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No Direto ao Ponto, os senadores Nelsinho Trad (PSD-MS) e Marcos Rogério (PL-RO) analisam o que conduziu o Brasil ao "tarifaço" imposto pelo governo Trump aos produtos brasileiros.

Os parlamentares questionam a falta de diálogo do Governo com os EUA e a prioridade dada aos BRICS, que, segundo eles, prejudica a relação com a maior potência ocidental. Marcos Rogério atribui a culpa diretamente ao presidente Lula, enquanto Nelsinho Trad revela os bastidores das discussões em Brasília para tentar reverter as tarifas.

Assista na íntegra: https://youtube.com/live/gFEfz2R02DE

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Transcrição
00:00E por isso eu já quero começar com o senador Nelsinho Trad, que lidera essa pasta das relações exteriores no Senado Federal.
00:07Certamente está sendo muito demandado em relação a todos esses assuntos.
00:10Senador, boa noite, bem-vindo ao Direto ao Ponto.
00:13Quero entender primeiro como é que você recebeu a notícia vinda dos Estados Unidos
00:16e como você tem se articulado aí na sua comissão para resolver este problema.
00:21Boa noite, bem-vindo.
00:22Boa noite, Nelson.
00:26Em seu nome gostaria de cumprimentar toda a bancada já nominada,
00:30meu colega Marcos Rogério, a todos os telespectadores.
00:34É um prazer estar aqui participando diretamente ao ponto daquilo que precisa ser direto e ser certeiro no ponto.
00:44Mas eu quero dizer que essa situação implementada pelo presidente dos Estados Unidos
00:51ela pegou, logicamente, muita gente de surpresa, mas era algo previsível diante da própria campanha
01:00em que o presidente Trump nunca deixou de falar que ele iria se voltar para os Estados Unidos
01:10e iria fazer prevalecer situações como essa que nós estamos vivenciando.
01:17É lógico que numa situação como essa, faltou na minha concepção uma habilidade maior do atual governo
01:29de uma interligação melhor e mais apropriada com o governo americano.
01:36Você pode observar que a partir do momento que o presidente Trump entrou,
01:40lá como chefe do executivo dos Estados Unidos, a gente não viu gesto nenhum da parte do governo brasileiro
01:49no sentido até de se fazer justificar os 200 anos de relações diplomáticas e comerciais
01:57que o Brasil tem para com os Estados Unidos.
02:00E a partir do momento que outras movimentações acabaram por acontecer,
02:04no plano internacional, até mesmo na questão política local,
02:10para mim foi a gota d'água para que essa medida fosse anunciada como foi.
02:17Agora, existe nesse contexto um caminho claro que já foi indicado,
02:26que é o caminho do diálogo, da diplomacia, de se tentar retomar essa conversa,
02:32até porque essa tarifa vai passar a valer só daqui a 20 dias, no dia 1º de agosto.
02:40Ou seja, assim como o México teve a sobretaxa e soube lá negociar, conversar, dialogar, reaproximar,
02:52assim como o Canadá, uma outra questão, cada uma diferente da outra,
02:56eu penso que o Brasil deve seguir esse mesmo caminho.
03:00É a minha avaliação olhando daqui da Comissão de Relações Exteriores.
03:06Já quero receber também o senador Marcos Rogério, que é líder da oposição,
03:10e portanto uma pessoa muito interessada agora no debate político que se instaura a partir disso.
03:16Senador, bem-vindo, boa noite.
03:17Eu quero entender também da oposição como receberam essa notícia vinda dos Estados Unidos
03:23e qual é agora o discurso político para tentar solucionar esse problema.
03:27Bem-vindo.
03:29Muito boa noite a você, Kobayashi, boa noite a todo o time do Direto ao Ponto.
03:34Um prazer participar com vocês aqui.
03:36Está ao lado do senador Nelsinho Tradi, que é o presidente da nossa Comissão de Relações Exteriores,
03:42que tem um papel fundamental para o Brasil nesse momento.
03:46Apenas fazer uma correção, eu sou vice-líder da oposição,
03:49o líder é o senador Rogério Marinho,
03:50que tem a alegria de ser liderado por ele no Senado Federal.
03:53Agora, essa notícia, esse anúncio foi recebido por todos nós com muita preocupação, Kobayashi.
04:00Não poderia ser diferente.
04:02É um anúncio que tem impacto em todos os segmentos da economia do Brasil.
04:07Não dá para a gente descartar, não dá para a gente desconsiderar o tamanho do impacto disso.
04:13E eu acho que aqui a gente tem que fazer uma análise focada em dois aspectos.
04:17O primeiro aspecto que sempre se busca olhar, quando você tem uma situação como essa,
04:23é o que levou a essa situação?
04:26O que conduziu o Brasil a receber essa notícia tão negativa e tão pesada,
04:32de um tarifácio de 50% do seu segundo maior parceiro comercial?
04:40Depois de China, Estados Unidos é o nosso segundo maior parceiro comercial.
