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  • há 2 horas
Transcrição
00:00de mim, né? Cabe aqui o exemplo de
00:03pessoas que se amam com um amor humano
00:06e natural. Tudo nelas se ocupa desse
00:11amor, pessoas apaixonadas, né? A gente
00:14tá falando tudo isso que a gente tá
00:15falando aqui agora, manter Deus no nosso
00:18pensamento o dia inteiro, né? Sempre que
00:22possível pensar em Deus, elevar o
00:26pensamento a Deus, sempre que possível
00:28dizer uma ejaculatória, um gesto de
00:31carinho, de amor, de louvor a Deus. Falar
00:34essas coisas pode parecer, ah, parece
00:37exagero, parece uma coisa do outro mundo,
00:40parece uma coisa difícil de fazer, ou
00:42parece uma coisa, não é não, na realidade a
00:45gente faz isso, só que infelizmente a
00:48gente só faz isso, muitas vezes, para um
00:50outro ser humano, né? E não fazemos para
00:54Deus, né? E não fazemos para Deus, que é o
00:57caso aqui dos jovens casais, os jovens
01:00corações apaixonados, né? Estão
01:03enamorados um do outro, um pensa no outro
01:05o dia inteiro e, e, é, aí pensa numa frase
01:11romântica, numa letra de uma música, é, e,
01:18hoje em dia tem o recurso do, da internet e do
01:23celular, né? Antigamente era mais difícil,
01:26antigamente, é, tinham que escrever uma
01:28carta, é, existiam os papéis de, meu
01:32Deus do céu, como eu tô velho, é, papel de
01:35carta, tinha caneta de cheirinho, tinha
01:38papel de carta perfumado, bem, umas
01:42frescuras, né? E aí escrevia a cartinha,
01:46botava lá, aí o amado ou a amada recebia
01:50a cartinha, ficava cheirando, fungando o, o, o papel de
01:54carta, né? Caneta, caneta com cheirinho de
01:58chiclete, né? E não sei o que lá, e escrevia
02:02aquilo e mandava pelo correio, é, e aí toda
02:06vez que lia a carta, aí esfregava a carta no
02:09peito, no coração, como se tivesse, como se
02:13pudesse abraçar a outra pessoa, com um
02:15pedaço de, de papel, e toda vez que, é, toda
02:20vez que queria lembrar, aí mandava uma
02:22fotografia junto, né? Aí ficava olhando
02:26pra fotografia e relia a carta, já sabia
02:31de cor o que a carta tava dizendo, mas lia
02:34de novo, e de novo, e de novo, e de novo,
02:37percebe? Tudo isso numa interação
02:42humana, e a grande questão que São
02:45Francisco de Salles tá colocando pra
02:46nós é, por que não fazer isso com Deus,
02:50nosso senhor, né? É, então aqui, ó, cabe
02:54aqui o exemplo das pessoas que se amam
02:57com amor humano e natural, tudo nela se
02:59ocupa desse amor, o espírito, a memória,
03:02o coração e a língua, quantas lembranças e
03:06recordações, quantas reflexões, quantos
03:11enlejos, quantos louvores e protestos,
03:15quantas conversas e cartas, está-se
03:19sempre querendo pensar e falar nisso, e
03:23falar disso, e até, é, está sempre
03:26querendo pensar e falar disso, né? Pessoa
03:29apaixonada, sempre perceber, está falando
03:31da, da outra, né? Quando o assunto nem é
03:37aquele, é, até nas cascas das árvores, nos
03:44passeios, ou se não, nas praças, né? Há de se
03:48inscrever uma qualquer coisa, é, é, quantos
03:53parques aí, quantas praças públicas, quantas
03:56tu tem, é, árvores com coraçõezinhos
04:00desenhados e as iniciais, né? É o que mais a
04:02gente vê, pode, quer dizer, hoje em dia
04:04nem sei, né? Hoje em dia o pessoal, é, sei lá, é, mas
04:09antigamente, pelo menos no meu tempo, se
04:11via isso, né? É, é, pichado num muro, escrito
04:17numa, numa, numa, numa porta de, numa
04:22casca de árvore, escrito no, na, na, na minha
04:26escola, então, pelo amor das carteiras, o
04:29pessoal rabiscava na, na, riscava a, as,
04:36as carteiras do, do, da sala de aula de
04:38madeira, vivia cheia de, de, de coraçãozinho
04:43com, com as iniciais, eu não sei o que lá.
04:50Assim, aqueles que estão possuídos do
04:54amor a Deus, só respiram por ele e só
04:59aspiram ao prazer de amá-lo. Nunca deixam
05:04de falar e pensar nele e se fossem senhores
05:08dos corações de todos os homens, quereriam
05:12gravar neles o nome sacrosanto de
05:17Jesus. Ah? O nome sacrosanto de Jesus.
05:23Eh, ou seja, não, o amor, o amor que
05:28sente é algo tão transbordante, é, é, é,
05:35tão transbordante, tão grandioso que
05:36chega a ser sufocante, é, a ponto de não
05:40caber em si mesmo e precisar ser dito
05:45pra todos, né? Precisar ser dito pra
05:49todos. E vocês vejam, isso é traduzido em
05:53canções românticas, como por exemplo,
05:57roupa nova, eu te amo e vou gritar pra
06:01todo mundo ouvir, olha aí, é, é, então, amo
06:07tanto que não cabe em mim a ponto de eu
06:11querer gritar e espalhar para os
06:15outros. E como é que é o nosso amor por
06:17Cristo, nosso senhor? É, será que o nosso
06:21amor tá nesse nível ao ponto de eu tenho
06:24desejo, o meu amor é tão grandioso, que eu
06:27tenho desejo de espalhar esse santíssimo
06:29nome e torná-lo conhecido a outras
06:32pessoas? Ah, quero fazer Jesus
06:36conhecido? Ah, acho que tudo isso serve
06:43pra gente cair um pouquinho na real e
06:46ver como que a nossa vida religiosa é
06:48medíocre, né? Ah, não sei se vocês
06:52percebem, estão percebendo isso, né?
