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  • há 1 ano
Presidente do PSD comenta as dinâmicas do poder no Congresso Nacional.

Assista à íntegra da entrevista: https://youtu.be/LSejKHLN5V8

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Notícias
Transcrição
00:00Ainda sob a gestão do Bolsonaro, em função até da legislatura anterior,
00:05nós tivemos a marca do chamado orçamento secreto,
00:09que foi a forma que a imprensa apelidou as emendas RP9,
00:15que eram emendas antes destinadas a ajustes de orçamento
00:18e que se tornaram uma janela para gastos expressivos,
00:23bilhões e bilhões de reais que foram distribuídos a parlamentares
00:27e estes, as suas bases, com muito pouca transparência,
00:32ou nenhuma transparência.
00:34O PSD, o seu partido, foi um dos maiores beneficiários,
00:37até segundo o levantamento do UOL, acho que foi até o maior.
00:42Qual é a sua opinião? Como é que você justifica isso?
00:45E qual é a sua opinião sobre esse sistema que foi montado
00:51e que durou, pelo menos, a legislatura passada toda, quase toda,
00:58o governo do Bolsonaro, envolvendo, inclusive, ministérios,
01:01como comandado pelo Rogério Marinho?
01:05Olha, Cláudio, eu vou dizer algo que você vai ficar surpreso.
01:10Eu sou radicalmente contra esses emendas.
01:12Eu tenho uma forma de pensar em relação às eleições muito clara.
01:23Acabei de falar, citando o governo Bolsonaro.
01:26Quem ganhou o governo?
01:29Quem perdeu fiscaliza.
01:31Quem ganhou aponta para onde vão os recursos.
01:35O que é eleição?
01:36Você escolher quem vai te representar para gastar o dinheiro,
01:40o imposto que você paga.
01:41Portanto, eu escolhi o prefeito, o governador, o presidente da república
01:47e aqueles parlamentares que estavam com ele na campanha.
01:51Essa é uma lógica que prevalece em qualquer democracia do mundo.
01:58A democracia é algo muito importante no país.
02:04O parlamentar, eu falo de uma maneira respeitosa,
02:07porque eu já fui vereador, fui deputado estadual, deputado federal duas vezes.
02:12Tive também as minhas emendas,
02:14mas eu sempre tive um pé atrás na emenda parlamentar.
02:18Eu sempre achei que era estranho um deputado de oposição,
02:22um vereador de oposição, bater na porta do executivo para negociar emenda.
02:27Olha, você investe aqui, eu quero dinheiro aqui.
02:30Perdeu, fiscaliza.
02:32Então, infelizmente, hoje não é fácil você acabar com as emendas.
02:37Os parlamentares podem passar a ficar dependentes delas.
02:42As emendas têm contribuído para que a gente tenha uma baixa renovação
02:46nas nossas apresentações de parlamento,
02:48porque chega um candidato que não tem mandato,
02:54candidato que não tem equipe, não tem tribuna,
02:59e ainda aquele que tem tudo isso, ainda tem 40, 50 milhões por ano,
03:04no caso dos deputados federais, ou até mais no caso dos senadores,
03:08é difícil a renovação.
03:09A dificuldade de renovação, ela também tem a ver com uma falta de regulamentação,
03:17segundo alguns críticos, da distribuição do fundo eleitoral.
03:21Você, como presidente, como cacique partidário,
03:25dirigente de um partido, presidente de um partido,
03:27que tem, naturalmente, todo esse poder de direcionar verbas
03:32para eleger deputado, senador,
03:35direcionar isso para campanhas que você acha que tem mais potencial de sucesso.
03:41A gente percebe, muitas vezes, dirigentes apostando em celebridades,
03:46em influências, em gente que pode ter mais engajamento,
03:51muitas vezes empobrecendo até o debate político,
03:54até por desconhecimento da política,
03:56por não ter nenhum tipo de ponto de contato com a política.
03:59Que tipo de aperfeiçoamento é possível ter
04:02nessa distribuição do fundo eleitoral
04:06para se tornar mais democrática,
04:08essa renovação, para se tornar mais efetiva,
04:10essa renovação que você defende?
04:13A verba eleitoral, né,
04:17que você se refere, não é a partidária,
04:20ela é democrática e pode ser aperfeiçoada, sim.
