- há 8 meses
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Categoria
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NotíciasTranscrição
00:00Salve, salve, leitores, espectadores, antagonistas.
00:03Hoje eu tenho a honra de entrevistar aqui o filósofo Olavo de Carvalho,
00:07autor do livro Mínimo que Você Precisa Saber para Não Ser Um Idiota,
00:11idealizado e organizado por mim.
00:13Está aqui o livro.
00:14E o Olavo está agora em cartaz nos cinemas.
00:18O filme O Jardim das Aflições, de Josias Teófilo, está em cartaz.
00:23O Olavo é o personagem.
00:24O filme trata da vida e da obra do filósofo Olavo de Carvalho.
00:28Tudo bem, Olavo?
00:29Tudo bom, graças a Deus.
00:32Maravilha.
00:32E eu queria saber, antes de entrar nas polêmicas que envolveram o filme,
00:36quais são as ideias filosóficas que o filme apresenta,
00:40que estão ali retratadas, da sua obra, nesse filme?
00:44Bom, a ideia do filme, na verdade, foi até modesta.
00:46Foi expressar, vamos dizer, visualmente,
00:50algumas das ideias que estão no livro Jardim das Aflições.
00:53No filme, não tenho a pretensão de apresentar a minha obra inteira,
00:56o conjunto do meu pensamento, nada disso.
00:59E, dentro da sua proposta, o filme foi maravilhosamente realizado.
01:03Eu acho que ele consegue realmente dar uma ideia,
01:06dar uma visualidade, uma corporalidade,
01:10vamos dizer, a ideia do jardim em contraste com a cidade,
01:15e as várias versões do jardim, que tem o Jardim de Epicuro e tem o Jardim das Oliveiras.
01:24Eu acho que está muito bem feito aquilo.
01:26Inclusive, o Josias, durante as filmagens,
01:29ele toda hora exigia que eu trocasse de camisa, eu não sabia por quê.
01:33Aquilo era uma loucura, o striptease o tempo todo.
01:35No fim, eu vi, ele foi montando o negócio das cores mais claras para a mais escura.
01:41Olha só.
01:42Falando da morte, da imortalidade.
01:44Começa com o lado mais superficial, o lado político, social da coisa,
01:48e vai aprofundando.
01:50Ele está fazendo tudo de caso pensado, ele sabe o que está fazendo.
01:53Eu estou aqui, fiz três participações já aqui no estúdio da TV Antagonista hoje,
01:58todas com a mesma camisa.
02:00O Lavo não, foi trocando durante o filme,
02:02para mostrar que eram várias cenas diferentes.
02:05Mas e a sua vida na Virgínia, que você mora nos Estados Unidos há muitos anos,
02:10como é que ela se relaciona com a obra filosófica nesse filme?
02:14Olha, ter mudado para a Virgínia, a gente morava no meio do mato,
02:18não era na cidade.
02:20Foi uma coisa que eu sempre quis fazer,
02:22eu sempre gostei de mato.
02:24Muitas vezes, vivi no mato no Brasil,
02:28no tempo que morava no litoral sul, ali em Iguape, com o meu pai.
02:32Naquela época eu participei do recenseamento escolar,
02:34a gente se embrenhava no mato,
02:35ficava vários dias lá procurando os meninos para saber
02:38se tinha registro de nascimento, se estava na escola.
02:41Eu sempre adorei, gostei desse negócio de mato.
02:44Deve ser um negócio hereditar, porque meus dois avós eram caçadores.
02:48Um deles é caçador profissional, o outro é amador.
02:51E tinha sítio, eu toda hora estava no sítio, eu sempre gostei disso.
02:57E o Josias conseguiu mostrar bem essa atmosfera,
03:02quer dizer, um tipo de convivência,
03:04que na verdade só é possível no interior.
03:07Na cidade isso não é possível mais.
03:08Na cidade as famílias se fragmentam em pedacinhos,
03:11é só aquele negócio, papai, mamãe, filhinho e televisão.
03:14Não tem nem caçador, mas não pode ter caçador no prédio.
03:18Mas no interior a gente ainda tem essas coisas.
03:23Vamos mostrar aqui um trecho,
03:24o trailer do filme O Jardim das Aflições,
03:27para a gente ter uma ideia do que o Olavo está falando,
03:29porque ele vai dar esse tempero campestre do filme.
03:32Roda aí.
03:32A cultura, ela te molda por um certo aspecto,
03:49mas a partir de um certo ponto,
03:50quando você tem uma dinâmica própria,
03:53você integra os elementos da cultura
03:54e você os trabalha do seu jeito.
03:56Quer dizer, tudo aquilo que nós...
03:58Todo o universo dos nossos pensamentos,
04:00emoções, etc., etc.,
04:01você recebe da cultura
04:02e você ou é modelado por eles
04:05ou você os modela,
04:06dependendo da sua capacidade de iniciativa.
04:11As famílias sempre foram focos de rebeldia contra o Estado,
04:14de resistência ao Estado.
04:22Ele me embeleza.
04:23É mesmo, embeleza.
04:24Meu amor, embeleza.
04:44Maravilha.
04:45Vocês viram aí,
04:46mato, cachorro, toda a família,
04:48esse clima aconchegante em que você mora aí, Olavo.
04:51Aliás, uma família muito grande, né?
04:53Família enorme, cada vez maior.
04:54Está para nascer mais uma esses dias, hein?
04:57Ah, é?
04:59E ainda recebe muita visita de alunos, de estudantes.
05:03Toda hora aparece alguém aí nessa casa.
05:05Sempre tem gente aqui.
05:07Agora, um tema aí do filme que eu achei muito importante
05:09é o contraste entre o que é a vida no campo,
05:15onde você está em contato com o universo físico,
05:17e a vida na cidade onde você não está no universo físico.
05:20Você está no universo de normas, leis, costumes, pressões.
05:24Você está no universo construído pelo ser humano.
05:27E o sujeito que está aí na cidade trabalhando,
05:29de vez em quando ele sai, vai para a praia, vai para a montanha,
05:33ele acredita que aquilo é apenas um descanso,
05:34e que na segunda-feira ele volta para a realidade.
05:37Mas, na verdade, ele está voltando para um mundo construído,
05:39não para o mundo real.
05:41O mundo real é o mundo físico, meu Deus do céu.
05:43O que nós construímos em cima só é real relativamente.
05:48Eu tenho essa impressão aqui quando...
05:52Eu tenho essa impressão quando eu vou para o interior
05:55que as pessoas têm uma relação mais direta com as coisas,
05:58têm uma sinceridade maior,
06:00e no meio urbano tem muita pose, muita hipocrisia também.
06:05Você não sente isso aí?
06:07É claro, porque no campo você tem que se orientar
06:10pelo universo físico, pela realidade física imediata,
06:13e na cidade você se orienta pelo que as pessoas pensam,
06:20pelas expectativas humanas, pelas normas e convenções.
06:23É um mundo mais complicado, na verdade,
06:26e bastante irreal,
06:27constituído bastante de fantasia, fingimento, teatro.
06:32É claro que isso não faz bem para ninguém.
06:34E esse ambiente aí que você está é um ambiente melhor para o estudo intelectual,
06:41um ambiente mais tranquilo.
06:43Você já disse algumas vezes, eu acho,
06:45que nos Estados Unidos você consegue o tempo necessário para estudar.
06:49Isso ainda é assim.
06:51Sem sobredúvida.
06:52Quer dizer, é um ambiente muito mais propício,
06:55não só para a atividade intelectual,
06:57mas para o desenvolvimento das qualidades humanas,
07:00que você é testado pela vida real, pela vida física.
07:04Os seus problemas aqui são esses assim,
07:06o cachorro fugiu, você tem que ir no mato buscar,
07:09o carrapato, tem o teu urso,
07:11outro dia apareceu um urso aqui perto.
07:14Então, são problemas da vida real,
07:17não problemas, vamos dizer, criados pela arbitrariedade humana.
07:21Problemas que não precisariam existir.
07:22O Brasil é uma sociedade que ninguém sabe como funciona.
07:26Então, você nunca sabe o que estão esperando de você,
07:28como é que você deve se comportar nesse lugar.
07:31Aqui nos Estados Unidos, na cidade, a coisa é mais clara.
07:34Na Europa, mais ainda.
07:35Você tem um sistema de regras que todo mundo conhece.
07:37No Brasil, a regra é desconhecida.
07:40É que nem o decreto secreto do tempo dos militares.
07:43Tem lá uma regra, mas não pode conhecer.
07:45Então, as pessoas estão sendo desorientadas e inseguras.
07:49Agora, trazendo para essa dura realidade da cidade, Olavo,
07:53eu quero lembrar aqui que em 1994, se eu não me engano,
07:57você publicou o livro A Nova Era e a Revolução Cultural,
08:00em que você diagnosticava a situação brasileira
08:03a partir das ideias do ideólogo comunista italiano Antônio Gramsci,
08:06que ensinava a esquerda a ocupar os centros disseminadores de ideia
08:11de uma sociedade infiltrando os seus militantes
08:13nas escolas, nas universidades, na mídia,
08:16no mercado editorial, no show business.
08:19E você dizia que isso aconteceu aqui no Brasil
08:21nas últimas décadas.
08:23E esse filme, O Jardim das Aflições,
08:26ele sofreu um certo boicot, quer dizer, indireto.
08:29Na verdade, sete cineastas retiraram os seus filmes
08:32em protesto contra a exibição de Jardim das Aflições
08:35num festival de cinema.
08:38Essa retirada, esse protesto, sem nem terem visto o filme,
08:43não é representativo de tudo isso que você vinha denunciando
08:47há muitos anos?
08:48Altamente representativo.
08:50Isso aí, como é que você diz?
