- há 14 minutos
Psicóloga alerta sobre sinais que a pessoa apresenta quando está em um relacionamento abusivo.
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NotíciasTranscrição
00:00Você sabe o que é um relacionamento abusivo? Já viveu isso? Ou então, de repente, conhece alguém que já passou
00:06por isso?
00:07Bora bater um papo sobre esse assunto? Porque aqui no estúdio, eu recebo a psicóloga Galiléia Simões, ela tá aqui
00:14com a gente.
00:15Muito obrigada pela sua presença. É um prazer. Mais uma vez, né? Porque no início de um relacionamento, as mulheres
00:23se apresentam como uma princesa,
00:25o homem como um príncipe. Mas aí depois, tem gente que acaba descobrindo aí que tá dormindo, na verdade, com
00:31o inimigo.
00:31Não é verdade, Galiléia? É verdade. Na verdade, nem sempre é o depois.
00:38Às vezes, no início, a gente já percebe que tem sinais estranhos ali? Sim.
00:43Eu recebo no consultório muitas mulheres que me falam em um determinado momento da sessão,
00:49Nossa, Galiléia, mas ele já me deu sinais. Mas eu acreditava que ele poderia mudar.
00:57Eu imaginava que com o casamento poderia ter uma mudança, que o amor poderia construir uma nova história, né?
01:06E, na verdade, os sinais, eles aparecem em algum momento.
01:11E é importante a mulher estar atenta a esses sinais.
01:15Que você já vai falar pra gente quais são.
01:17Tá bom.
01:17Agora, quando a gente entra, então, num relacionamento, a gente pensa ali, né?
01:23A pessoa que a gente tá amando, é difícil até assumir isso, né?
01:28A gente entender que, de fato, tem algo estranho, né?
01:32É. Na verdade, nós entramos em um relacionamento para se doar pro outro, né?
01:39Nós imaginamos estar em um relacionamento para amar.
01:44Jamais a gente entra em um relacionamento esperando que dê errado, né?
01:48A gente não entra em um relacionamento pensando, nossa, estou nesse relacionamento para terminar, para dar errado.
01:55Não é isso.
01:56A gente imagina construir uma história de amor.
01:59Mas é importante que essa mulher, ela se perceba, ela se conheça, ela tenha a sua autoestima tão elevada a
02:09ponto de ela perceber que ela não precisa de uma outra pessoa para que ela esteja bem.
02:16E aí, ela consegue levar a sua vida e perceber esses mínimos detalhes.
02:21E seguir a sua vida com uma outra pessoa, sim.
02:24Mas não que ela depende desta outra pessoa para ser feliz, por exemplo.
02:29Agora, gente, quando nós falamos relacionamento abusivo, para você que tá em casa, nem sempre significa ser violentado, não.
02:36Existem outras formas.
02:38Claro.
02:39Não é isso, Galileia?
02:40Eu tenho um exemplo que é incrível.
02:42Eu estava no shopping, saindo do carro com o meu esposo e um casal novo passou do meu lado.
02:50Ela estava com uma roupa maravilhosa, uma saia longa.
02:53E o companheiro dela falou a seguinte frase.
02:58Eu já disse que eu não gosto que você use esse tipo de roupa.
03:03E ela falou, amor, pode deixar que eu não vou usar mais.
03:06Não teve violência.
03:08Mas já começa ali uma pressão psicológica, né?
03:11Exatamente.
03:11Querer moldar para o jeitinho dele.
03:14Exatamente.
03:14Não é o desejo dela mais que é levado em consideração.
03:18Que era usar aquela roupa que para a sociedade não tem nada de mais.
03:22Era uma saia longa, uma blusa que a sociedade não julgaria, né?
03:26Digamos assim.
03:27Mas ele julga.
03:28Para ele é errado.
03:29Então, para ele, ela tem que estar com a roupa que para ele é correto.
03:35Então, já é uma coisa...
03:36Não teve violência física, mas é uma violência psicológica, né?
03:41É um molde que ele cria para ela.
03:44Então, é uma atenção que temos que ter.
03:47E olha só, gente.
03:47Quem já viveu na pele um relacionamento abusivo foi a Joana Nogueira.
03:52Olha só.
03:52No início, era como um mar de rosas, né?
03:54Tudo lindo.
03:55Mas chegou ao ponto dela ser agredida.
03:58Foram oito anos ao lado do ex-companheiro.
04:02Boa tarde, Joana.
04:03Obrigada pela sua participação aqui no Fala Espírito Santo.
04:06Conta para a gente.
04:07No início, era tudo um mar de rosas?
04:12Sim.
04:13Era tudo muito bonito, né?
04:15Tudo lindo.
04:17Até que quando ele começou a...