04:23Ela é democrática porque ela está à disposição
04:26de toda a chapa.
04:27O partido que for usar de uma maneira errada essa verba,
04:32ele vai ter um resultado ruim nas eleições,
04:34ou elegendo maus parlamentares,
04:37ou elegendo poucos parlamentares.
04:39Mas eu concordo com você,
04:41há alguns abusos em alguns partidos
04:44que direcionam de uma maneira excessiva
04:46para poucos essa verba,
04:49em especial para aqueles que têm mandato,
04:51que pressionam as direções partidárias fracas.
04:53portanto, eu entendo que se a lei pudesse impedir
04:58que aqueles que têm mandato
05:00tivessem um recurso acima de determinado valor,
05:05nós daríamos uma contribuição
05:07para o fortalecimento da verba eleitoral.
05:11Muito bem.
05:11Wilson, tem uma pergunta?
05:13Tenho, tenho, sim.
05:14Sabe, eu quero aproveitar o gancho do orçamento secreto
05:17para explorar um pouco mais essa discussão
05:19de emenda versus democracia,
05:21versus questões ideológicas,
05:22aproveitando a pergunta do Cláudio,
05:24versus celebridades.
05:26Porque me parece que a gente entra
05:28na política em um ciclo sem fim.
05:32Nós temos dois casos muito pontuais.
05:36Se temos ou o deputado
05:37que é um emenda dependente,
05:41utilizando esse termo aqui,
05:43ou um deputado que ele chega à Câmara
05:45por ser uma celebridade,
05:47mas esse deputado que chega à Câmara
05:49por ser uma celebridade,
05:50ele não tem força no Congresso
05:53para fazer alguma coisa, né?
05:55Por exemplo, Tiririca é um exemplo primário disso,
05:58e até a bancada bolsonarista,
06:00mesmo num governo bolsonarista,
06:02pouco fez, né?
06:03As celebridades,
06:04tipo, Carla Zambelli,
06:06Eduardo Bolsonaro,
06:06enfim,
06:07sempre foram personagens,
06:09sempre foram mais personagens
06:10do que deputados.
06:12A pergunta que eu te faço é a seguinte,
06:14ô Kassab,
06:15e aí até em tom de provocação,
06:17como é que a gente pode falar
06:18de democracia plena,
06:20representativa,
06:22sendo que a gente tem,
06:23de um lado,
06:24os partidos optando por celebridades
06:25para ter grandes bancadas,
06:28ou deputados que são justamente
06:29dependentes dessas emendas parlamentares?
06:32Porque a gente vive um ciclo sem fim, né?
06:35Tem como acabar com isso?
06:37É possível que você acabe com isso?
06:39E de que forma a gente pode acabar com isso?
06:42Você pensa como eu, Wilson.
06:44Eu acho que precisa, assim, acabar,
06:46podia fazer uma transição, não é?
06:49A transição, olha,
06:51então vamos aprovar para ter vigência
06:53daqui a seis anos, oito anos.
06:55O parlamentar, geralmente, vota.
06:57Ele pensar daqui a oito anos
06:59eu não estou aqui mais mesmo,
07:00mas é fundamental que se aprove,
07:02eu trabalho para que se aprove.
07:04Olha, aí eu acho que o Brasil
07:06fica no bom rumo
07:08da legislação político-partidária.
07:13Implantamos a proibição
07:14da coligação proporcional,
07:18a cláusula de desempenho,
07:20eu defendo o fim
07:22da coligação majoritária,
07:25eu acredito que possamos, sim,
07:27aprovar o fim das emendas
07:30com vigência daqui a dez anos,
07:32pode ser, não tem nenhum problema.
07:33porque na hora que você aprova
07:35daqui a dez anos,
07:36as pessoas que querem
07:37uma democracia mais forte
07:39vão falar, puxa vida,
07:41estou vendo aluno no fim do túnel,
07:42isso é bom para o país, não é?
07:44A democracia é isso,
07:45às vezes você não consegue aprovar
07:47o ideal.
07:48O ideal,
07:49e eu respeito quem pensa diferente,
07:51para mim,
07:52é aprovar amanhã.
07:52mas se não der,
07:55aprovamos da manhã
07:55com vigência
07:56para daqui a alguns anos.
07:58Então,
07:59eu luto por isso,
08:00vou continuar lutando,
08:02é dessa maneira
08:02que eu sou respeitado,
08:03falando o que eu penso,
08:05seja agradando,
08:06seja desagradando,
08:08companheiros meus
08:09dentro do partido
08:09e fora do partido.
08:22e fora do partido.

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