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  • 19/06/2025
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Transcrição
00:00Então nesse incidente de falsidade 504-3015-38, depoimento do Sr. João Muniz Leite.
00:11Sr. João, estou vendo aqui que o senhor veio acompanhado de advogado, não tem nenhum problema quanto a isso,
00:19mas o senhor está aqui nesse processo como testemunha, certo?
00:23Não existe nenhuma acusação contra o senhor formulada e o senhor não é investigado por nenhum crime.
00:29Na condição de testemunha, o senhor tem um compromisso com a justiça em dizer a verdade e responder as perguntas que lhe forem feitas, certo?
00:37Correto.
00:38Na condição de testemunha, o Sr. João, eu vou lhe advertir que se o senhor faltar com a verdade, se o senhor mentir,
00:44o senhor fica daí sujeito a um processo criminal por falso testemunho, certo?
00:49Correto.
00:50A sua oitiva foi requerida pelo Ministério Público Federal.
00:53Eu vou passar a palavra aqui para a doutora, para as perguntas, peço que o senhor as responda.
01:04Cumprimento V. Exª, cumprimento os presentes.
01:08Sr. João Muniz Leite, qual é a sua formação profissional?
01:14A minha formação é técnico em contabilidade.
01:20O senhor prestava ou presta serviços ao acusado Roberto Teixeira?
01:28Presto serviços, ainda.
01:30Há quantos anos?
01:33Há exatos 14 anos.
01:36E que natureza de serviço o senhor presta ao Sr. Roberto Teixeira?
01:39Eu sou contador das empresas que ele tem, sendo escritório de advocacia, e duas empresas de administração de imóveis.
01:50O senhor, nessa condição, era responsável por preencher declarações de imposto de renda do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva?
02:00Sim, eu fui contratado, ou melhor, eu fui, a pedido do doutor Roberto, eu passei a fazer as declarações a partir do ano base de 2011.
02:12Fiz de ano base de 2011 a ano base de 2015.
02:17E qual era a tarefa que o senhor tinha que fazer para esse preenchimento de declarações de imposto de renda?
02:23Bom, a tarefa é receber a documentação, sempre no escritório do doutor Roberto, eu fazia a conferência das informações e começava, então, o preparo da declaração.
02:37Isso era feito, normalmente, em três ou quatro etapas, uma vez que sempre a gente tinha, faltando algum documento, a gente checava e dava sequência numa outra oportunidade.
02:48De quem o senhor recebeu os documentos para preencher as declarações do ex-presidente Lula?
02:56Sempre das mãos do doutor Roberto.
02:59Ele lhe entregava, então, um dossiê, um conjunto dos documentos para esse preenchimento?
03:07Na realidade, ele me entregava, mas fazia sempre juntos, nunca retirava os documentos do escritório.
03:13Certo. E o senhor também atuou como contador para Glaucus da Costa Marques?
03:21Eu atuei como contador dele até o ano base de 2011, fazendo a contabilidade de uma empresa que ele tinha comigo no escritório também.
03:30E, a partir daí, eu passei a controlar alguns compromissos dele, principalmente na questão do Carnê Leão,
03:38na preparação dos DARFs em pôs de renda sobre aluguéis recebidos.
03:45Esta empresa de Glaucus da Costa Marques, para a qual o senhor trabalhou, o senhor pode declinar o nome?
03:54Não entendi a pergunta.
03:55Qual o nome da empresa de Glaucus da Costa Marques, para a qual o senhor realizou trabalhos de contador?
04:02Chamava-se Bill Maker.
04:06Exclusivamente para essa?
04:08Exclusivamente para essa.
04:09E com relação aos trabalhos como contador, o senhor referiu a Carnê Leão?
04:17Sim.
04:17Se refere a Carnê Leão relativo a que tributo?
04:23A que origem de tributo?
04:28O Carnê Leão, ele se refere a todos os rendimentos recebidos de pessoas físicas, independente do tipo de rendimento.
04:34E esse recebimento de pessoa física era recebimento relativo a quem?
