No Brazil Summit, realizado no Brazilian Week 2025 em Nova York (EUA), especialistas e autoridades discutiram o papel estratégico do Brasil na segurança alimentar global. O país se consolida como potência agrícola e parceiro essencial em meio aos desafios climáticos e geopolíticos. A mediação é de Christiane Pelajo, âncora do Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC.
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NotíciasTranscrição
00:00A gente vai apresentar um painel do Times Brasil, licenciado exclusivo do CNBC, que
00:14é o maior canal de negócios do Brasil, agora junto com o Financial Times.
00:21Dentro desse super evento, Financial Times Brasil Summit, é um prazer de verdade ter
00:27todos vocês aqui com a gente hoje.
00:30Vamos falar sobre o papel estratégico do Brasil na construção de um sistema alimentar
00:36global mais resiliente, mais sustentável, mais nutritivo.
00:41Eu tenho a honra de ter comigo aqui nesse super painel o Michael Stott, ele é editor-chefe
00:48para a América Latina do Financial Times.
00:51Michael, por favor, uma salva de palmas para o Michael.
00:56Seja bem-vindo, como todo mundo sabe, o Financial Times é essa super publicação que todos
01:03nós acompanhamos muito, que traz sempre matérias, reportagens incríveis sobre economia e o
01:11nosso canal, o Times Brasil, licenciado exclusivo do CNBC, fala disso, fala de negócios, fala
01:16de economia.
01:17Então, Michael, por favor, fique à vontade para as suas considerações iniciais.
01:21Muito obrigado, Cristiane, de verdade, para nós também no FT, é um grande prazer estar
01:26aqui como parceiros com o CNBC no Brasil, grande canal de negócios, nesse evento que
01:33tem a presença também de lideranças do setor privado e público para falar desse tema da
01:39sustentabilidade e do agronegócio.
01:42O país, o Brasil, se encontra num momento decisivo, a gente poderia dizer.
01:47Com essa pergunta, como garantir o acesso a alimentos nutritivos para todos, ao mesmo
01:52tempo em que atende a demanda global e avança na produção sustentável?
01:56Isso é o que vamos explorar nessa sessão.
01:58Maravilha, obrigada, Michael.
02:00Então, vamos convidar nossos guests?
02:03Vamos chamar nossos super convidados de hoje.
02:06Tenho a honra de convidar aqui ao palco Gilberto Tomazoni, ele que é CEO global da JBS, uma
02:12das maiores empresas de alimentos do mundo.
02:15Uma salva de palmas, Gilberto, seja bem-vindo.
02:19Obrigada, boa tarde, seja bem-vindo, Gilberto.
02:23Pode sentar aqui, fica à vontade aqui com a gente, por favor.
02:27Nós teremos também Nathalie Walker, ela é diretora de florestas tropicais e agricultura
02:32na National Wildlife Federation.
02:34Nathalie, por favor, seja bem-vinda.
02:37Muito obrigada, boa tarde.
02:41E por último, para compor o nosso painel, eu convido também a Ludmila Hatzis, ela é
02:45pesquisadora do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia e acadêmica da Fundação Dom
02:51Cabral.
02:52Seja bem-vinda, obrigada.
02:56Vamos ficar à vontade, todo mundo pode se sentar.
02:59E eu tenho uma notícia ótima para vocês, que depois dessa nossa conversa, eu e o Michael
03:04temos a honra de começar fazendo perguntas para eles, mas depois a gente vai abrir para
03:10perguntas de vocês.
03:11Então, enquanto nós estivermos conversando, vocês podem já ir anotando as perguntas
03:15que depois vocês vão fazer as perguntas para os nossos convidados de hoje.
03:20A gente vai começar conversando com o Gilberto.
03:23Gilberto, nós sabemos que o Brasil é muito cobrado por mais sustentabilidade, mas também
03:31pela necessidade de alimentar o mundo.
03:33Então, minha pergunta é a seguinte, como a JBS consegue equilibrar essa questão da
03:38produtividade com a responsabilidade ambiental?
03:41E eu sei que essa é uma questão que você gosta muito de falar e você tem algumas
03:45frases que eu gosto muito, que sustentabilidade não é custo, muito pelo contrário.
03:49Exatamente, nós acreditamos que a sustentabilidade é produtividade.
03:56Você ser sustentável, você aumenta a sua competitividade na empresa e nós não temos,
04:01na verdade, é a filosofia que a gente adota, mas eu acredito que é o único jeito que
04:06a gente pode fazer frente a uma necessidade de produzir mais alimentos e, ao mesmo tempo,
04:13reduzir as emissões de gás, efeito estufa.
04:16E a gente tem ótimos exemplos de como fazer isso.
04:22Nós fizemos, acabamos de fazer uma pesquisa com os nossos fornecedores pecuaristas e de
04:30103 fazendas que nós fizemos essa pesquisa, 30%, 31% já é carbono positivo, captura
04:44mais do que emite.
04:45Então, para mim, não tem outra solução, nós adotamos como estratégia de negócio,
04:51a gente botou no core da estratégia a questão de ser sustentável, mas ser sustentável
04:56é ser mais competitivo.
04:57Então, nesse caminho, dentro de casa, nós estamos resolvendo tudo o que é possível
05:02de reduzir as emissões daquilo que nós produzimos e apoiar os nossos fornecedores, principalmente
05:09os pequenos fornecedores, para que eles sejam mais eficientes, que eles adotem melhores
05:14práticas e eles sejam mais sustentáveis.
05:16E, com isso, a gente acredita que é um movimento, que nós não vamos resolver uma empresa só,
05:21nós só vamos resolver, conjunto com todas as empresas, a sociedade civil, o governo,
05:29entidades de pesquisa, que a gente pode trabalhar junto, porque é possível, porque a gente
05:34já tem exemplo.
05:35É uma decisão, é uma questão de dar escala e velocidade ao que já existe, não precisamos
05:40inventar nada, só o que a gente tem, se a gente fizer bem feito o que a gente tem,
05:44a gente consegue ser mais sustentável e consegue atender essa população crescente que tem
05:51no mundo e, além dessa população crescente, fazer frente a essa insegurança alimentar
05:58que 2,3 bilhões de pessoas no mundo têm insegurança média, moderada ou de uma condição
06:09de fome mesmo no mundo inteiro.