06:55Percebem que muitas vezes os nossos
06:57amores pelas coisas mundanas é bem
07:01superior ao nosso amor a Deus, o quanto
07:04ainda somos imperfeitos, né? O quanto
07:07ainda somos imperfeitos, é, nesse
07:10aspecto cabe aqui, é, um comentário
07:15desagradável, mas ainda assim
07:18verdadeiro, né? Nesse aspecto, os
07:24protestantes percebem que eles passam a
07:26perna na gente, né?
07:32Pode ser herege, pode ser o que for,
07:34né? E eu sei que são, mas o fato é
07:38que eles não perdem uma oportunidade
07:40pra falar de nosso senhor, né? Pra
07:45falar de nosso, eu já vi isso em muito,
07:47muitos lugares, né? Até no, no, no, no
07:51YouTube, tem lá um vídeo aleatório de
07:54qualquer coisa, sei lá, receita de
07:56bolo, aí tu entra nos comentários, tá
07:59um monte de gente comendo e do nada lá
08:01no meio do comentário, né? Vem alguém
08:04citando um versículo, certamente um
08:08protestante, citando um versículo
08:10bíblico e já aproveitou ali uma
08:12oportunidade de, enfim, é, apesar de ser
08:17desconexo, né? Tem nada a ver com o
08:20conteúdo do, do vídeo, o fato é que
08:25entrou ali pra falar de alguma coisa,
08:27né? É, um versículo bíblico, alguma
08:32coisa assim, nós, o, talvez falta pra
08:37nós essa paixão, né? Querer tornar o
08:41nosso senhor, nosso amor, ser tão
08:42grandioso por Cristo, nosso senhor, que
08:45nós queremos que todos os homens, é, tá
08:49aqui, ó, usar as palavras de São
08:51Francisco de Sales, quereriam gravar
08:54neles o nome sacrosanto de Jesus, queria
08:57que todos os homens tivessem neles
08:58gravados este nome. Nada há neste
09:02mundo que não lhes fale dos atrativos
09:07do divino amor e não lhes anuncie os
09:10louvores do seu dileto. Sim, diz Santo
09:14Agostinho, depois de Santo Antão, tudo
09:18o que existe neste mundo lhes fala de
09:20Deus na eloquência de uma linguagem
09:23muda, mas muito compreensível a
09:27inteligência deles e seu coração
09:29transforma estas palavras e pensamentos
09:32em aspirações amorosas e em doces
09:36surtos que os elevam até Deus. Eis aqui
09:43agora alguns exemplos, né? Então, vejamos
09:48mais uns exemplos que São Francisco de
09:53Sales nos dará sobre esse, sobre esse
09:55aspecto, né?
10:04São Gregório
10:09bispo de Nazianzo
10:11antes de começar isso aqui, é, na
10:13realidade, o que que ele tá querendo dizer
10:15aqui, né? Fazer só uma pequena
10:17pequena explicação desse último
10:19parágrafo, né? Praqueles que amam a
10:22Deus, é, tudo que eles olharem
10:26né? Tudo que eles olharem, assim como a
10:29pessoa apaixonada, tá? Pegando um
10:31pouquinho mais lá de trás, assim como a
10:33pessoa apaixonada, tudo que olhar
10:37vai lhe referir, vai lhe remeter ao a
10:43pessoa, a pessoa amada, né? A ouvir uma
10:47canção, é, vai lembrar da pessoa amada,
10:52vir uma determinada situação, vai de
10:55alguma forma, né? Lembrar da pessoa, ah, se
11:00ouvir uma coisa engraçada, ah, se fulano
11:04estivesse aqui agora, estaria rindo
11:06disso, é, vi, enfim, entender onde eu
11:12quero chegar, né? Assim como a pessoa
11:14apaixonada, qualquer coisa que acontece
11:17ao seu redor, vai arrumar um meio de
11:21correlacionar esta coisa com a pessoa
11:24amada, da mesma forma, aquele que ama a
11:28Deus, deve fazer isso, é, nas situações
11:32mais, das situações mais extraordinárias, as
11:37mais corriqueiras do dia a dia, tudo,
11:42tudo me lembrará, ou tudo vai me
11:44remeter a Deus. Vamos ver os exemplos. São
11:48Gregório de Nazianzeno, né? São Gregório,
11:51bispo de Nazianzeno, passeando um dia
11:54pela praia do mar, como ele mesmo
12:01contou ao seu povo, considerava
12:04atentamente as inúmeras e variadas
12:07conchas que as ondas arremessavam a
12:10praia e depois restituíam ao mar. Ao
12:14mesmo tempo, contemplava admirado a
12:17solidez dos rochedos vizinhos, contra
12:19os quais o mar se arrojava
12:22impetuosamente. Diante desta vista, ele
12:26pensava que isto representava
12:29exatamente o caráter das almas fracas e
12:33superficiais, que se deixam levar já a
12:38alegria, já a tristeza, cedendo
12:40indiferentemente a todas as vicissitudes
12:43da vida e o caráter das almas generosas
12:46e constantes que nada pode abalar. Veja
12:51aqui esse exemplo de São Gregório de
12:55Nazianzeno, né? Uma situação, ele
12:57estava fazendo uma caminhada
12:59tranquila ali pela praia, né? E uma
13:03simples cena que ele viu já lhe fez
13:06pensar em algo espiritual, né? Uma cena
13:10comum, uma cena ordinária, mas ele já
13:13fez uma leitura espiritual daquilo
13:15ali. Percebe então onde a gente quer
13:17chegar? Pessoa que tem o coração
13:19ligado em Deus, mesmo a cena mais
13:22corriqueira, ela já faz uma
13:26interpretação, já faz ali, tira ali uma
13:29analogia daquela coisa. Então, o que que ele
13:32viu? Caminhando pela praia, ele via como as
13:35ondas vêm e vão, vêm e vão. Então, as
13:38ondas vinham, jogavam algumas conchinhas
13:40do mar na areia. Na sequência, outra onda
13:45vinha e as conchas já desapareciam, né?
