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AprendizadoTranscrição
00:01Vamos fazer a nossa oração inicial.
00:04Em nome do Padre, do Filho e do Espírito Santo. Amém.
00:11Vim de Espírito Santo e enchei os corações dos vossos fiéis
00:15e acendei neles o fogo do vosso amor.
00:18Enviai, Senhor, o vosso Espírito e tudo será criado
00:21e renovareis a face da terra.
00:24Oremos, Deus, que acorda a fidelim,
00:26Santo Espírito, os ilustracionais do Cristo,
00:29da nobis e neodem,
00:31Espíritu recta sapere etreio,
00:33semper consolatione,
00:34gaudere periunda em Cristo,
00:35domino nobis,
00:37amém.
00:39Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco,
00:42bendita sois vós entre as mulheres
00:44e bendita o fruto do vosso ventre, Jesus.
00:47Santa Maria, Mãe de Deus,
00:49rogai por nós, pecadores,
00:51agora e na hora da nossa morte.
00:53Amém.
00:55Santo Afonso, Maria de Ligório,
00:57rogai por nós,
00:58São Francisco de Salles,
00:59rogai por nós.
01:01Em nome do Padre, do Filho e do Espírito Santo,
01:04amém.
01:06Muito bem, mais uma vez,
01:08bem-vindos ao nosso encontro das quintas-feiras
01:10e hoje, com a graça de Deus,
01:12nós acho que vamos conseguir concluir a primeira parte,
01:17já vamos terminar a primeira parte da plateia,
01:20e se o tempo nos permitir,
01:23vamos entrar logo no primeiro capítulo da segunda parte.
01:27Então, vamos ver os capítulos 23 e 24,
01:30que é o final da parte 1,
01:33e vou tentar ver,
01:36se o tempo nos permitir,
01:39o capítulo primeiro da parte 2.
01:43Bem, até aqui, resumo geral,
01:46até aqui nós temos meditado,
01:48temos refletido,
01:49junto com São Francisco de Salles,
01:51ele nos ajudou falando sobre,
01:53além da questão da meditação,
01:55que, spoiler,
01:58mais para frente,
01:59na parte 2,
02:00vamos voltar a falar da meditação também,
02:03e agora São Francisco de Salles,
02:05ele vai esmiuçar um pouquinho mais,
02:08vai ter um capítulo explicando cada parte da meditação.
02:13E é bastante interessante,
02:14porque aquela meditação,
02:16aquele encontro que eu fiz com vocês,
02:18falando sobre meditação,
02:20eu deixei muito claro
02:21que foi feito um encontro,
02:23falando sobre meditação,
02:25com base nos ensinamentos de São Bento,
02:28tá?
02:29Então, aquela meditação,
02:30de acordo com os parâmetros monásticos.
02:33E é muito interessante,
02:34porque, mais para frente,
02:35aqui na parte 2,
02:37São Francisco de Salles vai voltar
02:39a falar sobre meditação,
02:41dando outras dicas,
02:43algumas são muito semelhantes
02:44àquelas que a gente já viu,
02:46outras são um pouquinho diferentes,
02:47mas muito enriquecedoras,
02:49sobre um outro tipo de meditação, né?
02:54Então, vai ser muito interessante,
02:56mas não vou adiantar assunto,
02:58isso aí é mais para frente,
02:59aqui na segunda parte da filoteia.
03:03Mas até então,
03:04nós falamos sobre o pecado mortal
03:06e os seus afetos, né?
03:09Então, a luta contra o pecado mortal
03:11e seus afetos.
03:12Depois, na sequência,
03:13a luta contra o pecado venial
03:16e os seus afetos.
03:18E agora, hoje, no capítulo 23,
03:20nós vamos falar das
03:25imperfeições.
03:26O que são imperfeições?
03:28São,
03:30bom, a própria palavra já está dizendo, né?
03:34São sinais da nossa,
03:36são sinais da nossa
03:40falta ainda de uma
03:45intimidade perfeita com Deus,
03:47né?
03:48Mas, por outro lado,
03:51as imperfeições humanas, né?
03:53Não são necessariamente
03:56pecaminosas, né?
03:57Entende?
03:58Então, assim,
03:59as imperfeições,
04:00elas não são necessariamente,
04:02não são nem pecado mortal,
04:03nem pecado venial, né?
04:06São apenas imperfeições humanas
04:09naturais.
04:10Agora, claro,
04:11não é porque elas não constituem
04:13pecado venial,
04:14nem pecado mortal,
04:16que nós não devemos dar atenção
04:18a elas.
04:18E é isso,
04:19esse é o ponto
04:20que São Francisco de Salles
04:21quer trazer aqui pra nós.
04:23São imperfeições
04:24da nossa natureza humana,
04:26né?
04:27É um resquício ainda
04:28da nossa,
04:30do declínio da natureza humana
04:32por causa do pecado
04:33original, né?
04:36Podemos dizer ainda,
04:37são as marcas
04:38que o pecado original
04:39deixou,
04:40mesmo o batismo
04:42tendo apagado
04:43o pecado original,
04:44as marcas
04:46ficaram lá.
04:47Mal comparando
04:48como um,
04:49eu sofro um acidente,
04:51um acidente feio,
04:52e aí eu passo
04:53por uma cirurgia,
04:54e reparei,
04:56consertei
04:57o problema,
04:59mas a cicatriz
05:00permanece lá,
05:02né?
05:02Meu braço voltou
05:03a ser funcional,
05:04minha perna voltou
05:05a ser funcional
05:06depois do acidente,
05:07só um exemplo, tá?
05:09Mas a cicatriz
05:11toda vez que eu olhar
05:12tá lá.
05:13Essas são nossas
05:14imperfeições, né?
05:15Não são nem o pecado mortal,
05:18nem o pecado genial,
05:19mas são resquícios
05:21da nossa natureza
05:23humana decaída.
