- há 4 semanas
Vitrine literária - Parte 2: entrevista com o poeta Jorge Elias e o fotógrafo Vitor Nogueira
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NotíciasTranscrição
00:01Começa agora, Vitrine Literária, com professor e escritor Francisco Grijó.
00:07Tudo sobre literatura contemporânea, temas, autores, obras, debates, análises, curiosidades e bate-papo com autores e editores.
00:19E aí, pessoal, estamos de volta. Vitrine Literária, mais uma edição pelas plataformas da TV Vitória, podcast e YouTube, o
00:30Folha Vitória.
00:32Na semana passada, como vocês devem saber, nós tivemos um papo com o Jorge Elias, poeta, e com o Vitor
00:41Nogueira, fotógrafo, que estão aqui do meu lado.
00:43Foi um bate-papo muito bom sobre a correspondência entre literatura e fotografia.
00:52Hoje, o papo continua sendo fotografia e literatura, só que hoje a coisa é mais específica ainda.
00:59O Jorge Elias tem 12 livros publicados e o Vitor tem 3 livros publicados de fotografia.
01:05E o Jorge, 12 livros de literatura, entre prosa e poesia.
01:09Mas é justamente sobre a poesia de Jorge e a fotografia de Vitor que a gente vai ter esse programa
01:17de hoje.
01:17Porque amanhã, dia 1º de dezembro, vai ser a abertura de uma exposição imperdível no Centro de Vitória.
01:29Essa exposição, ela é uma junção, ela é uma fusão, ela é um mutualismo entre a poesia de Jorge e
01:41a fotografia de Vitor.
01:43Mas, quem vai falar sobre isso são eles.
01:48Eu apenas sou.
01:50Eu só faço a introdução e eles é que vão falar sobre isso aí.
01:54Então, Jorge, fala pra gente como é que é esse projeto.
01:59Depois o Vitor fala também, logo imediatamente, como é que surgiu isso aí.
02:03Qual é o título do projeto.
02:04Lembrando aí, pessoal, amanhã, dia 1º, no Triplex.
02:11Isso, Triplex Vermelho.
02:12Isso.
02:13É com vocês.
02:13Centro Cultural Triplex Vermelho.
02:15Bom, esse projeto, o protagonista, tudo parte de Vitor, do Vitor.
02:21O Vitor, ele, ao longo dos últimos anos, ele vem fazendo um registro fotográfico.
02:27Inclusive, eu acho importante que ele fale mais sobre isso, porque eu entrei depois nesse projeto e eu marquei depois.
02:32Mas, em resumo, o Vitor veio com um projeto de fotografias sobre moradores de rua em Vitória.
02:39Ele vai falar mais posteriormente sobre isso.
02:41E essas fotos me foram sendo enviadas ao longo dos anos.
02:45E essas fotos me sensibilizaram muito.
02:48Já era algo que me angustiava como morador de Vitória, como um ser social,
02:54que prima pela questão da responsabilidade enquanto se está vivo.
02:59A questão da gente ter uma irrelevância relativa.
03:04Ou seja, embora eu saiba que a minha atitude como ser humano, de uma maneira geral, seja relevante,
03:09mas existe algum grau de relatividade na minha postura, na minha obrigação,
03:12e no meu ato de responsabilidade, como o Hannah Arendt já falou, o Václavos Ravel falaram também.
03:17E, em cima desse foco de vida, as fotos de Vitor me sensibilizaram absurdamente.
03:22E, a partir dessas fotos, ele me mandou uma foto, postou essa foto,
03:26e eu me senti na necessidade imediata de escrever um poema.
03:30Mandei essa foto, esse poema, para o Vitor.
03:32E, a partir daí, nós inauguramos um diálogo.
03:36E foi uma amadurecida da ideia de, eventualmente, fazermos um livro,
03:39depois de um ou dois anos de produção, de um número maior de poemas, em cima daquelas fotos.