06:11Então, nós vemos como solução é aumentar a produtividade, é produzir mais com menos.
06:20Então, senhor Tomazoni, gostei de perguntar como a JBS tem medido e reportado o progresso
06:26real de metas sobre compromissos climáticos anunciados?
06:30Então, nós divulgamos no nosso site, na nossa plataforma de sustentabilidade, toda
06:38a nossa emissão do escopo 1 e no escopo 2.
06:42Está lá, foi emitido e foi auditado por entidades terceiras.
06:47Então, a gente tem trabalhado essa questão e a gente trabalha isso fazendo investimentos
06:52e mudando as práticas de processo.
06:54Então, a gente tem cobre-lagoas para sequestrar o gás metano, transforma esse gás metano
07:02em energia, transforma esse gás metano em energia elétrica ou térmica, isso é uma
07:08coisa.
07:09Dentro de casa, nós pegamos a nossa frota de transporte, eletrificamos grande parte
07:13da nossa frota.
07:14Nós temos no Brasil hoje, por exemplo, 200 caminhões eletrificados, então nós estamos
07:18investindo.
07:19Aquilo que está dentro de casa é mais simples, a gente controla, fazer os investimentos corretos,
07:25mudar a mentalidade, porque tem uma questão de cultura que tem que produzir mais de maneira
07:30mais sustentável.
07:31Toda pequena decisão que a gente está tomando diariamente, cada pessoa está tomando, se
07:36tem essa visão de que tem que dar um jeito de produzir mais, de não gerar resíduos,
07:40a gente está fazendo.
07:41E o que não conseguimos reduzir de resíduos, nós criamos uma indústria de economia circular,
07:47é uma indústria.
07:48Então, nós temos fábrica de fertilizantes, nós temos fábrica de biodiesel, nós temos
07:53fábrica de sabonete, nós temos fábrica de produzir uma energia elétrica com biomassa,
07:58enfim, nós criamos oito empresas, colágeno, gelatina, bipeptides, que são todas rentáveis.
08:07E, do outro lado, a gente está fazendo um forecast do que pode ser a produção do
08:16Escopo 3, porque o Escopo 3, nós compartilhamos o Escopo 3 com toda a sociedade.
08:22Então, a gente tem feito uma sugestão com empresas especializadas que nos apoiam para
08:29fazer essa análise, como eu citei antes, essa pesquisa que a gente fez, junto com produtores
08:37nossos, para fazer isso.
08:40Aí, como é que a gente está fazendo isso, Maico?
08:43Nós criamos o que a gente chama de escritórios verdes, que é apoiar os pequenos produtores
08:49para que eles sejam mais produtivos e sejam mais sustentáveis.
08:56Tem um desafio que muitos deles precisam regularizar a questão com a legislação brasileira.
09:02Falando do Brasil aqui, agora a gente tem exemplos no mundo inteiro.
09:06Esses produtores, nós já atendemos 16.800 produtores, desses 6.800 já regularizaram
09:15a sua questão, fizeram a recomposição de floresta ou outras coisas que eles tinham
09:22que fazer para se adequar à questão ambiental.
09:24E, ao mesmo tempo, nós prestamos consultoria gratuita de como eles podem adotar uma agricultura
09:31regenerativa e como ele pode fazer integração floresta, lavoura pecuária, como ele pode
09:37produzir de uma maneira mais sustentável.
09:39E é isso que nós temos feito quando se fala da JBS.
09:44Eu queria pegar um gancho exatamente nisso que você falou agora.
09:46A gente sabe que, na questão das mudanças climáticas, essa segurança alimentar tem
09:53que estar no centro do cenário, tenho certeza que você concorda comigo em relação a isso.
09:58Então, quando a gente pega os pequenos produtores, eles são fundamentais também
10:02nesse cenário, Gilberto, na sua visão, e o que de fato fazer para ajudá-los nisso?
10:08Eu acho que essa é a questão central, eu acho que se nós não apoiarmos os pequenos
10:12produtores a fazer a mudança, nós não vamos atacar o foco que é a mudança climática
10:19e a segurança alimentar.
10:21Os pequenos produtores hoje, eles são responsáveis pela produção de 30% dos alimentos do mundo
10:27e 68% dos pobres adultos dependem da agricultura para sua subsistência.
10:37Então, atacar essa questão da agricultura não é só uma questão climática, é uma
10:41questão de segurança alimentar, é uma questão humanitária e a gente tem que focar e trabalhar
10:47isso.
10:48Por isso que está no centro.
10:49E aí nós temos que criar voz, conseguir ressonância em todas as áreas hoje que ficam
10:57discutindo a questão ambiental, porque só 4% dos investimentos que hoje são alocados
11:03para fazer o combate ao clima vão para... e todos os investimentos vão para a agricultura.
11:11E aí, quando eu falo do pequeno, é menos de 1%.
11:14É muito pouco.
11:15Então, quais serão as tecnologias que terão maior impacto na cadeia de carne bovina nos
11:21próximos anos?
11:24O grande tecnologia não é uma tecnologia, é adotar práticas sustentáveis ou práticas
11:36regenerativas.
11:37Eu até citei antes essa questão de você trabalhar a lavoura pecuária e a floresta
11:47integrada, é você aplicar práticas regenerativas.
11:52E a gente sabe que, para fazer isso, a gente tem que apoiar o produtor para fazer isso.
12:02Eu liderei a tarefa lá do B20, que tratava exatamente dessa questão.
12:07E nossa discussão global, foi uma discussão global com todos os participantes do mundo
12:11inteiro, a gente tem que apoiar o pequeno produtor para fazer.
12:15Tem que acessar tecnologias.
12:17Tecnologias existentes já são suficientes, nós temos que apoiar, nós temos que aceitar
12:21um payback dos investimentos, ele vai precisar de um apoio financeiro mais longo, porque
12:29a produtora regenerativa tem um payback mais longo, e ao mesmo tempo temos que dar assistência
12:34técnica para que ele possa usar.
12:37Os números são extraordinários o que a gente pode fazer.
12:40Olha, eu vou citar uma questão, os Estados Unidos, nos últimos 50 anos, reduziu o rebanho
12:47pecuário em 5, 6% e aumentou a oferta de carne em 25%.
12:58O Brasil, nos últimos 30 anos, aumentou em 120% a produção e reduziu a área em 19%.
