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  • há 6 meses
Claudio Dantas Talks abre 2ª temporada com Carlos Nobre

Primeiro cientista brasileiro na prestigiada Royal Society fala sobre o plano de criar o 'MIT da Amazônia' e alerta para as mudanças climáticas

O cientista Carlos Nobre partilha algo único com o imperador Dom Pedro II: eles são os dois membros brasileiros da Royal Society, a mais antiga instituição dedicada à ciência do mundo. O imperador só entrou para o grupo criado em Londres em 1660, contudo, na cota da realeza.

Nobre é modesto. Atribui sua honraria, concedida em 2022, à preocupação mundial com a Amazônia, que aumentou durante o governo de Jair Bolsonaro. Ele abre, neste fim de semana, a segunda temporada do podcast CD Talks, que vai ao ar em novo horário: domingo, às 20h.

Na conversa com Claudio Dantas, o cientista detalha seu plano de criar um MIT da Amazônia, uma instituição para promover conhecimento em todos os países que partilham a floresta, comenta a necessidade de conter o crime na região e alerta para a necessidade de conter o aquecimento global: ”No ritmo atual, a temperatura pode aumentar quatro graus até 2100. Será um planeta quase que inabitável".
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Transcrição
00:00:00Muito bem, estamos de volta na segunda temporada do CD Talks.
00:00:12Hoje comigo um convidado especial, o cientista ambiental Carlos Afonso Nobre.
00:00:17Muito obrigado pela presença aqui, professor. Bem-vindo.
00:00:23Muito obrigado pelo convite e é um prazer estar conversando com vocês.
00:00:27Maravilha. Bom, para quem não conhece o professor Carlos Nobre, ele, tirando o Dom Pedro II,
00:00:34ele é o segundo membro brasileiro da Royal Society, fundada em Londres, que é uma prestigiada sociedade científica.
00:00:44Professor, eu só poderia contar um pouquinho dessa sua participação lá, da sua nomeação.
00:00:50De fato, é um privilégio, e aí um privilégio nosso, de todos nós brasileiros, de ter uma pessoa como o senhor,
00:01:00um representante brasileiro nesta sociedade tão prestigiada, científica tão prestigiada.
00:01:07Sem dúvida, a Royal Society é uma sociedade, é a mais antiga do mundo, foi fundada em 1630.
00:01:14E o Brasil teve e tem inúmeros grandes cientistas.
00:01:22É um pouco surpreendente que eu fui o primeiro cientista nomeado, eleito, para ser um membro estrangeiro,
00:01:31porque o Dom Pedro II, ele era da categoria de imperadores-reis.
00:01:38A Royal Society, além de cientistas, eles têm também membros que são do mundo...
00:01:45Da realeza.
00:01:46Da realeza, né?
00:01:47Então, é uma surpresa, o Brasil já teve inúmeros grandes, grandes, grandes cientistas.
00:01:54Mas, de qualquer modo, essa eleição, eu acho que teve muito a ver com a preocupação mundial com a Amazônia.
00:02:02Eu tenho dedicado minha vida profissional muito à Amazônia.
00:02:06O meu primeiro emprego foi lá atrás, em 1976, no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia.
00:02:13E eu dediquei muito da minha carreira científica a estudos amazônicos.
00:02:18E muito do que eu tenho muito chamado a atenção, do risco que a Amazônia corre,
00:02:24que nós chamamos o risco de passar do ponto de novo retorno, em inglês, tipping point.
00:02:29E a Amazônia está na beira desse precipício, tem chamado muita atenção e buscado também soluções.
00:02:37Eu acho que a minha eleição foi um reconhecimento da preocupação dos cientistas de todo o mundo com o futuro da Amazônia.
00:02:48Então, foi muito para chamar a atenção para o mundo, que nós temos que fazer algo para salvar a Amazônia.
00:02:54E os cientistas, não só eu, mas muitos cientistas, nós trabalhamos com a Amazônia.
00:03:00E estamos mostrando cada vez mais o risco que a Amazônia corre.
00:03:04Então, eu entendo que foi muito o reconhecimento da Royal Society,
00:03:11do trabalho que a comunidade científica, que eu tenho, de certo modo, liderado muito desses experimentos na Amazônia,
00:03:17faz para buscar soluções para a Amazônia.
00:03:19Isso vem também num contexto político, não só nacional como internacional,
00:03:25de muito, talvez, de um desrespeito à produção científica em relação à Amazônia e à própria opinião da ciência.
00:03:37Nós tivemos aí um governo agora que se encerrou,
00:03:40que praticamente desmontou todo o sistema de preservação, de fiscalização.
00:03:46Agora, ao mesmo tempo, a gente retoma esse debate numa outra perspectiva até mundial,
00:03:57de entendimento do que seria a melhor forma, quando a gente fala de preservação.
00:04:02A gente viu nesse debate político também, a gente acompanha em diversos fóruns,
00:04:09muito se fala em economia verde, muito se fala em quanto a Amazônia pode gerar dividendos para o Brasil.
00:04:21Quer dizer, como é que é isso?
00:04:25É difícil para o nosso espectador materializar, quando a gente fala de economia do carbono, etc.
00:04:31Mas é muito difícil você materializar essa economia verde associando produção, preservação a desenvolvimento econômico.
00:04:44Ou você tem uma visão romântica de se manter intocável a floresta,
00:04:52ou você tem uma visão absolutamente pragmática de se derrubar a floresta,
00:04:56de se extrair o que for possível dela, de transformar isso em pasto e ampliar as áreas cultiváveis,
00:05:05que é uma das maiores pressões de todo o bioma do agronegócio.
00:05:14O senhor poderia explicar um pouquinho, tentar trazer, aproximar essa realidade para o nosso espectador, professor?
00:05:23Sem dúvida.
00:05:25É importante verificar o seguinte.
00:05:29Esse modelo que explodiu muito nos últimos anos do governo anterior,
00:05:34governo federal anterior,
00:05:36é um modelo que, de fato, ele vem dos anos 70.
00:05:42Na ditadura militar, se criou esse conceito de que a floresta, as árvores, não valem nada.
00:05:50Elas são impedimentos ao chamado desenvolvimento.
00:05:55Se levou milhões de brasileiros, tirando a floresta, criando muitas estradas,
00:06:02doação de áreas para centenas de milhares de pequenos agricultores,
00:06:07doação de áreas gigantescas para grandes fazendas pecuárias,
00:06:12no sentido até do que você falou, a floresta não vale nada.
00:06:15Tira a floresta, substitui por pastagens para a pecuária,
00:06:18substitui por alguma cultura agrícola, como soja,
00:06:22substitui, vai explorar o potencial de mineração,
00:06:26de grandes hidrelétricas para exportar eletricidade para outras partes do Brasil.
00:06:31Então, esse é o modelo que vem lá de trás.
00:06:34Então, esse modelo já tem 50 anos.
00:06:37Aí, vamos olhar.
00:06:38Levaram milhões e milhões de brasileiros para a Amazônia.
00:06:43Criou o desenvolvimento?
00:06:44Não.
00:06:45A Amazônia é um dos lugares mais pobres do Brasil.
00:06:48O índice de desenvolvimento da Amazônia, dos municípios da Amazônia,
00:06:51são paupérrimos.
00:06:53Praticamente, mais de 80% da população amazônica é pobre.
00:06:58Grande parte desses que migraram para a Amazônia,
00:07:02e dos filhos e netos que ficaram na Amazônia,
00:07:04continuam pobres.
00:07:06Então, esse é um modelo que não tem nenhuma prova
00:07:08de que, de fato, trouxe um desenvolvimento socioeconômico.
00:07:13Então, esse é o primeiro ponto.
00:07:14Aí, vamos olhar em comparação.
00:07:18Inclusive, na Amazônia, existem cooperativas
00:07:21que produzem produtos florestais,
00:07:27em sistemas agroflorestais,
00:07:29que foram desses migrantes que foram lá atrás para a Amazônia.
00:07:35Os pais, os avós foram.
00:07:37E, há 20 anos, eles começaram, 25 anos,
00:07:40eles começaram a abandonar a pecuária,
00:07:43cana-de-açúcar e outras culturas,
00:07:45e passaram a desenvolver sistemas agroflorestais.
00:07:49Há cooperativas de sistemas agroflorestais na Amazônia,
00:07:52que são todos produtos da Amazônia,
00:07:54da imensa biodiversidade da Amazônia,
00:07:56a maior biodiversidade do mundo.
00:07:58Eles começaram a produzir os produtos.
00:08:01A gente conhece aqui fora da Amazônia muito
00:08:03o açaí, o cacau, o poaçu,
00:08:08alguns produtos,
00:08:09mas eles produzem dezenas e dezenas de produtos.
00:08:12Todas essas populações das cooperativas
00:08:15de sistemas agroflorestais melhoraram muito
00:08:18a sua qualidade de vida.
00:08:20Eles eram pequenos agricultores paupérgicos,
00:08:23pobres, classe E do IBGE.
00:08:26Todos migraram,
00:08:29muitos já chegaram na classe C,
00:08:32a maioria,
00:08:33e muitos já atingiram a classe média.
00:08:36Então, essa é uma amostra já,
00:08:38ainda que o número de cooperativas
00:08:40seja modesto,
00:08:41perto do tamanho da Amazônia,
00:08:43cooperativas de sistemas agroflorestais,
00:08:45mas isso já mostra
00:08:47o enorme potencial
00:08:49do que nós chamamos
00:08:51de uma bioeconomia de floresta em pé.
00:08:54Uma cooperativa que se chama Canta,
00:08:56na cidade de Toméaçu,
00:08:57sul de Belém,
00:08:59ela produz mais de 120 produtos,
00:09:0164 diferentes espécies
00:09:03da floresta amazônica,
00:09:05ela melhorou demais
00:09:06a vida de milhares de pessoas
00:09:08e mostra um gigantesco potencial.
00:09:12Então, essas já são provas iniciais
00:09:16de que o potencial
00:09:17de você ter produtos da floresta,
00:09:23trazer esses produtos
00:09:24para os mercados regionais,
00:09:26nacionais, internacionais,
00:09:27o açaí já traz
00:09:29mais de um bilhão de dólares
00:09:31por ano para a economia
00:09:32da Amazônia brasileira,
00:09:33o açaí já passou até a madeira,
00:09:36e a madeira,
00:09:3780% da madeira
00:09:39extraída da Amazônia,
00:09:40é tudo ilegal,
00:09:41é tudo ilegal,
00:09:42é fogo de madeira.
00:09:43Então, o açaí
00:09:45e outros produtos
00:09:46podem, daqui a pouco,
00:09:48se continuarmos nessa bioeconomia,
00:09:50eles vão passar a pecuária,
00:09:52inclusive.
00:09:53A produtividade da pecuária
00:09:54na Amazônia é baixíssima.
00:09:56Em todo o Brasil,
00:09:58a pecuária tem uma baixíssima produtividade,
00:10:011,3 cabeças de gado por hectare,
00:10:041,6 milhões de quilômetros quadrados,
00:10:07quase,
00:10:07de áreas de pecuária,
00:10:08no discurso de pós-presidente Lula,
00:10:11ele já mencionou
00:10:12300 mil quilômetros quadrados
00:10:14de faixagens de baixíssima,
00:10:17degradada,
00:10:17de baixíssima produtividade,
00:10:19isso tudo pode ser restaurado,
00:10:21pode ser criado sistemas agroflorestais,
00:10:23pode ter uma agricultura
00:10:25muito mais sustentável,
00:10:27o presidente, no seu discurso também,
00:10:28chamou agricultura regenerativa.
00:10:31Então, esse é um potencial
00:10:32que o Brasil tem,
00:10:34e é um potencial que a Amazônia tem.
00:10:35Por isso que é correto
00:10:38essa postura do novo governo,
00:10:40do presidente Lula,
00:10:42da ministra Marina Silva,
00:10:43do meio ambiente,
00:10:44do ministro,
00:10:46do vice-presidente Alckmin,
00:10:48que é ministro de
00:10:49Indústria, Comércio e Revisos,
00:10:51no seu discurso de dois dias atrás,
00:10:54ele também falou do potencial
00:10:55da industrialização,
00:10:57da sociobiodiversidade brasileira,
00:11:00que é essa economia,
00:11:01essa bioeconomia de florestas em pé.
00:11:03Isso tem um enorme potencial,
00:11:05mantém a floresta,
00:11:07mantém os serviços ecossistêmicos,
00:11:08mantém o carbono,
00:11:10combate a emergência climática,
00:11:12e não só isso,
00:11:13enorme potencial de beneficiar
00:11:16socialmente e economicamente
00:11:18todas as populações amazônicas
00:11:20e a economia dos países amazônicos.