03:46E, depois disso tudo, aí vem o que o Vitor vai estar colocando para vocês,
03:49que é o nome da nossa exposição, e o projeto de coleta dessas fotos.
03:55Meu papel, basicamente, foi de um indivíduo que é um poeta,
03:58e que tem a possibilidade de transformar sua angústia, sua insatisfação, sua indignação,
04:05acho que a grande palavra é essa, na forma de escrita.
04:08Então, é o mérito da produção dessa imagem, altamente contundente, forte e rica,
04:15e que tenha um grau de beleza, que é o trabalho do poeta.
04:18As fotos, cada foto do Vitor, ela tem detalhes que são impressionantes,
04:23porque ela traz todo o sofrimento, a angústia, desperta na gente esse sofrimento,
04:28mas, em paralelo a isso, existe toda uma riqueza de cores, de detalhes,
04:34que vocês vão ter oportunidade, quem amanhã tiver a oportunidade de comparecer para a exposição,
04:39vai poder ver isso nas fotos dele.
04:41Então, quer dizer, o mérito desse trabalho é do Vitor nesse sentido.
04:45Ou seja, as imagens que ele captou, infelizmente, dentro da nossa cidade de Vitória, são impressionantes.
04:51Vitor, como é que nasceu essa ideia?
04:54Você começou fotografando simplesmente sem uma perspectiva de um dia expor,
04:59ou você já capturou os instantâneos, as imagens, com o objetivo de mostrar isso aí para as pessoas?
05:08Olha, primeiro deixa eu só corrigir o que o Jorge está falando,
05:11que esse projeto só existe porque tem os versos dele,
05:15porque senão eu não teria bancado essa coisa eu sozinho.
05:21Foi o encantamento do Jorge, os versos cirúrgicos que o Jorge faz em cima das fotografias
05:29é que me empolgaram mais ainda a fazer essa exposição,
05:32além do convite que o Perlice Priando me fez.
05:37Mas sobre essas fotografias, o que acontece?
05:40Eu sou um... eu vou à padaria de manhã,
05:43costumo ir à padaria de manhã a comprar pão.
05:46Praia do Canto?
05:47Na Praia do Canto.
05:48Eu sempre vou ali.
05:50São duas quadras eu tenho uma padaria.
05:54E não é todo dia, mas eu sou acostumado, entendeu?
05:57Então, todas as vezes que eu passava nessa trilha, eu vi um morador de rua.
06:03Aquilo sempre me trazia uma certa sensação de angústia, de impotência,
06:09às vezes de raiva, não dele, mas da situação que aquele cara estava passando ali,
06:14deitado na rua.
06:16E isso foi passando e é esse torpor, eu acho, que acontece no dia a dia
06:24que faz com que as pessoas até olhem praquilo e nem vejam o que está acontecendo.
06:30Só que um dia eu vi alguém pulando por cima de um.
06:35E simplesmente reclamando ainda por ele estar deitado,
06:38sem nem perceber, querendo nem saber por que ele estava ali.
06:43Que certamente ele não estava ali por provocação.
06:46A partir daquele momento, eu falei assim, eu vou registrar isso.
06:50Eu preciso registrar isso.
06:54Bom, pra que que eu ia registrar?
06:57Eu parti logo, me lembrei logo de Manoel de Barros,
07:01que diz que eu faço as coisas, depois eu descubro.
07:07Pra que que... o que vai acontecer.
07:10E eu comecei sistematicamente, isso foi no...
07:13quando passou a crise maior da pandemia,
07:16a gente já podia ir à padaria com tranquilidade.
07:19Não com tranquilidade, mas...
07:21Mas ainda era 2020 ou já era 2021?
07:23Não, em 2020, né?
07:24Não, em 2020.
07:24Ainda era 2020.
07:26E aí eu comecei a registrar aquilo,
07:31e aquela coisa foi me enchendo de emoção,
07:35e eu falei assim, eu vou publicar umas fotos dessas.
07:38E aí eu publico uma foto dessa naqueles stories da...
07:42da dúvida do coisa, e o Jorge imediatamente me...
