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  • há 5 meses
A PEC apresentada aos governadores nesta quinta-feira fala que compete à União "estabelecer a política nacional de segurança pública e defesa social, que compreenderá o sistema penitenciário, instituindo o plano correspondente, cujas diretrizes serão de observância obrigatória por parte dos entes federados, ouvido o Conselho Nacional de Segurança Pública e Defesa Social, integrado por representantes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na forma da lei.
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Transcrição
00:00Nesta quinta-feira, o presidente Lula apresentou aos governadores uma PEC
00:05para tentar resolver o problema da segurança pública.
00:12Só para que vocês tenham ideia, o texto fala que basicamente cabe à União
00:18coordenar o Sistema Único de Segurança Pública e Defesa Social
00:23e o Sistema Penitenciário, mediante estratégias que assegurem
00:27a integração, cooperação dos órgãos que compõem os três níveis
00:33político-administrativo da federação.
00:36Na prática, só para a gente entender, o que o governo federal quer?
00:39O governo federal quer estabelecer uma espécie de SUS da segurança pública,
00:43quer concentrar boa parte das atividades aqui em nível federal
00:45e aí deixa as atividades mais, digamos que leves, para a competência dos estados.
00:52A medida não foi bem digerida por alguns governadores,
00:56como, por exemplo, Tassis de Freitas, Ronaldo Caiado,
01:01inclusive teve troca de farpas entre Caiado e Lula durante a reunião.
01:05Mas só para a gente entender essa proposta,
01:08deixa eu só pegar aqui a minha colinha,
01:11mas qual é a ideia?
01:13É que, por exemplo, é que a Polícia Federal atue como Polícia Judiciária,
01:17atue em casos de organizações criminosas, como no caso da Mariel Franco,
01:22e a Polícia Rodoviária Federal, ela também vai ter uma outra competência,
01:26ela não vai só cuidar de aplicar multa,
01:28ela também seria uma espécie de guarda ostensiva federal,
01:32para ajudar no policiamento.
01:35Como falei, gente, a medida, ela foi alvo de crítica,
01:38principalmente de parlamentos da oposição, por quê?
01:40O que os governadores falam?
01:42Eles argumentam que o problema não é necessariamente,
01:47que o problema das polícias não é necessariamente
01:51uma falta de organização, mas é falta de investimento.
01:55E aí, essa falta de investimento é que ela acaba se refletindo,
01:58de fato, nas ações das polícias militares,
02:02a Polícia Militar Civil dos Estados.
02:05Então, ô, Matheus, coloca por gentileza atrás,
02:07deixa eu trazer o Rodolfo rapidamente,
02:09para me ajudar a comentar essa história,
02:11porque, ô, Rodolfo, o governo Lula está querendo trazer para si
02:15a responsabilidade pela falta de segurança.
02:18Agora, a questão é a seguinte, não é?
02:20É um problema muito mais complicado do que a gente imagina.
02:25É, o conceito de federalizar, de alguma forma,
02:30pelo menos os dados de segurança,
02:33é uma perspectiva que faz sentido, é boa.
02:36O problema, Wilson, é quem está fazendo e por que está fazendo.
02:39E aí vem o problema de qualquer tipo de medida que vem desse governo,
02:45e até do último governo do Bolsonaro também,
02:48é de que elas são todas recebidas com muita desconfiança.
02:53E parte do que alguns governadores manifestaram na reunião de ontem,
02:59de desagrado, tem isso como pano de fundo.
03:03Então, assim, ah, então é o governo Lula que vai querer resolver o problema da segurança.
03:07Mas por que ele está apresentando isso agora?
03:09Todo mundo sabe que no contexto político ele está apresentando isso agora,
03:12uma tentativa não de salvar a segurança do país,
03:14mas de salvar o governo Lula de críticas pela falta de segurança no país.
03:19Então, ele está tentando tomar as rédeas de uma questão no discurso.
03:25Porque até que isso venha a ser implementado,
03:28já vai ter acabado o governo Lula.
03:30Então, assim, é uma medida...
03:31E tem um detalhe, né, Rodolfo?