08:51Essa é a hegemonia tornada visível.
08:55Quando eu publiquei o livro, o livro já estava atrasado,
08:58em 1993, publiquei a primeira edição,
09:00que vendeu inteirinha num dia.
09:01Eu ali descrevia como era a estratégia do António Gramsci
09:06e como estava sendo aplicado no Brasil já fazia tempo.
09:09Eles começaram com isso mais ou menos na década de 70.
09:13Quando teve o golpe militar em 64,
09:15eles foram para casa, os queridos foram tudo para casa,
09:17começaram a estudar António Gramsci
09:18e refizeram os seus planos estratégicos.
09:22Então, começaram a aplicar já na década de 70.
09:24Já na década, durante o governo militar,
09:26eles já dominavam toda a mídia,
09:29dominavam a grande mídia
09:30e também a mídia alternativa.
09:32E, aos poucos, foram culpando todos os espaços
09:34e expulsaram todo mundo.
09:37Se você ver a lista de jornalistas, comentaristas,
09:40conservadores ou de direita,
09:41que foram expelidos da mídia já no tempo dos militares,
09:45como Gustavo Corção, Lenildo Tabosa Pessoa,
09:48Nicolas Boer, o mundo da Meira Pena, António Olinto,
09:52todos eles foram banidos.
09:53Então, a esquerda se queixava da censura,
09:55mas ela estava fazendo uma censura muito mais drástica
09:57dentro dos terrenos que ela dominava.
10:00Inclusive, a diferença de tratamento
10:03que o governo militar dava a eles
10:05e o que eles dão aos seus adversários,
10:07hoje é uma coisa monstruosa,
10:09porque o governo militar dava dinheiro
10:10para eles fazerem filme,
10:11para fazer festival de cinema,
10:13para manter as suas editoras.
10:16Você vê, 20 dias antes de morrer,
10:19o Enio Silveira,
10:20diretor da Civilização Brasileira,
10:23que era a maior editora comunista do país,
10:26me confessou o seguinte,
10:27olha, a minha editora só sobreviveu
10:28graças à ajuda do governo militar,
10:31o tempo todo.
10:33O Meira Pena fez uma pesquisa e disse,
10:36aquela foi a época de maior sucesso
10:38do livro esquerdista no Brasil,
10:40no tempo dos militares.
10:42Então, eles estavam com a corda toda.
10:43É porque para os militares,
10:46desde que a esquerda não estivesse
10:48pegando em armas para derrubar
10:50o poder deles, estava bom.
10:52Mas, culturalmente,
10:54a longo prazo,
10:55isso acabou sendo danoso também
10:57para o Brasil.
10:57Não que a gente pregue qualquer censura,
11:00mas o fato de eles não terem
11:02feito nenhum trabalho cultural
11:04de explicação sobre os males
11:07do comunismo, do socialismo,
11:09os métodos,
11:10acabou sendo prejudicial ao Brasil.
11:13Você acha isso, Olá?
11:14Sem dúvida.
11:15Os militares não tinham a menor ideia
11:16da guerra cultural.
11:17Eles encaravam aquilo
11:18do ponto de vista da sua profissão.
11:21Isso é um problema exclusivamente militar.
11:23Então, eles combatiam as guerrilhas,
11:24mas deixavam o pessoal ocupar
11:26a mídia, a universidade, tudo, tudo, tudo.
11:29Quando perceberam, já era tarde.
11:31Na verdade, nem chegaram a perceber.
11:33Eles caíram no cavalo
11:34sem nem perceber quem os derrubou.
11:36Você vê, republikei o livro em 93,
11:38a primeira reação militar a esse livro
11:42demorou oito anos.
11:44Oito anos, quer dizer,
11:45já era 2001,
11:48o general José Fábrica publicou o artigo
11:50no jornal militar comentando
11:52que aconteceu isso mesmo.
11:54Você vê, o pessoal está muito atrasado.
11:58Isso você fala até...
12:00Eu fiz um capítulo,
12:01democracia, no livro mínimo,
12:04e você retratava essa democracia brasileira
12:06como uma democracia doente,
12:08porque ela, em geral,
12:09só tinha o lado esquerdista.
12:11Nos Estados Unidos,
12:12existe uma tensão maior,
12:13tanto no universo político
12:14do Partido Democrata
12:16e do Partido Republicano,
12:17quanto no universo cultural,
12:19em que a direita também tem força,
12:21também tem poder de fogo.
12:22Evidentemente,
12:23há um certo controle dos jornais,
12:25para a esquerda,
12:25mas a direita está presente no rádio,
12:27os conservadores.
12:29E aqui no Brasil,
12:30pelo menos durante muito tempo,
12:31antes de começar a haver
12:33uma certa brecha,
12:34que você considera
12:36uma democracia doente.
12:37É isso?
12:39Sem dúvida.
12:40Porque, você vê,
12:40o próprio Lula,
12:41em duas eleições,
12:42ele celebrou o fato
12:43de que todos os candidatos
12:44eram de esquerda.
12:45Pela primeira vez,
12:47companheira,
12:48pela primeira vez,
12:49nós não vamos ter
12:50um candidato de direita
12:51na campanha.
12:54Não é fantástico isso?
12:55Vocês querem conquista
12:57melhor do que numa campanha
12:59neste país,
13:00a gente não ter
13:01nenhum candidato de direita?
13:03Quer dizer,
13:04não havia representação
13:06da opinião conservadora,
13:08direitista,
13:08ou como queira chamar.
13:09Não havia nada.
13:10Você não tinha um único canal,
13:11você não tinha um único jornalzinho
13:13alternativo,
13:14não tinha um jornalzinho nanico,
13:16não tinha um rádio,
13:16um programa de rádio,
13:17não tinha absolutamente nada,
13:18era o silêncio total.
13:20Ou coisa que,
13:21durante o regime militar,
13:22jamais aconteceu.
13:24O tempo todo circulava ali
13:26jornais de esquerda,
13:26você tinha articulistas de esquerda,
13:28um monte de articulistas de esquerda,
13:30na mídia.
13:30Você tinha a revista
13:32de mau prestígio,
13:33que era a revista realidade,
13:34era todinha.
13:36Era o Partido Comunista
13:37encarnado.
13:39Então,
13:40eles tinham muito mais espaço
13:42no tempo da ditadura militar
13:43do que eles concedem
13:44aos seus adversários hoje.
13:47Então, Olavo,
13:48o que é engraçado no Brasil
13:49é que todas as pesquisas
13:50de opinião
13:51das últimas décadas,
13:52dos últimos anos,
13:53reveladas pelos grandes jornais,
13:54pela própria imprensa,
13:56mostram que a população
13:57é majoritariamente conservadora.
13:59Teve aqui o referendo
14:01sobre controle de armas,
14:02a população foi contra.
14:04Legalização das drogas,
14:0584% são contra.
14:08Legalização do aborto,
14:1077% contra.
14:12Vários temas ali,
14:14maior punição para os criminosos,
14:16a esquerda vive
14:17tentando amenizar as penas
14:20para os criminosos
14:21e a população quer cada vez mais penas.
14:24Quanto mais aumenta
14:25a criminalidade no Brasil,
14:26mais punição elas querem.
14:28tem ali um tema que é dividido,
14:30que é a pena de morte,
14:31mesmo entre o pessoal
14:32mais conservador e a direita,
14:34existe uma divisão
14:34sobre esse tema,
14:36mas em relação
14:36à prisão perpétua,
14:37a população,
14:38a maioria quer,
14:40redução da maioridade penal,
14:42a maioria quer também.
14:43Então, assim,
14:44são temas associados
14:46mais à direita
14:46e, no entanto,
14:47essas pessoas parecem
14:48que não encontram voz,
14:50tanto nos meios culturais
14:52e de informação,
14:52quanto no universo político.
14:54Então,
14:56esse é um fenômeno
14:57especificamente brasileiro.
14:59Tem a população
15:00majoritariamente conservadora,
15:02uma das 70,
15:03quase 80% conservador,
15:05sobretudo do ponto de vista
15:06cultural,
15:06moral e de segurança pública,
15:08e a elite
15:09exatamente no polo oposto.
15:11Só que,
15:12num país de maioria conservadora,
15:14você não tem
15:14um jornal diário conservador,
15:17um canal de TV conservador,
15:19uma universidade conservadora,
15:22um partido conservador,
15:23não tem absolutamente nada.
15:25Então, pessoal,
15:26o conservador acaba votando
15:27naqueles que ele considera
15:29menos pior,
15:29que você vota
15:30no mal menor.
15:32Há anos,
15:33há décadas,
15:33votamos no mal menor.
15:35E não tem representação nenhuma.
15:37E esse é o ideal
15:38buscado pela estratégia
15:39grubbiana.
15:41Ocupar todos os espaços,
15:42não deixar espaço
15:43para mais ninguém.
15:45Então,
15:46é claro que é um sistema
15:47ditatorial.
15:48Não se declara
15:49ditatorial,
15:50evidentemente,
15:51mas se exerce
15:52de uma maneira
15:52muito mais drástica
15:54do que a ditadura militar
15:55exerceu.
15:56Muito mais drástica
15:57e intolerante.
15:59E já houve esquerdistas
16:00capazes de participar
16:02de um debate público
16:03saudável,
16:04com profundidade
16:05intelectual.
16:06Mas teve algum momento
16:07que a camada intelectual
16:08se transformou,
16:09como você dizia,
16:10em megafone
16:11de interesses partidários.
16:13E aí,
16:13em vez de examinar a verdade,
16:15o que é verdade,
16:16o que é mentira,
16:17quem são os canalhas
16:18na sociedade,
16:19quem não são,
16:20elas começaram
16:21a explicitar
16:23apenas os interesses
16:24dos partidos,
16:25os interesses
16:26da corrente ideológica
16:27de que ela é parte.
