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Em entrevista exclusiva ao Jornal Jovem Pan, o economista Igor Lucena, e o professor de relações internacionais, Paulo Vasco, avaliam o futuro do bloco após as divergências entre Lula (PT-SP) e Javier Milei, e também a articulação do petista para nova moeda no comércio entre membros dos Brics.

Assista à íntegra: https://youtube.com/live/zuBlrgOub68

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Transcrição
00:00Sim. Professor Luciano, eu queria tocar num outro ponto, um assunto.
00:04Hoje surgiu uma informação de que os países já teriam acordado os principais pontos
00:08de um documento que será redigido até o fim do encontro no Rio de Janeiro,
00:14mas tem um item que divide os países dos BRICS, justamente a ação dos Estados Unidos
00:19e também de Israel contra o Irã.
00:22O Irã teria pedido aos países para que redigissem e criticassem os Estados Unidos e também Israel.
00:28Só que aí há uma divergência.
00:31Qual que pode ser o papel dos BRICS nessas questões das guerras também,
00:36nesse momento em que a Rússia e a Ucrânia, a temperatura sobe um pouco mais na guerra no leste europeu, professor?
00:44Tiago, a situação é muito complexa quando a gente fala de guerras dentro do BRICS.
00:49Primeiro, porque você tem, de uma maneira muito clara, o Irã dentro de um conflito que não se encerrou.
00:54Mesmo que a gente admita que haja algum tipo de cessar-fogo, continuam as animosidades.
01:00E, por outro lado, você tem a Rússia, que não só continua no conflito da Ucrânia, que não vai se acabar,
01:06e a Rússia ameaça todo o tempo Moldávia, Transnistria e até mesmo a Polônia.
01:12Então, o BRICS não há um consenso desses países, principalmente por partes de Brasil e Índia,
01:19em falar algo que possa criar animosidades com os Estados Unidos.
01:24E aí eu também falo, Tiago, sobre essa questão da questão dos recursos, do dinheiro,
01:30de fazer transferências internacionais sem o uso do dólar.
01:33O próprio presidente Donald Trump já disse que esse tipo de pensamento por parte dos BRICS
01:39pode ser alvo de sanções internacionais por parte dos Estados Unidos,
01:44e isso seria uma ameaça aos americanos.
01:45Então, eu acho que há aí, nesse documento que poderá ser redigido,
01:51algo que seria muito ruim para os americanos e europeus.
01:55Eu não acredito que o Irã vai conseguir um documento que critique abertamente os Estados Unidos.
02:02Acho que isso não é total de interesse nem de China, nem de Brasil, muito menos da Índia.
02:08Agora, é muito complexo a situação dos BRICS hoje,
02:11porque tanto a Índia quanto o Brasil contornam as sanções internacionais
02:16e fazem negócios com a Rústia.
02:19Isso prejudica os europeus.
02:22E lembrando também, Tiago, o que a gente está tendo com a presidência do Brasil durante o Mercosul,
02:29uma tentativa forte e correta do presidente Lula de fazer com que os europeus
02:35fechem e ratifiquem o acordo do Mercosul-União Europeia.
02:39Então, a gente não pode ter uma visão dupla.
02:41Se, por um lado, queremos fazer o acordo com os europeus por parte do Mercosul,
02:47não podemos estar nos BRICS e apoiar medidas que sejam contra os europeus.
02:52Isso nos coloca em uma posição dúbia e que pode atrapalhar radicalmente os interesses do Brasil.
02:58Professor Paulo Velasco, esse ponto que o professor Lucena traz é interessante.
03:02Como é que fica o posicionamento do Brasil em relação a isso?
03:06E também essa divergência interna nesse grupo dos BRICS
03:09sobre as críticas a Israel e aos Estados Unidos pelos ataques ao Irã, professor?
03:17O Brasil estar no BRICS hoje é algo mais difícil ou sensível do que era
03:22quando o movimento foi criado ainda ali nos anos 2000.
03:25Naquele momento, o Brasil conseguia fazer parte, ao mesmo tempo, do BRICS,
03:28e manter relações muito positivas com a Europa, com os Estados Unidos.
03:32Hoje é mais difícil, justamente porque temos um mundo muito mais fraturado,
03:36marcado por antagonismos, divisões, conflitos, guerras de toda sorte.
03:41E a possibilidade, justamente, de o Brasil acabar sendo incluído pelos países europeus
03:46e pelos Estados Unidos nessa percepção de que se trata de um grupo hostil
03:51aos princípios, aos valores ocidentais, é algo que nos preocupa muito.