00:11:22Então, não existe mais
00:11:24uma necessidade de continuar
00:11:25com aquele modelo
00:11:26de uma agricultura,
00:11:28de uma pecuária
00:11:29de baixíssima produtividade
00:11:30e que foi o principal vetor,
00:11:34quase 90%
00:11:35do primeiro desmatamento
00:11:37da Amazônia
00:11:37para a expansão
00:11:38de fazendas pecuárias,
00:11:40num valor cultural
00:11:41de uma parte
00:11:45dos pecuaristas
00:11:47e agricultores brasileiros,
00:11:49de expansão permanente
00:11:50do tamanho,
00:11:51que eram grandes fazendas
00:11:52de pecuária,
00:11:54mas não é absolutamente
00:11:55mais necessário.
00:11:56a economia de floresta em pé
00:11:58tem um potencial econômico
00:12:00muito maior
00:12:01do que acabar com a floresta.
00:12:03Agora, como é que seria essa...
00:12:08Porque quando você fala de...
00:12:10Por exemplo,
00:12:10você pega o modelo econômico
00:12:13da pecuária.
00:12:14Você tem fazendas,
00:12:15fazendas que têm proprietários,
00:12:17muitas vezes grandes grupos
00:12:18econômicos por trás,
00:12:20tem uma cadeia de produção,
00:12:21de exportação,
00:12:22processamento,
00:12:23produção, processamento,
00:12:24de exportação de proteína.
00:12:27Isso acontece também no agro.
00:12:29Agora, quando você fala
00:12:30de Amazônia,
00:12:31a gente enxerga
00:12:32do lado de fora aqui
00:12:33essa massa florestal
00:12:35inacessível, impenetrável.
00:12:41E em muitas regiões,
00:12:44elas também,
00:12:45assim,
00:12:46
00:12:47demarcadas com as reservas indígenas
00:12:52e
00:12:53o Estado sendo
00:12:55o proprietário
00:12:57de, vamos dizer assim,
00:12:58de boa parte
00:12:59dessa região,
00:13:02porque é uma região
00:13:02que você não consegue
00:13:03titularizar.
00:13:06Você tem muitos lugares
00:13:08que tem,
00:13:10mas tem
00:13:10brigas,
00:13:11tem o
00:13:12uso campeão,
00:13:16você tem ali
00:13:16todo o crime
00:13:20organizado
00:13:20já também
00:13:21se apropriando,
00:13:23os grileiros,
00:13:25disputas,
00:13:27o Pará
00:13:27é um dos estados
00:13:29onde isso
00:13:29é mais presente,
00:13:33é mais forte.
00:13:34de que tipo
00:13:35de,
00:13:37como é que seria,
00:13:40como é que você
00:13:40adapta
00:13:43essa
00:13:44Amazônia,
00:13:46esse modelo
00:13:47econômico
00:13:48verde,
00:13:49como o senhor está
00:13:49falando,
00:13:51para o desenvolvimento
00:13:52econômico e social
00:13:55dessas comunidades,
00:13:57isso passa
00:13:58por um controle
00:13:59do Estado,
00:13:59dessas atividades
00:14:00produtivas,
00:14:02isso passa
00:14:03por ter
00:14:05de fazer
00:14:06um processo
00:14:09primeiro
00:14:09de regularização
00:14:10fundiária
00:14:11e você
00:14:14fazer
00:14:16concessões
00:14:17de áreas
00:14:18para grupos
00:14:19econômicos,
00:14:20como é que a gente
00:14:21transforma
00:14:22essa economia,
00:14:23traz
00:14:24toda essa
00:14:25idealização
00:14:26para a economia
00:14:27real,
00:14:30considerando
00:14:30que
00:14:31esses modelos
00:14:32que a gente
00:14:32conhece,
00:14:33e que
00:14:34funcionam
00:14:36de forma
00:14:37muito
00:14:37tradicional,
00:14:38já há muito
00:14:40tempo
00:14:41e que
00:14:42meio que
00:14:44formatam
00:14:48até
00:14:48a própria
00:14:49economia,
00:14:50as relações
00:14:51sociais.
00:14:52Como é que o senhor
00:14:52enxerga
00:14:52essa
00:14:53realização
00:14:55de toda
00:14:56essa
00:14:56idealização
00:14:57de uma economia?
00:14:59Eu acho que é o que o senhor
00:15:00chama de Amazônia
00:15:014.0.
00:15:03Exatamente.
00:15:05De novo,
00:15:07nós já temos
00:15:07em toda a Amazônia,
00:15:10todos os países
00:15:10amazônicos,
00:15:11nós já temos mais de um milhão
00:15:12de quilômetros quadrados
00:15:13desmatados,
00:15:14e outros um milhão
00:15:16de quilômetros quadrados
00:15:17em vários estágios
00:15:18de degradação
00:15:18florestal,
00:15:20e essas áreas
00:15:22desmatadas
00:15:22e degradadas,
00:15:23elas têm
00:15:24um baixíssimo
00:15:25valor econômico,
00:15:26como eu falei,
00:15:27a pecuária
00:15:27é de baixíssima
00:15:29produtividade,
00:15:30por exemplo,
00:15:31no estado do Pará,
00:15:32que você citou,
00:15:33muito bem,
00:15:34a média
00:15:34de produção
00:15:35da pecuária
00:15:37é cerca
00:15:38de 80 quilos
00:15:39de carne
00:15:40por hectare
00:15:41por ano,
00:15:43isso é
00:15:43dos mais baixos
00:15:44do mundo,
00:15:46e tem um valor
00:15:47econômico
00:15:47muito pequeno,
00:15:48quando algumas
00:15:49fazendas pecuárias
00:15:51super produtivas,
00:15:53existem poucas,
00:15:54mas existem,
00:15:55elas produzem,
00:15:56por exemplo,
00:15:56400 até 500 quilos
00:15:58de carne
00:15:59por hectare
00:16:00por ano.
00:16:01Então,
00:16:01é possível, sim,
00:16:02você continuar
00:16:03tendo produção
00:16:04de proteína animal,
00:16:05mas praticando
00:16:08uma pecuária
00:16:08muito mais sustentável,
00:16:10são chamados
00:16:11sistemas integrados
00:16:12pecuária,
00:16:14lavoura,
00:16:15floresta,
00:16:16quando você
00:16:17faz o gado
00:16:18rotacionar,
00:16:19consome uma pastagem,
00:16:21depois de dois meses,
00:16:22três meses,
00:16:23eles mudam,
00:16:24e aquela área
00:16:25é reconstituída
00:16:26com lavoura,
00:16:27toda a área
00:16:28tem árvores,
00:16:30o gado
00:16:30é muito mais produtivo
00:16:32quando ele fica
00:16:32na sombra,
00:16:33então,
00:16:33esses sistemas
00:16:34que já existem
00:16:35no Brasil,
00:16:36eles são muito
00:16:37mais produtivos
00:16:38e muito mais
00:16:39lucrativos,
00:16:39isso é uma pecuária
00:16:40moderna,
00:16:41e essa pecuária
00:16:42é sustentável,
00:16:44então,
00:16:44isso,
00:16:45se há incentivos,
00:16:48se há mecanismos,
00:16:49se há educação
00:16:50para os pecuaristas,
00:16:52se o crime
00:16:53organizado
00:16:53é combatido,
00:16:55porque muito
00:16:55da expansão
00:16:56da pecuária
00:16:57é controlada
00:16:57pelo crime,
00:16:58é a grilagem
00:17:00de terra,
00:17:00é o robo
00:17:01de terra,
00:17:01é o desmatamento
00:17:02de áreas
00:17:03que não podem ser
00:17:03desmatadas
00:17:04dentro das propriedades,
00:17:05porque existe
00:17:06um mercado
00:17:07ilegal
00:17:08de terras,
00:17:09então,
00:17:10essa transição
00:17:12que traz um benefício
00:17:14econômico
00:17:14muito grande
00:17:15para os pecuaristas
00:17:16sérios,
00:17:17que são até
00:17:17em número grande,
00:17:19mas ainda assim
00:17:19com baixa produtividade,
00:17:21isso é uma transição
00:17:22que ela tem que vir,
00:17:23tanto de políticas
00:17:24do governo,
00:17:26zerar a ilegalidade,
00:17:27quando os desmatamentos
00:17:30foram reduzidos
00:17:32em 83%
00:17:33de 2004
00:17:34a 2012,
00:17:36a produção
00:17:37de carne
00:17:37na Amazônia
00:17:38dobrou,
00:17:39então,
00:17:40não há necessidade
00:17:41de você
00:17:42desmatar mais
00:17:43para aumentar a produção,
00:17:44é só trabalhar
00:17:45na produtividade,
00:17:46então,
00:17:46esse é um mecanismo,
00:17:47melhora a vida
00:17:48de todos os pecuaristas
00:17:49sérios,
00:17:50o preço
00:17:51dessas commodities
00:17:52também vai ficar
00:17:53muito mais acessível,
00:17:54então,
00:17:55esse é o caminho,
00:17:55é um caminho
00:17:57de uma pecuária
00:17:58sustentável,
00:17:59pecuária regenerativa
00:18:00e você vai precisar
00:18:02de uma área
00:18:02muito menor,
00:18:03nós temos quase
00:18:041,6 milhões
00:18:05de maldos quadrados,
00:18:06então,
00:18:07não é necessário
00:18:08para o Brasil
00:18:09produzir,
00:18:10exportar
00:18:11proteínas animais
00:18:12em grande quantidade,
00:18:14os Estados Unidos,
00:18:14por exemplo,
00:18:15tem 90 milhões
00:18:17de cabeças de gado,
00:18:19o Brasil tem
00:18:19224 milhões
00:18:20de cabeças de gado,
00:18:21os Estados Unidos
00:18:22produzem muito mais
00:18:23carne que o Brasil,
00:18:24então,
00:18:24nós temos
00:18:25todo o potencial
00:18:26de desenvolver,
00:18:27sim,
00:18:27uma pecuária
00:18:28e reduzir muito
00:18:29e não precisar
00:18:30mais desmatar
00:18:31a expansão
00:18:33da área
00:18:34de pastagens
00:18:35na Amazônia,
00:18:35ao contrário,
00:18:36como eu dei o exemplo
00:18:37de cooperativas,
00:18:38tem, por exemplo,
00:18:39cooperativas no sul do Pará,
00:18:41que eram todos
00:18:41pequenos pecuaristas,
00:18:43eles abandonaram
00:18:44a pecuária,
00:18:45criaram sistemas
00:18:46agroflorestais
00:18:47e hoje o Estado do Pará,
00:18:48por exemplo,
00:18:48é o maior produtor
00:18:49de açaí,
00:18:50o maior produtor
00:18:51de cacau,
00:18:52o maior produtor
00:18:53do Cucuaçu
00:18:54e essas comunidades
00:18:56todas melhoraram
00:18:57muito
00:18:57sua qualidade.
00:19:01O senhor idealizou
00:19:03esse projeto
00:19:04Amazônia 4.0,
00:19:05aí fala justamente
00:19:06na construção
00:19:06de fábricas portáteis
00:19:08e altamente tecnológicas
00:19:10que visam aprimorar
00:19:11as cadeias produtivas
00:19:12de forma sustentável,
00:19:14beneficiando a floresta
00:19:15e as comunidades locais.
00:19:16É exatamente isso
00:19:17que o senhor está falando,
00:19:20está dando como exemplo,
00:19:21açaí,
00:19:23a produção do açaí.
00:19:25Exatamente.
00:19:26Você analisou o discurso
00:19:29do vice-presidente Alckmin
00:19:31ao assumir o Ministério
00:19:32da Indústria, Comércio e Serviços,
00:19:34ele falou muito
00:19:36por que o Brasil
00:19:38se desindustrializou
00:19:40tanto nas últimas décadas.
00:19:42Nós temos que inverter.
00:19:43Não existe país desenvolvido
00:19:45que não seja país industrializado.
00:19:47Isso é verdade global.
00:19:48Vejam que a China,
00:19:50ele deu esse número
00:19:51no discurso dele,
00:19:52que é impressionante.
00:19:53De 1980 a 2020,
00:19:56o Brasil só melhorou,
00:19:58aumentou em 20%
00:20:00a sua capacidade industrial.
00:20:04A China aumentou 45 vezes,
00:20:0745 vezes em 40 anos.
00:20:11Então, é muito correta
00:20:13essa política agora
00:20:14do governo federal,
00:20:15que tem que ser apoiada
00:20:17por todos os governos estaduais.
00:20:19Vamos reindustrializar o Brasil.
00:20:21O Amazônia 4.0
00:20:22é exatamente,
00:20:24no caso da Amazônia,
00:20:25não é nem reindustrialização,
00:20:27é industrialização.
00:20:29Vamos levar a indústria 4.0
00:20:31para dentro da Amazônia,
00:20:33para as áreas urbanas
00:20:34e para as áreas rurais também.