16:29E isso acaba
16:29corrompendo
16:30todo o resto
16:31da sociedade,
16:32resultando na corrupção
16:33propriamente dita.
16:34Ela não começa,
16:35você sempre mostrou isso,
16:36com a destruição
16:37da cultura superior,
16:38com a corrupção
16:39da camada intelectual.
16:42Sem dúvida.
16:43E você veja,
16:44esse pessoal,
16:45à medida que foi adquirindo
16:46poder,
16:46eles treinaram
16:47a juventude universitária
16:48para ter um espírito
16:50de autoproteção
16:51mafiosa corporativa,
16:53onde o estranho
16:55não pode entrar,
16:56não tem direito
16:56de existir.
16:58Se aparece um cara
16:59que não concorda com eles,
17:00eles se sentem
17:01fisicamente ameaçados.
17:02Uma vez eu fiz
17:03uma coleção
17:04de reações
17:06fisiológicas
17:07ao que eu escrevia.
17:08Diziam,
17:09me dá enjoo,
17:10me dá risa de vômito,
17:11me dá dor de cabeça,
17:12me dá diarreia.
17:14É impressionante,
17:15as reações
17:16são fisiológicas,
17:16e eles não são capazes
17:17de reagir com a inteligência
17:19mais.
17:19E isso é um fenômeno
17:20que você observa
17:21todo mundo.
17:21No caso do Jardim
17:22das Aflições,
17:23a mesma coisa.
17:24Os rapazes se sentiram
17:25intimidados e ameaçados
17:27pela presença
17:27de um filme.
17:30Eles não tinham visto ainda,
17:31mas que eles ouviram dizer
17:32que é de direita.
17:34E não pode tolerar.
17:36É um terror pânico.
17:39É uma coisa impressionante.
17:42E o filme que nem tem
17:43uma pegada ideológica
17:45mais acentuada,
17:46é mais sobre as suas ideias,
17:48mais ligadas à filosofia
17:49e sobre a sua própria vida
17:51na Virgínia,
17:51mas mesmo assim,
17:53pelo fato de você ter sido
17:54um crítico da esquerda
17:56durante todos esses anos,
17:58parece que eles não querem,
17:59não aceitam
18:00que seja exibido o filme.
18:01Quer dizer,
18:02não dão espaço
18:02ao contraditório.
18:03É muito triste, né,
18:04logo.
18:05Felizmente,
18:05teve algumas,
18:07para dizer até o que o Josias
18:09disse na televisão
18:10outro dia,
18:11algumas pessoas,
18:12Cacá Diex,
18:12a Cora Rona,
18:13o André Barsinski,
18:15eles defenderam a exibição
18:17do filme,
18:18o que é o mínimo,
18:19é a obrigação moral
18:21de ser feito.
18:23Mas, em geral,
18:24as pessoas têm muito medo
18:25do contraditório
18:26e mostra como esse pessoal
18:28morre de medo
18:28do debate de ideias.
18:29eles precisam boicotar.
18:32Parece que eles sabem
18:32que na racionalidade
18:33eles perdem.
18:35Não, eles sabem.
18:36Agora, veja,
18:37essas pessoas como
18:37Cora Rona e Cacá Diex
18:38são pessoas de uma outra geração.
18:40Exato.
18:41São sobreviventes
18:43de uma intelectualidade
18:44esquerdista
18:45que existiu antigamente.
18:47Que, quando eu escrevi
18:48o Jardim das Aflições,
18:49ela já estava em decadência.
18:51Agora, hoje,
18:52não pode nem falar
18:53de decadência,
18:54mas é decomposição,
18:55é autodestruição.
18:56Esse pessoal todo ridículo.
18:57Eu li, por exemplo,
18:58essa crítica
18:59que fez o cara da Folha,
19:01o Inácio Araúr.
19:02Exato.
19:03Eu ia trazer
19:03um trecho dela aqui.
19:05Não escreve uma frase
19:07que não seja
19:08coisa primária,
19:09nem de redação,
19:11não serve nem
19:11como redação de ginásio.
19:14E, hoje em dia,
19:14estão todos assim.
19:15Eles se destruíram
19:16intelectualmente.
19:17Quer dizer,
19:18o espírito
19:19de corporação,
19:20de autodefesa,
19:22hipnotizou essa gente
19:24de tal maneira
19:24que eles não são capazes
19:26de confrontar ideias mais.
19:28de jeito nenhum.
19:29Que horror disso.
19:30E parece que eles têm
19:31horror à cultura,
19:32porque você citou aí
19:33a crítica
19:34que a Folha fez,
19:35o Inácio Araújo fez,
19:36do filme
19:37O Jardim das Aflições,
19:38e eu queria mesmo,
19:39eu selecionei um parágrafo
19:40para você comentar
19:41que tem tudo a ver
19:42com isso que a gente
19:43está falando.
19:44Então,
19:44eu vou lê-lo aqui
19:45rapidamente.
19:46O cineasta leva
19:47o mestre
19:48à sua bela biblioteca,
19:49onde o que ele destaca
19:50é a parte dedicada
19:51ao marxismo.
19:53Obras completas
19:53de Marx,
19:54Engels,
19:55Lenin,
19:55Stalin,
19:56Trotsky.
19:57Tudo lido
19:57dá a entender.
19:59Tudo lido
19:59parece um pouco demais.
20:01Perto de Olavo de Carvalho,
20:03sábios viram
20:04os pobres coitados.
20:05Há um tanto
20:06de cultura intimidatória
20:08nisso tudo.
20:09Olha só,
20:10Olavo,
20:10uma cultura intimidatória.
20:12é para intimidar
20:15o seu conhecimento?
20:16Eles se afligem
20:18ao ver
20:19que você estudou,
20:20que você leu
20:21muito livro?
20:22Olha,
20:23eles já faziam isso
20:24no tempo do Zé Guilherme
20:25Merckior.
20:25Ah,
20:25ele está querendo
20:26nos intimidar
20:27com tudo isso
20:27que ele lê.
20:28Mas eu vou ficar lendo
20:29para botar medo
20:30nos outros.
20:30Eu estou lendo
20:31para ver se eu entendo
20:31o que eu estou
20:33querendo estudar.
20:34Ora,
20:34o comunismo
20:35foi um fenômeno
20:35que abarcou
20:36um terço
20:37da superfície terrestre
20:38durante um século
20:39com o acontecimento
20:40mais importante
20:41abarcou,
20:43sei lá,
20:44500 milhões de pessoas.
20:45Você acha que mil livros
20:46é muito sobre isso?
20:48Não é.
20:49Em segundo lugar,
20:50quem disse que o destaque
20:51da minha biblioteca
20:52é o marxismo?
20:53Eu, no próprio filme,
20:54digo,
20:54isso aqui é um anexo.
20:55A biblioteca principal
20:56está do outro lado.
20:58Se você pegar os livros
20:59que eu tenho de história
21:00da filosofia,
21:00dá dez vezes
21:01o que tem de marxismo.
21:02E, sobretudo,
21:03livros de história
21:04e da parte de literatura,
21:05estudos literários.
21:06E o marxismo
21:07é um anexo.
21:08Como, de fato,
21:09na minha vida,
21:10esse estudo
21:11sobre o marxismo
21:11e tal,
21:12é um anexo apenas.
21:13Se eu for fazer a lista
21:14aqui dos tópicos
21:15que eu estudei,
21:16uma vez eu publiquei
21:17no Seminário de Filosofia.
21:20Olha aqui a lista
21:20dos temas que eu estudei
21:22e das descobertas
21:23que eu acho que eu fiz.
21:24Dá mais de 20 coisas
21:25que não tem coisa nenhuma
21:27a ver com o marxismo,
21:28com o PT, etc.
21:29a léguas de distância disso.
21:32Como o pessoal
21:33não lê nada,
21:34esse rapaz aí,
21:35ele assistiu o filme
21:36e leu dois posts
21:37do Facebook.
21:38E essa é toda
21:39a cultura olaviana
21:40que ele tem.
21:41Você até não sabe
21:42a coisa nenhuma.
21:44Mas tem coisas
21:45até mais maravilhosas ali.
21:49Contradições
21:50tão imbecis,
21:51tão infantis,
21:52que ele fica até incrédulo.
21:54Como é que pode ser
21:55a esse ponto?
21:58Você sempre diz
21:59que a ignorância no Brasil
22:00virou argumento,
22:01argumento de autoridade.
22:03O Lula foi
22:04uma das figuras públicas,
22:06talvez a figura pública
22:07que mais corroborou isso,
22:10que mais teve uma influência
22:11nesse sentido,
22:12a ponto de tornar
22:13a falta de cultura
22:14um mérito.
22:16Exatamente.
22:17Quer dizer,
22:17o Lula não é um sujeito
22:18que veio do nada,
22:20pobrezinho,
22:21e com esforço próprio,
22:22estudou,
22:23evoluiu como Machado de Assis,
22:24como Leuabarre,
22:25ou como eu.
22:27Não,
22:27ele é o cara
22:28que veio de baixo
22:29e ele foi se aprimorando,
22:30assim,
22:31comprando um terno melhor,
22:32polindo as unhas,
22:33aparando o cabelo,
22:35tratando de ficar bonitinho.
22:36Mas a mente dele
22:37continua igualzinha,
22:38ele não aprendeu nada.
22:40Então,
22:40ele é um anti-exemplo.
22:42O Brasil foi feito
22:43por pessoas
22:44que vieram das camadas baixas.
22:46Eu, na infância,
22:47fui muito mais pobre
22:48do que o Lula.
