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Fernando Valente Pimentel, diretor superintendente da Abit, analisou os impactos econômicos da trégua tarifária entre EUA e China. O setor têxtil brasileiro vê riscos de aumento das importações da China e oportunidades pontuais de exportar para os EUA. Com US$ 113 bilhões em jogo, o equilíbrio global segue incerto.

Acompanhe a cobertura em tempo real da guerra tarifária, com exclusividade CNBC: https://tinyurl.com/guerra-tarifaria-trump

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Transcrição
00:00Do acordo de 90 dias para redução das tarifas entre Estados Unidos e China,
00:05a ABIT, a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção,
00:09vê possibilidades de crescimento para o setor,
00:12tanto para vender para os Estados Unidos, como para importar da China.
00:17Sobre isso, eu converso com o Fernando Valente Pimentel,
00:20que é diretor e superintendente da ABIT.
00:23Fernando, boa noite para você, obrigado pela sua participação aqui com a gente.
00:27Eu queria dar um passo atrás para primeiro entender o momento anterior.
00:31A gente está em um acordo agora, mas vamos começar do tarifaço.
00:35O tarifaço, ele abriu alguma perspectiva de oportunidades para o setor têxtil brasileiro?
00:42Boa noite, Fábio. Boa noite a todos que nos acompanham.
00:46Olha, quando houve o tarifaço e os Estados Unidos impôs 145% de imposto de importação sobre a China,
00:53sem dúvida nenhuma, que abriu-se um espaço para o Brasil melhorar as suas exportações de textos e confeccionados para aquele país.
01:02E nós sentimos isso no aumento das consultas das empresas norte-americanas junto às empresas brasileiras.
01:09Isso não há dúvida.
01:10Por outro lado, aquele tarifaço praticamente inviabilizava as vendas da China para os Estados Unidos.
01:18Para você ter a dimensão, os Estados Unidos importou em 2024 113 bilhões de dólares da China de produtos textos e confeccionados.
01:28E a China remeteu desses 113 bilhões de dólares 28 bilhões de dólares.
01:33Ora, com 145%, pouca coisa desses 28 bilhões de dólares iria sobrar.
01:40E a China, obviamente, iria procurar mercados para colocar essa produção.
01:44O Brasil seria um dos alvos, sem dúvida nenhuma, porque nós já temos uma importação grande da China nessa área.
01:51Outros países também que o Brasil exporta tradicionalmente seriam objetos dessa tentativa chinesa
01:57de manter as suas exportações e manter a sua produção dentro do território chinês.
02:03Então, essa operação lá de trás, ela mudou com essa alteração à vida no fim de semana recente
02:10de um acordo, pelo menos temporário, entre Estados Unidos e China.
02:15Portanto, o status quo anterior, algum espaço para melhorarmos as nossas vendas nos Estados Unidos
02:21e um enorme risco de desvio de comércio de produtos chineses para o mercado brasileiro
02:27para compensar as perdas das vendas para o mercado norte-americano.
02:31Este era o quadro que nós vivíamos até então.
02:34Qual poderia ser o impacto para o setor têxtil brasileiro de uma entrada maior de têxteis chineses aqui?
02:42Ora, quebra de empresas do país, redução do nível de emprego industrial, menos investimentos,
02:49porque nós não estamos ou não disputamos o mercado com as empresas só chinesas.
02:54Nós disputamos com o Estado, que dá muito suporte para a produção e para as vendas internacionais.
02:59Então, nós temos aí hoje 6,6 bilhões de dólares de importação de produtos do mundo no nosso setor
03:08e a China representa em torno de 60%.
03:11O Brasil tem a quinta maior indústria têxtil do planeta, a maior cadeia produtiva integrada do Ocidente,
03:161,3 bilhão de empregos são gerados diretamente e o faturamento de industrial da ordem de 220 bilhões de reais por ano.
03:25Isso tudo seria colocado em xeque por conta de algo que não tinha a ver com incompetência
03:32ou algo relativo à incapacidade brasileira de produzir, gerar produtos e serviços adequados.