00:20:37Podem ter biopábricas
00:20:39disseminadas em toda a Amazônia,
00:20:41em comunidades,
00:20:41em operativas,
00:20:42e também, logicamente,
00:20:44nas áreas urbanas,
00:20:4575% da população
00:20:46na Amazônia brasileira
00:20:48é urbana.
00:20:49E é isso,
00:20:50industrializar
00:20:51essa grande produção,
00:20:53esse grande potencial
00:20:54com energias renováveis.
00:20:56A Amazônia tem um imenso potencial
00:20:58de energias renováveis
00:20:59e com,
00:21:00para essa economia circular,
00:21:02sem gerar gás de defeito estufo,
00:21:04ao contrário,
00:21:05com a restauração florestal,
00:21:07com os sistemas agroflorestais,
00:21:08retirando o gás carbônico
00:21:09da atmosfera.
00:21:10Então, vai ser uma indústria
00:21:12carbono neutra,
00:21:13ao contrário,
00:21:14até carbono negativa
00:21:15e com enorme potencial.
00:21:17A diferença,
00:21:18quando você agrega valor
00:21:20através da industrialização,
00:21:22o fator entre vender um produto
00:21:24na economia primária
00:21:25e agregar valor
00:21:26é um fator 10 a 20.
00:21:28Então, você,
00:21:29com mais agregação de valor,
00:21:30você cria a sociedade
00:21:32de classe média,
00:21:34você cria os serviços
00:21:35muito mais aperfeiçoados,
00:21:37serviços médicos,
00:21:38todo tipo de serviço,
00:21:40digitalização.
00:21:41Então, a industrialização,
00:21:43essa política do governo atual
00:21:45é para todo o Brasil.
00:21:47Reindustrialização
00:21:47de boa parte do Brasil
00:21:48e industrialização
00:21:50na Amazônia
00:21:51com esse imenso potencial
00:21:52que a biodiversidade brasileira tem.
00:21:56Esse conceito
00:21:59de industrialização,
00:22:02dessa bioeconomia,
00:22:03ele se abre,
00:22:08ele é possível
00:22:08de ser aproveitado
00:22:10por quem de direito?
00:22:14Por essas comunidades indígenas,
00:22:15por exemplo,
00:22:16que estão espalhadas
00:22:17por toda essa região?
00:22:20Sem dúvida,
00:22:20sem dúvida.
00:22:21Um dos componentes
00:22:22do projeto
00:22:24Amazônia 4.0
00:22:26que eu já tive a oportunidade,
00:22:28inclusive,
00:22:28de entregar
00:22:29em Brasília,
00:22:30no Ministério da Ciência e Tecnologia
00:22:32e no Ministério do Meio Ambiente
00:22:34e também já entreguei isso
00:22:37para o que será
00:22:39o presidente do BNDES,
00:22:40o Aloysio Mercadante,
00:22:43e também já entreguei isso
00:22:44na campanha
00:22:45entre o presidente Lula,
00:22:46ele até,
00:22:47durante a campanha,
00:22:48ele deu
00:22:49esses comentários
00:22:49e entrevistas
00:22:50que ele gostou muito
00:22:52da ideia,
00:22:53que é o quê?
00:22:54Nós,
00:22:54um dos componentes
00:22:55do Amazônia 4.0
00:22:56é a criação
00:22:57do Instituto de Tecnologia
00:22:59da Amazônia.
00:23:00Nós queremos criar
00:23:01na Amazônia
00:23:01o que eu chamo
00:23:03um MIT da Amazônia,
00:23:04no ITA,
00:23:05um ITA da Amazônia
00:23:06aqui no Brasil,
00:23:07um MIT,
00:23:07eu fiz meu doutorado
00:23:08no MIT,
00:23:09estudei engenharia
00:23:11no ITA,
00:23:11eu conheço bem
00:23:12o que um moderníssimo
00:23:15Instituto de Tecnologia
00:23:16pode fazer
00:23:17para mudar
00:23:17e melhorar
00:23:18a economia.
00:23:19O ITA
00:23:20construiu a Embraer,
00:23:21o Brasil,
00:23:22o terceiro maior
00:23:23produtor de aviões
00:23:24do mundo.
00:23:25E durante meus anos
00:23:26no MIT,
00:23:26ainda que eu tenha
00:23:27feito meu doutorado
00:23:28em ciências naturais,
00:23:29em meteorologia,
00:23:30em clima,
00:23:30mas eu vi
00:23:31o que o MIT
00:23:32estava fazendo
00:23:32há 40 anos atrás
00:23:35e eu vi
00:23:36o quão importante
00:23:37era o MIT
00:23:38para a industrialização
00:23:39avançadíssima
00:23:41dos Estados Unidos
00:23:41e continua sendo.
00:23:43Então,
00:23:43a ideia
00:23:43é essa,
00:23:45nós estamos fazendo
00:23:46essa proposta,
00:23:47nós fizemos um estudo
00:23:48para mostrar
00:23:49a viabilidade
00:23:49do Instituto de Tecnologia
00:23:50da Amazônia,
00:23:52é isso que nós
00:23:53agora queremos
00:23:53implementar
00:23:55esse ano,
00:23:56convencer o governo
00:23:56brasileiro
00:23:57e outros governos
00:23:58amazônicos,
00:23:59eu conversei
00:24:00com a vice-presidente
00:24:02da Colômbia
00:24:03durante a Copa 27
00:24:04no Egito,
00:24:04com o vice-presidente
00:24:06da Bolívia,
00:24:06com o ministro
00:24:07do Meio Ambiente
00:24:08do Peru,
00:24:09todos gostaram
00:24:10muito da ideia,
00:24:10isso é para ser
00:24:11pan-amazônica,
00:24:12é para ser uma parceria
00:24:13público-privada
00:24:14desde o nascimento,
00:24:16é criar um instituto
00:24:17que vai ser descentralizado,
00:24:18ele não é só
00:24:19numa cidade,
00:24:20ele vai estar
00:24:20em várias cidades
00:24:21amazônicas
00:24:22e ele é como
00:24:22se fosse um MIT
00:24:23para a Amazônia,
00:24:24exatamente o que você
00:24:26falou,
00:24:26o desafio,
00:24:27como capacitar
00:24:29as populações
00:24:29amazônicas
00:24:30para essa nova
00:24:31bioeconomia,
00:24:33nós precisamos
00:24:34trazer
00:24:34modernas tecnologias
00:24:36e uma inovação
00:24:38também desse
00:24:39instituto
00:24:40é que nós vamos
00:24:41trazer para dentro
00:24:42do instituto
00:24:42os indígenas,
00:24:44nós vamos trazer
00:24:44o conhecimento
00:24:45tradicional
00:24:46que mantém
00:24:46a floresta em pé
00:24:47há mais de 10 mil anos,
00:24:50nós temos já
00:24:51uma parceria com o MIT,
00:24:52o MIT também
00:24:53já começa a desenvolver
00:24:54projetos dessa natureza
00:24:55na Amazônia colombiana,
00:24:57então nós queremos
00:24:58de fato
00:24:59criar
00:25:00um instituto
00:25:01com capacitação,
00:25:03cursos de graduação,
00:25:04cursos de pós-graduação
00:25:05para milhares
00:25:06de estudantes
00:25:07para essa nova
00:25:08bioeconomia
00:25:08usando as mais
00:25:09avançadas
00:25:10tecnologias
00:25:11junto também,
00:25:13junto
00:25:14com o conhecimento
00:25:15dos povos tradicionais
00:25:16que sempre mantiveram
00:25:17a floresta em pé.
00:25:18Esse é um enorme desafio,
00:25:20mas eu estou
00:25:20muito otimista
00:25:21que nós vamos agora
00:25:22com o governo
00:25:23do presidente Lula,
00:25:26eu estive ontem
00:25:27em uma reunião importante
00:25:28com o governador
00:25:29Helder Barbalho
00:25:29em Belém,
00:25:31o governador Helder Barbalho
00:25:32apoia totalmente,
00:25:33ele quer muito
00:25:34que o Estado do Pará
00:25:35ajude muito
00:25:36a criar
00:25:36esse Instituto
00:25:37de Tecnologia
00:25:37da Amazônia,
00:25:39eu tenho certeza
00:25:40que o governo
00:25:41da Colômbia,
00:25:41da Colívia,
00:25:42do Equador
00:25:43também estão interessados,
00:25:45então essa é a ideia,
00:25:46esse é um desafio lógico,
00:25:48criar um instituto
00:25:49padrão MIT
00:25:50na América Latina,
00:25:52na Amazônia,
00:25:53é um desafio,
00:25:54mas nós já estamos
00:25:55por parceria com a MIT,
00:25:56com o Stanford,
00:25:58com instituições
00:25:58da Alemanha
00:25:59e com várias universidades
00:26:01e institutos
00:26:01aqui no Brasil,
00:26:03vamos começar
00:26:03uma parceria
00:26:04com o ITA também,
00:26:05essa ideia
00:26:06é criar esse instituto,
00:26:09aí sim,
00:26:09esse instituto
00:26:10vai capacitar
00:26:11milhares e milhares
00:26:13de estudantes
00:26:13por ano
00:26:14para que essa economia
00:26:17seja, de fato,
00:26:18desenvolvida
00:26:19dentro da Amazônia.
00:26:21O que que difere
00:26:23em relação
00:26:24ao trabalho
00:26:25que vem sendo feito
00:26:28há décadas
00:26:28por ONGs
00:26:29nacionais
00:26:31e internacionais,
00:26:32algumas delas
00:26:32parceiras
00:26:34até de grupos
00:26:36econômicos,
00:26:37de farmacêuticas,
00:26:39de empresas
00:26:39de produtos
00:26:40de beleza,
00:26:41etc.
00:26:41qual é a grande
00:26:43diferença?
00:26:44Porque a gente,
00:26:45eu já tive também
00:26:46algumas vezes
00:26:47em alguns
00:26:49dos estados
00:26:50da Amazônia,
00:26:51conheci vários projetos
00:26:52de capacitação
00:26:53e esses projetos
00:26:54sempre eram
00:26:55focais,
00:26:57projetos
00:26:58executados
00:26:59por ONGs,
00:27:00muitas vezes
00:27:01em convênios
00:27:02com o Estado,
00:27:03o município,
00:27:05às vezes com
00:27:05apoio federal,
00:27:07qual é a diferença
00:27:08disso
00:27:08para essa ideia
00:27:09do MIT
00:27:10amazônico,
00:27:12esse MIT
00:27:13realmente
00:27:14dedicado
00:27:15a capacitar,
00:27:17a produzir
00:27:17inteligência,
00:27:18produzir inteligência
00:27:19e a capacitar,
00:27:21porque a gente
00:27:21está falando
00:27:21de duas coisas,
00:27:22capacitar do ponto
00:27:23de vista
00:27:24acadêmico
00:27:25e também
00:27:26profissional.
00:27:28Qual é a diferença
00:27:29do que era feito
00:27:32até agora,
00:27:32do que é feito
00:27:33até agora,
00:27:33do que pode ser feito?
00:27:35É escala?
00:27:36É método?
00:27:37Qual é a abordagem?
00:27:39Qual é a diferença,
00:27:40a grande diferença?
00:27:42A principal diferença
00:27:43é método.
00:27:44E eu dou um pequeno
00:27:45exemplo para você,
00:27:46para você entender
00:27:47muito bem.
00:27:48Uma outra pessoa
00:27:49que tem proposto
00:27:51já há alguns anos
00:27:52a criação
00:27:53de um
00:27:55Instituto de Tecnologia
00:27:55na Amazônia,
00:27:57Panamazônico,
00:27:58é um dos
00:28:00fundadores da Natura,
00:28:02o Guilherme Leal.
00:28:03O Guilherme Leal
00:28:03deu uma belíssima
00:28:04entrevista em 2018
00:28:06com o Jornal Brasileiro,
00:28:07em que ele fala
00:28:08exatamente isso.
00:28:10Exatamente,
00:28:11eu tenho essa ideia
00:28:12há muitos anos,
00:28:12o Guilherme Leal também,
00:28:13independentemente,
00:28:15e ele fala,
00:28:16e ele,
00:28:16como os fundadores
00:28:17da Natura,
00:28:18a Natura,
00:28:19ela já,
00:28:21na medida
00:28:22que ela
00:28:22comprou
00:28:24inúmeros produtos
00:28:26da biodiversidade
00:28:28amazônica,
00:28:28ela melhorou
00:28:29a qualidade
00:28:29de vida
00:28:30das populações
00:28:32amazônicas
00:28:33que fornecem
00:28:34os produtos primários,
00:28:35mas eles são
00:28:35todos industrializados,
00:28:37principalmente
00:28:38em São Paulo.
