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Felipe Moura Brasil mostra como a decisão de Celso de Mello de suspender processos contra Deltan Dallagnol no CNMP honrou o discurso do ex-conselheiro Lauro Machado contra a vassalagem ao poder político. Assista.
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Categoria
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NotíciasTranscrição
00:00Salve, salve, sejam bem-vindos, leitores e espectadores de O Antagonista.
00:03Eu sou Felipe Moura Brasil e hoje quero conversar com vocês
00:06sobre a decisão do ministro do STF, Celso de Mello,
00:09que desarmou um golpe contra Deltan Dallagnol
00:12e lembrar também um discurso épico ao qual essa decisão fez juiz.
00:17Isso, aliás, é mais um motivo para vocês assinarem a revista Cruzoé,
00:21também o Antagonista Mais, claro,
00:23porque aqui a gente mostra as coisas na raiz,
00:26como foi o caso, por exemplo, da não recondução
00:29de dois conselheiros do Conselho Nacional do Ministério Público
00:33que haviam votado a favor do Deltan.
00:36E, por causa disso, os senadores,
00:38que são os responsáveis pelo preenchimento dessas vagas,
00:42não os reconduziram ao cargo.
00:44Então, quem estava preocupado com recondução de conselheiro do CNMP ao cargo
00:49lá em setembro de 2019?
00:51Nós estávamos mostrando na raiz as manobras
00:55para que se chegasse a esse golpe contra o Deltan Dallagnol,
01:00que gerou uma grande comoção pelas pessoas engajadas,
01:03obviamente, que acompanham o debate público nas suas minúcias,
01:06mas uma comoção nas redes sociais,
01:08também por meio dos procuradores,
01:11antes de sair essa decisão do Celso de Mello.
01:14Portanto, vocês podem aqui mirar o celular para o QR Code,
01:17podem também entrar em o antagonista.com barra exclusivo
01:21e ver lá qual é o melhor combo de assinatura para vocês.
01:24Em setembro, eu escrevi uma coluna sobre o discurso épico
01:28que eu vou lembrar daqui a pouco.
01:29Mas vamos por partes.
01:30O Celso de Mello suspendeu dois processos
01:32que poderiam afastar o Deltan Dallagnol
01:34da força-tarefa da Lava Jato.
01:37Eram três pedidos,
01:39um da assinadora Cátia Abreu,
01:40outro do Renan Calheiros e outro do Lula.
01:43Sobre o Lula, não havia pedido da defesa do Deltan,
01:46então não houve decisão do Celso de Mello em relação a esse.
01:50Quem provavelmente está sendo adiado hoje,
01:52o antagonista já noticiou nessa manhã,
01:54estou gravando esse vídeo,
01:55na terça-feira a decisão do Celso de Mello saiu na segunda noite.
01:59O pedido da Cátia Abreu
02:00era um pedido que listava a criação do fundo da Lava Jato
02:03com dinheiro pago pela Petrobras aos Estados Unidos,
02:06que foi uma decisão já suspensa pelo Supremo Tribunal Federal,
02:10mas sem punição a Deltan.
02:12Então, houve lá aquela polêmica
02:15sobre o que fazer com o dinheiro
02:17resultante de uma multa a Petrobras
02:19lá nos Estados Unidos,
02:20por causa da relação com investidores americanos,
02:24e houve ali uma proposta dentro da Lava Jato,
02:26se criar uma fundação, etc.
02:27Foi muito criticada na época,
02:29e o Supremo decidiu,
02:30isso aqui realmente não está de acordo com o que deve ser feito,
02:34vamos realocar esses recursos aqui em outros lugares,
02:38mas não vai ficar sob a administração de vocês, etc.
02:41Não houve punição nenhuma para o Deltan Dallagnol
02:44em relação a isso,
02:45então já está decidido.
02:47Então, parece que quer criar
02:49uma nova espécie de crime de hermenêutica.
02:52Vocês lembram quando os políticos tentaram inserir isso
02:54naqueles pacotes supostamente anticrime,
02:57que eles vivem desfigurando, anticorrupção?
03:00Eles queriam, por exemplo,
03:02que o juiz de primeira instância,
03:04ao tomar uma decisão que é depois revogada
03:06revogada por um juízo de tribunal superior,
03:09quem sabe até de segunda instância,
03:12mas ainda tem o STJ, o STF,
03:14que o juiz lá da primeira instância seja punido,
03:17que a decisão dele seja criminalizada,
03:21sendo que, obviamente,
03:22no direito existe divergência na interpretação das leis.