04:41Ou a que negócio?
04:44Aluguéis.
04:45De aluguéis de que imóvel?
04:49No caso, especificamente do imóvel que ele tinha alocado em São Bernardo.
04:52Então, o senhor trabalhou em serviços de contador em relação a Bill Maker e em relação ao apartamento 121 de São Bernardo?
05:03Não especificamente do apartamento.
05:05Eu fazia o Carnê dos recebimentos de aluguéis.
05:07A partir de 2011 é que eu tomei conhecimento que era do apartamento de São Bernardo, por conta de eu fazer as duas declarações, tanto a dele quanto a da ex-primeira-dama.
05:18A defesa do ex-presidente Luiz Inácio apresentou uma declaração escrita do senhor, relatando que o senhor colheu assinaturas de Glaucus no final do ano de 2015 no hospital Sírio-Libanês, referentes ao aluguel do apartamento 121.
05:37O senhor confirma isso?
05:39Confirmo.
05:40Como foi combinada essa visita ao hospital?
05:47Bom, na realidade, para chegar até a visita do hospital, teve um procedimento que começou em 2014.
05:55Aliás, em janeiro e em fevereiro de 2015, quando eu fechei a declaração ano-base de 2014, eu já notei a ausência de todos os recibos relativos ao ano-base de 2014.
06:07No entanto, eu fechei a declaração de imposto de renda dessa mesma forma, porque eu conhecia e controlava os recebimentos de aluguéis, então eu sabia exatamente quais eram os valores que tinham sido pagos, então eu encerrei a declaração considerando os valores que eu já tinha conhecimento de ambas as partes.
06:27Eu comuniquei ao doutor Roberto e falei que ia pedir ao senhor Glaucus que me apresentasse os recibos, porém esses recibos não chegaram até o final de 2015, quando novamente eu o cobrei numa das visitas que ele fez ao meu escritório.
06:43Então, ele me prometeu que entregaria uma pasta com todos os recibos, para que eu pudesse, então, checar e ver quais os recibos exatamente que estavam faltando.
06:55Por favor, eu não compreendi. O senhor esteve no hospital Sírio-Libanês?
07:01Não, eu estou contando primeiro para poder chegar na história do hospital.
07:04Então, eu pediria, por gentileza, que o senhor retornasse na sua explicação, porque não estou compreendendo a explicação que o senhor está dando.
07:18O senhor se referiu à declaração do ano-calendário de 2013?
07:24Ano-calendário de 2014.
07:27O senhor estava fazendo preenchimento em 2015?
07:29Isso, em 2015, no preenchimento da declaração, ano-basis de 2014, eu notei a ausência dos recibos de 2014.
07:38Foi então que eu cobrei o senhor Glaucus para que ele me apresentasse esse recibo.
07:42Com a vinda dele ao meu escritório, que era comum em função de eu assessorá-lo nessa questão e outras consultas que eventualmente ele me fazia,
07:51foi então que eu novamente cobrei ele que pode me mandar uma pasta com os recibos.
07:55Ele mandou a pasta, eu fiz a conferência, nesse intervalo ele foi hospitalizado, eu fui visitá-lo no primeiro momento com um amigo que era,
08:05e não com o objetivo de colher assinatura, mas aproveitei a oportunidade e já comentei com ele que eu,
08:12embora ele tivesse me mandado uma pasta com os recibos, lá existiam recibos já prontos, porém não assinados,
08:18e um período que não tinha sido feito. Então ele me pediu para que eu fizesse sim uma organização e preparasse os recibos que faltavam
08:25e que voltasse ao hospital numa outra oportunidade e que ele assinaria todos sem problema nenhum.
08:30Era o senhor que preparava recibos desse aluguel?
08:33Não, eu só preparei alguns meses que estavam ausentes no pacote de recibos que ele me enviou.
08:39Quais, relativos a que ano o senhor preparou recibos de aluguel?
08:43Eu não me recordo exatamente os meses nem os anos, mas eram poucos recibos que eu fiz.