00:28:40Os laboratórios
00:28:41avançados da Natura
00:28:42são em São Paulo.
00:28:43O próprio
00:28:44Guilherme Leal
00:28:45vem fazendo
00:28:46essa proposta,
00:28:47que é exatamente
00:28:47na construção
00:28:48de uma capacitação
00:28:51para que toda
00:28:51essa industrialização,
00:28:53agregação de valor,
00:28:54o avanço
00:28:55científico e tecnológico
00:28:57do enorme potencial
00:28:58da biodiversidade
00:28:59seja feito
00:28:59na Amazônia,
00:29:00as indústrias
00:29:01sejam desenvolvidas
00:29:02na Amazônia,
00:29:04que é aquilo
00:29:04que eu falei.
00:29:05País desenvolvido
00:29:06é país industrializado.
00:29:08Então,
00:29:09lógico,
00:29:10a gente vê São Paulo,
00:29:11porque São Paulo
00:29:11se tornou
00:29:12o estado
00:29:13mais desenvolvido
00:29:15do país
00:29:16desde a década
00:29:17de 20
00:29:17do século passado
00:29:18em industrialização.
00:29:20Então,
00:29:20essa é a ideia.
00:29:21Lógico,
00:29:22o trabalho
00:29:22das inúmeras ONGs
00:29:24de parcerias,
00:29:25de melhoria,
00:29:26até mesmo
00:29:27as cooperativas
00:29:28dos sistemas
00:29:29agroflorestais,
00:29:30como eu mencionei,
00:29:31melhoraram muito
00:29:31a qualidade de vida,
00:29:32mas nós queremos
00:29:33preservar a floresta
00:29:35e tornar
00:29:36a sociedade
00:29:37da Amazônia
00:29:38classe média.
00:29:39Nós precisamos
00:29:40trazer para dentro
00:29:41da Amazônia
00:29:42a industrialização,
00:29:43a agregação
00:29:44de valor,
00:29:44a proteção
00:29:45da floresta
00:29:46e também
00:29:47esse enorme desafio.
00:29:48Quando a gente
00:29:49pensa e olha
00:29:50todo o investimento
00:29:52em ciência e tecnologia
00:29:53no Brasil,
00:29:54quanto desse investimento
00:29:56foi para descobrir
00:29:57o enorme potencial
00:29:59econômico
00:29:59da Amazônia?
00:30:01Foi pouco.
00:30:02Foi pouco.
00:30:03Investimentos
00:30:03em ciência e tecnologia
00:30:04no Brasil
00:30:04na Amazônia
00:30:05são muito pequenos.
00:30:06A Amazônia
00:30:07tem 10,
00:30:0811% da população
00:30:09brasileira,
00:30:10do PIB brasileiro
00:30:11e recebe menos
00:30:11de 2%
00:30:12do investimento
00:30:13em ciência e tecnologia.
00:30:14Isso é verdade
00:30:15em todos os países
00:30:15amazônicos.
00:30:16Então,
00:30:17nós estamos investindo
00:30:17muito em ciência
00:30:19e tecnologia
00:30:19na Amazônia
00:30:20de forma muito
00:30:21inovadora,
00:30:22disruptiva,
00:30:23essa ideia
00:30:23do Instituto
00:30:24de Tecnologia
00:30:25da Amazônia.
00:30:26É uma forma
00:30:27também de garantir
00:30:29um pouco de
00:30:32até de estabelecer
00:30:34um ordenamento
00:30:34jurídico
00:30:35mais concreto
00:30:37no que tange
00:30:38também
00:30:39a propriedade
00:30:39intelectual
00:30:40do que é extraído
00:30:43e do que pode
00:30:43ser processado,
00:30:44visto que
00:30:45as comunidades
00:30:46ribeirinhas
00:30:47e indígenas
00:30:48de forma geral
00:30:48são justamente
00:30:49os detentores
00:30:51do conhecimento
00:30:53tradicional
00:30:54e que às vezes
00:30:56acabam entregando
00:30:57de graça
00:30:58isso para grandes
00:30:58corporações
00:30:59que ou fazem
00:31:00através da biopirataria
00:31:01ou extraem isso
00:31:02através da biopirataria
00:31:03ou extraem
00:31:04o conhecimento,
00:31:06levam embora,
00:31:07usam ali
00:31:08a mão de obra,
00:31:10não pagam nada
00:31:11ou pagam uma miséria
00:31:12só de contrapartida.
00:31:16Concordo, né?
00:31:17Então,
00:31:18um pouco disso,
00:31:18quando o protocolo
00:31:20de Nagoya
00:31:20foi estabelecido
00:31:21em 2012,
00:31:24criou-se
00:31:25um mecanismo
00:31:26importante,
00:31:27chamado
00:31:28acesso
00:31:29à informação
00:31:30da biodiversidade
00:31:31e repartição
00:31:32dos benefícios.
00:31:33A ideia é a seguinte,
00:31:34uma empresa
00:31:34fora da Amazônia,
00:31:36fora das florestas
00:31:37tropicais,
00:31:38vai,
00:31:39explora um produto
00:31:40da biodiversidade
00:31:42tropical
00:31:43e aquele produto
00:31:46existe dentro
00:31:47de uma comunidade
00:31:48indígena,
00:31:49de uma comunidade
00:31:49local,
00:31:50e aí ele
00:31:51reparte um pouco
00:31:53dos lucros
00:31:54que a exploração
00:31:55daquele produto,
00:31:56por exemplo,
00:31:56um novo fármaco,
00:31:58um novo cosmético,
00:31:59um novo alimento.
00:32:01Só que essa remuneração
00:32:03é muito pequena.
00:32:04Na lei brasileira,
00:32:05ela colocou lá
00:32:06um valor
00:32:06entre 0,2
00:32:08e 1%
00:32:09dos lucros.
00:32:10Isso é muito pouco.
00:32:11Então,
00:32:12a ideia
00:32:12do Instituto de Tecnologia
00:32:13da Amazônia
00:32:14é trazer toda
00:32:15essa capacitação
00:32:16para dentro
00:32:17da Amazônia,
00:32:18inclusive
00:32:19comunidades
00:32:20locais,
00:32:21ribeirinhos,
00:32:22quilombolas
00:32:22e principalmente
00:32:23indígenas.
00:32:25Essas comunidades
00:32:26todas,
00:32:27no desenho
00:32:28desse Instituto,
00:32:29nós já estamos
00:32:30em contato
00:32:30com comunidades,
00:32:32com líderes indígenas,
00:32:33todos querem
00:32:34que isso seja
00:32:35trazido
00:32:36para dentro
00:32:36da Amazônia,
00:32:37eles querem
00:32:37ser capacitados,
00:32:39eles querem
00:32:40desenvolver
00:32:41biofábricas,
00:32:42nas comunidades
00:32:44ribeirinhas,
00:32:45comunidades indígenas,
00:32:46eles querem
00:32:47trazer a industrialização
00:32:49para dentro
00:32:50das suas sociedades,
00:32:51trazer a agregação
00:32:52de valor,
00:32:53então,
00:32:54essa é
00:32:54bastante discutível,
00:32:56vai até,
00:32:57vamos dizer assim,
00:32:58mostrar que
00:32:59é possível
00:33:00que a maior parte
00:33:01do lucro
00:33:02dessa industrialização
00:33:04fique com as comunidades,
00:33:05com os povos
00:33:06amazônicos todos,
00:33:07inclusive
00:33:07populações urbanas,
00:33:08e não somente
00:33:09aquele 0,2%
00:33:10e 1%
00:33:11do lucro
00:33:13que uma companhia
00:33:13que vem
00:33:14totalmente de fora,
00:33:15e normalmente
00:33:15de fora até
00:33:16da Amazônia,
00:33:16de fora dos países
00:33:17amazônicos,
00:33:18com enorme capacidade
00:33:20de industrialização,
00:33:21que ela fique
00:33:23com 99%
00:33:24de lucros,
00:33:25é trazer
00:33:26muito mais
00:33:26desse benefício
00:33:27econômico
00:33:28para todas
00:33:29as populações
00:33:30amazônicas.
00:33:30biofábrica
00:33:35é melhor
00:33:35do que cassino,
00:33:36né?
00:33:38Tem gente
00:33:40que defende
00:33:41o desenvolvimento
00:33:42dessas comunidades
00:33:43de outra
00:33:44forma.
00:33:46Vamos falar
00:33:47um pouquinho
00:33:47sobre o estado
00:33:49atual
00:33:49do próprio
00:33:51bioma,
00:33:52o senhor
00:33:52formulou
00:33:55essa hipótese
00:33:56do risco
00:33:56de savanização
00:33:57da Amazônia
00:33:58e iniciou
00:34:00o nosso programa
00:34:01falando justamente
00:34:02alertando sobre isso,
00:34:03né?
00:34:03A gente
00:34:03vem acompanhando
00:34:05o recorde
00:34:07aí de desmatamento,
00:34:09os recordes,
00:34:10né,
00:34:10que são batidos,
00:34:11hoje mesmo saiu
00:34:12aí um novo
00:34:13dado,
00:34:15aqui o,
00:34:15a gente,
00:34:16nossa produção
00:34:17separou aqui,
00:34:17o Amazon,
00:34:18que é o Instituto
00:34:19do Homem e Meio Ambiente
00:34:19da Amazônia,
00:34:20prevê mais de 11 mil
00:34:21quilômetros quadrados
00:34:22de desmatamento
00:34:22na Amazônia
00:34:23para 2023,
00:34:25para este ano,
00:34:25caso o ritmo
00:34:27atual permaneça.
00:34:28Seria o quarto
00:34:29ano seguido
00:34:30com mais de 10 mil
00:34:31quilômetros
00:34:31desmatados.
00:34:34A floresta
00:34:35realmente corre
00:34:36risco de desaparecer,
00:34:38professor,
00:34:39e o impacto
00:34:41disso
00:34:41no regime
00:34:42de chuvas
00:34:43para todo
00:34:44o nosso
00:34:45meio ambiente,
00:34:47tanto no Brasil
00:34:48como no mundo.
00:34:48A importância,
00:34:49eu queria que o senhor
00:34:49pudesse
00:34:51dar mais,
00:34:54trazer mais,
00:34:55justamente mais
00:34:55para a nossa realidade
00:34:56aqui do espectador
00:34:57leigo,
00:34:58a importância
00:35:00do bioma
00:35:00para a regulação
00:35:02da temperatura
00:35:03do planeta,
00:35:04das chuvas,
00:35:05de tudo.
00:35:08Inicialmente,
00:35:09deixa eu só elogiar
00:35:10o trabalho
00:35:11desse método
00:35:14que o Amazon
00:35:14desenvolveu,
00:35:16junto com parcerias
00:35:19com grupos
00:35:20de empresas
00:35:21de digitalização
00:35:23são importantes,
00:35:24é um método
00:35:25muito inteligente,
00:35:27super avançado,
00:35:28usando
00:35:29um mecanismo
00:35:30que se chama
00:35:30inteligência artificial,
00:35:32que eles simplesmente
00:35:32mapearam
00:35:33como
00:35:35se você
00:35:36vai,
00:35:38se você abre
00:35:39uma estrada
00:35:40de uma imensa
00:35:42quantidade,
00:35:43centenas de milhares
00:35:44de quilômetros
00:35:44de estradas
00:35:45ilegais,
00:35:46você consegue saber,
00:35:48abriu aquela estrada,
00:35:49em um ano,
00:35:50dois anos,
00:35:50três anos,
00:35:51quatro anos,
00:35:51quanto que vai ser
00:35:52desmatado ao redor
00:35:53daquela estrada.
00:35:55Então,
00:35:55em função
00:35:55do que já vem
00:35:56sendo aberto
00:35:57na Amazônia,
00:35:59essa inteligência artificial
00:36:00vai,
00:36:00detecta o lugar
00:36:01que essas estradas
00:36:02estão sendo abertas
00:36:03e falam,
00:36:04olha,
00:36:04se continuar
00:36:05esse desmatamento
00:36:06que a gente está
00:36:06observando há anos
00:36:07e anos,
00:36:09aí vai passar
00:36:10de 11 mil
00:36:10quilômetros quadrados
00:36:11em 2023.
00:36:13Mas o próprio
00:36:14Amazon,
00:36:15ao lançar
00:36:16essa prevenção,
00:36:18essa previsão,
00:36:19mas eles querem
00:36:20chamar isso
00:36:20de prevenção,
00:36:22olha,
00:36:22não deixe
00:36:23acontecer isso,
00:36:24combatam a ilegalidade,
00:36:26mais de 90%
00:36:27dos desmatamentos
00:36:28que são
00:36:28Amazonas
00:36:28são ilegais,
00:36:30então,
00:36:30é essa a ideia,
00:36:31é muito
00:36:33importante,
00:36:34portanto,
00:36:35ter,
00:36:35vamos dizer assim,
00:36:37uma maneira
00:36:40de combater
00:36:42o que pode,
00:36:43o que vem acontecendo
00:36:44principalmente
00:36:44nos últimos
00:36:45quatro anos
00:36:45e mostrar
00:36:47que é possível,
00:36:48sim,
00:36:48reduzir o desmatamento,
00:36:50mas tem que combater
00:36:51muito a ilegalidade.