13:48Então, as conchas vinham e iam de acordo
13:54com a maré. E ao lado ali, poucos metros
13:57ali pra frente, ao lado, o rochedo, a
14:01mesma onda batia, batia impetuosamente e
14:05os rochedos não saíam do lugar,
14:08obviamente, né? E o que que ele fez?
14:11Que que a interpretação que ele tirou
14:12daí? Olha, as almas tíbeas, né? As
14:16almas...
14:18As almas fracas, as almas tíbeas são
14:21como essas conchas, né? Que uma hora
14:25estão cheios de alegria, dali a pouco
14:28estão cheios de tristeza. Uma hora estão
14:30cheios de fé, outra hora estão cheios
14:32vêm e vão. Já as almas fervorosas são
14:36como aqueles rochedos ali. Apanham,
14:38apanham, apanham, mas não se movem do
14:41lugar. Então, veja, ele usou uma
14:44contemplação do cenário que ele estava
14:46passeando ali no momento pra tirar uma
14:51lição espiritual, né? Então, a pessoa que
14:55tem o coração em Deus ou ligado nas
14:57coisas espirituais vai enxergar em tudo
15:01alguma alguma lição religiosa vai tirar
15:06dali. Tem mais ainda, né? E então o seu
15:11coração, aproveitando-se desse pensamento,
15:14eleva-se a Deus, dizendo-lhe com o
15:18profeta, salva-me, senhor, porque as
15:21águas têm entrado até a minha alma.
15:24Livra-me, senhor, deste abismo, porque
15:27cheguei ao alto mar e a tempestade me
15:29submergiu. Aí é um salmo, né? Então, ele
15:33aproveita daquela ocasião, vendo tudo
15:35aquilo, né? E acaba louvando a Deus, citando
15:39o trecho de um salmo.
15:45É de notar que estas palavras
15:50quadravam-se muito com a situação em
15:54que ele se achava sofrendo com a
15:56admirável mansidão, a usurpação que
16:00Máximo queria fazer do seu bispado.
16:05Então, veja, naquele momento ele estava
16:08passando por um problema pessoal, né?
16:12Então, tocado com isso, acabou vendo naquela
16:17situação ali como se fosse uma uma
16:20resposta divina à angústia que ele
16:23estava passando, né? Outro exemplo,
16:28São Fulgêncio, bispo de Ruspe, achando-se
16:32em Roma por ocasião do triunfo de
16:35Teodorico, rei dos Godos, que presidiu
16:41em pessoa a uma Assembleia Geral da
16:44Nobreza Romana, encantado com a vista
16:47de um espetáculo tão magnífico,
16:50exclamou, ah se Roma terrestre, ah se a
16:55Roma terrestre é tão rica e tão
16:57brilhante, quão bela há de ser então a
17:01Jerusalém celeste. E se o senhor de
17:05todos os bens deu tanta magnificência
17:07aos amantes da vaidade, que não
17:11reservará então ao se contemplam
17:14eternamente as suas verdades, né?
17:19Então, ele aproveitou ali de uma
17:21ocasião, né? Olhando um grande
17:24espetáculo que era verdadeiramente
17:27magnífico, aí ficou pensando, né?
17:30Se a Roma terrestre, né? A Roma ali do
17:34Império, né? Foi tão imponente, de fato
17:37era, né? E de fato era, era um negócio
17:42estrondoso, né? Ah, os desfiles, as
17:49armaduras, os estandartes, tudo no Império
17:53Romano, era feito para impressionado,
17:55aliás, foi daí que Adolf Hitler tirou a
17:58ideia, né? Tirou a ideia, e vejam que ele
18:02usou a águia que ele usava como
18:04estandarte nazista e todos os estandartes,
18:08as marchas, né? Se você vê algum vídeo
18:12do, chamar o Exército Marrom, né? Se você
18:17vê algum vídeo das tropas nazistas
18:19marchando, é um negócio de arrepiar, né?