08:51O senhor preparou recibos do ano-calendário de 2011?
08:55Não, 2011 não.
08:56E de 2012?
08:58Também não.
08:592013?
09:012013 com certeza não, eram recibos de 2014 e 2015, agora não me recordo exatamente os meses.
09:06Quando o senhor preparou a declaração do ano-calendário de 2011, em 2012, o senhor recebeu das mãos de quem os recibos?
09:15O senhor recebeu as cópias dos recibos para preparar a declaração de imposto?
09:20Os recibos estavam todos na documentação para preparar a declaração de imposto de renda,
09:26bem como o relatório do Carnê Leão conferindo com os valores de recibos, com os recibos de aluguéis.
09:32Isso foi assim em 2011?
09:332011, 2012, 2013 inclusive não tínhamos recibos, eu passei um e-mail para o senhor Glauco solicitando a ele a relação dos valores recebidos mês a mês.
09:47Ele me enviou um e-mail dizendo, confirmando os valores mês a mês do recebimento de aluguéis.
09:52Mas então retomando, em 2011 o senhor teve nas suas mãos os recibos relativos a 2011?
09:582011, 2012 e 2013 eu solicitei a ele os valores.
10:04Quem lhe entregou os recibos em 2011 para preenchimento da declaração de imposto?
10:09Como sempre, os documentos estavam numa única pasta, onde eu fazia toda a reciclagem e preparava a declaração.
10:15Era o Intrex por quem? Pelo ex-presidente Lula?
10:18Não, eu não tinha contato com o ex-presidente, nunca tive, eu sempre preparava a declaração baseada nas documentações que o doutor Roberto me entregava.
10:29Então o senhor recebeu das mãos do senhor Roberto Teixeira?
10:32Isso.
10:32O senhor se recorda de ter recebido os recibos em 2011?
10:35Sim, recebi os recibos e preparei a declaração baseada nos recibos e na declaração que já existia no seu Glauco com o relatório do Carnê Leão.
10:43E no ano de 2012?
10:44Em 2012 também.
10:48Em 2013?
10:50Em 2013 eu não recebi os recibos, mas eu recebi uma confirmação por e-mail do seu Glauco com o recebimento dos aluguéis mês a mês,
10:58que conferiu exatamente com os valores que eu tinha sido apontado nos pagamentos.
11:06Tinham sido apontados nos pagamentos? O que o senhor quer dizer com isso?
11:08Porque eu recebi um relatório dos valores pagos, sejam de despesas, todas as despesas, sejam de médicas, enfim, eu recebi um valor, um montante pago.
11:19Eu confirmei com o seu Glauco os valores do mês a mês.
11:23Quem lhe dava essa relação de valores pagos?
11:26Os valores pagos que ele passou foi o seu Glauco.
11:28Por que via ele passou isso?
11:35Ele passou via e-mail.
11:38Em 2014?
11:41Em 2014, quando eu fechei a declaração, eu não identifiquei os recibos.
11:47Foi aí que eu cobrei de apresentar os recibos.
11:50E ele lhe apresentou?
11:51Apresentou somente no final de 2015, uma pasta com todos os recibos.
11:57E eu identifiquei alguns recibos na pasta do ano base de 2014, feitos, porém, não assinados, e alguns meses não tinha recibo.
12:06Quando em 2015 ele entregou os recibos de 2014?
12:12Final de 2015, início de novembro, meados de novembro, eu não me recordo exatamente a data,
12:17mas eu sempre me lembro que era o mês de novembro, às vésperas da cirurgia dele,
12:21ele até me avisou que iria entrar em cirurgia e que estaria impossibilitado de retornar para conferir comigo.
12:28Foi aí que eu aproveitei a oportunidade da visita que eu fiz a ele e mencionei a falta dos recibos e alguns sem assinar.
12:36Ele me falou que poderia fazê-los, perguntou se eu podia preparar para eles.
12:41Para ele, eu preparei baseado nos modelos que ele já havia me apresentado,
12:44pedi ao funcionário que fizesse e levei ao hospital e coloquei as assinaturas.
