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NotíciasTranscrição
00:00Bom dia, doutor. Nelson Jobim, como vai?
00:05Bem, senhor, como é que vai, doutor?
00:07Bem, meus cumprimentos. O senhor aqui é testemunha num processo em que são réus o senhor Mauro Marcondes Machado,
00:20Cristina Maltoni Marcondes Machado, Luiz Cláudio Lula da Silva, Luiz Inácio Lula da Silva,
00:26que corre aqui na décima vara da Justiça Federal, aqui em Brasília, ministro Nelson Jobim,
00:34aliás, ministro do Supremo, foi do Supremo e o senhor foi da Defesa, não é isso?
00:40Da Defesa e da Justiça. Da Justiça e da Defesa.
00:42Da Defesa.
00:43Da Defesa.
00:44Certo. E do Supremo Tribunal Federal também, não é?
00:47Muito bem.
00:47Meus cumprimentos, satisfação em conhecê-lo aqui.
00:53O senhor também, senhor.
00:54Eu quero, antes de nós começarmos, como o senhor sabe bem, eu preciso tomar o compromisso,
01:02que o testemunha pode ser compromissado ou não.
01:03Eu posso registrar que o senhor é testemunha compromissado ou o senhor tem algum óbvio que possa prejudicá-lo?
01:09Não, venha um óbvio.
01:11Esse fato, doutor Nelson Jobim, ele diz respeito à acusação de tráfico de influência,
01:17que é previsto no Código Penal, entre outros, relacionado contra as pessoas aqui citadas,
01:23não todas as acusações contra todos, mas em parte,
01:26mas principalmente em dois eventos.
01:30O tráfico de influência da decisão da compra dos aviões caças pela empresa sueca Saab,
01:37conforme aí o senhor deve ter lido na denúncia,
01:40e a outra acusação, teria tido um tráfico de influência, segundo a acusação,
01:47da prorrogação de benefícios fiscais da medida provisória 6273-2013,
01:52da conversão em lei na Lei 12.973-2014,
01:56cujos clientes eram a MMC e a CAOA, duas montadoras de veículos.
02:04Eu vou passar, além de crimes de lavagem de dinheiro, envolvendo aí o primeiro acusado,
02:10os primeiros com o senhor Luiz Cláudio Lula da Silva.
02:12E o senhor, eu vou passar a palavra ao doutor Cristiano Zanin,
02:18que vai iniciar perguntando, fazendo as perguntas para o senhor,
02:21porque eu sou a testemunha de defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
02:26Doutor Cristiano.
02:28Obrigado, doutor Valisnei.
02:30Eu renovo os cumprimentos ao ministro Nelson Jobim.
02:34Como já foi esclarecido pelo doutor Valisnei,
02:37ministro Jobim ocupou alguns dos mais relevantes cargos do país,
02:43mas especificamente nesse caso,
02:46ministro Jobim, eu pediria para o senhor confirmar,
02:49o senhor foi ministro da defesa a partir de julho de 2007,
02:54do governo do presidente Lula.
02:55E depois também foi, até novembro de 2011,
03:01ministro da justiça da presidenta Dilma.
03:03Não, ministro da defesa, continuei ministrando a defesa.
03:08Tá certo.
03:10Ministro Jobim, no ministério da defesa,
03:13o senhor tomou conhecimento do programa FX2,
03:18que tinha por objetivo a renovação da frota dos caças brasileiros?
03:23Não só tomou conhecimento, como também foi personagem das decisões e dos processos todos.
03:31Esse processo do FX começou em 1995,
03:36no governo Fernando Henrique Cardoso.
03:38Mas depois foi abandonado.
03:41Não houve prosseguimento,
03:43quando entrou o governo do ministro Viegas,
03:46reabriu esse procedimento,
03:48para tentar adquirir novos aviões caça,
03:52para suprir, digamos, o espaço aéreo brasileiro,
03:56mas, acabou andando, compraram então Mirage.
04:01Em abril,
04:03em abril de 2008,
04:08eu já no ministério da defesa,
04:10reabriu o processo,
04:12retomamos o FX,
04:13e passou a se chamar FX2.
04:15Antes disso, nós tínhamos elaborado a chamada Estratégia Nacional de Defesa.
04:23A Estratégia Nacional de Defesa,
04:25além de outros temas, etc.,
04:28tinha lá a necessidade de termos um pacote de capacitação tecnológica
04:33da indústria brasileira de defesa.
04:35Havia uma decisão política,
04:37importante, estratégica,
04:39do desenvolvimento da indústria de defesa.
04:40Mas, o processo de análise do FX,
04:45já estava sendo iniciado,
04:46já havia,
04:48com o Comando Aeronáutica.
