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  • há 3 meses
Harmonia funcional. O vídeo esclarece alguns pontos importantes referentes às estéticas da harmonia tradicional e da harmonia popular. Muitas pessoas acreditam que se trata de "diferentes" tipos de harmonia. Do ponto de vista "estético" de fato, são diferentes. Porém, do ponto de vista "funcional" e "tonal", em nada diferem. O que, em poucas palavras, quer dizer que a harmonia funcional aplica-se tanto ao gênero erudito (tradicional) quanto ao popular. A confusão "generalizada" em torno do assunto origina-se no "desconhecimento" que, de fato, o tonalismo apoia-se, esteticamente, em duas escolas: a escola de harmonia européia e a escola de harmonia norte-americana. Esta última, nada mais é, do que a "fusão" dos conceitos harmonicos européus, com a cultura musical afro-americana, principalmente o "Blues". Devido, justamente, à influência africana, essas escolas diferem "esteticamente" mas não "funcionalmente". Na aula aborda-se (e exemplifica-se na prática) essa questão toda.


      

Categoria

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Música
Transcrição
00:00Olá, bem-vindo ao curso de Harmonia Funcional.
00:20Eu pressuponho que se você está fazendo esse curso comigo aqui agora,
00:23ou você me acompanha desde os dois cursos anteriores, Técnicas Fundamentais de Harmonia e Modos Gregos Fundamentos Aplicados,
00:34ou então você já tinha o conhecimento da matéria que eu propus nesses cursos e resolveu começar diretamente por esse aqui.
00:42Sejam todos bem-vindos.
00:44Eu falei desses cursos e dessa matéria, gente, porque é matéria indispensável para compreender o que a gente vai fazer nesse curso aqui.
00:55Por isso que os cursos foram colocados nessa ordem, por isso que eles foram lançados dessa maneira,
01:02porque um complementa o outro, ou seja, isso é por um propósito didático.
01:09Quanto aos sistemas de escrita e no conceito estético,
01:17mas tem que ficar claro que a Harmonia Funcional pode ser aplicada tanto ao estilo popular quanto ao estilo erudito.
01:31A Harmonia Funcional baseia-se no tonalismo e não no conceito estético popular.
01:42Para te dar uma ideia mais prática sobre isso, eu fiz o seguinte, fiz uma brincadeira aqui.
01:47Eu peguei um alegreto do Matheus Carcassi, um estudo de violão erudito,
01:51e vou tocar ele exatamente como ele escreveu, como está escrito no livro.
01:56Fiz uma brincadeira, coloquei outros instrumentos para dar um exemplo mais prático.
01:59E depois, adaptei essa mesma peça, esse mesmo estudo, esse mesmo alegreto,
02:08já seguindo um conceito estético mais próximo do que seria uma música brasileira, vamos dizer assim.
02:14Aí você sente o que eu quero dizer com esse negócio de estética, para que fique melhor.
02:19Primeiro vamos ouvir o original.
02:29Agora vamos fazer o seguinte, eu vou pegar essa mesma composição, tá?
02:38E vou fazer um negócio que você vai ver que parece mais com música brasileira, por exemplo, com música popular.
02:45Dá uma ouvidinha aí.
02:46Agora vou fazer o seguinte, para reforçar a ideia definitivamente, você vai ouvir os dois.
03:07Os dois que eu acabei de tocar, mas um na cola do outro.
03:10Sente a diferença.
03:10É claro que para dar uma diferença estética,
03:37Quando eu adaptei a peça do Carcassi, não é uma música popular, é um alegreto, violão erudito, enfim.
03:45Eu modifiquei os acordes, eu modifiquei o ritmo e reduzi o andamento.
03:53Mas o que você vai entender neste curso é que, independentemente de uma estética ou outra,
04:00O que a gente usou aí foi o seguinte, função tônica sobre o primeiro, terceiro, quinto,
04:09Primeiro tempo do sétimo compasso e compasso oito.
04:12Função dominante e função subdominante somente no sexto compasso.
04:19Então você vai me dizer, ah, tudo bem, eu ouvi, é diferente, mas por que essa diferença?
04:38Eu vou tentar te fazer um resumo, tá?
04:40Algumas coisas não vão ficar muito claras,
04:42Porque logicamente precisaria ter o conhecimento da matéria,
04:45Mas você vai ter uma pequena ideia sobre isso.
04:49O que acontece é o seguinte, gente, na música erudita,
04:53Na música erudita, o tratamento dado a cada voz,
04:59O movimento horizontal de cada voz, tá?
05:01Quando você tem um acorde, você tem, vamos lá, no mínimo quatro vozes.
05:05Então, cada voz, cada voz, recebe um tratamento especial aí,
05:12Um tratamento horizontal especial,
05:15Isso é feito cirurgicamente, milimetricamente, tá?
05:24Através de uma série de regras que não vem ao caso agora.