00:36:54Então,
00:36:55é um pouco
00:36:56a ideia
00:36:57que vocês estão mostrando
00:36:58agora,
00:36:59é um pouco
00:37:00essa ideia
00:37:01da criação
00:37:02desses,
00:37:03laboratórios
00:37:04criativos
00:37:06de você
00:37:08começar a demonstrar
00:37:10a potencial
00:37:10com a indústria 4.0
00:37:12de ter
00:37:14esse desenvolvimento
00:37:17focado muito
00:37:19nas comunidades
00:37:20amazônicas,
00:37:21rurais,
00:37:22mas também urbanas,
00:37:23com industrialização,
00:37:25com enorme potencial
00:37:26dos produtos
00:37:27da floresta,
00:37:28tem.
00:37:29Essa é um pouco
00:37:30a ideia geral
00:37:30do Amazônia 4.0,
00:37:32temos esse componente
00:37:34de demonstrar
00:37:35na prática
00:37:36essa possibilidade,
00:37:38já vamos levar
00:37:39agora
00:37:40o primeiro laboratório
00:37:42na cadeia
00:37:42do cupuaçu e do cacau
00:37:44para comunidades
00:37:44produtoras
00:37:46de cupuaçu e cacau
00:37:47no estado do Pará,
00:37:48já temos vários desenhos
00:37:50de laboratórios
00:37:50da cadeia da castanha,
00:37:52cadeia
00:37:52de óleos,
00:37:55azeites,
00:37:56gourmet,
00:37:57também de sequenciamento
00:37:58genômico,
00:37:59como fazer um sequenciamento
00:38:01do potencial genético
00:38:03dos produtos
00:38:03da Amazônia,
00:38:05desenvolvemos um sistema
00:38:07de registrar
00:38:08nesse chamado
00:38:09blockchain,
00:38:10então tudo isso
00:38:10nós queremos agora
00:38:11ter escala
00:38:13para esse projeto
00:38:14e associar isso
00:38:15obviamente
00:38:16com a criação
00:38:16do Instituto de Tecnologia
00:38:18da Amazônia
00:38:19e o terceiro componente
00:38:21do Amazônia 4.0
00:38:23é
00:38:23a chamada
00:38:25Escola de Negócios
00:38:28da Floresta Sustentável,
00:38:30em inglês
00:38:30Amazonas
00:38:31Rainforest Business School,
00:38:32nós queremos também
00:38:33desenvolver
00:38:34também no escopo
00:38:37do Instituto de Tecnologia
00:38:38da Amazônia,
00:38:39mas usando muito
00:38:40desses laboratórios
00:38:41criativos,
00:38:42uma escola de negócios
00:38:45voltado para essa economia,
00:38:47bioeconomia
00:38:48de floresta em pé
00:38:49para capacitar
00:38:51um grande número
00:38:52de futuros empreendedores,
00:38:54eco-empreendedores,
00:38:56então também
00:38:56nós começamos
00:38:57a desenvolver
00:38:58esse projeto
00:38:58da Escola de Negócios
00:39:00da Floresta em Pé,
00:39:03já desenhamos
00:39:0420 cursos,
00:39:05já começamos
00:39:06a produção desses cursos
00:39:07numa plataforma online,
00:39:09então em breve,
00:39:10em um a dois anos,
00:39:11nós teremos
00:39:11essa escola de negócios
00:39:13já disponível
00:39:14para todas
00:39:15as universidades
00:39:16da Amazônia,
00:39:16para as comunidades,
00:39:17para se capacitarem
00:39:19para fazerem
00:39:20os negócios
00:39:20sustentáveis
00:39:21na Amazônia.
00:39:23Essa escola de negócios
00:39:24ainda não está pronta,
00:39:25não,
00:39:25ela vai ser lançada ainda,
00:39:26daqui a um,
00:39:27dois anos,
00:39:27é isso?
00:39:28Ela não está pronta,
00:39:29nós estamos exatamente
00:39:30lançando agora,
00:39:31começando,
00:39:32já identificamos
00:39:33os professores,
00:39:35os pesquisadores
00:39:35que produzirão
00:39:36esses 20 cursos
00:39:37e estamos agora
00:39:39na busca
00:39:41de recursos
00:39:41para implementar
00:39:43essa escola de negócios.
00:39:44Quando o senhor fala
00:39:45estamos,
00:39:45quem mais está envolvido
00:39:46nesse projeto
00:39:47e que tipo de parceria
00:39:53vocês estão buscando?
00:39:56É a parceria
00:39:57não só acadêmica,
00:39:58a parceria
00:39:59com iniciativa privada,
00:40:01com o próprio Estado?
00:40:01Então,
00:40:04nós estamos agora,
00:40:05eu diria que
00:40:06abre-se uma porta
00:40:07muito grande,
00:40:08até agora
00:40:09o projeto
00:40:10Amazônia 4.0
00:40:11não tinha
00:40:12ainda
00:40:13conseguido
00:40:15nenhuma parceria
00:40:16com o governo federal.
00:40:19Nos anos anteriores
00:40:21tivemos até
00:40:22a oportunidade
00:40:23de
00:40:24apresentar
00:40:27as ideias
00:40:27do projeto
00:40:28para aquele
00:40:28Conselho da Amazônia,
00:40:30um subgrupo
00:40:31de economia,
00:40:32mas nunca houve
00:40:33nenhuma manifestação
00:40:35de interesse
00:40:36do governo federal.
00:40:37Nós já temos
00:40:38parceria com o governo
00:40:40do Estado do Pará,
00:40:43o governador
00:40:44Heldo Barbário
00:40:45já está dando
00:40:46parceria e apoio,
00:40:48mas assim,
00:40:49o governo federal
00:40:50nós nunca tivemos.
00:40:51Então,
00:40:51estamos otimistas
00:40:52que agora
00:40:53nós teremos
00:40:54uma parceria
00:40:54muito importante
00:40:56com o governo federal,
00:40:57com outros,
00:40:58com governos estaduais,
00:41:00para todos os componentes
00:41:01do Amazônia 4.0,
00:41:03a criação
00:41:03da Escola de Negócios,
00:41:05a criação
00:41:05do Instituto Tecnologia
00:41:06da Amazônia,
00:41:07a multiplicação
00:41:08desses laboratórios
00:41:09de capacitação
00:41:10de comunidades
00:41:11para industrialização.
00:41:13Então,
00:41:13estamos bastante
00:41:14otimistas
00:41:14e aí também
00:41:15queremos trazer
00:41:16fortemente
00:41:17o setor privado.
00:41:18Esse é o momento
00:41:19que nós estamos
00:41:20vivendo no projeto
00:41:21agora,
00:41:22mas estamos
00:41:23com bastante
00:41:23otimismo
00:41:24que nós vamos
00:41:25conseguir,
00:41:26de fato,
00:41:27a expansão
00:41:28desse projeto
00:41:29em escala
00:41:30de toda
00:41:31a Amazônia brasileira.
00:41:34Só para esclarecer,
00:41:36a gente tem um site,
00:41:36tem o site
00:41:37amazônia4.org,
00:41:40quem quiser
00:41:40ter mais informações
00:41:41sobre isso
00:41:42pode acessar o site.
00:41:43Quem é que
00:41:44financia a pesquisa,
00:41:47professor?
00:41:47Quem é que está
00:41:48nesse apoio?
00:41:49Que organizações
00:41:51estão envolvidas nisso?
00:41:52Perfeito.
00:41:54Nós tivemos
00:41:55até agora
00:41:57um financiamento
00:41:59dominante
00:42:00de filantropias.
00:42:03Então,
00:42:04para esses
00:42:04vários componentes
00:42:05do Amazônia 4.0,
00:42:08os três componentes
00:42:08que eu mencionei,
00:42:09os laboratórios criativos,
00:42:10a Escola de Negócios
00:42:12Sustentáveis da Floresta
00:42:13e o Instituto
00:42:14de Tecnologia
00:42:15da Amazônia,
00:42:16nós conseguimos
00:42:16financiamento
00:42:17de filantropias.
00:42:18O Instituto
00:42:19Arapiaú,
00:42:20de Filantropias Brasileiras,
00:42:22Instituto Arapiaú,
00:42:23Instituto Humanize,
00:42:26tivemos um financiamento
00:42:28também de uma
00:42:29filantropia
00:42:29americana
00:42:31da Califórnia,
00:42:32a Fundação
00:42:33More,
00:42:35e tivemos também
00:42:36o financiamento
00:42:37do Banco Interamericano
00:42:39de Desenvolvimento,
00:42:41laboratório de inovação
00:42:42do BIT,
00:42:43que está
00:42:44nos financiando
00:42:46para fazer
00:42:46esses exercícios
00:42:48de capacitação
00:42:49com esse laboratório
00:42:50que ocupou
00:42:50açúcar,
00:42:51cal,
00:42:52nessas comunidades
00:42:53amazônicas.
00:42:53Então,
00:42:54esses,
00:42:54por enquanto,
00:42:55foram os financiamentos
00:42:57que nós
00:42:57comemos
00:42:58suficientes
00:43:00para a gente
00:43:00tocar o início
00:43:01desse projeto,
00:43:02mas agora
00:43:03estamos muito
00:43:04otimistas
00:43:04que nós vamos
00:43:05expandir muito
00:43:06o financiamento
00:43:08do Amazônia 4.0,
00:43:10inclusive com
00:43:10parcerias
00:43:11com o setor
00:43:11privado
00:43:12e também,
00:43:13finalmente,
00:43:14com parcerias
00:43:15com o governo,
00:43:17o governo federal,
00:43:18e vários
00:43:20governos.
00:43:23O governo atual,
00:43:25inclusive,
00:43:25já reativou
00:43:26o fundo
00:43:26da Amazônia
00:43:27e já anunciou
00:43:28pelo menos
00:43:303 bilhões
00:43:31que podem ser investidos.
00:43:32Esse seria
00:43:32um projeto
00:43:33fundamental
00:43:34para ser
00:43:36apoiado
00:43:37pelo fundo.
00:43:39Imagino que sim.
00:43:40totalmente.
00:43:43Por sinal,
00:43:44no primeiro momento
00:43:45da criação
00:43:46do Amazônia 4.0,
00:43:48foi no final
00:43:49de 2018,
00:43:51nós tivemos
00:43:52uma reunião
00:43:53com
00:43:54o fundo Amazônia,
00:43:57lá no Rio de Janeiro,
00:43:58foi em dezembro
00:43:59de 2018,
00:44:01e o fundo Amazônia
00:44:02estava
00:44:03muito interessado
00:44:04e eles pediram
00:44:05para nós
00:44:06prepararmos
00:44:07uma proposta
00:44:08de um valor
00:44:10muito,
00:44:11milhões e milhões
00:44:12e milhões
00:44:12de dólares,
00:44:13eles gostaram muito
00:44:14e eles queriam
00:44:15que nós financiássemos,
00:44:16que nós construíssemos
00:44:17pelo menos
00:44:187 desses laboratórios
00:44:20de capacitação
00:44:21de 7 cadeias
00:44:22de produtos
00:44:23da Amazônia,
00:44:24esses que eu mencionei,
00:44:25o açúcar cala,
00:44:27açaí,
00:44:27castanha,
00:44:29azeite de comer,
00:44:31também
00:44:31um ou dois
00:44:33recursos genéticos,
00:44:35um também
00:44:36do potencial
00:44:36de exploração
00:44:37de fungos
00:44:38e tudo isso
00:44:40estava indo muito bem,
00:44:42a gente começou
00:44:43a preparar
00:44:44o projeto
00:44:45para o fundo Amazônia
00:44:46no começo
00:44:47de 2019,
00:44:48mas como nós
00:44:49infelizmente
00:44:51lembramos,
00:44:52logo no começo
00:44:53o fundo Amazônia
00:44:55parou,
00:44:56o fundo Amazônia
00:44:56foi quase que
00:44:57totalmente desativado,
00:44:59então,
00:45:00logicamente,
00:45:00com a reativação
00:45:01do fundo Amazônia
00:45:02agora,
00:45:02nós certamente
00:45:04esperamos
00:45:05que o fundo Amazônia
00:45:06também volte
00:45:08a apoiar muito
00:45:10o projeto
00:45:10Amazônia 4.0
00:45:11em todos os seus componentes,
00:45:13o que certamente
00:45:14nos permitirá
00:45:16dar uma escala
00:45:17muito maior,
00:45:18multiplicar por 5,
00:45:1910
00:45:19as atividades
00:45:20do Amazônia 4.0.
