- há 2 dias
Muitos jovens perdem a vida por causa do envolvimento com a criminalidade no tráfico de drogas.
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NotíciasTranscrição
00:00Aqui no nosso estúdio, olha só, recebo especialista em segurança, Pablo Lira, muito obrigada pela sua participação.
00:07Também recebo o senhor Márcio da Vitória, que viveu esse drama, daqui a pouquinho vai falar também pra gente sobre
00:13isso.
00:14E também o doutor Carlito, que é psicanalista, obrigada pela sua participação aqui com a gente.
00:21Vai principalmente ajudar a falar com os pais e as mães que estão desesperados nesse momento, né?
00:28Mas primeiro, a gente quer entender, Pablo, o que que leva esses adolescentes, esses jovens, mesmo vendo os amigos tendo
00:39um final tão trágico,
00:41mesmo vendo, acompanhando as notícias, ainda assim, eles arriscam a vida se envolvendo no mundo do crime.
00:49Por que que mesmo assim eles se arriscam?
00:51Boa tarde.
00:52Boa tarde, Roberta. Boa tarde a todos que estão acompanhando a gente.
00:56É uma triste estatística que a gente tem no nosso país, né?
00:59O Brasil é o país que mais registra homicídios no mundo, em torno de 40 mil homicídios por ano.
01:06E como você bem destacou esses dados, o perfil da vítima são jovens de 15 a 29 anos, do sexo
01:15masculino,
01:16na maioria das vezes envolvidos, que tiveram algum tipo de envolvimento com o tráfico de drogas ilícitas,
01:23que tem como líderes aí, jovens também com o mesmo perfil.
01:27O perfil da vítima e o perfil do agressor é muito parecido.
01:30E a gente vê essa dinâmica dos homicídios ligada ao quê?
01:35Esses grupos de criminosos que lideram o tráfico de drogas,
01:42se a pessoa é um rival, ela paga com a vida, a disputa pelo território.
01:47Se a pessoa é um devedor, paga com a vida.
01:51Se a pessoa é uma delatora, também, as execuções, né?
01:55Então, infelizmente, esses grupos, eles têm um código de conduta criminal
02:00que a vida é moeda de troca, é a banalização da vida, Roberta, desses jovens.
02:06E são jovens em conflito com jovens, né?
02:10Falta muito aí uma política nacional no campo da prevenção social.
02:17O Brasil carece disso há anos, né?
02:20A gente tem alguns estados desenvolvendo políticas na área social e de repressão qualificada.
02:25Aqui no estado, a gente tem o programa Estado Presente.
02:28A gente conseguiu aí, no primeiro semestre, né?
02:31Tem a maior redução de homicídios dos últimos 26 anos.
02:36Inclusive, os dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, na semana passada,
02:40destacaram que a gente está acumulando aí, no primeiro semestre de 2022,
02:44uma queda de 16% no número de homicídios, mas, mesmo assim, são números elevados.
02:51E, além dessa questão das políticas no campo social, é importante também, né?
02:57O artigo 144 da Constituição diz que segurança pública é um dever de Estado,
03:03direito e responsabilidade de todos.
03:05O papel das instituições religiosas, o papel da família, o papel da escola também é muito importante
03:12para a gente construir uma cultura de paz no nosso país.
03:15A gente está perdendo aí gerações e mais gerações para esse mundo da dinâmica do crime de tráfico de drogas.
03:22Exatamente. A gente está falando aí de praticamente 600 mortes que aconteceram até julho.
03:27E, se a gente pegar, é para parar para pensar, uma geração que era para estar trabalhando,
03:33produzindo, realizando o sonho profissional, mas não é isso que a gente vê na prática.
03:37E foi exatamente assim que aconteceu com o seu filho, né?
03:40É, sim, Roberto. É uma fatalidade, né?
03:43É um garoto de 20 anos, um futuro promissor, um grande crescimento,
03:47mas, infelizmente, acabou tendo um período na vida envolvendo-se com a droga,
03:54embora o fato ocorrido ele já não estava mais naquele envolvimento que estava antes,
03:58mas foi como o doutor aqui disse, a questão da guerra, né?