05:25Apesar,
05:25como falei,
05:26São Francisco de Salles
05:27vai reforçar aqui pra nós,
05:29apesar delas não serem
05:30nem pecado mortal,
05:32nem pecado genial,
05:33não é por causa disso
05:33que a gente deva
05:34ignorá-las,
05:35não dar a devida atenção,
05:37até porque,
05:38dependendo da situação,
05:40ela pode,
05:42sim,
05:43se eu não der
05:44a devida atenção
05:45e se eu não
05:46tentar
05:47ir purgando isso
05:49e purificando isso,
05:50pode ser ocasião
05:52pra mim
05:52de me levar
05:53a um pecado genial
05:54e, consequentemente,
05:56mais tarde,
05:57a um pecado mortal.
05:59Então,
06:00é para ficarmos
06:02atentos.
06:03Ela,
06:04a priori,
06:05a princípio,
06:05não constitui
06:06matéria de pecado,
06:08nem mortal,
06:09nem venial.
06:10Mas,
06:10se a gente não der
06:11a devida atenção,
06:12ela pode ser um caminho,
06:13uma janelinha aberta
06:14e a gente sabe
06:15que o demônio
06:16só precisa disso,
06:17né?
06:17Basta uma pequena brecha,
06:19como diz ali
06:19o apóstolo São Pedro
06:20naquela epístola
06:21que todos nós
06:22já conhecemos tão bem,
06:24sede sobres
06:25e sede vigilantes
06:26porque vosso adversário,
06:27o diabo,
06:29os rodeia como leão a rugir,
06:30procurando a quem devorar.
06:32Ele procura
06:32uma pequena brecha.
06:33Então,
06:34basta uma pequena brecha.
06:36E é essa atenção
06:37que São Francisco de Sales
06:38quer chamar pra nós.
06:40Mas vamos direto
06:40ao texto
06:41e a gente vai fazendo
06:42as devidas pausas
06:43com as devidas reflexões.
06:45Capítulo 23,
06:48necessidade
06:48de purificar a alma
06:50das coisas inúteis
06:52e perigosas.
06:54Os jogos,
06:56os bailes,
06:57os festins,
06:58os teatros
06:59e tudo aquilo,
07:01enfim,
07:02que se pode chamar
07:04de pompa do século,
07:06de si mesmos
07:07e de sua natureza,
07:09não são de modo algum
07:11coisas más,
07:13mas sim indiferentes,
07:15que podem ser usadas
07:18tanto para o bem
07:20quanto para o mal.
07:22Então,
07:22tá aí.
07:23São coisas,
07:25são aquilo
07:26que dentro
07:27do catecismo,
07:29a teologia tradicional
07:31ensina pra nós,
07:32são os atos neutros.
07:34Nós temos
07:35os atos bons
07:38que nós chamamos
07:40de virtudes.
07:42Nós temos os atos
07:44maus
07:45que nós chamamos
07:46de pecados.
07:48e nós temos
07:49atos neutros.
07:51Não são nem virtuosos
07:53e nem pecaminosos,
07:55são neutros
07:56por si só.
07:58Então,
07:59é preciso tomar cuidado
08:00com isso,
08:00porque muita gente,
08:01sobretudo quando começa
08:02no seu caminho
08:02de conversão,
08:05corre-se um risco
08:06de cair
08:07num pelagianismo,
08:09ou seja,
08:12numa...
08:12num medo
08:14tão absurdo
08:15de tudo aquilo
08:16que é mal,
08:17que acaba sendo
08:17um medo exagerado,
08:20ou seja,
08:20uma busca
08:21de uma pureza
08:24ou de uma necessidade,
08:25de uma necessidade
08:26de uma pureza
08:28ou de uma...
08:30uma santidade
08:31que seja,
08:32que acaba caindo
08:33no exagero,
08:34que foge
08:35da normalidade,
08:38foge da normalidade.
08:41Então,
08:42certa vez,
08:43eu estava em Florianópolis
08:45atendendo as missões
08:45e aí ia ter um concerto
08:48no...
08:48um concerto
08:51na...
08:52na...
08:52como é que chama?
08:55Teatro Municipal,
08:56né?
08:56Um concerto
08:57de música clássica
08:58no Teatro Municipal
08:59de Florianópolis,
09:02né?
09:02E já tinha acabado...
09:05já tinha acabado
09:06as atividades,
09:07né?
09:07Não tinha mais confissão,
09:08não tinha mais missa,
09:09não tinha...
09:09era noite.
09:10Inclusive,
09:10a última...
09:11minha última atividade
09:12era ir para a rodoviária
09:14às 23 horas
09:16para apanhar o ônibus
09:17e voltar para o...
09:18para o Rio Grande do Sul.
09:19E a apresentação
09:20era 8 da noite,
09:21uma coisa assim.
09:22É...
09:23Falei,
09:23bom,
09:24eu só tenho que pegar
09:25esse ônibus
09:26às 11 da noite,
09:28é...
09:29Aí recebi o compadre,
09:30é de graça,
09:31o bilhete aqui é gratuito,
09:33é...
09:34Se o senhor quer ir conosco
09:35ver o...
09:36Eu falei,
09:37que horas que termina?
09:38Que é para não...
09:40Não,
09:41é...
09:429h30,
09:43é mais tardar,
09:44no máximo,
09:45não valei.
09:45Então,
09:46dá,
09:46dá tempo.
09:47É só sair dali,
09:48já vou direto para...
09:51para a rodoviária.
09:53E assim eu fui,
09:54né?
09:55Eu também assisti uma...
09:56Veio na vida,
09:57está na moda,
09:57já tinha muitos e muitos anos
09:59que eu não sabia
09:59o que que era entrar
10:01num teatro municipal
10:02e ver uma...
10:04um...
10:05um concerto,
10:07né?
10:07A última vez foi lá
10:08no Rio de Janeiro
10:08e sabe se deu,
10:09nem me lembro o ano.
