00:00Deixa eu ler na tela, porque vamos falar aqui sobre a direita, a consolidação da direita em todo o país, porque os candidatos de parte da direita, eles dominaram boa parte das câmaras legislativas, foi divulgado um estudo que inclusive você publicou, Matheus, coloca na tela o post do Alexandre, por gentileza, está aí, direita avança e domina câmaras municipais e prefeituras.
00:23Dados do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia e do CNPq, divulgados pelo cientista político Fábio Vasconcelos, mostram que o Sudeste e o Norte lideram com uma taxa mediana de hegemonia da direita de 0,91, seguido do Sul, com uma taxa hegemônica de 0,89.
00:41Só para a gente ter uma ideia do que isso fala, do que isso representa, estamos falando aí de que 4,8 mil câmaras municipais, das 5.500 desistentes no país, vão ter líderes, homens da direita ou mulheres da direita.
00:59Ou seja, a direita tomou conta dessa eleição municipal e isso vai ter reflexo, sem dúvida nenhuma, para 2026.
01:07É isso, Wilson. É interessante falar um pouco depois da discussão sobre Belo Horizonte, porque primeiro a gente tem que ver o que é a direita e o que é a esquerda.
01:18Aí vai ter toda uma discussão, qual foi a metodologia, porque ele considerou o centrão direita nesse estudo.
01:29E vai ter gente que vai discordar, vai ter gente que vai chamar o centrão de centro.
01:33Enfim, então, por exemplo, a gente estava falando de Belo Horizonte, vocês estavam falando de Belo Horizonte.
01:39Belo Horizonte você tem o Bruno Engler contra um cara do PSD.
01:43Na conta, se o Fouad for reeleito prefeito de Belo Horizonte, ele vai nessa conta aí, vai uma conta para a direita.
01:54Só que, se você for olhar a campanha de Belo Horizonte, a turma do Bruno Engler deve estar chamando o Fouad de comunista para baixo.
02:03Não deixe Belo Horizonte virar a Venezuela, aquelas coisas.
02:08Então, primeiro, e eu acho que, claro, o centrão é centro.
02:11É bobagem.
02:15Por mais que você tenha alguns expoentes do centrão na direita, você vai pegar o Arthur Lira, é o caso clássico,
02:25que seria talvez o homem mais poderoso do centrão no Brasil.
02:29E ele, junto ali, talvez um pouco nas sombras com o Kassab e tal.
02:34Mas ele é um cara que fez campanha para o Bolsonaro, botou a camiseta lá em 2022 e tal.
02:40Enfim, mas é uma metodologia que, como qualquer coisa que envolva essas definições de esquerda e direita,
02:48vai ter debate, vai ter gente que vai achar uma coisa, que vai achar outra, enfim.
02:52Mas é indiscutível, indiscutível, que no Brasil a gente tenha aí um crescimento muito grande da direita,
03:00de uns anos para cá, eu diria muito mais por dois motivos.
03:07Primeiro, por haver opções na cédula para votar.
03:14Então, você, em várias eleições anteriores, o que se chamava de direita era o PSDB,
03:22que é um partido de centro-esquerda, que é um partido social-democrata,
03:26que é um partido que, ideologicamente, você pode afinar, por exemplo, com o socialismo francês,
03:32com a turma do Macron.
03:34Quer dizer, claro, isso não é comunista, como essa redução tosca que o bolsonarismo e muita gente aqui faz.
03:43Isso é comunismo, mas é puxado para a esquerda.
03:47Hoje a gente poderia falar da Tabata Amaral, por exemplo, que ela é de esquerda,
03:51ela era do PDT, agora é do PSB.
03:54Não há dúvidas que ela ocupa esse campo da centro-esquerda,
03:59de uma esquerda moderada, de uma esquerda que sabe falar, que sabe fazer conta,
04:04que tem responsabilidade fiscal, que votou na reforma da Previdência, enfim.
04:09Então, não é o campo, qualquer um da direita, claro, sabe das diferenças,
04:13mas, se a gente voltar no tempo 10, 20 anos, era a gente, como hoje ocupa esse espaço da Tabata,
04:25que era chamado de direita naquela época.
04:29Então, em primeiro lugar, a gente teve uma correção de rumo,
04:33onde o Brasil passou a ter efetivamente, de verdade, opções de direita.
04:39Ou, pelo menos, no que eu chamaria mais genericamente de anti-esquerda,
04:45anti-petista, anti-comunista.
04:48E aí, nesse campo, você teria uma direita, uma centro-direita,
04:53uma direita mais liberal, uma direita mais constitucional,
04:57e você tem até um extremo populista,
05:01essa turma mais golpista até,
05:03essa turma terraplanista, anti-vacina, enfim.
05:07Mas, esse campo, que é um campo muito amplo,
05:12ele não era representado, agora ele é.
05:15Então, esse é o primeiro ponto.
05:16E um outro ponto também é o fenômeno das redes sociais.
05:19Por quê?
05:20Porque, da mesma maneira que a social-democracia ocupava esse campo,
05:25na imprensa, quando você tinha duas ou três ou quatro só vozes falando,
05:30e você tinha esse campo hegemônico social-democrata,
05:35a chamada terceira via, que a gente viu ali nos anos 90,
05:39só para dar esse contexto histórico para quem está acompanhando a gente.
05:42Quando acaba a Guerra Fria, ali cai o muro de Berlim,
05:46é o final dos anos 90, acaba a União Soviética em 91,
05:49e efetivamente acaba a Guerra Fria,
05:52acaba aquela polarização que vinha desde a Segunda Guerra Mundial,
05:55entre o capitalismo americano e o comunismo soviético.
05:59você tem 25 anos, basicamente, de 91 a 2016,
06:05você tem basicamente 25 anos de domínio do que se costumou chamar
06:10de terceira via social-democrata,
06:13onde você tinha no Brasil o Fernando Henrique Cardoso,
06:16você tinha nos Estados Unidos o Bill Clinton,
06:18você tinha na Inglaterra o Tony Blair,
06:20você tinha o Gerhard Schroeder na Alemanha, enfim.
06:24Você tinha no mundo uma hegemonia que durou 25 anos,
06:29e isso efetivamente calou e abafou muito as vozes de direita,
06:36e isso gerou uma série de ressentimentos,
06:38isso não é bom para a democracia,
06:40isso cria uma panela de pressão,
06:43que quando ela estoura, o que sai dali?
06:45Sai muito populista, sai...
06:46E aí é a gritaria que a gente vê hoje,
06:48que é polarização e etc.,
06:50mas que eu acho que a esquerda tem muita dificuldade
06:52de entender a grande lição que é
06:55se a população não se sente representada na política,
07:00seja a esquerda ou a direita,
07:03ela vai reagir da maneira que ela sabe reagir,
07:06e do jeito e com os instrumentos e com as ferramentas
07:09que ela tiver à disposição.
07:11Então, o Brasil agora está caindo,
07:15talvez, no modelo quase americano,
07:17onde você tem, num país com 330 milhões de pessoas,
07:21250 milhões de eleitores e dois partidos,
07:25o republicano e o democrata.
07:27E ou você está mais à esquerda ou você está mais à direita.
07:30E isso me parece mais legítimo
07:35em termos de representação do sentimento da população
07:39do que o que a gente tinha antes de 2016.
07:51Ou você está mais a esquerda ou você está mais à esquerda ou você está mais à direita ou você está mais à direita.
07:56Obrigado.
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