04:44E aí, olhando para isso, a gente não pode desconsiderar tudo o que aconteceu até aqui.
04:51E, num segundo momento, olhar.
04:53E aí o senador Nelsinho já trouxe aqui alguns pontos que devem merecer a nossa atenção.
04:59é de que maneira você vai conduzir os diálogos, os entendimentos daqui para frente
05:06para tentar recolocar esse trato, esse caminho multilateral aqui, bilateral aqui, no seu devido lugar.
05:16Olhando de forma a buscar entender o que aconteceu, acho que os sinais foram muito claros.
05:23Ainda no governo do presidente Trump, do presidente Biden, esse tema da questão dos países do BRICS,
05:32afastarem a moeda americana do centro das transações comerciais, ele foi colocado em debate.
05:42Quando o presidente americano, quando o presidente Trump assume o governo americano,
05:46ele já dá o recado de forma muito clara, muito direta, já no seu primeiro discurso após a posse como presidente dos Estados Unidos.
05:55Dizendo que, olha, se querem discutir a retirada do dólar como moeda comum para as transações comerciais mundo afora,
06:04ok, estejam preparados para as consequências.
06:06E ele manda um recado muito direto e muito reto.
06:09De lá para cá, nós tivemos muitas situações que aconteceram, até o encontro do BRICS, que aconteceu no Rio de Janeiro mais recentemente.
06:18E aí algumas perguntas para fazer a gente refletir um pouco mais profundamente sobre isso.
06:24Quem é que está à frente, quem lidera os BRICS nesse momento?
06:27Quem está à frente dos BRICS?
06:28Quem é que está à frente do banco do desenvolvimento dos BRICS, do banco dos BRICS?
06:34Hoje, o Brasil lidera os BRICS.
06:36Hoje, quem preside o banco dos BRICS é a ex-presidente Dilma Rousseff.
06:44E quem sustenta o discurso de afastamento do dólar como moeda para as transações comerciais entre os países do BRICS?
06:55O presidente brasileiro, o presidente Lula.
06:59E aí, vejam agora os sinais.
07:01Rússia, que é um dos grandes que pertence ao grupo dos BRICS, já disse lá, olha, essa questão não é uma questão central para a Rússia.
07:11Quem está defendendo essa proposta é o presidente Lula, é o presidente brasileiro.
07:16Aí você olha para a Índia, também está na mesma direção.
07:20Ou seja, quem está fazendo essa defesa enfática contra o dólar de enfrentamento ao governo americano é o presidente Lula.
07:30E aí, colocando isso, fazendo um debate raso, fora de contexto, como se fosse uma decisão meramente política,
07:40de uma hora para a outra, você implanta o dólar como moeda comum para as transações, ou então você retira.
07:49Por outro lado, você tem, nas relações com o mundo, você tem o governo brasileiro se aliando ao Hamas.
07:59Você tem o governo brasileiro se posicionando ao lado de Irã.
08:03Inclusive recebendo navios iranianos no Brasil, contra recomendações do próprio governo americano.
08:12Então, são muitos pontos que devem ser observados para a gente entender o que levou o Brasil a sofrer nesse momento
08:19esse anúncio tão drástico, tão ruim.
08:23Esse é o ponto, para mim, de partida, para a gente tentar entender o que aconteceu.
08:27O que vai ser feito para frente, aí eu acho que é uma discussão que passa por aquilo que o presidente Nelsinho mencionou agora há pouco.
08:33Mais diálogo, mais busca por entendimento e menos bravata.
08:38Com bravata, nós não vamos resolver o problema gerado entre os dois países.
08:44Senadores, antes de eu abrir aqui a rodada para os nossos analistas fazerem as suas perguntas,
08:48eu tenho mais uma pergunta rápida para cada um dos senhores.
08:51Senador Marcos Rogério, o senhor faz aí uma leitura muito interessante a respeito do posicionamento brasileiro,
08:56principalmente na cúpula dos BRICS, só que esses argumentos todos não constaram da carta
09:00que atribuem ao ex-presidente Bolsonaro, que estaria sofrendo uma perseguição política,
09:04e ao Supremo Tribunal Federal, que estaria tomando decisões ali em desacordo com os interesses americanos,
09:10principalmente em relação à liberdade de expressão, plataformas digitais, enfim.
09:14A minha pergunta, muito objetivamente, senador Marcos Rogério, é
09:16Estaria, então, o presidente americano, Donald Trump, usando os argumentos Bolsonaro e STF convenientemente
09:24para taxar o Brasil com uma verdadeira finalidade de impor ali um freio em relação às ideias do presidente Lula
09:34e da presidente Dilma Rousseff em relação à desvalorização, ao desuso do dólar?
09:38Explica para a gente.
09:39Goiás, você traz um ponto para essa conversa, que é talvez um dos pontos mais sensíveis,
09:46porque se o debate está em torno apenas da questão comercial e desse embate em relação à questão da moeda,
09:55eu acho que aí as tratativas diplomáticas, e o Brasil é um país com tradição diplomática muito respeitada,
10:01mundo afora, é um debate talvez um pouco mais tranquilo, um pouco mais fácil.