04:50Havia um grupo chamado COPAC,
04:53que era a Comissão de Escolha de Aviões de Caça,
05:01que era do Comaer.
05:02Então, nós continuamos,
05:04o processo continuou,
05:06e terminou essa análise da Comaer.
05:10Primeiro, haviam cinco pretendentes,
05:13cinco ofertas.
05:15Essas cinco ofertas,
05:16uma era a Sukhoi russa,
05:19da Roboron Export,
05:22a outra era o Tifon,
05:26que era da Itália,
05:29o F-16,
05:32da Lock and Heat,
05:34o Rafale,
05:36da S.O.
05:38o Gripen NG,
05:40que não existia,
05:41era um Gripen Nova Geração,
05:43da Saab,
05:45e o F-18 da Boeing,
05:48que era o Super Hornet.
05:49A Força Aérea,
05:51examinando os cinco pedidos,
05:52fez uma, acho que eles chamaram de sorte list,
05:55de três,
05:56de três.
05:57Ficaram nessa lista,
05:59da S.O.
06:00a Rafale,
06:00com o da S.O.,
06:02a Saab,
06:02com o Gripen,
06:03e a Boeing,
06:06com o F-18.
06:08Isto foi feito um relatório,
06:11pela Força Aérea,
06:12concluindo e sugerindo,
06:14desses três,
06:15depois dessa short list,
06:16este relatório,
06:18foi de janeiro de 2010,
06:20concluindo,
06:22de que deveriam ser adquiridos,
06:25que deveriam ser adquiridos,
06:27para o avião,
06:29para a Saab,
06:30do Gripen.
06:31Este relatório,
06:33foi o dia de análise,
06:34do Ministério da Defesa,
06:35eu participei intensamente,
06:37disso,
06:37mandei,
06:38determinei,
06:39ao,
06:40ao,
06:40ao comandante do Estado Maior,
06:44de conjunto de defesa,
06:45que fizesse uma análise completa,
06:48e,
06:48o problema que ocorreu,
06:50foi o seguinte,
06:50na análise que foi feita,
06:53pela Força Aérea,
06:56o item,
06:58de transferência de tecnologia,
07:00e capacitação tecnológica,
07:02corresponderia,
07:03a 9% da avaliação global,
07:05do avião.
07:07Claro,
07:08que havia sido feita,
07:09essa análise,
07:10sem as diretrizes,
07:11da,
07:11da,
07:12da Estratégia Nacional de Defesa,
07:14que não existia,
07:15a época,
07:15que começaram,
07:16esse processo.
07:16Então,
07:17nós fizemos a análise,
07:19no Ministério da Defesa,
07:20e um relatório,
07:21que foi elaborado,
07:23pelo,
07:23pelo comandante geral,
07:25comandante do Estado Maior,
07:26das Forças,
07:26do conjunto das Forças Armadas,
07:28e foram aprovados,
07:29pelo comandante da Marinha,
07:30pelo comandante da Aeronáutica,
07:32sugeria,
07:33naquele caso,
07:34sugeria,
07:35que nós adquiríssemos,
07:36o Tassu,
07:37o avião Mirage,
07:40tendo em vista,
07:41a segurança,
07:42em relação,
07:42a transferência de tecnologia.
07:44Excluia-se,
07:44nós excluíamos,
07:45o Super Hornet,
07:47o que era impossível,
07:48fazer qualquer tipo,
07:49de negociação,
07:50com os Estados Unidos,
07:51com a Boeing,
07:52para assegurar,
07:53a transferência de tecnologia,
07:55já que,
07:55isso era uma decisão,
07:56não só do poder executivo americano,
07:58como também,
07:59do poder legislativo americano,
08:01do Senado americano.
08:02Então,
08:02nós excluímos,
08:03a possibilidade da Boeing,
08:04já analisamos a Dassault,
08:06aliás,
08:06analisamos o Gripen,
08:08o Gripen,
08:09assegurava,
08:10a transferência de tecnologia,
08:11mas,
08:12o Gripen,
08:12tinha,
08:13na sua composição,
08:14participação,
08:16de outros estados,
08:16outros países.
08:17E a negociação,
08:18era direta com a empresa,
08:20e a empresa,
08:21tentava assegurar isso.
08:23E já a Dassault,
08:24a negociação,
08:25era com o governo francês,
08:27nós estávamos negociando,
08:28diretamente,
08:28com o governo francês,
08:30e a nossa contrapartida,
08:31naquele momento,
08:32era o almirante Guillaume,
08:34que era o chefe,
08:35de Estado-Maior,
08:36pessoal do presidente,
08:37Sarkozy,
08:37daquela época.