18:22Não tem nenhuma perninha que levante
18:25antes ou depois da outra, todos, né? E o
18:28Hitler copiou isso do Exército Romano,
18:31né? Aquelas águias imponentes, aquela
18:34coisa, tudo feito para impressionar, e
18:36aqui são fulgências de ruspe, vai
18:39dizendo o quê? É, olhando isso tudo, que
18:43tem sua beleza, não podemos negar, tem
18:46sua beleza, que eu não tô fazendo
18:48apologia, pelo amor de Deus, a nazismo,
18:51nada disso, só tô dizendo que não
18:54podemos negar que tem sua, a sua
18:57beleza, sua ordem, seu ritmo, é? E aí
19:00são fulgências de ruspe, olhando
19:02aquilo, olhando aquela, aquela apoteose,
19:06disse, agora veja, né? Se a Roma
19:10terrestre é esta beleza, quanto mais
19:16não será a Jerusalém celeste, é
19:20infinitamente superior, né? A tudo
19:23isso, né? Então, qualquer beleza que
19:26nós possamos ver e contemplar aqui, não
19:28há nada que se compare no céu, né? E
19:32às vezes a gente fica se apegando a
19:33coisinhas, é isso, né? É esse tipo de
19:36meditação, esse tipo de pensamento que eu
19:39preciso ter, é? Por que me apegar, por
19:42que me contentar com uma meia dúzia
19:45de belezinha qualquer aqui, se tem
19:48muito mais beleza infinita no céu, é?
19:52Por que me apegar com qualquer bem aqui
19:55que é meramente passageiro, se existe
19:58um bem muito maior no céu, não é?
20:01Percebe? São esses tipos de afeto que
20:04vão, que devem se ir se desenvolvendo
20:06dentro de nós.
20:09Diz-se que Santo Anselmo, outro
20:11exemplo, diz-se que Santo Anselmo
20:16que nossos montes se ufanam de ter visto
20:21nascer e que se, e que foi bispo de
20:24Cantuária, era muito hábil nesta arte
20:29de espiritualizar os pensamentos mais
20:33comuns. Estando ele um dia em viagem,
20:39aconteceu que uma lebre perseguia,
20:44perdão, estando Santo Anselmo de
20:47Cantuária em viagem, observou que uma
20:50lebre, perseguida pelos caçadores,
20:54veio a refugiar-se debaixo do seu
20:58cavalo. E os cães latindo ao redor não
21:03ousaram violar a imunidade do seu
21:06asilo. Muita graça acharam os caçadores
21:11num espetáculo tão raro, mas o santo
21:15prelado, tocado inteiramente do Espírito
21:18de Deus, disse-lhes em soluços e lágrimas,
21:22ah, vós estáis rindo, mas o pobre animal
21:26não tem vontade de rir. Pensai bem, que
21:30infelicidade é a de uma alma que até a
21:34hora da morte é arrastada pelo demônio,
21:38de erro em erro e de pecado em pecado.
21:41Então, cheia de terror, ela procura um
21:44asilo e, se não o encontra, os seus
21:48inimigos se escarnecem dela e
21:52eternamente a conservarão como sua
21:55presa, né? Então, veja ali um grupo de
21:59caçadores, estava caçando um coelho
22:02enquanto o bispo, o santo Anselmo, estava
22:04lá andando no seu cavalo e este coelho
22:07em particular, quando se viu encurralado
22:09pelos caçadores, procurou abrigo debaixo
22:12do cavalo do bispo e ficou ali, parado
22:16debaixo da proteção do cavalo do
22:19bispo, enquanto os cães, os cachorros
22:22que ajudavam os homens a caçar, não
22:24ousavam se aproximar do cavalo, né? Os
22:28caçadores começaram a dar gargalhada,
22:30rindo dessa situação que eles acharam
22:32engraçada e inusitada. No entanto, o
22:36santo Anselmo leu, fez uma leitura
22:38espiritual, né? Dizendo que aquele coelho
22:40que fugia representa a nossa alma, os
22:43caçadores representam o pecado e o
22:45demônio, né? E a nossa alma que
22:48desesperada por salvação busca abrigo e
22:53proteção. É recebendo o Santo Antão
22:57uma carta muito honrosa do imperador
22:59Constantino Magno e outro caso agora,
23:05tá? É recebendo o Santo Antão uma
23:08carta muito honrosa do imperador
23:09Constantino Magno e causando isso
23:12muita admiração aos religiosos, seus
23:15companheiros, o santo lhes disse, por
23:19que vós vos admirais que um rei escreva
23:21a um homem? Admirai antes a bondade
23:24infinita do Deus eterno pelos homens
23:27mortais, tendo-lhes escrito ele mesmo
23:30a sua lei e falado a eles pela boca do
23:34seu próprio filho, né? Então, admirados que
23:37um rei tenha escrito pra mim, fiquem mais
23:40admirados ainda, porque o rei dos céus se
23:43dignou escrever, não uma carta com tinta
23:46e papel, mas uma carta humana, né? Uma
23:52palavra que se tornou carne e que veio
23:55morar no meio de nós. É, olha aí. São
23:59Francisco de Assis agora, São Francisco de
24:02Salles está citando mais um episódio
24:04que aconteceu dessa vez com São Francisco
24:07de Assis. São Francisco notando um
24:09rebanho de bodes e cabras, perdão, São
24:14Francisco notando num rebanho de bodes e
24:17cabras, uma única ovelha ponderou ao seu
24:21companheiro, olha como ela é mansa e
24:24bela, assim era também a brandura e
24:27mansidão do nosso, do humilde Jesus no
24:32meio dos escribas e dos fariseus. Um
24:35fato ordinário do dia a dia, né? Ali um
24:39um grupo de bodes e de cabras e aí no
24:42meio dos bodes e das cabras, São Francisco
24:44observa uma ovelha no meio deles, né? E
24:49ali nosso senhor diz, tá vendo? Ou ali,
24:51desculpe, ali São Francisco diz, faz essa
24:53comparação, né? Veja como ela é bela, né?