03:26Então, você tem ali um sistema de freios e contrapesos
03:29que ocorre, que acontece,
03:31que faz parte do poder judiciário.
03:34E você querer punir as pessoas por tomar decisões
03:38que são revogadas ou que são derrubadas
03:41em tribunais superiores,
03:43sem que haja nenhum motivo a mais,
03:45nenhum crime específico,
03:47é claro que é uma barbaridade.
03:49Então, a Cátia abriu, de uma outra maneira aqui,
03:52estava querendo fazer alguma coisa parecida com isso
03:55e esse caso já estava devidamente resolvido.
03:58Tenha você concordância ou divergência
04:01em relação àquela proposta original.
04:03Ela também citou as palestras em favor da Lava Jato,
04:07que foram julgadas legítimas
04:08pelo próprio Conselho Nacional do Ministério Público,
04:11o CNMP.
04:12E aí citou também a existência,
04:15a própria existência de reclamações disciplinares
04:17no CNMP contra a Força-Tarefa,
04:20que são reclamações, a maioria delas,
04:22apresentadas por alvos das investigações.
04:26Então, eles tentam, de todas as maneiras,
04:27retaliar aqueles investigadores que os incomodam.
04:31Isso é o processo natural.
04:34O sujeito que é investigado, ele fica lá incomodado,
04:37muitas vezes é culpado, muitas vezes é um criminoso mesmo,
04:40é um bandido,
04:41e ele faz de tudo para retaliar os investigadores,
04:44para fingir que ele é inocente
04:46e mostrar todo o seu ódio
04:48em relação àqueles que estão tentando puni-lo
04:51e tentando trazer à tona toda a sujeira
04:53que eles produziram,
04:55que eles tentaram e continuam tentando com essas ações,
04:58varrer para debaixo do tapete.
05:00Aliás, isso é um método,
05:02esse negócio de inserir algo que ainda é uma reclamação
05:06que o Augusto Aras andou aí usando.
05:09Eu comentei aqui já em vídeo anterior.
05:11Então, o cara vai lá na TVPT e afirma uma coisa
05:14que ainda é parte,
05:16ou entra lá no Supremo Tribunal Federal com um recurso,
05:19que usa uma alegação
05:20que foi dada por uma outra pessoa,
05:22num caso que não foi julgado ainda.
05:24E aquilo se torna uma base
05:26para se sair fazendo acusações
05:28e tentar manchar a reputação dos outros
05:31ou de uma força-tarefa inteira.
05:34Muito bem, então esse era o pedido da Cátia Abreu.
05:37E o outro processo, movido pelo Renan Calheiros,
05:40diz respeito à alegada tentativa do Deltan Dallagnol
05:44de interferir na disputa pela presidência do Senado
05:47por meio de postagens nas redes sociais
05:50que alertavam para o risco de retrocesso
05:52no combate à corrupção, caso o Renan fosse eleito.
05:55Então, o Deltan Dallagnol escreveu lá
05:57que a eleição do Renan Calheiros
05:59seria prejudicial para a pauta anticorrupção,
06:01que era a opinião de todo mundo
06:03que acompanha o debate público,
06:05o debate político
06:06e que tem um senso de moralidade.
06:09Embora o concorrente,
06:11como acontece nas eleições em geral no Brasil,
06:13também não fosse lá essas coisas,
06:15como a gente está vendo, inclusive,
06:17pelas suas ações, o Davi Alcolumbre.
06:19Mas você tem a liberdade de expressão do procurador,
06:24que esse pessoal está querendo evitar,
06:26e por mais que você discorde, eventualmente,
06:31ou considere inapropriado que um procurador faça isso,
06:35ele não só tem a liberdade de expressão,
06:37como a partir da divergência
06:40ou dessa consideração de algo
06:43que não seja devidamente apropriado,
06:45você tirá-lo da força-tarefa
06:48da qual ele faz parte por causa disso,
06:51sendo que ministros do Supremo, por exemplo,
06:53usam o próprio plenário do Supremo
06:55para disferir os ataques mais descalibrados
06:58e descabidos contra procuradores,
07:00contra juízes,
07:02e continuam lá numa boa,
07:04não são tirados por ninguém.
07:06Quer dizer, em primeiro lugar,
07:07o exemplo vem de cima.
07:08E você tem aí ministros do Supremo
07:10que falam o que querem pelos cotovelos
07:13no debate público,
07:14fazem campanhas pela legalização das drogas,
07:18pela legalização do aborto,
07:19saem defendendo tudo isso em entrevistas,
07:22questões que podem chegar
07:23até para a análise dele no Supremo Tribunal Federal,
07:26falam sobre questões de investigação.