03:56Então, por isso, o Brasil fazer parte do BRICS hoje causa algum constrangimento,
04:00há dúvida.
04:01Com relação especificamente à guerra na Rússia, nós sabemos que o Brasil
04:05condenou a ação russa e apoiou resoluções na ONU que condenavam a invasão da Ucrânia,
04:12mas se absteve, por exemplo, na hora de apoiar sanções contra a Rússia,
04:16se absteve na hora de apoiar o envio de armas contra a Ucrânia,
04:19convergindo muito com os outros países BRICS que seguiram posições semelhantes.
04:23Até porque a Rússia é um parceiro do BRICS, é um dos fundadores do BRICS,
04:26assim como o Brasil.
04:28Então, não há muita margem de manobra dentro do BRICS para condenar a Rússia.
04:31Por óbvio, pelo contrário, o comércio do Brasil com a Rússia cresceu muito
04:35nos últimos anos, a partir da guerra, bateu o seu recorde no ano passado.
04:39Com relação ao Irã, a mesma coisa.
04:41Não há muita chance de coesão e de consenso nesse tema,
04:44porque há dentro ali do grupo países que têm uma postura mais favorável até o Irã,
04:49o caso da Rússia, o caso da própria China,
04:53mas há outros países que têm uma posição também mais complicada,
04:56porque mantêm laços muito fortes com o Ocidente e com os interesses econômicos,
05:00por exemplo, dos Estados Unidos e da Europa.
05:01É o caso dos Emirados Árabes Unidos,
05:03que têm uma percepção importante de que não podem colar no Irã,
05:07até porque a relação dos Emirados Árabes com o Irã não é uma relação tão tranquila ou tão fácil.
05:12Mesma coisa a gente pode falar, Tiago, do Brasil.
05:14O Brasil, embora tenha entendido que a ação de Israel e a ação norte-americana
05:18vai contra o direito internacional, e de fato vai,
05:22porque o Irã não tinha atacado ninguém para ser atacado em seu território,
05:26não houve autorização de uso da força pelo Conselho de Segurança,
05:29as leis internacionais proíbem ataques contra centrais nucleares.
05:33Então, claro que há abusos, mas isso não se significa que o Brasil,
05:36numa reunião do BRICS de cúpula como essa no Rio de Janeiro,
05:38vá apoiar num documento final,
05:41declarações muito contundentes contra os Estados Unidos, contra o Ocidente,
05:44porque não nos interessa, reitero, que o BRICS seja visto,
05:47continue sendo visto como agrupamento anti-ocidental.
05:51Bom, daqui a pouquinho eu vou querer ouvir os nossos especialistas
05:53sobre essa discussão da taxação dos super-ricos.
05:57O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, voltou a falar sobre isso.
05:59Tem a discussão interna aqui no Brasil, mas também essa discussão internacional.
06:03Vou chamar a Priscila Silveira para fazer a próxima pergunta.
06:06Se quiser dirigir a pergunta para os dois professores, Priscila, fica à vontade.
06:10Sim, Tiago, pode ser para o Igor e também para o Paulo.
06:14O bloco do BRICS, eles vão ali discutir alternativas ao dólar
06:19entre as ações comerciais.
06:21Essas perspectivas de adoção de uma moeda comum
06:25ou de sistemas de pagamento próprios,
06:27como isso poderia afetar a economia global?
06:31Professor Igor.
06:32Olha, essa talvez seja uma das perguntas
06:35que a gente escuta muito e muito pertinente,
06:37mas ela é, ao meu ponto de vista, como economista,
06:40totalmente fora de cogitação.
06:43Por um motivo muito simples.
06:44A gente não usa o dólar hoje
06:46porque os Estados Unidos são a grande potência internacional.
06:50Nós usamos o dólar porque nós temos a credibilidade
06:54de que não haverá um default.
06:56Os Estados Unidos, eles nunca deixaram de pagar suas dívidas.
06:59Existe uma credibilidade internacional do dólar
07:02e que todos os agentes fazem a conversibilidade.
07:06Ou seja, qualquer banco central em qualquer um dos países
07:09que hoje são membros da Organização das Nações Unidas
07:12convertem o dólar em suas moedas locais.
07:15Isso não é uma realidade em nenhuma das moedas do BRICS.
07:19Muito menos pode sê-las num futuro próximo.
07:23Então, se a gente disser que existe a possibilidade
07:25de criar uma nova moeda para fazer isso,
07:28a gente estaria dizendo que as reservas internacionais
07:31desses países começariam a aceitar moedas
07:34que não são conversíveis internacionalmente.