10:11É...
10:11Só por causa disso
10:13teve gente que...
10:14Ai, meu Deus!
10:15Oh!
10:15O padre vai num teatro...
10:19Pelo amor de Deus,
10:20né?
10:21É...
10:21Pelo amor de Deus.
10:23É claro que a gente tem que ter
10:25um senso de saber
10:26o que,
10:28quando,
10:29como,
10:30onde,
10:30com quem.
10:31Óbvio!
10:33É...
10:33Óbvio!
10:34Agora é uma peça indecorosa,
10:36é uma peça...
10:37Não,
10:37então é óbvio
10:38que é inapropriado.
10:40Agora ali não tinha absoluta...
10:42Nem era peça.
10:43Era só um bando de gente
10:44no palco com instrumentos
10:45e...
10:47E...
10:47E tocando música clássica.
10:50É...
10:50Então tem essas neuras
10:52que a gente tem que tomar cuidado.
10:53Eu sempre falo isso.
10:54Cuidado,
10:55cuidado,
10:56cuidado.
10:57É...
10:57Ser católico,
10:58ser...
10:58Aí o que eu acho mais hipócrita,
11:01né?
11:01É que as mesmas pessoas
11:03que pensam assim
11:04têm outro tipo de atitude
11:07que eu não...
11:08Melhor nem mencionar.
11:10É...
11:10Melhor nem mencionar.
11:12Então é uma hipocrisia
11:13muito grande.
11:14Então tomar cuidado com isso.
11:15Essas atitudes
11:16são atitudes...
11:18São atos neutros.
11:19Então,
11:20a própria doutrina
11:21ensina pra nós isso.
11:22São Francisco de Sales
11:23só tá recordando aqui
11:25e reafirmando aquilo
11:26que a doutrina tradicional
11:28da igreja
11:28sempre ensinou.
11:29São atos neutros.
11:31Agora,
11:32claro,
11:32é preciso...
11:33Não é porque ele é um ato neutro
11:34e aqui
11:35chama atenção.
11:37Não é porque é um ato neutro
11:39que significa, então,
11:40que eu posso mergulhar de cabeça
11:43despreocupadamente.
11:44Não.
11:44Preciso tomar cuidado.
11:46É?
11:46Então,
11:47vou citar de novo aqui
11:48os exemplos
11:48que São Francisco de Sales deu.
11:50Então, olha,
11:50aí é um cinema
11:51e é um teatê.
11:52Depende do que vai ver.
11:53Depende.
11:54Hoje em dia tá complicado.
11:55O problema...
11:56Percebem que o problema
11:57não é o cinema em si?
11:59O problema está
12:00na mentalidade
12:01que tá por detrás
12:06das produtoras,
12:07etc.
12:08E a forma como a coisa
12:09é apresentada.
12:11E o perigo tá aí.
12:13O perigo não é o...
12:15Não é...
12:16Agora,
12:16a sala de cinema
12:17tá com o capeta,
12:19o projetor...
12:20Não, não.
12:20Não é a sala,
12:21não é a cadeira,
12:22não é o cinema.
12:23É o perigo
12:25do que está ali por detrás.
12:27Tem uma cena imprópria.
12:29Enfim,
12:29infelizmente,
12:30hoje em dia,
12:31hoje em dia,
12:31esse foi domingo passado,
12:32que tinha um fiel
12:33que tava reclamando comigo,
12:34que pegou um filme antigo
12:37até pra ver,
12:38com a família,
12:39e tava lá,
12:40classificação,
12:4112 anos,
12:42ele pensou,
12:43olha,
12:43confiou na classificação.
12:46Tava escrito 12 anos,
12:48meus filhos têm um pouco
12:49mais de 12,
12:50então não tem perigo de...
12:52E tinha.
12:53E tinha.
12:54Então,
12:55é problemático isso.
12:57Nem naquela classificaçãozinha ali
13:00não dá mais
13:00pra confiar.
13:02Então,
13:03o perigo é esse,
13:04né?
13:04Agora,
13:05e São Francisco de Sales diz,
13:07claro,
13:07a problemática está
13:08quando nós
13:10simplesmente
13:11não dosamos,
13:13né?
13:13Se eu não souber dosar,
13:15aí sim
13:16eu posso abrir uma porta
13:18ao pecado.
13:18Então,
13:19ele diz aqui,
13:20os jogos,
13:21os bailes,
13:23né?
13:25as festins,
13:27as festas,
13:27os teatros
13:28e tudo aquilo
13:29que se pode chamar
13:30de pompa do século
13:32de si mesmos
13:33em sua natureza
13:34não são de modo algum
13:35coisas más,
13:36mas sim indiferentes,
13:38porém,
13:39podem ser usados
13:40tanto para o bem
13:41quanto para o...
13:43quanto para o mal,
13:45né?
13:45Então,
13:46tudo vai depender
13:46da forma como a coisa é feita,
13:51da intenção como a coisa é feita,
13:54desde a antiguidade,
13:55por exemplo,
13:56né?
13:57Desde a antiguidade,
13:58por exemplo,
13:59era comum você ter
14:00nas paróquias,
14:02a gente está falando aqui
14:02de paróquias,
14:03né?
14:04Era comum você ter
14:05as chamadas
14:05quermesses,
14:06né?
14:06Era uma maneira
14:08de angariar fundos,
14:09de levantar algum dinheirinho
14:10para as obras
14:11da igreja
14:13ou para alguma obra
14:14assistencial,
14:15então,
14:16normalmente,
14:17geralmente acontecia
14:19no dia do padroeiro,
14:20né?
14:21Então,
14:21no dia do padroeiro,
14:22né?
14:22Fazia-se uma procissão,
14:24tinha-se uma missa solene,
14:26acabados os compromissos
14:27religiosos,
14:29tinham ali
14:30barraquinhas
14:31com comidas típicas,
14:33com música adequada,
14:36e um ambiente
14:39bem familiar
14:40e bem paroquial,
14:41outros paroquianos
14:41poderiam,
14:43barraquinhas de brincadeira,
14:45né?
