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  • há 2 dias

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00:10Olá, eu sou Patrícia Valle e esse é o Wealth Point, onde os grandes gestores compartilham
00:15suas visões. Como educar os filhos financeiramente, como introduzir os primeiros conceitos sobre o
00:22valor do dinheiro, quanto custam as coisas, o valor do dinheiro no tempo, restrições
00:27orçamentárias e até mesmo o quanto a família tem de patrimônio. Essas são dúvidas que deixam os pais
00:33preocupados e nós vamos debater hoje. Para essa discussão, recebemos Ana Leone, CEO da Planejar,
00:41e Sigrid Guimarães, CEO do Multifamily Office, a LOC. Bem-vindas ao Wealth Point. Obrigada pelo convite.
00:51Obrigada pelo convite, tema super importante nos dias de hoje.
00:54Eu agradeço imensamente a presença de vocês. Queria que a gente começasse a dizer quando esse assunto
01:02de educação financeira deve ser introduzido pela primeira vez. Em que momento faz sentido a gente
01:08começar a falar sobre dinheiro em casa, mostrar que as coisas que a gente tem, tem um custo? Ana,
01:14pela sua experiência, o que você acha? Bom, acho que o tema dinheiro, ele pode ser inserido a depender
01:20da maturidade da criança, com o tempo. Mas o que a gente precisa ensinar os nossos filhos,
01:25desde sempre, talvez desde que eles sejam bebês, é a gerir recursos. Porque o dinheiro é apenas um
01:32recurso de tantos que a gente precisa gerir ao longo da vida. Então, a energia, o tempo, a água,
01:40todas essas coisas são recursos que precisam ser geridos. E a gente pode ensinar isso para os nossos
01:45filhos desde muito jovens. Então, eu costumo dizer, né? A gente pode pagar, de repente, a conta de luz,
01:52mas não necessariamente a gente desperdiça a luz. A gente pode pagar a conta de água, mas a gente ensina
01:57os nossos filhos desde pequenos, quando eles estão escovando os dentes, eles precisam desligar a água,
02:02depois escovar os dentes, abrir a água e enxugar a boca. Então, essa é uma forma de ensinar a gerir
02:07recursos.
02:08E aí, fazendo isso, quando se introduz a temática do dinheiro, ou seja, as trocas de valores,
02:15e aí não necessariamente essas trocas envolvem o dinheiro físico, aí você já tem na criança uma noção
02:22do que é essa gestão. A gestão do tempo é uma coisa super relevante. Eu costumo dizer assim,
02:27se a gente quer ensinar uma competência para os nossos filhos, que isso vai ser válido para todas
02:32essas gestões, é o saber esperar, por exemplo. E aí, o saber esperar, que para uma criança é uma coisa
02:39super complicada, sem distração, né? Você vai num restaurante, você pede o prato, tem um processo,
02:45né? Você faz o pedido, o pedido vai ser passado à frente, vai ser elaborado, vai chegar à mesa.
02:51Isso é um processo que é importante a gente ensinar as crianças desde muito pequenas,
02:57porque ela está gerindo não só o tempo, mas está gerindo a expectativa e está aprendendo
03:03o autocontrole e que tudo na vida tem um processo e esse processo leva tempo.
03:07O que você acha, Sigrid?
03:09É, eu concordo com tudo que a Ana falou e eu complemento que eu acho que educação financeira
03:15ela é uma construção que ela tem que começar desde cedo. E essa conversa, ela pode ir amadurecendo
03:22e aumentando, ampliando, conforme a criança for ficando mais velha. Então, eu acho que,
03:27claro, tem a questão do exemplo dentro de casa, como a Ana falou, né? De você mostrar
03:32para a criança que apagar luz, não pode gastar luz e tal, mas eu sugiro começar com uma idade
03:37ali de nove anos. Ou quando a criança começa a ter alguma autonomia com dinheiro. Às vezes,
03:44você, a criança precisa ter algum dinheiro para comprar o lanche da escola. Isso já é uma ótima
03:50oportunidade para você falar, olha, você tem cinquenta, trinta reais por semana
03:55para o seu lanche. Se ele gastar os trinta na terça, ele vai entender que não deu
03:59para o resto da semana. Esse tipo de coisa, eu acho que você pode começar a tratar
04:04desde pequeno. Desde quando tem alguma autonomia com dinheiro ou, às vezes, não. Às vezes,
04:10você começa com nove anos mostrando para eles a diferença entre necessidade e o desejo.
04:16Então, ah, eu quero uma chuteira nova, colorida, igual a, sei lá, do Neymar.
04:23Mas ele tem uma chuteira boa. Então, são oportunidades de você falar,
04:27isso é necessidade? O que você acha, meu filho? Isso é necessidade? Isso é desejo?
04:32Você já começar a plantar isso? Isso é desejo? Isso é desejo?
04:36Você tem uma chuteira que você funciona? Tem. Então, vamos deixar para você
04:40pedir isso para o Papai Noel? Vamos deixar isso para o seu aniversário?
04:45Porque isso é um desejo. Eu acho que são esses conceitos que você pode começar a plantar
04:52desde pequeno. E aí, conforme eles forem crescendo, você vai ampliando essa discussão.
04:58Chegou na adolescência, está com uma mesada? Aí começa a ampliar essa discussão.
05:03E pelo que vocês colocaram, esse assunto, tanto de gerenciamento de recursos,
05:09e o que é desejo e necessidade, pode começar ali logo nos primeiros anos de vida, né?
05:14Com certeza. E uma coisa interessante, vendo a Silvia de falar, que a gente não precisa inventar
05:20projetos também para educar os nossos filhos financeiramente.
05:23Exatamente. Porque o tempo inteiro a gente já faz essa gestão.
05:26É a gente aprender a envolver os nossos filhos nessa...
05:30Enxergar as oportunidades de discussão também, né?
05:34Então, fazer uma viagem de férias, fazer uma viagem no final de semana, inserir eles nesse planejamento
05:40e nessa organização desse plano familiar, é uma forma de ir rompendo as barreiras que o dinheiro traz como tabus.
05:49Então, você vai fazer uma viagem, chama para participar, para ajudar a planejar, para escolher o destino,
05:55para entender quanto aquilo custa, até para ver, né?
05:59Ninguém planeja uma viagem do dia para a noite, isso é um processo, como eu falei.