00:45:22Professor,
00:45:23a gente,
00:45:24o senhor citou
00:45:24um pouco antes
00:45:26a sua preocupação
00:45:28com o crime organizado
00:45:30nessas áreas,
00:45:31a gente falou
00:45:31de grilagem,
00:45:33há pouco tempo
00:45:33que tivemos
00:45:34a morte
00:45:35bárbara
00:45:36de um fiscal
00:45:38e de um jornalista
00:45:39também,
00:45:41uma morte
00:45:42que foi
00:45:42parcialmente
00:45:43esclarecida,
00:45:44mas que
00:45:44trouxe à tona
00:45:45todo um debate
00:45:46sobre
00:45:46a presença
00:45:48já bastante
00:45:50enraizada
00:45:51e disseminada
00:45:53do crime
00:45:53organizado
00:45:54na Amazônia,
00:45:54eu trouxe aqui
00:45:55até o
00:45:56Jorge Pontes,
00:45:57que foi um
00:45:58delegado,
00:45:59talvez o primeiro
00:45:59delegado
00:46:00da Polícia Federal
00:46:00a liderar
00:46:02o processo
00:46:02de se
00:46:04constituir
00:46:05uma política
00:46:06de repressão
00:46:06a crimes
00:46:08ambientais
00:46:09no Brasil,
00:46:11tivemos também
00:46:12o anúncio
00:46:12agora de que
00:46:13a polícia
00:46:14vai ter uma direção
00:46:15específica,
00:46:15uma diretoria
00:46:16específica
00:46:17para cuidar
00:46:18de repressão
00:46:19a crimes ambientais,
00:46:20o que já é
00:46:21um grande avanço
00:46:22também,
00:46:23e nessas conversas
00:46:25que eu tive aqui
00:46:25anteriormente,
00:46:26conversei também
00:46:27com Gabeira,
00:46:27com pessoas
00:46:28que se dedicam
00:46:28a isso,
00:46:29com o MINK,
00:46:30e sempre
00:46:30todos eles alertaram
00:46:32sobre esse
00:46:34consórcio criminoso
00:46:36que se apoderou,
00:46:37que vem se ocupando,
00:46:39que vem ocupando,
00:46:40perdão,
00:46:41espaço na Amazônia,
00:46:43e aí envolve
00:46:44uma cadeia de crimes,
00:46:45envolve não só
00:46:46a grilagem,
00:46:47mas também a
00:46:48exploração de minério,
00:46:50a biopirataria,
00:46:51o tráfico de drogas,
00:46:52armas, etc.
00:46:55Qual a importância,
00:46:56que grau de importância
00:46:57o senhor daria,
00:46:58que tipo de apelo
00:46:58o senhor faria
00:46:59a esse novo governo
00:47:01nesse sentido
00:47:03de, olha,
00:47:06esse combate
00:47:07precisa vir primeiro,
00:47:10ou ele,
00:47:11e naturalmente,
00:47:12claro,
00:47:12com o desenvolvimento
00:47:13a partir dessas
00:47:14iniciativas todas
00:47:15de preparação,
00:47:19de abertura
00:47:22do mercado
00:47:22para esse desenvolvimento
00:47:25até de um mercado
00:47:26específico,
00:47:27de uma economia,
00:47:27de uma bioeconomia
00:47:28relacionada
00:47:30à região toda,
00:47:32só que isso é uma coisa
00:47:33que leva tempo,
00:47:33às vezes uma geração,
00:47:34duas gerações,
00:47:35três gerações,
00:47:36e o crime não,
00:47:37o crime,
00:47:38ele já está lá
00:47:39e ele vem,
00:47:40ele tem uma velocidade
00:47:41muito maior,
00:47:41porque naturalmente
00:47:42não precisa respeitar
00:47:43processo nenhum,
00:47:45lei nenhuma,
00:47:46ele apenas vem
00:47:48e o que move
00:47:49é a força do dinheiro
00:47:50e a força da violência.
00:47:51que tipo de apelo,
00:47:53que tipo de,
00:47:55como o senhor enxerga
00:47:56a necessidade de se combater?
00:47:57Há uma forma,
00:47:58o senhor consegue,
00:48:00pelo seu conhecimento,
00:48:01pelas conversas
00:48:01que o senhor já teve,
00:48:02pelas redes de contato
00:48:04que o senhor tem,
00:48:05o senhor entende
00:48:05que esse tipo de combate,
00:48:07de repressão
00:48:09a esses crimes
00:48:09precisa ser feita
00:48:10de forma diferente
00:48:12para se tornar
00:48:13mais efetiva?
00:48:14Que tipo de contribuição
00:48:15o senhor daria
00:48:16para esse debate
00:48:16de como lidar
00:48:19com a violência,
00:48:20com o crime organizado
00:48:21na região?
00:48:24Logicamente,
00:48:25o crime organizado
00:48:26na região,
00:48:27o crime ambiental,
00:48:28ele sempre existiu.
00:48:30Lá atrás,
00:48:31na década de 70,
00:48:32quando os militares
00:48:33expandiram
00:48:34os movimentos
00:48:35na Amazônia,
00:48:35não era crime.
00:48:37Desmatar não era crime.
00:48:39Depois,
00:48:39virou crime
00:48:40e a mineração
00:48:41quase toda
00:48:42sempre foi criminosa,
00:48:44mineração ilegal.
00:48:46Cerca de 80%
00:48:48da madeira
00:48:49extraída da Amazônia
00:48:50é ilegal.
00:48:51Então,
00:48:52o crime tomou conta.
00:48:53E, infelizmente,
00:48:54nos últimos quatro anos,
00:48:55o crime explodiu
00:48:57porque houve um sinal,
00:48:59um discurso
00:49:00do ex-presidente
00:49:01totalmente favorável.
00:49:03Aquele modelo
00:49:03de 50 anos atrás
00:49:05de tirar a floresta,
00:49:07que não tinha nenhum valor,
00:49:09de trazer a mineração ilegal,
00:49:11mineração em terras indígenas,
00:49:12tudo de forma ilegal.
00:49:14Então,
00:49:14o crime explodiu
00:49:15e também
00:49:16como você falou,
00:49:18o crime agora
00:49:19cada vez mais
00:49:20é organizado.
00:49:22Quer dizer,
00:49:23quadrilhas,
00:49:24até mesmo
00:49:24essas
00:49:25organizações criminosas
00:49:27terríveis
00:49:28como o TCC,
00:49:29CV,
00:49:29elas se expandiram
00:49:30para toda a Amazônia,
00:49:32se articularam
00:49:33com o narcotráfico,
00:49:35muito associado
00:49:36com o assassinato
00:49:37do Bruno Pereira
00:49:38e do jornalista
00:49:41Dom Philips.
00:49:42Então,
00:49:44esse é um enorme desafio.
00:49:46É um enorme desafio.
00:49:47Cresceu demais
00:49:48o crime organizado,
00:49:50se organizou muito mais,
00:49:51é internacional,
00:49:52tem que haver
00:49:52uma colaboração
00:49:53em todos os países
00:49:54amazônicos,
00:49:56mas,
00:49:56por outro lado,
00:49:58quase todo
00:49:58esse crime organizado
00:50:00é visível
00:50:01diariamente,
00:50:02porque
00:50:03os satélites,
00:50:04os sistemas
00:50:05de monitoramento,
00:50:06eles avançaram
00:50:07tanto,
00:50:08por exemplo,
00:50:09o sistema
00:50:10que o Instituto Nacional
00:50:11de Pesquisas Espaciais,
00:50:13o INPE,
00:50:14desenvolveu,
00:50:15como a do DETER,
00:50:16que tem um
00:50:17muito avançado
00:50:18que chama DETER Intenso,
00:50:19eles detectam
00:50:20o crime
00:50:21praticamente
00:50:22no dia do crime,
00:50:23dois,
00:50:24três dias depois,
00:50:24se tiver cobertura
00:50:25de nuvens,
00:50:26seja uma pista
00:50:27clandestina
00:50:28de avião
00:50:28em mineração ilegal,
00:50:29seja grilagem
00:50:30de terra,
00:50:31seja abertura
00:50:32de uma estrada ilegal,
00:50:33tudo isso é detectado
00:50:34imediatamente.
00:50:35Esse sistema DETER
00:50:37foi muito importante
00:50:38quando o Brasil
00:50:39conseguiu reduzir
00:50:40em 83%
00:50:41o desmatamento
00:50:42de 2004
00:50:44a 2012.
00:50:47Então,
00:50:47isso tudo existe,
00:50:48melhorou demais
00:50:49daquela época
00:50:50para hoje,
00:50:50os sistemas
00:50:51de monitoramento
00:50:52que tem inúmeros sistemas
00:50:53em todo o mundo
00:50:54e no Brasil também,
00:50:56o sistema do INPE,
00:50:57o DETER,
00:50:57o sistema de matriomas
00:50:58que monitoram
00:51:00muito bem
00:51:01toda a ilegalidade
00:51:02dos desmatamentos.
00:51:05Então,
00:51:05quer dizer,
00:51:06a informação
00:51:06para atuar
00:51:07no crime existe
00:51:08e também
00:51:09tem que ter
00:51:10uma informação,
00:51:11uma atuação
00:51:12muito grande
00:51:13da polícia,
00:51:14das polícias,
00:51:15principalmente
00:51:15da Polícia Federal
00:51:16para descobrir
00:51:17quem financia o que,
00:51:19quem financia,
00:51:19atacar e vetar
00:51:21o financiamento
00:51:22do crime.
00:51:23Então,
00:51:23isso é um enorme desafio,
00:51:25nada fácil,
00:51:26mas é possível
00:51:27sim atuar,
00:51:28porque não é um crime
00:51:29de uma coisa
00:51:30completamente
00:51:30que não se dê,
00:51:33às vezes,
00:51:33o narcotráfico
00:51:34é muito mais difícil,
00:51:35você não enxerga
00:51:35por onde está
00:51:36acontecendo
00:51:37o narcotráfico,
00:51:37não,
00:51:38o crime ambiental
00:51:40na Amazônia,
00:51:41você vê no mesmo dia,
00:51:42no dia seguinte,
00:51:43que os satélites
00:51:44detectam totalmente isso.
00:51:46Então,
00:51:47nesse ponto de vista,
00:51:49precisamos,
00:51:49quase,
00:51:50entre aspas,
00:51:50uma guerra,
00:51:52porque são dezenas
00:51:53e dezenas
00:51:53e dezenas
00:51:54de milhares
00:51:54de criminosos
00:51:55atuando lá na Amazônia,
00:51:57na grilagem de terra,
00:51:58no desmatamento,
00:51:59no roubo de madeira,
00:52:01na mineração ilegal,
00:52:02dezenas e dezenas
00:52:03de milhares de criminosos,
00:52:05mas é muito importante
00:52:06o Brasil
00:52:08e outros países
00:52:09amazônicos,
00:52:10numa grande parceria,
00:52:11atacarem o crime.
00:52:13É possível, sim,
00:52:14derrubar
00:52:15esse crime ambiental.
00:52:17O senhor acha
00:52:18que é fundamental
00:52:19nessa estratégia
00:52:22de atuação
00:52:23também a participação
00:52:24dos militares,
00:52:26que sempre estiveram
00:52:27presentes também
00:52:28nessas comunidades
00:52:29mais lodínquas,
00:52:30em função
00:52:30das fronteiras,
00:52:32da necessidade
00:52:33de ter a política
00:52:33de defesa das fronteiras?
00:52:36Olha,
00:52:37é lógico
00:52:38que a defesa
00:52:39das fronteiras,
00:52:40e isso tem sido
00:52:40um desafio muito grande
00:52:42por décadas
00:52:44e décadas
00:52:45e décadas,
00:52:46no narcotráfico.
00:52:47Não é um desafio
00:52:49muito grande,
00:52:50o narcotráfico
00:52:50só cresce mundialmente
00:52:52e cresce,
00:52:53obviamente,
00:52:53na Amazônia também,
00:52:54principalmente a cocaína
00:52:56que vem lá
00:52:57da Colômbia,
00:52:58do Peru,
00:52:59Bolívia.
00:53:00E passa pelo Brasil
00:53:02também,
00:53:03grande parte
00:53:03da cocaína exportada
00:53:04tanto para o Brasil
00:53:06quanto para a Europa,
00:53:06ela passa pelo Brasil.
00:53:08Então,
00:53:09logicamente,
00:53:10a presença
00:53:11dos militares
00:53:12na fronteira
00:53:12é muito importante
00:53:14para a segurança
00:53:15nacional.