24:57Como ela é mansa e como ela é bela, exatamente
25:00como a brandura e mansidão do humilde
25:03Jesus no meio dos escribas e dos
25:06fariseus. Outra vez ainda, mesmo São
25:09Francisco de Assis, vendo um cordeirinho
25:12sendo comido por um porco, exclamou
25:15chorando, ah, que representação viva da
25:19morte do meu salvador, né? Então, um
25:23pequeno cordeirinho sendo devorado por
25:26um porco, né? Ele logo associou, olha
25:30lá, foi assim que fizeram, né? Os porcos
25:33judeus que mataram o nosso senhor e que
25:39devoraram, né? O nosso senhor. Outro
25:45exemplo, São Francisco de Borja, duque de
25:50Candia. Este varão ilustre de nossos
25:54tempos, servia-se de todos os
25:57acontecimentos da caça para fazer
25:59pias reflexões.
26:03Admirava, admirava-me, dizia ele, um
26:06dia depois da caça, a docilidade dos
26:09falcões que tornam a mão dos caçadores,
26:14se deixam velar os olhos e prender a
26:18percha e espanta-me a indocilidade cega
26:22dos homens, sempre rebeldes à voz de
26:25Deus. De fato, o falcão é um bicho
26:29extraordinário, né? Falcão é um bicho
26:31bonito, tem uns esses que são
26:32treinados, né? Cês já devem ter visto
26:34alguma imagem, algum vídeo, né? Desses
26:37bichos que são treinados, né? O dono tem
26:40uma proteção, claro, naturalmente, que
26:42a garrinha dele rasga tudo, né? Então, o
26:46dono põe uma proteção de couro aqui no
26:48antebraço, né? E traz o falcão, vem, o
26:52falcão vem pousado aqui no braço do
26:55dono e eles fazem um capacetezinho de
26:58couro, né? Porque aquele bicho tem uma
27:01visão fabulosa, né? Ele enxerga longas
27:06distâncias e eles fazem aquele capacete,
27:08botam em cima de um capacetezinho, botam
27:11na cabecinha do, do, do, do, da ave, pra
27:15poder tampar a visão dele, né? E ele vem
27:19ali, no braço do dono, ele tira o
27:22capacete, o bicho passa a enxergar, ele
27:25vai com precisão cirúrgica no alvo, vai
27:30lá, caça e depois volta e pousa no braço
27:36do dono e o dono bota o capacetinho
27:39nele outra vez, tampa a visão dele. E
27:42São Francisco Borja tava admirado com
27:46isso, né? Como agora vê, o animal, depois
27:49de ter toda a liberdade, né? É, tem uma
27:52visão espetacular, ele tá livre, leve e
27:56solto, né? Ele, ele voa, livre e depois
28:05simplesmente volta e repousa no braço do
28:09seu treinador, né? Ou seja, depois de
28:13ter adquirido a liberdade, ele se
28:16permite voltar depois, ser preso outra
28:19vez e ser velado outra vez e com tanta
28:23docilidade, diz. No entanto, os homens
28:26são tão indóceis e cegos à voz de Deus,
28:31né? São Basílio diz que a rosa cercada
28:38de espinhos dá aos homens esta
28:42intuitiva lição. Agora, palavras de São
28:46Basílio, tudo o que há de mais
28:49agradável neste mundo, ó homens mortais,
28:53é permeado de tristeza, nenhum bem vos é
28:56completamente puro, por toda parte o mal
28:59se mescla com o bem, o arrependimento
29:02com prazer, a viúvez com o casamento, o
29:05trabalho e o cuidado com a fertilidade, o
29:08temor da queda com a elevação da glória,
29:13muitas despesas com as honras, o desgosto
29:17com as delícias e as doenças com a
29:20saúde. É verdade, acrescenta este santo
29:24padre, a rosa é uma flor encantadora, mas
29:28enquanto a sua vista me regozija, ela me
29:32atormenta e me lembra dos meus pecados,
29:36pelos quais a terra foi condenada a
29:40produzir espinhos. Então, muito
29:43interessante essa palavra de São
29:46Basílio, né? Lembra pra nós, ensina
29:49pra nós uma preciosa lição, nada aqui
29:52nessa terra, mesmo os bens que nós
29:54recebemos, não são totalmente isentos
29:58dos males, até porque, se nós
30:03recebêssemos todos os bens aqui e
30:05agora, sem os males, então aqui já
30:07seria o paraíso, né? Essa imagem da
30:11rosa, né? É belíssima, mas cercada de
30:14espinhos, é um constante lembrete pra
30:17nós, né? Que os bens que nós recebemos
30:20aqui, na realidade, nada passam de um
30:22convite para o bem supremo, que é o
30:25céu. São bens, mas cercado de espinhos,
30:30né? Se recebêssemos apenas os bens
30:33isentos dos espinhos, então aqui já
30:36seria o paraíso. Muito interessante
30:40essa reflexão. Uma pessoa piedosa,
30:43considerando com indizível prazer ao
30:47luar, um regato em que o céu salpicado
30:52de estrelas se refletia, como num
30:54espelho, exclamou cheia de alegria,
30:57ó meu Deus, na realidade todas essas
30:59estrelas estarão debaixo dos meus pés,
31:02quando me receberdes nos vossos santos
31:05tabernáculos. E como as estrelas do céu
31:09se representam na terra, assim os homens
31:12na terra hão de ser representados em
31:15Deus, que é a fonte viva do amor
31:18divino. Uma outra pessoa, ainda
31:21contemplando a velocidade com que um
31:25rio corria para lançar-se ao mar,
31:28disse, assim será minha alma em seus
31:31movimentos, nem terá descanso até se
31:35abismar na divindade da onde tirou a
31:38sua origem. Santa Francisca, olhando
31:43para um ameno ribeiro em cujas
31:45margens estavam de joelhos, fazendo a
31:48sua oração, elevava em êxtase,
31:51elevada em êxtase, repetia muitas
31:54vezes estas palavras, assim como esta
31:57suavidade corre a graça de Deus para
32:00a minha alma. E veja que o salmo, né?
