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O estrategista da Warren Investimentos, Celson Plácido, analisou o desempenho da economia dos EUA no início do novo mandato de Trump. Os dados do PIB decepcionaram, com déficit comercial em alta, queda no consumo e aumento das incertezas sobre inflação e emprego.

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Transcrição
00:00A gente vai agora analisar os primeiros resultados da economia americana no governo de Donald Trump neste segundo mandato.
00:07Para isso, vamos entrevistar o Celso Plácido, estrategista da Warren Investimentos.
00:13E o Vinícius Torres Freire também participa dessa entrevista.
00:16Celso, boa tarde para você. Muito obrigado aqui pela gentileza da sua participação com a gente ao vivo no Radar.
00:23Bom, a gente conversava há pouco aqui com o Vinícius Torres Freire,
00:26falando desse enorme asterisco que tem que ser colocado sobre o resultado do PIB nesse primeiro trimestre de 2025.
00:34Na sua opinião, dá para a gente tentar deixar um pouco de lado o dado de importações para olhar para a economia americana
00:41e ver que tem sinais ali de saúde ainda?
00:45Primeiramente, boa tarde. Obrigado aí pelo convite.
00:48Mas olhando a economia americana, é um dado que está muito poluído, eu diria.
00:54O próprio Vinícius levantou isso, falou um pouco sobre isso antes.
00:57Ele está muito poluído.
00:58Isso porque você tem também, além, sem falar sobre déficit comercial,
01:03eu diria que esse déficit comercial é um dos maiores, principalmente olhando o mês de março.
01:10E quando a gente analisa as expectativas do mercado, eles não olhavam esse déficit tão elevado
01:15por conta dos aumentos das tarifas, sim.
01:18Então, a gente está falando déficit comercial num patamar mais alto historicamente para esse mês.
01:21Além disso, um aumento no investimento, houve de equipamento, processamento de informação
01:28e normalização nos gastos com defesa.
01:30A gente tem que lembrar que, até final do ano passado, por isso que o Trump falou,
01:34que essa queda, porque anteriormente você tinha...
01:38A culpa era do Biden e tudo mais.
01:40Você teve uma redução nos gastos de defesa também.
01:43E isso também prejudicou em relação ao PIB.
01:46E esses dois últimos trimestres do ano passado, eles foram muito fortes.
01:50E ainda vale mencionar o efeito sazonal e calendário, pois houve eleições nos Estados Unidos.
01:56E por mais que a gente possa...
01:57Ah, não dá para desmembrar ou falar sobre isso,
02:00mas tem sim um efeito de investimento maior por conta dessas campanhas
02:04e pegou justamente o último trimestre de 2024.
02:08Mas eu diria, projetar inflação hoje, olhando os Estados Unidos,
02:13e projetar crescimento está muito difícil por conta das incertezas.
02:19Eu gosto sempre de usar aqui economia, expectativa e a confiança.
02:23Confiança é deteriorada por parte dos consumidores e deteriorada por parte também do empresário.
02:28Como é que ele vai investir?
02:30Ele antecipou a importação por conta das tarifas?
02:33O que ele vai acontecer com o preço do produto dele?
02:36Então tem muito mais perguntas do que respostas que a gente tem.
02:40Essa é a grande verdade.
02:41Inícius?
02:43Celso, a gente está vendo, além do PIB, a gente está vendo evidências anedóticas das empresas.
02:49Na temporada de balanço, tem empresa que diz
02:52eu não vou nem fazer perspectiva para o ano porque não dá, não tem como fazer,
02:57ou então eu tinha, joguei fora.
02:59E outras empresas dizendo assim, as perspectivas são ruins.
03:02Mesmo que as tarifas voltem, por enquanto a gente tem uma incerteza de meses ainda pela frente,
03:07isso vai reduzir o investimento e a gente vai ter perda de receita.
03:11Por aí, dá para dizer que esse é o padrão?
03:13A gente vai dizer que os Estados Unidos vão entrar em recessão, mas desaquecimento vai ter.
03:19Isso, desaquecimento vai ter.
03:21Eu não acredito em recessão.
03:24Estados Unidos é economia muito dinâmica, muito rápida.
03:27E acho também, o Trump, não adianta ele falar,
03:30ah, está muito bem, esses 100 dias são ótimos, tudo isso.
03:34Popularidade dele em queda, porque não adianta.
03:38Não só o norte-americano tem boa parte dos investimentos dele em renda variável,
03:43que vem sofrendo aí no ano, mas também porque gera um efeito em consumo.
03:48Menor renda disponível, inflação ainda, por mais que houve um arrefecimento ainda alto.
03:53Então, assim, qual é a previsão que eu tenho para investir, para comprar um produto, tudo isso.
03:58Então, acredito que ele tem que resolver isso, sentar na mesa e negociar as tarifas o mais rapidamente possível.
04:03Principalmente, a gente está falando de China, né?
04:05Ele colocou um prazo de 90 dias para outros países, mas continuou pressionando a China.
