Pular para o playerIr para o conteúdo principal
Nesta segunda-feira (2), termina a fase de depoimentos de testemunhas do chamado Núcleo 1, que foi denunciado pela PGR ( Procuradoria-Geral da República) pela suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Para analisar as declarações e os próximos passos na investigação, a Jovem Pan News entrevista o advogado criminalista Carlos Kauffmann.


Assista ao Jornal da Manhã completo: https://youtube.com/live/-yCO4RC0Fus

Baixe o app Panflix: https://www.panflix.com.br/

Inscreva-se no nosso canal:
https://www.youtube.com/c/jovempannews

Siga o canal "Jovem Pan News" no WhatsApp: https://whatsapp.com/channel/0029VaAxUvrGJP8Fz9QZH93S

Entre no nosso site:
http://jovempan.com.br/

Facebook:
https://www.facebook.com/jovempannews

Siga no Twitter:
https://twitter.com/JovemPanNews

Instagram:
https://www.instagram.com/jovempannews/

TikTok:
https://www.tiktok.com/@jovempannews

Kwai:
https://www.kwai.com/@jovempannews

#JovemPan
#JornalDaManhã

Categoria

🗞
Notícias
Transcrição
00:00Nesta segunda-feira, a fase de depoimentos de testemunhas do chamado Núcleo 1,
00:06que foi denunciado pela PGR por tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
00:12Para analisar as declarações feitas e também explicar os próximos passos do STF,
00:18nós vamos receber agora no Jornal da Manhã, Carlos Kaufmann,
00:22que é advogado criminalista e também professor de processo penal da PUC São Paulo.
00:27Carlos, seja bem-vindo, muito bom dia, daquilo que nós acompanhamos até agora,
00:32que foi trazido pela imprensa nessas duas, três semanas, na visão do senhor.
00:37Nós poderemos ter, de fato, a condenação, principalmente do ex-presidente Bolsonaro
00:42e também deste chamado Núcleo 1, que o acompanha. Bom dia.
00:47Bom dia, Marcelo. Bom dia, Soraya. É um prazer estar aqui com vocês novamente.
00:50E eu diria o seguinte, eu acho que não dá para nós avaliarmos uma condenação,
00:54uma absolvição com base só em depoimentos, tá certo? Por quê?
00:59Nós temos que avaliar todo o contexto. Então, se a gente pensar em processo penal,
01:02como que o juiz deve formar a sua decisão final, como deve formar a sentença
01:06e chegar a uma conclusão final, é pela livre apreciação de todo o conjunto probatório.
01:11Nós temos documentos, nós temos áudios, nós temos vídeos, nós temos eventualmente uma perícia
01:16e os depoimentos, eles fazem parte de um contexto que deve ser analisado de uma maneira geral.
01:21Então, nós temos que pegar tudo o que foi falado agora, tudo o que vem sendo falado desde o início,
01:27aliar aos documentos existentes e ver se tudo isso se encaixa dentro de um tipo penal,
01:33do crime que está sendo imputado ou dos crimes que estão sendo imputados.
01:36E só com base nisso é que dá para se informar uma convicção.
01:38Então, eu acho que é muito prematuro dizer se é possível ou não uma condenação
01:44e seria um exercício aqui de achismo.
01:47Eu acho que as provas têm que ser analisadas com muita cautela.
01:50Algumas questões chamaram a atenção no depoimento pela forma que foi conduzido,
01:54pela discussão, mas eu acho que assim, foram 30 depoimentos, tem mais depoimentos,
01:58ou seja, uma prova muito longa, muito extensa e essa prova é analisada
02:01em conjunto com todas as demais dentro do processo.
02:04Professor, muito bom dia para o senhor também, obrigada pela entrevista.
02:08Como o Supremo costuma avaliar esses depoimentos de testemunhas
02:13num julgamento como esse?
02:15É possível que eles consigam mudar o rumo dos resultados, enfim, de todo esse julgamento?
02:22O Supremo tem que avaliar como qualquer juiz tem que avaliar os depoimentos.
02:26Ele tem que avaliar dentro do contexto de todo o processo.
02:29Então, o Supremo não pode fazer nenhuma análise diferente.
02:31É um caso que, na verdade, está se inovando com essa quantidade de depoimentos,
02:36com essa quantidade de informações.
02:39Então, obviamente, isso tem que ser avaliado em conjunto.
02:41Mas tem que ser avaliado com cautela, com imparcialidade, com isenção.
02:47Não pode ser avaliado de outra forma, se não essa, no qual o juiz tem que dar a justa
02:51aplicação da pena, se é o caso, e a justa interpretação dos fatos,
02:55condenando ou absolvendo ao final do processo.
02:59Professor, agora a pergunta do nosso comentarista, Mano Ferreira.
03:03Bom dia, doutor Carlos. Obrigado por estar aqui com a gente.
03:06Nesse processo, como se tratam de pessoas politicamente expostas,
03:10que têm uma popularidade muito grande, além do julgamento ser justo,
03:15é muito importante que ele pareça justo, para que a credibilidade institucional
03:21seja reforçada, qualquer que seja o desfecho.
03:26Na sua avaliação, o Supremo tem tomado medidas adequadas do ponto de vista
03:32de reputação da Corte ao longo da tramitação desse processo?
03:39Mano, muito bom dia. Obrigado pela pergunta.
03:41Eu acho que essa é a pergunta extremamente relevante para nós avaliarmos hoje.
03:44É um processo que envolve pessoas públicas, é um processo que, na verdade,
03:49tem repercussão pública e está sendo tratado, inclusive, na mídia.
03:53E uma coisa que deve ser importante, o poder judiciário tem que ter uma conduta
03:57absolutamente isenta, o que nós costumamos dizer, equidistante das partes.