08:38Então,
08:39nas negociações,
08:40na análise toda,
08:40nós já vamos concluindo,
08:42o que deveria ser,
08:42o avião da Dassault,
08:44o Rafale,
08:47houve,
08:49num determinado momento,
08:50um problema,
08:51porque o preço do avião,
08:53do avião Rafale,
08:55era bem superior,
08:56ao preço do Gripen,
08:57e o preço do,
09:00na ordem,
09:01era,
09:02o mais barato,
09:02era o Gripen,
09:03depois vinha,
09:05o Super Horn,
09:06o F-18,
09:08e por último,
09:08o Rafale.
09:09A diferença,
09:10entre o Rafale e o Gripen,
09:12era de um bilhão,
09:14de euros,
09:15mais ou menos,
09:15um milhão,
09:16em tantos dias,
09:16eu não me recordo bem,
09:17se era um bilhão,
09:18ou um milhão,
09:18mas era uma diferença grande,
09:20e tinha uma diferença,
09:21de oitocentos e poucos,
09:22milhões,
09:23era um bilhão,
09:24um bilhão,
09:24em relação ao Rafale,
09:27ao aumento,
09:28Rafale vis-à-vis Gripen,
09:30e,
09:31F-18,
09:33vis-à-vis,
09:35da Sol,
09:36eram oitocentos e poucos milhões de euros,
09:38tudo era euros na época,
09:39não era negociação que se fazia.
09:40Bem,
09:41nessa hipótese,
09:43o presidente Sassou,
09:45Corsi,
09:46esteve no Brasil,
09:47em setembro,
09:48de 2009,
09:50no 7 de setembro,
09:51convidado pelo presidente Lula,
09:53houve uma série de reuniões,
09:55com os seus,
09:56enfim,
09:57as suas contrapartes,
09:58e,
09:59houve uma redução de preço,
10:01da da Sol.
10:01Como a da Sol reduziu o preço,
10:04eu,
10:05então,
10:05determinei a reabertura,
10:07do procedimento,
10:08para que as notas,
10:09outras empresas,
10:09outras duas,
10:10oferecessem as suas contrapropostas.
10:12Fizeram as contrapropostas,
10:13e,
10:14ao final,
10:15nós fizemos,
10:15em junho de 2010,
10:17um relatório,
10:18analisando tudo,
10:19e,
10:20optando,
10:21não obstante a diferença de preço,
10:23embora já reduzido,
10:24naquele momento,
10:24eu já não me recordo mais,
10:25mas sempre mais alto que os outros,
10:27nós,
10:28então,
10:28sustentamos que tinha que ser o da Sol,
10:31tendo em vista o grau de transferência de tecnologia.
10:34E havíamos negociado também,
10:36que,
10:36na hipótese de nós adquirirmos o Rafale,
10:40com toda a transferência de tecnologia francesa,
10:43os franceses também adquipassariam,
10:45também,
10:45um compromisso de adquirir o KC-390,
10:48que estava em construção,
10:49já já terminou,
10:50que estava sendo construído pela Embraer,
10:52de um projeto aeronáutico.
10:53Nessa negociação,
10:58nós tentamos também,
10:59que,
11:00aumentar a participação da venda do Rafale,
11:03pelos indianos,
11:05e também pela Líbia,
11:06naquela época,
11:06ver se eles adquiriam,
11:07para tentar diluir os custos,
11:09os custos remanescentes do Rafale.
11:12No entanto,
11:14o presidente Lula,
11:16em junho de 2010,
11:18não tomou a decisão,
11:18porque já estava em campanha eleitoral,
11:21não havia possibilidade nenhuma,
11:22de você onerar o orçamento do novo governo,
11:26com os custos desse novo projeto.
11:30Então,
11:30quando eu assumi,
11:31aí eu fui convidado pela presidente Dilma,
11:34para continuar no Ministério da Defesa,
11:35aceitei a continuação do Ministério da Defesa,
11:38enviei a ela,
11:39um projeto de,
11:41um plano de trabalho,
11:43com os quatro anos de governo,
11:44do seu primeiro governo,
11:45em relação à defesa,
11:47entre eles,
11:48estava exatamente a questão do FX.
11:50Eu saí do Ministério da Defesa,
11:53em agosto de 2011,
11:57por questões políticas,
11:59e,
12:00tendo saído,
12:01até lá,
12:02até aquele momento,
12:03não tinha se tomado nenhuma decisão,
12:05sobre a questão,
12:07FX2.
12:09Mas,
12:09uma coisa é certa,
12:11o desejo,
12:11a intenção,
12:12da Força Aérea,
12:13era sempre o Gripen,
12:15e não o Rafale.