06:03Então, a gente tem já no nosso cotidiano uma série de projetos, uma série de decisões que a gente toma
06:08e acho que ao envolver os filhos isso se torna uma coisa natural.
06:12Não precisa de um aprendizado dos pais inventarem projetos para os filhos aprenderem de uma teoria que não é muito
06:18a prática.
06:18Você falou de viagem, eu lembrei de um exemplo legal também, que eu acho que às vezes a criança não
06:23tem mesada,
06:24mas uma viagem pode ser uma oportunidade legal para você, por exemplo, dar um valor pequeno,
06:30falar esse valor aqui, você vai escolher o que você vai usar isso aqui para comprar para você.
06:35E é muito interessante, porque aí eles chegam na loja, às vezes pegam uma coisa que é cara, que o
06:40dinheiro não dá,
06:40é, esse não dá, esse não dá.
06:42Ou eles começam a olhar, isso eu já vi várias vezes fazer essas brincadeiras com as minhas filhas.
06:50Peraí, isso aqui custa dois, então eu posso comprar cinco desses?
06:53Se eu comprar esse aqui, eu só posso comprar um, né?
06:56Então, eles começam a fazer essas comparações que é um exercício do valor do dinheiro.
07:05E isso pode ser feito em uma viagem.
07:07Você dá ali 50 moedas ali, dinheiros para ele, seja qual moeda que for, dólares ou reais, enfim, importa o
07:14valor,
07:15para ele começar, olha, isso aqui você vai escolher o que você vai fazer.
07:19É, por sua conta.
07:20Então, isso é uma forma de um exercício de, no cotidiano, de você começar a educar desde pequeno.
07:26Bem interessante.
07:27E monta a grande dúvida dos pais em que momento começar a dar mais autonomia, tipo, quando dá a mesada,
07:34né?
07:34E se essa mesada vem com um cartão, que é um outro jeito também de lidar, mas hoje em dia
07:40é tão difícil já lidar com notas, né?
07:42Se parece uma coisa também pré-histórica, mas fica digital, né?
07:45É mais difícil saber como está controlando.
07:48Vocês acham que tem uma idade, assim, que se deve dar isso ou depende de cada criança?
07:55É, Sigrid, acho que você começa essa, tá?
07:57É, eu acho que a mesada, ela entra numa época em que a criança passa a ter autonomia, alguma autonomia.
08:06A criança já pode ir para o shopping sozinho, vai sair com os amigos, vai para um cinema, já pode
08:13ficar no shopping sozinho,
08:14vai para o clube, passar o dia sozinho, com os amigos, que já tem essa autonomia.
08:19Esse é um bom momento para começar, porque você vai dar aquela quantidade ali de dinheiro.
08:24O que eu acho importante quando você estabelece uma mesada?
08:27É deixar muito claro que está incluído e que não está incluído.
08:30As regras.
08:31As regras da mesada.
08:33E talvez aproveitar para começar a passar alguns conceitos.
08:39Por exemplo, quando eu comecei a dar a mesada, eu disse para a minha filha,
08:43tenta, da sua mesada, guardar uns 10 a 20% do que você ganha,
08:50porque se você fizer isso todo mês, de repente você consegue comprar aquilo que você quer lá na frente.
08:57Tentar passar talvez até algum conselho, algum 10% para poder fazer uma ajuda social.
09:03Você pode usar para esses conceitos ou não, mas eu acho que é um bom exercício.
09:09E deixar muito claro que está dentro.
09:10Para você não colocar muita coisa naquela mesada e a criança receber um volume muito grande
09:15que pode dar com os burros na água.
09:20ou restringir demais que também a criança não consegue nem...
09:25Mas sobre essa conversa que vocês falaram antes, sobre ver o que é necessidade, o que é desejo.
09:31A mesada já deve ter os dois, por exemplo.
09:33A mesada, o que ela vai lanchar na escola, mas também o que ela vai querer de presente no fim
09:39do ano.
09:40O que você acha, Ana?
09:41Eu acho que assim, é muito difícil ter uma regra específica, mas o mais importante da mesada
09:46é que ela é um instrumento educativo muito potente e é um treino para a vida adulta.
09:53É ter essas regras, independente de quais forem.
09:57Então, se todos os custos ali estão envolvidos, aí então está, olha, o lanche da escola está envolvido,
10:05o sair com os amigos, o passeio, o presente que você quer comprar para os seus filhos.
10:09É definir essas regras, porque a gente também tem regras para o uso do nosso dinheiro.
10:14E mais importante é cumprir as regras, sejam quais forem.
10:19Olha, isso aqui só tem o lanche da escola? Ok, então é só o lanche da escola.
10:23Ah, isso aqui é free, você usa para o que você quiser? Então essa é a regra.
10:27Por quê? Porque também é um ensinamento que se a gente não segue as regras,
10:32a gente também deixa as bordas muito borradas para a criança aprender.
10:37Então, por exemplo, se a criança se perde com o valor, olha, gastou tudo em três dias,
10:44esse negócio deveria durar uma semana, porque isso também é a semanada ideal para crianças mais novas,
10:49porque elas têm uma noção de tempo diferente das crianças mais velhas.
10:53Ou seja, mais jovem seria mais ou menos que...
10:55A partir de cinco anos, por exemplo, que já começa a se pré-alfabetizar, já tem noção dos números.
11:01Então a semanada é uma coisa que tem um período mais curto e ajuda nessa causa e consequência desse uso
11:08do acerto e do erro do dinheiro.
11:11E aí depois pode passar para a quinzenada e até a mesada, de fato, que é o mais popular.
11:16Então, se acabou o dinheiro, o que vai fazer?
11:21Você vai complementar o dinheiro? Você vai dar mais ou você vai emprestar?
11:26Porque se você dá, não tem problema também nenhum.
11:28Agora, se você emprestar, faça a criança pagar, porque ela vai entender a responsabilidade de pagar uma dívida, por exemplo.
11:35Então, às vezes, é mais difícil os pais seguirem as regras que eles definem na semanada, na mesada ou na
11:41quinzenada,
11:42do que propriamente o valor ou o aprendizado que aquilo trata.
11:46Então, é um exercício de aprendizado para os pais também.
11:49Então, eu vejo muito, ah, mas ele precisou de cinquenta reais a mais, não vou cobrar.
11:52Cobre, porque isso é dar ao filho a noção de responsabilidade e prioridade daquilo que foi acordado,
11:59do contrato que ele estabeleceu com o filho.