00:53:16Agora,
00:53:16na questão
00:53:17dos matamentos,
00:53:18da grilagem,
00:53:19da mineração ilegal,
00:53:21no passado,
00:53:24isso era controlado
00:53:25muito mais
00:53:25pelo Ibama,
00:53:26pela Polícia Federal,
00:53:27e os militares
00:53:28dando um importantíssimo
00:53:30apoio.
00:53:31Então,
00:53:32hoje,
00:53:34tem que voltar.
00:53:35Quer dizer,
00:53:35os militares
00:53:36continuam ajudando
00:53:37no que for necessário,
00:53:39mas o controle
00:53:40contra esse crime,
00:53:43que não é um crime
00:53:43de fronteira,
00:53:44pode ser também,
00:53:45mas não é necessariamente
00:53:46só de fronteira,
00:53:48ele tem que voltar
00:53:49a ser os órgãos
00:53:50que o marco legal brasileiro
00:53:53dá a determinação
00:53:54para fazer.
00:53:55órgãos de fiscalização
00:53:56federal,
00:53:57como o Ibama,
00:53:58a Polícia Federal,
00:53:59em parceria
00:54:00com as polícias
00:54:01estaduais,
00:54:02com o Ministério Público,
00:54:03e os militares,
00:54:04sem dúvida,
00:54:05podem se ajudar
00:54:06muito nesse esforço,
00:54:08principalmente no trabalho
00:54:09de campo,
00:54:10no trabalho,
00:54:11por exemplo,
00:54:12território indígena
00:54:13em Onomami,
00:54:14tem mais de 20 mil
00:54:15garimpeiros ilegais,
00:54:17e tem mais de 40,
00:54:1850 mil garimpeiros
00:54:19ilegais na Amazônia
00:54:20brasileira.
00:54:21Então,
00:54:22tem um trabalho
00:54:22de campo gigantesco,
00:54:25que é combater
00:54:26o crime
00:54:27lá na Amazônia.
00:54:28Então,
00:54:28também me parece
00:54:30importante,
00:54:31é controlado
00:54:32pelo Ibama,
00:54:34pela Polícia Federal,
00:54:36que conhece muito
00:54:37como combater
00:54:38esse crime,
00:54:39pelo belíssimo
00:54:40sucesso
00:54:41que tiveram
00:54:42até 10 anos atrás,
00:54:43mas também
00:54:45os militares,
00:54:46mas não podem
00:54:46controlar isso,
00:54:47tem que ser controlado
00:54:48pelos órgãos civis,
00:54:50pelo Ibama,
00:54:51pela Polícia Federal,
00:54:52pelas polícias estaduais.
00:54:53Maravilha.
00:54:55Eu queria voltar
00:54:55um pouquinho,
00:54:56aproveitando que a gente
00:54:57está entrando na reta
00:54:57final do programa,
00:54:58sobre essa questão
00:55:00climática.
00:55:02O senhor está
00:55:03em uma entrevista
00:55:03recente,
00:55:05chamou atenção
00:55:05sobre esses extremos
00:55:07climáticos,
00:55:09secas intensas
00:55:11e chuvas intensas.
00:55:13essa emergência
00:55:16climática,
00:55:17até que ponto
00:55:19ela é real,
00:55:22esses alertas
00:55:24são feitos
00:55:25com base
00:55:25na ciência,
00:55:26até que ponto
00:55:27é histeria,
00:55:29é uso político,
00:55:30porque naturalmente
00:55:31quando há
00:55:32o extremo
00:55:33de um lado,
00:55:33isso acaba sendo
00:55:34utilizado
00:55:35por outro lado.
00:55:37E no fundo,
00:55:37no fundo,
00:55:38o que a gente precisa
00:55:38é de um debate
00:55:39científico e não político,
00:55:40no que envolve
00:55:43essa questão
00:55:45da mudança climática?
00:55:47Olha,
00:55:47o que a ciência
00:55:49mostra hoje
00:55:50com clareza
00:55:51é que
00:55:52nós estamos
00:55:53experimentando
00:55:54extremos climáticos
00:55:55como secas,
00:55:56ondas de calor,
00:55:57chuvas intensas
00:55:58e consequências
00:56:00desses extremos
00:56:01como incêndios
00:56:02de vegetação
00:56:03que explodiram,
00:56:05efeitos na saúde
00:56:06e quebra
00:56:08de safra,
00:56:09ressacas.
00:56:12Nós estamos
00:56:13enfrentando
00:56:14hoje,
00:56:15em média,
00:56:173 até
00:56:1950 e 300%
00:56:23a mais
00:56:24desses fenômenos
00:56:25extremos,
00:56:26comparando com
00:56:26100 anos atrás,
00:56:28comparando com
00:56:29o começo
00:56:29do século
00:56:3020.
00:56:33Então,
00:56:34a ciência
00:56:35não deixa
00:56:35nenhuma dúvida
00:56:36que esse aumento
00:56:38de alguns eventos
00:56:40como chuvas
00:56:41intensas
00:56:42aumentam,
00:56:42aumentaram
00:56:4330,
00:56:4450%
00:56:44em todo o planeta,
00:56:45aqui no Brasil,
00:56:46já passaram
00:56:47de 50%,
00:56:48ondas de calor
00:56:49já aumentaram
00:56:50três vezes
00:56:52em relação
00:56:53a 100,
00:56:54120 anos
00:56:54atrás,
00:56:56não há
00:56:56nenhuma dúvida
00:56:57que é o
00:56:58aquecimento global
00:56:59que está causando
00:57:00esse aumento,
00:57:00esse aumento,
00:57:02da frequência
00:57:03dos extremos
00:57:03e também
00:57:04da quebra
00:57:05do recorde
00:57:07dos extremos.
00:57:08Nós tivemos,
00:57:09por exemplo,
00:57:10esse episódio
00:57:11de 230 milímetros
00:57:13de chuva
00:57:14em Petrópolis
00:57:14em 15 de fevereiro,
00:57:16em três horas,
00:57:18isso foi o maior
00:57:18nível de chuva
00:57:20da história
00:57:20de Petrópolis.
00:57:21O recorde
00:57:22de onda
00:57:23de calor
00:57:24no verão,
00:57:26na costa
00:57:27do Pacífico
00:57:29do Canadá,
00:57:30o recorde
00:57:30de temperatura
00:57:31no Alasca,
00:57:32o recorde
00:57:33de temperatura
00:57:33no Ártico,
00:57:34o recorde
00:57:34de temperatura
00:57:35no verão passado
00:57:36na Antártica,
00:57:37isso são todos
00:57:37fenômenos
00:57:38totalmente associados
00:57:40com o aquecimento
00:57:41global.
00:57:41Então,
00:57:42a ciência
00:57:43mostra isso
00:57:43com muita certeza,
00:57:45não há outra
00:57:46explicação
00:57:47e hoje
00:57:48o relatório
00:57:49do painel
00:57:49Intergovernamental
00:57:50das Minas Climáticas,
00:57:51o IPCC,
00:57:52ele deixou muito
00:57:53claro,
00:57:54esse último relatório
00:57:55publicado
00:57:55em 2021
00:57:57e 2022,
00:57:58que
00:57:58esses extremos
00:58:00são responsabilidade
00:58:01das ações humanas,
00:58:03do gás
00:58:03de efeito de estufa
00:58:04que nós estamos
00:58:05jogando na atmosfera,
00:58:06não é mais
00:58:07variabilidade natural.
00:58:09Então,
00:58:10não há nenhuma dúvida
00:58:11de se nós
00:58:12não nos prepararmos
00:58:13atendendo
00:58:14o enorme desafio,
00:58:15o maior desafio
00:58:16que a comunidade
00:58:17enfrentou,
00:58:18reduzir 50%
00:58:19das emissões
00:58:19de gás
00:58:20de efeito de estufa
00:58:20até 2030,
00:58:21acordo de Paris,
00:58:23a COP26
00:58:24em Glasgow
00:58:24em 2021
00:58:25e zerar
00:58:26as emissões líquidas
00:58:27antes da meados
00:58:28do século.
00:58:29Se nós não
00:58:30fizermos isso,
00:58:31todos esses extremos
00:58:32vão continuar
00:58:33acontecendo,
00:58:34cada vez com mais
00:58:35gravidade,
00:58:36nós vamos estar
00:58:36legando para gerações
00:58:38um bebê
00:58:39que nasce hoje,
00:58:41nesses cenários,
00:58:42esse bebê
00:58:43vai enfrentar
00:58:4520 vezes
00:58:46mais ondas
00:58:47de calor
00:58:47do que eu,
00:58:49que nasci
00:58:49em 1951.
00:58:5120 vezes
00:58:52mais ondas
00:58:52de calor
00:58:53do que eu.
00:58:54Então,
00:58:54só para dizer
00:58:55o mundo
00:58:56que nós estamos
00:58:56legando
00:58:57para essas futuras
00:58:58gerações
00:58:58se nós
00:58:59não tivermos
00:59:00sucesso
00:59:00no acordo
00:59:01de Paris.
00:59:02Muito bem.
00:59:03O Antônio Guterres,
00:59:05secretário-geral da ONU,
00:59:06ele se disse decepcionado
00:59:07com o texto final
00:59:08da COP27
00:59:09agora, né?
00:59:11Qual a sua avaliação?
00:59:14É a mesma dele?
00:59:15É,
00:59:16é a mesma dele
00:59:16no sentido
00:59:17de que,
00:59:18vamos dizer assim,
00:59:19o único progresso
00:59:20foi a criação
00:59:21do fundo de perdas
00:59:22e danos,
00:59:22foi criado
00:59:23no papel,
00:59:24não sei quantas
00:59:25COPES ainda
00:59:26vão precisar
00:59:26para que isso
00:59:27se torne
00:59:28uma realidade
00:59:29de centenas
00:59:30de bilhões
00:59:31de dólares
00:59:32para perdas
00:59:34e danos.
00:59:34Os países
00:59:36quase não emitem
00:59:37gases nenhum,
00:59:38não tem praticamente
00:59:39nenhuma culpa
00:59:40no aquecimento global
00:59:41e são as populações
00:59:42mais vulneráveis
00:59:43que mais sofrem
00:59:44o aquecimento global,
00:59:46os extremos climáticos.
00:59:48E isso foi criado
00:59:49no papel,
00:59:49mas foi muito pouco,
00:59:50né?
00:59:50porque as emissões
00:59:52continuam a aumentar,
00:59:542022 terá o ano
00:59:56da maior emissão
00:59:58da história,
00:59:59então,
01:00:00muito pouco
01:00:01tem sido feito
01:00:02para atender
01:00:03esse maior desafio
01:00:04da humanidade,
01:00:05reduzir em 50%
01:00:06as emissões
01:00:07até 2030
01:00:08e zerá-las
01:00:09até 2050.
01:00:11Então,
01:00:11o secretário-geral
01:00:12da ONU
01:00:13tem razão
01:00:13de que a COP27
01:00:15não avançou muito
01:00:16em cobrar
01:00:19a responsabilidade
01:00:21de todos os setores,
01:00:22setor industrial,
01:00:23setor de agricultura,
01:00:25todos os setores
01:00:25do planeta
01:00:26para essa grande redução.
01:00:28É uma grande
01:00:29preocupação do secretário
01:00:30e é uma grande
01:00:31preocupação
01:00:32da comunidade
01:00:32de cientistas.
01:00:34Eu, como cientista
01:00:35da área climática,
01:00:35estou muito preocupado
01:00:37que, se nós continuarmos
01:00:38nessa trajetória,
01:00:39o planeta pode aquecer,
01:00:42vai passar de 1,5 graus
01:00:43em menos de 10 anos,
01:00:45vai chegar em 2050
01:00:47com 2,2 graus
01:00:51e vai chegar até
01:00:52acima de 3 graus,
01:00:54pode chegar a 4 graus
01:00:55em 2100.
01:00:57É um planeta
01:00:57quase que inabitado.
01:01:01Muito bem.
01:01:02Bom,
01:01:04imagino que esse tema
01:01:05vai...
01:01:06O senhor vai estar
01:01:06no Fórum de Davos,
01:01:08o senhor deve participar
01:01:10de alguns painéis,
01:01:11nós teremos
01:01:12uma comitiva oficial
01:01:13também, o senhor espera
01:01:16algum tipo de avanço
01:01:19nesses diálogos,
01:01:20alguma medida prática,
01:01:22uma postura,
01:01:23uma sinalização
01:01:24do governo
01:01:26e de outros governos
01:01:27também?
01:01:28Olha, eu tenho certeza
01:01:30que a presença
01:01:31aparentemente confirmada
01:01:32do vice-presidente Alckmin,
01:01:34do ministro Fernando Haddad
01:01:35e da ministra Marina Silva,
01:01:37eles vão levar
01:01:39para Davos,
01:01:40que reúne toda
01:01:41comunidade financeira
01:01:43e comunidade industrial
01:01:44mundial
01:01:45e ONGs também,
01:01:47mundiais,
01:01:49eles vão levar
01:01:49essa nova mensagem
01:01:52do governo atual brasileiro.