03:38Seria fruto de um desvio de comércio, produto de uma guerra comercial entre as duas maiores economias do planeta.
03:45Isso ainda não está resolvido com esse acordo parcial, mas sem dúvida nenhuma, a redução das tarifas para algo como 34%,
03:54como está ainda, pelo menos informado em termos gerais, abre um espaço para que os chineses voltem a vender para os Estados Unidos.
04:04Consequentemente, menos risco de desvio de comércio de forma maciça.
04:09Por outro lado, diminui o espaço que nós teríamos para expandir as vendas do mercado norte-americano.
04:15Na verdade, nós não temos ainda um quadro bem definido, muita água vai passar debaixo dessa ponte,
04:20até que nós encontremos um novo equilíbrio, um equilíbrio totalmente diferente do que vigorou até então,
04:26porque nós estamos vivendo uma era de muito mais mercantilistas, negociações de país com país,
04:32essas negociações capitaneadas e lideradas pelos Estados Unidos.
04:35Chegou a haver, ainda que de forma tímida, um aumento na entrada de testes chineses aqui no Brasil, nesse intervalo de tempo?
04:45Não deu para perceber isso claramente, porque são fatos recentes.
04:50E mesmo que nós sentimos redução, queda de preços, porque na impossibilidade de embarcar para os Estados Unidos,
05:00começaram a querer buscar outros mercados.
05:02Nós vamos saber isso mais agora na estatística do mês de maio, porque tem o transit time também.
05:09Tem navios que já estavam no mar.
05:11O que nós temos acompanhado é o volume de frete dos Estados Unidos, China e Estados Unidos, que caiu bastante,
05:17os navios navegando com muito menos containers, com capacidade ociosa,
05:21e ao mesmo tempo, preços em queda e os chineses forçando venda para o mundo afora, inclusive para o Brasil.
05:27Agora, em abril em particular, não houve nenhum movimento nesse sentido, mas neste ano, apesar de nós estarmos com o crescimento da produção até agora,
05:36o crescimento das importações está ao dobro do crescimento da produção brasileira,
05:41mostrando que a pressão antes mesmo desse tarifácio gerar esse distúrbio, ela já continuava,
05:48porque a China, ela produz mais do que consome e quer manter o seu nível de atividade econômica a plena carga,
05:56buscando mercados onde quer que seja e atendendo com o preço que tiver que atender.
06:00Agora, eu te faço a mesma pergunta para o lado bom dessa história.
06:04Você comentou que houve consultas dos americanos a fornecedores brasileiros.
06:08Nesse período de tempo, essas consultas chegaram, em alguma medida, a se traduzir em compras, em novas compras?
06:16Traduziram-se em alguns casos em novos negócios, mas, de novo, o cenário é de muita incerteza, de muita imprevisibilidade,
06:23e isso joga contra uma programação.
06:26Quer dizer, negócios, aumento de consultas não significa que você vai ter uma programação de longo prazo.
06:31Você tem negócios pontuais, o que é positivo mostra o interesse e a capacidade do Brasil de atender parte das necessidades norte-americanas.
06:40Por outro lado, com essa instabilidade que nós temos, vai e vem, faz acordo, suspende por 90 dias,
06:47ninguém se planeja adequadamente.
06:49Então, o horizonte futuro ainda é muito turvo.
06:52O que nós temos é que estar acompanhando esses movimentos internacionais, as negociações que estão ocorrendo.
06:58O novo normal nos Estados Unidos é uma tarifa de importação mínima de 10%,
07:03foco muito grande em segurança energética, em alta tecnologia,
07:08negociações com países que têm déficit, têm superávit com o Brasil.
07:11Então, nós não estamos no front line das negociações atuais, chegará a nossa hora,
07:17mas nós temos que ocupar os espaços que forem abertos diante dessas turbulências,
07:22sabedores, porém, de que o terreno, ou melhor, o horizonte futuro,
07:28ele não está tão bem delineado assim e o mar que nós navegaremos não está claro
07:33se ele vai ser um mar mais calmo ou se vai ser um mar ainda mais turbulento.
