Marcela Kawauti, economista-chefe da Lifetime Gestora, explicou como o tarifaço de Trump impactou a economia dos EUA e contribuiu para a desvalorização do dólar nas negociações internacionais.
Acompanhe a cobertura em tempo real da guerra tarifária, com exclusividade CNBC: https://tinyurl.com/guerra-tarifaria-trump
🚨Inscreva-se no canal e ative o sininho para receber todo o nosso conteúdo!
Siga o Times Brasil nas redes sociais: @otimesbrasil
📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:
🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais
🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562
🔷 ONLINE: https://timesbrasil.com.br | YouTube
🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, TCL Channels, Pluto TV, Soul TV, Zapping | Novos Streamings
00:00E o tarifaço, gente, continua fazendo barulho pelo mundo e também, então, impactando negativamente essas tarifas, a economia dos Estados Unidos e também o dólar.
00:10A moeda está se desvalorizando, perdendo espaço em negociações comerciais.
00:15Vamos entender melhor por que isso está acontecendo com a Marcela Kawauchi, que é a economista-chefe da Lifetime Gestura de Recursos.
00:22Seja muito bem-vinda, Marcela. Bom dia pra você.
00:25Bom, vamos lembrar que há alguns meses, antes mesmo do Trump assumir, ele estava ameaçando os países que compõem o BRICS, falando, olha, se vocês não usarem o dólar como moeda, a gente vai taxar os países que compõem o bloco em mais de 100%.
00:41É um receio que ele tem desde sempre agora, que ele já assumiu e tem 100 dias no cargo.
00:46Fica claro que as mudanças que ele está promovendo na economia estão desvalorizando a moeda dele.
00:51O dólar tem perdido força, principalmente por conta das incertezas relacionadas à economia americana.
00:59Ninguém sabe qual vai ser a extensão dessa ruptura no mercado internacional, qual vai ser a extensão das alíquotas, como que vai ser a negociação, que outros tipos de barreira o Donald Trump vai colocar sobre a importação de produtos.
01:13Isso faz com que o mundo inteiro olhe para os Estados Unidos, que sempre foi o porto seguro dos investimentos, e fique ali receoso.
01:22Será que eu vou investir numa empresa lá nos Estados Unidos?
01:25Eu não sei se essa empresa vai continuar com a cadeia produtiva mundial que ela tinha até o final de 2024.
01:33Como é que o consumidor americano vai se portar em relação a esse forte aumento de tarifas, que também gera inflação.
01:39Enfim, todas essas incertezas fazem com que o mundo diminua a demanda por dólar.
01:46O dólar ainda é a moeda principal das transações internacionais.
01:51Ele não perde o protagonismo de uma hora para outra, mas certamente ele está mais fraco em relação ao que a gente via lá em 2024.
02:00Tem uma questão importante, que o dólar está mais fraco, principalmente em relação a moedas de países avançados.
02:09Principalmente aqui eu estou falando de zona do euro e do Japão.
02:13Porque esses outros países acabam aí se tornando polos, né?
02:19Se tornando aí, atraindo os investimentos do mundo que saem dos Estados Unidos e pensam,
02:27bom, para que outro país que eu posso ir?
02:29E aí eu quero destacar a questão da Europa, porque ontem a gente teve o PIB dos Estados Unidos,
02:34que veio mais fraco do que o esperado.
02:37Mas, por outro lado, o PIB da zona do euro veio um pouquinho mais forte do que estava sendo esperado.
02:42A Europa tem ali queda nas taxas de juros, porque a inflação está mais controlada,
02:47o que acaba impulsionando a economia.
02:49E também tem um pacote ali que foi anunciado pelo governo alemão,
02:52que também dá impulso para aquela região.
02:54Tudo isso faz com que o dólar perca força frente ao mundo todo.
02:59Isso acaba também explicando o que a gente viu agora há pouco,
03:02que é essa alta de juros nos títulos americanos.
03:05Os Estados Unidos, inclusive, estão tendo que pagar mais
03:08para os investidores colocarem dinheiro nos títulos do governo federal.