22:50E não fico,
22:50se eu não me engano,
22:51mas que coisa vergonhosa,
22:52um homem de 70 anos,
22:53lembra-se,
22:54ah, eu fui menino pobre
22:55no Nordeste.
22:56Que coisa mais ridícula,
22:58meu Deus do céu.
23:00Então,
23:01eu devia estar contente,
23:02pô,
23:02eu fui menino pobre,
23:03agora sou presidente da República,
23:04estou numa boa,
23:05estou felicíssimo.
23:06Nada,
23:06fica choramingando até hoje.
23:08Isso o que é?
23:09Isso é falta de cultura,
23:10falta de educação.
23:11Você faz até,
23:13eu incluí no mínimo,
23:15um contraste
23:16entre o Lula
23:17e o Eric Wuggling.
23:18É.
23:19Você lembra
23:19dessa forma de lidar
23:22com a riqueza
23:23e com a cultura?
23:24O Eric Wuggling,
23:24um grande filósofo,
23:26e o Lula,
23:27da parte rica,
23:28ele só pegou a pose.
23:30O vinho caro,
23:31aquele lado mais caipira,
23:33desgumbrado.
23:33Ele nunca ganhou dinheiro na vida.
23:34O Eric Wuggling ficou rico.
23:35depois de velho,
23:37depois dos 70 anos,
23:38que ele descobriu
23:39o negócio de investimento
23:39e ganhou muito dinheiro.
23:41Depois dos 70,
23:42ele nunca teve dinheiro na vida.
23:44Ele saiu da maior pobreza
23:46na Alemanha,
23:46ainda saiu fugido.
23:48Ele estava saindo
23:49pela porta dos fundos
23:50enquanto a Gestapo
23:50estava entrando
23:51pela porta da frente.
23:52Chegou nos Estados Unidos
23:52com a mão à frente
23:53e todo atrás.
23:55E fez a sua longa carreira
23:57de estudos,
23:58nunca procurou publicidade,
23:59nunca procurou
24:00ser o gostosão.
24:02E se afirmou
24:03apenas pela sua obra científica,
24:05que é uma coisa maravilhosa.
24:06Então, você contrastando
24:07essas carreiras,
24:09você vê o exemplo
24:09e o antiexemplo.
24:11Mas você não precisa procurar
24:11o Eric Wuggling,
24:12você vê a história
24:12do Machado de Assis,
24:13de Lima Barreto,
24:15de Castro Alves,
24:16de Gonçalves Dias.
24:17É todo mundo,
24:18o carro de Estranho de Abreu,
24:20é todo o jeito
24:20que veio de baixo.
24:22Pessoas que vieram
24:22de camadas ricas no Brasil
24:24e que deram contribuições
24:25culturais importantes
24:26são pouquíssimas.
24:27Sei lá,
24:28Joaquim Nabuco,
24:29Oliveira Lima,
24:31o próprio Gilberto Freire.
24:33Existem também,
24:34mas a maioria,
24:35vamos dizer,
24:3590% é gente pobre
24:37que estudou,
24:39às vezes sozinho,
24:39com grande esforço
24:40e construiu a cultura brasileira.
24:42Agora,
24:43o Lula é a desconstrução,
24:44ele é o antiexemplo total.
24:47Eu subi aqui
24:48sem aprender coisa nenhuma,
24:50o Lula não é um cara,
24:52ele não é um self-made man,
24:53ele foi inteiramente
24:54feito pelos outros,
24:55feito pelo partido,
24:56feito pelos bancos,
24:57feito pela mídia,
24:58ele não tem mérito nenhum
24:59nesta coisa.
25:00Ele não é propriamente um líder,
25:01ele é um símbolo,
25:02construído pelos outros.
25:03tanto que você vê,
25:05para derrubá-lo,
25:06foi a coisa mais fácil.
25:08O homem é o índice nacional,
25:09do dia para a noite,
25:10ele virou um lixo,
25:11todo mundo quer ver ele na cadeia.
25:14Uma reputação sólida
25:15não cai assim tão fácil,
25:17não é?
25:18É verdade.
25:19E você sempre fala,
25:20a gente sempre volta
25:21a esse aspecto,
25:22que talvez seja o problema
25:23número um que vem à cabeça,
25:24quando a gente está falando
25:25dos problemas do Brasil,
25:27que é o conhecimento aqui
25:28não ser considerado um valor.
25:30não é um valor positivo,
25:32não é uma coisa que se busque.
25:34Eu sou testemunha disso
25:35diariamente na vida social,
25:37na própria internet,
25:39quando você vai ver
25:40o perfil das pessoas,
25:41se você não está
25:42num grupinho ali
25:43de pessoas que leem
25:44na internet todos os dias,
25:45os sites de notícias
25:47e colunistas, etc.,
25:49você vê o perfil das pessoas,
25:50não tem um elemento ali
25:52de busca de conhecimento,
25:53um livro.
25:54A pessoa ama a praia,
25:55ama o esporte,
25:57às vezes é uma coisa
25:58ou outra também,
25:59as pessoas não tentam
26:00viver a vida
26:01de uma forma mais intensa,
26:02mais completa,
26:03mas falta esse amor
26:05ao conhecimento,
26:05o conhecimento ser algo
26:07a se conquistar,
26:08você querer melhorar
26:09como ser humano,
26:09como pessoa,
26:10por meio do conhecimento.
26:12Eu sinto uma falta disso
26:14no meu entorno,
26:16na vida social,
26:17principalmente carioca,
26:18até quando eu venho
26:19aqui em São Paulo,
26:19eu acho que melhora um pouquinho,
26:20mas o pessoal no Rio
26:21quer mais é ir para a praia.
26:24Você viveu muito isso
26:25durante décadas,
26:26inclusive com uma certa solidão
26:28porque você estudou
26:28coisas muito profundas
26:31da filosofia
26:32e deve ter tido
26:33muita dificuldade
26:33de encontrar pessoas,
26:35interlocutores.
26:36Não, durante os 50 anos
26:38eu não tive com quem conversar,
26:39mas eu não fui o único,
26:40eu tenho um amigo
26:40chamado Ronaldo Alves,
26:42que nasceu
26:43no Moro da Rocinha,
26:46e estudou lá,
26:48depois se formou em Direito,
26:49etc, etc,
26:50e ele dizia o seguinte,
26:51eu fui mais discriminado
26:52na favela
26:53por ler livros
26:54do que aqui na cidade
26:55por ser preto.
26:56que coisa grave,
26:59quer dizer,
27:00ler livros
27:01é um defeito,
27:02é uma falta de caráter,
27:04entendeu?
27:05E tem,
27:06isso no Brasil
27:06está amplamente documentado,
27:07isso tem no Machado de Assis,
27:09na Teoria do Medalhão,
27:10nos livros todos
27:11do Leão Barreto,
27:12no livro do Origem Leste,
27:13nos livros do Graciliano Ramos,
27:15o primeiro livro dele,
27:16o Carreté,
27:17está a marca,
27:18vamos dizer,
27:19do Filisteu,
27:20de classe alta,
27:21que odeia o conhecimento,
27:22está lá,
27:24marcado,
27:24descrito,
27:25quer dizer,
27:25é uma constante
27:26na vida brasileira,
27:27só que a ascensão
27:29da esquerda ao poder
27:30piorou isso,
27:31porque eles instrumentalizaram
27:33os órgãos de cultura,
27:34os órgãos de cultura
27:35passaram,
27:35existiam para reforçar
27:36o poder do partido,
27:38então estreitou
27:39formidavelmente
27:39a área de interesse,
27:42estreitou a consciência,
27:45e criou esse espírito
27:47de autodefesa corporativa,
27:49que é realmente paranoico,
27:51e que imbeciliza as pessoas,
27:54então o que eu descrevi
27:55no imbecil coletivo
27:56já está superado
27:57há muito tempo,
27:58porque naquele tempo
27:59havia intelectuais
28:00para ser desmascarados,
28:03hoje você não tem
28:03o que desmascarar,
28:05quer dizer,
28:06eu vou discutir
28:06com o Inácio Araújo,
28:08não é possível,
28:10a coisa já passou
28:11do nível da caricatura,
28:14já virou a subcaricatura,
28:17e um fenômeno como esse
28:18nunca aconteceu
28:19no mundo,
28:21você pega,
28:22por exemplo,
28:22pega a Alemanha
28:23durante a ascensão
28:24do nazismo,
28:24na década de 30,
28:26era uma situação horrível,
28:27complexiva,
28:28metade do país
28:29na cadeia,
28:31os caras não pararam
28:32de criar
28:32grande literatura,
28:34os que foram
28:35para o exílio
28:35continuaram,
28:36como Thomas Mann
28:37e outros,
28:38e dentro,
28:39os que ficaram dentro,
28:41como Gerhard Hauptmann,
28:42o dramaturgo,
28:43continuaram produzindo
28:44coisas maravilhosas,
28:46o Hauptmann sumiu,
28:47ficou lá no interior,
28:48daí quando acabou a guerra,
28:50perguntaram para ele,
28:51o que você fez
28:51durante todos esses anos?