12:49Eu queria que o senhor descrevesse melhor as circunstâncias desta apresentação dos recibos de 2014 ao senhor no final de 2015.
12:57Ele foi ao seu escritório?
13:00Sim, ele foi ao meu escritório.
13:02E lhe pediu que preparasse os recibos?
13:06Não. Quando ele me entregou a pasta com os documentos,
13:09eu não tinha feito ainda a checagem da ausência dos recibos.
13:12Depois, quando eu fui fazer a conferência, que eu identifiquei alguns recibos feitos, porém não assinados,
13:20e outros por fazer, não tinham só feitos.
13:24Ele trouxe recibos em branco para o senhor? Era isso? Não assinados?
13:27Quando esteve no seu escritório em 2014? 2015?
13:30Não eram recibos em branco, eram recibos preenchidos, porém não assinados.
13:36E por que o senhor pediu a assinatura dele ali naquele momento?
13:39Não, porque eu não fiz essa checagem naquele momento.
13:43Que checagem?
13:45Dos recibos que estavam...
13:46Primeiro que quando ele me entregou a pasta com os documentos,
13:50ele me prometeu de entregar a pasta, entregou a pasta, entregou na mão de um funcionário meu,
13:55na sequência que eu fiz a conferência, no dia que ele me entregou os recibos eu não estava no escritório.
14:00Ah, então o senhor não se encontrou com ele no escritório?
14:02Eu encontrei no escritório, ele me prometeu de mandar a pasta,
14:06quando ele mandou a pasta eu não estava no escritório,
14:09ele só passou rapidamente porque ele já estava em vias de ser internado para fazer a cirurgia.
14:14Em que mês isso ocorreu?
14:17Não entendi.
14:17Em que mês de 2015 isso ocorreu?
14:20Novembro, mês de novembro.
14:22O senhor lembra a data?
14:24Não lembro a data exata.
14:26No início ou no final do mês de novembro?
14:27Eu diria que no início de novembro, entre início e meio,
14:35porque ele foi na sequência internado, e lá era o começo do mês novo de dezembro.
14:43Então antes da internação ele esteve no seu escritório, não encontrou com o senhor,
14:47levou uma pasta com recibos feitos por ele, não assinados?
14:53Antes da internação ele esteve por duas vezes no meu escritório.
14:57Uma vez eu conversei com ele, e na entrega da pasta eu não estava no meu escritório.
15:03E aí o que o senhor detectou dentro desta pasta?
15:06Detectei os recibos em 2014, e alguns em 2015,
15:11porém muitos recibos sem assinatura e períodos que estavam faltando também.
15:17Mas o senhor já tinha preenchido a declaração de imposto de renda do ano-calendário de 2014,
15:22no final de 2015, não é?
15:24Em 2014 eu já tinha feito a declaração.
15:26E ele levou recibos não assinados de 2014, nessa oportunidade, no seu escritório.
15:33Mas eu conhecia já os valores, porque eu mesmo é que preparava o carne e leão,
15:38enviava os DARFs para ele fazer o recolhimento relativo ao recebimento desses aluguéis.
15:42E o que ele lhe pediu nessa oportunidade, nesse encontro no seu escritório?
15:50Nesse encontro ele não me pediu, eu é que pedi a ele que mandasse a pasta com os recibos
15:55para eu poder fazer a conferência.
15:57Quando ele mandou eu não estava no escritório, fiz a conferência,
16:01mas na sequência eu já sabia que ele estava hospitalizado.
16:03Eu fui fazer uma visita informal a ele, não para tratar deste assunto,
16:08porém na segunda visita eu aproveitei a oportunidade e já falei com ele a respeito.
16:13Foi quando ele me pediu então que eu preparasse os recibos que estavam faltando,
16:17que ele levasse ao hospital que ele assinava todos.
16:21Então quando o senhor esteve no hospital cirulibanês no dia 3 de dezembro,
16:25o que o senhor levou a Glaucus da Costa Marques?
16:28No dia 3 de dezembro eu não me dei nada, eu fui apenas visitá-lo.
