novas regras.
19:35Por exemplo,
19:36esse de Portugal
19:36que é um exemplo clássico,
19:37ele não pode ter,
19:38não deveria ter parede fiscal
19:39e aqui no Brasil
19:40não é um problema
19:41parede fiscal,
19:42a gente tem que reavaliar
19:43a estrutura.
19:44E tem outros aspectos
19:45práticos, né?
19:46Que no dia a dia
19:47que você vai ter que agora,
19:48você tem o chapéu
19:49de não-residente,
19:50então seu CPF
19:50agora é de não-residente,
19:52você precisa informar
19:54suas fontes pagadoras
19:55que você é não-residente,
19:56você precisa abrir
19:57uma conta específica
19:58regulamentada lá
19:59pela resolução 473,
20:00que é uma conta mais cara,
20:02mais burocrática.
20:03Então, assim,
20:03tem uma série de fatores também
20:04que você precisa se atentar
20:06depois que você toma
20:08essa decisão.
20:09Eu acho que,
20:10só complementando
20:11o que o Pedro disse,
20:12além de toda essa burocra
20:14legal que a gente fala
20:15na imigração,
20:16o tax planning,
20:17pré-imigração,
20:18pós-imigração, etc.,
20:20de fato,
20:21se você toma a decisão
20:22apenas pela questão fiscal,
20:23o que acontece na prática?
20:25Você vai ficar um período
20:26num país novo
20:26e depois na formular de novo.
20:28É verdade.
20:28porque os regimes estão temporários,
20:3010, 15 anos,
20:317 anos.
20:32Então,
20:32você se mudar
20:33porque você só quer
20:35pagar menos imposto,
20:36você vai ser um nômade.
20:37Acho que é bom
20:38deixar isso claro
20:39que para a audiência,
20:40todos esses incentivos,
20:41eles têm prazo de validade.
20:43Ou seja,
20:43nenhum é vitalício,
20:45certo?
20:45Não,
20:46nenhum é vitalício.
20:46Você sempre tem prazo.
20:48Ou pelo menos
20:48a grande maioria deles,
20:50os que o brasileiro
20:51tem interesse em geral,
20:52que são os regimes europeus
20:53e o uruguaio,
20:55eles têm prazo de validade.
20:57Então,
20:57necessariamente,
20:58se você se muda
20:59para um país
21:00e você se integra,
21:02você passa a fazer
21:03parte daquela cultura,
21:04aí acaba aquele prazo,
21:0510 anos,
21:0615 anos,
21:067 anos,
21:07etc.,
21:08você vai passar a pagar imposto,
21:09imposto muito maior
21:10que você pagaria no Brasil
21:10via de regra.
21:12Então,
21:12tudo bem,
21:13aí talvez você se sinta feliz,
21:15você está tendo
21:15uma retribuição,
21:17que é em termos,
21:17porque o rico,
21:19ele não usa do espaço,
21:20ele se beneficia
21:21da baixa criminalidade,
21:22mas ele não se beneficia
21:24da saúde pública,
21:25por exemplo.
21:26Então,
21:26mesmo num país
21:28como a Europa,
21:29que tem o welfare state,
21:30etc.,
21:31para o rico,
21:32o retorno,
21:33ele é direto,
21:34ele é muito baixo.
21:35Você tem um retorno
21:36indireto na sociedade,
21:37que é uma sociedade
21:38de baixa desigualdade,
21:39baixa criminalidade,
21:40etc.
21:40Mas se o seu objetivo
21:41é unicamente
21:42não pagar imposto,
21:44em 10 anos,
21:457 anos,
21:45ou 15 anos,
21:46você vai mudar de novo.
21:47E aí você vai virar
21:47um pinga-pinga global.
21:49Tem gente solteiro
21:50ou casado sem filhos,
21:52talvez funcione,
21:52mas para uma família
21:53que tem filhos pequenos,
21:54isso traz uma complicação
21:56adicional.
21:56Você tem que fazer
21:57um planejamento
21:58pós-regime,
21:59você bota o seu recurso
22:01num veículo,
22:02num produto,
22:03que depois do regime
22:04seja eficiente,
22:05mas aí você tem uma trava,
22:06às vezes,
22:06acessar o curso.
22:07Isso tem outras.
22:08Você realmente
22:09fica um pouco,
22:10se você está olhando
22:11só o aspecto tributário,
22:12você fica um pouco
22:13refém do dinheiro.