07:48Cara, vamos fazer um livro, vamos fazer isso,
07:51vamos ponderar um pouco, como é que vai ser isso, né, Jorge?
07:55Como é que a gente vai fazer isso?
07:55Mas você saiu pela Praia do Canto, observando você para o mesmo lugar.
07:58Duas quadras, eu posso ir, tanto por uma rua, como por outra,
08:03que eu vou chegar nessa padaria, vou dizer, entendeu?
08:07Ali, nessa região, num raio...
08:08É nesse entorno que você encontrou?
08:09No entorno de duas quadras, ou seja, uns 400 metros, talvez.
08:16Menos até.
08:18Bom, mas a partir disso eu comecei a registrar com vontade mesmo.
08:22Aí eu já saía com isso, tudo com o celular, não levava a câmera fotográfica,
08:27porque eu não queria apontar a câmera, porque a câmera fotográfica,
08:29quando você levanta, as pessoas já se sensibilizam mais,
08:33elas têm um reativo maior.
08:35E eu muito preocupado com isso tudo, porque eu não sabia o que eu podia ter
08:38em troca daquilo, as reações das pessoas.
08:41Muito porque existe uma...
08:44Muitas pessoas falam que é a droga que faz a que são drogados,
08:48e eu pude constatar que, assim, ou a droga é uma consequência da situação
08:53que eles estão naquele momento, ou seja, de abandono, de desespero,
09:01mas mesmo assim com uma certa dignidade, entendeu?
09:06Não é a droga.
09:08Ou a droga é uma consequência, ou a questão deles estarem lá
09:13seja uma consequência da droga, mas muito menor.
09:15Eu continuei registrando aquilo com o celular, e todo dia,
09:19toda vez que eu ia à padaria, eu levava o celular,
09:21eu registrava e comecei a mandar para Jorge.
09:23Jorge, olha isso.
09:24Eu mandava para Jorge, e menos de 30 segundos depois,
09:28um minuto depois já tinha um poema chegando.
09:30E aquela coisa foi crescendo, e foi batendo na minha cabeça também
09:34uma questão, porque eu comecei a ver o fato de eu ir comprar pão
09:40e ver aquelas pessoas, me via um certo antagonismo, assim, do pão.
09:46Antagonismo do pão, sabe como é que era?
09:47O pão e a fome.
09:49Você está entendendo?
09:50Então eu fui buscando alguma coisa que me traduzisse isso, entendeu?
09:54Como é que é?
09:54Onde é que essa pessoa estava localizada?
09:56Entendeu?
09:57Ela estava perto do pão, o pão que eu quero dizer,
09:59no sentido de acesso às coisas,
10:03estão sendo deitado em frente a uma loja, a uma padaria,
10:07a algum lugar, sabe, à frente de um prédio, entendeu?
10:11Um prédio arrumado.
10:13E eu fiquei com essa coisa na cabeça.
10:16Falei assim, é um antagonismo do pão, entendeu?
10:18Essa coisa me bateu fundo mesmo, né?
10:20O Jorge pega.
10:23Eu li, né?
10:24Eu tive o privilégio de ler os textos de Jorge
10:29e ver as fotos que você fez.
10:31E eu percebi uma coisa muito interessante, Jorge.
10:35Você tem poemas que são curtos,
10:36que são instantâneos mesmo,
10:38e você tem sonetos.
10:41O soneto, que é uma forma medieval
10:44e que vai ser difundida por Camões,
10:47Petrarca e Camões,
10:48e depois há grandes sonetistas no Brasil,
10:50dentro do modernismo.
10:51Vinícius de Moraes, por exemplo,
10:53Jorge de Lima, o Murilo Mendes, Cicílio Meirelles,
10:56figuras que fizeram do soneto
10:59uma obra mais popular.
11:02Você escreveu sonetos,
11:05uma coisa bem, quase que aristocrática,
11:07sobre uma temática de dor,
11:11uma temática de angústia.