04:19No meu Facebook, ele tirou todos os homens que eu tinha como amigo.
04:24Deixou só os meus irmãos e meu patrão.
04:28Quando eu me encontrava na rua, as pessoas falavam...
04:30Você me deletou.
04:30Eu não sabia.
04:31Quando eu descobri que ele tinha feito isso.
04:34E ele não tinha ciúme só de homem que se aproximasse de mim.
04:38Ele tinha de mulher também.
04:40Qualquer um que se aproximasse de mim, que ele visse muito perto de mim,
04:44ele começava a dar um jeito de se afastar.
04:47Ele queria que eu ficasse sozinha mesmo, como eu acabei ficando, entendeu?
04:51Ele era extremamente ciumento com você?
04:53Não podia ter...
04:56Ei, Joana.
04:57Eu não vejo nem como ciúme.
04:58É como se...
05:00Oi.
05:01Pode falar.
05:02Eu não vejo como ciúme.
05:03É como se estivesse assim, falando.
05:06Eu mando, eu posso.
05:08Você tem que me obedecer.
05:10Tipo isso, entendeu?
05:11Eu não via como ciúme.
05:13Eu via como ele queria me controlar mesmo, mandar mesmo, entendeu?
05:16Eu tinha essa...
05:18Isso na alma dele, de poder estar mandando em mim.
05:21E como que você se sentia?
05:24Era muito bom.
05:28Como que você se sentia, Joana, diante dessas atitudes dele,
05:32que ele bloqueava as pessoas no seu Facebook?
05:34No início...
05:39Tudo no início, você acha que é zero, que é cuidado, que é gostar.
05:43Depois você começa a perceber que não é.
05:46É controle mesmo.
05:48Você começa a se sentir para baixo.
05:51Assim, sentir meio que doente.
05:53Entendeu?
05:54E quando você vê que você toma a atitude de se libertar disso,
05:58você já olha para os lados,
05:59já não tem mais família do seu lado,
06:02já não tem amigos.
06:04Você tem que ter um recomeço tudo de novo, entendeu?
06:07A pessoa já afastou todo mundo do seu convívio.
06:13Certo.
06:14Galileia, a gente vê o relato aí da Joana, né?
06:18Começa assim.
06:19Começa assim.
06:20A gente pensa assim, ah, ele está me protegendo, ele me ama.
06:22É um ciúmezinho gostoso, né?
06:24Um ciúmez gostoso.
06:26Mas depois vai tomando outra proporção que a gente perde o controle.
06:29É.
06:29E aí você precisa se perguntar,
06:31que ciúme é esse que me afasta das pessoas?
06:36Isso não é ciúme.
06:38Entende?
06:38Que ciúme é esse que me afasta dos meus amigos,
06:42das pessoas que me fazem bem,
06:44das pessoas que querem o meu bem?
06:46E aí você, mulher,
06:48precisa começar a fazer alguns questionamentos
06:51para você, né?
06:54Você precisa começar a se perceber
06:56quem é essa pessoa que está do meu lado, né?
06:59O que eu quero para mim?
07:00O que eu quero com essa pessoa ao meu lado?
07:03Então tem muito a sua percepção
07:06de quem é você nesse relacionamento também.
07:09Como eu estou me doando para esse relacionamento?
07:11O que eu quero desse relacionamento?
07:13Ó, eu bati um papo antes com a Joana.
07:16Ela me contou, inclusive,
07:18que ele ligava para o trabalho dela
07:20para saber quem eram as pessoas
07:22que ela mais se relacionava ali no trabalho.
07:25Dá para a gente voltar a falar sobre isso aí com a Joana?
07:28Joana, acredito que ainda está me ouvindo.
07:30Não era isso, Joana?
07:34Sim, ele ligava para se acreditar
07:37e contava com quem eu tinha mais amizade,
07:41mais íntimo da pessoa,
07:43que era mais próximo de mim.
07:45E quando ela relatou que eu tinha uma amizade
07:48com uma certa pessoa,
07:50ele começou, pegou o telefone
07:51e começou a ligar para essa pessoa,
07:54fazendo ameaça.
07:55Quando esse amigo meu,
07:56que a gente trabalha já há 20 anos junto,
07:59me contou e eu fiquei assim,
08:00de boca aberta,
08:01quase não acreditando,
08:03porque era um relato, assim,
08:06para mim, muito estranho,
08:07de uma pessoa que tinha convivido,
08:10convivia comigo
08:11e fazia isso nas minhas costas.
08:13Entendeu?
08:15Ele tinha várias caras ao mesmo tempo,
08:18ele tinha um jeito diálogo muito carinhoso
08:20e do nada, ele começava a ser agressivo.