07:28Quem é que não sabia que o Gilmar
07:29ia votar a favor do Lula
07:30e contra o Sérgio Moro
07:32na decisão recente
07:34que ele e o Lewandowski lá tomaram?
07:37Sabia por causa das declarações
07:39que o Gilmar Mendes já dava sobre esse caso.
07:41Então, os ministros do STF
07:42podem falar tudo
07:43e os procuradores,
07:45que também entendem o assunto da corrupção,
07:47não podem opinar no debate público
07:49e se opinar ainda podem ser deslocados,
07:52ser removidos do órgão ou da unidade
07:55onde eles se encontram.
07:56Quer dizer, é tudo retaliação,
08:00quer dizer, cada questão dessa,
08:02de opinião numa rede social,
08:03é usada como pretexto
08:05para retaliar aqueles que incomodam
08:08por tirar a sujeira de baixo do tapete.
08:10Então, o Celso de Mello
08:12reagiu a essas duas tentativas
08:17da Cátia Abreu e do Renan Calheiros
08:19de afastar o Deltan
08:21e ele deu uma decisão
08:24que tem parágrafos
08:26que precisam ser lidos aqui
08:27e eu vou ler para vocês.
08:29Sabemos que regimes autocráticos,
08:33governantes ímprobos,
08:36cidadãos corruptos
08:37e autoridades impregnadas
08:39de irresistível vocação
08:41tendente à própria desconstrução
08:44da ordem democrática
08:45temem um Ministério Público independente.
08:50Aqui eu já faço um parêntese
08:51para essas autoridades impregnadas
08:55de irresistível vocação
08:56tendente à própria desconstrução
08:58da ordem democrática.
09:00Vocês vejam aí o recado
09:01que Celso de Mello está dando
09:03ao atual presidente Jair Bolsonaro
09:05sem precisar citar o nome dele.
09:08Então, está falando de regimes autocráticos,
09:10governantes ímprobos,
09:12cidadãos corruptos,
09:14quer dizer,
09:14todo o pessoal que articula
09:17contra o combate à corrupção,
09:19sem citar nome.
09:20E aí cita essas autoridades
09:22que não têm muito apreço
09:25pelo regime democrático,
09:26que, sob qualquer pretexto,
09:29têm aí um anseio,
09:30mesmo que não concretizado,
09:32de suplantar essa ordem,
09:36vamos dizer assim.
09:38Então, ele continua dizendo,
09:40pois o Ministério Público,
09:41longe de curvar-se
09:42aos desígnios dos detentores do poder,
09:45tanto do poder político
09:46quanto do poder econômico
09:48ou do poder corporativo,
09:49ou ainda do poder religioso,
09:51têm a percepção superior
09:53de que somente a preservação
09:55da ordem democrática
09:56e o respeito efetivo
09:57às leis desta República laica
09:59revelam-se dignos
10:00de sua proteção institucional.
10:03Há que se considerar,
10:04por isso mesmo,
10:05que um Ministério Público independente
10:07e consciente de sua missão histórica
10:09e do papel institucional
10:10que lhe cabe desempenhar
10:11sem ter diversações,
10:14sem bromação,
10:15sem enrolação,
10:16no seio de uma sociedade aberta
10:18e democrática,
10:19constitui a certeza
10:20e a garantia
10:21da intangibilidade
10:22dos direitos dos cidadãos,
10:24da ampliação do espaço,
10:25das liberdades fundamentais
10:27e do prevalecimento
10:28da supremacia
10:29e do interesse social.
10:32Fecho aspas para o Celso de Mello,
10:33vocês vejam
10:33a defesa que ele fez
10:35da atuação independente
10:37do Ministério Público.
10:39Isso que,
10:41mais do que nunca
10:42nos últimos anos,
10:43está completamente ameaçado
10:45ameaçado
10:46em razão
10:47da escolha
10:48por Jair Bolsonaro
10:49de Augusto Aras
10:50para Procurador-Geral
10:51da República,
10:51um detrator
10:52da Lava Jato,
10:53uma força-tarefa
10:54do próprio Ministério Público.
10:57E ele sai atacando
10:58a força-tarefa
10:59até na TV
11:00do partido
11:01que protagonizou
11:02o maior escândalo
11:03de corrupção
11:03da história do país.
11:05Então,
11:06é claro que tudo isso
11:07está fora de ordem
11:08e o Celso de Mello
11:09vem com uma decisão
11:10demolidora.