07:37Isso geraria um grande problema
07:39na macroeconomia interna dos países
07:41e até mesmo no colchão de reservas internacionais.
07:45Essa visão que o presidente Lula coloca com muito afinco,
07:49ela parece ser muito mais uma visão política
07:52contra a hegemonia do dólar,
07:55que infelizmente continuará a existir,
07:57mas ela não existe meramente por uma questão lógica.
08:03Ela existe porque agentes públicos e privados
08:06em todo o planeta garantem e têm a confiança do dólar.
08:10E a confiança não é algo que você tem de um dia para a noite.
08:13Isso é construído ao longo de séculos.
08:16E o dólar conseguiu isso como no passado a Libra esterlina tinha.
08:20Então, para mim, é uma visão muito clara
08:22que a possibilidade de uma moeda internacional nova conversível
08:26baseada nas moedas dos BRICS é totalmente fora de cogitação.
08:30Até mesmo o Yuan, que a economia chinesa é muito forte,
08:33não tem essa característica,
08:35porque existe um forte controle de capitais na China.
08:39Professor Velasco, então eu refaço a pergunta da Priscila
08:42justamente sobre essa questão de uma moeda alternativa ao dólar.
08:47A gente vê, por exemplo, no bloco europeu, na União Europeia,
08:50as dificuldades que foram encontradas para se implementar recentemente o Brexit,
08:56que quis sair, e o Reino Unido, a Inglaterra especificamente,
09:01nunca usou a moeda que é o euro e sempre preferiu usar a Libra.
09:08Não é um caminho fácil.
09:10De fato, pensar em uma moeda comum do BRICS é algo bastante complexo,
09:14e certamente não seria no curto e médio prazo.
09:16Os blocos e os arranjos monetários têm que ser construídos ao longo de muito tempo,
09:22porque não é algo trivial você ter que harmonizar a política monetária
09:25e, eventualmente, algum tipo de harmonia também em política fiscal.
09:29Então, realmente, embora se use muito essa retórica de uma moeda para o BRICS,
09:33isso, claro, é como um projeto político, mas mais de meio e longo prazo.
09:37O que poderia ser feito num prazo mais celere, num prazo menor,
09:41seria justamente o uso de sistema de pagamentos em moeda local,
09:44que não é algo incomum mundo afora.
09:46Como o Igor bem colocou, o dólar continua sendo a moeda hegemônica no mundo
09:50e continuará sendo por muito tempo.
09:52Mas temos visto movimentos em várias regiões do mundo
09:54para estabelecer sistemas de pagamentos em moeda local.
09:57Vale dizer que entre o Brasil e a Argentina,
09:59se pouca gente sabe, já existe isso desde 2008,
10:02embora não seja muito usado, mas existe.
10:04Então, se pode fazer comércio entre o Brasil e a Argentina,
10:07e também se foi estendido depois a Paraguai e Uruguai,
10:09usando as moedas locais.
10:10Então, a ideia seria mais ou menos essa,
10:12em um contexto internacional,
10:14em que o dólar causa alguma preocupação.
10:17A Rússia, claro, teve uma parcela de suas reservas,
10:20Tiago, confiscada,
10:22depois que invadiu a Ucrânia em 2022.
10:24Dinheiro das reservas internacionais da Rússia,
10:26que estava depositado em bancos europeus e norte-americanos,
10:29esse dinheiro foi retido.
10:31Então, passou a haver uma preocupação política com o dólar
10:33e com o uso político do dólar.
10:35Hoje, cerca de 70% dos países têm suas reservas denominadas em dólar.
10:39É muito menos do que era há 30 anos,
10:42no início da década de 90.
10:43Então, tem diminuído o número de países
10:45que têm 100% das reservas denominadas em dólar.
10:47Eles preferem denominar as moedas,
10:49muitas vezes em outros ativos,
10:50ou pelo menos dividir as reservas em outros ativos.
10:54É um pouco isso que o BRICS está pensando,
10:55para reduzir a dependência do dólar,
10:57em um contexto marcado pelos tarifatos do Trump,
10:59que isso pode impactar no meio de prazo
11:02no valor da moeda americana.
11:04Com relação aos títulos americanos,
11:05o Igor tocou nesse ponto também muito importante,
11:08os C-bonds, os títulos de vida americana,
11:10são sempre muito confiáveis,
11:11porque não há muito risco de um calote,
11:14mas os Estados Unidos estão sendo obrigados
11:16a aumentar o percentual pago pelos títulos,
11:18exatamente porque há uma perda crescente na confiança
11:21da economia americana,
11:22por conta de tantas medidas controversas
11:24levadas a cabo pelo Trump.