32:05Os salmos também fazem a mesma coisa,
32:08usando de elementos da natureza para
32:11louvar a Deus, assim como a corça,
32:14salmo 42, se eu não estou muito
32:17enganado, assim como a corça suspira
32:20pelas águas correntes, suspira minha
32:23alma por vós, ó meu Deus.
32:29Uma pessoa que não posso nomear, vendo
32:32um jardim todo em flor, exclamou,
32:35ah, eide sereu o único arbusto sem
32:38flores, eide sereu o único arbusto
32:43sem flores, no jardim delicioso da
32:47igreja, né? Uma outra, ao ver os
32:52pintainhos debaixo das asas da galinha,
32:55né? Os pintinhos, né? Debaixo das
32:57asas da galinha, diz, ó senhor,
32:59conservai-me a sombra de vossas asas.
33:02Uma terceira, contemplando um girassol,
33:05exclamou, quando será, ó meu Deus, que
33:07a minha alma seguirá sempre os
33:10atrativos da vossa bondade? E, olhando
33:13para essas florezinhas formosas, mas
33:17sem perfume, que se chamam amores
33:21perfeitos, há semelhantes são os meus
33:28pensamentos, belos de proferir-se, mas
33:32inúteis para tudo. Eis aí, Filoteia,
33:37né? Como de tudo que acontece nesta
33:41vida mortal, se podem deduzir
33:43pensamentos salutares e santas
33:46aspirações. Ó, infelizes daqueles que
33:49usam das criaturas de um modo contrário
33:52à intenção do Criador. Aquilo que eu
33:54falei pra vocês agora, pouco, né? É? Que
33:58infelizes são aqueles que usam das
33:59criaturas, né? Tudo que Deus colocou ou
34:02permitiu ao nosso redor, deve nos
34:04ajudar a nos aproximar dele. Que coisa
34:07triste quando nós usamos a criação de
34:10Deus, ao invés de nos aproximar dele,
34:14nos afastar. Bem-aventurados aqueles
34:18que procuram em tudo a glória do
34:21Criador e que usam da vaidade das
34:24criaturas para glorificar a verdade
34:27incriada. Quanto a mim, diz São Gregório
34:31Nazianzeno, estou acostumado a
34:33aproveitar de todas as coisas para o
34:35progresso espiritual de minha alma.
34:38Aconselho-te também a ler o epitáfio de
34:41Santa Paula, escrito por São Jerônimo.
34:44Com prazer, has de encontrar aí muitas
34:47aspirações que lhe eram habituais em
34:51todos os acontecimentos da vida. Grava
34:54bem profundamente em tua mente que a
34:57devoção consiste principalmente neste
35:00exercício de recolhimento espiritual e
35:03de orações ejaculatórias. A tua, a sua
35:07utilidade é tão grande que pode suprir a
35:11falta de todos os modos de rezar. Olha só
35:14isso, hein? A utilidade deste método de
35:17rezar é tão grandiosa e pode até mesmo
35:20suprir todas as a falta de das outras
35:24formas de rezar. Para aqueles que dizem
35:26que eu não tenho tempo de oração, não
35:28tive tempo de parar hoje pra, mas se fez
35:31isso.
35:35Posso não ter tido tempo de parar e
35:37abrir o meu livrinho, mas eu fiz isso,
35:39olha lá. Ao contrário, se se é negligente
35:45neste ponto, dificilmente se encontra um
35:49meio de ressarcir a perda. Sem este
35:52exercício não se podem cumprir os
35:54deveres da vida contemplativa e quanto
35:57aos da vida ativa, só com muita
36:00dificuldade. O descanso seria sem ele
36:03um meio ósseo. E o trabalho não passaria
36:10de um estorvo e dissipação. Por estas
36:13razões, eu te exorto e conjuro a
36:16adquirir com todo o teu coração esta
36:18prática e a jamais abandoná-la. E aqui
36:23termina o capítulo treze. E que capítulo,
36:27né? Que capítulo espetacular. Realmente,
36:32deixa eu ver aqui se entrou alguma
36:34pergunta. Eu vi que tinha alguns
36:35comentários.
36:45Em tudo, a gente pode, em tudo, eu já
36:49contei pra vocês essa história, eu acho.
36:52Eu não conto. Bom, né? Pra aqueles que eu
36:55já contei, eu peço que tenham paciência
36:59de escutar mais uma vez. Porque
37:00certamente tem alguém que não
37:02escutou. Mas eu acho que eu já contei
37:04sim a historinha de uma vez que eu
37:06tava no seminário.
37:10Nosso seminário tinha um retiro
37:13mensal.
37:15É? Retiro espiritual.
37:17E todos os meses o seminário
37:19convidava um pregador de fora.
37:22Naquele mês em específico, convidava um
37:25padre modernista, né?
37:29Enfim, né? Mas pensa num pregador ruim.
37:33Deus que me livre. Oh, meu Deus do céu.
37:36Né? O homem não falava nada com coisa
37:40nenhuma. Que sermão ruim. E sem
37:43conteúdo. Nada. Era uma perda de tempo.
