- há 7 meses
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No Papo Antagonista desta sexta-feira, Claudio Dantas e Fabio Leite detalharam a reportagem de capa da edição desta semana da Crusoé, que detalha a reação do alto comando do Exército à tentativa de Jair Bolsonaro de fazer uso político dos quartéis.
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NotíciasTranscrição
00:00Aproveitando, Freitas, se puder, a gente pode aqui durante a conversa com o Fábio
00:05colocar a foto como notícia, porque afinal de contas a capa da Cruzoé
00:09é esse tema, é esse assunto, avança em várias questões,
00:14traz muitos bastidores, é contigo, Fábio.
00:18É isso mesmo, Cláudio, essa foto que você estava mencionando no programa
00:21dialoga com a nossa capa, os generais que enquadraram o capitão,
00:26a capa da semana da Cruzoé, mostrando a reação do alto comando
00:33das forças militares a essa tentativa do presidente Jair Bolsonaro
00:37de politizar as forças armadas, um processo que começou, uma crise
00:43que se instalou ali no início da semana, com a demissão do ministro da Defesa,
00:48Fernando Azevedo Silva, e no dia seguinte a saída dos três comandantes,
00:53das três forças, e a gente foi falar com os generais, ouvimos diversos
01:00generais da reserva, generais que são amigos dos generais que hoje
01:03ocupam postos de comando nativa, um deles você até entrevistou ontem,
01:08o general Brito, e uma coisa, uma mensagem importante que a matéria
01:15a capa da Cruzoé traz, e tem relação com essa foto que você mencionou,
01:19é justamente o alto comando enquadrando o presidente o seguinte,
01:25aqui não, não faremos politicagem, somos instituições de Estado,
01:31como destacaram Fernando Azevedo, na nota de, como destacou Fernando Azevedo
01:38na nota de, que ele soltou logo depois da demissão, né, e até os nomes
01:45escolhidos para substituir demonstram isso, né, o novo comandante do exército,
01:50o general Paulo Sérgio, já tinha dado uma entrevista recentemente,
01:54falando ali, que tinha desagradado o presidente Bolsonaro, né, falando como
01:58o exército estava lidando com a pandemia, fazendo, né, implementando restrições
02:04dentro dos quartéis, né, coisa que o presidente continua condenando e criticando,
02:11e que ele queria que o exército, né, o ex-comandante Pujol,
02:16o Edson Pujol e o próprio ministro encampassem, né, e uma coisa interessante
02:21que a gente ouviu desses generais todos, que são amigos, né, foram instrutores
02:25juntos na MAM, enfim, passaram por vários batalhões,
02:29que essa geração que comanda as forças armadas hoje é uma geração
02:35que está descontaminada de qualquer veia autoritária, né, de qualquer resquício
02:41da ditadura militar. Tem muitos deles, né, inclusive um dos novos comandantes
02:46é formado, se formou em 1980, outros ali no final dos anos 70,
02:52num período já de muito desgaste do regime militar, e toda, e eles mesmos afirmam, né,
02:58que essa cultura, essa cultura, essa geração tem uma cultura completamente diferente,
03:07sem falar, é claro, que toda a conjuntura internacional é muito diferente
03:11da que existia na década de 60.
03:15A nossa capa se debruza sobre isso, a gente tenta, a gente tenta,
03:19a gente traz para o leitor, né, uma forma didática, né, o que estava em jogo,
03:24por que o Bolsonaro queria, quer, as forças armadas encampando ali
03:29as convicções políticas dele, esse discurso, né, que vocês mencionaram agora
03:33na entrevista com o Kassab, do medo, de alimentar esse discurso do medo,
03:37já pensando em 2022, ou até mesmo num eventual impeachment, ou numa derrota, né,
03:44enfim, e como os comandantes reagiram, como essa mensagem foi passada
03:52para dentro das tropas, né, gente, eu conheço gente que tem parentes, né,
04:00na marinha, na aeronáutica, no dia que isso aconteceu, estava todo mundo
04:05muito apreensivo, né, e a reação, inclusive, das pessoas, dos militares jovens,
04:09é de que, não, não, não faremos isso, não tem, né, somos instituições de Estado,
04:16e a politização, tem alguns fatos ali que ocorreram recentemente, né,
04:22e aí, essa foto até é importante, porque o Vilas Boas foi um dos militares
04:26que alimentou um pouquinho isso, né, com as declarações públicas dele,
04:31ainda no governo do Temer, sobre a prisão do Lula, sobre o HC do Lula, enfim,
04:38mas há uma convicção de que isso, essas aventuras grupistas
04:43estão completamente descartadas, e aí eu já chamo para a nossa segunda matéria,
04:48Cláudio, porque ela tem conexão com isso, que é o exército paralelo do presidente,
04:55que é o exército, o exército paralelo do presidente é o que ele queria,
05:00o que ele gostaria de fazer com as forças armadas, né, e não consegue.