03:32E tem um detalhe, só para desculpa te cortar, querido, rapidamente.
03:35A gente está falando de uma PEC.
03:36A tramitação de uma PEC é uma tramitação muito complexa.
03:39Essa PEC vai tramitar durante seis meses no Congresso.
03:41E é bom lembrar o seguinte, né,
03:43que o Lula apresentou essa PEC justamente na semana
03:46em que o governo Lula ainda está de ressaca das eleições.
03:50Então, ainda tem esse detalhe político que a gente vai explorar com calma.
03:52Que é um detalhe que não dá para descartar.
03:55E ele, na verdade, é o que justifica a apresentação,
03:58o momento em que foi apresentado,
04:01a forma como foi apresentado.
04:03O Lula convoca os governadores para conversar e tal.
04:07Assim, tem uma cena.
04:08E é por isso que eu vi críticas, por exemplo,
04:12a gente vai falar sobre o Caiado.
04:13Ah, a forma como o Caiado se posicionou é eleitoreira,
04:17porque ele está...
04:17Mas tudo é eleitoreiro no Brasil.
04:21E essa medida específica, a forma como ela ocorreu,
04:25não dá para não ver, não enxergar que ela é eleitoreira.
04:30Nesse sentido de que ela é mais,
04:32como qualquer das outras medidas apresentadas
04:36ou propostas apresentadas pelo governo Lula,
04:37elas têm esse caráter de proteger mais o governo do que o país.
04:42É, o resumo da ópera é justamente essa fala do Caiado.
04:46Matheus, solta por gentileza aí a fala do Ronaldo Caiado.
04:49Talvez não tenha hoje um assunto de maior relevância no país,
04:53onde todas as pesquisas chegam a levar a patamares de 75%
04:59a queixa da população em relação à segurança pública.
05:03Tamanha a situação emergencial hoje que a sociedade brasileira está vivendo
05:10diante de um crime organizado.
05:13Para isso, a gente deve ter muita humildade em poder buscar
05:18não só experiências teóricas, mas experiências práticas.
05:24Porque a teoria é muito fácil, porque realmente está aqui na folha do papel.
05:30A praticidade para fazer o combate é totalmente diferente.
05:35Ou seja, se nós partimos de premissas erradas,
05:39nós vamos chegar a conclusões erradas.
05:41Com todo respeito, mas o sistema único de saúde, sistema de educação,
05:51não pode ser confundido com o sistema único de segurança pública.
05:56São coisas distintas.
05:58Eu trato a pneumonia, o câncer, a fratura exposta,
06:03igual em qualquer estado da federação.
06:06Eu busco a educação de qualidade, alfabetização na idade certa ou resultado IDEB
06:14em qualquer município e estado da federação.
06:18Agora, segurança pública tem suas peculiaridades.
06:22Eu conheço segurança pública do estado de Goiás,
06:26mas eu não conheço segurança pública na Amazônia.
06:30Eu não sei contratar a segurança pública na região de fronteira.
06:34Eu não sei como tratar a segurança pública na região do litoral.
06:41Então, nós temos que entender que cada estado tem a sua peculiaridade.
06:46Não é uma regra única, está certo?
06:49Que vai decidir o que é que deve ser uma regra para todos os estados da federação.
06:59Esse engessamento, ele não vai dar certo.
07:02Por quê?
07:03Porque, para nós podermos entrar dentro do Rio de Janeiro,
07:09a gente precisa da inteligência da Polícia Militar do Cláudio Castro,
07:15junto com a experiência da Polícia do Cláudio Castro,
07:18para poder entrar na favela.
07:20Senão, eu não vou chegar lá.
07:22Ora, eu em Goiás, eu sei muito bem, está certo?
07:26Como fazer o combate de fronteira entre os estados,
07:30como fazer o combate das facções que estão ali instaladas.
07:33Isso muito bem.
07:35Ora, nós tínhamos em Goiás as seis cidades mais perigosas do país,
07:40entre as 100 do país, no entorno de Brasília.
07:43Hoje, é uma região 100% pacificada.