16:34O senhor permaneceu por uma hora no hospital, foi apenas para fins de visita?
16:39Apenas para fins de visita.
16:41Encontrei-me com a esposa dele, estavam os filhos dele também.
16:47No dia seguinte o senhor fez duas visitas a Glaucus da Costa Marques,
16:50uma de 29 minutos e outra seguinte, uma na parte da manhã de 29 minutos
16:56e uma na parte da tarde de 1 hora e 22 minutos.
17:01Qual foi o objetivo dessa visita?
17:05Nessa visita eu fui para colher a assinatura dos recibos,
17:07porém quando eu cheguei ele estava em dias em um procedimento ainda de sedação,
17:14ia passar por alguns exames, então eu não pude falar com ele na primeira visita,
17:18que foi os 29 minutos.
17:20Eu aguardei por um período e resolvi voltar mais tarde, foi isso que eu fiz.
17:26Certo, e o senhor levou o que a Glaucus nesse momento?
17:33Eu levei os recibos para ele assinar, eram um total de 14 ou 15 recibos,
17:37eu não me recordo exatamente a quantidade, mas eram todos de 2014 e um período de 2014 e 15, completos.
17:45Preparados pelo senhor no seu escritório?
17:47Não, não, eu preparei apenas alguns recibos, três ou quatro recibos,
17:52não me recordo exatamente a quantidade e nem os meses que eu preparei.
17:56A maioria dos recibos já tinham sido preparados por ele, estavam na pasta, porém não assinados.
18:05O senhor colheu, o objetivo então da sua ida no dia 4 foi colher as assinaturas?
18:11Colheia as assinaturas.
18:13E qual era a urgência dessa colheita de assinaturas em leito hospitalar?
18:21A urgência porque o senhor Glaucus não morava mais em São Paulo,
18:25ao sair do hospital ele já retornaria direto para a residência dele no Mato Grosso,
18:29então era a oportunidade que eu tinha de ter a assinatura dele nos recibos para ficar a documentação completa.
18:35Então o senhor disse que ele assinou e no hospital, quantos recibos?
18:4314 ou 15 recibos, não me recordo exatamente a quantidade.
18:55Esses recibos que o senhor disse que preparou no seu escritório, foram impressos lá no seu escritório também?
19:02Foram impressos no meu escritório.
19:05Esses recibos de 2014, não deviam estar com os locatários do imóvel, com a senhora Marisa Letícia?
19:20Deveriam sim, por isso que eu cobrei o seu Glaucus para apresentar os recibos.
19:25Como eu não recebi esse recibo, eu tinha a responsabilidade de ter toda a documentação em ordem,
19:30e o meu trabalho foi checar essa documentação e cobrá-la para que apresentasse os recibos.
19:38Quantas vias desses recibos o senhor levou para serem assinadas?
19:43Os recibos eram emitidos em uma única via.
19:48E o senhor entregou esses recibos, pediu a ele que assinasse com canetas diversas?
19:54Não necessariamente, eu não pedi para ele fazer isso.
19:59Ele o fez?
20:01Não sei dizer.
20:03Ele assinou na sua frente?
20:05Assinou na minha frente.
20:06Quem mais estava no local?
20:15No dia da assinatura estava a esposa dele, que nos deixou a sós no quarto e aguardou ela e os filhos na sala de espera ao lado.
20:25O senhor, antes de ir ao hospital, reportou esta ida ao hospital a Roberto Teixeira?
20:34Não.
20:36E após a ida ao hospital?
20:39Também não.
20:40Em matéria jornalística, consta que o senhor teria declarado ao jornal Folha de São Paulo
20:51que o senhor, quando foi ao hospital, sequer sabia que Glaucus estava internado
20:57e o senhor telefonou para ele antes de ir.
21:00O senhor confirma a matéria?
21:02Eu sabia sim que ele estaria hospitalizado.
21:06Eu liguei para ele apenas para saber se ele já estava em condições de receber-me.
21:11O senhor ligou para qual telefone dele?
