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O vereador Tarcísio Motta (PSOL/RJ) ingressou nesta terça-feira (1º) com pedido de impeachment do prefeito Marcelo Crivella, após veiculação pela TV Globo de reportagens sobre os "Guardiões do Crivella" - funcionários pagos com dinheiro público para intimidar repórteres e também cidadãos comuns que dão entrevistas sobre a situação da saúde.

Líder do partido na Câmara Municipal, Motta falou com 'O Antagonista' sobre os "capangas" do prefeito e a importância do impeachment. Também descreveu como, separadamente, anda o esforço por uma CPI.

#guardioesdocrivella #impeachment
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Transcrição
00:00Boa noite, estou conversando com o vereador Tarcísio Mota, que é líder da bancada do PSOL na Câmara de Vereadores.
00:05Vereador, hoje o seu partido protocolou um pedido de impeachment contra o prefeito Marcelo Crivella.
00:11Por que este pedido é importante?
00:14Este pedido é importante porque o Crivella precisa responder das graves denúncias que foram feitas ontem
00:20a respeito do uso de pessoas que são pagas com dinheiro público, são todos cargos de confiança do gabinete do prefeito,
00:27que intimidam jornalistas e pessoas que querem falar com esses jornalistas, tentando impedir essas reportagens.
00:36Portanto, são pessoas que estão sendo pagas com dinheiro público, e isso é um absurdo.
00:40E as denúncias dão conta de que o próprio prefeito participava do grupo de zap onde essas pessoas se organizavam.
00:47Isso é muito grave, que é o uso da máquina pública para interesses para os quais a máquina pública não deveria existir.
00:53E isso, portanto, o pedido de impeachment cabe nessa história porque é um ato incompatível com o cargo do prefeito,
01:01e ele precisa responder, ser responsabilizado por isso, e o ato, na nossa opinião, é tão grave
01:05de que ele precisa ser afastado da prefeitura do Rio de Janeiro.
01:09Perfeito. A gente devia ter nas imagens, na reportagem da TV Globo,
01:13que esses guardiões do Crivella, eles intimidam não apenas os repórteres,
01:18mas os próprios cidadãos que estão dando entrevista, o que me lembra um pouco as imagens também
01:24do cercadinho da Alvorada que a gente teve aqui em Brasília,
01:27a do pessoal que fica, ah, Globo lixo, jornalixo, faço pergunta direito.
01:32É verdade. Tem uma coisa que é importante, que o fato da gente, se a gente tiver alguma crítica
01:39a um veículo de imprensa, isso pode acontecer.
01:41Um governo que se ache perseguido por um veículo de imprensa, que está dando notícias de forma enviesada,
01:49isso pode acontecer.
01:51Mas o que um gestor público, diante de uma situação como essa, deveria fazer?
01:56Ele tem que usar os canais oficiais da prefeitura, os próprios meios de esclarecimento que a prefeitura tem,
02:02solicitar, inclusive, que possa ter a sua versão divulgada pelo meio de comunicação.
02:07Existem canais republicanos, democráticos, numa imprensa livre, que uma sociedade, que um governante tem que respeitar.
02:14Fazer isso, intimidar as pessoas, porque se o cercadinho lá do Alvorada tinha também o elemento de um discurso do governo
02:22incentivando as pessoas a intimidarem o jornalista, é grave, muito grave.
02:27Mas olha que agora o Crivella está num nível além de gravidade,
02:30porque ele paga pessoas, ou dinheiro público, para essas pessoas, no seu horário de trabalho,
02:38cumprirem o que a sua tarefa como cargo de confiança, intimidar os jornalistas e os cidadãos.
02:45Isso é o mais grave, é um plus.
02:49Na prática, ele está se sentindo de um discurso, de que ele faz vítima,
02:54ou seja, a tentativa de convencer os seus de que a situação da saúde não é caótica,
02:59como os jornalistas mostram,
03:01mas é tudo uma conspiração dos meios de comunicação,
03:04ele está se valendo desse discurso,
03:06porque ele não pode responder na prática,
03:09ele não pode esconder a verdade de que a situação de saúde do Rio de Janeiro é um caos.