04:11Ele precisa resolver isso mais rapidamente.
04:13Senão, a gente vai ter, sim, um ano afetado, popularidade dele em queda,
04:17e gera um efeito muito negativo para crescimento econômico, obviamente, a gente está falando,
04:22e também um efeito de inflação.
04:23Não diria que é um ano perdido, mas diria que provavelmente um semestre perdido.
04:27Celso, queria pegar um ponto aí do que você falou, né?
04:30Você não acredita na possibilidade de recessão.
04:33Tecnicamente, a gente já está com um trimestre negativo, né?
04:36Com todos os asteriscos que a gente coloca na análise aí, já é um trimestre negativo.
04:40Se vier mais um, o país estaria em recessão.
04:43A gente tem acompanhado, ao longo dessa temporada de balanços,
04:46casos de algumas empresas já com problemas nos negócios, né?
04:49Isso está acontecendo com o Boeing, isso está acontecendo com o Amazon, por exemplo,
04:52revendo o preço para cima, a UPS anunciando 20 mil demissões,
04:57NVIDIA com dificuldade de vender um determinado chip para a China.
05:01Quer dizer, isso está se espalhando por diferentes setores da economia.
05:05Qual o grau de segurança que...
05:08É uma pergunta cruel falar em grau de segurança nesses tempos.
05:11Mas qual o grau de segurança que dá para ter ao se estabelecer...
05:17Não, acho que não vai ter recessão.
05:19Não, acho sim que vai ter recessão.
05:20Quer dizer, para os dois lados, né?
05:22Qual a segurança que é possível até hoje para fazer tal projeção?
05:28Tá, segurança não tem.
05:30Mas eu diria que o que a gente tem, se for falar sobre probabilidade,
05:35eu diria 65% de probabilidade de não ter recessão e 35% de ter,
05:41se for jogar assim em relação à probabilidade de ter uma recessão.
05:44Mas precisa agir rápido, né?
05:45Aquilo que eu falei um pouco é...
05:47A economia dos Estados Unidos tem uma...
05:52Eu diria, uma agilidade muito grande.
05:54A gente viu isso na pandemia.
05:55Eu gosto muito de falar, né?
05:56O Warren Buffett sempre falou isso, né?
05:57Não aposte contra os Estados Unidos.
05:59É muito dinâmico a economia.
06:01Então, ainda acredito nesse dinamismo.
06:02Ela é muito rápida também na hora de cortar custos, cortar mão de obra.
06:06Essa é a primeira coisa que as empresas fazem.
06:08Mas também muito rápida na contratação.
06:10Por quê?
06:10Porque não tem os encargos como a gente tem no Brasil.
06:12De demissão, tudo isso.
06:14Lá é muito mais rápido e dinâmico.
06:16Então, eu diria, é muito difícil prever, mas eu não acredito numa recessão.
06:19Porque se a gente tirar o que a gente chama desses eventos não recorrentes,
06:23desse trimestre teria sido zero a zero ou positivo.
06:26Então, quando a gente não acredita que essas tarifas, antecipação,
06:29compras que ocorreu de importação, elas persistam,
06:32a gente acredita que o próximo trimestre pode ser zero ou levemente positivo.
06:36Então, eu acho que esse dinamismo é muito importante na economia norte-americana.
06:39E não apostar contra eles, que sempre conseguiram entregar rapidamente os resultados.
06:44Vinícius?
06:45Celso, a gente viu a primeira preliminar de contratações do mercado americano, do ADP,
06:50só 62 mil empregos, um nível muito baixo.
06:52E as empresas já estavam falando.
06:54Olha, a gente não está pensando em demitir, mas a gente vai deixar a vaga aberta.
06:57E tem algumas cortando o curso já, que vão ser diretamente impactadas.
07:00Agora, até pela métrica do Trump, essas conversas preliminares de negociações vão até junho, julho.
07:08Isso se você tiver um acordo, é improvável que tenha acordo,
07:11é possível que tenha diretrizes para um acordo comercial.
07:14Então, é possível que a gente fique com um trimestre de empresas segurando contratação
07:19e a gente tenha um trimestre de primeiros impactos de preços que não vai ter como segurar.
07:23Para o povo, para as pessoas comuns, se a gente pensar em PIB, médio ou curto prazo, ou longo prazo,
07:30a gente vai ter uma taxa de sofrimento maior aí.
07:33A gente vai ter menos emprego, a gente vai ter mais inflação.
07:35Essa é a perspectiva, até para pensar em termos políticos.
07:38No segundo trimestre?
07:41Sim.
07:41Eu diria que esse primeiro semestre tende a ser um trimestre, entre aspas, jogado fora.
07:46O Trump falou muito sobre isso, né?
07:48Falando-se, ah, precisa sofrer um pouco e tudo mais.
07:52Mas acredito que seja um primeiro semestre em relação a isso.
07:54Ele não pode jogar isso para o segundo semestre.
07:56Senão, gera um problema grande de popularidade, consumo e norte-americano, isso pesa bastante.