05:28O tratamento individual da voz e também a relação dessa voz em relação às outras.
05:35Todas as vozes se relacionam através de, olha, muitas regras aí, tá?
05:40O que acontece, depois de escrito, depois de feito, depois de arranjado,
05:46O camarada adapta isso da maneira que foi bolado numa partitura,
05:53Para que seja executado ou por diferentes instrumentos ou num instrumento só.
05:59Aí vai depender da composição e da ideia do compositor, tá?
06:03Mas isso é feito milimetricamente, calculado, escritinho e tocado exatamente assim.
06:09Já na música popular, há inúmeros casos,
06:14Onde o compositor ou o arranjador simplesmente escreve as cifras
06:20E deixa que o músico forme aqueles acordes como bem entender.
06:27Gente, isso vai dar uma diferença estética danada.
06:31Ele não vai adivinhar como o pianista, o guitarrista ou seja lá quem for
06:36Vai harmonizar esses acordes.
06:38Nós vimos que uma mera tríade pode ser feita de inúmeras formas diferentes
06:43E que dependendo da maneira que a gente a fizer, o efeito será diferente
06:48O efeito estético será diferente
06:52Outra característica da harmonia tradicional
07:09É que toda dissonância deverá ser preparada e resolvida
07:14Em poucas palavras, gente, isso quer dizer que uma dissonância será sempre precedida por uma consoância
07:22E seguida por uma consoância
07:24Ficará consoância, dissonância e consoância
07:29Primeira consoância, preparação, dissonância, percussão
07:34Na música popular, consideram-se que as dissonâncias estão automaticamente implícitas dos acordes
07:55E não há a obrigatoriedade de prepará-las e resolvê-las
08:02Elas poderão ser incluídas ou omitidas dos acordes
08:06Dependendo da intenção do camarada
08:08Dependendo do que ele queira fazer aí
08:11Nem preciso dizer que isso se refletirá e muito na estética da música
08:18Outra característica da harmonia tradicional
08:34São os chamados uníssonos, oitavas e quintas consecutivas
08:41E também há os uníssonos, oitavas e quintas ocultas
08:47Esses elementos que a gente nem vai detalhar aqui
08:50Somente são aplicados através de quebras de regras muito específicas
08:56Muito específicas
08:58Basta dizer que na música popular
09:01Passa-se um rolo compressor em cima dessas regras aí
09:05E gente, há uma série de outros elementos
09:20Dissonâncias compostas
09:22Trítulos compostos
09:23Falsa relação de trítulos
09:25Falsa relação de oitavas
09:27Enfim
09:27Uma série de outros elementos
09:30Que pessoas que se dedicaram única e exclusivamente à harmonia popular
09:36Nem sequer fazem ideia que eles existem
09:39Isso é fato
09:41Muita gente que toca bem, que harmoniza e tal
09:43E você vai conversar e a pessoa nem faz ideia do que a gente está falando
09:47Isso é normal, isso acontece
09:49São pessoas que não tiveram interesse em enveredar pela estética da harmonia tradicional
09:56O que acontece?
09:58Você tem que entender o seguinte
10:00A harmonia tradicional
10:02Ela, logicamente, é de origem europeia
10:06E a harmonia popular a qual nos referimos
10:10Ela é de origem norte-americana
10:13Nasceu justamente da evolução dos estudos de jazz
10:18O americano é sistemático
10:20Ele tem mania de organizar tudo
10:22Os camaradas organizam tudo
10:23Então começou por aí
10:25Com os estudos de jazz
10:27Eles foram criando toda uma escola
10:30E essa escola foi se propagando pelo mundo ocidental
10:34E sendo adaptada às culturas próprias de cada país
10:38E aí nós temos a harmonia popular
10:42Então, ah, mas a harmonia popular é a harmonia de jazz?
10:45Sim
10:45Do ponto de vista didático, é
10:48Do ponto de vista musical, não
10:50Porque cada povo tem a sua cultura
10:51Mas do ponto de vista estudo, matéria
10:55Sim, sim
10:56Nós temos duas escolas hoje em dia
10:58A escola norte-americana e a escola europeia
11:03Vê bem, gente, eu tô falando de escola
11:05Didática, matéria
11:07Curso, começo, meio e fim
11:10Eu não tô falando de cultura
11:12Obviamente, o Brasil tem a sua cultura
11:15O Peru tem a sua cultura
11:17Uruguai, Argentina
11:18Enfim, qualquer país latino-americano
11:21Vou pegar a sua América Latina
11:22Tem a sua cultura
11:24Tem a sua própria música
11:26Eu tô falando aqui
11:27Única e exclusivamente
11:30De questões didáticas
11:32De questões
11:32Organização
11:35Relacionado à organização de um curso
11:37Nós temos duas escolas pra seguir aí
11:39A europeia
11:40E a norte-americana
11:42Tá?
11:44É isso aí
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