04:01Ou seja, o juiz, ele, na verdade, ele não é aquele que conduz o processo
04:06ou é o produtor de prova. O juiz, ele é o espectador da prova.
04:09O que significa isso? Já há muito tempo, Mano, o processo penal,
04:13ele foi evoluindo de uma forma que o juiz foi se distanciando da produção de provas
04:17e cabe às partes produzirem essas provas. Então, esse é o primeiro aspecto.
04:22Então, as partes perguntam, as partes discutem, as partes avaliam.
04:26Então, é muito diferente. Você pega um processo normal hoje em dia,
04:29muito raramente, o juiz faz perguntas no processo penal.
04:32As perguntas são feitas pela acusação, pelo advogado de defesa e pelo Ministério Público,
04:36que são as partes interessadas em produzir provas. Por quê?
04:39É a elas compete a produção de provas. Quando nós vemos uma participação muito ativa
04:43de um juiz, de um judiciário, isso preocupa. Qual ponto ele quer chegar
04:47a não ser expectativa de prova? Então, essa é a primeira questão.
04:51Então, tem que ser avaliado neste contexto, desta forma, ou seja,
04:54como que estão sendo produzidas esta prova dentro do Supremo.
04:58Então, o juiz, ele tem que se distanciar da prova, tem que manter equidistante
05:02da prova, das partes, ser um espectador.
05:04Segundo ponto. Eu vi alguns depoimentos, questionamentos acerca de,
05:08olha, você disse isso no inquérito policial, está dizendo outra coisa agora
05:11durante o processo. O que importa, e já está sacramentado dentro do Código
05:15de Processo Penal, dentro do sistema jurídico, que o que importa,
05:19e aqui é uma testemunha fala, em contraditório judicial.
05:22Então, o próprio Código de Processo Penal diz o seguinte,
05:25o juiz não pode tomar sua convicção senão pelas provas produzidas
05:28em contraditório judicial. O que significa isso?
05:31O que vale são aquelas provas produzidas em juízo.
05:35Aquelas provas produzidas antes do juízo, em inquérito policial,
05:39elas podem ajudar a formar a convicção do autor da ação penal,
05:43do Ministério Público, para que ele inicie um processo.
05:45Mas, na verdade, ao juiz cabe receber a prova,
05:48que as partes produzem ao longo do processo,
05:51e assim avaliar a prova produzida na sua presença,
05:54independentemente do que foi falado em outra fase.
05:57Maria de Carli.
06:00Bom dia, professor. Tudo bem?
06:02No início desse processo de julgamento,
06:05previa-se uma celeridade bastante rápida,
06:08que o processo iria ser finalizado até o final do ano,
06:12devido justamente ao seu impacto político e eleitoral no Brasil.
06:16Diante do caminhar da carruagem,
06:19o senhor acredita que haverá, de fato, uma celeridade?
06:22Teremos um resultado até o final do ano?
06:26Ou eles pretendem arrastar isso até a boca ali das eleições?
06:34Maria, bom dia também para você.
06:36E, na verdade, pelo que eu estou vendo,
06:37pelo andar da carruagem,
06:39esse processo termina esse ano.
06:40Então foram ouvidas as testemunhas,
06:42estão sendo ouvidas as testemunhas de defesa,
06:43todas as testemunhas de defesa vão ser ouvidas,
06:45em uma velocidade gritante, quer dizer,
06:48em uma semana foram ouvidas mais de 30 testemunhas.
06:50Então, obviamente, encerrada essa fase de oitiva de testemunhas,
06:53eu acho que tem poucas testemunhas a serem ouvidas ainda.
06:56Encerrada esta fase,
06:57onde todas as testemunhas são ouvidas,
06:59se passa aos interrogatórios daqueles que estão sendo processados,
07:02depois disso já se marca
07:04para que as partes apresentem as suas defesas finais,
07:06e vai ser marcado o julgamento.
07:08Então eu tenho plena convicção,
07:10pela forma que está andando,
07:12pela velocidade que foi imprimida nesse processo,
07:15que ele realmente termina esse ano.
07:17Professor, só para a gente entender melhor,
07:19então existe um prazo para esse julgamento final,
07:22na segunda-feira, então,
07:23o STF retoma com as oitivas,
07:26será ouvido o senador Rogério Marinho,
07:28depois dessa fase,
07:30depois do depoimento dele,
07:31o que acontece?
07:33Depois do depoimento dele,
07:34não tendo mais nenhuma oitiva para ser ouvida,
07:37nenhuma testemunha que vai ser ouvida nesse processo,
07:41vai se passar para o interrogatório dos réus.
07:43Depois que todos os réus prestarem seu depoimento,
07:45ou seja, depoimento pessoal,
07:47acerca desses fatos,
07:48falando o que eles querem falar,
07:50dando as explicações cabíveis para essa situação,
07:53daí sim passa para a acusação,
07:55para o Ministério Público,
07:56fazer a sua manifestação final,
07:57com relação aos réus,
07:58por escrito,
08:00depois para a defesa,
08:01cada advogado,
08:02no mesmo prazo,
08:03vai ter o prazo para apresentar a sua defesa,
08:05e depois disso,
08:06obviamente,
08:07você vai se marcar um julgamento,
08:08que nesse julgamento,
08:09as partes fazem defesas orais,
08:11e depois, evidentemente,
08:12os ministros decidem o resultado desse processo.
08:14Nós conversamos com o Carlos Kaufmann,
08:17advogado,
08:18conversando conosco aqui nesse Jornal da Manhã,
08:20muito obrigado pela participação do senhor,
08:21um ótimo domingo.
08:23Eu que agradeço,
08:24bom domingo a todos.
08:25Até mais.
Seja a primeira pessoa a comentar
Adicionar seu comentário

Recomendado