11:26Então, quando um país tem que aumentar a remuneração
11:28pelo seu título da dívida,
11:29é porque diminuiu a confiança dos investidores.
11:31Então, são vários fatores que demonstram
11:34que há uma transição sistêmica,
11:36também no plano monetário,
11:37que não vai ser para amanhã,
11:38não vai ser para daqui a cinco anos,
11:40mas o dólar vem perdendo vigor,
11:41e aí parece que os países BRICS
11:42entendem ser razoável aplicar
11:45algum sistema de pagamentos
11:46e de compensação entre eles,
11:47que facilite o comércio.
11:49Esse é o ponto principal,
11:50intensificaria o comércio,
11:51facilite investimentos,
11:52dependendo menos do dólar,
11:54que é uma moeda, claro,
11:55que eles não controlam.
11:56E a última pergunta para os dois,
11:57começando pelo professor Igor,
11:59apelando para o seu lado economista,
12:00não é, professor?
12:01Em relação à taxação dos super ricos.
12:03Essa é uma discussão
12:04que nós temos aqui no Brasil,
12:05em meio a esse debate do IOF,
12:07o governo muitas vezes falando
12:09para que os ricos devem ser taxados,
12:12para acinzentar o imposto de renda,
12:15para equilibrar as finanças do governo,
12:18as contas públicas.
12:18Mas eu pergunto,
12:19no âmbito mundial,
12:21você falar de uma taxação de super ricos,
12:25quem que cobra,
12:26quem que aplica,
12:28que moeda é que esses super ricos devem pagar,
12:31ou quais seriam os beneficiados?
12:33É uma discussão muito ampla,
12:34mas que dificilmente vai sair do papel qualquer dia,
12:36professor, o senhor concorda?
12:37Tiago, ela é muito ampla,
12:39dificilmente acha que no Brasil saia do papel,
12:41e a gente tem dois motivos
12:43e um terceiro empírico.
12:44A gente pode falar, basicamente,
12:46que a taxação dos super ricos
12:48seriam por pessoas que têm patrimônios
12:50acima de 100 milhões,
12:51ou um bilhão de reais,
12:53que em tese,
12:54isso seria algum tipo de justiça social.
12:56Isso não tem uma visão muito clara de ocorrer.
12:58Primeiro,
12:59o primeiro motivo é que no Brasil,
13:01as pessoas que em tese têm esse patrimônio,
13:03já são extremamente tributadas
13:05nas suas pessoas jurídicas.
13:06Lembrando que a carga tributária
13:07das empresas do Brasil já passa de 35%.
13:10Ou seja,
13:11nos negócios eles são tributados,
13:13então eles ainda seriam novamente tributados,
13:15a gente estaria falando de uma dupla tributação.
13:18E mesmo que isso não fosse o caso,
13:20quando a gente olha a história
13:21do que isso já aconteceu no planeta,
13:23por exemplo, na França,
13:25o que aconteceu foram que
13:26vários dos multimilionários,
13:28das pessoas que tinham recursos grandes,
13:30saíram da França
13:31e foram para outros países.
13:33Bélgica, Liechtenstein,
13:34Luxemburgo,
13:35levaram suas riquezas,
13:37levaram seus negócios
13:39e conseguiram abrir
13:40oportunidades de negócios
13:42para os países vizinhos.
13:43Isso ocorreria muito provavelmente
13:45aqui no Brasil.
13:46Países como Paraguai e Uruguai,
13:48que tem hoje uma legislação
13:49muito melhor do ponto de vista
13:51de impostos de renda
13:52e de simplificação,
13:54receberiam os milionários,
13:56os multimilionários brasileiros
13:58de braços abertos.
13:59E o Brasil sairia perdendo
14:01com perca de cérebros,
14:03perca de pessoas
14:04que são grandes investidores
14:05e, obviamente,
14:06empregos seriam feitos
14:07nesses países.
14:09Então, na prática,
14:10essa taxação dos super ricos
14:12não deu certo
14:13e, no final,
14:14os países que até hoje
14:15implementaram
14:16tiveram uma arrecadação
14:17muito menor
14:18do que imaginaram
14:19e as pessoas
14:20que foram embora
14:21não voltaram.
14:22Professor Paulo Velasco,
14:23para a gente fechar com o senhor também,
14:24já agradecendo mais uma vez
14:25pela participação,
14:27qual é essa discussão?