13:08Então, a gente sabe que dá para produzir mais, nós temos produtores que trabalham
13:14conosco hoje, que eles conseguem produzir 15 vezes mais na mesma propriedade.
13:19Então, o caminho está claro, o caminho é de a gente alinhar, alinhar a cadeia inteira
13:29para poder dar escalas aos pequenos produtores, para que aqueles que estão fazendo da maneira
13:36certa ganhem o escala e tenham uma aceleração desse processo todo de adoção dessas prateiras
13:42generativas.
13:44Vamos colocar a Nátaly e a Ludmila também nessa conversa, claro, vou começar com a
13:48Nátaly.
13:49Nátaly, queria entender de você como é que as ONGs, como é que as instituições
13:53ambientais, elas podem colaborar com o setor privado para transformar essas boas práticas
14:00socioambientais em vantagem competitiva e em segurança para investidores?
14:06Sim, é muito importante trabalhar e entender os desafios do setor privado.
14:13No Brasil, tem muitas iniciativas multissetoriais, onde as ONGs têm papel como liderança de
14:22desenvolvimento das boas práticas, de protocolos para fornecer produtos sem desmatamento que
14:31conformem com o Código Florestal, outros pontos socioambientais, então, é importante
14:40e a gente trabalha junto com as instituições de pesquisas para desenvolver análises e
14:48procurar dados para ajudar a apoiar o setor privado para entender o desafio e para desenhar
14:55planos para incentivar os produtores, outras coisas, então, é muito importante, acho
15:04que o Brasil tem essas iniciativas muito bem desenvolvidas, uma forma de trabalhar
15:10junto com, em uma maneira multissetoriais que é muito avançada.
15:16Bom, eu tenho uma pergunta para a Ludmila, gostaria de perguntar, Ludmila, como a previsibilidade
15:23regulatória e o fortalecimento institucional brasileiro poderá influenciar a confiança
15:29dos mercados e destravar investimento em tecnologia sustentável no agro?
15:34Obrigada, Maica, pela pergunta.
15:37Eu queria conectar a resposta a algo que o Tomazoni estava falando da questão da tecnologia.
15:42Há 18 anos, quando eu comecei a trabalhar com a interrelação entre os elementos da
15:49paisagem e como aquilo poderia mudar a sustentabilidade da agricultura, não era possível tecnologicamente
15:58planejar paisagens climaticamente sustentáveis.
16:03Hoje o Brasil não só tem uma legislação forte, como também nós temos inteligência
16:10dentro do nosso território e também com os parceiros internacionais para poder fazer
16:15esse planejamento territorial para garantir a sustentabilidade.
16:20O maior risco que, na minha opinião, que hoje tem de investimento do sistema agroalimentar
16:28no mundo é o clima.
16:31E nós temos a tecnologia mais avançada para lidar com isso, que é a Amazônia.
16:3760% do território amazônico está dentro do Brasil.
16:40E desde meados da década de 70, nós sabemos da importância da Amazônia para irrigar
16:45desde o sul dos Estados Unidos até o sul da América do Sul.
16:48E tratando esse território, então, tem um assunto que é proibido, quase proibido nessa
16:59sala de debate, que é a questão do desmatamento zero.
17:02O desmatamento ilegal zero é um consenso, mas o desmatamento legal zero é uma afronta
17:10ao direito do produtor, mas ele também é uma afronta ao sistema biofísico.
17:16Contra as leis da física a gente não consegue brigar, mas aí a gente vem tratando da questão
17:22do produtor e aí entra a questão do investimento, que é criar incentivos financeiros ao produtor
17:29que abre mão do direito dele de desmatar.
17:33Mas eu não consigo compensar todo mundo.
17:36Então imagina a Amazônia, que você tem a sua fazenda ali na região do Xingu.
17:41A floresta em pé que está ali, ela regula a temperatura ao ponto que 5% da temperatura
17:49média pode cair por causa da simples presença da floresta.
17:53Agora a Nátaly tem a fazenda dela um pouco mais a norte, no Pará, e ali a floresta em
17:58pé regula 2 graus Celsius da temperatura local.
18:03Isso precisa ser reconhecido.
18:07A gente na FDC, junto com o IPAM Amazônia, o Woodwell Climate, a gente está desenvolvendo
18:11um modelo tropical de agricultura regenerativa com um enfoque muito grande em desenvolver
18:16o modelo, o business model, para poder apoiar esse tipo de coisa.
18:22Então é trazer a ciência e os negócios juntos para a gente fazer esse planejamento
18:26territorial, que a gente já tem tecnologia suficiente para desenvolver.
18:31Eu gostei muito do painel sobre AI e a gente tem no mão.
18:35O Brasil não é só um powerhouse de produção de alimentos, é também um powerhouse de...
18:39O fintech, do AI.
18:40De fintech.
18:41É maravilhoso.
18:42A gente tem tudo isso em casa para fazer.
18:44Exatamente.
18:45Gilberto, é impossível a gente não trazer aqui para a nossa conversa Coop30, que será
18:50justamente em Belém, no Pará.
18:52O que você vê de oportunidade na Coop30?
18:56Eu acho que tem que mostrar exemplos concretos, né?
18:58Sim, como exemplos práticos.
19:00É, porque a gente, quando eu estava até citando antes que nós trabalhamos no G20,
19:05no B20...
19:06Por isso que na mesma hora eu falei, tem que perguntar de Coop30 para ele.
19:09O B20, a gente trabalhou com esse grupo para levar sugestões, e que foram muito bem aceitas.
19:1670% das sugestões que nós levamos, 75% na verdade, foram aceitas e incorporadas no
19:21documento final.
19:22Então, o documento final falava lá, primeiro, nós temos que aumentar a produtividade do
19:28pequeno produtor, acesso financeiro, assistência técnica, acesso às tecnologias, seja de
19:36inteligência artificial ou outra biotecnologia que ele tenha acesso.
19:41Nós temos que criar modelos financeiros inteligentes, vou assim chamar, para que aceite um payback
19:51mais longo e trata da segurança, do risco do produtor adotar essas práticas, porque
19:57se vem um evento climático, ele perde tudo, na verdade, ele está perdendo a história
20:03dele da vida inteira.
20:04Então, ele está tomando um risco muito grande de fazer isso.