14:45Muito comum
14:46aqui no Brasil,
14:47por exemplo,
14:48isso ser feito também
14:49no mês de junho,
14:50que é o mês de São João,
14:52né?
14:52Então,
14:53as festas chamadas
14:54festas juninas,
14:57o pessoal vai vestido
14:58com roupa de caipira,
15:02tem as chamadas
15:03danças juninas,
15:05que não tinham nada
15:07de indecoroso,
15:11nem de desrespeitoso
15:12de forma alguma,
15:14e aí um milho cozido,
15:16maçã do amor,
15:17não sei o que lá,
15:17comidas próprias,
15:19brincadeiras,
15:20barracas de brincadeira,
15:21barraca de pescaria,
15:25barraca de acertar
15:28bola de meia
15:29na lata,
15:31essas coisas assim.
15:33Então,
15:34era uma maneira
15:35de cobrar
15:36um tiquetezinho,
15:37era uma maneira
15:38das pessoas,
15:38ao mesmo tempo,
15:39se divertirem
15:40de uma maneira saudável
15:41no ambiente paroquial
15:42e ainda ajudar
15:44a sua paróquia
15:47financeiramente.
15:48aí,
15:49agora,
15:50repito,
15:51isso não é nem virtude,
15:52nem falha,
15:54nem virtude,
15:55nem pecado,
15:57é neutro,
15:58é um ato neutro.
15:59Contudo,
16:00é sempre preciso
16:01tomar cuidado
16:01para não haver exageros,
16:04e aí é que mora
16:05o perigo.
16:06Contudo,
16:07sempre são coisas
16:08perigosas,
16:10perigosas por quê?
16:11Porque se eu não
16:12colocar o devido freio,
16:14ou se eu não colocar
16:15a justa medida,
16:17então eu posso, sim,
16:19transformar aquele ato
16:20que a princípio
16:21era um ato neutro
16:22num ato pecaminoso.
16:26Contudo,
16:26sempre são coisas
16:27perigosas,
16:28e mais ainda,
16:29o é afeiçoar-se
16:31a elas.
16:31Então,
16:32tá aí.
16:32O perigo são os apeiros.
16:35Os apeiros.
16:36E é por esta razão
16:37que eu te digo,
16:38ó Filopeia,
16:39que embora não seja
16:40pecado um jogo comedido,
16:42uma dança modesta,
16:44ou vestir-se
16:45rica e elegantemente,
16:48sem ares de sensualidade,
16:50ou um teatro honesto,
16:51tanto quanto a composição,
16:53como quanto a representação,
16:56um bom jantar,
16:58sem intemperança,
17:00contudo,
17:01a afeição que se poderia
17:03adquirir a essas coisas
17:04seria inteiramente
17:06contrária à devoção
17:07e muito nociva à alma
17:10e de grande
17:13perigo
17:13para a salvação.
17:15Então,
17:16o grande problema
17:17está no
17:18apego dessas coisas,
17:20né?
17:20No apego dessas coisas.
17:21Então,
17:22uma vez ou outra,
17:23vestir-se bem,
17:24vestir-se elegantemente,
17:25então,
17:26quer dizer que
17:26eu agora
17:27tenho porque,
17:28eu tenho que manter
17:29o espírito da pobreza,
17:31eu tenho que viver?
17:31Não,
17:31necessariamente.
17:33Não necessariamente.
17:35Eu não vou para um casamento
17:36vestido de qualquer maneira.
17:37eu não vou para um
17:40jantar de negócios
17:41apresentado de,
17:43mal apresentado
17:44de qualquer maneira.
17:46Então,
17:47o problema não está nisso,
17:48o problema está no
17:49apelo que se pode
17:50criar dessas coisas,
17:52então,
17:52esse é o grande perigo.
17:54Fazer,
17:54e aqui entra um conselho
17:56do apóstolo São Paulo,
17:57né?
17:58Veja,
17:59do apóstolo São Paulo.
18:00O apóstolo São Paulo diz
18:01usar das coisas do mundo,
18:04mas sem se deixar
18:05pertencer ao mundo,
18:07né?
18:07estar no mundo,
18:08mas sem ser
18:09do mundo,
18:11né?
18:11Então,
18:12sim,
18:12eu estou no mundo,
18:14sim,
18:14eu vou usufruir
18:15das coisas do mundo,
18:17não me é
18:19ilícito agora,
18:20então,
18:20quer dizer que,
18:21como eu sou um homem de Deus,
18:22eu tenho que viver
18:23de forma modesta,
18:25eu não posso,
18:26tem gente que,
18:27infelizmente,
18:28pensa assim,
18:29né?
18:30Então,
18:30assim,
18:30não,
18:30eu não posso,
18:33qualquer coisa,
18:35minimamente,
18:35que traga algum tipo de
18:38satisfação ou prazer,
18:39e aqui eu não estou falando
18:40de prazeres ilícitos,
18:42não,
18:43né?
18:43Não,
18:44mas como o homem de Deus,
18:46eu tenho que me abster
18:48de qualquer,
18:49então,
18:49não posso tomar um sorvete
18:51gostoso,
18:52comer um prato,
18:52uma comida gostosa,
18:54uma sobrevimeza,
18:55você,
18:55ah,
18:55não,
18:56não,
18:56tem que comer sempre
18:57uma coisinha,
18:58mais ou menos,
18:59um negócio ali,
19:00porque,
19:01caso contra o homem,
19:01pelo amor de Deus,
19:03né?
19:03Pelo amor de Deus,
19:04não me é ilícito,
19:06de forma alguma,
19:07não me é ilícito provar
19:08algo que seja
19:10delicioso,
19:11agora,
19:12claro,
19:12sabendo de maneira
19:14moderada,
19:15né?