21:14Então, eu liguei para um número que eu tinha gravado, um número antigo dele,
21:18que hoje eu não consigo mais falar com ele nesse número.
21:20De aparelho celular?
21:22Celular.
21:24Então, não corresponde à realidade, que o senhor não sabia que ele estava internado
21:28quando o teria contactado por celular?
21:33Eu não me recordo de ter dito em matéria jornalística que eu não conheci,
21:37não sabia dos fatos que ele estaria hospitalizado,
21:39até porque ele passou no meu escritório e avisou-me que seria hospitalizado.
21:46Houve algum equívoco na informação.
21:47Eu me refiro à matéria jornalística do dia 28 de nove de 2017,
21:59com o título contador, diz que o dono de imóvel usado por Lula assinou 12 recibos de uma só vez.
22:05Esses recibos foram assinados em uma pilha?
22:08Estavam empilhados e foram assinados um a um em uma pilha?
22:11O senhor foi entregando um a um a ele para assinar?
22:17Estavam no clipes, eu entreguei a ele para assinar, presão clipes, não estavam empilhados.
22:22Então, a sua visita deu-se exclusivamente para tratar da assinatura dos recibos.
22:36Excelência, pela ordem, a pergunta já foi feita e reformulada várias vezes.
22:42Então, eu peço uma excelência que possa também indeferir perguntas que são repetitivamente elaboradas.
22:53Após a sua saída do hospital, o que o senhor fez com os recibos recebidos?
23:00Eu os guardei no meu escritório e, oportunamente, eu entreguei no escritório do doutor Roberto,
23:09para que pudesse ser guardado juntamente com os demais documentos de 2014
23:13e já deixar pronto para ser preparada a declaração no básico de 2015.
23:25O senhor não entregou esses recibos à senhora Marisa Letícia?
23:30Não, eu não a conhecia, não tinha contrato com eles, nem com ela, nem com o ex-presidente.
23:47Com a senhora de acusação, tem perguntas?
23:50As defesas têm perguntas?
23:52Tem, silêncio.
23:54Certo. Só peço que decline o representado antes das perguntas.
23:58Sérgio Palomares, representando o Glaucus da Costa Marques.
24:05Gostaria de saber da testemunha, a respeito de uma notícia que foi veiculada na internet pelo jornal Estadão.
24:12Consta, na edição de 11 do 10, que o senhor teria apresentado uma declaração,
24:19datada de 28 de nove de 2017, aparentemente assinada pelo senhor,
24:25afirmando, dentre outras coisas, o seguinte.
24:27São técnico em contabilidade, devidamente inscrito no CRC 1SP 155211 barra O, traço 2,
24:38e prestei serviços contábeis para o senhor Glaucus da Costa Marques, fecha aspas.
24:44O senhor sabe a que declaração me refiro?
24:47Sim, conheço a declaração.
24:48Perfeito. Foi o senhor mesmo? O senhor reconhece e confirma que aquela declaração é mesmo sua?
24:54A declaração é mesmo a minha, inclusive está assinada com duas testemunhas que são funcionários muito antigos do meu escritório.
25:02Perfeito.
25:02Perdão.
25:03Ok, perfeito.
25:05O conteúdo daquela declaração foi produzido pelo senhor,
25:08ou o senhor recebeu essa declaração, o conteúdo dessa declaração de alguém?
25:13Não, foi preparada por mim, 100%.
25:15Perfeito. Então, foi o senhor mesmo quem a pensou e escreveu a redação toda do senhor?
25:23Sim.
25:23Ok.
25:25Ninguém lhe pediu para fazer essa redação ou essa declaração?
25:30Não, de maneira nenhuma.
25:31Foi espontâneo. É isso. O senhor confirma que foi espontâneo?
25:35Confirmo.
25:36Perfeito.
25:37Na tal declaração, o senhor afirma expressamente que prestou serviços contábeis pelo senhor Glaucus da Costa Marques.
25:42O senhor pode descrever precisamente no que consistiam esses serviços e exatamente quais serviços eram esses?