12:01E mesmo sendo a mesma educação, filhos podem agir de forma diferente, né?
12:06Na minha casa foi exatamente assim.
12:08A primeira mesada que eu dei para as minhas filhas, uma guardou aquilo, uma pão dura, não queria gastar com
12:15nada,
12:15porque já queria economizar, porque já estava pensando em comprar alguma coisa.
12:18E a outra, em dez dias, gastou tudo.
12:20Na primeira mesada, falou, mãe, tem mais?
12:23Eu falei, não, não tem mais, agora você vai ter que esperá-la.
12:26Mas como assim, não dá para...
12:27Eu falei, não, não dá, você vai ter que esperar.
12:30E isso foi, isso é muito interessante de falar, porque o intuito da mesada é para as crianças aprenderem e
12:38elas vão errar.
12:39Então, tudo bem elas errarem, né?
12:42Para os pais não serem aquelas coisas também, porque estão aprendendo.
12:45É uma construção, né?
12:48E não dá as coisas muito fáceis, que nem isso, né?
12:52Ele errou, já vai lá e dá.
12:53Deixa eu sofrer um pouquinho para entender o valor do dinheiro.
12:57A recompensa, é muito importante eles aprenderem a esperar para ter a recompensa, né?
13:04Eu me lembro que a minha filha queria um AirPods, que tinha saído, aquele modelo novo.
13:11E ela começou numa de todo mês, ela guardava.
13:17E eu falei, não vou dar.
13:19Eu deixei ela e ela todo mês, ela guardava.
13:21E aí eu me lembro que, sei lá, em tantos meses depois, ela foi e comprou.
13:25O orgulho que ela ficou de ter comprado o AirPod com o dinheiro que ela guardou, isso é muito bacana.
13:34Porque você está ensinando para a criança o valor, a recompensa por esperar.
13:41Que isso é difícil quando a gente está falando de classe muito alta, né?
13:46Que elas ganham muita coisa.
13:48Isso é difícil num patamar mais alto.
13:52Mas é muito importante que você tenha alguma disciplina e que você siga essa regra.
13:56Sua mesada é tanto.
13:58Você, talvez, um dia e outro, você pode dar alguma coisa por fora.
14:01Você pode fazer porque acontece.
14:03Vou te dar esse mês aqui.
14:06Ademersário, um dia das crianças, dar uma coisa a mais, assim.
14:09Isso, eu acho que o presente não tem a ver com a mesada.
14:13Interessante falar isso.
14:13É o presente, é o presente, é a mesada, é a mesada.
14:16A mesada é o dinheiro para...
14:17Assim como eu trato, por exemplo, a necessidade.
14:20Se a minha filha, a chuteira do teu filho estragou, ele precisa de uma chuteira nova,
14:27não tem para jogar futebol, isso é uma necessidade, não é um desejo.
14:31Eu acho que isso não tem que estar na mesada.
14:33Às vezes a minha filha pergunta, mãe, isso é eu que tenho que comprar ou você compra?
14:36Eu falo, não.
14:37Aí, às vezes, eu pontuo.
14:38Minha filha, isso você está precisando, isso eu vou te dar.
14:41Isso é uma necessidade.
14:42Bem legal.
14:42Isso eu vou te dar.
14:43Então, eu acho que essa clareza vai ajudando eles a entenderem.
14:49É.
14:50E o que vocês acham que são os principais erros que os pais cometem nessa tentativa de
14:56educar os filhos com esse dinheiro?
14:59Tem alguma coisa que, talvez, até pela ansiedade dos pais, a preocupação, são erros clássicos
15:06que a gente poderia comentar aqui?
15:08Nossa, né?
15:09Vamos lá.
15:10Eu acho que é isso.
15:12Não cumprir, assim, não seguir os acordos que foram feitos, porque os acordos, eles podem
15:16ser quais querem, né?
15:19Mas o cumprir é muito difícil.
15:21E é difícil mesmo, porque tem um quê de disciplina ali, né?
15:24De você pagar todo dia no mesmo, né?
15:27Todo mês no mesmo dia.
15:28Você ter aquelas regras e seguir as regras.
15:30Seguir regras é uma coisa que é muito custosa se aquilo ainda não é um hábito.
15:37E, muitas vezes, a gente desiste antes do hábito ser construído.
15:41E tem uma coisa que aí é difícil para todo mundo, é esperar o benefício, que foi o exemplo
15:47que você trouxe da sua filha, por exemplo.
15:49Porque tudo o que você deixa de fazer agora, você tem que entender qual a recompensa futura.
15:56E, às vezes, demora para isso acontecer.
15:58E aí, a gente sempre olha isso como uma renúncia, porque a gente ainda não construiu o benefício
16:04que vem logo depois.
16:05Então, desistir muito fácil de uma coisa que leva tempo para se consolidar.
16:10Então, acho que esse é o ponto.
16:12E o outro, para mim, de um erro, é de você colocar os seus próprios tabus na geração seguinte.
16:21E que é uma temática muito difícil falar de dinheiro.
16:23Ninguém fala com naturalidade.
16:25Eu costumo dizer, eu teorizo muito bem sobre o dinheiro dos outros.
16:28Sobre o meu dinheiro tem as minhas dificuldades, as minhas inseguranças.
16:32E quanto mais a gente não consegue lidar com isso de maneira natural,
16:35a gente vai colocando isso para os filhos.
16:37E achar também que pais poupadores gerarão filhos poupadores
16:42ou pais perdulários gerarão filhos perdulários.
16:46Não há essa regra.
16:47E o exemplo sempre vai ser o melhor jeito de educar.
16:50Não pode ser o melhor, mas é o único que realmente vai mostrar para crianças coisas
16:56que aí vai ajudar ela a construir a personalidade delas.
16:59Mas quanto mais a gente também se educar primeiro
17:02e baixar a nossa guarda de coisas que são desconfortáveis,
17:05é o que mais acertos a gente faz com os nossos filhos.
17:08O que eu vejo como os maiores erros, normalmente, são as coisas extremas.
17:18Então, o pai que acaba dando dinheiro demais no mundo do filho,
17:24eu já vi crianças que têm a mesada, mas têm um cartão de crédito.
17:28Aí, paga várias coisas com o cartão de crédito e usa a mesada.
17:33Então, na verdade, aquela mesada é muito maior.
17:36Então, é aquele excesso.