28:52Ele disse,
28:53eu sobrevivi,
28:54então eles não pararam,
28:57o que aconteceu na Rússia,
28:58você vê a literatura
29:00clandestina russa,
29:01durante o tempo do comunismo,
29:02um negócio maravilhoso,
29:05só as obras do Solzhenitsyn,
29:06que foram todas escritas
29:10em condições precaríssimas,
29:12de perseguição,
29:15de perigo,
29:16o tempo todo,
29:16e ele lá escrevendo,
29:18escrevendo, escrevendo,
29:19agora no Brasil,
29:20sumiu,
29:21você vê os escritores
29:22que o Brasil tinha
29:23na década de 50, 60,
29:25você tinha o Jorge Amado,
29:26o José Montelo,
29:27o Gracielo Ramos
29:27ainda estava vivo,
29:28você tinha o Alto Maria Carpô,
29:29era um negócio
29:30que não acabava mais,
29:31Carlos Armando de Andrade,
29:32Manuel Bandeira,
29:33que Manuel Bandeira
29:34está entre os maiores poetas
29:35da humanidade,
29:36é uma coisa
29:37que é difícil perceber,
29:39porque ele é quase
29:39intraduzível,
29:41mas ele é um dos grandes
29:42poetas da humanidade,
29:43eu coloco no nível
29:44do Yeats,
29:45quase do Elliot,
29:46o Gerardo Melo Mourão,
29:50o Gerardo Melo Mourão
29:51é o sujeito que,
29:52o Ezra Pound
29:53disse dele,
29:54esse é o sujeito
29:55que conseguiu fazer
29:56o que eu queria fazer,
29:58esse homem viveu no Brasil,
30:00estava lá,
30:00vivendo e produzindo
30:01nessa época,
30:01o que sobrou?
30:02acabou tudo,
30:05por isso que eu acho
30:06que a minha avó
30:06foi profética
30:07quando me deu o nome
30:08de Olavo,
30:09quer dizer sobrevivente,
30:10mas de fato,
30:11morreu todo mundo,
30:12sobrou eu.
30:12O que eu percebo muito
30:14no debate público
30:15e conversando com as pessoas
30:16é como elas,
30:18muitas vezes,
30:19são incapazes
30:20de analisar
30:21o conteúdo efetivo
30:22das coisas
30:23e são guiadas
30:24muito mais
30:24pelo sentimento
30:26que uma palavra
30:27desperta.
30:28Você fala disso
30:28várias vezes
30:29na sua obra,
30:30quer dizer,
30:30da palavra gatilho,
30:32hoje eu estava
30:32entrevistando aqui,
30:33gravando uma entrevista
30:34com o climatologista
30:35Ricardo Felício,
30:36que desmente
30:36essas teses
30:37de aquecimento global,
30:38é super divertido
30:39conversar com ele,
30:40eu estava falando
30:41sobre o acordo
30:42de Paris
30:43sobre o clima.
30:44Então as pessoas,
30:45elas leem aquilo
30:47e falam,
30:47bom,
30:47aquilo é o clima,
30:49clima é uma coisa legal,
30:50eu amo a natureza,
30:52entendeu?
30:52E se o Trump
30:52está retirando
30:53dos Estados Unidos
30:54do acordo
30:54do Paris
30:55sobre o clima,
30:55é porque ele não gosta
30:56da natureza,
30:57então fora Trump.
30:58E a pessoa nunca
30:59se pergunta
31:00em nenhum momento
31:01em que consiste
31:03aquele acordo
31:04de Paris
31:04sobre o clima.
31:05Quer dizer,
31:05ela é levada
31:06pela bandeira
31:07popular,
31:08pela causa
31:09que enobrece
31:10aquele acordo,
31:12muitas vezes
31:13do movimento,
31:13assim como o PT,
31:14ele não vai para a rua
31:15para defender a si próprio,
31:16ele vai em defesa
31:17da democracia,
31:18ele sempre se esconde
31:19atrás de uma bandeira.
31:21E muita gente
31:22cai nesse papo,
31:23a gente vê pessoas jovens
31:24caindo nesse papo
31:26porque elas são assim
31:27estimuladas
31:27só por palavras,
31:29elas nunca estão
31:30analisando o conteúdo
31:31substantivo das coisas.
31:33As palavras
31:34despertam
31:34uma reação
31:35emocional direta,
31:36não passa
31:37pelo objeto
31:38referido.
31:40É tudo
31:40de reflexo
31:41condicionado,
31:42mesmo que a gente
31:42falou certas palavras
31:43para outras,
31:43tem uma reação
31:44instantânea.
31:46Isso aí
31:47é analfabetismo
31:48funcional
31:48em centésimo grau.
31:51E esse estado
31:52de coisa
31:52se espalhou
31:53entre jornalistas,
31:55professores universitários.
31:58Por exemplo,
31:58eu analisando
31:59aquele discurso
32:00famoso do Mauro Yassi,
32:02eu mostro ali,
32:02é um caso
32:03de analfabetismo
32:04funcional gravíssimo.
32:05teses universitárias,
32:07eu sempre peço
32:08para o pessoal
32:08mandar a tese universitária
32:09para mim,
32:10para eu saber
32:10o que está acontecendo.
32:12É assim,
32:13você não vê
32:14uma tese
32:15que na primeira
32:15página você já não tem
32:1610 erros de gramática
32:17e 10 erros de lógica.
32:19É uma coisa
32:20abismante.
32:22Então,
32:22quando eles falam
32:23decadência da cultura,
32:24os americanos aqui falam
32:25ah, mas aqui também.
32:26Eu falo,
32:26vocês não sabem
32:26o que estão falando.
32:28São felizes
32:29e não sabem.
32:31São felizes
32:32e não sabem.
32:34Então,
32:34aqui,
32:35a produção cultural,
32:36se você pegar aqui
32:37ou na França,
32:38se você pegar o debate
32:39político na França,
32:40é uma coisa
32:41de altíssimo nível
32:42até hoje.
32:43Não caiu
32:44de maneira alguma.
32:45Só que,
32:46bom,
32:46o pessoal da esquerda
32:47decaiu,
32:47mas a direita
32:48é altamente intelectualizada,
32:49produz livro
32:50atrás de livro,
32:51coisa interessante.
32:52Na Itália,
32:54temas importantíssimos,
32:56temas maçônicos,
32:57a maçonaria
32:58é uma coisa
32:58importantíssima
32:59na política internacional.
33:00Na Itália,
33:01tem livros maravilhosos
33:02sobre o papel
33:03da maçonaria
33:04no mundo,
33:04tanto pro-maçom
33:05quanto anti-maçom,
33:06mas é tudo
33:07altíssimo nível.
33:09E no Brasil
33:10não tem nada,
33:11nada,
33:11nada,
33:12ninguém quer saber
33:12o que está acontecendo.
33:14O pessoal só quer
33:14expressar suas emoções.
33:16Então,
33:17virou esse emocionalismo
33:18barato,
33:18que é alimentado
33:19desde a escola primária
33:21através da estimulação sexual.
33:24Você vai lá
33:25para obter prazer.
33:26É assim,
33:27buscar o prazer
33:28e fugir da dor.
33:29Então,
33:30você está criando
33:31uma geração
33:31de idiotas.
33:32Esse pessoal
33:32tem mentalidade
33:33de tartaruga,
33:34pô.
33:34Até tartaruga
33:35busca o prazer
33:36e fugir da dor,
33:37nem põe a cabeça
33:38para dentro.
33:40E as pessoas
33:40ficam mais suscetíveis
33:41também a manchetes
33:43de jornal,
33:45a propaganda massiva
33:46que a internet
33:47potencializa.
33:49E a gente vê muito isso.
33:50Isso é importantíssima.
33:51Porque você veja,
33:52você disse que
33:53vai passar
33:54um trecho
33:54da minha entrevista
33:55com o Pedro Bial,
33:55você veja que coisa.
33:59Onde o Pedro Bial errou?
34:01Ele confiou na mídia.
34:03O consenso da mídia,
34:04as pessoas acreditam
34:05que tem uma autoridade.
34:06Mas escuta,
34:07que o consenso da mídia
34:08acerta em alguma coisa
34:10é materialmente impossível.
34:14Porque as situações
34:15são complicadas,
34:16requerem estudo,
34:17requerem exame,
34:17etc.
34:18E se você,
34:19num país,
34:20tem duas ou três pessoas
34:21que entenderam
34:22o que está acontecendo,
34:23você já tem que dar
34:23graças a Deus.
34:24Agora,
34:25como é possível
34:25uma classe profissional
34:26inteirinha,
34:28de repente,
34:29ela tem a visão
34:30correta das coisas.
34:31Não é que isso não acontece.
34:32Isso é impossível.
34:34Então, quer dizer,
34:34o consenso da mídia
34:35geralmente estará errado.
34:37Mesmo que não haja distorção.
34:39Mesmo que não haja mentira.
34:41Vamos assistir esse trecho
34:43que o Olavo falou,
34:44uma entrevista
34:44que ele deu
34:45para o Pedro Bial
34:46em 1996.
34:48Roda aí.
34:51No tempo em que
34:52quem estava no poder
34:53era a direita,
34:54eu estava na esquerda,
34:56como crítico.
34:57Agora,
34:58eu acho que a esquerda
34:59está no momento
34:59de ascensão.
35:01Então,
35:01automaticamente,
35:02passo a olhá-la
35:03com olhos críticos.
35:04A esquerda está no momento
35:05de ascensão?
35:06Sem sobredúvida.
35:07O momento que a alternativa
35:09socialista
35:10sofreu um colapso
35:11no mundo inteiro?
35:12Sem sobredúvida.
35:13Aconteceu no mundo inteiro,
35:15mas eu não duvido
35:16que a esquerda
35:17aqui no Brasil,
35:18ela tem uma grande esperança
35:19de que isso aqui
35:20seja até onde vai haver
35:22um renovo,
35:23um renascimento.
35:24Eu acho essa esperança
35:25maluca,
35:26mas eu creio firmemente
35:28que eles têm
35:28esta ideia, né?
35:31E que tem um poder
35:32muito grande hoje,
35:33a gente vê,
35:34sobretudo,
35:34nos meios de comunicação,
35:36na universidade.
35:37Isto por quê?
35:38Porque,
35:39a partir da década de 60,
35:40foram adotando
35:40a estratégia gramsciana,
35:42que é de fazer
35:43a revolução cultural primeiro
35:44para fazer a revolução política depois.