11:13Uma angústia que o Vitor
11:15expressou,
11:16e que qualquer pessoa normal,
11:18penso eu,
11:19vai ver aquelas fotos
11:21e vai ficar angustiado também.
11:22Você conseguiu fazer isso aí.
11:25O Vitor falou que você quase que imediatamente,
11:28mas com o soneto também.
11:30O que aconteceu foi o seguinte,
11:31duas coisas,
11:32primeiro, exposição.
11:33O mais eu de mim mesmo
11:35vive me desconhecendo.
11:36Esse é o título.
11:37Esse é o título.
11:37O título da exposição, pessoal,
11:39de amanhã, fala de novo, por favor.
11:42O mais eu de mim mesmo
11:43vive me desconhecendo.
11:45Agora explica pra gente por quê.
11:47Bom,
11:49exatamente porque
11:50a gente quer transferir
11:52pra quem...
11:54Quando eu fiz esse verso,
11:56foi querendo transferir
11:58pra olhar
12:01de quem tá vendo aquela foto,
12:04ele se vê no espelho.
12:05O espelho do quê?
12:07Ele faz parte daquilo.
12:08Todos são seres humanos iguais.
12:09Então, quando você transfere
12:11pra ele, através dessa frase,
12:14essa indagação,
12:15porque embora seja
12:16uma frase afirmativa,
12:19essa afirmação que o poeta
12:20lança naquela fotografia,
12:22ele tá gerando um questionamento
12:24na pessoa que tá vendo a imagem.
12:25Então, eu tô querendo fazer ele pensar
12:27se ele também tá se desconhecendo
12:28naquela foto.
12:29Então, na verdade,
12:30eu me fiz aquele questionamento
12:32e proponho esse questionamento
12:33pra eles.
12:34Em relação à escrita do soneto,
12:38o que aconteceu foi que
12:39quando chegaram as primeiras imagens,
12:42as fotos do Vitor,
12:44eu tinha me proposto,
12:45naquele momento,
12:46escrever um livro de sonetos.
12:49Eu nunca tinha escrito soneto.
12:51Eu sempre gostei de versos curtos
12:52ou de versos livres.
12:54E era uma angústia,
12:55porque, poxa,
12:56eu sou Vinícius de Moraes.
12:58Foi a primeira grande morte
12:59da minha vida,
13:00foi o Vinícius de Moraes.
13:01Eu sou de 80.
13:02Exatamente.
13:02Eu lembro o dia, a hora,
13:03o sofrimento que eu tive
13:04quando ele morreu.
13:05Eu tinha acabado de comprar
13:06o disco dele um dia antes.
13:07Então, eu era apaixonado
13:08por Vinícius.
13:09Então, o Vinícius faz parte
13:10da minha formação de leitor.
13:12Então, eu tinha que escrever soneto.
13:15Eu achava um desafio
13:16pra quem vinha de um universo livre
13:17escrever soneto.
13:18Bom, então, naquele momento,
13:19eu tava num projeto
13:20de escrever sonetos.
13:22Então, naquele momento,
13:23nada mais natural
13:23que eu tentasse traduzir
13:25aquela minha angústia
13:26e aquela minha indignação
13:28das fotos do Vitor
13:29em soneto,
13:30porque era o meu momento
13:30de escrever sonetos.
13:32Finalizou o projeto
13:33e esse livro de sonetos,
13:34alguns desses sonetos
13:35já foram até publicados,
13:37num livro só de sonetos,
13:38que eu chamo de soneto em crise.
13:39Aqui, gente, ó.
13:40Deixa eu só interromper
13:41rapidamente pra mostrar
13:43pra quem está nos vendo,
13:44pra quem não está nos vendo,
13:46está pelo podcast.
13:47O título é
13:48Sonetos em Crise
13:50de Jorge Elias Neto.
13:51Vou mostrar aqui, ó.
13:53Aqui está.
13:55Beleza?
13:56Sonetos em Crise
13:57pela editora...
13:59Mondrongo.
14:00Da Bahia.