20:07Nós temos que arrumar mecanismos que o protejam para fazer esse investimento.
20:11E, por fim, usar o trade, que hoje é tão discutido, como um elemento para ajudar a
20:16atacar essa questão da segurança alimentar.
20:19Agora foi criado, a CNI criou lá, o SB COP30, Sustainable Business COP30, usando o aprendizado
20:29que a gente teve no B20, e nós estamos exatamente trabalhando assim agora, nós queremos levar
20:35coisas práticas.
20:36A gente vai dar um passo além, é isso?
20:38Isso, nós queremos, no COP30, não levar de novo ideia, tem que fazer isso, tem que
20:44fazer aquilo.
20:45Não, o que está sendo feito, não interessa onde, se é no Brasil, se é na Índia, se
20:51é no Paquistão, se é nos Estados Unidos, se é na Europa, que exemplos que estão sendo
20:58feitos hoje, dentro desse conceito de agricultura regenerativa, que você captura mais carbono
21:04do que você emite, que podem ser escalados, que os países podem adotar e dar escala rapidamente.
21:11Então, nós estamos trabalhando exatamente nesse momento, construindo esses exemplos,
21:16que eu acho que esse vai ser a grande valia.
21:18E aí o Brasil tem um papel de protagonista nisso, tem muitas coisas sendo feitas no Brasil,
21:26realmente tem muitas coisas sendo feitas.
21:27Mas você pode dar exemplos para a gente?
21:29Não, eu vou citar o exemplo de um grande, mas nós somos pequenos, eu vou citar, tem
21:32uma fazenda, a Fazenda Roncador, que é do meu amigo Peleco, que eu gosto de falar, porque
21:40inclusive ele fez parte do B20, agora ele está parte do SB20, a gente traz ele para
21:45discussão, para não ficar discutindo só a questão da turismo, não, ele é o produtor
21:50rural, ele está fazendo, ele produz, faz três safras na mesma área, ele usa todo
22:00um sistema regenerativo, ele reduziu o uso de fertilizantes químicos, usando fertilizações
22:07natural, ele reduziu o uso de defensivos, usando a biodiversidade da floresta, ele tira
22:18da mata virgem a área de terra, ele faz uma fermentação, depois dá uma escala e ele
22:30fica dizendo que é a sopa da floresta, ele usa essa sopa da floresta para irrigar e com
22:36isso reduzir o fertilizante, então é um exemplo muito prático, que eu acho que está
22:42no topo de que de melhor se faz no mundo, para dar um exemplo, aí nós temos pequenos
22:48produtores que adotaram essas práticas e aumentaram a produtividade 30%, 40%, e ao
22:56mesmo tempo a renda deles subiu 20%, até 40% em alguns casos, então são exemplos
23:04práticos, exemplos, por exemplo, se a gente citar um aqui, nós apoiamos com o fundo do
23:08JBS pela Amazônia, aqueles produtores bem pequenos, que têm de subsistência, e a gente
23:20implantou junto com uma parceria com a Solidariedade, que é uma ONG, que eu acho que é, você
23:26citou, eu concordo totalmente, citou que eles vão lá, ajudam a fazer o SAF, que é,
23:34ele tem a projeção de bovino, que é o que ele usa porque é fundamental para ele, para
23:40viver lá, porque foi um assentado, recebeu uma área, não recebeu assistência, não
23:44recebeu dinheiro, jogaram ele ali e ele vai vivendo, ajudamos ele a aprender a melhor
23:50fazer a rotação dos animais, a ele regenerar o solo, a ele fazer o melhor gestão disso
24:01tudo e plantar cacau, ou plantar mandioca, ou plantar uma outra coisa, e teve um produtor
24:06nosso que foi apoiado por nós, que inclusive teve no Festival de Paris, foi escolhido como
24:14o segundo melhor cacau do mundo.
24:17Então, são exemplos práticos e que dá para fazer, só tem que dar escala.
24:24Obrigado.
24:25Tenho uma pergunta agora para a Nathalie, vamos falar, Nathalie, um pouco de financiamento.
24:30Gostaria de saber, na sua opinião, se as empresas têm aproveitado os instrumentos
24:35financeiros internacionais, como fundos climáticos, investimentos verdes, para acelerar a transição
24:41para uma agropecuária de baixo impacto?
24:44Como podem obter esses fundos internacionais?
24:50Importante é, acho que, demonstrar que é possível, porque o Brasil é líder do mundo
24:57em termos de desenvolvimento de metodologias para melhorar, recuperar pastagem degradada,
25:03para produzir mais e menos terras, como o senhor Tomassoni falou.
25:08Então, acho que é importante mostrar esses projetos pilotos desenvolvidos, por exemplo,
25:15por Embrapa, a empresa pública da pesquisa da agropecuária do Brasil, que há desenvolvimento
25:25de algumas boas práticas, carne de baixo compono, carne neutra, pode ser positiva para reduzir.
25:34É muito importante essa mensagem, que é possível produzir carne sem emissão de
25:41gases de efeito estufa, e tem um papel muito importante, mas se essas mensagens relatórias
25:50que podem explicar as pesquisas, são importantes para procurar fundos e para explicar ao mundo
25:57o setor privado, financeiro, internacionais, que é algo muito importante, porque é possível
26:07ganhar em termos de minimizar o desmatamento, gases de efeito estufa e aumentar a produtividade,
26:16porque a gente tem que, acho que previsou que no ano 2050 vai crescer, a gente tem
26:25que produzir 60% mais alimentação para todo o mundo, o mundo de mais de 10 milhões de pessoas.
26:32Então, é um investimento muito importante, e o Brasil é o país que está mais capaz que todos
26:42os outros em termos de áreas para a expansão de produção de alimentação sem desmatamento,
26:51para minimizar os problemas de câmbio climático no mesmo tempo.
26:56Ludmila, o setor empresarial brasileiro está incorporando com profundidade todas essas questões
27:05de mudanças climáticas na estratégia a longo prazo, e de que forma isso, na sua opinião,
27:11se reflete na atração de investimentos?
27:14Sim, existe um engajamento, existe uma força de vontade, mas eu acho que ainda
27:20tem muito o que caminhar, e é uma falha, inclusive, da academia em traduzir essas
27:26questões para o dia a dia, e eu acho que o nosso esforço é sempre de conectar as pontos.