12:15Correto.
12:17Por essa descrição,
12:19essa rica descrição,
12:20que o senhor fez,
12:22quer dizer,
12:23esse processo,
12:25da compra dos caças,
12:27sempre foi um processo,
12:29que teve,
12:30uma ampla análise,
12:32por parte das Forças Armadas,
12:34por parte,
12:35enfim,
12:35de todas as autoridades envolvidas,
12:38sempre foi feita,
12:39uma análise,
12:40além da questão política,
12:42houve uma análise técnica,
12:44bastante densa.
12:44O trabalho da Força Aérea,
12:48o primeiro relatório da Força Aérea,
12:50feito pelo COPAC,
12:51dessa comissão de,
12:52de,
12:54cavião de caça,
12:55não me lembro como era,
12:57o COPAC fez,
12:59essa análise,
13:00toda ela,
13:01digamos,
13:02no sentido,
13:04se me permite a expressão,
13:06no sentido de um,
13:07de um atomismo lógico,
13:09ou seja,
13:09examinava,
13:10item por item,
13:11da composição do avião,
13:12para chegar à conclusão final,
13:13e fazia avaliações,
13:15de percentuais,
13:16etc.,
13:16onde estavam os tais 9%
13:18das forças de tecnologia,
13:19e chegava à conclusão X.
13:21Fez isso com todos os aviões.
13:24Eles concluíram,
13:25nesse relatório,
13:27que era um relatório substancial,
13:29relatório,
13:30concluíram pelo Gripen,
13:32e sugeriram o Gripen,
13:34que era o que mais,
13:35era mais aderente,
13:37conforme,
13:38às exigências da Força Aérea.
13:40No entanto,
13:41a análise,
13:42feita pela Força Aérea,
13:43era,
13:44digamos,
13:44não considerava,
13:45a estratégia nacional de defesa,
13:47que tinha o item,
13:47de transferência de tecnologia.
13:49Daí,
13:49porque,
13:50eu reabri,
13:51dentro do Ministério da Defesa,
13:52junto com,
13:53as autoridades militares internas,
13:55uma reanálise,
13:56do processo,
13:57a partir da conformidade,
13:59do relatório,
13:59daquelas aeronaves,
14:02com a estratégia nacional de defesa.
14:04Nós concluímos,
14:04no final,
14:05que devia ser o Rafale,
14:07não obstante a diferença de preço.
14:09Havia um custo do Rafale bem mais alto,
14:14e havia também um custo de manutenção do Rafale mais alto.
14:17O Rafale era duas turbinas,
14:18com uma tecnologia distinta.
14:20É bom lembrar,
14:22que os franceses,
14:22são os únicos no mundo,
14:24que tem uma indústria de defesa autônoma.
14:27O presidente Charles de Gaulle,
14:28é que fundou,
14:29logo após a guerra,
14:31ele criou a força de FAP,
14:33e não admitiu que a França entrasse na OTAN.
14:37Portanto,
14:38desenvolveu ele propriamente,
14:40a França desenvolveu a tecnologia própria,
14:42não só na área atômica,
14:44como também na área de aviação de defesa.
14:47Correto.
14:49Agora,
14:50ao longo desse processo,
14:52durante o período que o senhor esteve,
14:56no cargo de ministro da defesa,
14:58o senhor identificou alguma preferência,
15:02ou mais,
15:03alguma atuação do ex-presidente Lula,
15:05em favor do Gripen,
15:08dos caças da Gripen,
15:11ou isso jamais ocorreu?
15:13Veja bem,
15:14quando eu assumi o ministério da defesa,
15:17uma das condições que eu estabeleci ao presidente Lula,
15:20que o assunto era todo comigo.
15:22Eu entrei no ministério da defesa,
15:24considerando aquele acidente da TAM,
15:25chamada crise aérea,
15:28e eu disse ao presidente,
15:29de que eu pedi a carta branca,
15:30ela tocou o assunto.
15:31O presidente,
15:32nesse período,
15:34em que eu administrei,
15:35o ministério da defesa,
15:37e fiz toda a análise,
15:38da questão dos aviões,
15:41eu só comunicava a ele,
15:42o que eu estava tomando decisões.
15:44Mas, em nenhum momento,
15:45ele pediu para dar preferência A ou B.
15:48Quando nós resolvemos discutir,
15:50que eu sustentei, então,
15:52o que deveria ser o gafalho,
15:53disse a ele,
15:54que as nossas relações com a França,
15:56eram muito mais estreitas.
15:58Nós não tínhamos condições,
15:59de avançar nas relações com os Estados Unidos,
16:02porque os Estados Unidos,
16:03não tinham condições,
16:05de fazer as transferências de tecnologia.