14:00Da Bahia.
14:01É uma editora baiana.
14:02Então, quem quiser,
14:03depois a gente vai falar
14:04onde você pode encontrar o livro.
14:06Mas continue.
14:06Então, basicamente, foi isso.
14:07Então, naturalmente,
14:09eu escrevi os sonetos
14:10para essas fotos.
14:12A partir do momento
14:13que eu acabei o projeto
14:13dos sonetos
14:14e as fotos continuaram chegando,
14:17eu entrei no meu...
14:18Minha zona, entre aspas,
14:19de conforto,
14:20que é o verso curto.
14:22Aforismo apóético,
14:23que é uma coisa
14:23que eu gosto muito.
14:25Aí vai...
14:25Já vai pro outro,
14:26Paleminski,
14:26que são outros grandes autores
14:28que me motivam muito.
14:29Sempre foram referências pra mim.
14:31Então, aí eu parti
14:32pra escrita
14:33dos versos mais enxutos.
14:35que eu costumo dizer
14:36que é o seguinte,
14:37eu não sou um poeta
14:37tão ambicioso
14:38que eu não quero...
14:39Quando eu leio um livro
14:40de poema,
14:40eu só achar um verso,
14:41já uma palavra bem colocada,
14:42eu já me sinto satisfeito
14:43com a criatura daquele livro.
14:46Então, por isso,
14:47esse poder de síntese
14:48é algo fundamental
14:49pra minha escrita.
14:50Então, a partir desse momento
14:51que eu volto
14:52pra minha área de conforto,
14:53é quando eu me lanço
14:54nos poemas mais curtos
14:55que também fazem parte
14:56da exposição.
14:57Então, foram momentos.
14:58Como foi um projeto
14:59que foi desenvolvido
15:00ao longo de dois anos,
15:01eles pegaram o poeta
15:02em momentos distintos.
15:03Primeiro, na época do soneto
15:05e atualmente nos versos curtos.
15:07Vitor, eu vou te fazer
15:08uma pergunta
15:10que eu queria muito
15:14que você falasse isso
15:15pra gente.
15:15O Sebastião Salgado,
15:18que é mundialmente famoso,
15:20ele foi acusado
15:22durante um tempo
15:23de explorar a miséria
15:25das pessoas
15:26pra tirar fotos, etc.
15:27Você não teme
15:30que os haters,
15:33porque haverá haters
15:34sempre,
15:35ainda mais
15:36expondo no triplex,
15:37no triplex vermelho,
15:39no centro de vitória,
15:41você não acha
15:42que os haters
15:42poderiam
15:45afirmar
15:45ou conjecturar
15:47a possibilidade
15:48de você ter
15:50explorado a miséria
15:51dos outros
15:51pra fazer arte?
15:53Jó,
15:54eu tive essa preocupação.
15:56eu tive mesmo
15:58essa preocupação.
15:59Mas
16:01ela foi se diluindo
16:03à medida
16:03que
16:06eu fui lendo
16:07os poemas
16:08do Jorge
16:09e eu vi
16:10que a nossa colocação
16:11era mais sincera
16:13do que qualquer
16:14reação
16:16de um hater.
16:17Ótimo.
16:18Entendeu?
16:19E fora isso,
16:21quando eu vi
16:21também o suporte
16:23que nós tivemos
16:25da pastoral
16:27do povo da rua
16:30que pertence
16:31à arquidiocese
16:32de Vitória
16:33e o encantamento
16:37que eles
16:38olhavam
16:39para essas fotos
16:40e para os versos
16:41enquanto a gente
16:42apresentava
16:44para eles
16:44numa reunião
16:45para tentar
16:46ver se eles
16:47queriam participar
16:48desse projeto.
16:50Aproveita e diz
16:50pra gente
16:51quem está participando
16:52de todo esse projeto.
16:53Não são só vocês dois.
16:54Não.
16:55O projeto foi feito
16:56assim,
16:59partindo das fotos,
17:00dos poemas
17:01do Jorge
17:02que se completam,
17:04a gente procurou
17:05apoio.