22:14É isso.
22:14E tem aquela música
22:15que fala,
22:15é importante ter dinheiro,
22:16mas você tem que falar,
22:17pelo menos uma vez,
22:18quem é dono de quem.
22:19Eu gosto muito
22:19de falar isso para os clientes,
22:20porque muitas vezes
22:21a gente fica olhando
22:23só para a questão tributária
22:24e você, às vezes,
22:24deixa de curtir uma festa,
22:26curtir um momento
22:27com a família,
22:28porque você escolheu
22:28estar lá
22:29e tem que estar lá
22:29por algum motivo.
22:30Então,
22:32é um ponto a ser considerado.
22:33Perfeito.
22:34Mas quando é uma decisão
22:35já familiar,
22:36as pessoas que realmente
22:37têm decidido ir,
22:39para onde é
22:40que os brasileiros
22:41mais estão querendo ir
22:42na experiência de vocês?
22:43Vocês comentaram um pouco
22:44aqui de alguns países,
22:47alguns que têm incentivo,
22:48mas outros que não.
22:50Para onde os brasileiros
22:51estão indo?
22:51É pelo incentivo?
22:52É por outras razões?
22:53O que você vê, Pedro?
22:54Olha,
22:55na minha experiência,
22:55vou falar todos
22:56que a gente vê
22:58e os que a gente mais vê.
22:59vemos bastante UK,
23:01Portugal,
23:02Itália,
23:03Espanha,
23:04menos Uruguaia.
23:06O que a gente mais vê mesmo
23:07é Portugal e UK.
23:09São países que trouxeram,
23:12primeiro uma,
23:13Portugal, no caso,
23:14primeiro trouxe uma facilidade
23:15imigratória,
23:16com golden visa,
23:17que era aquele visto
23:19que você faz um investimento lá,
23:20tem alguns ativos elegíveis ou não,
23:23e aí você,
23:23depois de alguns anos,
23:24pode aplicar para a cidadania.
23:26E além da facilidade imigratória,
23:28trouxe também o regime fiscal,
23:29privilegiado,
23:30que é o regime do residente no habitual.
23:32Esse regime,
23:33a primeira versão dele,
23:35vamos dizer assim,
23:35acabou,
23:36só que eles já fizeram
23:37uma nova versão.
23:38Então,
23:39Portugal é um país
23:40que tem um clima
23:41super agradável,
23:42uma comida muito boa,
23:44fala-se português,
23:46voo direto,
23:47então,
23:48é um destino muito fácil
23:50para o brasileiro se adaptar.
23:52Para quem não tinha
23:52passaporte português,
23:53ele te dava o acesso
23:55via golden visa
23:55e ainda te dava
23:56um regime fiscal muito bom,
23:58que o regime,
23:59o RNH 1.0,
24:01vamos chamar assim,
24:01que até os advogados portugueses
24:02falam assim,
24:04ele te dava isenção
24:05em juros e rendimentos,
24:06dividendos,
24:07qualquer rendimento.
24:08O regime novo,
24:09ele te dá isenção,
24:10juros e rendimentos,
24:11até no ganho de capital também.
24:12É um pouco mais difícil de entrar,
24:13porque o primeiro
24:14era basicamente você aplicar,
24:15você só não poderia ter sido
24:16resenso fiscal lá
24:17nos últimos anos.
24:18O regime novo,
24:19você tem mais uns requisitos,
24:21mas ainda dá para ser feito.
24:23então é um país de fato
24:25que a gente vê muita procura.
24:27O UK também teve o regime
24:29do Residential Ambosilhado,
24:30o famoso UK Resident on Don.
24:32Ele foi um sucesso total,
24:34muitos clientes foram para lá.
24:35Ele acabou de forma
24:36meio abrupta,
24:37até as pessoas ficaram
24:38um pouco preocupadas
24:39com a forma que o governo acabou
24:40e até novas imposições
24:41de imposto de herança
24:42para quem já estava lá.
24:44Aí volta a questão
24:44do prazo do regime.
24:46Um regime de quatro anos
24:47é um tiro curto,
24:48para uma família,
24:49ainda mais uma família
24:49com crianças na escola.
24:51Mas é um regime interessante,
24:52também te dá bastante benefício
24:54nos rendimentos fora do UK.
24:56Então são esses dois países
24:57da Europa
24:58que a gente mais vê.