16:08Nós tínhamos ainda aquela notícia antiga,
16:12dos embargos,
16:13que os Estados Unidos fizeram à venda,
16:15dos aviões,
16:16dos aviões,
16:18dos aviões da...
16:24é o C-19,
16:27o Super Tucano,
16:28que nós queríamos vender,
16:30na época,
16:31os americanos impediram,
16:33considerando que tinha tecnologia americana,
16:36enfim.
16:36E, no caso,
16:38eu comentava a ele esse tipo de tema,
16:40mas ele nunca me tocou no tema.
16:42Eu fui à França,
16:44e fui também aos Estados Unidos,
16:45examinar em loco,
16:47o F-18 e o Rafalho.
16:49Não fui à Suécia,
16:50porque o gripe não existia.
16:52Havia meramente um projeto.
16:53O gripe era um projeto,
16:55chamado NG,
16:56que ia iniciar.
16:57Então, não havia necessidade de fazer a visita local.
17:00Depois, nós tivemos contatos,
17:02durante todo o processo de elaboração,
17:04da exposição de motivos que mandei o presidente,
17:06teve um contato,
17:08vários contatos com o pessoal da Boeing,
17:12com o governo americano,
17:14com a secretária de Estado, Hillary Clinton,
17:17que enviava a correspondência via o chanceler Celso Amorim,
17:22contatos com o almirante Guillaume,
17:26da França, sobre essa temática toda,
17:29e também contatos com a Gripen,
17:32através do senhor Wallenberg,
17:35que era o presidente da Saab,
17:37que era, digamos,
17:38o da holding da Saab,
17:41controlava a Volvo,
17:43o Saab, o diabo aquário.
17:44Bem,
17:45mas em momento algum,
17:46o presidente Lula fez qualquer tipo de referência
17:49sobre esse tema.
17:51O tema estava afeto exclusivamente a mim, no caso.
17:53Correto.
17:55Apenas para finalizar,
17:57ministro Alvim,
17:58depois que o senhor saiu do Ministério da Defesa,
18:02o senhor teve conhecimento de qualquer situação
18:05que pudesse indicar
18:07uma atuação do ex-presidente Lula
18:09a pretexto de interferir na decisão da presidenta Dilma
18:13pela compra dos caças Gripen?
18:16Não, eu me afastei completamente do governo
18:19e não fui para a vida privada.
18:21Virei a página e não participei de nada.
18:24A única coisa que eu tenho a dizer sobre esse tema
18:26é de que continuava,
18:28não obstante a posição que eu havia assumido na época,
18:31continuava a Força Aérea interessada no grupo.
18:34A única coisa que eu sabia na época,
18:36quando eu saí do governo,
18:38já na época,
18:39eles,
18:39o próprio Brigadeiro Saito,
18:43trazia notícias de que a Força Aérea
18:46pretendia ter sempre o Gripen.
18:49Porque, enfim,
18:51os interesses da Força Aérea
18:53não estavam, digamos,
18:55ligados à Estratégia Nacional de Defesa
18:58naquele tempo que eu referi.
19:00Mas,
19:01depois do dia 11,
19:02depois de agosto de 2011,
19:05eu tomei conhecimento de nada.
19:06Está certo.
19:07Eu agradeço ao ministro Nelson Jobim
19:09pelos esclarecimentos
19:10e devolvo a palavra à vossa silência em Brasília.
19:13Bem, doutor Cristiano,
19:15doutor Luiz Fernando Beraldo,
19:17advogado de Mauro Marcondes.
19:20Bom dia,
19:21agradeço a presença do ex-ministro,
19:23doutor Nelson Jobim,
19:24não tenho pergunta,
19:25da excelência.
19:26Doutor Fábio Ferreira Zevenda,
19:28advogado de Cristina Maltoni,
19:30alguma pergunta?
19:30Também.
19:31Pergunta do doutor Guilherme
19:32de Queiroz Gonçalves,
19:34pergunta para o Ministério Público Federal.
19:36Doutor Hervit,
19:37senhor.
19:38Ministro,
19:38o senhor me escuta bem?
19:40Sim, pode dar.
19:41Ministro,
19:43pelo que eu entendi
19:44da sua detalhada narrativa,
19:46é possível afirmar
19:47que num primeiro momento
19:48houve,
19:50a partir do relatório técnico
19:52da Força Aérea,
19:53uma inclinação
19:54pelos caças suecos,
19:56aí num segundo momento
19:57a inclinação
19:58pelos aviões franceses,
20:00pelas razões que o senhor declinou?
20:02É possível afirmar isso?