03:13E aí, Marcela, você estava falando sobre a desvalorização do dólar,
03:17principalmente em relação ao euro, em relação a moedas asiáticas.
03:20O dólar se desvalorizou cerca de 5,5% em relação ao euro e 5% também em relação ao iene japonês, por exemplo.
03:28Vou passar a palavra para a Mari, a nossa comentarista.
03:31Marcela, obrigada por estar aqui com a gente hoje também.
03:34Pegando essa questão da desvalorização e tentando fazer uma ponte dela com o grande eixo aí de batalha,
03:41talvez pelo menos explícita, do presidente Donald Trump,
03:43que é a tal da inversão da balança comercial.
03:45Ele parece que foca muito no olhar sobre a saúde de uma economia em relação ao déficit ou não dessa balança com o exterior.
03:54A desvalorização tende a favorecer as exportações americanas e deixar mais caras importações.
04:00Você acha que nesse sentido a desvalorização do dólar pode ser incluída na visão aí no modelo de Trump
04:06como fator positivo, exatamente por ser essa ferramenta aí de inversão desse saldo negativo da balança?
04:12Ele pode ajudar nessa questão da balança comercial, pode sim impulsionar as exportações que acabam ficando mais favoráveis,
04:25mas tem uma questão importante.
04:27Boa parte da balança comercial americana não é só por conta da taxa de câmbio.
04:34Desculpe.
04:35Tem a ver também com o tipo de produto que é feito nos Estados Unidos e no resto do mundo.
04:40Por exemplo, quando uma empresa de celulares decide fazer parte da sua produção na China,
04:46parte sim é por causa do câmbio, mas muito é também por conta de valor da mão de obra,
04:53que acaba sendo mais barata, mão de obra mais especializada.
04:57A gente sabe que a China desenvolveu um sistema educacional também ali focado para essas fábricas,
05:03logística.
05:04Tudo isso entra também nessa conta.
05:07E esse tipo de coisa não muda, o preço relativo dessas coisas não mudou por conta dessa nova política externa americana.
05:17E vale destacar que enquanto o dólar tem a sua mudança rápida, e é uma mudança, é algo muito volátil,
05:24isso pode se reverter, mudar uma planta produtiva da China, do Vietnã, por exemplo, para os Estados Unidos,
05:33é um trabalho muito grande, não é algo trivial.
05:37Então, a balança comercial é sim impactada, mas isso não resolve o déficit americano no setor externo.
05:45E vale destacar também que tem aí uma visão míope da saúde de um país em relação à balança comercial.
05:54Déficits em conta corrente, déficits externos, são ruins quando eles têm uma tendência muito grande de piora,
06:01e quando isso pode gerar uma crise ali na balança de pagamentos, o que não é o caso.
06:06No caso dos Estados Unidos, existe, como você muito bem falou,
06:10uma escolha por produzir fora dos Estados Unidos por conta de eficiência.
06:14E essa eficiência não é feita por meio de barreiras tarifárias, não é assim que se resolve.
06:22Marcela, gostei muito que você trouxe exatamente essa composição mais ampla,
06:26que não é só o preço final, não é só olhar o valor da moeda e multiplicar pelo preço,
06:32mas é o que está por trás das decisões de produção mesmo na questão da balança comercial.
06:36E aí eu estava justamente no meu comentário anterior falando desse evento aí que o presidente Donald Trump fez,
06:42dizendo que teria um momento histórico aí de fortes investimentos nas indústrias.
06:46Mas são investimentos em indústrias selecionadas, são investimentos das grandes que conseguem ter esse espaço de negociação.
06:54Tem uma certa alteração da economia da alocação mais descentralizada para a alocação mediada e negociada por meio da política.
07:02Você já comentou um pouquinho, mas queria que você falasse mais sobre os efeitos mesmo de você fazer essa virada
07:08em relação tanto à eficiência, mas também sobre a capacidade distributiva.
Seja a primeira pessoa a comentar