04:03A guerra em si, do tráfico, pelo envolvimento de amizade, né?
04:09A morte do meu filho baseou em cima disso, né?
04:12Guerra, que nem ele estava envolvido.
04:14Acusaram ele pelo fato de ter um parente envolvido na guerra,
04:18e aí, no meio deles, levaram...
04:21E vai todo mundo, né?
04:22E vai todo mundo.
04:23Até porque o tráfico não esquece, né?
04:25Se tiver algum envolvimento lá atrás, e se ainda puder se vingar hoje, é assim que acontece.
04:32Infelizmente, infelizmente.
04:33E na guerra do tráfico, essa guerra constante que acontece,
04:37hoje nós vivemos isso aí na região que eu moro, o bairro São Pedro,
04:41hoje é constante essa guerra do tráfico.
04:43E até pessoas inocentes que não têm nada a ver, são atingidas por bala perdida,
04:49moradores estão vivendo hoje um total sentimento de segurança, a realidade, né?
04:56Qual é o sentimento, quando você ouviu agora esse relato de uma mãe
05:01que fez de tudo também para tirar o filho desse mundo,
05:04e, infelizmente, aconteceu também do filho dela ser alvo de traficantes diante dessa guerra?
05:11Olha, Roberto, eu confesso que eu vivi uns insights aqui no momento que eu ouvi o relato dela.
05:16Foi algo muito doloroso para mim dentro, porque eu senti isso aí, porque eu lutei pelo meu filho.
05:21Inclusive, como eu falei na primeira vez que eu vim aqui, eu investi na vida dele,
05:26porque ele jogava futebol, ele amava o esporte.
05:29Já cheguei a levar ele para um clube de São Paulo para fazer teste,
05:32ficou 15 dias lá, cheio de sonhos, cheio de expectativa.
05:36E vendo essa mãe relatando, eu me emocionei um pouco, fiquei até um pouco meio sem ação,
05:42porque é uma dor, é uma dor muito grande você ver um filho seu que você sonhou,
05:47que você acreditou, que você via nele potencial de ser alguém de bem,
05:52de alcançar.
05:53Inclusive, o meu tem um projeto social, né, que a gente trabalha com recuperação de pessoas
05:57em estado de dependência química.
05:59Inclusive, ele me ajudou nesse projeto meses antes de acontecer esse fato.
06:04Então, assim, é muito doloroso para a gente ver hoje pais sofrendo a perca.
06:09Inclusive, eu tenho até na minha igreja um pastor também,
06:12que há poucos dias também perdeu um filho lá no bairro também assassinado.
06:17E isso é o que os pais e as mães mais temem, é esse final trágico com os nossos próprios
06:23filhos,
06:24aquelas pessoas que a gente mais ama nessa vida.
06:27Doutor Carlito, doutor Carlito Garcia, obrigada mais uma vez pela sua participação.
06:31Ninguém melhor do que você para dizer por que que, mesmo diante de tudo isso que a gente está falando,
06:37noticiando, esses jovens, esses adolescentes, se ousam a se arriscar nesse mundo tão perigoso.
06:44Verdade. Bom dia, boa tarde, Roberta. Boa tarde a todos que estão aí, os telespectadores.
06:49Eu tenho percebido, ao longo do tempo, estudando, analisando a mentalidade humana,
06:54o fator que tem gerado o interesse nos jovens estar se envolvendo na criminalidade.
07:00Um dos fatores que eu tenho policiado bastante é a questão da influência.
07:06A influência tem sido um dos fatores que tem gerado o desejo de muitos jovens querer.
07:11Às vezes, por estar vivendo numa família, por falta de condição financeira e por ver outras pessoas ter,
07:18o desejo de querer ter, às vezes, é tão grande que faz com que eles venham a querer viver essa
07:23adrenalina
07:24de se arriscar a esse ponto.
07:27Hoje, eu tenho feito alguns trabalhos, algumas caixas de recuperação,
07:30alguns pais têm nos procurado para poder estar trabalhando com esses jovens,
07:35para procurar entender um dos fatores que têm gerado esse envolvimento deles em querer se arriscar
07:42de forma, assim, tão drástica, né?