05:04Milícia, né, é uma milícia, né, cara?
05:06Exatamente, aqui, de fato, é o exército do presidente, é a tropa do presidente,
05:12são militares de baixa patente, e nem do exército, né,
05:17são policiais militares, né, são os CAQs, né, os atiradores, colecionadores e caçadores,
05:25muito beneficiados pela política de flexibilização de acesso às armas,
05:30e alguns generais, grupos generais da reserva, né, que também encampam,
05:36essa foto aí é uma manifestação feita por generais da reserva,
05:40que falam abertamente, né, depois até que a gente abordou,
05:44o repórter Patrick Campores abordou alguns deles,
05:47eles apagaram alguns posts, mas eles ali dizendo,
05:50olha, pegaremos em armas para defender o presidente,
05:54e este sim é um exército paralelo, um exército informal,
05:58ou, como você disse, a milícia do Bolsonaro,
06:01que ele estava tentando fazer, de alguma forma, com as forças armadas.
06:05Deixa eu ressaltar um negócio importante que eu gostei aqui nessa matéria,
06:08que é a comparação com o MST, né, que muita gente esquece,
06:12e aí você vê aí a turma da esquerda, petistas e afins,
06:16hoje falando, ah, que absurdo, parará, parará,
06:19mas eles deram o exemplo lá atrás.
06:22Mencionei aqui, a Dilma quis também usar o exército,
06:25o Lula usava, sim, o MST, financiado com recursos públicos,
06:29através das federações regionais, e o MST fazia o quê?
06:35Fazia, ele fazia as ofensivas políticas,
06:39quando o Lula precisava, justamente, dos radicais, né,
06:42então, é muito bem colocada essa memória aqui do caso do MST,
06:48e uma outra coisa que você mencionou agora, que eu gostaria de ressaltar,
06:52é que esse risco, embora agora ele tenha sido, vamos dizer assim,
06:56de alguma maneira esvaziado aí com a atuação da cúpula do Exército,
07:02ele permanece presente, a gente percebe pelo discurso,
07:07pela narrativa que é construída na base,
07:10com esses grupos de WhatsApp, de Telegram, etc.,
07:13em função das eleições, quer dizer,
07:15mesmo que não aconteça um processo de impeachment,
07:17que a gente percebe que não há muita chance disso acontecer,
07:20em função do Bolsonaro estar entregando tudo para o centrão, né,
07:23isso aqui é uma outra matéria de vocês aqui,
07:25que você já vai mencionar, com a faca no pescoço,
07:28o fato é que você pode não ter impeachment,
07:31você tem eleição, né, tem eleição em 2022,
07:34e sempre aquele discurso,
07:36ah, então essa urna é fraude,
07:39esse voto eletrônico é fraude,
07:41se não tiver voto impresso, vai ter fraude, né,
07:45então sempre com esse discurso,
07:46um pouco na linha do que o Trump também fez, né,
07:50mas a gente entende que, é claro,
07:53por enquanto o que a gente vê é uma minoria, né,
07:55inclusive na própria PM, nas PMs, nos estados,
07:59há, dentro da corporação, na cúpula,
08:03no entendimento institucional,
08:05há um entendimento claro de que
08:07isso aí é um movimento, esse bolsonarismo militarizado, né,
08:12com essas milícias,
08:14que é uma coisa, vamos dizer assim,
08:16é menor, né,
08:18são grupos minoritários,
08:19mas a gente tem que ficar atento,
08:21tem que ficar atento porque
08:22vem eleição, se perde eleição,
08:24vai querer usar de novo,
08:27vai querer fazer alguma coisa,
08:28porque esse é o exemplo que ele tem dado
08:31desde que assumiu o poder, não é isso?