35:45Então,
35:46foram geralmente
35:46ocupando espaços
35:48nas universidades,
35:49na imprensa,
35:50rádio,
35:51movimento editoral,
35:52etc.
35:52E hoje,
35:53isso aí está praticamente
35:54na mão deles,
35:56embora eles não assumam
35:57a responsabilidade.
35:59Muitas vezes,
35:59têm o poder,
36:00mas não assumem que têm.
36:02Então,
36:02continuam se sentindo
36:04perseguidos
36:06e infelizes.
36:09Sete anos antes
36:10do Lula chegar ao poder,
36:12pela primeira vez
36:12a presidência da República
36:13em 2003,
36:14a campanha foi em 2002,
36:16você estava mapeando ali
36:17o território cultural,
36:19mostrando como a esquerda
36:20já estava controlando
36:21a situação
36:21e a tendência era
36:23que conquistasse depois
36:24o poder político,
36:25porque normalmente
36:26é nessa ordem,
36:27não é isso,
36:27Olavo?
36:28Certamente.
36:29Agora,
36:29foi muito antes disso.
36:30Em 1988,
36:33eu dei um curso
36:33na Casa do Estudante
36:34do Brasil,
36:35no Rio de Janeiro,
36:35sobre a história
36:36das estratégias comunistas,
36:38já mostrando
36:39a diversidade
36:40de estratégias
36:41e abrindo
36:42para o que estava
36:42acontecendo no Brasil.
36:43Em 1993,
36:44publiquei
36:45A Nova Era
36:45da Revolução Cultural.
36:46Em 1996,
36:47o homem ainda
36:48estava convencido
36:49de que o comunismo
36:50acabou,
36:50agora é o pós-comunismo.
36:51Por que ele
36:52acreditou nisso?
36:53Porque ele leu
36:53na mídia,
36:54ele acreditou na mídia.
36:56É aquele negócio
36:57do Grosso Marx,
36:58eu não leio
36:58jornais que me aceitam
36:59como empregado.
37:00deveria tomar isso
37:01como norma.
37:02Eu não teve
37:03o que escrevia no Globo
37:04e não acreditava no Globo.
37:05Mas ele acredita.
37:06Então,
37:07vai errar necessariamente.
37:09Quer dizer,
37:09há total incapacidade
37:10de previsão do óbvio.
37:13Isso acontece muito
37:15em relação aos Estados Unidos,
37:17principalmente,
37:18porque aqui
37:19a imprensa brasileira,
37:20em geral,
37:21traduz a imprensa
37:22de esquerda
37:23dos Estados Unidos.
37:24Você mora
37:25nos Estados Unidos,
37:26você vê muito isso.
37:28Tem uma parte
37:29do debate público americano,
37:31praticamente a metade,
37:32que fica absolutamente
37:33fora do debate público brasileiro.
37:35Agora,
37:36a gente conquistou
37:37certos espaços
37:38e consegue inserir
37:39essa parte
37:40que ficava faltante.
37:41Você trazia,
37:42muitas vezes,
37:43a gente foi lá
37:44ver essas fontes,
37:45acompanhar esses colunistas.
37:47Hoje,
37:47já tem novas gerações
37:48de colunistas
37:49à direita
37:50nos Estados Unidos,
37:51desmascarando
37:52as mentiras
37:52que tem do lado contrário.
37:54Não quer dizer
37:54que a gente concorde
37:56com todos os colunistas
37:57de um lado,
37:58mas é que você
37:59analisa a situação
38:01no debate público,
38:03no confronto
38:03das ideias contrárias.
38:05Se você tem
38:06só um lado
38:07fazendo a sua propaganda,
38:09você,
38:10inevitavelmente,
38:10vai errar.
38:12Depois que eu mudei
38:13para cá,
38:14eu levei um susto,
38:14porque enquanto
38:15eu estava no Brasil,
38:16a minha visão
38:17dos Estados Unidos
38:17era a que a mídia tinha.
38:20Então,
38:20eu imaginava
38:21que nos Estados Unidos
38:22todo mundo
38:22era a favor do Clinton.
38:24Ela só tinha a esquerda.
38:26Quando eu cheguei aqui,
38:27eu vi a potência
38:28do movimento conservador
38:30e da oposição
38:30e, sobretudo,
38:32a riqueza
38:33do debate público.
38:34Aqui,
38:35o debate eleitoral,
38:36por exemplo,
38:36se faz através de livros.
38:38Cada eleição
38:39sai 300,
38:40500 livros.
38:41Rapaz,
38:41é um negócio impressionante.
38:43Daí,
38:44eu falei,
38:44opa,
38:44eu estava enganado.
38:45Por que eu não recebi
38:46a notícia?
38:46Porque aqui,
38:48o pessoal da esquerda
38:49tem o monopólio
38:50dos jornais
38:50e da TV,
38:52excetuando uma parte
38:54da Fox News.
38:55mas o pessoal conservador
38:57tem o monopólio
38:58do rádio,
38:59que é muito mais ouvido
39:00do que essa gente.
39:01E a rádio americana
39:02não chega no Brasil.
39:03Então,
39:04a gente não fica sabendo
39:04nada do que está acontecendo aqui.
39:06Você sabe que a Ann Coulter,
39:08a colunista conservadora americana,
39:09tem até uma teoria
39:10sobre isso,
39:11eu acho que é dela,
39:11se eu não me engano,
39:12que ela fala que,
39:14para você falar no rádio,
39:15você precisa ter muito poder
39:16de argumentação
39:18durante muito tempo.
39:19Você pega o programa
39:20do Rush Limbaugh,
39:21radialista conservadora americana,
39:22três horas por dia,
39:24ou às vezes mais,
39:25e ele está lá
39:26argumentando,
39:26argumentando,
39:27argumentando.
39:28E para você jogar propaganda
39:30no ar,
39:31a edição da televisão
39:33facilita.
39:34Então,
39:34por isso,
39:35ela diz que os conservadores
39:37são intelectualmente
39:38mais capacitados
39:41hoje em dia
39:42do que esse pessoal
39:43da esquerda
39:43que está na televisão
39:44fazendo chacota,
39:45piada,
39:46fazendo edição,
39:47certas manipulações
39:48como a gente viu
39:49durante a campanha.
39:50eu tratei de desmascarar
39:52algumas delas.
39:53Teve aquele caso
39:54do Trump
39:54que a imprensa
39:56disse que ele estava
39:56debochando da deficiência
39:58de um repórter
39:58quando ele fez
39:59movimentos que não tinham
40:00absolutamente nada a ver
40:02com a deficiência do cara.
40:03Mas aí congelaram a imagem
40:05num momento em que
40:06parece a deficiência do cara
40:08que tem um braço
40:09que fica imóvel
40:10e o Trump estava
40:10movendo os braços
40:11para dizer que ele estava
40:13debochando da deficiência
40:13como se o repórter
40:14estivesse presente,
40:16sendo que ele,
40:16o repórter,
40:17nem estava lá.
40:18Então a gente vê
40:19essa disseminação
40:21da mentira
40:21com um poder enorme
40:23e no Brasil
40:23isso é recebido
40:24como uma verdade absoluta.
40:27Na televisão
40:28é tudo minimalista,
40:29são fragmentos
40:30de sete,
40:31oito segundos.
40:32Então não favorece
40:34o pensamento,
40:34evidentemente,
40:35mas no rádio
40:36tem que sustentar
40:36o discurso.
40:38Agora você vê,
40:38o Rocha Limbaugh
40:39tem 30 milhões
40:40de ouvintes
40:41todo dia.
40:43O Sean Hannity
40:43tem 20,
40:44o Michael Severs
40:45tem outro.
40:46Então eles são
40:47uma influência
40:47muito mais forte
40:49do que qualquer jornal,
40:50e até mais do que
40:51certos canais de televisão.
40:53Você vê,
40:53o Drudge Report,
40:54que é um site
40:55de notícias,
40:57o Drudge Report
40:57tem mais leitores
40:58do que toda
40:59a grande mídia.
41:02A gente no Brasil
41:02não sabe dessas coisas.
41:03Agora sabe
41:04porque eu comecei
41:05a divulgar aí,
41:06contar,
41:06olha,
41:06dá uma olhada
41:07em tal site,
41:08escuta em tal programa,
41:09mas na época
41:11eu até escrevi
41:12um adendo
41:13ao Jardim das Aflições,
41:16mostraram,
41:16olha,
41:16a minha visão
41:17da sociedade americana
41:18estava muito limitada.
41:20Eu não sabia
41:21como elas foram
41:21realmente,
41:22agora eu sei,
41:23mas no Brasil
41:24todo mundo está fora,
41:25tanto que
41:26aquelas pesquisas
41:27que davam a vitória
41:27da Hillary,
41:29no Brasil
41:30elas tiveram
41:31mais credibilidade
41:32do que nos Estados Unidos.
41:34O que eu acho engraçado
41:35é que
41:35muita gente
41:37parece que quer
41:38influenciar
41:39a eleição americana
41:41aqui no Brasil,
41:41que não tem poder
41:42nenhum para influenciar.
41:43quer dizer,
41:44porque eu digo,
41:44a imprensa americana,
41:47ela pelo menos,
41:48mesmo que a gente
41:48não concorde
41:49com esse tipo
41:50de jornalismo,
41:51ela está ali
41:51influenciando
41:52o debate público,
41:53tem os seus próprios
41:54interesses,
41:54agora aqui
41:55não tem influência
41:56nenhuma,
41:57por que não
41:58dar a informação
41:59como ela
42:00realmente é,
42:01quer dizer,
42:01entrar no debate
42:02público do país,
42:03mas muitas vezes
42:03não se tem a consciência
42:05de que essas coisas
42:06funcionam assim.