11:11Quando ele quer,
11:13ele consegue ser cristalino
11:15e, ao mesmo tempo,
11:17dar um chega para lá
11:19em todos aqueles
11:21que estão tentando
11:22fazer a coisa errada,
11:23sabotar aquilo
11:25que é o certo.
11:26Quando ele não se bandeia
11:27para o lado
11:27do Dias Toffoli,
11:28do Dilmar Mendes,
11:30do Ricardo Lewandowski
11:31e, muitas vezes,
11:32do Marco Aurélio Mello,
11:33embora, às vezes,
11:35também não se bandeia,
11:36o Celso de Mello
11:37consegue ser impecável.
11:39Tem mais.
11:40a remoção do membro
11:41do Ministério Público
11:42de suas atribuições,
11:43ainda que fundamentada
11:44em suposto motivo
11:46de relevante interesse público,
11:48deve estar amparada
11:49em elementos probatórios
11:50substanciais
11:52produzidos sob o crivo
11:53do devido processo legal,
11:55garantindo-se o pleno exercício
11:57do contraditório
11:58e da ampla defesa
11:58sob pena de violação
12:00aos postulados constitucionais
12:02do promotor natural
12:03e da independência funcional
12:06do membro
12:07do Ministério Público.
12:08Então, esse é mais um parágrafo
12:10do Celso de Mello,
12:12reforçando a importância
12:13da independência funcional
12:15que estava sendo ameaçada
12:18e ainda está sendo ameaçada
12:19pelo Procurador-Geral
12:20da República,
12:21Augusto Ares,
12:22que quer atropelar
12:23essa independência
12:25para coletar dados sigilosos
12:27das forças-tarefas,
12:29como se o fato
12:30de ele estar
12:31como chefe
12:33do Ministério Público
12:34obrigasse todas as equipes,
12:37todos os procuradores
12:38a compartilhar com eles
12:40dados específicos
12:42a respeito de determinadas
12:43investigações.
12:44Então, você tem que ali
12:45compartilhar,
12:46trazer esses dados
12:47para um sujeito
12:49que ocupa o cargo
12:50por indicação
12:51do Presidente da República.
12:53É claro que é preciso
12:54haver um mecanismo
12:55de proteção
12:56dessa autonomia,
12:59dessa independência funcional,
13:01até para não haver
13:02a interferência política
13:04contra investigações
13:05que possam alcançar
13:06o grupo político
13:08que colocou o chefe
13:10do Ministério Público Federal lá.
13:12Essa é uma das razões
13:14pelas quais
13:15é necessário
13:16preservar
13:16a independência funcional.
13:18E é óbvio
13:18que não é a única.
13:20Você veja que até
13:20numa empresa privada
13:21de comunicação,
13:23que seja realmente
13:24privada,
13:25que não seja financiada
13:26pelo governo,
13:27embora existam
13:27essas também por aí,
13:29vocês sabem,
13:30você,
13:31o chefe,
13:32o diretor,
13:33o dono,
13:34ele não tem acesso
13:35às conversas
13:36dos repórteres
13:37com as suas fontes
13:39para obter a notícia,
13:40muitas vezes,
13:41nem sabe,
13:42nem fica sabendo
13:43quem são as fontes
13:44dos repórteres,
13:46mas é banca
13:47no sentido moral,
13:50no sentido,
13:51não só moral,
13:51mas profissional,
13:53de que essa matéria
13:54pode ser publicada
13:55mesmo sem saber,
13:56mesmo sem que ele saiba
13:57o nome da fonte,
13:58porque ele confia
13:59naquele repórter.
14:00Então,
14:01os repórteres
14:03também têm
14:03uma certa
14:04independência
14:05nesse sentido,
14:06e da mesma forma,
14:07no Ministério Público,
14:09que é público
14:10até diferente
14:11da questão
14:12privada,
14:13existe ali
14:14alguma autonomia
14:15por parte
14:16dos procuradores
14:17para que eles possam
14:18coletar esses dados,
14:20organizar a sua
14:21investigação
14:21e demonstrar ali
14:23quem são
14:24os verdadeiros
14:25culpados
14:26na opinião deles,
14:28que serão acusados
14:29e tal,
14:29e depois para Sarão
14:30pelo Crivo
14:31da Justiça.
14:32Muito bem,
14:32entre os problemas
14:33desses processos
14:34agora suspensos
14:35pelo Celso de Mello
14:36estava,
14:36como o antagonista
14:37tinha apontado,
14:38a rejeição
14:38de depoimentos
14:39de 38 testemunhas
14:40de defesa
14:41indicadas pelo Deltan,
14:42principalmente
14:43colegas de Força-Tarefa,
14:44e a inclusão
14:45de acusações novas
14:46sem direito
14:46à ampla defesa
14:47ou antigas
14:48já arquivadas
14:50pelo próprio
14:50CNMP.