08:33Exatamente, o episódio do Capitólio,
08:36no começo do ano, né,
08:38depois da eleição americana,
08:40é um exemplo, né,
08:42se isso aconteceu nos Estados Unidos,
08:45a gente não precisa viajar muito
08:49para imaginar que isso pode acontecer também
08:52aqui no Brasil,
08:53e de fato, esse exército informal
08:55está se armando, né,
08:57por uma política de Estado,
08:58uma política que o presidente Bolsonaro
09:00tem feito,
09:02está sendo questionada no Supremo, né,
09:04esses decretos,
09:06essas portarias,
09:07que estão permitindo
09:08a compra de várias,
09:09mais armas e mais munições,
09:12né,
09:12e a gente até conta
09:14nessa primeira matéria dos generais,
09:16que é a história,
09:17é a biografia do presidente Bolsonaro, né,
09:20que chegou até a patente de capitão,
09:23que é uma patente intermediária,
09:24com 33 anos ele sai do exército,
09:27ele já tinha ali
09:28todo um histórico de insubordinação,
09:30de fazer panfletagem,
09:32a gente brinca ali na matéria, né,
09:34uma veia sindical
09:36dentro da corporação, né,
09:40e depois que ele sai,
09:41ele passa a defender,
09:42ele continua a defender
09:43essas mesmas bandeiras
09:44até se tornar presidente, né,
09:47vide as homenagens que ele prestou
09:50enquanto foi parlamentar,
09:53ele e os familiares dele,
09:55né, são essas pessoas
09:58pessoas que o cercaram, né,
10:00como o Fabrício Queiroz,
10:01que também era militar,
10:03enfim,
10:04isso tá no DNA dele,
10:06ele manteve,
10:07e é o que você falou,
10:08esse discurso,
10:10por mais que ele pareça ser,
10:11por mais que pareça ser um grupo reduzido,
10:14mas alimentar esse medo,
10:16alimentar essa suspensão
10:18sobre o processo democrático brasileiro,
10:20essa questão toda
10:21que a gente também traz na matéria,
10:23só pra finalizar,
10:25do artigo 142,
10:26que os bolsonaristas vivem
10:28disseminando, né,
10:31que pra você,
10:32que é legítimo o uso da Força Armada
10:34pra você estabelecer a ordem do país,
10:38então tem, de fato,
10:39um dispositivo na Constituição,
10:42mas a leitura, a interpretação
10:44pro uso desse dispositivo,
10:46ela pode ser completa,
10:47já está sendo, né,
10:49deturpada,
10:49e tem muita gente que fomenta isso,
10:51o próprio presidente da República,
10:53vale lembrar, Cláudio,
10:54citou esse artigo, né,
10:55do uso das Forças Armadas
10:57naquela fatídica reunião ministerial
10:59de abril,
11:01quando ele falou muita bobagem,
11:02falou muita coisa, né,
11:04um pouquinho antes lá da demissão
11:06do ex-ministro Sérgio Muro, né,
11:09que também saiu por uma interferência,
11:11né, na PF,
11:13a mesma interferência que ele tentou
11:15fazer agora
11:16nas Forças Armadas.
11:18E a gente não pode esquecer
11:19que ele subiu até
11:20na caçamba de caminhonete
11:23em frente ao quartel-general
11:25do Exército aqui em Brasília,
11:26pra, vamos dizer assim,
11:28animar um protesto,
11:30uma manifestação
11:31que defendia o AI-5,
11:34que defendia medidas de força, né,
11:36de intolerância
11:37em relação às demais instituições,
11:39ao judiciário,
11:40ao legislativo,
11:41a gente está aqui todo dia
11:43criticando vários agentes,
11:46vários integrantes
11:47de cada um desses poderes,
11:49inclusive da própria imprensa, né,
11:52que a gente também
11:53não deixa passar.
11:56É claro,
11:56a sociedade,
11:57ela é complexa,
11:59a política,
12:00ela é complexa,
12:02as autoridades
12:03precisam ser, sim,
12:05fiscalizadas
12:06e criticadas, né,
12:08embora muitos não gostem
12:10de ser criticados,
12:10mas é,
12:11a nossa,
12:12a nossa missão é essa,
12:14né,
12:14mostrar,
12:15abrir os olhos da sociedade
12:16e o cidadão
12:17tem que ter a liberdade
12:18de criticar
12:19as suas autoridades,
12:21os seus deputados,
12:23senadores
12:23e os nomeados
12:25por esses políticos
12:26no judiciário,
12:27não há problema nenhum
12:27em fazer isso,
12:28desde que isso seja feito
12:29de forma democrática
12:31e civilizada
12:31e assim a gente vai,
12:33a gente espera evoluir,
12:35né,
12:36nas instituições.
12:46e aí
12:47e aí
12:51Obrigado.
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