27:32A questão do investimento, a gente nunca pode esquecer do investimento em pesquisa.
27:40O Tomasone citou o exemplo excelente da Fazenda Arrocador, do Peleco, mas e o acesso que o pequeno
27:47produtor tem a essa tecnologia.
27:49Ele citou alguns exemplos incríveis, mas ainda é muito ingênuo.
27:53O pequeno produtor no Pará, o Pará é um estado no Brasil que tem 80 mil pequenos produtores,
28:00que produzem, e existe um dado que diz que o produtor que tem uma fazenda menor que 100,
28:06150 hectares no Pará, se ele produz só uma coisa, ele não é sustentável, nem do ponto
28:12de vista econômico, nem ambiental.
28:14Então a gente precisa diversificar essa produção.
28:18Mas esse produtor, que muitas vezes é um pecuarista, ele não tem nem mesmo acesso
28:23a nitrogênio e a calcário.
28:25Se o acesso a esses dois insumos fosse facilitado, a produtividade ali aumentaria.
28:37E aí eu tenho uma provocação às empresas que conseguem chegar nesses lugares.
28:41Quais são as empresas que conseguem chegar nesses lugares?
28:43Os frigoríficos, por exemplo, porque o frigorífico está lá porque ele recebe o produto dessas
28:48pequenas propriedades.
28:49Então ele pode ser, ele pode fazer uma parceria com outras empresas para poder fazer chegar,
28:56porque nós da academia, de institutos de pesquisa, a gente tenta, mas a gente não
29:01tem a capilaridade que o setor privado tem.
29:04Então acho que a gente precisa ter mais desses espaços de diálogo, que a gente tem academia
29:09e setor privado juntos, para poder canalizar melhor esses investimentos.
29:13Eu posso...
29:15Fique à vontade, vocês podem acrescentar no comentário de quem quiser.
29:20Porque a Ludmila falou uma coisa que eu concordo, que é essa questão de que ninguém vai resolver
29:24esse assunto com a academia, nós vamos resolver com parceria.
29:28Todo mundo junto, né?
29:29E ela citou o caso do Pará, e nós temos um exemplo no Pará que eu gostaria de citar,
29:35que é exatamente uma parceria com o governo do Pará, com a TNC, que é uma ONG, a JBS
29:47e agora também o Carrefour, que é um supermercado importante no Brasil.
29:54Então nós estamos apoiando o governo do Pará para que a gente tenha rasteabilidade
30:02individual nos animais.
30:06E isso vai dar uma transparência enorme, porque nós hoje monitoramos, 100% dos nossos
30:14fornecedores hoje são monitorados via satélite, há mais de 10 anos.
30:19Então eu sei, toda a área que tem, eu estou conservando lá, porque se ele desmatar, ele
30:25fica ilegal, a gente não compra o produto dele.
30:28Mas não comprar o produto dele não é a solução, porque tem outros players e que
30:35podem ser menos exigentes, e se nós não comprar, eles compram.
30:39Então por isso que a gente fez escritórios verdes, para apoiar ele e regularizar para
30:43que ele continue o nosso fornecedor.
30:45Mas de qualquer maneira, a JBS não comprar faz uma diferença enorme ali para eles, né?
30:50Então a gente não compra, é tolerância a zero, mas aí a gente está junto nesse
30:54projeto, porque nós temos visibilidade do nosso fornecedor direto.
30:59O governo lançou agora no Brasil a plataforma Agro Mais Sustentável, que vai ver esse conjunto
31:07por lote, já é uma evolução enorme do que nós temos hoje, porque hoje nós temos
31:12que monitorar os nossos fornecedores diretos, nós criamos uma plataforma de blockchain
31:19para conseguir voluntariamente que o fornecedor do nosso fornecedor coloque o dado para a
31:25gente ter acesso à fazenda dele, para a gente monitorar também o fornecedor, porque tem
31:29que respeitar toda a questão da lei da privacidade de dados.
31:34Então é muito mais complicado a empresa individual fazer isso.
31:38Se o governo está com você dizendo, não, aqui é lei, todo mundo tem que ter restabilidade
31:43individual.
31:44A gente está colocando junto, e a TNC entrou nesse projeto, e nós fizemos um piloto, 30
31:54mil cabeças de gado foram rasteadas, elas foram identificadas, todo o desafio que é
32:01lá na propriedade, colocar o tag lá no boi, levar ele depois no transporte, quando ele
32:10se move, como é que ele se move a acompanhar isso, quando ele chega no processamento,
32:14o que a gente faz com isso, isso tudo foi feito, o piloto se mostrou que é possível
32:19fazer.
32:20Aí a gente levou o governo para ver na Austrália, nós temos uma operação na Austrália que
32:25é 100% rastreada, e com isso nós tomamos agora, fizemos uma doação de 2 mil junto
32:33nesse projeto que nós temos em parceria com a TNC, mais 2 milhões e mais 1 milhão que
32:39nós estamos doando, e nós estamos acreditando que se todo mundo apoiar, nós vamos conseguir
32:45fazer o Pará, que é um ícone, que tem o tamanho do rebanho da Austrália, para a gente
32:52ter uma noção, só o Pará, a gente fazer o exemplo de rasteabilidade.
32:59Então, só se faz isso se estamos todos juntos, se não, não tem como individualmente nós
33:06fazermos isso.
33:07E aí agora nós juntamos o Carrefour, para o Carrefour dizer assim, não, eu vou colocar
33:14a carne que vem desse sistema no meu submercado e eu vou identificar.
33:20A gente não quer pagar prêmio, porque pagar prêmio é passar para o consumidor o custo,
33:26o produto tem que ser mais acessível, nós já temos pessoas que não se alimentam hoje,
33:32então, por isso que a gente tem que mostrar para o consumidor, ao mesmo custo você tem
33:37uma opção de comprar alguma coisa que é mais sustentável, aí eu acho que essa questão
33:40vai funcionar e vai ganhar velocidade.
33:43Desculpe aí, me alonga a intervenção aí.
33:45Não, fica à vontade.
33:46Eu queria comentar um pouco sobre a plataforma Brasil Agro Mais Sustentável, porque é uma
33:51ideia incrível.
33:52Ali tem a regularização fundiária, tem a questão fiscal, a questão trabalhista,
33:59está tudo ali.