07:45Você pode chegar lá na hora que você quiser, ir para o restaurante, ir para o ponte de ônibus com telefone celular,
07:50pode fazer o que você quiser.
07:51Você não tem a presença do crime em nenhum palmo de terra no estado de Goiás.
07:56Ou seja, por que isso?
07:59Porque existiu a preocupação de desde que eu cheguei ao governo,
08:03que eu sempre priorizei a segurança pública,
08:05eu falo, não se tem segurança pública, não tem governabilidade,
08:09não tem sistema democrático de direito, não tem Estado democrático de direito,
08:12não tem cidadania.
08:14Foi a prioridade número um no meu governo.
08:17Especializando, cada batalhão especializado meu,
08:21são batalhões de altíssimo poder combativo e com preparo de mais de mil homens na área da inteligência.
08:30Eu foquei o governo na segurança pública.
08:34Aí, todo mundo mudou para Goiás porque não tem carro blindado,
08:38não tem segurança privada, está certo?
08:41Cidadão vive em paz, vai para o ponte de ônibus.
08:45Isso aí é que nós precisamos de entender
08:47que o governo federal tem que servir de apoio a nós,
08:51e não o governo federal e o Congresso Nacional
08:55quererem ditar regra para nós, entes federados.
08:59É uma inversão completa,
09:02a partir de uma premissa totalmente...
09:04Aí todo mundo falou e no final do encontro o Lula soltou a seguinte aspas,
09:11dizendo que não, olha, Ronaldo Caiado mostrando para a gente
09:14como é que se faz segurança pública, eu não sabia.
09:17que nós tínhamos um exemplo que é Goiás.
09:19Gente, no final das contas, tem essa questão mesmo,
09:23que o Caiado é candidatíssimo à presidência da República em 2000 para 2026.
09:29Mas aí, Rodolfo, é aquilo que eu falo.
09:33É uma frase que eu sempre adoro falar,
09:36que assim, em determinadas situações,
09:38você pode não justificar tal ato,
09:40mas você explica tal ato.
09:41Ou seja, no caso específico, o Lula,
09:45por mais que ele queira criticar o Caiado,
09:47me perdoe, né, o presidente?
09:49Levantou a bola, o Caiado foi lá e cortou.
09:53E é assim, o Caiado,
09:54ah, é pré-candidato aí para 2026,
09:57e o Lula é o quê?
09:57Também é.
10:01Então, assim, essa...
10:02Não, não é não, Rodolfo, não.
10:03É, pois é.
10:04Não, não é.
10:05A impressão sua.
10:07Nada do que o presidente está fazendo,
10:09nada que o Lula está fazendo,
10:11está com o horizonte de 26, né.
10:14Essa crítica não dá para fazer,
10:16o Lula não pode fazer essa crítica, né,
10:17os petistas não podem fazer essa crítica ao Caiado.
10:20Todo o resto pode fazer.
10:21O Caiado, de fato,
10:22essa intervenção que ele fez,
10:25ela não foi por acaso, é claro.
10:26Ele precisa nacionalizar o nome dele.
10:29E essa foi a oportunidade que ele aproveitou.
10:31Agora, a mesma crítica pode ser feita,
10:33e eu estou fazendo aqui agora,
10:35para o fato de que essa PEC,
10:36no momento em que é apresentada,
10:40e as razões pelas quais ela é apresentada,
10:43também tem horizonte de 26.
10:45Ainda que o Lula
10:46não venha a ser candidato,
10:48ou não consiga,
10:49ou não tenha fôlego para ser candidato,
10:51o PT vai querer ter candidato.
10:53Então, não dá para tirar isso
10:56da equação, não.
11:00É, então.
11:01E detalhe, tem projeto da Bancada da Bala.
11:03Inclusive, a gente deu um registro hoje
11:05pela manhã cedo,
11:06que a Bancada da Bala
11:06quer apresentar um projeto
11:07que tem algumas diretrizes,
11:09algumas semelhanças com essa PEC.
11:10É uma tramitação mais simples,
11:12e pelo que eu opurei,
11:14tem apoio do Arthur Lira.
11:15A Bala
11:37E aí
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