00:00Sob o receio do impacto do conflito no Oriente Médio na inflação, o Banco Central começa a discutir amanhã se mantém ou altera os juros no Brasil.
00:10Acompanhe os detalhes na reportagem de Rodrigo Viga.
00:14A guerra entre Israel e Irã coloca um ingrediente novo e importante na chamada Super Quarta.
00:21Na quarta-feira, Brasil e Estados Unidos vão decidir sobre as suas respectivas taxas básicas de juros.
00:30O Brasil tem uma taxa Selic hoje em um patamar de 14,75% e as preocupações de analistas e especialistas estavam calcadas basicamente em dois pontos.
00:43A dificuldade que o governo vai ter para cumprir a meta fiscal desse ano de 2025, aumentar receitas e cortar despesas e também as consequências na guerra comercial entre Estados Unidos e China.
00:58Nos Estados Unidos, essa também é uma preocupação ponderada, levada em consideração pelos analistas e especialistas.
01:07Aqui dentro, o mercado já estava dividido antes mesmo desse conflito entre Irã e Israel.
01:15As preocupações, em caso de uma guerra, numa região estratégica como essa, Oriente Médio, residem no mercado de petróleo.
01:23O maior do petróleo do tipo Brent na sexta-feira subiu mais de 7%.
01:27E a tendência é de alta.
01:30Alguns bancos e consultorias já falam na possibilidade de o barril, que é uma referência para os petroleiros de todo o mundo, superar a casa dos 100 dólares.
01:38Petróleo mais alto significa preços de combustíveis mais caros, mais inflação e, em tese, talvez juros mais elevados, o que compromete o crescimento das economias.
01:55O mercado brasileiro está literalmente dividido.
01:58Aqueles que acham que o Banco Central pode, nessa próxima reunião do Copom, na quarta-feira, elevar a taxa Selic para 15%, 0,25 ponto percentual.
02:10Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, aposta na manutenção da Selic em 14,75% na próxima chamada superquarta.
02:21Por enquanto, a expectativa majoritária do mercado financeiro e também da Austin Rating é que haja manutenção da taxa em 14,75%.
02:30Tem algumas casas que acreditam que possa até sofrer uma elevação para 15% ao ano.
02:36É provável, a diferença é muito pequena.
02:38Qual é o contexto dessa situação?
02:40Primeiro, a expectativa de inflação futura, que é um fator determinante para a decisão de juros no Brasil,
02:46ela continua muito acima daquele limite que o Banco Central percebe.
02:51A pressão da classe política aqui no mercado brasileiro é pela manutenção, no mínimo, talvez até de um corte, da taxa básica de juros,
03:00embora a inflação brasileira ainda esteja bem distante da meta de 4,5% para esse ano de 2025.
03:08O resultado da taxa básica de juros nos Estados Unidos na próxima quarta-feira pode mais ou menos definir os rumos e a trajetória do crescimento da economia global nesse ano de 2025.
03:20Maurício Nakarrodo, economista da The Economics, avalia aqui na Jovem Pan que o Copom deve manter a Selic em 14,75% na superquarta.
03:31Eu acredito que o Banco Central deve adotar essa decisão de manutenção de juros no patamar atual,
03:38mas ao mesmo tempo ele deve apresentar um comunicado chamado ROKISH pelo mercado,
03:43um comunicado conservador, sinalizando para a manutenção de juros no patamar atual por um período ainda prolongado.
03:50O fato é que a guerra entre Israel e Irã e suas consequências econômicas para petróleo, derivados e preços,
03:59são fatores que não podem e não devem ser ignorados pelo Comitê de Política Monetária.
04:05E tem mais um detalhe, ao longo dos últimos 12 meses, a inflação oficial do país, medida pelo IPCA do IBGE,
04:12está em 5,40%, ou seja, 0,90 ponto percentual, acima do limite da meta para esse ano, que é de 4,5%.
04:25Do Rio, Rodrigo Fioca.
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