14:52O Celso de Mello
14:53destacou que várias
14:54daquelas reclamações
14:55disciplinares
14:56já tinham sido
14:57arquivadas
14:58pelo Conselho
14:59e, por isso,
15:00o Deltan
15:00não poderia ser
15:01acusado novamente
15:02por elas.
15:02Então,
15:02ele afirmou,
15:03o ministro Celso de Mello,
15:04ninguém em um Estado
15:05democrático de direito
15:06pode expor-se
15:07à situação
15:08de duplo risco,
15:09o double jeopardy,
15:10duplo risco,
15:11que, aliás,
15:12em português
15:12ficou risco duplo
15:13no filme,
15:14com a Ashley Judd,
15:16o Tommy Lee Jones,
15:17sempre extraordinário,
15:18um dos melhores
15:19rabugentos do cinema,
15:20o Bruce Greenwood,
15:21um filme
15:22bastante divertido,
15:23vale a pena ver.
15:25Filme simples,
15:25mas interessante
15:27que tem justamente
15:28esse nome
15:29por causa
15:29dessa regra.
15:31E qualquer medida
15:32que implique
15:33a inaceitável
15:34proibição
15:34ao regular
15:35exercício
15:35do direito
15:36à liberdade
15:37de expressão
15:37dos membros
15:38do parquê
15:39revela-se
15:39em colidência
15:40com a atuação
15:41independente
15:42e autônoma
15:42garantida
15:43ao Ministério Público
15:44pela Constituição
15:44de 1988.
15:46Celso de Mello
15:47aí reiterando
15:48a defesa
15:49da liberdade
15:49de expressão,
15:51meu celular tocando,
15:52mas eu desliguei,
15:53e eu quero lembrar
15:54aqui o trecho
15:54que o próprio Deltan
15:56acabou destacando,
15:57muita gente já tinha
15:58destacado nas redes sociais,
15:59talvez o trecho
16:00mais enfático
16:01da decisão
16:02do Celso de Mello,
16:03quando o Deltan
16:04agradeceu,
16:05ele citou,
16:05como se sabe,
16:07palavras do ministro,
16:08a Constituição
16:09da República
16:09atribuiu ao Ministério
16:10Público
16:11posição de inquestionável
16:12eminência político-jurídica
16:14e deferiu-lhe os meios
16:16necessários
16:17à plena realização
16:19de suas elevadas
16:19finalidades institucionais,
16:22notadamente
16:22porque o Ministério Público,
16:24que é o guardião
16:25independente
16:25da integridade
16:26da Constituição
16:27e das leis,
16:28não serve a governos
16:30ou a pessoas
16:31ou a grupos ideológicos,
16:34não se subordina
16:35a partidos políticos,
16:36não se curva
16:37à onipotência
16:38do poder
16:39ou aos desejos
16:40daqueles que o exercem,
16:42não importando
16:43a elevadíssima posição
16:44que tais autoridades
16:45possam ostentar
16:46na hierarquia da República,
16:48nem deve ser
16:49o representante servil
16:51da vontade unipessoal
16:53de quem quer que seja,
16:54sob pena
16:55de o Ministério Público
16:56mostrar-se infiel
16:57a uma de suas
16:58mais expressivas funções,
17:00que é a de defender
17:01a plenitude
17:02do regime democrático.
17:04Então,
17:05essas palavras
17:06do Celso de Mello,
17:07nesse momento
17:07pelo qual o país passa,
17:09em que a gente vê
17:10sabujos
17:12e vassalos
17:13do poder
17:13por todos os lados,
17:15essas palavras
17:16são fundamentais
17:18e elas fazem
17:19jus
17:20às palavras
17:21de um daqueles
17:23dois conselheiros
17:24que não foram
17:26reconduzidos
17:27ao cargo
17:27depois de votarem
17:28a favor do Deltan.
17:31E aqui eu vou
17:31lembrar para vocês
17:32o meu artigo
17:33de setembro de 2019
17:35na Cruzoé,
17:36não por acaso,
17:37chamado
17:38Independência
17:39ou Vassalagem.
17:41Aqui a gente analisa
17:42essas questões
17:43na raiz,
17:44muito antes
17:45de elas virem à tona
17:46numa decisão
17:47como essa.