03:13A situação da saúde no Rio de Janeiro não é um caos, é verdade, é muito tempo.
03:17Ele diminui a equipe da família, os hospitais não funcionaram bem,
03:20as OSs têm escândalo.
03:21Já teve a situação da Márcia, que também tinha a ver com saúde,
03:25de furar a fila do CISREG.
03:28A gestão do Crivella é um caos.
03:30E aí ele confunde essa história do que é o papel do agente público,
03:35do gestor, do administrador, do prefeito,
03:37com um papel pequeno, mesquinho, muitas vezes personalista,
03:41de que as pessoas devem defender a ele, a ele, o prefeito.
03:45Por isso o nome me parece muito curioso,
03:47Guardiões do Crivella.
03:48A gente precisa que os servidores públicos sejam guardiões do interesse público,
03:53que muitas vezes, inclusive, contrário ao gestor público,
03:56se ele estiver atraindo os interesses públicos.
03:58É isso que ele...
03:58Por isso ele defende o concurso público, e não esses cargos de confiança.
04:02Esses cargos de confiança que deveriam ser usados só em último caso,
04:05e de forma muito limitada.
04:07Mas não.
04:07Crivella usou e abusou desses cargos de confiança,
04:10e agora sabemos para esse tipo de prática.
04:13Vereador, o pedido de impeachment é assinado pela deputada estadual Renata Souza,
04:18e não pelo senhor que é vereador.
04:20Por quê?
04:21Porque no caso da Câmara dos Vereadores,
04:23no caso dos impeachments de prefeitos,
04:26o que regula os impeachments de gestores municipais, de prefeitos,
04:31é um decreto-lei lá de 1967,
04:33que foi recepcionado pela Constituição de 88,
04:36mas ele continua sendo a base para isso.
04:39E aí, neste caso, se um vereador assina um pedido,
04:43ele depois não pode votar pela admissibilidade deste mesmo processo,
04:47e não pode votar também depois lá,
04:49no momento onde se for decidido o afastamento.
04:51Então, na verdade, aqui é uma questão como cada voto vale,
04:56se eu assino o pedido, eu estou impedido de votar,
04:59e isso pode acabar salvando o prefeito,
05:00que a gente acha que tem que ser afastado.
05:02Então, por isso...
05:04Por falar em salvamento de prefeitos,
05:07este, se for instaurado,
05:09será o segundo processo de impeachment
05:11que o prefeito Crivella enfrenta durante a sua administração.
05:14O primeiro pedido foi reprovado em junho de 2019.
05:18Qual que é a estratégia para que este projeto dê certo,
05:23sendo que no ano passado não deu certo?
05:26Então, esse é o quarto pedido de impeachment.
05:28Só um foi para frente até agora.
05:29O primeiro foi rejeitado na admissibilidade,
05:33não tivemos uma maioria simples.
05:35O segundo processo transcorreu,
05:37e embora a grande maioria dos vereadores,
05:39foram 34, tenham votado pela admissibilidade,
05:42quando o processo terminou,
05:44uma parte grande desses vereadores tinha mudado de posição,
05:48e muitos até porque ganharam cargos em secretarias criadas, etc.
05:51E aí votaram a favor do prefeito.
05:54Mas tinha um detalhe importante.
05:56Esse pedido de impeachment que andou até a votação do seu afastamento,
06:01a comissão processante absolveu o prefeito.
06:06Porque, na verdade, a comissão processante reconheceu
06:09que havia uma ilegalidade,
06:11uma ilegalidade nos contratos de propaganda imobiliário urbano,
06:16que essa ilegalidade era real,
06:17mas que o prefeito não tinha agido pessoalmente sobre isso.
06:21Essa foi a margem que a comissão processante teve
06:23para absolver o prefeito.
06:25Bom, agora nós estamos diante de uma denúncia mais grave.
06:28É muito mais grave usar servidores que estão pagos com dinheiro público
06:32para intimidar jornalistas e cidadãos.
06:34É desvio de finalidade.