19:15Eu não vou me empanturrar,
19:16porque aí eu estou
19:17pecando contra,
19:19pecando com o pecado da gula,
19:21né?
19:22Ou então,
19:24tudo aquilo que
19:25se realiza de bom,
19:27disse o Francisco de Sales,
19:28em outro lugar,
19:29é,
19:31saber atribuir,
19:32se é bom,
19:33é porque me veio de Deus,
19:36né?
19:36Então,
19:37ainda que internamente,
19:38né?
19:39Saborear aquele alimento
19:40que eu achei,
19:41é,
19:42gostoso,
19:43ou qualquer coisa assim,
19:44e sempre com um ar de ação de graça,
19:46sempre,
19:47ainda que mentalmente,
19:49mas em ação de graça,
19:50né?
19:50Louvando e agradecendo a Deus
19:52pela perfeição das coisas
19:54que ele fez,
19:55né?
19:55Então,
19:55obrigado,
19:56meu Deus,
19:56meu Deus,
19:57que alimento gostoso,
19:58né?
19:59Obrigado,
19:59meu Deus,
20:00por esse,
20:00por me proporcionar,
20:02saborear nesse momento,
20:03esse alimento gostoso.
20:04Obrigado,
20:05meu Deus,
20:06pelas mãos generosas
20:07que souberam executar tão bem
20:09essa receita,
20:10que Deus abençoe
20:11a pessoa que fez essa,
20:14essa,
20:15essa perfeição,
20:17essa,
20:17então,
20:17não é ilícito,
20:19não é ilícito,
20:19só não podemos deixar
20:21que nos apeguemos
20:24a isso
20:25ou a qualquer outra coisa,
20:26né?
20:26Apego,
20:27jamais,
20:28né?
20:29Então,
20:29usar dos bens
20:30do mundo,
20:32mas sem
20:32apegar-se
20:33a eles.
20:35Ah,
20:36que grande
20:37perda
20:39encher o coração
20:41de tantas inclinações
20:42vãs e loucas
20:43que o tornam insensível
20:45para as impressões
20:46da graça
20:47e de tal modo
20:48tomam posse dele
20:49que não lhe deixam
20:51nem energia
20:51e nem gosto
20:52para as coisas
20:54sérias e santas.
20:55Tá aí
20:56o,
20:57o x da questão,
20:59Tá aí o x da questão,
21:01é?
21:01Sabe,
21:02duas coisas não podem
21:03ocupar o mesmo lugar
21:04no,
21:05no mesmo espaço,
21:07né?
21:07Não tem como.
21:08E o próprio nosso senhor
21:10já tinha dito isso
21:11no evangelho,
21:12não se pode servir
21:13a dois senhores.
21:15Então,
21:16o problema do exagero
21:17está que
21:18quando dou
21:19quando dou
21:21excessivamente lugar
21:23às coisas mundanas,
21:25então não me sobra espaço
21:27às coisas de Deus,
21:29ficam ofuscadas
21:30às coisas
21:31de Deus,
21:32às coisas santas.
21:34Esse,
21:34inclusive,
21:35é um dos grandes males,
21:36a gente já falou sobre isso,
21:37né?
21:37A questão do hedonismo,
21:40seja a busca do prazer
21:41pelo prazer,
21:42uma vida satisfatória,
21:43uma vida...
21:44hoje é um dos grandes males
21:46que move o mundo
21:48e a sociedade modernas.
21:50Então,
21:51tudo aquilo que é motivo
21:53de incômodo,
21:56não, não,
21:56nada pode me incomodar,
21:59nada pode me contrariar,
22:01é?
22:02Eu tenho que só
22:02falar de coisas boas,
22:04de coisas belas,
22:05de coisas bonitas,
22:07e nada pode me incomodar.
22:09Tem que viver uma vida
22:10boa.
22:11o importante é ser feliz.
22:13Quantas vezes eu ouvi
22:14essa frase
22:15enquanto eu estava
22:16no modernismo
22:16e até mesmo
22:18nas relações do clero,
22:19não,
22:19o importante é ser feliz,
22:21né?
22:21Você gosta,
22:22não,
22:22o importante é que você
22:23está bem,
22:24né?
22:24Até mesmo quando eu tomei
22:26a decisão,
22:26vocês vejam só,
22:27né?
22:28Até mesmo quando eu tomei
22:29a decisão,
22:30falei,
22:30chega dessa
22:32bagunça,
22:33eu quero
22:35buscar a tradição
22:36da igreja,
22:37eu quero,
22:37e até hoje,
22:38dá pra vir aqui
22:39esse mês agora de agosto,
22:41deve vir,
22:42tem um padre lá do Rio de Janeiro
22:44que todo mês de agosto
22:45ele tira férias,
22:46acredito que o padre Alberto
22:47qualquer hora
22:47deva bater por aqui,
22:48pela minha,
22:49deva tocar minha campainha
22:51aqui,
22:51todo ano o padre Alberto
22:52vem aqui me visitar,
22:54né?
22:55E agora mesmo
22:56teve um encontro grande
22:57lá do,
22:59do clero no Rio de Janeiro,
23:00meu irmão foi,
23:01é,
23:02participar,
23:03e aí depois ele me escreveu,
23:05né?
23:05Dizendo,
23:06olha,
23:06a quantidade de gente
23:07eu não aguentava mais,
23:08que eu dava um passo
23:09em alguém me perguntar
23:10sobre você,
23:11como é que você está,
23:13se você está bem,
23:14não sei,
23:14e a frase era sempre a mesma,
23:15ah,
23:16cadê,
23:17como é que está o Routes?
23:18Como é que está o,
23:20eles brincam com o meu irmão
23:21falando que ele é o Routes segundo
23:23e eu sou o Routes primeiro,
23:24né?
23:25Né?
23:25Como é que está o Routes primeiro?