17:48Então,
17:49o meu artigo engloba
17:50várias questões,
17:51mas lá no meio
17:52está o seguinte,
17:53dois membros
17:54do Conselho Nacional
17:56do Ministério Público
17:57também mantiveram
17:58suas posições
17:59em meio a pressões
17:59internas e externas,
18:01mas não puderam escolher
18:02ficar em seus cargos.
18:04O Senado
18:04rejeitou a recondução
18:06dos conselheiros
18:07Lauro Machado
18:08por 36 votos
18:09a 24
18:10e Demerval Farias
18:1133 votos
18:13a 15
18:13após ambos
18:14votarem a favor
18:15do Deltan.
18:16Nesses casos aí,
18:17a representação
18:18é da Cátia Abreu
18:19ou do Renan Calheiros.
18:21Então,
18:21o Demerval
18:22naquela ocasião
18:23declarou o seguinte
18:24a um jornal.
18:25Bandeira,
18:26que é
18:27o Luiz Fernando
18:28Bandeira de Mello Fim,
18:30homem do Renan Calheiros
18:32no CNMP,
18:34queimou o meu nome
18:35junto à senadora
18:36Cátia Abreu
18:36a partir daí,
18:38ela fez o trabalho
18:39de articulação
18:39nos bastidores.
18:41Todos sabemos
18:41o nome dos atores
18:42que têm a sua
18:43força política.
18:45Declarações
18:46aqui do Demerval.
18:47E eu até comentei
18:48no texto.
18:49Sabemos sim,
18:49Renan Calheiros
18:50foi quem indicou
18:50o conselheiro Bandeira,
18:52Luiz Fernando Bandeira
18:53de Mello Fim,
18:53a secretaria-geral
18:54da mesa diretora
18:55do Senado.
18:56E ambos,
18:57Renan e Bandeira,
18:58aplaudiram
18:59a aprovação
19:00de Augusto Aras
19:01para a PGR.
19:02Vocês verem
19:03a escolha
19:03feita pelo Bolsonaro,
19:04como agradou
19:05essa turma,
19:06Renan Calheiros,
19:08petistas,
19:09tucanos enrolados
19:10com a justiça
19:11e, claro,
19:12a turma do Centrão.
19:14Muito bem,
19:15o Bandeira,
19:16você vê que ele tinha
19:17um cargo na mesa
19:17diretora do Senado,
19:18foi chefe de gabinete
19:19do Renan Calheiros
19:20e se tornou lá
19:21conselheiro
19:22no Conselho Nacional
19:24do Ministério Público.
19:25Continuava eu
19:26no artigo,
19:27passou despercebido,
19:28no entanto,
19:29o discurso
19:29de despedida
19:30de Lauro Machado,
19:31que é o outro
19:32conselheiro
19:32do CNMP,
19:34proferido
19:34no mesmo dia
19:35do pronunciamento
19:36de Jair Bolsonaro
19:37na ONU.
19:38Aspas
19:39para o Lauro Machado.
19:41Esse é o discurso épico
19:42ao qual eu me referi
19:44no começo desse vídeo.
19:45Demerval,
19:46você me representa,
19:47saiba disso.
19:48É uma honra
19:48ter compartilhado contigo
19:49esse processo,
19:50essa situação
19:51e ouvir a sua manifestação
19:53nesse momento.
19:54É assim que o Lauro
19:55iniciou,
19:55agradecendo também
19:56a Deus,
19:56família,
19:57colegas e entidades,
19:58bem como aos senadores
19:59que votaram a favor dele
20:01e que, no entanto,
20:02restaram derrotados.
20:04E eu fiz questão
20:04de transcrever
20:05o resto do discurso.
20:08Durante minha vida profissional,
20:09na qual já estou
20:10há mais de 20 anos,
20:11sempre tive dois mantras
20:12que me guiaram
20:13em todos os cargos
20:14que exerci
20:15no âmbito
20:16do Ministério Público.
20:17O primeiro deles é
20:18coerência custa caro.
20:21Vou repetir, hein?
20:22Coerência custa caro.
20:24E o outro é que
20:25o cargo não honra a pessoa,
20:27a pessoa é que honra o cargo.
20:28Se exercesse esse cargo
20:30de forma covarde
20:31e conveniente,
20:33submetendo-me a patrulhamento
20:34vil de consciência,
20:36eu não estaria à altura
20:38dessa missão.
20:39Portanto,
20:40paguei o preço político
20:41por ser coerente
20:43com as minhas convicções
20:44de justiça,
20:46imune
20:46a alertas ameaçadores
20:48que me deixaram ciente
20:50de que estava sob prova
20:52nestes mais de 180 dias
20:54em que meu nome tramitou
20:55no Senado Federal.