20:04É possível afirmar que a Força Aérea,
20:05a pretensão da Força Aérea
20:06era a Gripen,
20:07e a pretensão do Ministério da Defesa
20:09era o Rafale.
20:12Certo.
20:12Aí veio a troca de governo
20:14com a presidente Dilma.
20:16É possível afirmar que,
20:19por ela,
20:20houve uma inclinação
20:21pelos aviões americanos,
20:23salvo engano,
20:24em 2011?
20:24Até a minha saída,
20:31em agosto de 2011,
20:32não havia nada
20:33a respeito desse assunto,
20:34ela não tocou
20:35um tema FX comigo
20:37nesse período.
20:39Tá ok.
20:40Sem mais,
20:40sem mais, excelência.
20:41Obrigado.
20:44Doutor Nelson Jubirme,
20:45o senhor ficou
20:46no Ministério da Defesa
20:47até quando,
20:49só para nós
20:50nos situarmos melhor?
20:51Eu entrei em agosto
20:54de 2007,
20:57fui até o final
20:59do governo Lula,
21:02e continuei em janeiro
21:03de 2011
21:04com a ministra,
21:05com a presidente Dilma,
21:06e fui até
21:08julho ou agosto
21:10de 2011.
21:12Certo, muito bem.
21:13Aqui a denúncia
21:14cita,
21:16faz uma afirmação
21:17de que o senhor
21:18seria um entusiasta
21:19dos aviões franceses,
21:20citando aqui
21:22uma reportagem
21:23último,
21:24segundo,
21:25negociação e tal,
21:26uma reportagem
21:27de um site.
21:31Isso aí
21:31é correto
21:33afirmar?
21:34É,
21:34é correto.
21:35Eu, inclusive,
21:36no Ministério da Defesa,
21:37a exposição de motivos
21:38que fiz o presidente Lula
21:39defendia
21:40a adoção
21:42do avião francês.
21:44Através de uma série
21:45de condições
21:46que se estabeleciam,
21:46inclusive,
21:47sobre a compra
21:47dos KC-390.
21:49Nós já tínhamos feito
21:50uma negociação
21:51com os franceses
21:52sobre helicópteros.
21:54Houve uma negociação
21:55de produção
21:56no Brasil
21:57pela Eurocopter
21:59de aviões
22:00de helicópteros
22:02de transporte
22:02junto a Helibras
22:03com o Transferso
22:04de Tecnologia
22:04que deu resultado.
22:06Hoje estão lá,
22:07sendo produzidos
22:08aqui no Brasil,
22:09esses helicópteros.
22:10E nós pretendíamos
22:10sustentar a necessidade
22:12de manter
22:12a relação
22:13com os franceses.
22:14O senhor falou
22:16de um interlocutor
22:17da Saab,
22:18o senhor citou o nome?
22:20O senhor pode repetir?
22:22Presidente do grupo
22:23da Holding.
22:23Não foi praticamente
22:25um interlocutor.
22:27Houve um jantar
22:28na Embaixada
22:30da Suécia
22:31em que eu fui convidado
22:33e estava
22:33nesse jantar
22:34o presidente
22:35da Holding
22:36que controla
22:38a Saab
22:38que era o senhor
22:39Wallenberg,
22:40onde eu conheci
22:41naquele local.
22:41E depois vários
22:43ofícios
22:43que me foram enviados
22:44pelo embaixador sueco
22:46em relação
22:47à questão gripe.
22:49O senhor
22:50Bengt Janer,
22:51o senhor conhece?
22:52Bengt Janer.
22:54Ele é testemunha.
22:55Bengt Janer,
22:56ele é um
22:57sueco brasileiro,
22:59alguma coisa.
23:00Ele seria,
23:01ele faz
23:02algumas afirmações.
23:04Ele já foi ouvido
23:05aqui,
23:05ele diz
23:06algumas coisas.
23:09O senhor
23:10aqui também
23:12consta na denúncia
23:13que
23:14trabalhou
23:15para
23:16para os
23:17suecos
23:18nesse projeto
23:19o senhor
23:19Mauro Marcondes
23:20Machado.
23:21O senhor recebeu
23:22alguma carta,
23:23algum
23:24contato
23:26do senhor
23:26Mauro Marcondes
23:27Machado?
23:28Não,
23:29só ouvi o nome
23:30do Mauro Marcondes
23:31Machado,
23:31agora nesse momento,
23:32enfim,
23:33quando houve as notícias.
23:34Mas naquela época
23:35não havia esse personagem.
23:36O senhor
23:41sabe dizer
23:42se ele mandou
23:43alguma carta
23:44ou da Suécia
23:45para o presidente Lula?