42:06é que os caras
42:08no Brasil imaginam
42:08que a Folha de São Paulo
42:09influencia as eleições
42:11americanas.
42:13Exatamente.
42:14Quer dizer,
42:15é um provincianismo,
42:16é um negócio de caipira,
42:18é quase inimaginável,
42:20ele não sabe se rir
42:21ou se chora
42:21dentro de uma coisa
42:22dessa.
42:24Inclusive,
42:25o debate público
42:26nacional nunca,
42:28nunca,
42:28nunca leva em conta
42:29a posição do Brasil
42:30no cenário mundial.
42:31É como se o Brasil
42:32fosse um terreno
42:34separado do universo,
42:35tem só os seus
42:35problemas internos.
42:37O pessoal fala,
42:38não,
42:38nós temos que eleger
42:39fulano presidente
42:39da república,
42:40outro presidente da república,
42:41eu digo,
42:41olha,
42:41só tem uma qualidade
42:43que você tem que escolher
42:44para o presidente
42:44da república.
42:45Ele é o homem
42:46que vai representar
42:46o Brasil
42:47no cenário internacional.
42:49Então,
42:49tem que ser uma pessoa
42:49capaz de negociar
42:50vantajosamente.
42:52Eu até lembrei,
42:53falei,
42:53a última negociação
42:54vantajosa
42:55que o presidente
42:55da república
42:56brasileiro fez
42:57foi Getúlio Vargas,
42:59quando ele obteve
43:00a Companhia Siderúrgica
43:01Nacional e a Fábrica
43:02Nacional de Motores
43:03em troca de mandar
43:04os soldadinhos para a Itália,
43:05pois de gênio,
43:06obviamente.
43:07Foi a última negociação
43:09vantajosa.
43:09Em todas as outras
43:11negociações,
43:11nós nos estrepamos.
43:12Por quê?
43:13É uns caipiras
43:14que saem do Brasil
43:15e vão negociar
43:16com raposa velha,
43:17tá certo,
43:18em Genebra,
43:19em Orgito,
43:20e se estrepam.
43:21Então,
43:21nós precisamos de alguém
43:22que tenha uma visão
43:23do cenário mundial,
43:24não só dos problemas
43:25brasileiros.
43:27Tá entendendo?
43:28Claro.
43:28Mas isso que leva
43:29em conta no Brasil.
43:30Olá,
43:33mudando de assunto aqui,
43:34um tema que eu sempre
43:34gosto de abordar com você,
43:36porque foi muito importante
43:37para mim,
43:38você tem dois artigos
43:39que eu considero
43:40extraordinários
43:41sobre vocação.
43:43Vocações e equívocos,
43:44que eu incluí no mínimo,
43:45e o abandono dos ideais,
43:47que eu só não incluí no mínimo,
43:48porque é um artigo
43:49mais aprofundado,
43:51que era diferente ali
43:53em tamanho
43:54em relação aos outros,
43:55mas que está citado
43:56nesse contexto também.
43:57em que você fala
43:59que no Brasil
44:00as pessoas estão sempre
44:01fazendo alguma coisa
44:02ou é por prazer
44:03ou por dinheiro.
44:04E parece que tem
44:05uma coisa faltante
44:07ali nesse universo
44:09de palavras
44:10que é a vocação.
44:11Eu queria que você falasse
44:12um pouquinho
44:12sobre o significado disso
44:13e sobre o que você define
44:15como tragédia
44:16vocacional brasileira.
44:17Eu sou testemunha
44:18todo dia disso aqui
44:19no meu meio social.
44:21A gente vê pessoas
44:23que não encontraram
44:23o sentido da vida
44:24de que falava
44:25o Victor Frankl,
44:26que você cita também
44:27nesse contexto.
44:29A vocação é a coisa
44:30principal na vida.
44:31Porque a maior parte
44:31do seu tempo
44:32você vai gastar trabalhando.
44:34Então, se você
44:35não está realizado
44:37no seu trabalho,
44:38você não vai se realizar
44:38em parte alguma.
44:40O que é esse realizar?
44:41Se você tem prazer
44:42o tempo todo,
44:43não é possível.
44:44Quando você vê...
44:44Por exemplo,
44:45eu tenho um grande amigo
44:46chamado Renato Frens,
44:46César Miller,
44:47que era um psicólogo clínico,
44:49gênio da psicologia clínica.
44:50Ele ficava o dia inteiro
44:51conversando com um louco,
44:53porra.
44:54Eu falava,
44:54isso é um prazer?
44:55Eu falava,
44:55claro que não,
44:56isso é um sofrimento atroz.
44:57Mas ele tem amor a isso.
44:58Isso pra ele
44:59é mais importante
45:00do que a vida.
45:01Ele morre por isso.
45:03E isso é a vocação.
45:04Aquilo que é mais importante
45:05do que você,
45:06aquilo pelo qual
45:07você morreria.
45:08Tá certo?
45:09Como Cristo na cruz.
45:10Você acha que Cristo
45:11estava muito feliz
45:12e estava pendurado,
45:13pegado na cruz?
45:14Ele fez por prazer
45:15ou por dinheiro?
45:17O exemplo,
45:18o resumo da humanidade
45:19é Jesus Cristo.
45:21Ele estava lá
45:21pendurado na cruz
45:22por amor,
45:23não é nem por prazer,
45:23nem por dinheiro.
45:24E nem é só por gostar,
45:26porque muitas vezes
45:27as pessoas falam,
45:27tem que fazer o que gosta.
45:28Não é só gostar,
45:30porque quando você fala
45:31em amar,
45:31inclusive para as relações
45:33amorosas,
45:33por exemplo,
45:34tem um momento
45:35em que a outra pessoa
45:36viaja e você passa
45:37um momento de dor,
45:38de saudade,
45:39mas você passa
45:39em nome daquele ideal,
45:41em nome daquele amor.
45:42Então,
45:43tudo tem uma certa
45:43parte chata,
45:44mas que você faz
45:45por amor.
45:46se fosse fazer
45:48por prazer,
45:49eu abriria um puteiro,
45:51porque daí
45:51todas as putas
45:53à minha disposição
45:5424 horas por dia,
45:55não é isso?
45:56E ainda ganhei dinheiro
45:58com ela.
45:59Mas não é isso,
46:00não é o prazer
46:01e também não é o dinheiro,
46:02é o amor
46:03por uma coisa
46:03que é mais importante
46:04do que a sua vida,
46:05que vale mais
46:06do que a sua vida.
46:07Isso é a verdadeira vocação.
46:09Nesse trabalho
46:10que eu estou fazendo,
46:11que é puramente vocacional,
46:13não tem nenhuma concessão
46:14ao prazer
46:16ou ao dinheiro,
46:17tem momentos
46:18de grande sofrimento
46:19e tem momentos
46:20de grande alegria.
46:21Para mim,
46:22é a mesma coisa.
46:23O amor é o mesmo.
46:24É como você casar
46:25com a pessoa.
46:26O seu casamento
46:27vai ser só alegria?
46:28Não.
46:29Vai ser tristeza,
46:30você vai compartilhar
46:30as tristezas.
46:32Está certo?
46:32Então,
46:33aquilo é uma coisa
46:34que é valiosa
46:35para você.
46:36Está certo?
46:37Então,
46:37não pode ser submetido
46:39ao critério
46:40do prazer
46:40e do dinheiro.
46:42Mas,
46:42esse elemento
46:44falta na cultura brasileira.
46:45Eles não sabem
46:46o que é vocação.
46:48E que muitas vezes,
46:49até para a pessoa
46:50encontrar a sua própria vocação,
46:51você dá uma dica
46:52que é importante,
46:53porque isso envolve
46:54o poder,
46:55muitas vezes,
46:55que a pessoa tem
46:56e uma certa imunidade.
46:58Você deu aí
46:58o exemplo
46:59de alguém capaz
47:00de ouvir loucos
47:01todos os dias.
47:02Muitas vezes,
47:02a vocação,
47:03ela traz
47:04esse elemento
47:05de você ser imune
47:06em alguma coisa
47:07que para as outras pessoas
47:08pode ser chata.
47:09Exatamente.
47:10Esse amor
47:11por uma coisa
47:12que é mais importante
47:12do que a sua vida,
47:14imuniza você
47:15contra um certo
47:16tipo de sofrimento
47:17que você se torna
47:19mais capaz
47:19de suportar
47:20do que as outras pessoas.
47:22Você vê
47:23um enfermeiro,
47:23um médico
47:24que está lá,
47:25tem uma época
47:26que sugeriram ao Pedro
47:28que ele fizesse curso
47:28de enfermário.
47:29Eu falei,
47:30Pedro,
47:30você vai aguentar,
47:31você vai ter que
47:31lavar o saco dos caras,
47:33você vai aguentar isso aí?
47:35Ele falou,
47:35não.
47:36Então,
47:36se você não aguenta,
47:37então não é a sua vocação.
47:39Mas,
47:39para quem está
47:40naquilo vocacionalmente,
47:42todo sacrifício
47:43é válido
47:44e é bom,
47:45fortalece
47:46a personalidade dele.
47:47Então,
47:48a gente tem que ver
47:48qual é o tipo
47:49de sacrifício
47:49que você pode fazer.
47:51Eu, por exemplo,
47:51tenho uma resistência
47:52extraordinária
47:53à burrice.
47:55Eu aguento doses
47:56de burrice
47:57que outra pessoa
47:58mataria o interlocutor.
48:01Eu não,
48:02eu explico,
48:03reexplico,
48:03mil vezes,
48:04duas mil vezes,
48:05não tem problema,
48:06eu estou aqui para isso,
48:07eu sou um professor,
48:07eu nasci para isso,
48:08eu nasci para ensinar.