20:57Faço aqui um parêntese.
20:58Ele está mostrando
21:00que havia pressões
21:01para que ele
21:03se comportasse
21:04de uma maneira contrária
21:05às próprias convicções,
21:07senão,
21:09ele não seria reconduzido
21:10ao cargo como não foi,
21:11porque realmente
21:12se manteve firme.
21:13Após minha rejeição,
21:15fui informado
21:15de que a minha rejeição
21:16foi uma opção minha.
21:18De fato,
21:18esta foi
21:19e sempre será
21:20a minha opção.
21:22Sou promotor de justiça
21:23e sempre exerci
21:24todos os cargos
21:24de representação
21:25sob esta perspectiva
21:27buscando atuar
21:27com equilíbrio,
21:28imparcialidade,
21:30isenção e honradez.
21:31Jamais negociaria
21:33esses valores
21:34para agradar
21:34a uma parcela
21:35do Senado Federal
21:36que se incomodou
21:38com os meus posicionamentos
21:39e do doutor Demerval
21:40que não foram
21:41destuantes da técnica,
21:43não foram isolados
21:45e nem decisivos,
21:47especialmente em relação
21:48à liberdade
21:48de expressão
21:49dos membros do MP
21:50e integrantes
21:51da Lava Jato.
21:52Mas essa parcela
21:53do Senado
21:54identificou em mim
21:55e no conselheiro Demerval
21:56os portadores ideais
21:58para este recado
21:59que foi mandado
22:00ao MP brasileiro.
22:02Portanto,
22:03se o preço
22:03foi o meu segundo
22:04mandato no CNMP,
22:06aquele mandato
22:07que ele perdeu,
22:08não foi reconduzido,
22:09pago com tranquilidade,
22:11pois nunca tive
22:12vocação
22:13para fuchê.
22:15Fuchê,
22:16conselheiro Silvio,
22:17isso era
22:17o conselheiro
22:18Lauro Machado,
22:19parêntese meu aqui,
22:20falando de José Fuchê,
22:22eu completei o nome
22:23da pessoa
22:24a qual ele se referia,
22:27e ali,
22:27usando o vocativo,
22:28se referindo
22:29diretamente
22:30ao conselheiro Silvio Amorim,
22:31que também fazia
22:32parte do conselho.
22:33Fuchê foi um político
22:34francês
22:35que entrou para a história
22:36por falta
22:37de compromissos
22:38outros que não
22:39os consigo mesmo,
22:40estando sempre
22:41do lado
22:42dos mais fortes.
22:44Nunca precisei
22:45ser sabujo
22:46daqueles que me escolheram
22:48para aqui estar.
22:50vou repetir,
22:52nunca precisei
22:53ser sabujo
22:54daqueles que me escolheram
22:55para aqui estar,
22:57e nem me submeter
22:58para o papel
22:58de bedel
22:59de opinião alheia.
23:01Apenas cumpri
23:02o meu papel,
23:03como se diz muito
23:04aqui nesse plenário,
23:05cada um escolhe o papel
23:06que quer cumprir,
23:07como sou um otimista
23:08nato.
23:09O ponto positivo
23:10deste episódio
23:10é que a situação
23:11ficou transparente
23:13e possibilitará
23:15ao MP
23:15avaliar
23:15suas consequências
23:16e a esse conselho
23:18por sua próxima
23:19composição
23:19debater as formas
23:21de preservar
23:21o seu status
23:22constitucional
23:23de órgão
23:24independente
23:25e de composição
23:27plural
23:28e não se prestando
23:29a ser um instrumento
23:31de vassalagem
23:32do Senado
23:33da República
23:34ou de qualquer
23:35um dos outros
23:36poderes.
23:37Desejo sinceramente
23:38sorte
23:39e sucesso
23:40a todos já aprovados
23:41para a próxima composição
23:42e que possam
23:43exercer seus mandatos
23:45de forma plena
23:46e ao final
23:46possam ter a certeza
23:48do dever cumprido,
23:49sentimento que me toma
23:50neste momento
23:51e levo de volta
23:52para o Ministério Público
23:53do meu Estado
23:54de Goiás.
23:55Muito obrigado
23:56e um abraço
23:57a todos.
23:58Fecho aspas,
23:59conselheiro
23:59Lauro Machado,
24:02a quem
24:02a decisão
24:04do Celso de Melo
24:05na noite de segunda-feira
24:06fez jus.
