00:00Aproveitar a sua presença aqui só para usar uma ferramenta que eu acho que funciona bastante, que é o violentômetro, né?
00:05Que é essa ferramenta, vou pedir para botar aqui no nosso telão, que dá essa noção para a gente sobre o caminho de um ciclo de violência, né?
00:13Porque muitas vezes a gente fala sobre violência física e o que acaba virando notícia muitas vezes é a violência física, mas antes dela acontecer, muita coisa já aconteceu e serve como alerta.
00:24Então começa com uma chantagem, com uma mentira, com um desprezo, com um ciúmes excessivo e aqui eu chamo atenção, gente, porque ainda estamos culturalmente inseridos nesse pensamento de que o ciúmes é prova de amor.
00:38Ele está falando da minha roupa porque ele me ama, porque ele quer cuidar de mim. Não é. Ciúmes não é prova de amor, ciúmes é porta de entrada para a violência.
00:45Então se ele te ofende, te humilha na frente das outras pessoas, te intimida, te ameaça, te proíbe, quer controlar você, controlar o seu celular, por exemplo, e aí começa a destruir seus bens pessoais, começa a te machucar, agredir, começa a te empurrar, começa com um empurrão, né?
01:03Uma brincadeira, começa com um golpe, começa a te chutar e aí ele vai, ó, ameaçando com armas, ameaça de morte, abusa sexualmente, espanca e até o final, que é o feminicídio.
01:16Claro que não existe uma ordem certa, né? De seguir, essa não é a ordem certa.
01:21Mas daqui é pra gente ficar atento, né, Adriana? Porque é um ciclo de violência que ele tem início, meio e fim.
01:27Que ele começa na ameaça e termina na tentativa de matar aquela mulher.
01:31É, você trazendo essa escala, digamos assim, do horror, né? A escala da brutalidade inaceitável, é muito importante porque, olha só, a gente trouxe os números de feminicídio, 1492, no ano passado, dado que foi divulgado semana passada, do anuário anual de segurança pública.
01:49Os dados de tentativa de feminicídio, quase 4 mil, cerca de 3.900 casos.
01:55E aí vem violência psicológica, 51.860 casos.
02:01Ameaças, 747.683 casos.
02:05Então começa assim, com a violência psicológica, com a pressão, com a chantagem, com a ameaça e vai de fato numa escala.
02:12Eu acho muito importante mostrar isso, porque é isso que funciona como um alerta e que faz com que as mulheres, as meninas, as jovens que hoje estão em relacionamentos abusivos, que elas prestem atenção nisso.
02:26Se a gente pode ajudar de alguma forma, é dizendo para vocês, não está na sua mão salvar um homem violento.
02:35Não é o seu comportamento, não é mudar de roupa, não é mudar de caminho, não é mudar de amigos, não é se afastar da sua família.
02:42Não tem nada que você faça que vai salvar um homem violento e evitar que ele seja violento.
02:48É você que tem que se afastar dele.
02:50Você percebeu uma tentativa de controle, um ciúme exagerado, qualquer tipo de violência verbal se afaste desse homem.
02:59E é papel de todos nesse país.
03:03A minha voz ontem no Jornal da Band se junta da Pamela, se junta da Regina, a do Bruno, mas ela tem que se juntar a 200 milhões de vozes nesse país.
03:12A gente tem que gritar muito forte que a gente não pode mais aceitar uma brutalidade dessa.
03:17Não pode aceitar mais homens que tratam mulheres como se fossem objeto, posse, como se fosse lixo, saco de pancada.
03:26Então, assim, eu acho que é esse o apelo que a gente pode fazer.
03:29E o apelo da denúncia, né, Regina?
03:31Porque isso a gente pode fazer, a gente pode denunciar.
03:33Se você presencia uma cena de violência, você pode ligar imediatamente para o 190, que é o número da polícia, e pedir uma viatura, né?
03:41Ou se você suspeita, né, Regina, também, você ouve a sua vizinha, brigas muito exageradas, ela pedindo ajuda, socorro.
03:51Então, a gente pode ligar também para o 180, né?
03:53Exatamente.
03:54Até nesse caso recente, a gente tem duas atitudes que chamam a atenção.
03:57A do porteiro, né, que a Adriana bem ressaltou.
03:59Que é lei, né?