08:25Em palavras, ele só me engrediu uma vez,
08:28que ele torceu,
08:29já estava assim,
08:30no final do nosso relacionamento,
08:32já tinha pedido para poder,
08:33ele se afastar de mim,
08:35quando ele torceu o meu braço.
08:36Entendeu?
08:38Até ciúmes do seu filho...
08:39Eu fiquei com o braço empachado por um mês.
08:42Até ciúmes do seu filho,
08:44você me relatou que ele tinha.
08:44Sim, quando ele falava...
08:48Tinha, ele falava para mim, assim,
08:49que eu não tinha que cuidar do meu filho,
08:52que eu tinha que cuidar dele,
08:53que ele que era meu marido,
08:54não meu filho.
08:55E ele começou assim,
08:56uma imbricança sem fim com meu filho.
08:58Quando eu achei assim,
09:00não posso mais ter essa pessoa do meu lado,
09:03eu tenho que me separar mesmo.
09:04E aí a gente se separou,
09:07ele foi para a casa dos pais,
09:08e de lá ele fazia ameaça.
09:10Ele dizia que ia me matar,
09:14postou foto no meu zap,
09:16mandando foto de arma que ele tinha comprado
09:18para me matar.
09:20Foi esse momento desesperador da minha vida,
09:22que eu tinha medo de deixar meu filho na escola,
09:25deixar meu filho com alguém,
09:27eu não conseguia trabalhar direito,
09:29o meu emocional ficou muito para baixo nessa época.
09:32Foi muito ruim mesmo.
09:34Eu tenho isso tudo registrado, tá, gente?
09:37Estou falando só,
09:38tudo registrado.
09:40Quem me conhece de verdade sabe de tudo que eu passei
09:42na minha comunidade,
09:43e foi muito difícil mesmo esses momentos aí.
09:47Já, já, a Joana vai contar como que ela conseguiu
09:49contornar essa situação e seguir com a vida dela adiante,
09:53mas aqui no Facebook a gente está vendo
09:55que várias mulheres estão se identificando com a Joana,
09:59foi o caso da Jaqueline,
10:00ela está falando que ela conseguiu também sair fora,
10:03que inclusive ele já tentou matá-la,
10:05e também as filhas, né?
10:07O ex-companheiro dela tentando matar atropeladas, né?
10:11A gente vê o relato da Joana, Galiléia,
10:14ela foi, ela disse que a autoestima dela, né?
10:18Ficou muito para baixo.
10:20E a gente sabe que as mulheres vão ficando fragilizadas com isso, né?
10:23Como se reerguer, Galiléia?
10:26É tão importante que a mulher se perceba
10:30enquanto sujeito,
10:32enquanto mulher de direitos,
10:34em toda essa situação,
10:37como ela não era fortalecida antes dessa situação,
10:41que ela se fortaleça então depois,
10:43que ela perceba que ela existe, né?
10:46E que ela existe enquanto pessoa,
10:49que ela não depende de uma outra pessoa para ser feliz,
10:52que ela não depende de uma outra pessoa para seguir a sua vida,
10:56que ela não depende de uma outra pessoa para conquistar os seus objetivos,
11:00que ela sozinha, por si só,
11:03ela pode sim alcançar o que ela quiser,
11:06o que ela desejar,
11:07que ela é potente,
11:09que ela é poderosa,
11:10e que ela pode ir onde ela quiser.
11:13Então é importante.
11:15Para isso, ela precisa sim se conhecer,
11:18ela precisa perceber quem ela é.
11:20Então a autoestima é fundamental.
11:22E perceber os sinais também de que essa pessoa não está te fazendo bem.
11:27Então fala para a gente quais são os sinais, as características.
11:30É importante que você conheça esse homem
11:33na relação dele com a família dele, por exemplo.
11:37É importante que você perceba esse homem,
11:39como ele se relaciona com a mãe, com as irmãs.
11:43Se ele trata a mãe bem.
11:44Exatamente.
11:45É uma ótima dica.
11:47Dizem, tem um ditado que a gente sempre ouve,
11:50que um bom filho será um bom marido.
11:52Né?
11:53É uma dica.
11:55Você perceber como que ele se relaciona dentro da sua casa.
11:59Se ele respeita essa mãe enquanto mulher.
12:02Se ele respeita essa irmã enquanto mulher.
12:05Como é esse seu companheiro no trabalho?
12:07Ele respeita essas mulheres enquanto sujeito igual a ele?
12:12Ele tem essa relação de igual?
12:14Ou ele é machista no trabalho?
12:16Quando ele vê uma mulher na televisão, por exemplo,
12:21em uma relação que a sociedade diria que não,
12:25ela não é uma igual.
12:26Como que ele se trata?