06:36É um ato incompatível.
06:37Portanto, a denúncia é muito mais forte.
06:39E aí tem dois elementos importantes.
06:41Ou seja, é muito mais difícil absolver o prefeito,
06:44porque já está comprovado que ele participava daquele grupo.
06:48Esperamos, inclusive, de que sejam mostradas as mensagens
06:51em que ele, inclusive, dava parabéns a esses guardiões.
06:54Ou seja, é inevitável que...
06:56Não se pode dizer que o prefeito não sabia que isso estava acontecendo.
06:59A própria prefeitura não negou a existência desse grupo.
07:01Portanto, é mais difícil para isso.
07:03E mais do que isso,
07:05para a gente poder falar como é que essas coisas acontecem
07:07no tomaladacá da velha política brasileira.
07:09O prefeito Marcelo Crivella agora tem menos tempo
07:11para lotear cargos e comprar vereadores
07:14para não votarem favoráveis a ele.
07:16Nós já estamos no final do mandato.
07:17A eleição está acontecendo.
07:19Esses vereadores, para comprarem o desgaste,
07:21de apoiarem um prefeito que paga capanga
07:24para agredir jornalistas,
07:27vão comprar um desgaste político muito grande
07:29em ano eleitoral.
07:31E aquela moeda de troca que o prefeito tem,
07:34que é criar uma secretaria, lotear cargos,
07:36vale pouco no ano eleitoral.
07:37Falta pouco para o processo eleitoral acontecer.
07:40As pessoas vão começar a fazer leitura disso.
07:42É uma pena que esse tipo de cálculo seja feito
07:45por essa galera da velha política.
07:47A gente, por exemplo, não faz esse tipo de cálculo
07:49por esse viés.
07:51Mas eu estou fazendo uma avaliação com você
07:53de que a gente está usando o que está colocado aqui.
07:56É uma denúncia mais grave,
07:59uma denúncia onde a comprovação do prefeito está,
08:01está clara, está nítida.
08:03Vamos esperar que ela se comprove,
08:05que a gente possa comprovar,
08:06em que a prefeitura não tem pouca margem
08:08para se explicar a respeito disso
08:11em ano eleitoral,
08:12com menor margem de manobra
08:13para o governo usar os instrumentos da velha política.
08:17Mas é, falta de argumentação à parte,
08:20o senhor também está partindo do pressuposto
08:21de uma leitura
08:22de que o candidato Crivella
08:25tem menos chances de vencer a reeleição.
08:29O senhor aposta nisso?
08:30Existe oposição suficiente para que ele não vença?
08:33Eu acho que esse episódio do impeachment
08:35diminuiu bastante as chances de reeleição do Crivella.
08:39E esses vereadores que só pensam em cargos
08:40estão olhando para isso.
08:42Só pensam nesse tipo de coisa,
08:43estão olhando,
08:44falam, o que eu vou fazer?
08:45É o abraço dos afogados?
08:46Eu vou salvar o prefeito
08:47para depois poder perder, inclusive,
08:51a chance da minha reeleição?
08:52É uma pena que a política brasileira seja assim.
08:54Eu acho que...
08:55E uma última coisa,
08:56ainda nesse cenário,
08:58o prefeito não tem vice-prefeito,
09:00já que o vice-prefeito faleceu.
09:02O senhor vê um obstáculo
09:04nesse impeachment acontecendo
09:06porque o presidente da Câmara
09:08não gostaria de assumir
09:10porque ele ficaria impedido
09:11de concorrer a alguma reeleição?
09:13Não tem alguma coisa assim?
09:14Ou impedido de concorrer a alguma reeleição?
09:15Se ele virasse prefeito?
09:17Esse é um detalhe curioso.
09:18Eu não tive tempo agora
09:20de olhar o que a legislação diz
09:22para saber se o presidente Jorge Felipe,
09:25que é o presidente da Câmara,
09:26se ele assumir o cargo de prefeito interino,
09:29se ele pode continuar concorrendo
09:31ao cargo de vereador.
09:31Porque aqui temos um problema
09:33de temporalidade.
09:35Quando o...
