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O Instituto Mauá de Tecnologia foi convidado a integrar uma das maiores missões espaciais da próxima década, com foco em Encélado, lua de Saturno. Em entrevista ao Real Time, Vanderlei Parro, professor do IMT, explicou o papel brasileiro no projeto.

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Transcrição
00:00Uma das mais ambiciosas missões espaciais da próxima década vai estudar o Encélado,
00:11uma lua de Saturno com potencial para abrigar vida.
00:14O Instituto Mauá de Tecnologia foi convidado a participar do projeto
00:17ao lado da Agência Espacial Europeia e do Centro Aéreo Espacial Alemão DLR.
00:23A gente vai conversar agora com Wanderlei Parro,
00:25que é professor de Engenharia Elétrica do Instituto Mauá.
00:27Boa tarde, professor. Seja bem-vindo ao Real Time.
00:31Boa tarde. Tudo bem?
00:33Tudo bem. Professor, o que chama atenção quando a gente fala dessa lua Encélado
00:37é o fato de que existe lá um oceano salgado e até jorra vapor de água. É isso mesmo?
00:44É isso mesmo. É isso mesmo.
00:46Na missão Cassini, que se aproximou de Encélado,
00:50ela conseguiu capturar alguns borrifos, vamos dizer assim, desses jatos,
00:54identificou alguns elementos químicos que trazem a perspectiva de ter vida
01:00e permitiram essas conclusões que você colocou.
01:03A gente sabe que esse é um planeta, ou melhor, um satélite gelado,
01:07mas para ter vapor de água, obviamente, você precisa de uma temperatura.
01:10Você acha que o núcleo dessa lua tem calor, então?
01:13Putz, eu acho que essa investigação, ela vem em detalhes nessa próxima missão,
01:23onde vai pousar uma espécie de um laboratório químico para coleta,
01:29análise química e envio para o solo, para nós aqui na Terra,
01:34fazer uma ciência um pouco mais refinada, vamos dizer.
01:37Agora, é curioso esse potencial de vida em satélites,
01:42porque a gente sabe também que a Lua Europa, que circunda Júpiter,
01:47também tem características parecidas.
01:49A gente sempre falou até na ficção científica de procurar outro planeta
01:53com potencial para a vida, mas talvez, pelo menos no que está mais próximo
01:57da gente aqui, isso seja mais fácil de encontrar num satélite.
01:59É, esse eu acho que é o caso mais emblemático aí,
02:05porque, se eu não me engano, você tem os elementos básicos,
02:09que é a água, você tem, inclusive, alimentos que podem ser usados
02:15pelos, vamos dizer assim, se existirem organismos,
02:19para a questão da vida se manter e estar presente nesse ecossistema.
02:26Agora, explica para a gente qual vai ser a participação dos cientistas brasileiros
02:31nessa missão aí.
02:34A gente tem uma grande experiência na engenharia.
02:37Então, a gente vem trabalhando nos últimos 20 anos
02:39na parte de desenvolvimento de computadores de bordo, vamos dizer assim.
02:44A experiência que a gente adquiriu, ela foi solicitada para a gente criar
02:48um simulador de como vai acontecer essa missão.
02:52E esse simulador tentaria ser o mais realista possível,
02:55tanto do instrumento que vai estar em órbita, vamos dizer assim, em célado,
03:00quanto o instrumento que vai pousar na Lua com esse laboratório químico.
03:07Quantos engenheiros brasileiros estão envolvidos no projeto?
03:10Então, hoje a gente está em sete.
03:13Uma parte é professor do instituto, uma outra parte é estudante.
03:17E isso sempre amplia, né?
03:20Como a gente trabalha com os alemães, tem em torno de mais quatro engenheiros
03:23só nesse tema do simulador.
03:27A hora que a missão estiver em funcionamento,
03:29isso chega na casa dos milhares, dezenas de milhares,
03:32sem muita dificuldade.
03:35Porque se envolve a empresa, vários países,
03:39cada um com a sua parte, vamos dizer assim.
03:41Vocês já tiveram, de alguma maneira, envolvidos em outras pesquisas espaciais
03:45ou só realmente na construção desse simulador?
03:50Não.
03:51Acho que, de forma significativa, tem dois grandes projetos.
03:54O projeto Plato, que é um satélite com 26 câmeras,
03:59que vai observar cerca de milhares de planetas.
04:02Com qual objetivo?