12:29Sabe rodinha de amigos?
12:32Que tem um vídeo de uma mulher, por exemplo?
12:35Quem é o seu companheiro nessa roda de amigos?
12:38O que ele fala desse vídeo de mulher?
12:41Ele é o homem que compartilha esse vídeo?
12:44Então, são dicas.
12:47Quando você veste uma roupa,
12:49o que ele diz da sua roupa?
12:51Ele diz que você está linda?
12:52Que você está maravilhosa?
12:54Ou ele fala, nossa, essa roupa não está legal não,
12:57acho melhor você trocar.
12:58Então, quem é esse homem que está com você?
13:01É um homem que te empodera, que te fortalece?
13:05É um homem que te coloca para cima, que te dá força?
13:09Ou é aquele homem que diz que não,
13:11que você não pode, que você não deve,
13:13que você é inferior, que você está abaixo dele?
13:17Que ele é o homem da casa?
13:19Então, são sinais que ele vai se revelando,
13:24que ele vai mostrando ao longo da vida dele
13:26que é importante que a mulher esteja atenta.
13:29E olha só, gente, sobre esse assunto,
13:31a Fernanda Batista, nossa querida repórter,
13:33vai voltar agora com a gente,
13:34porque a gente vai contar agora
13:36de uma outra mulher que foi agredida.
13:39A gente contou aqui agora no início do programa.
13:41Agora uma outra mulher, dessa vez,
13:43a chutes e socos.
13:46Que tristeza, hein, Fernandinha?
13:50Pois é, né, Roberta?
13:51Infelizmente, mais um caso que a gente fala, né,
13:53nessa tarde de violência contra a mulher.
13:56Dessa vez foi uma moça de 31 anos
13:59que foi agredida pelo namorado de 32.
14:02Estavam os dois no bar, né,
14:04em Nova Campo Grande, Cariacica,
14:05junto com a mãe dessa moça
14:07e outras pessoas também.
14:08De repente, esse rapaz teve uma crise de ciúmes
14:11e começou uma discussão.
14:12Ele estava armado com uma faca
14:14e também com um revólver calibre .22.
14:18Perdão.
14:18E aí a confusão, naquele momento,
14:21foi interrompida, né,
14:22pelas pessoas que estavam lá no bar.
14:24Mas num outro momento,
14:26esse rapaz agrediu a namorada.
14:29Ela chegou a ficar desacordada.
14:31Vamos ver aí o que uma testemunha
14:33contou pra nossa equipe de reportagem.
14:35Eu vi o rapaz armado com a faca na mão
14:39e ali na confusão,
14:41ele acabou acertando uma porrada
14:43no rosto da moça e ela caiu no chão.
14:46Ela ficou caída e, assim,
14:50eu acredito que ela ficou desacordada
14:52por causa do impacto da porrada.
14:54Foi forte.
14:55Foi forte.
14:57E eu fiquei sabendo que ela quebrou o pé depois, né,
15:00por causa da queda ali.
15:02Eu achei um ato de covardia do rapaz, né,
15:05acertar uma porrada na moça, assim,
15:08porrada foi tão forte que ela chegou a cair no chão.
15:14Esse rapaz, Roberto, ele acabou preso,
15:16mas a família dessa moça está morrendo de medo, né,
15:19porque, inclusive, ele mandou áudios
15:22durante essa confusão toda,
15:24dizendo que ia matar,
15:26que ia atrás dessa moça,
15:28atrás, inclusive, da sogra.
15:30Então, é essa situação, né?
15:31Ele já agrediu a namorada,
15:34partiu para cima da sogra também
15:35e fez ameaças de morte para as duas.
15:38Por isso, a família está toda apavorada.
15:41Tá certo, Fernandinha.
15:42Muito obrigada pelas suas informações.
15:44Tá?
15:45E a gente continua depois com você.
15:47Na verdade, agora você vai descansar.
15:49Amanhã a gente volta com você, tá bom?
15:51Um grande beijo, uma excelente tarde.
15:53E agora, então, bora continuar aqui
15:55o nosso bate-papo, né,
15:56sobre relacionamento abusivo,
15:57porque a gente viu aí até que ponto, né,
15:59um relacionamento tóxico pode chegar,
16:03não é verdade, Galileia?
16:04A gente está falando, às vezes,
16:05começa com uma tortura psicológica,
16:08o cara querendo dominar, né,
16:10o jeito de você se vestir,
16:11o jeito de você se comportar,
16:13e aí pode chegar um ponto desse.
16:15Sim.
16:16E chega muito, né?
16:18Aqui no Estado,
16:19quantos casos nós temos de feminicídio,
16:22né,
16:22quantas mulheres sendo violentadas
16:25diariamente aqui no Estado.