23:46Há uma reprodução
23:47de uma carta
23:48aqui para
23:48o ex-presidente Lula
23:50para estar falando
23:51da
23:52recomendações
23:53e tal,
23:54dos motivos
23:55na página
23:552X
23:57a
23:592Z
24:01aqui,
24:02página 27,
24:03na verdade,
24:03as folhas.
24:03o senhor sabe
24:05de alguma coisa,
24:06de alguma carta
24:07que teria sido
24:08dirigida ao
24:09ex-presidente Lula?
24:11Não,
24:11não tenho conhecimento.
24:16Aqui também
24:17há também
24:18um trecho,
24:193E,
24:20da denúncia,
24:21diz assim,
24:27há um contato,
24:29aqui o André
24:30Wilkerson,
24:31esse o senhor conhece?
24:32Da SAB?
24:33André
24:34Wilkerson.
24:34Como é o nome?
24:36André Wilkerson.
24:38Pelo nome
24:38não me lembro.
24:39Da SAB.
24:40Não,
24:40não lembro desse nome não.
24:41Não,
24:42em 2012.
24:42Em 2012
24:43o senhor não estava
24:44mais,
24:45então,
24:45no Ministério da Defesa,
24:48aqui se fala
24:48uma carta,
24:50aqui também se fala
24:51de um
24:51Stefan Lovén,
24:53que foi
24:54primeiro-ministro
24:54da Suécia,
24:56em que o senhor
24:56Mauro Marcondi,
24:57segundo aqui
24:58a denúncia,
24:59estava tentando
25:00aproximar os dois,
25:02justamente para
25:03em 2013,
25:05o senhor chegou,
25:06teve contato também
25:06com Stefan Lovén?
25:09Não.
25:10O senhor não conhece,
25:10né?
25:11Os contatos
25:12em relação
25:13a SAB
25:13foram com
25:14o embaixador
25:16e também
25:17e as notícias
25:19que vinham
25:19pela Força Aérea.
25:20Eu não tinha contato
25:21direto com
25:22qualquer tipo de personagem.
25:24Com qualquer personagem,
25:25né?
25:25e havia
25:27algum
25:28alguma espécie
25:30de lobby lá,
25:31as empresas,
25:31como é que elas chegavam
25:32para apresentar
25:34no momento
25:35que o senhor estava lá,
25:36as suas propostas,
25:37como é que era?
25:37Só no meio de embaixada?
25:39Eu recebi,
25:39eu recebi
25:40o presidente
25:42da Boeing,
25:43recebi também
25:44os representantes
25:46junto com
25:47o embaixador
25:49dos Estados Unidos,
25:50havia evidentemente
25:51interesse
25:51de governo nisso.
25:52recebi
25:54o embaixador
25:56da Suécia,
25:58eu não me lembro mais
25:58quem estava
25:59junto com ele,
26:01e também
26:01recebi
26:02da França,
26:06o embaixador francês,
26:07o Amirad Guillaume,
26:09também
26:10já acompanhado
26:11dos proprietários
26:12dos donos
26:13da SOS.
26:15Esses eram os contatos
26:16que nós
26:16mantiveram comigo.
26:19Mandavam
26:19correspondências,
26:20etc.,
26:21mas houve
26:22alguns contatos
26:23pessoais
26:24no Ministério
26:24da Defesa.
26:26Na sua época,
26:28houve algum estudo
26:29pronto
26:29do Mini
26:30da Aeronáutica,
26:32das Forças Armadas,
26:33recomendando?
26:34Foi na sua época
26:35ou foi depois?
26:36Recomendando
26:37alguns casos?
26:38Gripen,
26:40é o relatório
26:40número 1,
26:41esse relatório
26:42número 1,
26:42doutor,
26:43é de
26:436 de janeiro
26:46de 2010,
26:47em que o relator
26:48da Comaer,
26:49do Comando
26:49da Aeronáutica,
26:50recomendava
26:51que estava
26:52compatível
26:52com as exigências
26:54da Aeronáutica
26:54ou gripe.
26:56Certo.
26:57Então,
26:57era o Ministro
26:58da Defesa
26:58nessa época,
26:59quando fizeram
27:00essa...
27:01nessa época.
27:04Isso que deu origem,
27:06esse relatório,
27:06deu origem
27:07a um estudo
27:07dentro do Ministério
27:08da Defesa
27:09que concluiu
27:10de forma diversa,
27:11concluiu
27:11a necessidade
27:12de ser
27:12o avião
27:13Rafale francês.
27:15Isso em 2010?
27:17Tudo em 2010.
27:19Certo.
27:20E...
27:21Aí...