34:00Então, o produtor chega, ele entra com o CPF dele e ele imprime um relatório falando
34:06da conformidade dele com todas essas questões.
34:09E agora, a FDC está encabeçando essa iniciativa do modelo tropical de agricultura regenerativa,
34:15que a gente vai trazer um índice de sustentabilidade.
34:19Esse projeto com Solidariedade no Pará, ele é muito interessante, porque está aumentando
34:24a assimilação de carbono no solo, mas a gente tem uma máxima, que a gente que estuda
34:31o carbono, que nem todo carbono nasceu igual e nem toda propriedade tem a mesma capacidade
34:37de criar soluções climáticas baseadas em natureza.
34:41Olhando para isso, a gente quer desenvolver um índice espacialmente explícito para todo
34:46o Brasil, olhando o que é de potencial, o que é de realizado na área da agricultura
34:51e na área da floresta.
34:53Eu acho curiosíssimo que quando uma fazenda vai calcular a quantidade de carbono que tem,
34:59as pessoas só olhem para a área produtiva e esqueçam totalmente da área de reserva
35:03legal e de APP, que está ali.
35:06Legalmente, você precisa manter aquela área e as pessoas não levam em consideração
35:10no balanço de carbono da fazenda.
35:12Mas esse projeto de vocês é para quando?
35:13Desculpa te interromper.
35:14A gente quer lançar o primeiro, toda a ideia e o protótipo na COP30, porque a COP30, como
35:22a presidência já falou, é a COP da implementação, não é a COP das promessas.
35:27Então a gente quer mostrar esse meio de implementação agora para, na COP31, a gente
35:32já lançar a primeira versão do índice e a gente quer primeiro fazer no Brasil para
35:37depois expandir para outros países tropicais, respeitando as idiosincracias de cada lugar.
35:43E isso toca um ponto importante que é a colaboração entre o setor privado e os ONGs, não é?
35:48Totalmente.
35:49Porque aí é uma diferença, uma grande divisão entre os ONGs, alguns que querem colaborar,
35:54outros que querem desenvolver soluções em comum e os outros que querem fazer a oposição
35:58total e crítica, não?
36:00E, Michael, a gente pode fazer uma sugestão juntos para o Tomazone que nessa parceria
36:05que você citou está faltando startups, está faltando a Universidade Brasileira.
36:10A gente tem mentes incríveis e muitas vezes esses players que foram citados, essas mentes
36:18incríveis talvez não estejam, elas não tenham chegado lá ainda.
36:22Eu estava conversando com a Nátaly na hora do almoço, o quanto é incrível que a ciência
36:27brasileira está despontando, mas essas pessoas às vezes não têm a oportunidade de colaborar.
36:31Então, se você tem uma startup numa parceria como essa, seria um ganho enorme.
36:39Está aceito, pelo amor de Deus.
36:41Está pronto.
36:42Olha só, já fechamos o negócio aqui.
36:44Sejam bem-vindos, por favor, se junte a nós.
36:48Eu acho que a Ludmila falou, é importante esse negócio da agricultura tropical.
36:59Porque hoje, quando o pessoal avalia as emissões, estão avaliando com os dados de um clima temperado.
37:07Sim, agricultura tropical não é levado em consideração nesses dados.
37:11Então, você vê o exemplo, só para dar um exemplo, da branquiária que é usada na criação do gado.
37:21A branquiária coloca raízes de 3 a 3 metros e meio.
37:26As raízes descem e aí, depois, quando seca, as raízes ficam ali.
37:32Planta-se a branquiária novamente, vai as raízes e fica estocando, estocando o carbono.
37:38Onde faz isso?
37:39Só faz no Brasil isso.
37:41Nós precisamos ter esses dados para sermos avaliados.
37:44E esse trabalho que você quer fazer, já tem várias pequenas iniciativas no Brasil.
37:49Inclusive, nós temos uma iniciativa com a Universidade do Kansas.
37:53O pesquisador vai ir para cá, coleta a terra, leva embora a terra para ver quanto fixou de carbono.
37:58Porque a gente usa no Brasil e usa fora para ter credibilidade,
38:05para ter aquela questão de você ter cientistas de diversas partes do mundo validando.
38:12E não é uma questão de que a gente vai fazer um.
38:15E nós temos que ir para fora para validar o que está dentro.
38:18Não, não é só isso.
38:19Fazer as duas coisas cheias.
38:20Dizer que não é uma coisa criada no Brasil, que não.
38:23É validada tanto dentro do Brasil quanto fora do Brasil.
38:27E eu acho que esse vai ser uma das coisas que a gente tem que levar para o COP30.
38:33A indústria inteira, o setor inteiro está com foco nisso.
38:40Eu acho que a grande inovação que a gente precisa é uma inovação sistêmica.
38:45Todo mundo pensar junto como é que a gente resolve essa questão.
38:49Porque está todo mundo pensando aqui, acolá.
38:51Olha, fiquei feliz com o seu convite.
38:57Olha, sinceramente, nós estamos precisando de ajuda, tá?
39:02Michael, vamos abrir para a pergunta do público?
39:04Sim, acho uma boa ideia.
39:05Então vamos.
39:06Tem muitas perguntas aqui no público.
39:08Fiquem à vontade.
39:09Quem quiser perguntar...
39:10A gente tem microfones aí que poderiam fazer chegar as pessoas que querem perguntar alguma coisa
39:15sobre esse tema da agricultura sustentável.
39:18Aqui, uma pessoa aqui na frente, por favor.
39:20Obrigada.
39:21Eu me desculpo para abordar a questão em inglês.
39:25Eu gostaria de perguntar qual é a posição atual do JBS vis-à-vis suas promessas
39:31para terminar a deforestação ilegal e também para ser zero por 24.
39:36Obrigado.
39:37Não, nós estamos...
39:39Eu estava perguntando...
39:40Você tem tradução?
39:42Eu vou responder em português.
39:44Você tem tradução?
39:45Eu vou responder em português.
39:48Nós...
39:49Isso tudo que eu falei é parte do nosso compromisso de nós...
39:57Net zero no nosso escopo 1 e 2 e de endereçar, de ser parte da solução para o escopo 3.
40:05Como eu citei aqui o que nós temos feito.