24:07Reparem que ele
24:08apontou tudo isso lá
24:10meses atrás
24:12quando não foi
24:12reconduzido ao cargo
24:14em razão
24:14de ter votado
24:16a favor do Teltan
24:16de acordo com as suas
24:17próprias convicções
24:18e de acordo
24:19com aquilo que ele
24:20considerava ser
24:21o voto técnico.
24:23Como ele está dizendo
24:24nesse discurso
24:25que para mim
24:27fica para a posteridade
24:29e que, enfim,
24:31tem ali
24:31essas questões
24:32culturais
24:33e esses valores
24:34morais
24:35que são muito importantes
24:36nesse momento
24:37do país.
24:38Eu precisei tomar
24:39na minha vida também
24:39decisões baseadas
24:41nesse sentimento,
24:42nesses valores
24:43e isso realmente
24:45é muito importante
24:46nesse período
24:47em que
24:47há uma grande
24:49cooptação,
24:50há uma grande
24:51compra de apoio
24:52por todo lado
24:53e muitas pessoas
24:54aí havendo.
24:55Nesses tempos
24:56de sabugice
24:57e vassalagem
24:58explícitas,
24:59continuei eu
24:59no meu artigo
25:00comentando
25:01o pronunciamento dele.
25:03Nesses tempos
25:04de sabugice
25:04e vassalagem
25:05explícitas,
25:06no CNMP,
25:06no Congresso,
25:07no STF,
25:08na PGR,
25:09em gabinetes
25:09do Executivo
25:10e dos Legislativos
25:11estaduais,
25:12nas redes sociais
25:13e no resto
25:14da internet,
25:15eu poderia ter incluído
25:16inclusive
25:16veículos de comunicação,
25:18com patrulhamento
25:19vil de consciência,
25:20o discurso
25:21de Lauro Machado
25:21é uma raridade
25:23e sua citação
25:23educa
25:24pelo exemplo contrário.
25:26Bom,
25:26isso aqui é só um trecho
25:27ali,
25:28o miolo
25:28do meu artigo.
25:29No início
25:30eu comento
25:31uma parte
25:31do pronunciamento
25:32do Bolsonaro
25:32na ONU,
25:33que tinha sido
25:34por acaso
25:34naquele mesmo dia,
25:35e depois
25:36eu resgato
25:38um pouco
25:39da vida
25:40do Fouché,
25:41citado pelo
25:42conselheiro
25:42Lauro Machado,
25:44a partir
25:44principalmente
25:45de uma biografia
25:46escrita
25:47pelo Stephen Zewitt,
25:49que foi
25:51um grande
25:52autor austríaco,
25:54biógrafo,
25:55e que morou
25:57no final da vida
25:57inclusive no Brasil,
25:58onde lamentavelmente
25:59se matou,
26:01e que foi também
26:02o biógrafo
26:02de Michel de Montaigne.
26:03E aí eu pego
26:05as duas
26:05biografias,
26:07a de Fouché
26:07e a de Montaigne,
26:08e eu comparo
26:09mostrando como
26:10ele retratou
26:11em um
26:12o oposto
26:12do outro.
26:13Está lá no meu artigo,
26:14zoe.com.br
26:15barra Felipe,
26:16independência ou
26:17vassalagem,
26:18mais uma amostra
26:19de como aqui
26:20a gente mostra
26:21essas questões
26:22na raiz,
26:23muito antes
26:23delas virem à tona
26:25de uma maneira
26:25mais visível
26:26para o restante
26:27da sociedade.
26:29Então,
26:29Celso de Mello,
26:30parabéns por essa
26:31decisão,
26:32e por fazer
26:33jus
26:34àquele discurso
26:36avassalador
26:37do conselheiro
26:38Lauro Machado.
26:41Vamos ver,
26:42vamos acompanhar
26:42em um antagonista.com
26:43todos os desdobramentos
26:44a respeito
26:45do caso
26:45do Lula.
26:46Vamos sempre
26:47ficar vigilantes
26:48em relação
26:49aos ataques
26:50e às ameaças
26:51contra a Força-Tarefa
26:53da Lava Jato
26:54e contra o combate
26:55à corrupção
26:55em geral.
26:58E é isso,
26:59tem muito mais
27:00ainda para a gente
27:01comentar,
27:02mas eu deixo
27:02para os próximos vídeos.
27:03Um grande abraço
27:04e até a próxima.
27:05Tchau.
27:05Tchau.
27:05Tchau.
27:05Tchau.
27:05Tchau.
27:05Tchau.
27:06Tchau.
27:06Tchau.
27:06Tchau.
27:06Tchau.
27:06Tchau.
27:06Tchau.
27:06Tchau.
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