A partir desta quarta-feira (04), os Estados Unidos dobram as tarifas sobre aço e alumínio para 50%, medida que deve impactar diretamente o Brasil. Enquanto isso, os Emirados Árabes tentam negociar um ajuste comercial para reverter essas tarifas aplicadas pelo governo Trump, buscando aliviar tensões e fortalecer a relação bilateral.
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00:00E olha, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou um decreto que dobra as tarifas de importação sobre aço e alumínio e derivados.
00:07O Luca Bassani, ele vai trazer as informações agora, porque neste caso, o Brasil pode ser afetado também, né? Bem-vindo.
00:15Pode sim, Evandro. Boa tarde a você e a todos que nos acompanham.
00:19O Donald Trump, que parecia ter recuado um pouco nas suas tarifas, agora anunciou que dobrará aquela alíquota colocada para o aço e alumínio,
00:28esses que já estavam sendo taxados em 25% e agora, a partir deste dia, a partir de hoje, será cobrado 50%.
00:37Por que isso é importante para a gente no Brasil?
00:40Porque o Brasil é o segundo maior exportador destas commodities aos Estados Unidos.
00:46Só nos últimos anos tem exportado mais de 4 milhões de toneladas anuais e nós sabemos que uma maior taxa de importação por parte dos americanos
00:56vai afetar, obviamente, a procura pelos produtos brasileiros.
01:01Isso faz com que, mais uma vez, a diplomacia brasileira e talvez o próprio ministro da Indústria, Comércio e Serviços,
01:08o vice-presidente Geraldo Alckmin, tenham que entrar novamente em contato com os norte-americanos
01:13para tentar negociar termos mais favoráveis.
01:15Nós vemos também que uma opção seria diversificar o portfólio de países para os quais o Brasil exporta,
01:22mas é sempre difícil encontrar alguém que compre no mesmo volume que os Estados Unidos.
01:27A gente vê que, em relação a alguns produtos ou alguns países, o presidente Donald Trump voltou atrás com aquilo que havia sido anunciado inicialmente
01:37e causou grande tumulto no mercado, mas para o aço e alumínio, dois setores que são considerados estratégicos pelo presidente
01:45para reindustrializar os Estados Unidos, ele parece não voltar atrás e literalmente dobra a aposta.
01:51Nós veremos agora, a partir de então, como os países reagirão, o Canadá, o México, o Brasil, até mesmo países árabes, a Austrália,
01:59que são grandes exportadores, se vão buscar a reciprocidade, também aumentando as suas respectivas alíquotas
02:06ou se vão partir para uma negociação direta, bilateral, para tentar diminuir este valor aplicado pelos Estados Unidos.
02:15Aliás, Luca, os Emirados Árabes já começaram um movimento de diálogo para tentar reverter isso.
02:21Já os Emirados Árabes, inclusive, Evandro, estão utilizando desse prestígio recente que tem pela administração norte-americana,
02:29já que Donald Trump visitou o país durante aquele tour que fez aqui no Oriente Médio
02:34e espera poder também reduzir aquilo que será cobrado do seu próprio país com alguns benefícios oferecidos em troca.
02:45Os Estados Unidos são grandes investidores nos Emirados Árabes Unidos, sobretudo o Emirado de Dubai e de Abu Dhabi.
02:51Prometeu a construção de novos centros de inteligência artificial para fazer com que os países árabes
02:57também adentrem nessa nova era da tecnologia, então a possibilidade de uma negociação é possível.
03:04A gente sabe que, todavia, não foi divulgado nenhum detalhe específico, se foi reduzida a alíquota imediatamente
03:12ou para qual valor seria reduzido aquilo que a gente vai ficar de olho, se os árabes serão bem-sucedidos neste quesito
03:21para poder fazer algum tipo de projeção para o caso brasileiro, que também provavelmente partirá para uma negociação bilateral direta,
03:29assim como foi no passado, até agora infrutífera, mas extremamente necessária por ser um setor que tem dependido muito dos Estados Unidos
03:37para crescer durante os últimos anos.
03:40Muito obrigado pelas informações, Luca Bassani. Um abraço para você.
03:43Alan Ghani, o presidente americano Donald Trump disse que isso é importante para proteger as indústrias americanas relacionadas ao setor.
03:51Como é que você avalia o impacto para o Brasil e a maneira como ele já deveria começar uma conversa?