17:05e esse apoio
17:06não foi
17:07um apoio
17:08financeiro,
17:09ele foi
17:10um apoio
17:10de parceria.
17:12Então,
17:12começa com
17:13o convite
17:14que o Perli
17:14fez,
17:15que foi o que
17:15o Perli
17:16se prende,
17:17que é o cara
17:18hoje que toma
17:18conta
17:20do Centro Cultural
17:21Triplex Vermelho,
17:22que tenta
17:22solidificar
17:24esse Centro Cultural
17:25Triplex Vermelho.
17:26E daí,
17:28a gente precisava
17:29de um apoio
17:31sério.
17:31Então,
17:32entrou o apoio
17:33da Academia
17:33Espírito Santense
17:34de Letra,
17:35porque o Jorge
17:35como você...
17:39Terceiro,
17:40a gente precisava
17:40desse apoio
17:41da Pastoral.
17:42Não que a gente
17:42buscasse,
17:43mas que a gente...
17:44Foi um processo
17:44meio natural.
17:45Vamos ligar
17:46para o Padre Kelder?
17:47Vamos, vamos...
17:48Sabe,
17:49vamos marcar
17:49uma reunião?
17:50Vamos, vamos.
17:50Sensacional.
17:51É uma cabeça
17:51enorme, né?
17:53E assim foi.
17:54As parcerias
17:55foram surgindo,
17:56os apoios,
17:57ou por uma ligação
17:59emocional,
18:00ou por uma questão
18:02de a pessoa
18:02se sentir
18:04meio próximo
18:05ao projeto,
18:06a questão do projeto,
18:08as fotos
18:09e aos poemas.
18:10Você mesmo,
18:11Grigio,
18:12a gente te pediu,
18:13você fez um texto
18:14brilhante
18:15para a apresentação
18:17do nosso projeto.
18:19E assim,
18:20essa coisa
18:20tomou um corpo
18:21que me diluiu
18:23totalmente
18:24de alguma preocupação
18:26sobre essa coisa
18:29do hater,
18:31daquele cara
18:31que pudesse
18:32me dizer assim,
18:33você está explorando
18:34a miséria.
18:36Eu não...
18:37Ótimo.
18:39Eu não consigo
18:39ver isso mais.
18:40É outra coisa
18:41importante.
18:42É porque o Jorge,
18:43o Jorge falou uma coisa
18:45da qual eu discordo,
18:47infelizmente eu discordo,
18:49que durante o nosso papo
18:51o Jorge falou que
18:53nós somos todos
18:54seres humanos,
18:56mas mesmo sendo
18:57todos nós
18:58sendo seres humanos,
18:59o olhar
19:00que muita gente tem
19:01para as pessoas,
19:03para o morador
19:04de rua,
19:05é o olhar do incômodo,
19:06como você disse.
19:07O cara pulou
19:08sobre ele e disse,
19:09pô, esse cara
19:09está me atrapalhando.
19:10Ou seja,
19:11há uma desumanização
19:12muito grande.
19:13Total.
19:14Então...
19:14E uma concessão
19:15em cima.
19:16Não, não, eu sei.
19:17Entendeu?
19:17Então,
19:18o hater vai existir.
19:20O hater vai existir.
19:21Esse indivíduo
19:23que eu tenho certeza
19:24para vocês dois
19:25e para mim,
19:26esse indivíduo
19:26é desprezível,
19:28mas esse indivíduo
19:28tem apoiadores.
19:29Sim.
19:30Entendeu?
19:30Mas o que eu estou
19:31achando muito legal
19:32é que vocês
19:34estão excluindo
19:35essa possibilidade.
19:37Vamos fazer
19:37porque há uma necessidade
19:38de fazer
19:39e vamos expor
19:40essa simbiose, né?
19:44Literatura
19:44e fotografia.
19:46Essa realidade,
19:47a verdade é porque
19:48não tem como
19:49dizer uma coisa
19:50diferente.