09:37Se o presidente da Casa, da Câmara,
09:39se torna prefeito em exercício,
09:41é um exercício temporário
09:42até que eleições diretas,
09:45no caso dos três primeiros anos de mandato,
09:47ou indiretas,
09:49no caso do último ano do mandato,
09:51sejam realizadas.
09:52E aí o prefeito,
09:53o novo prefeito,
09:54assume definitivamente.
09:56Este detalhe
09:58me faz não ter certeza
09:59sobre se o fato de assumir
10:01interinamente,
10:03provisoriamente,
10:03a prefeitura
10:04inviabiliza a candidatura
10:05à reeleição do vereador
10:06Jorge Felipe.
10:08Eu tenho que estudar isso,
10:10tenho que consultar,
10:11porque é um detalhe...
10:12Talvez a gente não tenha
10:13outro caso no Brasil
10:14de um prefeito
10:15possivelmente
10:16afastado do cargo
10:18por um impeachment
10:19tão perto das eleições municipais.
10:21E aí criaria-se também
10:23uma eleição indireta
10:25durante a eleição direta
10:27que está acontecendo
10:27no fim do ano.
10:28Isso se houver tempo
10:29para isso,
10:30ou seja,
10:30porque, imagina,
10:31o processo de impeachment
10:32tem um prazo,
10:33a depender de quem seja sorteado,
10:36porque se o processo
10:37for aceito na quinta-feira
10:39pela votação de maioria
10:40simples dos presentes,
10:42qual é o ato seguinte?
10:44É um sorteio
10:45de três vereadores
10:46entre os 51
10:47que formarão
10:48uma comissão processante.
10:50Não há, portanto,
10:50como na Alerje
10:51ou como na Câmara Federal,
10:53nenhum tipo de
10:54proporcionalidade
10:55entre os partidos.
10:56É sorteio.
10:57Podem ser sorteados
10:58três vereadores
10:59de oposição,
11:00três vereadores
11:00do mesmo partido,
11:01ou podem ser
11:02três vereadores
11:03do partido prefeito.
11:04A depender
11:05dessa comissão processante,
11:06os trabalhos serão
11:07mais céleres,
11:08mais rápidos
11:09ou serão
11:09mais lentos.
11:11Se os trabalhos
11:12forem mais lentos
11:13e a eleição direta
11:14acontecer
11:14antes do processo
11:16de impeachment
11:16se fechar,
11:18não faz muito sentido
11:19também,
11:20fazer uma eleição
11:21indireta
11:22e como faz,
11:23aí a eleição já passou,
11:24o vereador Jorge Felipe
11:25já está reeleito
11:26e aí ele pode assumir
11:27por novembro e dezembro,
11:28tudo está em aberto.
11:30Vai depender muito
11:31do sorteio
11:32da comissão processante
11:33na próxima quinta-feira
11:34que vai definir
11:36o humor,
11:37a vontade,
11:37o desejo
11:38da comissão processante.
11:40Ela tem prazos
11:40máximos
11:41e é claro
11:42que, por exemplo,
11:42os prazos de defesa
11:44do prefeito
11:44do Marcelo Crivella
11:45serão os máximos
11:46e tem que ser mesmo,
11:47é o direito
11:49de legítima defesa
11:50do prefeito.
11:51Mas os prazos
11:51que a própria
11:52comissão processante
11:53tem para elaborar,
11:54aparecer,
11:54para revisar,
11:55para convocar as pessoas
11:56serão acelerados
11:57ou mais,
11:59colocados de forma
12:00mais lenta
12:00a depender
12:01do posicionamento
12:02político dos vereadores
12:03da comissão processante.
12:05O mais importante
12:07aqui é marcar
12:08a posição
12:09sobre o uso
12:10da máquina pública
12:11para censurar
12:12e intimidar
12:13pessoas
12:13e jornalistas
12:15do que
12:16propriamente
12:16pensar
12:18como é que vai ser
12:18a comissão,
12:19como é que vai ser
12:19a consequência política.
12:21É,
12:22pra nós,
12:23ou seja,
12:23o que a gente defende
12:24na política?