48:10E ensinar,
48:11por definição,
48:12é ensinar o que os outros
48:13não sabem.
48:15Então,
48:15para isso,
48:16eu estou bem.
48:16Agora,
48:16eu vi o Miller
48:17trabalhando com aqueles
48:18louquinhos,
48:18eu falei,
48:18eu aguentaria isso,
48:19mas nem por 10 minutos,
48:20pô.
48:22No entanto,
48:22ele ficava,
48:23ele trabalhava 14 horas
48:24por dia.
48:26Era um negócio assim,
48:28e ele,
48:28quando era jovem,
48:29ele levou um coice
48:30do cavalo,
48:31perdeu um pulmão.
48:32Depois foi trabalhar
48:33como gerente
48:34de uma fábrica de tinta,
48:36se envenenou,
48:36perdeu metade
48:37do outro pulmão.
48:38Eu estava lá porque
48:38não tinha saúde absolutamente,
48:39trabalhava como um doido.
48:41Era a paixão da vida dele.
48:43Ele se sacrificava.
48:45Às vezes,
48:45eu via,
48:46ele telefonava
48:46para o paciente,
48:48duas horas da manhã,
48:49ele telefonava para o cara,
48:50oh,
48:51tive uma ideia
48:51para resolver o seu problema.
48:53É um negócio fantástico.
48:55Então,
48:56a dedicação dele
48:57é a mesma
48:58que eu tenho
48:58no ensino.
49:00Então,
49:01isso é a vocação.
49:01Agora,
49:02uma coisa que eu achei estranha
49:03é o seguinte,
49:04Lutero
49:05tem toda uma teologia
49:06da vocação.
49:08E eu achei
49:09que quando entrassem
49:10essas igrejas evangélicas
49:11no Brasil,
49:12elas iam trazer isso
49:13e ensinar para as pessoas
49:14a importância da vocação.
49:15Nunca vi
49:16nenhuma igreja evangélica
49:17falar disso.
49:19Então,
49:19o que é?
49:19Esses caras não leu
49:20nem Lutero,
49:21pô.
49:23E você não acha hoje
49:25que as pessoas,
49:26em vez de procurar
49:26o sentido da própria vida,
49:28em vez de procurar
49:29esse sentimento de dever,
49:31o que elas podem contribuir
49:32mesmo para o mundo,
49:33elas estão escolhendo
49:34ir atrás
49:35de movimentos sociais,
49:37estão escolhendo
49:37falar um monte
49:38de abobrinha
49:39contra alguém,
49:41demonizando as pessoas
49:42na internet,
49:43tentando,
49:44sempre com esse sentimento
49:45de uma vontade enorme
49:47de pertencer
49:48a determinado grupo,
49:49que você também fala,
49:50aliás,
49:51no imbecil juvenil
49:52que abre o mínimo
49:53e que os jovens
49:55são muito mais suscetíveis
49:56a isso,
49:56essa vontade de pertencer
49:58e que acaba corrompendo
49:59essas pessoas,
50:00porque elas vão querendo
50:00imitar
50:01aqueles vícios
50:03dos pares,
50:04vão querendo passar
50:04por aqueles rituais,
50:06se vestir do mesmo jeito,
50:06se falar do mesmo jeito,
50:08daqui a pouco
50:08está todo mundo
50:09com aquela,
50:10é o imbecil coletivo,
50:12basicamente,
50:13todo mundo se imbecilizando
50:14uns aos outros.
50:16Claro,
50:16o adolescente,
50:18ele não tem
50:18uma personalidade
50:19formada ainda,
50:20então ele
50:20se impregna
50:21de modelos,
50:23agora,
50:23o único modelo
50:24que tem à disposição
50:25é o coletivo,
50:27os pais
50:29não passam
50:29mais modelo nenhum,
50:30eles não ligam
50:31para a educação
50:33dos filhos,
50:34elas não querem
50:34interferir,
50:35querem deixar
50:35o filho livre,
50:36então o filho
50:36se gruda
50:37naquilo que ele
50:38percebe que tem autoridade,
50:40o que tem autoridade?
50:41O número,
50:42a quantidade de pessoas,
50:44então vão entrar
50:45nessas coisas
50:45como uma espécie
50:46de muleto
50:47da personalidade,
50:49agora,
50:49o homem que não sabe
50:50ficar sozinho,
50:51ele não é ninguém,
50:52nunca será ninguém,
50:54porque essa é a principal
50:54qualidade humana,
50:55você sempre tem que pensar
50:56assim,
50:57Jesus Cristo
50:57no alto da cruz,
50:58quem estava
50:59do lado dele?
50:59Ninguém,
51:00todo mundo fugiu,
51:01porra,
51:02e ali estava
51:03no centro,
51:05no centro
51:06do processo histórico,
51:07esse é o grande modelo,
51:10quer dizer,
51:11ao mesmo tempo
51:11aquele que está sozinho
51:12e é o único
51:13que tem a vista integral
51:14da coisa,
51:15então esse é o modelo
51:16que nós temos que seguir,
51:18o homem tem que aprender
51:19a ficar sozinho,
51:20ele tem que aprender
51:21a acreditar no que ele sabe,
51:22no que ele vê,
51:23mesmo quando todo mundo
51:24diz o contrário,
51:25e aquele negócio
51:26que dizia o Lippertzonde,
51:27o grande psiquiatra húngaro,
51:29o homem tem que ter
51:30a coragem de ser bom
51:31quando tudo em volta
51:32o induz a ser mal,
51:35porque se ele só vai ser bom
51:36quando todo mundo
51:36está ajudando,
51:37que bondade é essa?
51:39Então existe um dever moral
51:41de ser bom no Brasil,
51:42porque aqui
51:43o que não falta
51:44é gente ruim,
51:45tomando conta
51:46do nosso cenário político,
51:48cultural,
51:49e as pessoas
51:50têm uma obrigação
51:51de reagir a isso,
51:52e parece que está acontecendo,
51:54né, Olavo?
51:54você sente hoje
51:55que os frutos
51:55do seu trabalho
51:56estão rendendo bastante,
51:58muitas vozes
52:00que antes
52:01não tinham espaço
52:02estão tendo,
52:03criou-se uma certa
52:04abertura
52:05para o contraditório
52:06que antes não havia
52:07e que você,
52:08obviamente,
52:08lutou muito por isso.
52:10Então,
52:11olha,
52:11os resultados
52:12foram muito maiores
52:12do que eu esperava,
52:14por exemplo,
52:14no curso online de filosofia,
52:16eu esperava ter 100 alunos,
52:17teve mais de 4 mil,
52:19continuamente,
52:21o livro,
52:23o meu livro
52:23vendeu mais de 320 mil exemplares,
52:26eu não esperava isso,
52:27a hora que saiu o pessoal
52:28na rua com o Olavo
52:28ter razão,
52:29eu falei,
52:30meu Deus,
52:31isso nunca aconteceu
52:32com nenhum escritor,
52:33não é no Brasil,
52:34durante toda a história humana,
52:35nenhum escritor
52:36foi tão,
52:37vamos dizer,
52:38tão bem compreendido assim,
52:40eu não posso queixar
52:41que eu sou incompreendido,
52:42eu sou incompreendido
52:43porque não compreende
52:44nada,
52:45porra nenhuma,
52:46então,
52:46esse também não entende o Olavo,
52:47mas ele não entende o resto também,
52:49esse não entende nada,
52:50mas, em geral,
52:52os meus leitores
52:52me entenderam muito bem,
52:55e, em primeiro lugar,
52:56entenderam que o problema aqui
52:57não é só PT,
52:59não é isso,
52:59não,
53:00é um problema de incultura
53:01e de amor à incultura,
53:04esse é o primeiro problema.
53:06E é por isso que eu queria
53:07que esse fosse o tema principal
53:09que permeasse toda a nossa conversa,
53:11porque eu acho que a sua obra
53:12é muito mais profunda
53:14do que essa disputa
53:14partidária ideológica,
53:16e muitas vezes
53:17isso é uma tentativa,
53:18inclusive,
53:18dos seus adversários
53:20de diminuí-la.
53:21E esse é o filósofo
53:22Olavo de Carvalho,
53:23que está em cartaz
53:24como personagem real
53:26do filme
53:27O Jardim das Aflições.
53:28Eu tive a honra
53:29de entrevistar o Olavo aqui,
53:31muito obrigado,
53:31Olavo,
53:32pela sua participação.
53:33Eu é que agradeço,
53:34eu já tenho uma enorme dívida
53:35com você,
53:36com essa ideia
53:37do livro mínimo,
53:38né?
53:39Foi esplendidamente organizado,
53:42com notas absolutamente
53:43indispensáveis,
53:44eu nunca seria capaz
53:45de organizar
53:46o meu próprio livro
53:46desse jeito.
53:47Se você não ia sair,
53:50tá certo?
53:50Mas era o mínimo
53:51que eu podia fazer
53:52para o debate público brasileiro,
53:54até porque já tinha
53:55muita gente copiando
53:56o Olavo,
53:57sem citar,
53:58sem dar crédito,
53:59muita gente que precisava
54:00também aprender
54:01essas coisas
54:02que eu aprendi
54:03com a obra
54:03do Olavo de Carvalho.
54:05É isso,
54:05vou ficando por aqui,
54:06espero fazer mais entrevistas
54:08aqui na TV Antagonista,
54:09eu conversei com o filósofo
54:10Olavo de Carvalho,
54:11autor do livro,
54:12best-seller,
54:13o mínimo que você precisa saber
54:14para não ser um idiota.
54:15eu sou Felipe Moura Brasil,
54:17essa é a TV Antagonista,
54:18até a próxima.
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