37:47Né? Terrível. Né? E eu tava ali
37:50angustiado com aquilo. Falei, meu Deus,
37:51tô perdendo meu tempo aqui. Né? Perdendo
37:54meu tempo aqui. Eu... Enfim.
37:57Né? E era a prática comum do seminário,
38:00né? A gente fazia, tinham as
38:03conferências, né? Tinha as conferências
38:06e eram três conferências. Eram três
38:10dias de retiro com três conferências
38:12por dia. Então, totalizando nove
38:14conferências durante todo o retiro.
38:19nós tínhamos duas conferências na parte
38:23da manhã e uma conferência na parte
38:28da tarde. Era sempre assim. É. É. Então
38:32era... E na parte da manhã, como é que era
38:35a coisa? É, na parte... Duas conferências na
38:39parte da manhã, uma conferência na parte
38:41da tarde. Na parte da manhã, após cada
38:44conferência, que as duas conferências da
38:46manhã eram mais curtinhas, digamos
38:48assim. E a conferência da parte da
38:50tarde seria um pouco maior ou não. É.
38:55Eles dividiam da seguinte forma. Após
38:57cada conferência, eles... O seminário
39:01mandava a gente fazer uma coisa
39:02chamada deserto, né? É muito comum nos
39:05retiros, né? O que que é o deserto? Ia todo
39:09mundo pra capela, conferência. Acabou a
39:12conferência, saíam todos em silêncio, né?
39:15Aliás, o retiro era de silêncio, não se
39:16podia falar durante os três dias de
39:18de retiro, né? O único momento em que a
39:21gente podia falar era pra fazer as
39:24orações na capela, né? Na na na missa e no
39:28no breviário. Então, o restante do tempo
39:32era silêncio. E... Mas a gente... O que que
39:37era o deserto? É... Acabava a conferência,
39:42todo mundo junto na capela, ouvia a
39:44primeira conferência. Terminada a
39:45conferência, todos tinham que descer pro
39:48jardim e o seminário tinha um espaço
39:50bem grande, nenhum podia ficar perto do
39:53outro, cada um tinha que ficar destacado,
39:55isolado do outro, por isso a gente
39:57chamava de deserto, né? Cada seminarista
40:00não podia ficar muito próximo do outro.
40:03Então, ficava todo mundo espalhado pelo
40:05jardim, cada um escolhia um ponto, um
40:08escolhia uma árvore, sentava embaixo da
40:09árvore, o outro sentava numa pedra, o
40:11outro sentava... Ia cada um pra um lado do
40:13jardim, né? E a proposta é ficar ali um
40:19tempo meditando no que acabou de escutar
40:22na conferência. E aí acabou aquela
40:25conferência da manhã e lá fui eu pro
40:27meu deserto, né? Fui eu pro meu deserto e
40:32pensando comigo mesmo assim, né?
40:34Eu tenho que meditar no que eu acabei de
40:37ouvir, mas o que foi que eu acabei de
40:40ouvir, né? Não tem nada desse padre, não
40:45falou nada que possa tirar proveito aqui
40:48pra ouvir, é? E enfim, enquanto eu tava ali
40:54naquele trecho do jardim, eu encontrei uma
40:57teia de aranha, mas uma magnífica teia de
41:01aranha, mas grande, grande mesmo, entre
41:04dois arbustos assim, ela teceu uma teia
41:08entre dois arbustos e ficou ali quietinha no
41:12canto, é... e ela tava lá, ela tava lá, eu via
41:17lá, as patinhas dela lá, escondidas lá, e aí,
41:22né? É claro, né? Eu não... enfim, o que que eu ia
41:25fazer? Não... eu, óbvio que eu fui perturbar a
41:31vida da aranha, é claro, né? Eu tava com a
41:34minha vida perturbada, então eu tinha que
41:36perturbar a vida de alguém, né? Eu vou
41:37perturbar a vida da aranha. Mas, panhei numa
41:43folha, uma folha seca que tava no chão,
41:46comecei a tirar, pareli, fragmentos da
41:50folha e jogar na teia. Óbvio que esse
41:55pedacinho de folha ficaram grudados na
41:59teia, né? É, eram grudados na teia. E, bom, a
42:05aranha trabalha dessa forma, ela tece uma
42:07teia de forma que ela é praticamente
42:10invisível pros insetos. Então, eles vão
42:13passar naquele vão, achando que o vão tá
42:15livre, mas se deparam com a teia. E aí, eles
42:18ficam grudados na teia. A aranha tá lá
42:21escondida, ela sente a vibração da teia e
42:25percebe que caiu alguma presa. E aí é
42:28onde ela se aproxima e começa a envolver
42:31a presa na sua, na sua teia, enfim, pra
42:37poder fazer a sua alimentação. Muitas
42:39vezes ela nem mata na hora, né? Ela gosta
42:43de tudo. Se ela quiser alimentar os
42:47filhotes, ela precisa alimentar com a
42:49presa ainda fresca. Então, ela não mata
42:52na hora. Ela só injeta um paralisante,
42:55alguma coisa assim. A vítima fica
42:58paralisada e ela vai enrolando, enrolando
43:00no, né? Mas o que acontece? Só que eu fiz
43:06uma coisa que atrapalhava a aranha.