12:25Ou seja,
12:25tá evidente,
12:26existem indícios
12:27fortíssimos
12:28e a comissão
12:28precisa investigar isso.
12:30Se ficar comprovado
12:32que houve dinheiro público
12:33sendo pago
12:34e para esse tipo
12:36de prática
12:36e que o prefeito
12:37sabia,
12:38sabia disso,
12:40porque,
12:40portanto,
12:41e ele,
12:41inclusive,
12:42incentivou,
12:42participou
12:43de um espaço
12:44de organização
12:44desse grupo,
12:45isso é um ato
12:47incompatível
12:47com o cargo
12:48de prefeito
12:48e, portanto,
12:49ele deve ser afastado.
12:49Ponto.
12:50No nosso entendimento,
12:51é isto que precisa ser provado.
12:53O prefeito terá o tempo
12:54de se explicar
12:55por que ele estava
12:55num grupo de zap,
12:56por que ele deu parabéns
12:57para essas pessoas,
12:58por que ele nomeou,
13:00dizer,
13:00ah, não,
13:00quem nomeou foi o Marcos Luciano,
13:02eu não sabia de nada,
13:03fazer o papel de que
13:04eu não sabia de nada.
13:05Ele vai ter que construir
13:06uma desculpa,
13:07na minha opinião,
13:08muito difícil,
13:09nesse caso,
13:10para tentar explicar
13:11que ele não sabia de nada.
13:12Por isso é que o impeachment,
13:14e aí,
13:14já antecipando
13:15que a gente tem
13:15também uma CPI
13:17que deve começar
13:18o funcionamento da casa.
13:20O impeachment,
13:21ele analisa especificamente
13:23a atuação e a ação
13:24do prefeito,
13:25do chefe do poder executivo.
13:27É sobre isso
13:27que, ao final,
13:28o parecer do impeachment
13:30diz,
13:30o prefeito deve ser afastado
13:32ou o prefeito
13:33não deve ser afastado.
13:34Ponto.
13:35A CPI vai analisar
13:36o processo como um todo,
13:37inclusive apurar responsabilidades
13:38nos demais níveis
13:40de secretários,
13:41subsecretários,
13:42demais servidores públicos,
13:44inclusive daqueles citados
13:45e filmados na reportagem.
13:47Por isso,
13:47uma comissão parlamentar
13:48de inquérito
13:49não está olhando
13:49só para o prefeito,
13:50está olhando
13:51para o processo como um todo.
13:52Na nossa opinião,
13:53isso deve acontecer
13:54de forma paralela
13:55e complementar,
13:56para que a gente,
13:57ao fim e ao cabo,
13:58independente do resultado eleitoral,
14:00a população do Rio de Janeiro
14:01saiba onde foi usado o dinheiro,
14:04saiba se houve
14:05alguma irregularidade,
14:06e que, inclusive,
14:07esse dinheiro público
14:07em sendo comprovado
14:09que foi irregular
14:10seja devolvido aos cofres públicos.
14:12É dinheiro do povo,
14:12é dinheiro de impostos,
14:14que deveria estar sendo aplicado
14:15na saúde,
14:15para salvar as pessoas da pandemia,
14:16não para intimidar jornalista.
14:18Esse é o centro
14:19e a gente precisa investigar isso
14:21e, na nossa opinião,
14:22o prefeito Marcelo Crivella,
14:23a cidade do Rio de Janeiro
14:24não merece um prefeito
14:25como Crivella,
14:26precisa ser afastado
14:27da forma como ele age,
14:28que não está de acordo
14:30com os valores republicanos,
14:32apesar do partido dele
14:33se chamar republicano.
14:34O que eu achei curioso,
14:36vereador,
14:36é que esse grupo
14:38que se chama Guardiões do Crivella,
14:39que lembra
14:40os Guardiões da Galáxia,
14:42agora,
14:42por causa da morte
14:44do Chadwick Boseman,
14:45está na moda,
14:46voltou na moda
14:46falar de super-heróis,
14:48do Pantera Negra,
14:48etc.