08:03Aí, com esse resultado pior, é possível que já está caindo a popularidade do Trump
08:08por expectativa de coisa ruim.
08:10Com o resultado de emprego e inflação pior, é possível que a popularidade dele caia mais.
08:16E aí, você acredita que possa ter alguma virada maior?
08:18Porque ele já virou, com dados de realidade, pressão de empresário, ele já deu uma amaciada.
08:22Você acha que isso pode ter influência na política ou eles têm cabeça dura, para
08:27usar uma palavra amena?
08:28Eu acho que ele já fica criando agora essa narrativa, né?
08:35Culpando o Banco Central Fed, o Banco Central norte-americano.
08:39A gente vê isso aqui no Brasil, né?
08:41A culpa é do Banco Central, a culpa é da inflação do Banco Central, a culpa é de
08:44não ter um crescimento maior do Banco Central.
08:45A mesma coisa o Trump está falando por lá.
08:47E ontem, no discurso, ele fez o mesmo.
08:49Ah, eu não posso criticar.
08:50Mas já criticou.
08:51Então, é sempre encontrar um bode expiatório para falar, a culpa é do Banco Central.
08:55A mesma coisa ele está fazendo lá.
08:57Mas não tem como.
08:58Ele vai ter que se dobrar em relação a isso.
09:00Se a estratégia dele não der resultado, que é, eu vou lá para a tarifa, a China vai
09:05sentar e conversar comigo, a gente vai conseguir chegar ao meio do caminho.
09:09Não está sendo isso que está ocorrendo.
09:11Por mais que ele fale, não, a China já procurou outros países e tudo mais.
09:15O que, de fato, o que de concreto ocorreu?
09:18Então, essa é a grande pergunta.
09:19E não adianta, né?
09:20Contra fatos e dados, que aí é a desaceleração econômica, isso mesmo que você citou, a parte
09:26de empregos hoje é um número muito menor, menos na metade do esperado.
09:30Então, assim, os dados estão piores.
09:33Se ele não resolver isso rapidamente, popularidade, ele precisa se ajustar e precisa vir com medidas
09:38concretas para que estimule novamente a economia norte-americana.
09:41Ô Celso, falando agora num ponto que afeta diretamente o Brasil, com todos esses dados
09:46disponíveis, qual a sua expectativa para a decisão, para os rumos aí do FED, o Banco
09:51Central Americano, em relação aos juros?
09:55Nos Estados Unidos, a gente tem na semana que vem, aqui no Brasil também, tem o Copom,
09:59e por lá também a decisão do FED, nenhuma redução da taxa de juros, o prazo é curto,
10:05essa análise em relação a esses dados, não acredito em nenhuma redução.
10:07Para o ano, sim, você começa a reduzir, aí eu diria, no segundo trimestre, a gente
10:12está falando do final do segundo trimestre para terceiro trimestre desse ano, redução
10:17da taxa de juros do FED, mas vai ser uma análise de dados mensais, o tempo inteiro, gastos
10:23de consumo, inflação ao consumidor e, por outro lado, desaceleração da economia.
10:28Então, isso vai acontecer.
10:30Por aqui, o que a gente está vendo, uma inflação provavelmente olhando para frente
10:33menor, principalmente por conta da parte de energia, por conta de petróleo também,
10:37uma inflação que pode ajudar o Brasil, um dólar mais baixo também, a gente viu
10:42o dólar acima de 6, agora o dólar está na casa de 5,60, isso auxilia também uma inflação
10:46mais para frente menor, a gente está com uma inflação de 5,5%, olhando os últimos
10:4912 meses, mas para frente pode ser uma inflação menor, isso auxilia, a gente não
10:53acredita numa taxa hoje de juros acima de 15%, por parte daqui do Copom, o Comitê de
10:58Política Monetária, mas a taxa deve ficar entre 14,5% e 14,75%, eu diria a taxa de juros
11:02terminal para a nossa taxa de juros.
11:05Vejo ainda um fluxo entrando para o Brasil, muito porque a gente é, eu diria, o emergente
11:11menos pior na situação e ficou muito para trás e temos juros muito elevados.
11:15O Chile com juros de 5%, ainda é baixo em comparação ao Brasil, então isso atrai
11:20capital estrangeiro, pode ser, não é o melhor capital que a gente tem, mas olhando o emergente
11:25a gente está numa situação menos pior em relação a isso, apesar, óbvio, a gente
11:28precisa resolver o fiscal, que permanece, tem uma baluna contratada para 2027 e por
11:33aí vai, mas eu diria que no prazo bolsa deve continuar andando e um dólar num patamar
11:37um pouco mais baixo aqui para o Brasil.
11:40Celso Plácido, estrategista da Warren Investimentos, obrigado Celso pela sua participação ao vivo
11:45aqui no Radar, bom feriado para você, obrigado ao Vinícius também pela entrevista.
11:49Valeu Celso.
11:52Obrigado pelo convite.
11:53Obrigado.
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