24:59Não posso deixar
25:00de falar de Uruguai.
25:01Uruguai, os clientes
25:01estão cada vez mais perguntando.
25:04O Pedro deve passar por isso,
25:05porque a gente que trabalha
25:05com isso fala o tempo todo
25:06e é um grande big brother.
25:10A gente começa a receber
25:11conteúdos relacionados a isso
25:13no Instagram,
25:13no Facebook e tudo mais.
25:14Então o que eu recebo
25:15de advogados
25:16vendendo soluções mágicas
25:18é inacreditável.
25:19Desde vá para o Uruguai
25:20e não pague mais imposto na vida,
25:22até faça uma hold
25:22e não paga nem TCMZ.
25:24E o Uruguai agora é uma pauta.
25:26Outro dia eu vi assim,
25:27baixa aqui,
25:27seu e-book sobre
25:28como ir para o Uruguai.
25:30Então é uma discussão
25:31muito mais ampla do que isso,
25:32mas claro que o cliente
25:33começa a falar disso,
25:34ouvir isso,
25:35ler isso,
25:35pô, por que não, né?
25:36Vou para o Uruguai daqui do lado,
25:38vou lá jogar no cassino,
25:40vou beber um bom vinho,
25:41comer uma boa carne
25:42e vou continuar morando no Brasil.
25:43Mas de novo,
25:44não é assim.
25:45Você tem que de fato se mudar,
25:46deveria se mudar, né?
25:47Ah, mas o Uruguai só existe
25:4960 dias ou nenhum dia,
25:51dependendo do quanto você investe.
25:53Isso é para o Uruguai,
25:54a gente não pode esquecer o Brasil, né?
25:56Uma coisa que a gente tem que entender
25:57é quando você vai,
25:59leva a sua residência fiscal
26:00para um novo país,
26:01você tem que estar de acordo
26:02com as regras daquele país,
26:04mas você não pode esquecer
26:05que o Fisco brasileiro
26:05ainda pode se trazer de volta
26:07pelo tal do centro de teres escritais.
26:09Então não adianta você
26:09comprar um imóvel no Uruguai,
26:10ficar lá 60 dias
26:11e ficar o resto do ano no Brasil
26:13ou três meses aqui,
26:14três meses na Flórida.
26:16Provavelmente,
26:17se você for autuado,
26:18você vai ter uma dificuldade
26:20de comprovar que você de fato
26:21tinha os centros de teres escritais lá
26:22se você tem uma casa de praia lá.
26:26E a pergunta que inevitavelmente vem,
26:28ah, mas isso é pego?
26:29Eu vou ser pego?
26:31Bom,
26:32não é muito comum
26:33essa investigação,
26:33sendo bem franco,
26:35eu não sei de muitos casos,
26:36os advogados que eu converso também não,
26:38mas a gente nunca quer
26:39que a nossa cliente seja o primeiro.
26:40E quando a gente olha a Europa
26:41e os Estados Unidos,
26:43porque os Estados Unidos
26:43os Estados entre si
26:45têm uma guerra fiscal
26:46porque alguns Estados
26:47têm imposto de herança
26:48e imposto de renda estadual,
26:50além do federal.
26:51Então você tem
26:52essas movimentações
26:54dentro dos Estados Unidos
26:55e na Europa tem muito
26:56porque você não tem
26:57o controle de fronteiras.
26:58Então as receitas lá
26:59são muito sofisticadas
27:00nessas análises.
27:01Elas analisam até Instagram,
27:02tem o caso emblemático
27:03da Shakira,
27:04que era a receita fiscal
27:05em Bahamas,
27:06só que a Cataluña
27:07estava puxando ela
27:08por vários indícios,
27:09inclusive em rede social.
27:11Então lá eles estão
27:11muito mais avançados,
27:12a gente ainda não está aí,
27:13mas eu acho que
27:15a receita está caminhando
27:15para isso.
27:16Está chegando lá, né?
27:17Está chegando para isso.
27:17E Pedro Romero,
27:19primeiro para falar de Uruguai,
27:20se realmente como
27:21o Pedro Olmo falou aqui
27:23tem sido
27:24o assunto do momento,
27:26tem sido muito procurado
27:27por isso mesmo.
27:28Qual a opinião de vocês
27:29sobre ir ou não
27:30para o Uruguai?
27:31O Uruguai,
27:32eu brinco lá na empresa
27:33que ele não é sexy o suficiente,
27:35né?