14:49E é engraçado
14:50porque o prefeito
14:50mandou os seus fiscais
14:52no ano passado
14:53a censurar
14:54uma revistinha
14:55de super-heróis
14:56que nem estava mais
14:57na feira do livro.
14:59Então,
14:59é um prefeito
15:00contra os super-heróis
15:01e agora ele tem
15:01os seus próprios guardiões.
15:02Achei curioso.
15:04Os dois casos,
15:06CD,
15:07são similares
15:08de uma lógica
15:09equivocada
15:10de fazer política
15:10e de pensar
15:11o cargo de prefeito.
15:12Nota,
15:13nós discutimos isso
15:15e representamos
15:15ao Ministério Público,
15:16inclusive,
15:17sobre isso.
15:18O prefeito
15:18da cidade do Rio de Janeiro
15:19não pode utilizar
15:20de um julgamento moral,
15:22de um julgamento religioso
15:23que ele possa ter
15:24sobre, por exemplo,
15:26um beijo
15:26entre dois super-heróis homens,
15:28que era o caso
15:29daquele gibi,
15:29e dizer que isto
15:31não deveria estar
15:33na Bienal do Livro.
15:34Ele não pode,
15:35o Estado é laico,
15:36não existe na lei
15:37e isso não está
15:38em nenhuma lei
15:39dizendo que aquilo ali
15:40é um atentado ao pudor,
15:42como ele quis dizer isso.
15:43E está escrito,
15:44no parecer,
15:44inclusive,
15:44da própria Procuradoria,
15:46que embasou o ato
15:47de fiscalização lá.
15:48Aquilo ali já era
15:50uma perspectiva
15:51de que o prefeito Crivella
15:52faz,
15:52que ele usa
15:53aquilo que é privado,
15:54particular,
15:55pessoal dele,
15:56confundindo com
15:57o poder público.
15:58Ele ali usou
15:59dinheiro público
15:59para fazer algo
16:00flagrantemente ilegal,
16:02que era censurar
16:03aquela obra
16:05na Bienal do Livro.
16:07É a mesma coisa,
16:08em que agora ele manda
16:09capangas,
16:10intimidar os jornalistas,
16:11pagos com dinheiro público,
16:12porque ele acha
16:13que a Globo
16:14está perseguindo
16:15o prefeito.
16:17É uma coisa
16:18e isso é
16:19a administração inteira
16:20do Crivella.
16:21Isso é um negócio
16:22que depois de quatro anos,
16:24ele é uma pessoa
16:26que está na vida pública
16:27há não sei quanto tempo,
16:27que foi senador
16:28da República,
16:28candidato.
16:29Ministro,
16:30bem na pesca da Dilma.
16:33E aí,
16:34para fechar,
16:34para fechar com chave de ouro,
16:36está provado
16:37que quem estava
16:37nesse grupo
16:38Guardiões do Crivella
16:39é o procurador
16:39do município.
16:40O procurador
16:41do município.
16:42É aquela hora
16:42que no desenho
16:43para citar
16:43de outro super-herói
16:44do Chapo Olímpico
16:44você diz assim,
16:45e agora,
16:46quem poderá nos defender?
16:47Se o procurador
16:47do município
16:48está nesse negócio,
16:49não sobra ninguém.
16:50O procurador
16:51que deve defender,
16:52que deve orientar,
16:53que deve orientar
16:54do ponto de vista jurídico
16:55quais são as medidas
16:56que podem
16:57e não podem acontecer.
16:58O procurador
16:59estava nesse grupo.
17:00Como é que o cara
17:00é procurador-geral
17:01do município?
17:02Procurador-geral
17:03do município.
17:04E não disse,
17:04gente,
17:04para de fazer isso
17:05porque isso não pode acontecer.
17:06Não,
17:07estava lá no grupo.
17:08E aí,
17:08sabe,
17:09é uma questão
17:10de que a gestão pública,
17:11eu estava conversando isso
17:12inclusive com alguns vereadores,
17:14é preciso que a Câmara
17:15dos Vereadores
17:15dê um gesto,
17:16dizendo,
17:17olha,
17:17chega,
17:18nem que seja no último
17:19ano do mandato,
17:20nem que a função prática
17:21disso seja abreviar
17:22em duas semanas
17:23que seja o mandato
17:24desse prefeito medíocre.