17:37Ou criança acaba a mesada e já coloca mais, já coloca mais, já coloca mais.
17:41Então, no fundo, você não está educando.
17:43Você está dando muito dinheiro na mão.
17:46Então, isso é o extremo.
17:47E o outro extremo é aquilo até que você comentou um pouco
17:51quando a gente estava conversando aqui do lado de fora,
17:53que é você começar, o pai ficar, ter aquilo como ferro e fogo,
17:57começar a cobrar por, oferecer dinheiro por filho,
18:01por coisas que você levantou esse ponto até,
18:04que são obrigações dele, né?
18:05Vai arrumar a cama no final de semana, então te dou 50 reais.
18:08Isso é obrigação.
18:09Passou de ano, dinheiro.
18:12Isso é obrigação, né?
18:14Então, você está premiando por coisas que...
18:17Não associar o dinheiro a atividades que são obrigações serem feitas.
18:22É, são obrigações, né?
18:24É, porque o dinheiro não premia tudo.
18:26Ele premia esforço, ele premia dedicação, trabalho.
18:30Ele premia uma herança.
18:32Mas que, muitas vezes, até essas heranças,
18:35elas não são conquistadas.
18:38Ou seja, conquistadas no sentido de ir se incorporando
18:42e entendendo como ela acontece.
18:44Mas você realmente cai no colo.
18:46Então, tudo aquilo que não tem o valor de esforço,
18:51independente se é mais ou menos,
18:53você perde essa noção do benefício.
18:57Porque, de fato, o dinheiro não premia tudo.
19:00Você ser educado com uma pessoa na rua
19:02não te vai fazer um pix na sua conta.
19:05E a gente precisa ensinar isso para o filho.
19:07É.
19:07E pensando um pouco na perspectiva dos pais,
19:11é difícil, né?
19:12Às vezes, a gente também está aprendendo a educar os nossos filhos, né?
19:17E, às vezes, as pessoas têm até as melhores das intenções
19:21e dá errado.
19:22Eu tenho um exemplo que uma amiga,
19:25ela resolveu, ela me perguntou, né?
19:27Quanto que dava, que não sei o quê.
19:29E ela falou assim, não,
19:30eu quero que ela aprenda a gerenciar o dinheiro dela.
19:32Então, eu vou pegar tudo o que ela paga,
19:34tudo o que eu pago para ela no mês,
19:36vou colocar esse dinheiro na mão dela
19:39e ela vai lá, ela vai pagar o professor,
19:42ela vai comprar o presente de aniversário da amiga,
19:45que eu compro, que vai estar, na época toda, fazendo 15 anos.
19:49E, só que, quando ela juntou aquele bolo
19:51e colocou na conta da filha,
19:53era muito dinheiro.
19:57E a menina ficou encantada com aquela quantidade de dinheiro
20:01e começou a tomar decisões péssimas.
20:03Comprava um presente horrível para a amiga de 15 anos
20:06porque queria ficar com mais dinheiro para comprar, não sei o quê.
20:08Então, foi uma boa intenção que deu errado.
20:14Porque a educação financeira, ela tem que ir aos poucos.
20:18Ela é um trabalho de construção.
20:21Então, você vai dando mais dinheiro conforme a criança for amadurecendo.
20:27Eu acho que é importante você começar essas etapas.
20:29Por isso que eu falo, com 9 anos,
20:31é o dinheiro da cantina que você vai começar a trabalhar.
20:34É o dinheiro da viagem que você vai começar a trabalhar.
20:37Com 10, 11, quando começar a ficar adolescente,
20:40que começou a sair, que já sai sozinho,
20:42é o dinheiro do clube, é o dinheiro do cinema.
20:44Opa, já pode, cabe uma mesada aqui.
20:46Uma mesada menor.
20:48Outro dia, alguém me perguntou,
20:49falou, estou dando não sei quantos reais.
20:50Meu filho, eu falei, ele é muito para a cidade.
20:53E aí, as minhas filhas, eu fui aumentando conforme foram chegando.
20:57Ensino médio, né?
20:58E aí, você pode, por exemplo, tomar decisões.
21:01Olha, em janeiro, fevereiro, que é mês de férias, né?
21:05Que sai muito mais.
21:07Às vezes, eu falo para minhas filhas,
21:09janeiro, fevereiro, eu vou aumentar a sua mesada em X reais.
21:12Porque elas estão de férias, eu sei que vão sair mais, vão à praia.
21:15Mas também não dá para aumentar um tantão,
21:17senão acham que a vida é fácil.
21:19Então, é seguir as regras e também saber dosar essas questões.
21:25Mas outro, acho que outra coisa muito importante que vocês falaram é
21:29não associar o dinheiro a uma recompensa.
21:35Passar de ano não significa que você vai ganhar alguma coisa.
21:39Se você tirou nota boa na escola, não significa que você vai ganhar alguma coisa.
21:45E isso é importante para vocês colocar assim desde o início até para...
21:49Para não se achar que tudo é dinheiro, talvez?
21:52É, porque também você gera uma mensagem errada, assim, né?
21:56Porque no fundo, assim...
21:57De novo, tudo isso é um treino para a vida adulta.
21:59Independente da sua condição social, a vida adulta não é assim que...
22:04Na vida adulta não é assim que acontece.
22:06Você é recompensada pelo seu esforço, pelo aquilo que você desempenhou,
22:10pelo aquilo que você construiu.
22:13E esta construção que é alvo dessa recompensa.
22:19Porque senão é uma frustração.
22:21Então, poxa, eu fui bem no trabalho e não ganhei um aumento?
22:24Não, porque não é assim que a vida acontece.
22:26Não é exatamente.
22:26Ah, eu cheguei todo dia no horário e...
22:29Então, é assim.
22:30Você tem que chegar no horário, né?
22:32Ah, mas eu fiquei doente, não pude trabalhar, fui descontar.
22:34Então, é assim que a vida acontece.
22:36Então, acho que, assim, a gente também tem muito medo de frustrar os nossos filhos.
22:41E parte da nossa vida é saber lidar com a frustração
22:45e não impedir que a frustração aconteça.
22:48Até porque, toda vez que você faz uma escolha, em qualquer aspecto da sua vida,
22:52você vai estar renunciando a alguma coisa.
22:54E, muitas vezes, essa renúncia traz um arrependimento.
22:57Porque você não sabe qual o resultado que você vai colher de antemão da decisão.
