00:00Essa mulher tem medo de mostrar o rosto e revelar o nome.
00:03Ela é uma ex-namorada do policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza.
00:08O PRF é autor do assassinato da comandante da Guarda Municipal de Vitória, Deise Barbosa.
00:14Após o crime, Diego tirou a própria vida.
00:17A ex-namorada de Diego ficou chocada com o crime.
00:20Eu fiquei muito triste com o que aconteceu.
00:22Nós, como mulheres, a gente não pode entender que é amor, que é cuidado, as pequenas manipulações que eles fazem
00:32no dia a dia com a gente.
00:33Eu sinto muito por cada uma delas, né?
00:37Graças a Deus, eu tive o meu livramento lá atrás e eu sinto muito também pela família dele.
00:42A entrevistada e Diego se relacionaram na juventude, muitos anos antes do policial iniciar carreira na segurança.
00:49O namoro durou três anos.
00:51A mulher diz que não entendia muito bem o que vivia na época.
00:55Quando começou a vida adulta, olhando para trás, ela concluiu que, na verdade, vivia aprisionada, como se estivesse atrás das
01:04grades, no próprio relacionamento.
01:07Ele tinha problemas, ciúmes excessivos, como, por exemplo, às vezes eu não podia pintar a unha de determinada cor, que
01:17ele reclamava.
01:40Na época, antes que alguma coisa mais grave acontecesse com a namorada, ela foi abandonada por Diego.
01:46Se ele gostasse muito de uma mulher, ele amava, idolatrava e era só aquela mulher ali para ele.
01:53Mas, se ele encontrasse uma outra que, de repente, na cabeça dele fosse melhor que a que ele estava, ele
02:02simplesmente abandonava a que ele estava e não tinha responsabilidade de ter, de como terminar, né?
02:09De terminar de uma forma amigável. Ele simplesmente descartava o anterior e seguiu o próximo relacionamento.
02:16Então, foi assim que ele fez comigo. Ele me descartou e foi para a próxima.
02:19Hoje, eu entendo que, talvez, lá atrás poderia ter sido eu no lugar da Denise.
02:25Tomar a iniciativa de denunciar, se afastar e pedir ajuda, se necessário.
02:30Essas são algumas das orientações da delegada Michelle Meira, gerente de proteção à mulher da Secretaria de Estado da Segurança
02:38Pública, a SESP.
02:39A comandante Deise Barbosa era ativista e símbolo de enfrentamento contra a violência doméstica.
02:45Conhecida como uma pessoa de perfil resolutivo, daquelas que dão solução a problemas graves ou não, por conta própria,
02:52Deise nunca falou com amigos, colegas de trabalho e autoridades públicas que viviam na pele o problema social enfrentado por
03:00ela.
03:01Se a gente for pegar todas as reportagens de mulheres que foram vítimas de feminicídio, elas já viviam relacionamentos violentos,
03:09abusivos,
03:11e a maioria delas, elas não buscavam ajuda. E a Deise foi mais um caso.
03:17E aí traz um alerta para que mulheres que trabalham na segurança pública, porque a gente tem um olhar sobre
03:23elas,
03:23de que elas têm que ser fortes o tempo inteiro, mas elas são apenas mulheres, estão suscetíveis à violência,
03:31e elas se envergonham disso por medo de exposição no trabalho, medo como isso pode atrapalhar a sua carreira.
03:39Por experiência própria, a ex-namorada de Diego faz um alerta para moças e mulheres menos experientes em um relacionamento
03:47amoroso.
03:48Não entender que qualquer tipo de proibição seja amor ou cuidado, porque não é.
03:55O feminicídio, ele não começa lá no tapa, ele começa com a proibição do dia a dia.
04:02Ele começa com o não pinta a unha desse jeito, não escuta essa música que eu não gosto, não veste
04:09essa roupa.
04:09Isso não é amor, isso não é amor, é aprisionamento.