27:36Porque ele é frio,
27:36mas não é frio o suficiente
27:37para vocês que há.
27:38Ele tem mar,
27:40mas o mar é frio,
27:41a areia tem pedra, né?
27:42O centro de compras
27:43é muito bom,
27:44mas não se compare
27:44a Europa e Estados Unidos,
27:46talvez não se compare
27:46nem a São Paulo, né?
27:48E talvez a única coisa ali
27:50que é imbatível,
27:51seja imbatível,
27:52seja a carne,
27:53mas também tem a Argentina
27:54ali concorrendo, né?
27:55Mas os vinhos
27:57vão ser muito bons, né?
27:59Mas o Uruguai,
27:59ele tem uma infra
28:00de escolas internacionais
28:01muito forte,
28:02eles se desenvolveram bastante,
28:03tem muitos brasileiros mudando,
28:04argentinos especialmente
28:05e venezuelanos
28:07e toda a América Latina, né?
28:08Os falantes de espanhol,
28:10eles se mudam muito
28:10para o Uruguai,
28:11mas no Brasil,
28:12a gente não tem visto,
28:13pelo menos na empresa,
28:15a gente não tem visto
28:16um movimento efetivo
28:17de mudança.
28:18Tive muita conversa
28:19como o Pedro colocou, né?
28:20Pô, todos os anos
28:20São Paulo mudam para lá,
28:21mas ficam no Brasil,
28:22eles esquecem,
28:24todo mundo acha
28:24da regra dos 183 dias,
28:26como o Pedro bem colocou,
28:26não existe isso no Brasil
28:27para o brasileiro,
28:28é centro de interesse vital,
28:30né?
28:30E ficar três meses
28:31em cada país,
28:32mas os filhos estão aqui,
28:33a casa está aqui,
28:34está tudo aqui,
28:34é aqui que é o interesse vital, né?
28:37Então,
28:37a gente não vê efetivamente
28:39essa mudança
28:39para o Uruguai.
28:42O que a gente vê
28:42é para a Europa
28:43e para os Estados Unidos, né?
28:44Os Estados Unidos
28:44muito em função
28:45do ambiente de negócios,
28:46apesar de ter uma tributação
28:47mais elevada
28:48do que esses regimes
28:50específicos na Europa,
28:51mas o ambiente de negócios
28:53então para aquelas famílias
28:53empresárias
28:54que querem montar negócio,
28:56que querem expandir o negócio,
28:57eles preferem via de regras
28:58nos Estados Unidos.
28:59A gente começou a ver
29:00um movimento
29:00dos filhos de clientes nossos
29:02que estudam nos Estados Unidos
29:03com dificuldade
29:04de conseguir emprego,
29:05porque os empregadores
29:06eles não têm certeza
29:07que vão conseguir
29:07o visto de permanência
29:08para eles, né?
29:09O visto de trabalho.
29:10Então,
29:10eles estão rejeitando
29:11os imigrantes
29:12como estagiários,
29:14como empregados
29:15e tudo mais.
29:16Eu não sei
29:17se esse movimento
29:17é um movimento
29:18que vai se aumentar
29:19muito ou não,
29:20hoje o momento
29:21é um momento complicado,
29:23mas há um movimento
29:24nesse sentido.
29:25A gente tem conversado
29:25muito com os clientes
29:26que têm os filhos
29:27dos Estados Unidos
29:27e eles têm nos relatado
29:29essas dificuldades.
29:31Quando você vai para a Europa,
29:32de fato,
29:33o destino mais procurado
29:33é Portugal,
29:34pelas razões
29:35que o Pedro colocou.
29:36O clima,
29:37a cultura,
29:38relaxante parecida,
29:39a língua,
29:40próxima ao Brasil,
29:42tudo isso faz com que seja
29:43o principal destino
29:44dos brasileiros.
29:45Aí você tem um regime
29:46super amigável,
29:48fiscal do RNH.
29:50Agora,
29:50a gente vê,
29:51a gente tem clientes
29:51que a Inglaterra
29:52era o principal destino
29:54também,
29:54só que com a mudança
29:55de regime acabou,
29:56basicamente,
29:56a gente teve um cliente
29:57só que migrou
29:58ano passado.