23:27É,
23:28ah,
23:29manda um abraço pra ele,
23:30diz que a gente está com saudade,
23:32quando ele estiver aqui no Rio de Janeiro,
23:33vamos marcar qualquer coisa,
23:35não sei,
23:35olha só,
23:36o importante é que ele está feliz,
23:39essa é a frase,
23:40né?
23:40Essa é a frase,
23:41o importante é que está feliz.
23:50Teve alguma queda aí?
23:51Está tudo bem com a transmissão?
23:55Está tudo certinho?
23:57Não,
23:57eu estou perguntando porque é o seguinte,
23:58está armando uma tempestade aqui,
24:01eu deixei a janela aberta porque está bem quente hoje aqui
24:04e deixei a janela aberta e tudo,
24:06mas eu estou vendo os raios ali fora
24:08e os ventos já estão começando
24:11e a luz já deu uma piscadela aqui
24:15umas quatro,
24:16cinco vezes.
24:17O meu medo era o,
24:18mas eu estou olhando ali o roteador,
24:22parece que se der uma piscadela,
24:23né?
24:24Se de repente acontecer de cortar a transmissão,
24:27vocês sabem o que aconteceu, né?
24:28Porque se der uma piscada de luz,
24:30corta ali o roteador,
24:33tá bem?
24:34Bom,
24:34mas enfim,
24:35essa é a...
24:38Essa é a ideia,
24:38mas acredito que se ela vier,
24:41não é para agora não,
24:43né?
24:45Bom,
24:46enfim,
24:47está piscando ali fora,
24:50né?
24:51bom,
24:52deixa São Pedro fazer o trabalho dele,
24:54eu vou fazer o meu.
24:56Bem,
24:57então essa é a ideia
24:59que o...
25:00Essa é a ideia
25:01que o...
25:01que a mentalidade moderna passa,
25:03né?
25:05É...
25:05Ah,
25:05o importante é ser feliz,
25:07etc.,
25:08né?
25:08Então,
25:09aqui que está o grande perigo,
25:11né?
25:12Então,
25:12o uso
25:13dessas coisas
25:15do mundo,
25:16né?
25:16Desde que não sejam
25:17diretamente pecaminosas
25:19ou ilícitas,
25:20não é algo
25:22essencialmente
25:22mal.
25:23O perigo está
25:25no apego,
25:27né?
25:27O perigo está
25:28no apego.
25:29Vou pegar aqui esse exemplo
25:30que eu dei agora há pouco
25:31de comer alguma coisa gostosa,
25:33né?
25:33Provar uma coisa gostosa
25:35ou não é um...
25:37um...
25:38não é um...
25:38um pecado,
25:40tá?
25:41Comer num lugar mais chique
25:42ou mais caro
25:43uma vez ou outra
25:44não é uma coisa mais cara.
25:45Agora, se eu vou lá
25:46todos os dias,
25:47é...
25:48e com muita frequência,
25:50isso se torna
25:51um escândalo,
25:53porque o que acontece?
25:54Eu estou vivendo
25:55um estilo de vida
25:56que os meus paroquianos
25:58não têm,
25:59que os meus fiéis
26:00não têm,
26:01percebem?
26:02É...
26:02E isso se torna
26:04um escândalo,
26:05é...
26:05Entende?
26:06Então,
26:06entrar num lugar
26:07mais elegante,
26:09uma vez,
26:09uma...
26:10estou fazendo uma comemoração
26:11ou recebi o bispo,
26:13então eu quero levar o bispo,
26:14uma vez é uma vez da vida,
26:16né?
26:16Eu venho aqui uma vez no ano,
26:17uma vez a cada tanto,
26:19não,
26:19quero levar o bispo
26:20num lugar um pouco mais chique,
26:22então...
26:22Estou comemorando
26:23um aniversário de ordenação,
26:25quero entrar numa churrascaria
26:27melhor,
26:28não sei,
26:28então não tem nenhum erro,
26:29nenhum pecado nisso.
26:31Agora,
26:32se começa a fazer isso
26:33com muita frequência,
26:35isso é um escândalo.
26:37É...
26:37No modernismo,
26:38eu cansei de ver isso,
26:39é...
26:40Cansei de ver isso.
26:41Rapazinho que veio
26:42de origem humilde,
26:43veio das favelas,
26:44do Rio de Janeiro,
26:45não tinha muito male-male
26:48o que comer,
26:49é...
26:50Aí, de repente,
26:50o sujeito entra no seminário,
26:52se ordena a padre,
26:55e viaja três,
26:56quatro vezes
26:57para a Europa,
26:58eu só fui uma única vez
27:00na minha vida,
27:01e mesmo assim
27:02fui a trabalho,
27:03é...
27:04e eu via aquela gente
27:06o tempo inteiro,
27:10é...
27:10sabe, né?
27:12Piscou
27:13quando ela está em Roma,
27:15abre os stories,
27:17naquela época eu tinha
27:18Facebook,
27:20abria lá a página
27:21dos sujeitos,
27:23estava em Roma,
27:24sabe?
27:24Não é?
27:25Sabe,
27:26café da manhã em Paris,
27:27almoço em Roma,
27:28jantar na Escócia,
27:30como assim?
27:31É...
27:32Como assim?
27:33Sabe?
27:34E está tudo normal,
27:35está tudo bem,
27:36troca de carro todo ano,
27:38parecia com...
27:38É...
27:39Um Rolex,
27:40como?
27:40Mas com um Rolex?
27:43É...
27:43Mas como assim?
27:45Sabe?
27:46É...
27:47Então,
27:49muito...
27:49Eu agora estou usando...
27:51Eu agora,
27:52agora que estou usando...
27:53Meus relógios sempre foram
27:55aqueles de dez reais
27:56do Camelot,
27:58né?
27:59Mas agora que eu me permiti
28:00usar um pouco mais caro,
28:03que é uma pulseira dessas de...
28:05Né?