27:22E aí o assunto,
27:252010 era a eleição,
27:26então não havia
27:27possibilidade
27:28de uma decisão
27:28presidencial
27:29sobre qual seria
27:30a opção.
27:31Então o assunto
27:32deixou para o governo
27:33posterior.
27:35A campanha eleitoral
27:36era em 2010
27:37e a posse
27:37da presidência
27:38foi em janeiro
27:38de 2011.
27:40Certo.
27:41Então,
27:42essa decisão
27:42então ficava
27:43nesse relatório
27:45eles indicavam,
27:47só sugeriam,
27:48ficava a cargo
27:48do presidente
27:49a escolha
27:50com outros elementos.
27:50Não, claro,
27:51toda a decisão
27:52era do presidente.
27:53Eles entendiam,
27:54eles afirmavam
27:55de que
27:55compatível
27:57com as exigências
27:58técnicas,
27:59etc e tal,
28:00da força aérea
28:01era o Gripen.
28:02Depois nós,
28:03concluindo diversamente
28:04no Ministério da Defesa,
28:05enviamos uma exposição
28:06de motivos
28:07ao presidente
28:07da República
28:08em junho,
28:10junho de 2010,
28:12porque a análise
28:13do relatório
28:14da Força Aérea
28:15que foi oferecido
28:16em janeiro
28:17demorou até junho
28:19para chegarmos
28:20a uma conclusão final.
28:21E aí, então,
28:21enviei
28:22este relatório
28:23a essa exposição
28:25de motivos
28:25ao presidente da República.
28:26Certo.
28:27O senhor foi ao funeral
28:28do Nelson Mandela?
28:33É, de algum modo,
28:35a comitiva
28:35dos ex-presidentes?
28:37O senhor chegou aí
28:38ao funeral
28:38do Nelson Mandela
28:40em 18 de dezembro
28:41de 2013
28:42na comitiva
28:43da presidenta
28:44Dilma Rousseff?
28:45Não.
28:45Não.
28:45Não.
28:49Eu já estava fora
28:50do governo.
28:51Já estava fora, né?
28:52O único funeral
28:59que eu fui
29:00foi
29:01do Papa
29:03João Paulo II.
29:05Muito obrigado,
29:07doutor.
29:08Obrigado, vossa silência.
29:09Muito obrigado
29:10pela sua participação aqui.
29:12Bom dia para o senhor.
29:14Bom dia.
29:14Obrigado, vossa silência.
29:21Como houve desistência,
29:22doutor Cristiano?
29:24Pois não, silência.
29:25Pois aqui,
29:26eu estou lhe externando.
29:27Como houve desistência
29:28de várias testemunhas
29:29para o dia 13 e 14 de setembro,
29:31amanhã,
29:31eu vou às...
29:33Miriam...
29:34Sobrou aqui Miriam,
29:36Belchior,
29:37vamos jogar todas
29:37para o dia 2 de outubro,
29:39porque senão vai ficar muito...
29:41Pode ser?
29:42Está ótimo.
29:43Isso vai ficar muito esparso,
29:45é só uma testemunha,
29:46depois os senhores desistem
29:48ou na hora ninguém consegue, né?
29:50Então eu vou deferir aqui,
29:52então já vou redesignar
29:54a audiência do dia 13,
29:56praticamente de manhã
29:56já não tinha mais ninguém, né?
29:57Porque eu ouvia...
29:58haveria desistência,
30:0014,
30:01jogando esse depoimento
30:03da senhora Miriam Belchior
30:05para o dia 2 e também
30:08Fábio Meleri.
30:11Então nós vamos nos encontrar aqui
30:13no dia 2 de outubro
30:15às 9h30
30:17e depois às 13h.
30:19Vamos tentar encerrar aqui
30:21essa parte.
30:22E também
30:23eu estou dando vista aqui
30:25para que fale sobre as testemunhas.
30:28Vanderlei Luxemburgo
30:30não foi encontrado, doutor.
30:33Max, Roger Marcondes Machado,
30:37Hugo Gomes de Souza
30:38e Bernardo Appi.
30:41Aqui também não foram encontrados.
30:43Os senhores se manifestam aí
30:44sobre pena de preclusão, né?
30:47Então pronto.
30:48Está encerrado mais alguma coisa, doutor?
30:49Não, não é.
30:50Então até o dia 2 de outubro, doutores.
30:52Obrigado aí à sessão judiciária de São Paulo.
30:54E aí, cumprimentos a todos.
30:56Obrigado, excelência.
30:57Obrigado, excelência.
30:58Um bom dia a todos mais.
31:00Um bom dia do mesmo modo, isso.
31:01Depois de outubro.
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