07:37O fato é que viveremos uma nova etapa, não temos ainda um novo ponto de equilíbrio
07:42e a resposta rápida, a capacidade de atender pedidos mais emergenciais,
07:47tudo isso poderá abrir oportunidades para nós,
07:50mesmo sabendo que o tamanho que a China ocupa naquele mercado
07:54é infinitamente maior do que o tamanho que nós ocupamos no mercado norte-americano.
07:59Diante desse cenário de incerteza, como é que fica o setor têxtil hoje no Brasil?
08:04Até pensando em investimentos, por exemplo. Para tudo? Tudo espera?
08:07Não, porque a indústria, se você não investir, você fica obsoleto.
08:12Se ficar obsoleto, vai perder mercado, não vai ter qualidade, não vai ter preço.
08:16Então, você vai ter que investir.
08:18Agora, o horizonte de investimentos fica mais encurtado
08:20e eu tenho uma coisa que é preciso falar,
08:23que não tem nada a ver com o China nem com os Estados Unidos.
08:25A nossa taxa real de juros aqui é quase que inviabilizadora
08:29de investimentos maciços na área industrial.
08:32Não há payback suficiente pagando os juros que a gente tem que pagar.
08:36Mas, independentemente desse quadro que é nosso,
08:41aliás, o Brasil tem que fazer o seu dever de casa,
08:43tem as questões internacionais, as turbulências internacionais,
08:47mas nós temos aquilo que nós temos mais controle e que nós temos que fazer.
08:50Melhorar a segurança jurídica, reduzir o custo da infraestrutura,
08:54ter taxas de juros mais compatíveis com o retorno dos negócios,
08:59ter um equilíbrio fiscal que nos dê uma visibilidade melhor para o futuro
09:03e temos até a própria taxa de juros.
09:05Essa é a nossa agenda que depende só de nós.
09:08Mas, claro, que os investimentos que são feitos pensando no mercado mundial,
09:13eles estão em hold, eles estão em compasso de espera,
09:16até que encontremos aí um cenário um pouco mais claro
09:20e eu não acredito que esse cenário vai ficar claro no curto prazo.
09:24Tem que estar simplesmente iniciando um processo,
09:27negociações como já houve com o Reino Unido,
09:30como começou com a China, como se fala com o Japão, Índia.
09:35E o Brasil, nesse aspecto, ele não está, aparentemente,
09:38na linha de frente das negociações que os Estados Unidos entabulará.
09:42Até porque os Estados Unidos têm superávit, como eu falei anteriormente,
09:46não só no geral com o país, com o Brasil,
09:49como também têm superávit com a indústria texto de confecção.
09:52Mas nós temos interesse, por exemplo, em avançar em discussões
09:55de um acordo bilateral setorial que nos leve a uma relação
09:58de desgravação de impostos, porque entendemos que é uma competição
10:02adequada, é uma competição do mesmo nível,
10:04e o Brasil poderia, sem dúvida nenhuma, expandir os seus negócios
10:07no mercado norte-americano, assim como nós pretendemos expandir
10:10no momento em que o acordo União Europeia e Mercosul
10:14for posto em movimento, o que esperamos que venha a acontecer
10:17agora no ano de 2026, porém, isso ainda não está garantido
10:23a despeito das negociações terem sido concluídas,
10:27mas ainda está em fases de análise de documentos, traduções, etc.
10:31Nosso objetivo, sem dúvida, é concluir e botar em movimento
10:35Mercosul na União Europeia e abrir espaço para negociações bilaterais
10:39com os Estados Unidos no âmbito da indústria de confecção, pelo menos.
10:43Fernando Valente Pimentel, diretor-superintendente da Abit,
10:46e muito obrigado pela sua entrevista aqui, uma boa noite.
10:49Muito obrigado, o prazer foi meu e até uma próxima ocasião.
10:52Até, obrigado.
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