03:57Pois é, é ruim aqui para a gente, para o setor de aço, até porque, como o Luca Bassani frisou muito bem,
04:03a gente é o segundo país mais exportador de aço para os Estados Unidos.
04:09E tem um outro porém, Evandro, a gente sofre concorrência do aço chinês.
04:14Então o setor de aço aqui no Brasil reclama bastante do aço chinês que chega muito barato.
04:19Então, veja, você perde nas exportações porque agora está mais caro e, por outro lado, também entra via importação aqui concorrendo com a gente.
04:28O aço chinês não está fácil para o setor.
04:31E é claro que isso vai exigir muito jogo de cintura, muito pragmatismo por parte do governo brasileiro nas negociações.
04:39Por isso que é importante não entrar na seara ideológica e também não provocar Donald Trump gratuitamente,
04:47até porque a gente é a parte mais frágil dessa história.
04:50Como é que tem que ser a estratégia do Brasil, hein, Segré?
04:52Sentar e negociar.
04:53Está feito para isso.
04:54Esse aumento só tem um intuito.
04:56Sentar e negociar.
04:57E, de novo...
04:57Acho que se resolveria, assim, tomando a mesma atitude dos Emirados Árabes, no caso.
05:01Sim, claro. E Reino Unido também.
05:03Ele ficou fora.
05:04Ficou.
05:05E por quê? Porque sentou e negociou.
05:06Você fechou o acordo.
05:08É a metodologia Trump de negociar.
05:10Agora, estava checando que, mesmo com toda essa bagunça que o Trump tem gerado na economia mundial,
05:16o índice de aprovação de Trump aumentou.
05:18Na última, que foi feita nos 100 dias, tinha 42% da aprovação, chegou a 44%, agora está em 47%.
05:25Será que tem a ver com as medidas de imigração?
05:28Sinceramente, não consigo ver.
05:29Mas é curioso, porque é lógico...
05:31Uma população mais protegida.
05:33Pode, mas também tem muita gente que está reclamando nos Estados Unidos,
05:36e tem amigos que moram lá, que estão dizendo que não conseguem mão de obra, por exemplo,
05:39de coisas que eram feitas pelos migrantes.
05:42Então, é curioso.
05:44É, ainda também, todo esse protecionismo ainda não chegou na economia real.
05:50O que o pessoal discute lá nos Estados Unidos é que o impacto inicial das tarifas,
05:56na primeira medida dele, porque depois ele acabou recuando, mas na primeira medida chegaria no terceiro trimestre, né?
06:03E se chegar também, porque você tinha muitos estoques, então não necessariamente o que foi vendido está com a tarifa, né?
06:12Então, esse efeito, ele teria, seria depois, né?
06:18Postergado.
06:19Então, vamos ver, né?
06:20Mas, por enquanto, a economia ainda não sentiu.
06:22A gente ouviu aqui já Gustavo Segreia e Alangani.
06:25E agora, Fábio Piperno, como é que você avalia mais essa decisão de Donald Trump e a maneira como as autoridades brasileiras têm de lidar com ela já?
06:33Eu acho que para o Brasil é ruim e para a Austrália, para a Índia, que tem, por exemplo, a Mittal, a Arcelor Mittal, a Mittal, o indiano Mittal, que é um próspero empresário do segmento metalúrgico, enfim, siderúrgico, desculpe,
06:52ele é um dos homens mais ricos do mundo, tem operações aqui no Brasil também.
06:57Então, para essa turma toda, essa medida é péssima.
07:00Mas eu fico imaginando como é que isso é ruim também para Elon Musk.
07:07O Ghani estava mostrando agora uma publicação que ele fez aqui.
07:09Para todos os outros produtores de veículos do mundo.
07:12Não, não, sabe por quê, Piperno?
07:14Aliás, quando a gente falou que o Elon Musk estava criticando Donald Trump, muita gente da audiência falou assim,
07:18ah, vocês não sabem porque ele tinha um prazo de validade de dois meses.
07:23Acreditaram nessa anedota.
07:24Só o que o Elon Musk acabou de twittar.
07:28Ligue para o teu senador, ligue para o teu deputado.
07:33Quebrar os Estados Unidos não é legal.
07:37Acabe com o pacote fiscal de Donald Trump.
07:40Mate o pacote fiscal de Donald Trump.
07:41Perfeito, perfeitão, por exemplo.