16:26E é triste,
16:29é revoltante também, né?
16:31E por isso,
16:32temos que falar todos os dias
16:34para essa mulher que ela tem direitos.
16:37Por isso,
16:38todos os dias temos que falar, sim,
16:40sobre a autoestima da mulher.
16:42Falar que ela pode, sim,
16:45estar nesse mundo por ela
16:47e para ela.
16:48Que ela pode, sim,
16:50conquistar o que ela quiser,
16:51sem depender de outra pessoa.
16:55que para ela ser feliz,
16:56basta que ela deseje ser feliz
16:59e para isso ela não precisa de homem,
17:01não precisa de outra pessoa
17:03para ser feliz.
17:04É claro, né,
17:05nós estamos em uma sociedade,
17:06então nós queremos estar com pessoas,
17:09é bom estar com o companheiro,
17:10é bom estar com alguém.
17:12É bom amar e ser amado.
17:13É ótimo, né?
17:14É muito bom amar.
17:16A gente fica tão feliz, né,
17:17quando a gente ama,
17:19mas que isso seja algo
17:21que você se ame primeiro,
17:23que você não dependa
17:24do amor de uma outra pessoa.
17:27E isso é importante
17:28que a mulher perceba.
17:30Eu vou falar uma coisa
17:30para você, Galiléia,
17:31e vou compartilhar com você,
17:33meu telespectador,
17:34minha telespectadora,
17:35eu mesma,
17:35já vivi um relacionamento abusivo,
17:37e para eu sair fora,
17:39o pensamento que eu tive é
17:40eu não posso me contentar com pouco,
17:42eu mereço mais.
17:44E aí, ó,
17:45piquei a mula,
17:46sair fora não é fácil,
17:48às vezes a gente se pega
17:49envolvido na situação,
17:51mas a gente sabe lá no fundo
17:53que não está fazendo
17:55nada bem para a gente.
17:57E olha,
17:57inclusive quando os amigos
17:58vêm falar,
17:59chamar atenção,
18:00já é um alerta também, né,
18:02amigos de verdade,
18:04pessoas que te amam,
18:05que estão ali do seu lado,
18:06essas pessoas começam
18:07a te mostrar também
18:08que tem algo de errado
18:10no seu companheiro
18:11ou na companheira.
18:12E assim como eu,
18:13assim como a dona Joana,
18:15também tem aqui a Rosângela,
18:16ela está falando que uma vez
18:18o esposo aprendeu no quarto,
18:21ela ficou sem comer o dia todo,
18:24sem água e sem comida.
18:26Gente,
18:27isso é tortura, né,
18:28a pessoa mantém cárcere privado,
18:31isso é crime, inclusive, tá?
18:33O Anderson tocou no assunto importante,
18:36o Anderson Soares,
18:37ele está aqui falando,
18:39queria saber se essas situações
18:40só servem para as mulheres,
18:42pois tem muitos homens
18:43que passam pelas mesmas coisas.
18:46E existe também esse outro lado, né?
18:48Existem homens também,
18:50mas...
18:50Só que a gente sabe
18:50que a maioria, infelizmente...
18:52Exatamente, existem homens,
18:54sim, existem homens,
18:56mas não se compara
18:57ao número de mulheres.
18:59Não se compara.
19:00Sabemos que o número de mulheres
19:02que sofrem violências todos os dias
19:04é infinitamente maior
19:05do que o número de homens
19:07que sofrem violências,
19:08mas não vamos desconsiderar esse número,
19:11ele existe também.
19:12Agora, teve um detalhe na sua fala
19:14que me chamou a atenção,
19:15você disse que o homem já vem...
19:17A pessoa, vamos botar assim,
19:19seja o homem ou a mulher,
19:20a pessoa já vem apresentando sinais.
19:22No caso aí da Isadora
19:23e do jogador do Flamengo, né,
19:25o Tiago Maia,
19:27ela disse que ele mudou
19:27completamente depois do casamento.
19:30Também pode acontecer isso,
19:31a pessoa se esconder durante anos
19:34enquanto é namorado,
19:35por trás de uma aparência
19:36e depois casou,
19:37muda completamente o perfil?
19:39E qual o tempo que eles ficaram juntos?
19:41Antes?
19:42Antes desse caso?
19:42Ah, foi um namoro que já aconteceu,
19:45idas e vindas,
19:46eles terminaram,
19:47mas é um namoro que já havia sido perdurado
19:50uns sete anos, mais ou menos.
19:52E aí, eu li sobre esse caso, né,
19:54e aí a gente, né,
19:56eu enquanto psicóloga,
19:58eu penso sobre essas idas e vindas, né,
20:02que nós não temos acesso a essas informações,
20:05são informações do casal,
20:07mas o que levou a essas idas e vindas,
20:11tantas idas e vindas, né?