40:08Nós temos investido tanto dentro de casa nas coisas que só dependem de nós,
40:14como eu citei, quanto o grande trabalho, porque 98% das emissões são no escopo 3.
40:22E o escopo 3 a gente tem que apoiar quem produz.
40:26Se nós apoiarmos os produtores que trabalham conosco e eles produzirem com a menor emissão,
40:31nós vamos resolver o problema que nós temos do net zero.
40:37Esta é uma questão que é fundamental a cooperação para que a gente possa fazer isso.
40:45Nós não vamos conseguir fazer isso sozinho, nós precisamos colaborar,
40:50nós compartilhamos do escopo 3 com todas as empresas.
40:53Então, assim, nós estamos nunca mais compromissados.
40:58Eu tenho participado em todos os fóruns, inclusive tive agora em Dallas,
41:03lá no Milkin Instituto, falando exatamente disso,
41:07chamando a atenção que nós precisamos trazer investimentos para a agricultura,
41:11para a pecuária, para o pequeno produtor.
41:14E essas questões de como fazer a conta que nós estamos falando aqui,
41:18ela é muito importante.
41:20Quanto é a emissão?
41:23Porque a gente não está fazendo a conta correta.
41:27Quando a gente fala que um animal,
41:29que a nossa grande emissão no escopo 3 é a questão dos animais, do boi,
41:36é quanto carbono ele está ingerindo, porque o que ele está comendo é carbono,
41:43quanto ele está ajudando com a fertilização do solo,
41:47em melhorar a biodiversidade do solo,
41:50quanto está reduzindo de ter que importar, no caso do Brasil, da Rússia,
41:55de outros países para fertilizantes,
41:59quanto está usando menos defensivos,
42:03porque está usando uma agricultura regenerativa.
42:06Nós temos que botar tudo nessa conta.
42:08A conta muda totalmente quando a gente faz isso.
42:11Como eu falei que nós temos produtores que são carbono positivo, muda a conta.
42:16Por isso que eu sou bastante otimista com o que a gente pode fazer.
42:20Não só a JBS, porque isso a gente não vai fazer sozinho.
42:24A gente vai fazer, esse é um desafio da humanidade.
42:28Nós temos que enfrentar a questão das emissões.
42:31O nosso compromisso é um compromisso com o planeta mais sustentável.
42:35É um compromisso com a melhor condição de vida dos pequenos produtores.
42:39E é um compromisso com os consumidores,
42:41de elevar produtos de alta qualidade para o consumidor.
42:43E assim, estamos totalmente comprometidos com isso.
42:46Isso faz parte da nossa estratégia.
42:48Eu posso responder, não sobre a JBS,
42:52mas a questão do Net Zero de 2040?
42:56Nós só vamos saber se as empresas tropicais estão sendo Net Zero
43:01depois que a gente investir massivamente em parceria público-privada
43:05para mapear carbono no solo, nesses ambientes.
43:09Para quem não trabalha no Brasil,
43:12os solos brasileiros são extremamente profundos,
43:14são totalmente diferentes dos Estados Unidos.
43:17E a gente tem mapeado 2% do solo brasileiro.
43:20A gente não sabe o potencial.
43:22E isso que o Gilberto está falando,
43:24sobre a questão dos índices de emissão,
43:27nós importamos os índices de emissão de outros lugares.
43:30É urgente a gente desenvolver os índices de emissão nos trópicos,
43:35porque a vaca brasileira, ela emite totalmente diferente
43:41da vaca americana, por causa das questões que o Gilberto levantou.
43:45Porque, de novo, é o balanço.
43:47A gente tem um Código Florestal no Brasil.
43:49Isso precisa ser levado em consideração.
43:51Enquanto uma fazenda nos Estados Unidos não tem que manter uma reserva legal,
43:54no Brasil a gente precisa.
43:56Então, o Escopo 3 tem a ver com isso também.
43:59Obrigado.
44:00Vamos para a próxima?
44:01Te pergunto.
44:05Alguém mais quer fazer pergunta?
44:08Duas pessoas aqui do lado esquerdo.
44:11Do nosso lado esquerdo, do lado direito de vocês.
44:15Eu trabalho em uma área bem diferente,
44:18mas eu vejo pelas tecnologias que a gente está fazendo,
44:21algo que a gente vai fazer,
44:23que a evolução tecnológica que está acontecendo no mundo do AI
44:26e de transporte autônomo e de sistemas autônomos,
44:30nos próximos 3 a 5 anos vão tornar esses objetivos completamente
44:35palpáveis em escala bem grande a custo muito baixo.
44:40Hoje vai ser muito trabalho para fazer isso,
44:43mas o custo vai cair tipo 90% nesses próximos 5 anos.
44:46Isso vai ser uma realidade.
44:49Obrigada.
44:50Eu concordo totalmente que a tecnologia vai acelerar todo esse processo,
44:55seja tecnologia de inteligência artificial,
44:58quanto a biotecnologia que colocar plantas que sejam mais resistentes
45:04aos problemas hídricos e aí por fora,
45:09sementes que sejam mais produtivas.
45:11Tem um caminho longo.
45:12Hoje a gente fala das emissões do bovino,
45:15nós testamos mais de 10 suplementos
45:20e tem hoje os suplementos disponíveis
45:22e que estão sendo usados no Brasil
45:24que reduzem 77% a emissão de gás metano
45:28da fermentação entérica dos bovinos.
45:31Então a tecnologia vai favorecer,
45:34a velocidade vai ser exponencialmente acelerada
45:41quando a gente conseguir adotar.
45:42Mas aí, novamente, nós precisamos de investimentos
45:46que entendam, que tenham um payback mais longo.
45:51Porque não adianta querer que o investimento tenha um retorno,
45:55competir com outros investimentos,
45:57quando se sabe que o retorno é generativo,
46:00leva mais tempo para generar a biodiversidade do solo.
46:04É tempo, tem os seus processos naturais.
46:07Nós precisamos, o mundo tem que abrir o olho
46:10e nós precisamos mais investimentos para a agricultura.
46:12A gente tinha que não falar na minha cabeça,
46:15falar problema climático,
46:17o problema é de segurança alimentar.
46:19Porque problema climático agrava o problema de segurança alimentar.
46:24Certo.
46:25Vamos para a próxima.
46:26Tem uma pessoa ali e depois aqui.
46:32Boa tarde.