14:28Esse é um debate
14:29mais político
14:31do que econômico,
14:33realmente,
14:33para tentar mostrar
14:34que o Brasil
14:35está preocupado com isso,
14:36o governo Lula
14:37está preocupado com isso
14:38e as chances
14:39disso sair do papel,
14:40professor?
14:41É isso, Tiago,
14:42é uma questão política.
14:43O Brasil levou esse tema
14:45como um tema importante
14:46para a nossa presidência
14:47do G20
14:48no ano passado.
14:49Temos que lembrar
14:49que, enquanto o Brasil
14:51presidiu o grupo
14:52das 20 economias
14:53mais ricas do planeta,
14:54mais União Europeia,
14:55mais União Africana,
14:56no ano passado,
14:57essa foi uma bola levantada
14:58e o argumento era muito
14:59porque essa taxação
15:00de super ricos
15:01representaria
15:02uma arrecadação
15:03para fundos de combate
15:04à fome e à pobreza
15:05no mundo.
15:06Lembrando que
15:07o grande legado
15:08que o Brasil deixou
15:09na presidência do G20
15:10foi aquela aliança global
15:11contra a fome e à pobreza.
15:13Então, é preciso haver recursos,
15:14dinheiro,
15:15para se efetivar
15:16uma cruzada
15:16nesse sentido mundo afora
15:18e esse dinheiro
15:18poderia vir a partir
15:19de uma taxação mais ampla
15:21das grandes fortunas.
15:23Não é algo fácil
15:23de implementar.
15:24Projetos políticos
15:25dessa ordem
15:26enfrentam resistências
15:27muito amplas,
15:27podem ter efeitos,
15:29como o Igor colocou,
15:30perversos.
15:31Evidentemente,
15:31as grandes fortunas
15:33sempre encontram maneiras
15:34de driblar
15:35tributação elevada,
15:36vão para outros países,
15:38enfim,
15:38buscam paraísos fiscais.
15:40Estão,
15:40claro,
15:40que pode haver
15:41consequências negativas,
15:43mas a mobilização
15:44e a implementação
15:45prática disso
15:46é muito complicada.
15:47Quando o tema
15:47foi levantado
15:48no ano passado,
15:49no G20,
15:50prontamente várias
15:51voas do mundo afora
15:51se colocaram contra
15:52dentro dos Estados Unidos.
15:53o próprio Trump
15:54à época
15:55já tinha se manifestado
15:57contra,
15:57antes mesmo
15:58de assumir a Casa Branca.
15:59Então,
16:00é um quadro
16:01muito difícil,
16:02não é algo trivial
16:03vermos sendo implementado
16:04em qualquer país,
16:06embora alguns
16:07adotem essa postura,
16:08muito menos
16:08no mundo afora.
16:09Mas não deixa
16:10de causar surpresa,
16:11claro,
16:11que nós temos
16:12uma tributação
16:13no Brasil
16:13que é muito injusta
16:14com aqueles
16:15que ganham menos,
16:16não faz muito sentido
16:18que aqueles
16:18que são proprietários
16:19de embarcações
16:20ou de aeronaves
16:21não pagam imposto
16:22sobre esses bens,
16:25mas pagam
16:26sobre automóveis.
16:27Então,
16:28há muitas injustiças,
16:29uma tributação
16:30de caráter regressivo,
16:31como a gente sabe
16:31no Brasil,
16:32é fontes
16:33de problemas
16:33sociais amplos.
16:34Mas,
16:35especificamente,
16:36com relação a esse
16:36projeto,
16:37esse objetivo,
16:38Tiago,
16:38não é algo
16:39nada fácil
16:39de ser implementado.
16:40Perfeito.
16:41Professor Paulo Velasco,
16:42mais uma vez,
16:42muito obrigado
16:43pela sua gentileza
16:44com os nossos
16:44ouvintes e espectadores.
16:45Até a próxima.
16:47Até a próxima, Tiago.
16:48Um prazer sempre
16:48falar com vocês.
16:49Obrigado.
16:49Professor Lucena,
16:50mais uma vez,
16:51muito obrigado
16:51pela atenção,
16:52pela gentileza
16:53e volto sempre
16:53aqui à Jovem Pan.
16:54Eu que agradeço.
16:55Muito obrigado.
16:56Muito obrigado.
16:56E bom lembrar
16:57que a partir de amanhã
16:58a gente vai acompanhar,
16:59claro,
17:00a reunião dos BRICS.
17:01Hoje já tivemos
17:01alguns encontros
17:02e também o encontro
17:03que vai até a próxima
17:04segunda-feira.
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