20:13Ele, por ser jogador,
20:14ele não estava presente na vida dela
20:16o tempo todo, né?
20:19Então, será que, de fato,
20:22ela conseguiu conhecer essa pessoa?
20:26Totalmente, né?
20:27Claro que nós nunca vamos conhecer alguém
20:29totalmente,
20:30mas ela conseguiu conhecê-lo,
20:33de fato, até dizer que
20:36vou casar com alguém
20:37que eu minimamente conheço, né,
20:41uma vez que ele viaja tanto a trabalho,
20:43ela também, né,
20:46tantas idas e vindas,
20:47e de repente eles voltam,
20:49e aí quando eles casam
20:50e passam um tempo maior juntos,
20:53aí ele se mostra
20:54quem ele de fato é,
20:56ou a distância impediu
20:58que ela percebesse
21:00quem ele era,
21:02ou esse amor
21:04cego.
21:05Por isso é importante também
21:05a convivência, né?
21:07Convivência,
21:08conviver com a pessoa,
21:09saber de fato
21:10quem ela é,
21:11estar presente.
21:12E agora vamos saber
21:13da dona Joana,
21:14como que ela conseguiu
21:15aí, de fato,
21:17né,
21:17seguir com a vida dela adiante,
21:18dar um basta nessa situação,
21:20dona Joana?
21:23Em primeiro lugar,
21:24quero dar um abraço,
21:25estamos bombando as mensagens
21:27aqui do Grupo das Mulheres Poderosas,
21:29família,
21:29estamos juntas.
21:31Então,
21:32foi um começo muito difícil,
21:34eu tive,
21:35fiquei 15 dias
21:36na casa de uma amiga minha,
21:38que é uma vizinha da,
21:39na segunda rua da minha casa,
21:42tive apoio dela, né,
21:44por 15 dias,
21:45depois fui morar
21:46num quartinho,
21:48que era uma cama de solteiro,
21:49com meu filho,
21:51e um fogãozinho
21:52de duas bocas,
21:53depois comprei uma geladeira
21:54e comecei,
21:56fiquei nesse quartinho
21:57por nove meses.
21:59E comecei a reforma
22:00da minha casa.
22:03Muita dificuldade,
22:04porque eu tive que comprar tudo,
22:05não sobrou nem roupa
22:06para eu vestir,
22:07eu fiquei só com a roupa
22:09que eu estava vestida.
22:10Hoje, graças a Deus,
22:11eu já tenho minha casa
22:12montada,
22:13tudo direitinho,
22:14mas foi muito difícil,
22:15não é fácil.
22:17As pessoas,
22:18teve muita gente,
22:19meu vizinho,
22:20que viram ele entrando
22:21e pôndo fogo,
22:22e me relataram isso.
22:24Quando eu precisei
22:25para poder ir
22:26até a testemunha
22:27da delegacia,
22:29ninguém quis ir com medo,
22:31porque ele,
22:33constantemente,
22:33de onde ele estava,
22:35ele mandava
22:36as ameaças,
22:37ainda,
22:37eu tive que trocar
22:38de meu número
22:38do telefone,
22:39antigo que eu usava,
22:41porque ele ligava
22:42ameaçando.
22:43E eu tive uma surpresa,
22:45a psicóloga,
22:46eu falo aí da família,
22:47a família dele,
22:48a mãe dele era muito
22:50minha amiga,
22:50todas as vezes
22:51que eu relatava
22:51alguma coisa,
22:52ela tentava justificar
22:54que ele gostava
22:55muito de mim,
22:56não sei o quê,
22:57e dava um jeitinho
22:58de ajudar,
22:59ficar tudo bem.
23:00Quando aconteceu isso,
23:02que a polícia
23:03foi até a casa dela,
23:04porque a procura dele,
23:07ela foi até a delegacia,
23:08porque ela foi
23:09com a minha vida,
23:10e saindo da delegacia,
23:12ela me fez uma ameaça,
23:13ela ligou para mim
23:14dizendo que eu tinha
23:15destruído a vida
23:15do filho dela,
23:16ela jogou a culpa
23:17por cima de mim,
23:18e ela sabia tudo
23:19que acontecia
23:20que eu contava para ela,
23:21eu tinha ela como amiga,
23:22porque ele ainda
23:23deixava eu conversar com ela,
23:25era uma pessoa que eu tinha,
23:28ela jogou toda a culpa
23:29em mim,
23:30e me fez uma ameaça
23:31dizendo que ia me processar,
23:33entendeu?
23:33Então, sim,
23:35a família já sabia
23:36quem ele era,
23:38entendeu?