07:43Então não é que assim a gente tem um prazo de validade.
07:46O bicho está pegando mesmo entre os dois.
07:49Trump e Elon Musk, o bicho está pegando mesmo.
07:51Muito ego junto.
07:52Se eu falo isso todo dia, eu falo, ah, mas esse cara pensa diferente.
07:56Até eu apanhei.
07:57Se o Alan Gani fala isso, pô, esse cara está chato.
08:00Então o Elon Musk agora é, digamos, o tértil dessa história toda.
08:04Porque vejam só, a medida é um absurdo de novo.
08:08E ela vai para os preços.
08:10Ela vai encarecer tudo.
08:11Então o sujeito, daqui a pouco, o Alan explicou muito bem que isso vai impactar mais para o final do ano.
08:17Então o sujeito vai comprar o carro que o Elon Musk fabrica.
08:21Pode não ficar mais caro agora porque o aço já está comprado.
08:24Mas lá para outubro, dezembro, é evidente que vai ser mais caro.
08:29E aí aqui no Brasil, além de negociar, tentar algum tipo de vantagem,
08:33Se a comunicação do governo fosse 1% esperta, ela já teria há muito tempo, há muito tempo,
08:41ela deveria estar pedindo para o eleitor cobrar a turma do chapeuzinho vermelho, lá do bonezinho vermelho.
08:47Mas eles não têm capacidade para isso.
08:49Fala, Zé Maria.
08:50Olha, é o incrível, né?
08:54Porque a gente achava que o Musk e o Trump eram um com a continuidade do outro.
08:59E a gente viu que o Trump não aceita os conselhos que ele deve receber na Casa Branca.
09:07E aprofunda, é tipo aquela marcha da insensatez, vai aprofundando e tal.
09:12Essa medida vai afetar o Brasil, mas nem tanto assim, né?
09:16Porque é uma medida geral.
09:17E quando é geral, ela torna a medida competitiva, não pode desequilibrar.
09:24Eu queria até passar uma informação, o governador de Minas, o Zema,
09:29me disse que hoje Minas Gerais, pela primeira vez na história,
09:35ela exporta mais agro do que aço.
09:39Minas, tradicionalmente, foi muito presa à exportação de aço, né?
09:43Hoje exporta mais agro do que aço, para se ter uma ideia.
09:46É só uma informação ampassant.
09:49Mas o que acontece é o seguinte, fica evidente que os produtos norte-americanos
09:54vão ter dificuldade no mercado externo.
09:58Isso porque eles vão ficar mais caros.
10:01O aço é fundamental para a indústria automobilística, para a linha branca,
10:06que são os fortes dos Estados Unidos.
10:08A política dos Estados Unidos era de ser um entreposto, entreposto do mundo.
10:13Quer dizer, a gente ia lá, nos Estados Unidos, comprava o Alckmin, não sei o que, da Sony,
10:20não sei o que, não sei o que e tal.
10:21Não era fabricado lá, mas eles ganhavam dinheiro.
10:24Eles compravam da China e revendiam mais caro, ficavam com dinheiro.
10:28Só que aí a China aprendeu a vender diretamente.
10:31Então, através do telefone, você compra direto da China?
10:34Aí é claro que tinha que dar um só alavanco e tem que dar um só alavanco.
10:38Mas só que o só alavanco está dando errado.
10:41Está encarecendo o produto norte-americano.
10:43E os carros já não são os mais modernos do mundo.
10:46Os produtos norte-americanos já não são tão tecnológicos assim como antes.
10:51E fica evidente, eu conversei aqui com pessoas especialistas em mercado externo,
10:57dizendo o seguinte, há uma nova tendência no mundo.
10:59Há uma transferência de inteligência de mercado para a Ásia.
11:04E isso é muito claro.
11:05Dizendo, olha, o Brasil tem que prestar atenção nisso.
11:09Tem que se integrar a esse novo mundo.
11:12É a tecnologia, é produto mais barato e tal.
11:16Isso aí é China, Índia, até o Vietnã, que a gente assiste aqueles filmes,
11:23aquela pobreza já não é mais assim.
11:25Não é à toa que o Brasil está procurando o mercado do Vietnã, o mercado asiático.
11:30Então, assim, o mundo mudou.
11:32E esse só alavanco do Trump está sacudindo as empresas nacionais norte-americanas.
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