23:02Por isso que essa incerteza que a gente vive a todo tempo
23:06é um exercício para a gente também aprender a lidar com esses momentos de incerteza.
23:12Então, saber lidar com a frustração.
23:14Poxa, eu queria comer macarrão, mas pedia carne.
23:16Poxa, o macarrão estava mais gostoso.
23:18Putz, está bom, mas aproveite a carne.
23:20Porque foi o que você escolheu.
23:22Conviva com a sua decisão.
23:23E, muitas vezes, a gente...
23:25E aí, é, eu sou mãe, né?
23:27A gente tem a tendência de querer proteger extremamente os filhos.
23:31Mas, eu até escrevi uma comuna minha dizendo assim,
23:34a superproteção não protege.
23:36Ela fragiliza os nossos filhos emocionalmente e as frustrações da vida.
23:40Então, quando a gente deixa eles errarem, deixa eles se frustrarem
23:44e a gente ajuda eles a administrar a frustração,
23:47a gente está construindo casca para eles nessa vida adulta.
23:51Passando mais um degrauzinho, né?
23:53A gente falou desde o início como aprender a gerir recursos,
23:56depois como realmente gerir dinheiro,
23:59para semanada, para mesada.
24:01Em algum momento, na adolescência,
24:04já dá para a gente introduzir
24:06como a gente pode fazer investimentos,
24:09ou seja, quando essa parte da mesada
24:12devia ser pensada para um futuro
24:15de uma forma didática também,
24:17sem pressionar a criança.
24:19Mas, vocês acham que faz sentido
24:22introduzir essa ideia de que
24:23tem que guardar uma parte disso que você ganha
24:26para o futuro ou não, ainda cedo?
24:29Qual a opinião de vocês sobre isso?
24:30Eu acho que é uma excelente hora.
24:34A gente, até na Locas,
24:35desenvolvia um curso de educação financeira
24:38que a gente começa a falar
24:39sobre essa questão de investimento
24:41entre 14 e 17 anos,
24:44mostrar para eles o valor do tempo,
24:47de multiplicar o dinheiro,
24:49porque eu acho que a educação financeira
24:51ela não é sobre dinheiro,
24:53ela é sobre boas escolhas, né?
24:56E aí, quando você entra com a introdução
24:59dos investimentos,
25:00acho que você mostra para eles
25:02que quanto mais cedo você começar,
25:05o tempo e os juros compostos
25:06fazem com que aquele dinheiro cresça.
25:10Então, na própria mesada,
25:12hoje nos bancos digitais,
25:14todos já têm isso.
25:15As crianças podem já começar a subir...
25:18Minha filha, quando ela começou a poupar
25:20e elas ficaram maravilhadas com isso,
25:22mas a primeira vez ela falou assim,
25:25Mãe, como é que pode?
25:27Eu só ganhei 10 reais.
25:29Barato, né?
25:30Tipo assim, é só isso que ganha investindo dinheiro,
25:33porque ela toma o dinheiro, né?
25:34Eu falei, não.
25:35Aí eu fui explicando para ela.
25:37Aí ela começou a se interessar sobre o assunto.
25:39Então, isso, exatamente,
25:41em três dias, em quatro dias.
25:42Então, ela começa a questionar
25:45que você começa a trazer.
25:47Isso começou a virar umas discussões
25:49que a gente começou a ter
25:50na mesa do jantar.
25:52E aí, outro dia,
25:54ela me ligou assim, desesperada,
25:55e falou,
25:55Mãe, você pode me depositar 100 reais?
25:58Eu falei, como assim?
25:59Cadê sua mesada?
25:59Ela falou assim,
26:00é porque é final de semana
26:01e no final de semana
26:02não dá para resgatar.
26:04Olha só.
26:05E aí eu coloquei tudo lá,
26:07porque eu queria ganhar mais dinheiro.
26:09Então, você me deposita 100 reais
26:11e na segunda-feira eu te devolvo.
26:13Eu falei, tá bom.
26:14E aí eu depositei para ela
26:15na segunda-feira.
26:16Então, isso é importante você passar,
26:19porque, no fundo,
26:20a gente tem que começar
26:22a passar esse conceito para eles, né?
26:25Porque o nosso inverno é longo, né?
26:27Eles vão viver muito.
26:29Então, eles precisam começar a poupar
26:30e investir.
26:32Quanto mais cedo, melhor.
26:33O que eu acredito também
26:35é que é importante você definir objetivos.
26:37porque aí tem uma questão
26:38que entra ali da psicologia,
26:40até um pouco da neuroanatomia, né?
26:44É muito difícil a gente
26:45se projetar nesse futuro.
26:47Eu tenho 53 anos,
26:48eu tenho dificuldade
26:49de me pensar com 80.
26:50Isso é uma incapacidade
26:53que nós, seres humanos,
26:55temos de nos projetar nesse futuro,
26:57porque a nossa espécie
26:58foi pensada para prazeres imediatos,
27:00para o hoje,
27:01para poupar recursos,
27:02porque a gente precisa usar
27:03o recurso hoje.
27:05Então, imagina isso numa criança.
27:06E para nós,
27:07tanto para as crianças,
27:08adolescentes e para os adultos,
27:10quanto mais você define objetivos,
27:12mais você materializa objetivos,
27:15mais você entende
27:16quais são os esforços necessários
27:18que você precisa empenhar
27:19para aquele objetivo
27:20se tornar uma realidade.
27:21Então, você quer ir viajar?
27:22Você quer viajar daqui a um ano
27:23ou no final de semana?
27:25Você já dá a noção para a criança
27:27de qual o esforço.
27:28Se for no final de semana,
27:29você vai ter que correr mais.
27:31Em um ano, você tem mais tempo.
27:33E aí, gera também um outro aspecto
27:35que é o viés da posse.
27:37Aquela coisa de você já criar
27:40e ter da concretude
27:42a uma coisa que é abstrata,
27:44que é este futuro
27:45que a gente olha
27:46de uma maneira abstrata.
27:47Então, quanto mais ajudar os filhos
27:48a definir objetivos, melhor.
27:51Então, você quer fazer uma viagem
27:52no final do ano?
27:53Então, para onde você quer ir?
27:55Quanto custa a viagem?
27:57Onde você vai ficar?
27:58Ah, você quer comprar um tênis novo?
28:01Que tênis é esse?
28:02Qual o preço do tênis?