23:39É muito triste, né?
23:39Depois, passado um tempo,
23:40eu fiquei sabendo...
23:43É muito triste a gente
23:44ouvir isso, né, Galileia?
23:45Porque assim,
23:46a gente imagina a dor
23:47de uma mãe
23:48enxergar o filho dela
23:49com esses olhos,
23:51porque ela também é mulher,
23:52ela sabe o que,
23:53o perigo que de fato
23:56o filho dela pode estar sendo
23:59diante de um relacionamento.
24:01Mas percebe que
24:02o posicionamento da mãe
24:03é muito parecido
24:04com o posicionamento do filho?
24:09Ela aceitou, né,
24:11digamos,
24:12o posicionamento do filho.
24:13Ela não disse que ele
24:14estava errado,
24:15ela disse que
24:16a mulher estava errada.
24:19Sociedade machista
24:20que a gente vive, né?
24:21Exatamente.
24:21A gente nasce com essa cultura
24:22de que a mulher
24:23está errada
24:24diante de um relacionamento
24:25como esse, né?
24:26Exatamente.
24:27Então, olha o posicionamento
24:28dessa mãe,
24:29talvez seja o posicionamento
24:30dessa família,
24:32desse homem também, né?
24:34Ó, a gente tem aqui, ó,
24:36as participações
24:38dos nossos telespectadores,
24:39são diversas,
24:40está tendo aqui
24:41uma enxurrada de mensagens,
24:42a Noelia Sartori está falando,
24:44eu penso que
24:45um relacionamento
24:46para dar certo
24:47tem que ter Deus,
24:48tem que ter amor
24:49e muito diálogo,
24:51pois são duas pessoas
24:52que pensam diferentes,
24:54pensam diferentes,
24:54vem de culturas diferentes,
24:56tradições diferentes,
24:57né?
24:57E de fato,
24:58a gente tem que ter muito amor
24:59um pelo outro,
25:00o amor e o diálogo
25:01realmente é fundamental
25:03para qualquer relacionamento,
25:04né?
25:05É a base de tudo, né?
25:06Amor, diálogo e compreensão, né?
25:07Fundamental.
25:08São duas pessoas diferentes,
25:10que pensam diferente,
25:12que vieram de culturas diferentes,
25:14que aprenderam diferente
25:15sobre a vida,
25:17então o diálogo,
25:18ele precisa acontecer
25:19todos os dias, né?
25:21Esse amor
25:22é uma plantinha, né?
25:24Ela precisa ser regada
25:26todos os dias.
25:27Se você colocar muita água,
25:29a plantinha pode morrer também.
25:32Então, tem que dosar
25:33de uma forma muito certinha.
25:35Então, o amor é assim,
25:37todos os dias,
25:38diálogo, conversa
25:40e muito amor.
25:41Ó, a Jarmenuza,
25:42Maria Soares,
25:43está falando
25:44que o ex dela
25:45não a deixava trabalhar,
25:48né?
25:48E a fez dependente
25:50por 25 anos.
25:52Aí ela cansou,
25:52colocou um ponto final
25:54parabéns, viu?
25:58Jarmenuza,
25:59porque está aqui,
26:00a gente precisa ser independente,
26:02a gente pode,
26:02a gente deve correr atrás
26:04dos nossos sonhos,
26:05dos nossos objetivos
26:06e o trabalho faz parte disso, né?
26:08Claro, claro.
26:09Vamos à luta.
26:10Muitos homens, né?
26:12Muitos maridos
26:12não deixam só as mulheres trabalhar.
26:14Muitos.
26:14Isso também caracteriza
26:16um relacionamento abusivo?
26:17Muitos.
26:17Nós temos muitas mulheres
26:19que não conseguiram estudar.
26:22Então, quando a gente fala
26:23de trabalhar,
26:24já é algo acima, né?
26:27Tem muitas mulheres
26:27que não podem sequer estudar,
26:29que sequer não terminaram
26:31o ensino médio,
26:33que a sua obrigação
26:34é cuidar da casa
26:35e cuidar dos filhos.
26:37Então, imagina,
26:38trabalhar é algo
26:39que essas mulheres
26:39sequer pensam,
26:42subjulgado por esse homem
26:44que não permite
26:44que ela faça isso.
26:45Ó, a Maria Barbosa
26:47está aqui falando,
26:47gente, isso deve ser
26:48um tipo de doença.
26:49é considerado até doença?
26:52Como que a gente
26:53começa a perceber, Galiléia?
26:55Em alguns níveis,
26:55isso é patológico, sim.
26:58É patológico.
26:58Como que a gente
26:59começa a perceber,
27:00opa, peraí,
27:00está muito além
27:02de um comportamento normal.