19:50É.
19:51porque é uma realidade.
19:53Quando eu...
19:53O detalhe é o seguinte,
19:55quando eu falo
19:56os seres humanos,
19:57talvez seja o médico
19:57falando, né?
19:59Estruturalmente falando.
20:01Pode ser, pode ser.
20:01Estruturalmente.
20:02E outro aspecto
20:03importante
20:03quando nós procuramos
20:05o pastoral
20:06foi também
20:07tentando ter
20:08algo de prático
20:09em relação...
20:10Trazer alguma coisa
20:11de donativo.
20:12Então,
20:13o nosso projeto
20:13ele também
20:14tem a questão
20:15de recolher
20:17donativos
20:17para...
20:19durante o evento.
20:20Então,
20:20durante o lançamento
20:21do evento
20:21nós vamos estar recebendo...
20:23Dia primeiro, galera.
20:23Dia primeiro.
20:24Dia primeiro.
20:24Amanhã.
20:25Amanhã, no caso.
20:25Não só durante...
20:26É, durante todo o período.
20:28Todo o processo.
20:28É, porque é importante dizer
20:29que essa exposição
20:31vai se arrastar
20:31até a virada do ano.
20:32E durante esse período
20:34vamos recebendo...
20:35Nós vamos estar recebendo
20:36donativos de alimentos
20:38não perecíveis
20:39durante a exposição.
20:39Então, as pessoas
20:40que forem visitar
20:41levar algum tipo
20:42de alimento
20:43que vai ser
20:45direcionado
20:45para pastoral.
20:46E outro aspecto
20:47também
20:47donativos
20:48que vão ser
20:49também diretamente
20:50direcionados
20:52para pastoral.
20:53Então, vão ter
20:53a forma...
20:54A gente está elaborando
20:55uma forma
20:56para amanhã
20:56as pessoas
20:57têm condição
20:57também de fazer
20:58donativos
20:58na compra direta
21:00de cestas básicas
21:01e envio para pastoral
21:02nos moldes
21:03de uma campanha
21:03que nós já fizemos
21:04nos últimos dois anos
21:05naquela época
21:06pela Academia
21:07Espírito Sandense
21:08pela Sociedade Brasileira
21:10de Cargiologia
21:11do Espírito Santo.
21:12Então, o nosso objetivo
21:13também é esse.
21:14Então, trazer algo
21:16de concreto
21:17nesse final de ano
21:19para as pessoas carentes
21:20que no caso
21:20seria
21:21donativos de alimentos.
21:23Maravilha.
21:24Pode falar?
21:25Posso falar?
21:26Eu acho que assim,
21:27isso que o Jorge falou
21:28é uma das coisas
21:29que a gente
21:30se comprometeu
21:31a fazer
21:32com a pastoral
21:33e é um ponto
21:34muito expressivo
21:35principalmente
21:35porque a gente
21:36vai fazer
21:37essa coisa
21:37durante o mês
21:38de dezembro
21:39e isso cobre
21:39uma parte.
21:40Mas eu também
21:41vejo essa exposição
21:42como uma forma
21:44de cobrança.
21:46Entendeu?
21:46Eu vejo ela
21:47como uma forma
21:48de abrir os olhos
21:50das pessoas.
21:51Entendeu?
21:51Como é que é?
21:52Tentar fazer com que
21:53as pessoas enxerguem.
21:55Não passem só...
21:57Olham,
21:58mas não veem.
21:59Entendeu?
22:00Essa coisa
22:01que é tão simples
22:03me parece,
22:03entendeu?
22:04de ser resolvida.
22:04Numa cidade
22:05como Vitória,
22:07o Fabian,
22:09da pastoral,
22:11um dos caras
22:14que organizam melhor
22:16essa pastoral
22:16do homem de rua,
22:20da rua,
22:21ele falou
22:21que tem
22:22cento e poucos
22:25pessoas cadastradas.