43:11Porque, veja só, ela primeiro sentiu a
43:13vibração da teia e ela veio logo. E ela
43:16muito espertamente percebeu que aquilo
43:19que estava, que tinha caído na teia, não
43:21era um inseto, não era um bicho, era um
43:23pedaço de qualquer outra coisa. É, e
43:28portanto, não era presa pra ela, era um
43:31pedaço de folha. A questão é que aquela
43:34folha meio que atrapalhava o propósito
43:38daquela teia. Porque se a proposta
43:41inicial da teia era ser invisível aos
43:44insetos, à medida em que eu coloquei
43:48pedaços de folha ali, grudados na teia,
43:53eu meio que sinalizei pra qualquer outro
43:56inseto que estivesse voando na região,
43:57ou passando na região, eu sinalizei que
44:00tinha, é como se eu tivesse estendido uma
44:02bandeira de perigo. Ó, ei, perigo aqui.
44:05É, e portanto, aquele pedaço de folha
44:09estava estragando o projeto da dona
44:13aranha. E aí, o que que ela fez? E isso
44:17me impressionou. É, isso me impressionou.
44:19Eu conto sempre essa história dizendo, eu
44:22falo, o título dessa história é o dia
44:25que uma aranha pregou o meu retiro. Eu
44:28sempre conto essa história dizendo isso,
44:30né? O dia que uma aranha pregou o retiro
44:34pra mim. A aranha saiu do seu cantinho,
44:39ela veio onde estavam as folhas e com a
44:41sua pinça, ela começou a cortar, isso
44:44mesmo. É, ela começou a cortar, é, recortou
44:49em volta, né? Ela começou a recortar
44:53exatamente em volta de onde estava a
44:57folha, deixando um buraco no meio da
45:01tria. E aí, conforme a folha caiu,
45:05naturalmente, ela cortou, a folha caiu e
45:09aí agora, pacientemente, ela começou a
45:12tecer novamente o buraco e eu fiquei
45:17ali assistindo tudo aqui, né? E quando
45:19ela remendou o buraco, ela voltou pro
45:22seu esconderijo e ficou quietinha. É, e
45:27ali eu vi um sinal de Deus pra mim,
45:32né? Mostrando quantas vezes o, a folha
45:35é o símbolo do nosso pecado, né? É, é o
45:40símbolo do nosso pecado. E o que que eu
45:42preciso fazer? É, eu não posso
45:45simplesmente me acomodar, é, mas sob pena
45:50de, em alguns momentos, ter até que
45:53destruir uma parte do que eu construí, mas
45:56se for pra me livrar do pecado, então
45:58que seja assim, né? Preciso recortar em
46:01volta, preciso retirar fora toda a
46:04impureza, preciso jogar fora o que há
46:07de pecado e eu preciso retecer de novo e
46:14emendar os buracos que ficaram pra
46:18poder, eh, estar pleno em sintonia com
46:22Deus. Eh, então, acho que o usando esse
46:25exemplo dos santos padres aqui, que nós
46:28vimos tantos, né? No capítulo de hoje,
46:31você veja ali num retiro, numa situação
46:35ordinária, comum, onde muitos veriam
46:37somente uma aranha boba e uma teia
46:41tola, né? Mas a gente tirar de tudo isso
46:44uma lição sempre fazendo uma analogia, é
46:47uma maneira de estar em sintonia com
46:50Deus, nosso senhor. Bem, eh, esse
46:53capítulo, como eu falei, foi um pouquinho
46:55mais longo do que os demais, mas eu
46:57acredito e espero que muito frutuoso
47:00pra todos nós, espero que a gente tenha
47:02aprendido e possamos tirar muito
47:04fruto, possamos tirar muito proveito
47:07dessa forma de oração e que nunca mais
47:11a gente use como desculpa, eu não tive
47:13tempo pra rezar, temos, temos sim, é uma
47:17questão mais de escolha do que de tempo
47:22propriamente, propriamente dito. Bem,
47:26diante disso tudo, meus caros, é...
47:34alguma pergunta, dúvidas, podem dizer, né?
47:38Pode falar comigo, pode abrir o microfone,
47:40pode falar?
48:03Bom, se não há nenhuma pergunta, então
48:07vamos concluir com nossa oração final, né?
48:12Passamos um pouquinho, poucos minutos do
48:15horário.
48:16Em nome do Padre, e do Filho, e do Espírito
48:20Santo, amém.
48:24Ademus, tiri, graças, hominipotens, Deus, pro
48:30universis beneficis tuis, cui vives et
48:35renhas in sécula, séculorum, amém.
48:39Pére, indicamos, domino, Deus, graças.
48:46Dominus, vobiscom, et com o Espírito tu,
48:51benedictus rei, omnipotentes, patris et
48:55filhi, et Espírito Santo, descendas de
48:58supervos et mani et sempre, amém.
49:02Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo,
49:05para sempre seja louvado, salve
49:07Maria, mais uma vez obrigado a todos
49:10pela companhia dessa quinta-feira, é, e
49:16espero que tenha ajudado, espero que
49:19vocês possam meditar bastante sobre esse
49:21assunto, porque isso aqui salva a nossa
49:23vida espiritual.
49:24Eu salvo, salva a nossa vida espiritual,
49:27sal, não é? É verdade. É muito, muito
49:30importante. É, um bom descanso para
49:33todos, uma santa noite, Deus quiser, é, até
49:37a próxima quinta-feira, é, no, só
49:41lembrando que nesse final de semana
49:43temos missa normalmente aqui, hein, em
49:46Ibotí, tá bom? Na nossa capelinha aqui
49:48de Santa Joana, hein?
49:50Entre Deus, então, uma santa noite, bom
49:55descanso para todos, fiquem com Deus.
49:57Igualmente, Padrinho, muito obrigada.
49:59Muito obrigada.
50:00Muito obrigada.

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