10:08Agora, quando você leva em consideração esse aspecto da tratativa do presidente americano,
10:16que ele coloca já no início dessa carta, a perseguição que está havendo contra o ex-presidente Bolsonaro,
10:24a questão da violação às liberdades, e aí quando a gente fala de violações às liberdades,
10:33o direito de informação, a liberdade de expressão, de manifestação do pensamento,
10:36com esse ambiente que foi criado no Brasil, de censura, e pior, censura prévia,
10:43você não está falando apenas de uma regra, que é uma regra doméstica, uma regra interna do país.
10:49Você está falando de um núcleo fundamental, que está estabelecido na Constituição Federal do Brasil,
10:55mas que está também estabelecido e bem definido nos acordos internacionais,
11:00nos tratados que o Brasil é signatário.
11:03E aí talvez seja um ponto um pouco mais sensível das tratativas que precisam ser feitas nesse momento,
11:10para a gente chegar a um ponto de convergência que afaste, e aí eu vou dizer,
11:16afaste o tarifácio sob o aspecto da relação comercial,
11:22e me parece ter aqui embutido também um aspecto de sanção.
11:26E aí é algo um pouco mais profundo, aí é algo um pouco mais sensível,
11:31e que é preciso ter ainda mais habilidade, é preciso ter uma compreensão ainda maior
11:37do que significa isso, para a gente poder olhar para o problema,
11:42ter a leitura correta sobre ele, e aí sim apresentar na mesa de negociação
11:47propostas que sejam factíveis para afastar os dois desafios.
11:54Um que está mais no campo político e dessa compreensão sobre liberdades,
12:00sobre Estado de Direito, e o outro que é uma questão comercial,
12:05e essa bandeira que é defendida de forma intransigente pelo presidente americano
12:11com relação ao dólar.
12:12Perfeito. Falando em consenso, em negociação, em diálogo,
12:16senador Nelsinho, parece que o senhor teve um encontro hoje importante
12:20na tentativa de solucionar este problema pela via diplomática do diálogo,
12:25do consenso com quem o senhor se encontrou, é uma autoridade americana, é isso?
12:30E o que o senhor pode trazer para a gente deste encontro?
12:34Bom, é bom que a gente faça aqui um retrospecto de como que isso evoluiu.
12:41A questão de três meses atrás, logo depois que eu fui eleito pelos meus colegas
12:47presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado,
12:52eu recebi no meu gabinete a visita de vários embaixadores,
12:56dentre eles o encarregado de negócio da Embaixada dos Estados Unidos,
13:01que hoje responde pelo cargo de embaixador,
13:04me fazendo uma proposta, me dando uma ideia.
13:08Senador, por que vocês não organizam um grupo de trabalho
13:12para fazer uma interlocução com a contraparte dos parlamentares americanos
13:19no sentido de voltar a cultivar essa relação tão importante para os dois países
13:27que já existe há mais de 200 anos?
13:31Ora, a partir do momento que vem um sinal de lá para cá,
13:34não fui eu que provoquei isso, veio esse sinal claramente,
13:39o que que na minha concepção, ainda mais vendo isso ter esse desdobramento,
13:45passa claramente na minha análise?
13:48Faltou sim um cultivo, um fomento, um estímulo
13:54dessa relação com o nosso segundo maior parceiro comercial,
13:59que é os Estados Unidos.
14:00Então, uma meia-culpa há de ter que ser feita,
14:05por parte não só do governo federal,
14:07mas também por parte de todos os agentes envolvidos nisso.
14:11E nós já estamos, amanhã vai ter uma reunião
14:14da Comissão de Relações Exteriores,
14:16onde o colegiado vai decidir
14:19como vamos fazer esse encaminhamento,
14:21e a nossa parte nós vamos fazer.
14:24Eu não quero passar ali por aquela comissão
14:26só para poder sabatinar o embaixador
14:29e fazer o cara representar o Brasil mundo afora.
14:32Nós temos que ter um protagonismo mais forte,
14:35aproveitando a legitimidade que essa comissão nos dá.
14:39E isso nós não vamos deixar de fazer.
14:41A nossa parte nós vamos fazer.
14:44Já estamos organizando esse grupo de trabalho
14:47para a gente poder retomar o diálogo
14:50com o Congresso americano
14:53para poder minimamente entender o que está acontecendo.
14:57Porque quando duas partes brigam,
14:59Kobayashi,
15:00elas só vão se entender
15:02se elas se dialogarem entre si.
15:05Não tem como você fazer as pazes,
15:07seja de um lado ou do outro,
15:09ou do outro com um,
15:11sem você conversar, sem você se entender.
15:13E eu quero aqui dizer um negócio.
15:15O que está ruim pode ficar muito pior
15:18com as consequências tardias dessa situação.
15:22A gente precisa estancar essa hemorragia o quanto antes.
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