29:59Agora,
29:59o que a gente tem feito
30:00é a mudança de brasileiros
30:01da Inglaterra para a Itália,
30:03que tem um regime
30:03interessante também
30:04de taxas fixas,
30:06eles chamam de flat tax,
30:07de 200 mil euros por ano.
30:09Mas,
30:10tanto para a Itália
30:11quanto para a Suíça,
30:11você precisa ter
30:12uma liquidez relevante.
30:13Quando você faz conta,
30:14para você ter algo
30:16como 8%
30:17de taxa efetiva
30:18de imposto
30:19aplicando em treasures
30:21do governo americano,
30:22por exemplo,
30:22você precisa ter algo
30:23como 55 milhões de dólares
30:24de liquidez.
30:26Então,
30:27para o empresário
30:29que tem muita liquidez
30:30pode fazer sentido mesmo,
30:31se não for ficar
30:31na regra comum
30:32de tributação
30:34na Itália e na Suíça.
30:35A gente vê
30:36alguma coisa para a Espanha,
30:37mas normalmente
30:37para a Espanha
30:38é o executivo,
30:39porque ele entra
30:40pela lei Becker,
30:41então ele tem
30:42um regime específico
30:43para o trabalho.
30:44Exatamente.
30:45Mas não aquela família
30:46de herdeiros
30:47ou que fez liquidez,
30:49ele não se muda
30:49para a Espanha
30:50porque a tributação
30:51não é favorável.
30:54A gente tem,
30:56acho que são esses
30:56os principais locais
30:58dos nossos clientes
30:59de movimentação
31:00na Europa.
31:01Perfeito.
31:03E,
31:03então,
31:04tendo a decisão,
31:05escolhendo o país,
31:07o que vocês veem
31:07na prática
31:08que acontecem
31:09com esses brasileiros
31:10que escolhem
31:10migrar
31:11para esse
31:12novo país?
31:15Eles continuam
31:16mantendo relações
31:17aqui com o Brasil?
31:18Seus investimentos,
31:19eles continuam aqui?
31:22Continua tendo
31:23uma gestão interessante
31:24aqui?
31:25Ou se manda
31:25tudo para lá?
31:27Como é que
31:27esse cordão
31:28umbilical
31:29desse cidadão
31:30que resolveu sair,
31:32Pedro?
31:32Então,
31:33vamos lá,
31:34depende muito
31:34se a família
31:35ainda tem negócios
31:35no Brasil ou não.
31:36porque quando você
31:38dá a cidadão fiscal,
31:39o seu CPF,
31:39vamos dizer assim,
31:40ele vira de não-residente.
31:42Então,
31:42você precisa adequar
31:44a sua nova realidade
31:44bancária e empresarial.
31:46Se você ainda tem
31:46empresas,
31:47você tem que regularizar
31:48todas as participações
31:49societárias como não-residente
31:51para você conseguir
31:51receber dividendos,
31:52JCP e tudo mais.
31:54Se você ainda vai
31:55manter investimentos,
31:55você tem que abrir
31:56uma conta específica
31:57regulamentada
31:57pela resolução 473
31:59do Conselho Monetário
32:00e essa conta
32:02tem uma série
32:03de lá de regras,
32:04inclusive alguns
32:04benefícios tributários.
32:06Então,
32:07depende muito
32:07se a família
32:08ainda tem negócios
32:08aqui ou não,
32:09depende muito
32:10se a família
32:11acredita no Brasil
32:12como país
32:13para manter
32:14os recursos aplicados
32:15aqui.
32:16Então,
32:16a gente tem
32:16uma mostragem
32:17diversa,
32:18tem clientes
32:19que quando saem
32:19do Brasil
32:20querem levar
32:20liquidez
32:20praticamente toda,
32:22tem clientes
32:23que quando saem
32:23do Brasil
32:23ainda tem
32:23empresas operacionais
32:24aqui,
32:25ainda são sócios,
32:25não tem que deixar
32:26uma certa liquidez
32:27aqui,
32:28tem clientes
32:28que gostam
32:29ainda de manter
32:30um investimento
32:30aqui pelos benefícios
32:31tributários
32:32da 473
32:33que ainda tem
32:33isenção
32:34para ações,
32:35renda fixa
32:35e a gente
32:36aqui tem
32:36uma taxa
32:37de juros
32:37altíssima,
32:38então não há
32:39de se desprezar
32:40isso.