46:33Primeiro, concordar totalmente com a professora Ludmilla
46:37a respeito dessa liderança que eu acho que o Brasil
46:40precisa ter na discussão, especialmente da agricultura
46:44que mantém o carbono dentro da terra.
46:48O plantio direto, eu acho que é mais uma das nossas jabuticabas.
46:51Então, esse escopo 3, que é o que incorpora muito carbono na pecuária,
46:56nós temos a condição de reduzir substancialmente
46:59na hora que esses protocolos são feitos da maneira adequada.
47:03E se nós não liderarmos isso,
47:05eu acho pouco provável de que o outro país do mundo lidere.
47:08Então, essa discussão tem que ser nossa,
47:10tem que ser encampada por nós.
47:12É o meu pensamento.
47:13E para o Gilberto, eu queria perguntar o seguinte.
47:16Eu também concordo totalmente que não existe sustentabilidade
47:19para outro pagar.
47:20Sustentabilidade envolve também o balanço econômico.
47:23Mas de que forma que a cadeia mundial está se regulando
47:28para remunerar o produtor que incorpora menos carbono
47:32por quilo de proteína?
47:34Existe alguma discussão dessa natureza?
47:38É muito incipiente essa discussão.
47:44Tem um movimento liderado pelo Ouro Econômico Fórum,
47:49que é do First Moving Coalition,
47:52que é de unir empresas que têm um grande potencial de compra
47:59para que elas priorizem o seu potencial de compra
48:03para projetos que sejam sustentáveis.
48:08Então, quando a gente citou que o Carrefour se uniu agora,
48:11a gente trouxe o Carrefour porque ele tem o poder de compra.
48:14E isso, nós estamos convidando outras empresas
48:17que têm poder de compra para fazer aquisições,
48:20priorizar aquisições de projetos que são mais sustentáveis.
48:24Mas eu acho que é muito pouco.
48:26Por isso que nós temos que erguer nossa voz,
48:29temos que falar que precisa focar na agricultura.
48:32Senão, nós não vamos atacar a questão da segurança alimentar.
48:36É crucial.
48:37A gente tem um minuto e meio.
48:39Então, a última pergunta, se puder ser breve,
48:41e a resposta também será, porque a gente tem que terminar.
48:47Queria voltar a um ponto que a Ludmilla colocou,
48:50que é essa questão de não considerarem ou não considerarmos
48:55reserva legal e APP em questão de emissão de crédito de carbono.
49:01O Brasil, tendo uma legislação ambiental tão restritiva,
49:06hoje, percentualmente, um pedaço importante da propriedade
49:11é preservada, e isso é uma peculiaridade do Brasil.
49:14Em outros países, isso não acontece.
49:17E a gente não consegue capturar isso numa emissão.
49:22Então, acho que a pergunta é,
49:25o que tem sido feito do ponto de vista
49:28de tanto mercadológico quanto de governo
49:32para mudar essa posição?
49:36Lembrando que acho que esse é o interesse do Brasil.
49:39Se o Brasil não fizer nada, outros países não vão fazer,
49:42porque quem está preservando sem monetizar é o Brasil.
49:45Então, a pergunta é, o que nós estamos fazendo como país nesse sentido?
49:50Quando eu falei sobre a questão da não contabilização,
49:54eu estava falando da não contabilização no balanço de carbono,
49:57não necessariamente ligado ao mercado de créditos de carbono.
50:01É que quando uma fazenda está fazendo ali os cálculos do balanço,
50:05ou seja, daquilo que é emitido negativamente e positivamente,
50:09a Reserva Legal e a IPP não entram,
50:12por causa dessa mentalidade de não entrar na contabilização
50:16de crédito de carbono para o mercado,
50:18porque a gente não está, entre aspas, fazendo mais que obrigação.
50:24E aí tem também a questão do plantio direto.
50:27Pelo plantio direto ser uma coisa que ganhou escala,
50:30não nasceu no Brasil, mas ganhou escala no Brasil,
50:32também não é levado em consideração.
50:35O que a gente quer fazer no desenvolvimento do modelo
50:39tropical de agricultura regenerativa que a gente está desenvolvendo,
50:43encabeçado pela FDC?
50:45A gente quer considerar todas essas questões,
50:49porque Reserva Legal e IPP a gente considera como manejo,
50:52a gente considera plantio direto.
50:54A gente quer mostrar no índice que isso precisa ser contabilizado no nosso índice.
50:59É a nossa contribuição para que a mentalidade política
51:04por trás do mercado de crédito de carbono,
51:07da regulamentação disso no Brasil, mude um pouco,
51:11porque a gente precisa considerar mesmo.
51:13É complicado, porque a regulamentação internacional
51:17não leva em consideração aquilo que é feito por obrigação legal,
51:20mas é um primeiro passo, pelo menos do nosso lado.
51:24Então, comparativamente para o caso,
51:26quem quer uma legislação menos respectiva monetiza tudo.
51:32Sim, e aí a gente precisa levar em consideração não só...
51:35Existe uma frente de pesquisa que chama Not Just Carbon,
51:40que é também o benefício para além do carbono da floresta em pé.
51:48Só uma curiosidade para fechar.
51:50Quando a gente avalia relação entre clima e floresta em pé,
51:54não existe uma relação mais forte do que a gente tem na Amazônia
51:58em qualquer outro lugar do mundo,
52:00mesmo considerando florestas tropicais como o Congo e o Sudeste Asiático.
52:04Então, a gente tem uma superioridade nesse sentido de estabilidade climática.
52:09Ludmilla, Nathalie, Gilberto, muito obrigada.
52:13Michael, foi um prazer essa parceria com você.
52:16Quero agradecer em especial, óbvio, a presença de todos vocês aqui
52:20nesse painel do Tarde de Brasil, licenciado exclusivo do CNBC,
52:24maior canal de negócios do mundo, que agora está no Brasil,
52:28nesse super evento do Financial Times Brasil Summit.
52:31É um prazer enorme, um prazer mesmo.
52:33Muito bom ouvir essas visões complementares e conectadas de vocês.
52:37Obrigada, Michael.
52:38Obrigado. Obrigado a vocês.
52:40Obrigado pela condução, Cristiana.
52:42Obrigada.
52:43Obrigado.
52:46Legendas pela comunidade Amara.org
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