01:01:53Então, vamos dizer assim,
01:01:54eles vão se comprometer
01:01:56com esse mundo econômico
01:01:58global
01:02:00que o Brasil mudou,
01:02:01que o Brasil vai mudar,
01:02:03que o Brasil vai combater
01:02:04o desmatamento da Amazônia,
01:02:05vai proteger
01:02:06todos os biomas brasileiros,
01:02:08vai buscar adaptação
01:02:10às mudanças climáticas
01:02:10e, com isso,
01:02:12eu acho que é um primeiro discurso
01:02:14ali logo em janeiro,
01:02:15antes de um mês
01:02:17do novo governo,
01:02:18mas que vai
01:02:18colocar o Brasil
01:02:20de novo
01:02:21no cenário global
01:02:23como um futuro
01:02:24que tem que ser muito rápido,
01:02:26mas um futuro
01:02:27líder,
01:02:28como nós estávamos
01:02:29caminhando até
01:02:30dez anos atrás,
01:02:31um protagonista
01:02:32do combate
01:02:33à emergência climática,
01:02:34proteção da biodiversidade,
01:02:36criação dessa nova
01:02:37bioeconomia,
01:02:39com proteção dos biomas
01:02:40todos brasileiros,
01:02:42eu acho que é uma posição
01:02:43muito importante
01:02:44do Brasil levar
01:02:45o mundo financeiro,
01:02:47o mundo econômico,
01:02:48o mundo industrial global
01:02:50e, com isso,
01:02:51logicamente,
01:02:52atrair investimentos
01:02:54de bilhões,
01:02:55bilhões,
01:02:56dezenas de bilhões
01:02:57de dólares
01:02:58que nós precisamos
01:02:59para transformar
01:03:00a nossa economia
01:03:01nessa economia sustentável.
01:03:03Eu estou muito otimista
01:03:04que a presença
01:03:05do vice-presidente Alckmin,
01:03:06ministros Haddad
01:03:07e Marina Silva
01:03:08vão comunicar
01:03:10a todo
01:03:11esse grupo
01:03:14econômico,
01:03:16financeiro,
01:03:17industrial,
01:03:17global,
01:03:18a seriedade
01:03:19desse governo brasileiro.
01:03:22Para finalizar,
01:03:23esse debate
01:03:24que é um debate
01:03:26nacional,
01:03:26é internacional,
01:03:28é preciso também
01:03:30fazer com que ele
01:03:32se espelhe,
01:03:33que ele,
01:03:34não só ele se dê
01:03:37do ponto de vista
01:03:38do executivo,
01:03:39mas também do legislativo.
01:03:43Hoje,
01:03:44no Congresso,
01:03:45nós temos algumas
01:03:45bancadas organizadas
01:03:46e talvez uma das mais
01:03:49organizadas e mais fortes
01:03:50seja justamente
01:03:50a do agronegócio.
01:03:54Que tipo de apelo
01:03:58que o senhor faz
01:03:58para parlamentares
01:04:00que se identificam
01:04:01com essa pauta
01:04:02de um desenvolvimento
01:04:03sustentável,
01:04:05de uma bioeconomia,
01:04:07desenvolvendo
01:04:07de uma bioeconomia,
01:04:09que tipo de apoio
01:04:10o senhor acredita
01:04:11que possa haver
01:04:13também do ponto de vista
01:04:14do lobby corporativo
01:04:16no sentido
01:04:18de se promover
01:04:19um debate
01:04:19que seja
01:04:21civilizado
01:04:22e que possa
01:04:23abrir um caminho
01:04:25de prosperidade
01:04:26para o Brasil
01:04:26nessa seara?
01:04:27Olha,
01:04:29eu acho que
01:04:30no Egito,
01:04:35na COP27,
01:04:36quando o presidente
01:04:36Lula fez
01:04:37aquele belíssimo discurso,
01:04:39nada oficial,
01:04:40ele era um presidente eleito,
01:04:41não era a posição
01:04:42oficial do governo
01:04:43naquele momento,
01:04:44dia 16 de novembro,
01:04:46o presidente
01:04:47chamou muita atenção
01:04:48que o Brasil
01:04:49tem que caminhar
01:04:50para a chamada
01:04:52agricultura
01:04:52regenerativa
01:04:53e sustentável.
01:04:54Isso é um desafio global,
01:04:56um desafio mundial,
01:04:58para reduzir muito,
01:04:59globalmente falando,
01:05:00todo o setor
01:05:01da agricultura
01:05:02responde a 30%
01:05:03das emissões
01:05:03de gás
01:05:04de estufa.
01:05:06Então,
01:05:06aqui no Brasil também,
01:05:08nessa faixa
01:05:09de desmatamentos,
01:05:10quase 50%,
01:05:11e o presidente
01:05:13fala
01:05:14esse conceito
01:05:16que tem que ser
01:05:17expandido globalmente,
01:05:18mas o Brasil
01:05:19é o quarto maior
01:05:20produtor de alimentos,
01:05:21o segundo maior
01:05:22exportador de alimentos,
01:05:23é a agricultura
01:05:25regenerativa
01:05:26e sustentável.
01:05:27Essa agricultura,
01:05:28aquele exemplo
01:05:29que eu dei
01:05:29dos sistemas
01:05:30integrados
01:05:31com a rodapecuária
01:05:32e floresta,
01:05:33que faz parte
01:05:33dessa agricultura
01:05:34regenerativa
01:05:35e sustentável,
01:05:36é muito mais
01:05:37economicamente,
01:05:39faz muito mais sentido,
01:05:40é muito mais lucrativa.
01:05:42Então,
01:05:42eu acho que existe,
01:05:43sim,
01:05:44um desafio
01:05:46grande
01:05:46com a bancada
01:05:48ruralista,
01:05:49que foi muito
01:05:50sempre tradicionalista,
01:05:51sempre a favor
01:05:52da expansão
01:05:53da área
01:05:54de agricultura,
01:05:54da área
01:05:55de pecuária,
01:05:55é muito importante
01:05:56uma mudança
01:05:57conceitual,
01:05:58uma mudança
01:05:59dessa bancada
01:06:00ruralista
01:06:00para caminharmos
01:06:02coletivamente
01:06:03para a agricultura
01:06:04regenerativa
01:06:05e sustentável,
01:06:06que beneficia
01:06:07muito o planeta,
01:06:09beneficia
01:06:09muito o Brasil,
01:06:11faz mais sentido
01:06:13econômico também,
01:06:14beneficia todo o setor
01:06:15da agricultura
01:06:16brasileira.
01:06:16Então,
01:06:17é um desafio?
01:06:18Sim,
01:06:18é um desafio,
01:06:19mas eu acho
01:06:20que tem que ser
01:06:21esse o caminho.
01:06:22Vamos ser o Brasil
01:06:23o segundo maior
01:06:24exportador de alimentos,
01:06:25o quarto maior
01:06:26produtor de alimentos,
01:06:27rapidamente
01:06:28caminharmos
01:06:29para a agricultura
01:06:30regenerativa
01:06:30e sustentável.
01:06:32Talvez
01:06:33também
01:06:33uma mudança
01:06:36no modelo
01:06:36de financiamento
01:06:38da própria
01:06:39agricultura,
01:06:39que é um setor
01:06:41que depende
01:06:42muito
01:06:43das linhas
01:06:44de financiamento,
01:06:46porque estão
01:06:46sempre
01:06:46o próprio modelo
01:06:48de negócio,
01:06:49você está sempre
01:06:49pegando dinheiro
01:06:50para plantar
01:06:51para só
01:06:52ter o lucro
01:06:53depois da colheita,
01:06:54no caso
01:06:54das lavouras
01:06:56e também
01:06:57a pecuária
01:06:58ela vive também
01:06:59de você ter
01:07:01primeiro você compra
01:07:02o norvilho,
01:07:03vai,
01:07:04engorda,
01:07:05depois vem,
01:07:05então ela depende
01:07:06de um tempo
01:07:07de maturação
01:07:08e naturalmente
01:07:10nós temos
01:07:11linhas de financiamento
01:07:12plano SAF,
01:07:13etc,
01:07:14que foram expandidas
01:07:15com a participação
01:07:17de bancos públicos,
01:07:18Banco Brasil,
01:07:19Caixa Econômica,
01:07:20etc,
01:07:21talvez passe
01:07:22também
01:07:22por uma
01:07:23expansão
01:07:24dessas linhas,
01:07:26um subsídio
01:07:28maior
01:07:29para essa
01:07:31agricultura
01:07:32regenerativa,
01:07:33para essa
01:07:34pecuária
01:07:35regenerativa.
01:07:37Sem dúvida,
01:07:38sem dúvida.
01:07:38Lá atrás,
01:07:39em 2010,
01:07:40o Congresso
01:07:40aprovou o plano
01:07:41de agricultura
01:07:41de baixo carbono,
01:07:42chamando o plano ABC,
01:07:43mas ele foi pequeno
01:07:45a parte.
01:07:48Idealmente falando,
01:07:49vai ter que chegar
01:07:49o momento
01:07:50que o plano SAF se torne
01:07:52o plano ABC,
01:07:53que o plano SAF se incorpore
01:07:56dentro do plano SAF
01:07:57com subsídio,
01:07:58sim,
01:07:58para quem praticar
01:07:59agricultura regenerativa
01:08:00sustentável
01:08:01e é uma transição,
01:08:03é uma transição
01:08:04que leva qualquer coisa
01:08:05na faixa 3 a 5 anos,
01:08:07porque depois
01:08:08de estar muito bem
01:08:09implementada
01:08:09a agricultura regenerativa,
01:08:11ela se sustenta
01:08:13a si própria.
01:08:13Então,
01:08:14é muito importante
01:08:15também políticas
01:08:16de subsídio
01:08:16do governo,
01:08:18dos bancos,
01:08:20eu sou parte
01:08:21do conselho
01:08:23do plano Amazônia
01:08:23de três bancos privados,
01:08:25Santander,
01:08:26Itaú e Bradesco,
01:08:27e também
01:08:27esse plano Amazônia
01:08:29desses três bancos
01:08:30fala muito
01:08:30da agricultura
01:08:31regenerativa
01:08:32e sustentável,
01:08:33financiamento dos bancos
01:08:34muito voltados
01:08:35para essa agricultura,
01:08:36então nós temos
01:08:37que dar escala.
01:08:38Hoje,
01:08:39ainda a escala
01:08:39é pequena,
01:08:40o plano ABC
01:08:40foi muito bem sucedido,
01:08:43mas numa escala
01:08:43pequena,
01:08:44nós temos
01:08:44que expandir
01:08:45e praticamente
01:08:45tornar toda
01:08:46a agricultura
01:08:47brasileira
01:08:47regenerativa
01:08:48e sustentável.
01:08:50Maravilha.
01:08:51Muito obrigado,
01:08:52professor Carlos Nobre,
01:08:54parabéns aí
01:08:55pelo trabalho,
01:08:57parabéns pela trajetória
01:08:59e sucesso
01:09:00na implementação
01:09:02desse plano
01:09:04do Amazônia 4.0.
01:09:06Espero que
01:09:06as autoridades
01:09:08de plantão
01:09:08assistam
01:09:09o nosso programa,
01:09:10os empresários
01:09:11engajados também
01:09:13estejam
01:09:14a par
01:09:15dessas diretrizes
01:09:17que o senhor
01:09:17deixou bem claras
01:09:19aqui
01:09:19na nossa conversa
01:09:20e vamos monitorar,
01:09:22vamos acompanhar,
01:09:23vamos fiscalizar,
01:09:24apoiando o debate
01:09:25em torno
01:09:27de um tema
01:09:27tão importante,
01:09:28tão sensível.
01:09:30Muitíssimo obrigado
01:09:31pela oportunidade.
01:09:33Maravilha.
01:09:35É isso aí,
01:09:35você assistiu
01:09:35mais um CD Talks,
01:09:37nosso podcast aqui
01:09:38que fala
01:09:39de política,
01:09:40mas também
01:09:41fala de
01:09:43tudo que está
01:09:44fora da política,
01:09:45mas que também
01:09:46impacta na nossa vida.
01:09:48Essa é a nossa
01:09:49segunda temporada,
01:09:50muitas outras
01:09:51entrevistas
01:09:52importantes
01:09:53faremos aqui
01:09:54com gente relevante,
01:09:55gente que realmente
01:09:56faz a diferença
01:09:58no Brasil.
01:09:59Um abraço
01:09:59e até o próximo
01:10:01CD Talks.
01:10:20tchau.
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