28:06Não é smartwatch,
28:07não é smartwatch,
28:08é uma...
28:11É...
28:12Enfim,
28:12é uma pulseira,
28:13não sei das quantas,
28:14da Samsung.
28:15É...
28:15E eu comprei aquilo porque
28:17eu estava cansado de trocar
28:19bateria,
28:20né?
28:20Toda vez que acabava a bateria,
28:22tem que ir lá na elogiaria
28:24trocar bateria,
28:26não sei o quê,
28:26e aí eu falei,
28:27quer saber de uma coisa?
28:28Né?
28:28Pago um pouco mais,
28:30mas eu mesmo carrego em...
28:31E assim,
28:31pronto,
28:32é a cara resolveu minha vida,
28:33né?
28:34Boto ali para carregar de noite,
28:35ele carrega rapidinho,
28:37e pronto,
28:37e não tenho mais que ficar
28:38trocando,
28:40né?
28:40Mas assim,
28:41mas é um absurdo,
28:42sabe?
28:43É um absurdo completo,
28:44assim.
28:45Então,
28:45o grande perigo está aqui,
28:46no apego dessas coisas,
28:48aí sim,
28:49esse apego certamente
28:50abre uma porta e uma janela,
28:52abre um buraco inteiro
28:53para entrar
28:54o pecado mortão.
28:57Exatamente por isso,
28:58no Antigo Testamento,
29:00os nazarenos
29:01se abstinham
29:02não só de tudo aquilo
29:03que podia embriagar,
29:06né?
29:09Os nazarenos
29:11se abstinham
29:12não só daquilo
29:12que tudo podia embriagar,
29:13mas até mesmo
29:15das uvas
29:15e do agraço.
29:17Não é que pensassem
29:19que uma uva
29:20ou outra
29:20pudessem embriagar,
29:21mas sim faziam
29:22porque tinham medo
29:24de que se comessem
29:25o agraço,
29:27sentissem o desejo
29:27das uvas,
29:28e se chupassem as uvas,
29:30fossem tentados
29:31a beber o vinho.
29:32Não digo,
29:33pois,
29:34que em ocasião alguma
29:35possamos usar
29:36de coisas perigosas,
29:37mas digo somente
29:38que nunca
29:39poderemos apegar
29:41nessas coisas
29:42o coração
29:43sem danos
29:44à devoção.
29:47Sem danos
29:47à devoção.
29:49Ai,
29:49então,
29:50o padre pode tomar
29:51cerveja,
29:52o padre,
29:52já vi muito isso,
29:54né?
29:54Mas é assim,
29:55qual o problema?
29:57O problema
29:58não está no uso
29:59destas coisas,
30:00o problema está
30:01no abuso,
30:05no abuso,
30:06no exagero,
30:07no apego.
30:08Então,
30:09tem que tomar
30:09muito cuidado
30:10para não cair
30:13nesse fanatismo,
30:14né?
30:14O D. Rodrigo
30:15conta um episódio
30:16que ele,
30:17numa dessas andanças
30:18dele aí,
30:19dessas missões,
30:20e aí,
30:21é normal
30:22quando termina
30:24uma missa dessas,
30:25sempre levam o padre,
30:27levam o bispo
30:27para jantar,
30:29para almoçar,
30:29alguma coisa assim.
30:30E aí,
30:31levaram ele numa,
30:33era de noite,
30:34levaram numa pizzaria.
30:35Ah,
30:35vamos levar o senhor,
30:36levaram o bispo
30:37na pizzaria.
30:39Chegou lá na pizzaria,
30:40era um rodízio,
30:41ok?
30:42E aí,
30:43bebidas,
30:43o que vão beber,
30:44o que cada um vai tomar,
30:45e o D. Rodrigo vai pedir
30:47uma Coca-Cola,
30:49né?
30:49E diz que teve
30:50uma senhora
30:50que ficou extremamente
30:52escandalizada,
30:53eu,
30:53não vou mais na missa
30:55desse bispo,
30:56porque ele toma
30:57Coca-Cola,
30:58a Coca-Cola
30:59é uma empresa
31:00do diabo,
31:01não é?
31:01Que financia
31:02coisas do demônio,
31:04e não sei o que,
31:07meu Deus do céu,
31:09meu Deus do céu,
31:10é,
31:11por isso que eu prefiro
31:12viver na minha caverna,
31:13longe das pessoas,
31:14porque assim,
31:16pelo menos,
31:16as minhas imperfeições
31:18não vão escandalizar
31:20ninguém,
31:20é,
31:21porque eu vou lhe dizer,
31:23lidar com o ser humano
31:24é muito complicado,
31:25né?
31:25Então,
31:26vejam,
31:27é,
31:27o problema está
31:28no apego,
31:31é,
31:31não podemos deixar
31:32que se transforme
31:33em apego
31:34ou em vício.
31:36São Francisco de Sales
31:38dá um exemplo
31:39interessante aqui,
31:39os veados,
31:41eles engordam,
31:42se eles engordam
31:43muito,
31:46eles retiram-se
31:47para suas moitas,
31:48porque sentem
31:49que a sua gordura
31:49lhes faria perder
31:50a agilidade,
31:51que é a sua defesa
31:53natural,
31:53quando são perseguidos
31:54pelos caçadores.
31:56Deste modo,
31:57o homem,
31:58sobrecarregando
31:59seu coração
31:59com afetos inúteis
32:02e supérfluos
32:03e perigosos,
32:04perde as suas
32:05boas disposições
32:06necessárias
32:07para correr
32:08com ardor
32:09e facilidade
32:10pelas veredas
32:10para devoção.
32:12Muito interessante,
32:13né?
32:13Então,
32:13por isso que ele diz,
32:14é a moderação,
32:16a moderação.
32:17Se algo
32:18está me atrapalhando
32:20na devoção,
32:21então vamos moderar.