28:03Então, quanto mais material
28:05se tornar aquele objetivo,
28:07mais a gente dá senso
28:09de esforço necessário
28:10para aquele objetivo ser atingido.
28:12E uma curiosidade, Ana,
28:13nessa ideia do dinheiro futuro,
28:16dá para já introduzir
28:18que o dinheiro no futuro
28:20vale mais do que hoje,
28:22que é isso um pouco
28:23que a Sigrid falou,
28:24que os juros compostos
28:26ou qualquer aplicação financeira,
28:27enfim, o dinheiro vai trabalhar
28:30para te ajudar nesse futuro
28:32e tem o dinheiro do agora?
28:35O tempo é um acelerador
28:36se você tem a capacidade de poupar.
28:39Então, como ela disse,
28:40trazer esses conceitos
28:41do investimento e dizer,
28:42ó, ele lá paradinho
28:43ele vai trabalhar ao seu favor.
28:46É importante.
28:47Mas eu costumo dizer duas coisas.
28:48O dinheiro é feito para usar.
28:50Ele só não é feito para usar
28:52tudo de uma vez
28:53e nem qualquer coisa.
28:54Então, isso é uma lição
28:56que a gente precisa dar
28:56para os nossos filhos.
28:57E a outra é que
28:59independência financeira
29:00é algo para a gente usar
29:02e construir
29:03para o momento presente também.
29:05Porque senão,
29:06a gente também desmotiva
29:08aquela coisa
29:09da gente só pensar
29:10nesse futuro.
29:11E a independência financeira
29:13não é igual
29:14você escalar uma montanha,
29:16chegar no cume.
29:17Ah, cheguei.
29:18Não.
29:19É a escalada,
29:21é o subir,
29:21é o descer.
29:22Então, a independência financeira
29:24é algo que a gente precisa conquistar
29:25para o momento presente.
29:26é cotidiano.
29:27E nunca você vai atingir
29:28o lugar e lá ficar.
29:30Você vai atingir o lugar
29:31e você tem que se manter nele.
29:33Então, essas coisas
29:34são importantes
29:34da gente dizer
29:35para os nossos filhos.
29:36Então, olha,
29:36você está tendo esse dinheiro,
29:38você tem que gerenciar
29:38para você fazer as coisas
29:40que você quer agora
29:40e as coisas que você vai fazer
29:41na semana que vem,
29:42no mês que vem,
29:43no ano que vem.
29:44mas isso também é uma construção
29:46que a gente tem dificuldade,
29:48até mesmo as pessoas mais velhas,
29:50de se projetar nesse futuro.
29:52Então, a gente também trazer
29:53isso que, olha,
29:54é para hoje também,
29:55mas que não é para hoje
29:57gastar tudo,
29:57é para hoje
29:58a conquista dessa independência.
30:00Eu digo que,
30:01muito assim,
30:02para os meus clientes,
30:03que poupar é negociar
30:05entre o prazer do presente
30:06e a segurança do futuro.
30:08E eu acho que
30:10você não pode ir
30:11para nenhum dos dois extremos,
30:13mas eu acho que é importante
30:14passar para isso
30:16para os nossos filhos também.
30:20Porque hoje a gente tem que lidar
30:21com a questão da longevidade.
30:23E eu acho que
30:24a parte dos investimentos,
30:26que é o que você trouxe
30:27aí na sua pergunta inicialmente,
30:29ele é um acelerador
30:31do crescimento do dinheiro
30:33ao longo do tempo.
30:34Então, acho que
30:35passar esses conceitos
30:37é muito importante
30:38e eu acho que é importante
30:39pontuar que isso serve,
30:42é muito importante
30:43para todo mundo
30:44em qualquer profissão.
30:45Porque às vezes
30:46eu tenho cliente,
30:48filho,
30:48que fala assim,
30:49meu filho quer ser ator,
30:51meu filho quer ser artista,
30:52meu filho quer ser músico.
30:53Eu falo, não importa.
30:55É muito importante,
30:57independente da profissão,
30:58você aprender a gerenciar.
31:00E principalmente
31:01nas profissões criativas.
31:04Quando você pega
31:05uma pessoa extremamente criativa
31:07e aquela pessoa tem
31:08uma noção financeira,
31:11aquela pessoa vai longe.
31:14E às vezes
31:15você vê muito,
31:16quantas vezes
31:17a gente não vê,
31:18às vezes um jogador
31:19de futebol que ganha
31:20e aquilo vai embora.
31:21Mas quando você tem
31:23um mínimo,
31:23então é muito importante
31:24educação financeira
31:25independente
31:26de qualquer profissão.
31:28E tem uma coisa também,
31:29eu nunca vi alguém
31:30se arrepender
31:31de ter poupado.
31:33Assim,
31:34ah, poxa,
31:35aí tem essa bobagem
31:37que eu fiz,
31:37guardei dinheiro esse mês.
31:39Então não é um ato
31:40de arrependimento,
31:41é um ato de escolha.
31:42E quando a gente mostra
31:44que essa escolha
31:44é benéfica também,
31:46porque você só priorizou
31:47o que é mais relevante,
31:49você também tira um pouco
31:50essa carga de,
31:51ai meu Deus,
31:51estou deixando de fazer
31:52tudo que eu gosto.
31:53Não, você está só
31:53escolhendo melhor.
31:55Muito interessante
31:56ouvir vocês falando
31:57porque são coisas
31:59que os pais
32:00têm que passar
32:00para os filhos,
32:01mas que às vezes
32:02até neles mesmo
32:03não está muito
32:04muito certo na cabeça, né?
32:07E aí vai uma outra pergunta
32:09que os pais
32:10ficam realmente
32:11muito em dúvida.
32:13De quando que eu conto
32:14para o meu filho
32:15qual é a situação financeira
32:17da nossa família?
32:18Quando que eu conto
32:19para ele que
32:19eu já estou construindo
32:21um patrimônio para ele,
32:22ele está lá
32:23construindo dele,
32:24mas assim,
32:25que ele vai ter um
32:26quando ele se formar
32:27ou que eu estou ajudando
32:30a fazer isso
32:31ou que ele faz parte
32:32de tal classe social.
32:35Tem pais que preferem
32:36não falar nada
32:37e às vezes
32:38isso pode ser bom ou ruim,
32:39queria ouvir de vocês.