04:00Que ele ligou, e é lei, ele ligou e chamou a polícia.
04:04E também de testemunha, vizinha que estava ali percebendo.
04:06Então, também é o nosso papel como sociedade ser essa voz, mas não só aqui, né?
04:11Na prática, no dia a dia, tem a central de atendimento à mulher também, 180.
04:16Então, tem diversas formas da gente ajudar, 181, na verdade.
04:20E essa denúncia pode ser anônima, porque, inclusive, há esse chavão de que, ah, em briga de marido e mulher, não se mete a colher.
04:26As pessoas ficam com medo de se intrometer, mas se metem sim, gente.
04:29Se é para salvar a vida, a gente mete a colher, a gente mete o que for para parar essa violência absurda.
04:35Eu queria agradecer demais a sua presença aqui.
04:37Para mim, é uma honra estar aqui com você.
04:38Eu que agradeço.
04:38Eu sei que sua rotina aqui é muito atribulada.
04:40Eu acompanho aqui vocês do Melhor da Tarde.
04:43É um prazer estar aqui, embora o assunto seja muito duro, triste demais.
04:47Mas, a gente tem que sempre falar sobre isso, porque só assim, unidas e unidos, mulheres e homens, a gente vai conseguir vencer.
04:55Só para complementar, no 190, a cada minuto, o telefone toca duas vezes.
05:00E do outro lado da linha, tem uma mulher pedindo socorro.
05:03A cada minuto, o telefone da polícia toca duas vezes no nosso país.
05:08E do outro lado da linha, tem uma mulher pedindo socorro.
05:11Eu quero mandar um abraço para a família da Juliana, essa moça que a gente não está revelando o sobrenome,
05:16a menos que ela queira falar conosco e expor e contar tudo o que ela viveu, o horror que ela viveu.
05:22Mas eu quero deixar um abraço para vocês.
05:24Eu sofro com essa notícia, eu sinto profundamente, porque eu sou mãe de uma mulher.
05:29E eu lamento muito pelo que a filha de vocês viveu.
05:33Mas eu acredito que a gente, falando junto, a gente vai ser mais forte e a gente vai vencer esse escândalo mundial,
05:40que é a violência contra a mulher no nosso país.
05:42Vamos sim.
05:42Em nome da minha filha, em nome de todas as mulheres desse país, a gente vai seguir forte.
05:46Juntas.
05:47Juntas.
05:47Um beijo, muito respeito pela história de vocês.
05:50Muito obrigada.
05:51Obrigada a vocês pelo espaço.
05:52Obrigada.
05:53Vambora, que as notícias são duras e a gente tem que trabalhar.
05:56É isso.
05:56Pode ir.
05:57Obrigada.
05:57Tchau, tchau.
05:59É, minha gente.
06:01Esse é o nosso Brasil.
06:02Esse Brasil que é tão rico culturalmente, que é tão diverso, mas ainda um país muito cruel com nós, mulheres.
06:10Importante demais a presença da Adriana Araújo aqui.
06:14Importante demais usar esse espaço de televisão aberta, que chega aí na casa de milhares de pessoas,
06:20para dizer que sim, você pode, você merece mulher, você merece uma vida digna e livre de violência.
06:28Toda mulher merece uma vida feliz, digna e livre de violência.
06:32Para isso que somos feitas, né?
06:34É isso, Pânio.
06:35Nosso espaço aqui está sempre aberto para a gente falar desse caso e de outros.
06:39Tem pessoas comentando aqui pela hashtag Melhor da Tarde, dizendo que as leis precisam ser mudadas.
06:44Então, esse espaço é para isso, para esse debate.
06:46Até para a lei ser mudada, precisa de uma comoção e de uma movimentação que vem da sociedade.
06:51Precisa que você aí, que esteja me assistindo, se incomode, provoque essa discussão,
06:56leve essa discussão para dentro de casa, sente com seu irmão, com seu pai, com seu tio, fale sobre esse assunto, né?
07:01Não vamos esperar o próximo caso acontecer.
07:04Vamos entender hoje qual é o nosso papel, a nossa parte, para que a gente ponha fim a essa brutalidade
07:10que é a violência contra a mulher no Brasil.
07:12Vamos respirar?
07:14Bora!
07:15Vamos mudar de assunto?
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