00:00Claro. A gente tem percebido uma resiliência do Bolsonaro, que inclusive até começou a avançar um pouquinho, o Lula, me parece, chegou no teto, começou a baixar um pouquinho.
00:17A gente tem visto um estreitamento dessa diferença entre os dois. Naturalmente, a gente vive esse processo de polarização, mas nós temos tantas, vamos dizer assim, tanta coisa aconteceu depois de 2018, tantos erros foram cometidos pelo atual governo,
00:43que a gente fica, ainda a gente se questiona como que é possível você ter, o próprio Bolsonaro ter a quantidade de votos que ainda tem.
00:56A que você atribui isso? É o antipetismo que ainda está presente, que ficou tão consolidado que ainda está presente, em função também de todos os absurdos cometidos no passado?
01:08Olha, o governo sempre, de um modo geral, o governo sempre tem um peso muito grande. Ele é sempre muito presente no imaginário popular, ele é muito presente na mídia.
01:21Evidentemente que os erros do Bolsonaro foram muito grandes. E evidentemente que hoje, por exemplo, do ponto de vista da Amazônia, um novo governo Bolsonaro seria o nosso fim, no meu entender.
01:35Porque nós já estamos no limite do não retorno. E com essa política que ele tem, levaria o país à inviabilidade, do ponto de vista da exploração dos recursos naturais,
01:47para nos levar a um outro patamar. Mas o que eu acho que você tem? Falta de renovação, de um lado. Entende?
01:55E você tem muito isso no Brasil. Você tem... Quando um governo fracassa, os olhos da opinião pública se voltam para o governo anterior.
02:08Sim.
02:09Entende? Isso é muito comum. E eu acho que isso tem um peso muito grande. Porque não houve alternativas que pudessem apresentar uma novidade,
02:25como aparentemente o Bolsonaro se apresentou em 2018. O que houve foi um refluxo, um recuo para a política convencional,
02:35para a importância da política convencional, e um estudo de quais são as forças, um exame de quais são os líderes e as forças
02:43que podem conduzir dentro do que se conhece. Entende? Dentro do que aconteceu.
02:50Eu acho que existe, da parte do Bolsonaro, alguma possibilidade a partir do auxílio emergencial.
02:58O auxílio emergencial vai acontecer numa área da população onde o Lula tem uma vantagem muito grande.
03:09Aquela área da população que tem menos de dois salários mínimos. O Lula tem 51% aí. Um pouco mais até.
03:19Então, e o Bolsonaro tem alguma vantagem na área de mais de dois salários mínimos. Uma pequena vantagem.
03:29Mas, como eu digo, são duas partidas. Uma partida no mundo mais pobre e uma partida no mundo um pouco mais favorecido.
03:39O que o Bolsonaro perde numa das partidas, na segunda, ele tem que fazer muito gol para poder levar para os pênaltis.
03:47E ele não, eu acho difícil. Eu tenho analisado esse encontro com os olhos do Marco Marcial.
04:00O Marco Marcial foi candidato uma vez e o marqueteiro dele dizia, olha, Marco, o seu candidato adversário está caindo um pouco.
04:12E você está subindo um pouco. A tendência é essas curvas se encontrarem.
04:19O Marco Marcial perguntou, mas você acha que vão se encontrar antes ou depois das eleições?
04:27Essa é a grande questão.
04:28É a questão, é a grande questão.
04:33Muito bom.
04:37Você acha que esse...
04:38Aí eu vou jogar essa questão para o lado do Lula.
04:41Você acha que o fato do Lula ter o apoio que tem tem a ver com essa nostalgia de um tempo pretérito,
04:48a percepção de que o passado é sempre melhor do que o presente,
04:53que naturalmente é uma imagem construída, é uma ilusão praticamente?
05:01Eu acho que a percepção entre as pessoas mais pobres é real.
05:07Porque você observa que o Lula tem uma política muito deliberada de mostrar
05:14que as pessoas mais pobres vão ter um consumo melhor, como elas tiveram no primeiro governo dele.
05:21Então, ele vai à televisão e diz o seguinte, olha, nós vamos voltar a comer uma picanha e a tomar uma cerveja.
05:31Então, ele relembra para aquelas pessoas que elas tiveram uma situação um pouco melhor.
05:38Então, essa lembrança, evidentemente, que impulsiona muito a candidatura dele.
05:45Qual a reação do Bolsonaro?
05:47O Bolsonaro reage como aquele cara...
05:50Ele não percebe o jogo, entende?
05:52É, não percebe por quê.
05:55Não é que ele não seja inteligente.
05:57Ele é condenado a não perceber pelas circunstâncias dele.
06:00Ele chega e dá uma entrevista assim, não tem churrasco para todo mundo, entende?
06:04É a mesma coisa dizer assim, não tem passagem de avião para todo mundo, não tem universidade para todo mundo.
06:10O Milton Ribeiro também disse, não tem isso e tal.
06:13Mas o problema é o seguinte, que as pessoas aspiram a isso.
06:16Claro.
06:17Se você, como político, aparece como aquele cara que vai definir que uns podem e outros não podem,
06:24você está num ponto difícil.
06:28Já que o outro candidato disse, não, vamos chegar lá.
06:31Todos vão poder chegar lá.
06:32Se vão chegar ou não, é uma outra questão.
06:35Se vão chegar de uma forma sustentada, que é outra questão importante, também não se sabe.
06:41Mas do ponto de vista eleitoral, evidentemente, é uma retórica que funciona mais que a outra.
07:02E aí
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