32:40Tem pais que têm medo
32:42de que o filho, enfim,
32:44saia por aí
32:45contando coisas da família
32:46ou até que se desestimule, né?
32:49Por saber que tem
32:50algum patrimônio.
32:51Qual a opinião
32:52de vocês sobre isso?
32:53quem vai primeiro?
32:54É, eu costumo dizer assim, né?
32:57Que os pais têm mais medo
32:59de responder
32:59quanto ganham
33:00do que de onde
33:01vêm os bebês.
33:03Porque era um tabu
33:05lá atrás, né?
33:06Imagina você
33:07falar sobre a sexualidade
33:08do seu filho,
33:09falar sobre
33:09sua própria sexualidade.
33:11Isso era uma coisa
33:11que não se falava.
33:12Isso era um tabu
33:14absoluto nas famílias
33:15e ainda para muitos
33:16é.
33:18mas a gente ainda
33:19tem muita dificuldade
33:20de compartilhar
33:21isso com os nossos filhos.
33:23É claro que depende
33:24muito também, né?
33:25Do processo construindo
33:27como a Sigrid falou.
33:28Não é um negócio
33:28que você vai lá e fala
33:29ó, senta aqui agora
33:30vou te mostrar
33:31meu extrato bancário.
33:32Isso é uma construção
33:33de entender
33:34como a família
33:35prioriza as suas escolhas,
33:36o estilo de vida
33:37que tem.
33:39Quando uma criança
33:40pergunta para os pais
33:42se eles são ricos
33:43ou pobres,
33:44o que a criança
33:44está buscando
33:45é buscar
33:49criar um senso
33:51de pertencimento
33:52ou de se estabelecer
33:55dentro daquele contexto
33:56que ela está aprendendo
33:57e está sendo inserida.
33:59E é sempre uma comparação.
34:01Poxa, eu tenho mais,
34:03tenho menos,
34:03porque isso também
34:04é muito invisível.
34:05Ninguém posta
34:06o extrato bancário,
34:07mas posta uma viagem legal,
34:09posta o carro novo,
34:10posta uma viagem de avião.
34:12Então, a criança
34:13quando ela pergunta
34:13isso, ela quer se situar.
34:15E se essa resposta
34:17não for honesta,
34:18a gente pode levar
34:19a criança
34:19a ter sentimentos
34:22e criar conceitos nela
34:24que são muitos distorcidos.
34:26Então, é um processo mesmo.
34:28A criança vai perguntar
34:29se a gente é rico ou pobre.
34:32A gente é mais rico
34:33que um,
34:33mais pobre que o outro.
34:34Essa é a verdade.
34:36Dizer para a criança
34:37que nós somos pobres,
34:38sendo que isso não é uma verdade,
34:40isso é ruim.
34:41Porque, primeiro,
34:42está escondendo uma verdade,
34:43por que se envergonhar dela?
34:44Então, aí precisa também
34:45estabelecer quais são
34:47esses constrangimentos
34:49que a família tem
34:50e gerar esse senso
34:52de que agora eu vou falar
34:53que eu tenho patrimônio
34:54e meu filho vai sair gastando.
34:56Significa que você não fez
34:57um trabalho anterior
34:58de entender a prioridade.
35:00E também
35:01essa coisa do destino,
35:03o que mais a gente vê,
35:06você deve ver isso
35:06com muito mais propriedade
35:08no teu trabalho,
35:10esses processos
35:11de sucessão
35:12que nem se chamam
35:13os filhos
35:14para participar.
35:15Então, assim,
35:16realmente,
35:17a criança recebe,
35:18o adolescente recebe,
35:19o jovem adulto recebe
35:20o patrimônio
35:21que não tinha,
35:21que tinha
35:22e não vai ter
35:26competências
35:26para poder gerir aquilo.
35:28Então, eu acho
35:28que a gente tem
35:29que ser muito sincero
35:30com os nossos filhos
35:30porque quando a gente
35:31não tem essa sinceridade,
35:32a gente está dando
35:34mensagens muito distorcidas.
35:36É aquela coisa
35:37que você quer
35:37se livrar do problema,
35:38mas você acaba construindo
35:40talvez um tijolinho
35:41de tabu relevante.
35:42Então, o caso,
35:43ah, mãe,
35:44eu quero comprar esse negócio.
35:45Não, não vamos comprar
35:46porque eu não tenho dinheiro.
35:47Pode ser que seja
35:48uma bela verdade isso,
35:49mas eu conheço
35:50muitas pessoas
35:51que usam esse discurso
35:52para se livrar
35:52daquela situação
35:53porque é mais difícil
35:54dizer, olha,
35:55isso não é prioridade agora,
35:56nós temos dinheiro
35:56para comprar,
35:57temos,
35:57mas você não precisa
35:58disso agora,
35:59a gente tem outras prioridades,
36:00a gente não vai fazer
36:01isso agora,
36:02a gente pode fazer
36:02isso depois.
36:03Então, é uma discussão
36:04mais madura
36:05que você pode começar
36:06desde sempre.
36:08É, eu tenho muitos casos
36:11dentro do escritório,
36:13que a gente cuida
36:14de muitas famílias
36:15ali na LOC
36:16há mais de 20 anos.
36:18Pela minha experiência,
36:19acho que não existe
36:20uma fórmula única.
36:21Qual o momento certo
36:22para eu colocar,
36:24contar para o meu filho
36:25que eu tenho
36:25esse patrimônio todo?
36:27Eu acho que tem que saber
36:29muito o filho
36:29que a gente tem.
36:30Eu acho que,
36:31número um,
36:32é o que ela falou,
36:34dinheiro tem que parar
36:35de ser tabu
36:36e educação financeira
36:37tem que ser dada
36:38dentro de casa
36:39desde cedo
36:39e conversado
36:40desde o início.
36:42Mas,
36:42eu tenho famílias
36:43que os filhos
36:45já com 30
36:46participam
36:46das discussões
36:48sobre a sucessão,
36:49participam
36:50das discussões,
36:51estão como eles pedem,
36:52os pais pedem
36:53para incluí-los,
36:54para eles aprenderem,
36:56eles ficam ali
36:56ouvindo,
36:57se interessando,
36:58e eu tenho famílias
36:59que os pais falam,
36:59não tenho menor condição,
37:00se o meu filho
37:01souber hoje,
37:02quanto a gente tem
37:03de patrimônio,
37:04ele não vai correr atrás,
37:08ele não vai atrás
37:09do objetivo dele,
37:10então ele não pode saber
37:11até o momento.