25:49Bom, no primeiro momento, eu, como já disse, eu prestei serviço como contador de uma empresa,
25:57a qual era cliente do meu escritório.
25:59Após o término desse ciclo, em 2011, eu continuei prestando serviços a ele na questão da elaboração do carneleão
26:07e outras consultas que eventualmente ele me fazia, seja em uma eventual venda de algum imóvel, ele sempre me consultava.
26:14Eu me tornei um consultor contábil dele, ele sempre me fazia várias consultas, mas especificamente eu cuidava desse assunto do carneleão.
26:23Eu mesmo preparava o DARF, periodicamente ele passava no escritório, muitas vezes com algum carnele atrasado,
26:30com algum lugar que não paga, ele pedia para que fizesse o recálculo, eu fazia, entregava pessoalmente ou por e-mail.
26:37Perfeito.
26:39O senhor tem um contrato de prestação de serviços?
26:42Firmou um contrato de prestação de serviços o senhor Glaucus?
26:45Na época da empresa que eu fazia contabilidade, tínhamos contrato.
26:49Nesse caso, a partir daí, não tinha contrato.
26:52Perfeito. Então, o senhor, na verdade, não prestava serviços para o senhor Glaucus, como contratado.
26:58O senhor prestava serviços para uma empresa da qual ele era sócio?
27:04No primeiro momento, prestava serviços como contador de uma empresa da qual ele era sócio
27:08e após o final da empresa, eu passei a prestar serviço diretamente a ele.
27:14Perfeito.
27:14Quando o senhor tinha um contrato com a empresa da qual ele era sócio,
27:20o contrato era com a empresa, não com o senhor Glaucus?
27:25Com a empresa.
27:25Perfeito. O senhor cobrava por esses serviços?
27:29Cobrava.
27:30Se recorda quanto e a forma como o senhor cobrava por esses serviços à empresa?
27:35Quanto eu não me recordo, mas a minha cobrança é sempre emissão de nota e boleto bancário.
27:40E tem um contrato de prestação de serviços com a empresa, correto?
27:44Correto.
27:44Na parte da consultoria que o senhor diz que prestava serviços, agora sim, diretamente ao senhor Glaucus,
27:51o senhor fez um contrato de prestação de serviços de consultoria contábil com ele?
27:56Não, não tem.
27:57Aliás, todos os contratos...
27:59Não, não tem.
28:00Ok. Então, na parte que diz respeito especificamente ao senhor Glaucus, o senhor...
28:07Perdão, eu acho que eu não entendi.
28:08O senhor cobrava pelos serviços que prestava de assessoria ao senhor Glaucus?
28:12Após o término da empresa, eu não cobrava.
28:16Ah, sim. Então, diretamente ao senhor Glaucus, o senhor nunca cobrou por serviços prestados?
28:20Não, mensalmente não. Esporadicamente, não. Periodicamente, ele fazia um pagamento para mim, mas não com um contrato de prestação de serviços.
28:31Perfeito. Então, o senhor prestava uns serviços e, esporadicamente, o senhor cobrava por serviços prestados de consultoria contábil?
28:40Na realidade, eu não cobrava também esse serviço porque eu me tornei muito amigo do senhor Glaucus e frequentava a casa dele, ele frequentava o meu escritório.
28:50Então, houve uma aproximação muito grande, uma afinidade. Então, eu o considerava como amigo e ele também.
28:55A ponto de quando ele foi mudar de São Paulo para Mato Grosso, em definitivo, ele até me pediu para que eu ficasse com o apartamento que ele morava, ofereceu, por se tratar de um aluguel barato.
29:06Nessa época, ele sabia que eu estava procurando um apartamento, então ele me procurou, fui na casa dele.
29:11Foi lá que eu conheci a esposa dele. Então, nós nos tornamos amigos. Foi por conta disso que eu acabei fazendo todo esse trabalho para ele, na condição de amigo mesmo.
29:19Entendi.
29:20Eu vou interromper pelo tamanho do áudio e já retomamos.

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