04:05Planetas e estrelas, vamos dizer.
04:07Ele vai ficar bolhando várias estrelas para ver se tem um eclipse.
04:10Se tiver um eclipse, tem um planeta.
04:12Se tiver um planeta, dependendo da intensidade do eclipse, pode ter vida.
04:17E o outro projeto que a gente participa é o Telescópio Gigante de Magalhães.
04:21É um telescópio da ordem de 30 metros de diâmetro,
04:25que vai ter uma resolução melhor, vamos dizer assim,
04:27a expectativa melhor que o atual James Webb, que está no espaço.
04:32Tá certo.
04:32Agora, eu queria que você explicasse para a gente
04:34que desafios técnicos você está enfrentando nessa missão ao Encélado.
04:40Bom, acho que o primeiro desafio é o entendimento da ciência que vai ser feita.
04:49Então, como é que funciona isso?
04:51Os cientistas se unem e falam, olha, quando eu chegar lá,
04:53eu preciso de dados, eu preciso de informações para fazer a minha ciência.
04:58a distância de 1,6 bilhões de quilômetros, são sete anos para chegar.
05:04Quer dizer, ele não é uma missão que vai direto, ele vai fazendo manobras
05:10para ganhar estilings gravitacionais lá para chegar no destino dele.
05:17Então, esse é o primeiro desafio, é a missão sobreviver até lá,
05:21e você conseguir mapear todos os riscos que ela vai ter até chegar lá.
05:26O outro que é bem interessante, o experimento é tão grande
05:30que você vai precisar de dois foguetes para lançá-lo.
05:33Então, você imaginar que vão lançar dois foguetes,
05:37esses experimentos vão ser lançados no espaço,
05:41eles vão se unir, vão percorrer um tempo juntos,
05:44depois vão se separar de novo.
05:46Esse é um desafio de engenharia brutal e muito interessante,
05:50além da distância da missão e o tempo da missão.
05:53Que tipo de conhecimento que isso vai agregar para a ciência aqui no Brasil?
05:57Vocês têm transferência de tecnologia prevista, por exemplo?
06:00Sim.
06:00Acho que um ponto importante para esclarecer no geral é que
06:04quando você entra nessa missão, o processo de transferência de tecnologia
06:07tem o que é acordado, o que é previsto agora,
06:11mas tem o que é natural.
06:12O que é natural?
06:13Os europeus falam para a gente,
06:15olha, eu quero que você faça isso dentro de uma norma, vamos dizer assim.
06:20A partir do momento que ele te conta isso,
06:22ele está te transferindo tecnologia de uma solução.
06:25Você devolve para ele, ele testa.
06:27Quando ele testa, ele fala, olha, você fez corretamente.
06:31E nesse processo, os engenheiros que desenvolveram a solução,
06:34eles aprendem a fazer.
06:36E saem com a certeza de que fizeram certo e que isso vai ser usado.
06:39E por último, isso é usado durante milhares de horas.
06:44Então, a maturidade da sua solução não é uma solução só universitária.
06:48É uma solução que sai quase pronta para a sociedade, a indústria,
06:51poder usar isso em outras aplicações,
06:54seja na área médica, seja na área espacial, aeronáutica, enfim, tecnologia.
07:00Wanderlei, na sua experiência como cientista,
07:02você acha que as universidades brasileiras, os pesquisadores,
07:06estão fazendo mais parcerias internacionais em caso de tecnologia de ponta como esse?
07:11Eu entendo que sim.
07:13Teve um estímulo das agências de fomento brasileiras
07:16para que a gente se envolvesse com os países no exterior.
07:20Isso regula a qualidade da pesquisa,
07:22porque pesquisa não...
07:23Ela é global, você tem soluções locais,
07:25mas está todo mundo pesquisando os assuntos que afligem
07:29ou que são interessantes para a humanidade.
07:30Então, eu acho que a gente tem bastante coisa de boa qualidade no país,
07:34tem as agências fomentando isso
07:37e eu acho que tem uma realidade da própria indústria
07:39acordar para essa coisa mais internacional, vamos dizer assim.
07:43Tá certo.
07:44Wanderlei Parro, professor de Engenharia Elétrica do Instituto Mauá.
07:47Muito obrigado pela participação aqui no Real Time.
07:49Boa tarde.
07:51Boa tarde. Obrigado.
07:51Obrigado.
07:51Obrigado.
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