27:04Tem uma doença,
27:06e como que a gente
27:06percebe isso?
27:08Na verdade,
27:10se você está
27:11subjulgando alguém,
27:13já está fora
27:15de um padrão, né?
27:16dito normal,
27:17como a sociedade fala, né?
27:19Se você está
27:20fazendo com que o outro
27:22siga a sua vontade,
27:24o seu querer,
27:26essa mulher
27:27já precisa
27:28se preocupar
27:29com essa situação.
27:30Essa mulher
27:30já precisa
27:31estar atenta
27:33ao que está acontecendo
27:34ao seu redor.
27:37Gente,
27:38estou lendo aqui
27:38um comentário
27:39muito triste
27:40da Lucilene.
27:42Ela fala
27:42que também passou
27:43por isso,
27:43e a última vez
27:44ela foi jogada
27:45em cima
27:46de uma cama,
27:47foi enforcada,
27:48ficou cheia
27:49de hematoma,
27:50deu várias chances,
27:52chegou a se casar
27:53com a pessoa, tá?
27:55Porque ela havia
27:56falado assim,
27:56ah, eu mudei, né?
27:58Mas até hoje,
27:59ela falou assim,
28:00que ela sente
28:00muitas dores
28:01na garganta,
28:03e hoje ela se livrou,
28:04graças a Deus,
28:06que, olha,
28:07ela falou que
28:07quando ele bebia,
28:09ficava ainda pior.
28:11A bebida também, né?
28:12Acaba às vezes
28:13acentuando
28:14essa característica
28:16da pessoa.
28:17ele acredita
28:18que quando ele
28:19faz ingestão
28:20do álcool, né?
28:21Ele,
28:22aí sim,
28:23ele detém
28:24mais poder
28:25ainda sobre
28:25essa mulher, né?
28:27E hoje,
28:29como estamos
28:30em situação
28:30de pandemia,
28:32o álcool,
28:34né?
28:34O uso
28:34do álcool
28:36aumentou ainda mais.
28:38Então,
28:39as mulheres
28:40estão sofrendo
28:41ainda mais com
28:42esses homens
28:43que fazem uso
28:44abusivo do álcool.
28:45Então,
28:46a violência
28:47sobre a mulher
28:48aumentou ainda mais.
28:49Em tempos de pandemia,
28:51estamos todos em casa.
28:52E a gente não pode aceitar.
28:54Olha, gente,
28:55o telefone está aqui
28:56180, tá?
28:58Você pode ligar
28:59para esse número
28:5924 horas por dia.
29:02Se você quiser
29:03fazer uma denúncia,
29:04pode ser anônima,
29:05de repente,
29:05alguma situação
29:06está acontecendo de estranho
29:07aí na casa da sua vizinha,
29:08você tem percebido algo,
29:10180.
29:11Liga,
29:12denuncie,
29:12você mulher também,
29:13dá um basta disso
29:14na sua vida.
29:15Bora para frente,
29:16você consegue,
29:17você não nasceu agarrada
29:18com essa pessoa.
29:19Não é verdade?
29:20Obrigada, Galileia,
29:21pela sua presença aqui.
29:22Muito obrigada.
29:23E, ó,
29:23ainda sobre esse assunto,
29:25o jogador do Flamengo,
29:26Tiago Maia,
29:27ainda não se pronunciou
29:28publicamente
29:29sobre a fala aí
29:30da Isadora Pompeu,
29:31a ex-esposa
29:32do atleta.
29:33Eu quero aproveitar também,
29:35dona Joana,
29:36voltar aqui com ela.
29:37Um beijo para você,
29:38muito obrigada também
29:39pelo seu relato,
29:40dando forças aí
29:41às mulheres.
29:42Tá bom?
29:43A seguir adiante.
29:47Eu que agradeço,
29:48não só você,
29:49como a TV aí,
29:50que está sempre, né,
29:51apoiando muito
29:52a causa da mulher.
29:53E nós precisamos
29:53se unir,
29:55todas as mulheres,
29:56o Espírito Santo,
29:57para poder combater
29:58essa violência,
29:59que todos os dias
30:00nós vemos um caso,
30:01todos os dias é um caso.
30:02Então, assim,
30:03mulheres,
30:04não espera ser morta,
30:05denuncia.
30:05vamos pegar
30:06todo mundo junto,
30:08se unir,
30:09para fazer a diferença
30:10do Espírito Santo.
30:11Isso aí, dona Joana.
30:12Porque eu ainda não aguento mais
30:12como todas as outras,
30:14ver mulheres
30:14sem ser mortadas.
30:15Tá certo.
30:16Obrigada, viu?
30:17Um beijo no seu coração.
30:18Então...
30:18E aí...