22:27como é que não se resolve
22:29um problema
22:29de cento e poucas
22:30pessoas
22:31que ficam
22:32deitadas na rua,
22:33meu amigo?
22:34O quê?
22:36Qual é o dilema
22:38disso?
22:39Onde é que está
22:40essa dificuldade?
22:41É uma rejeição
22:42natural que se tem?
22:44É uma culpabilidade
22:45que a sociedade
22:46joga,
22:47tem que despejar
22:48em cima de alguém
22:50para fazer caridade?
22:53O Jorge aborda isso aí
22:54nos poemas,
22:55né?
22:56Então,
22:56é exato.
22:57Então,
22:58a gente,
22:58até chegamos,
22:59até te sugeri,
23:01até te sugeri um título
23:02para o seu texto,
23:03que depois eu fiquei
23:04envergonhado de colocar.
23:05Não,
23:05relaxa quanto a isso.
23:06Mas era uma coisa...
23:07O texto foi sem título mesmo.
23:10Pois é.
23:10Fique à vontade.
23:11Pois é.
23:11É porque eu pensei
23:13muito nisso,
23:14nesses tempos
23:15de dicotomia,
23:16entendeu?
23:17De dicotomia
23:18de paixões,
23:19né?
23:20Talvez seja a hora
23:21de se abrir os olhos
23:22para isso.
23:23O mais engraçado
23:24é que essa coisa
23:25de dicotomia
23:25das paixões
23:26veio na minha cabeça,
23:27eu pensando sobre a coisa
23:29e depois eu falei
23:30será que isso tem sentido?
23:31Eu fui procurar
23:32e, porra,
23:34tinha sentido realmente,
23:35entendeu como é que é?
23:36Então,
23:37a coisa é por aí.
23:37Eu acho que a hora
23:38que agora nós estamos,
23:40nós estamos dando
23:40uma virada,
23:41política e tal
23:43e todo mundo,
23:44né?
23:45Aceitem ou não,
23:47façam parte ou não,
23:49aí é uma realidade.
23:50Então,
23:51nós torcemos
23:53para que essa coisa
23:54vá para frente mesmo,
23:56que esse olhar
23:57vire
23:58para essa situação
23:59maior,
24:00carente
24:01desse Brasil nosso
24:02e tudo.
24:03E...
24:03Então,
24:04nós estamos também...
24:05Eu...
24:06Meu pensamento
24:07é muito de colocar
24:08essa exposição
24:09também como,
24:10ó,
24:10tá aqui, hein?
24:11Maravilha.
24:11Vamos aqui agora...
24:13Qual o horário dela?
24:14De que horas a que horas?
24:15Ela começa às...
24:17Dezenove horas.
24:18A partir das dezenove horas.
24:19Amanhã às dezenove horas
24:19a abertura.
24:20Então, pessoal,
24:21antes de me despedir
24:22de vocês,
24:24agradecendo demais,
24:25mais uma vez,
24:25a participação dos dois.
24:27Amanhã,
24:28amanhã,
24:28dia primeiro,
24:29a partir das dezenove horas,
24:31no Centro Cultural
24:32Triplex Vermelho,
24:33na Praça Costa Pereira.
24:35Beleza?
24:36Mais uma vez,
24:37agradecendo ao Jorge,
24:39meu colega lá,
24:41meu confrade,
24:42na academia,
24:43médico,
24:44ao Vitor,
24:45fotógrafo.
24:46Muito obrigado a vocês dois
24:47e eu tenho certeza
24:48de que a cidade
24:49também agradece.
24:51Obrigado.
24:51Obrigado a você.
24:52Obrigado pelo apoio.
24:53Grande abraço.
24:54Até a próxima semana.
24:57Você ouveu
24:58Vitrine Literária
25:00com o professor e escritor
25:01Francisco Grijó.
25:03Tudo sobre literatura contemporânea.
25:05Temas, autores,
25:07obras,
25:08debates,
25:09análises,
25:10curiosidades
25:10e bate-papo
25:11com autores e editores.
25:13Tchau, tchau.