17:26Mas não é possível
17:27que ele termine
17:28o seu mandato
17:28diante de tantos,
17:29tantos indícios
17:30de que ele usou mal
17:32da forma como usou
17:33o dinheiro público
17:33ao longo desses quatro anos.
17:35Certo, vereador.
17:36Vamos acompanhar.
17:37Há alguma coisa
17:37sobre esse impeachment
17:39ou sobre a CPI
17:40que eu não perguntei
17:41e os nossos leitores
17:42precisam saber?
17:43Não, então,
17:44o impeachment
17:45não precisa de mais assinaturas,
17:47ele vai a voto,
17:48tudo indica que sim,
17:49não tem a confirmação oficial,
17:50deve sair amanhã
17:51no diário oficial
17:52o despacho do presidente,
17:54indicando a sessão
17:55e aí a sessão será pública,
17:58transmitida pelo YouTube
17:59da Câmara dos Rio de Janeiro,
18:01acho que aqueles que assistem,
18:04aí o antagonista
18:05devem ficar atentos,
18:06acompanhar a sessão,
18:07importante,
18:08isso.
18:09Já nesta quarta-feira
18:10ou na quinta?
18:10Tá quinta, quinta,
18:11quinta, quinta,
18:11depois de amanhã.
18:13E as sessões,
18:13nesse período híbrido
18:15de pandemia,
18:16estão acontecendo
18:16às terças e quintas.
18:17Então,
18:18o despacho do presidente
18:20deve sair amanhã
18:20no diário oficial
18:21e a sessão é na quinta-feira,
18:23tá?
18:23Quinta-feira.
18:24E a CPI proposta
18:26pela vereadora Tereza Berger,
18:28do Cidadania,
18:29ela já tem as 17 assinaturas
18:31necessárias
18:32e, portanto,
18:33também vai ocorrer
18:34um despacho
18:34homologando essa CPI,
18:37mas aí há um prazo
18:38para indicação dos vereadores,
18:39etc.,
18:40e de instalação dela.
18:42Ela deve demorar ainda
18:42mais uma semana,
18:44duas semanas
18:44para ser instalada.
18:46O processo de impeachment
18:47é mais rápido.
18:48Na terça,
18:49a gente vai saber
18:49quem é a comissão processante
18:51e ela já se reúne
18:52no dia seguinte
18:53para o primeiro prazo
18:54para definir,
18:56vamos convocar tal pessoa,
18:57vamos comunicar ao prefeito
18:58que ele tem um prazo
18:59para a sua primeira defesa,
19:00para a sua defesa inicial,
19:01tem o processo
19:02e aí um parecer
19:04dessa mesma comissão processante
19:05se o processo vai seguir ou não
19:06e aí um prazo
19:08para a defesa formal
19:09e para as oitivas
19:11e culminando
19:13com a votação
19:14do afastamento do prefeito
19:15e aí nessa votação
19:16do afastamento do prefeito
19:17que deve demorar ainda
19:18um mês,
19:19dois meses para acontecer,
19:20se o processo andar,
19:22é preciso 34 vereadores
19:24votando favoravelmente.
19:26Na quinta-feira
19:27precisa só de 26
19:28no máximo
19:29porque se algum vereador
19:31faltar,
19:31não tiver presente,
19:32não votar,
19:33pode ser até que sejam
19:34menos de 26.
19:35Mas para afastar o prefeito
19:37precisa de 34 votos
19:39favoráveis ao afastamento.
19:41Vamos ficar de olho
19:42de novo, vereador.
19:43Conversei com o Tarciso Mota
19:44que é o líder
19:45da bancada do PSOL
19:46na Câmara de Vereadores do Rio.
19:48Um abraço.
19:49Obrigado, viu,
19:50pelo espaço.
20:01E aí,
20:02o que é o que é o que é o que é?
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