32:22Se algo
32:23está me atrapalhando
32:24a busca
32:27da santidade,
32:27então está na hora
32:28de cortar.
32:31Então,
32:31aquilo,
32:32nem,
32:34como dizia
32:35minha mãe,
32:35minha avó também falava,
32:36nem oito,
32:37nem oitenta e oito,
32:38nem tão pouco,
32:39nem demais.
32:41Saber
32:41a dosagem certa,
32:43né?
32:43Se algo
32:44está
32:46é tranquilo,
32:48não me atrapalha
32:49na devoção,
32:50ok,
32:50eu posso fazer
32:51uso.
32:52Agora,
32:53não,
32:53estou percebendo
32:54que isso aqui
32:55está me atrapalhando
32:56na vida
32:59de santidade,
33:00na devoção,
33:01então está na hora
33:01de rodar.
33:04Se a tua mão
33:05te leva
33:06a pecar,
33:06corta.
33:07É melhor
33:08entrar no reino
33:09dos céus
33:09sem uma mão
33:10do que
33:13estando
33:13suportamente
33:14perfeito,
33:15seres lançados
33:16no fogo do inferno.
33:17Percebe?
33:17Nosso Senhor
33:18já tinha ensinado
33:19tudo isso
33:19para nós
33:20no evangelho,
33:20o que São Francisco
33:21de Sales está
33:22ensinando aqui
33:22não é novidade?
33:23Percebe que não é novidade?
33:25Se alguma coisa
33:26representa um risco,
33:28então eu corto
33:29aquilo ali.
33:32a laranja
33:33num cesto,
33:35uma única
33:36laranja
33:37podre
33:37pode colocar
33:39em risco
33:39todo o cesto
33:40ou todo o saco
33:41de laranjas.
33:43É melhor jogar
33:44fora,
33:44perder uma,
33:45duas,
33:45três,
33:45do que perder
33:46a dúzia
33:47inteira.
33:51Os meninos
33:52correm
33:53todos os dias
33:54até não poderem
33:55mais
33:55atrás das borboletas
33:57e ninguém
33:57acha nisso
33:58alguma coisa
33:59de inconveniente
34:00porque são meninos
34:01mas não é uma coisa
34:03ridícula
34:04e ao mesmo tempo
34:05deplorável
34:06ver homens racionais
34:07se darem
34:08a foitamente
34:09a bagatelas
34:11tão inúteis
34:12como aquelas
34:12de que falamos
34:13e que além disso
34:15os fazem correr
34:17perigo
34:18de pecar
34:19e se perder.
34:20É mais um exemplo
34:21que São Francisco
34:22de Sales
34:22está dando aqui.
34:25Por isso,
34:26Filoteia,
34:26e porque a tua
34:28salvação
34:28me é tão cara
34:29eu te declaro
34:30a necessidade
34:31de libertares
34:32o teu coração
34:33de todas
34:33estas inclinações
34:35pois
34:36ainda que os teus
34:37atos particulares
34:39não sejam
34:39sempre contrários
34:40à devoção
34:42contudo
34:43afeiçoar-se
34:44ou apegar-se
34:45a estas coisas
34:46lhe causam
34:48muito grandes
34:49danos.
34:50Então está aqui
34:51o ensinamento
34:52do capítulo
34:53vinte e
34:54três.
34:55então existem
34:57imperfeições
34:58não necessariamente
34:59são pecaminosas
35:01e não estamos
35:02proibidos
35:03de realizá-las
35:04no entanto
35:05com moderação
35:06para não cair
35:07no vício
35:09e não
35:10abrir portas
35:12ao
35:13ao pecado
35:14seja ele
35:15venial
35:15ou mortal
35:16não importa
35:17não abrir
35:19portas
35:19ao
35:20ao pecado.
35:23se uma coisa
35:24representa
35:25um risco
35:26então está na hora
35:27de
35:28rodar
35:29de cortar
35:31e isso vai
35:35por
35:36para a pessoa
35:36variar
35:38de pessoa
35:38para pessoa
35:39tem pessoas
35:40que tem
35:40não tem problema
35:42com
35:42alcoolismo
35:43outras pessoas
35:44vão ter problema
35:45com
35:45o álcool
35:47para certas
35:48pessoas
35:49uma taça
35:49de vinho
35:50é tudo
35:50tranquilo
35:51para outras
35:52pessoas
35:53uma única
35:53taça
35:54de vinho
35:54já é um
35:55caminho
35:55para uma
35:56recaída
35:57de uma
35:57coisa
35:57e aí
35:58percebe
35:59de pessoa
36:00para pessoa
36:01cada coisa
36:01é muito
36:04específica
36:04por isso
36:05a necessidade
36:06da direção
36:07espiritual
36:08porque ali
36:09junto
36:10do diretor
36:10espiritual
36:11o pai
36:12espiritual
36:13vai conseguir
36:14dar um
36:14direcionamento
36:15específico
36:17para aquela
36:18situação
36:19específica
36:20que a pessoa
36:20que a pessoa
36:22vive
36:23e não
36:24algo
36:26totalmente
36:27genérico
36:28existe uma
36:29outra questão
36:31aqui também
36:31que São Francisco
36:32de Sales
36:32não abordou
36:33nesse capítulo
36:34ele fala
36:35assim
36:35num outro
36:36texto
36:38não aqui
36:39nesse capítulo
36:40mas que eu acho
36:41interessante
36:43mencionar
36:43já que estamos
36:44falando sobre
36:45as imperfeições
36:47como a gente
36:48acabou de ver
36:48existem imperfeições
36:50que a gente
36:51tem que ver
36:54tem que ver
36:54a gente
37:19tem que ver
37:45Legenda Adriana Zanotto
38:15Legenda Adriana Zanotto
38:45Legenda Adriana Zanotto
39:15Legenda Adriana Zanotto
39:45Legenda Adriana Zanotto
40:15Legenda Adriana Zanotto
40:26Legenda Adriana Zanotto