37:13Então,
37:13eu acho que a gente
37:13tem que saber
37:14o filho que a gente tem,
37:16saber onde ele está,
37:17começar uma educação
37:18financeira independente
37:20disso.
37:21E,
37:21quando chega a época
37:22que os pais acham
37:24que ele já está maduro,
37:25que ele já está
37:26com a cabeça feita,
37:27que ele já está lá
37:28seguindo os objetivos dele,
37:30independente da herança,
37:31porque eu acho
37:32que uma coisa
37:33que é importante
37:34pontuar
37:35é a questão
37:36da longevidade,
37:37a gente não vivia
37:38muito,
37:39hoje a gente vive
37:40muito,
37:41e essas,
37:42e criança que fica
37:43contando com herança,
37:45você hoje pode
37:46receber herança
37:47com 80 anos.
37:49A minha avó,
37:50eu falo em toda
37:51entrevista,
37:51faleceu com 104,
37:53o avô da minha sócia
37:54com 108,
37:56não é mais impossível
37:57chegar aos 8 anos,
37:58então,
37:59ah,
38:00meus pais são ricos,
38:01eu vou receber herança,
38:02então eu não vou fazer nada,
38:02você vai receber com 80,
38:0470,
38:05pode ser,
38:06então,
38:06eu acho que é muito
38:07importante educar,
38:09torná-los,
38:10né,
38:10apto a eles
38:11correrem atrás
38:12do seu próprio dinheiro,
38:13e o momento certo
38:15de incluir,
38:15você vai saber
38:16de acordo
38:17com a maturidade
38:18do seu filho,
38:19com o conhecimento
38:20que você tem
38:20do seu filho,
38:21eu tenho crianças
38:22de 30 envolvidas
38:23em discussões,
38:24e tem outras
38:24que o pai fala,
38:25pelo amor de Deus,
38:26não pode saber,
38:28se não vai parar
38:28de trabalhar,
38:29vai querer,
38:30entendeu?
38:31Eu não sei se tem tempo ainda,
38:33mas eu,
38:35quando a gente
38:36estava concebendo
38:36o programa de educação
38:37financeira
38:38para a empresa
38:39que eu tenho,
38:40a gente fez
38:41um focus group
38:42com dois,
38:44crianças mais jovens
38:45e adolescentes,
38:46e a história
38:47de um adolescente
38:47me chamou muito
38:48a atenção,
38:49porque o pai
38:51era dono de restaurantes
38:52e falou,
38:53olha,
38:53nas férias
38:54você vai trabalhar
38:55num restaurante
38:56e ele passou
38:57por,
38:57foram 30 dias
38:59que o garoto
38:59trabalhou
39:00nos restaurantes
39:01do pai,
39:02começando
39:03pela parte
39:04administrativa,
39:05estoque,
39:06etc,
39:06depois ele foi
39:07para a cozinha
39:08com a ajudante
39:09de cozinha
39:10e por fim
39:10ele foi trabalhar
39:11como garçom
39:12e o pai pagou
39:13exatamente o salário
39:16equivalente,
39:16proporcional
39:17a cada uma
39:17das funções
39:18desempenhadas
39:18pelo garoto,
39:20ele tinha os seus
39:2016 anos,
39:21mais ou menos,
39:2217 anos,
39:23no máximo,
39:2316 anos,
39:25impressionante
39:26a maturidade
39:26daquele garoto
39:27e assim,
39:28uma família
39:30com uma excelente
39:31condição financeira,
39:32dinheiro ali,
39:33se bem cuidado,
39:34não vai ser um problema
39:35para muitas gerações,
39:37mas aquele pai
39:37proporcionou em 30 dias
39:39o ensinamento
39:40para o filho
39:40que todos ali
39:41naquele grupo,
39:42inclusive eu e meu sócio,
39:43nós paramos para ouvir
39:44o relato dele
39:45por quase 40 minutos
39:46e ele dizendo,
39:47eu entendi
39:48e aí com as palavras dele,
39:50mas o que ele entendeu
39:51foi a noção,
39:52ele teve a noção
39:53da interdependência social,
39:55do valor do dinheiro,
39:57do quanto é relevante,
39:59independente do quanto
40:00de patrimônio você tenha,
40:02a dificuldade de se conquistar,
40:04ele disse,
40:04hoje para eu sair
40:05para jantar com os meus amigos
40:07num restaurante japonês
40:08que eu gasto 400 reais,
40:09eu sei que isso é salário
40:10de um garçom
40:11no mês inteiro,
40:12que ele ganha de gorjeta,
40:14salário não,
40:14de gorjeta,
40:16então que você tem
40:17que trabalhar sorrindo,
40:19cansado,
40:21você vai ter dias bons
40:22e dias ruins,
40:23então a gente está falando
40:24aqui de um ensinamento
40:26que parece ser muito duro,
40:28mas talvez essa família
40:29fez pelo filho
40:30o que muitos pais
40:31não conseguem fazer
40:32uma vida inteira,
40:34então mostrar
40:35para o filho
40:36o trabalho,
40:37o esforço
40:38da conquista
40:38daquele patrimônio
40:40é muito interessante,
40:41e não precisa ser
40:42uma coisa sofrida,
40:44precisa ser uma coisa natural,
40:46então acho que
40:46a educação financeira
40:47ela começa com os pais,
40:49Exatamente,
40:50olha,
40:51foi um prazer
40:52ouvir você,
40:52Ana,
40:53Sigrid,
40:53acho que os pais
40:56aprenderam muito
40:57como educar os filhos,
40:58mas também como repensar,
40:59como antes de ensinar,
41:03acho que é preciso
41:04repensar como lidar
41:05com o dinheiro,
41:06e quanto mais cedo
41:08a gente colocar
41:09essa discussão,
41:11melhor vai ser
41:11no futuro,
41:12não é mesmo?
41:13Isso mesmo,
41:14muito bem,
41:15muito obrigada,
41:16obrigada pelo convite,
41:17Patrícia,
41:17foi ótimo,
41:18obrigada,
41:18agradeço também
41:19a nossa audiência,
41:21esse episódio
41:22vai estar no site
41:22do NeoFeed,
41:23no YouTube
41:24e nas principais
41:25plataformas de áudio,
41:26até a próxima.
41:28Música
41:29Música
41:34Música
41:35Tchau.

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