32:41Então,
32:42eu te diria
32:43que de forma
32:44mais abrangente,
32:45a gente costuma
32:46ver os clientes
32:46mantendo sim
32:47uma relação
32:48com o Brasil,
32:49mantendo investimentos
32:49aqui,
32:50mas naturalmente
32:51quando ele toma
32:51uma decisão,
32:52ele geralmente
32:54já está dolarizado,
32:55esse cliente
32:55que faz essa mudança
32:56pelo nosso amostragem,
32:57ele já tem
32:57um patrimônio relevante
32:58em dólar,
32:59mas ele costuma
33:00aumentar.
33:00agora,
33:02isso é um ponto
33:02também que eu sei
33:03que eu não foco aqui,
33:03mas quando a gente
33:04fala em dolarizar
33:05o patrimônio,
33:06é muito além
33:06de escolher
33:07ganhar dinheiro
33:08no dólar,
33:09é você realmente
33:10diversificar
33:11e proteger
33:13seu patrimônio,
33:14então isso já deve
33:15ser feito
33:15pelas famílias
33:16ao longo dos anos
33:16independentemente
33:18da sede fiscal,
33:19então quando ele dá
33:19a sede fiscal
33:20a um cliente
33:20de alto patrimônio,
33:21ele já deveria
33:22ter grande parte
33:23do patrimônio em dólar,
33:24mas naturalmente
33:25tem uma tendência
33:27a colocar um pouco
33:27mais lá fora
33:28depois que você
33:28sai.
33:29É,
33:31a gente também
33:31em relação aos nossos clientes,
33:33eu diria que 90% deles,
33:35dos clientes que moram fora,
33:36deixam seus dinheiros,
33:38parte dos seus dinheiros
33:39no Brasil,
33:40uma parte menor,
33:41a maior parte do dinheiro
33:42já está fora do Brasil,
33:44eles já vinham
33:45se dolarizando,
33:45eles já vinham
33:46se programando
33:47para isso,
33:48como a gente viu
33:48é uma decisão difícil,
33:49então aqueles que tomam
33:50essa decisão
33:50é uma decisão
33:51que já vem sendo construída
33:52ao longo dos tempos,
33:54então esse cliente
33:55deixa,
33:56ele tem patrimônio,
33:56ele tem casa,
33:57ele tem a casa de campo,
33:58tem a casa na cidade,
33:59ele tem a empresa dele
34:00e ele deixa dinheiro sim
34:02para oportunidade de renda fixa,
34:0415% ao ano,
34:05a gente tem muitos clientes
34:07que deixam também
34:07na Bolsa Brasileira,
34:08por incrível que pareça,
34:09mas eles têm,
34:10ficam esperando sempre um rali
34:11como recentemente
34:12foi subindo a Bolsa,
34:14então a gente tem essa experiência,
34:17mas claro que a maioria
34:19dos clientes,
34:21essa maioria acaba deixando
34:23o dinheiro fora do Brasil,
34:25e a gente assim como vocês,
34:28a gente tem já uma forma
34:29como a gente atua
34:30com esse cliente
34:30da diversificação do patrimonial,
34:32a gente sempre fala
34:33o dinheiro dólar é dólar,
34:35real é real,
34:36a gente não fica operando
34:37um contra o outro,
34:38são visões distintas,
34:40então acaba que o dinheiro
34:41que fica no Brasil
34:42é de fato para ganhar em reais,
34:44pensando em inflação em reais,
34:46pensando na eventual retorno
34:47ao Brasil,
34:48ou nos ativos que estão no Brasil,
34:50e não necessariamente
34:51para ficar tradando,
34:52tentando ganhar em cima do dólar,
34:53não estamos operando moeda,
34:55essa é a forma
34:56como a gente enxerga a coisa.
34:58Bom, Pedro e Pedro,
34:59foi um prazer essa discussão,
35:01muito rica,
35:02da gente entender
35:02o que está por trás
35:04dessa tentativa de sair,
35:07e quem de fato sai
35:08e por quê do país,
35:10e o que acontece depois.
35:11Muito obrigada, hein?
35:12A gente agradece aqui,
35:13agradeço o convite,
35:14foi um prazer,
35:15foi um prazer.
35:16Agradeço também
35:17a nossa audiência,
35:18esse episódio
35:19vai estar no site do NeoFeed,
35:20e também
35:21nas principais plataformas de áudio.
35:23Até a próxima.
35:24E aí
35:33E aí
35:33E aí
35:33E aí
35:34E aí
35:34E aí
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