07:45E, olhando aqui o relato que foi falado agora há pouco, dessa mãe aí,
07:50o que me fez lembrar bastante agora foi o fato de ela falar o seguinte,
07:56lute e ame o seu filho a todo momento.
08:00E esse é um fator primordial que tem ajudado muitos jovens a querer sair também.
08:07Essa mãe, eu conversei com ela nos bastidores, liguei para essa mãe,
08:11ela me disse que ela esteve presente a todo momento.
08:14Inclusive, ele estava preso, esse filho dela.
08:17Tem um mês que ele saiu, enquanto ele permaneceu preso,
08:20lá estava ela, do lado dele.
08:22E, ainda assim, por quê?
08:24O que explica, ainda assim, muitos jovens recebendo esse amor do pai,
08:29recebendo esse amor da mãe, ainda assim, se arriscam.
08:33Por quê? O que falta?
08:34Eu tenho percebido também que um dos fatores que é de suma importância na educação
08:40é a imposição de limites.
08:43Eu tenho visto que muitos jovens que eu tenho atendido em alguns projetos,
08:47também, que nos procuram no nosso gabinete para poder estar conversando,
08:51que a falta de limite na infância tem sido um dos fatores que tem turbinado
08:59nele de querer fazer o que quer hoje.
09:01Pelo fato de não ter recebido um não lá atrás, sempre um sim.
09:04E hoje, na fase de adolescente, quando recebe um não,
09:08acha que está no direito de fazer, custe o que custar.
09:11Então, uma das formas de começar já a trabalhar para que ele não entre futuramente nas drogas
09:17é o fato de colocar o limite.
09:19Lembrando que o limite faz parte do processo de educação, né?
09:21E olha só, gente, desses cinco homicídios que aconteceram nesse final de semana,
09:26teve um outro que também choca a gente pela violência e pela idade da vítima.
09:32O corpo do jovem de 15 anos, eu disse 15 anos,
09:36foi encontrado dentro do cemitério Santo Agostinho, no bairro Aparecida, em Cariacica.
09:41Segundo a polícia militar, o rapaz foi baleado com mais de 10 tiros.
09:46Uma tia da vítima, que não quis gravar a entrevista,
09:49conversou com a nossa equipe e disse que o jovem perdeu em fevereiro desse ano
09:53um tio e um irmão, também há três anos atrás.
09:57Os dois também foram baleados.
10:01E aí, a gente para para pensar, né?
10:03Nessa idade, 15 anos.
10:06Eu conversei, como já contei para vocês,
10:08eu conversei com a mãe desse outro jovem,
10:11o que também foi baleado em Nova Rosa da Pen, que morreu.
10:14Ele começou a dar trabalho para a mãe na faixa de 10, 11, 12 anos.
10:18Vamos parar para pensar?
10:2010 anos, 12 anos, 15 anos, né?
10:24Então, a gente vê que está faltando uma estrutura na base.
10:28É isso, Carlito?
10:30Sim.
10:30E é justamente nessa fase aí de 12 anos que Freud chama que a segunda fase de latência,
10:36onde o adolescente, ele começa a querer buscar fora de casa aquilo que não tem.
10:42Então, muitas das vezes, esse fato da falta do carinho, falta da atenção, falta do abraço,
10:48falta de algumas questões que deveria ter em casa, ele não tem, ele começa a buscar fora.
10:53E nesse fato de ele começar a buscar fora, que entra agora o contágio social,
10:58que são as pessoas que, de alguma forma, acabam influenciando.
11:02Eu falo porque eu já vivi também um período onde eu fiquei nas drogas também,
11:06fiquei ali no mundo do tráfico também, por um tempo da minha vida.
11:10E foi justamente nesse momento, dessa faixa etária de idade, dos 14, 15, 16,
11:15fiquei até os 18 anos, onde eu fui preso, e depois saí e nunca mais quis saber dessa vida.
11:20Então, foi justamente nesse momento, onde eu comecei a querer procurar fora de casa aquilo que não tinha,
11:26que eu comecei a me envolver com pessoas que tinham má influência na sociedade,
11:31que eu acabei me permitindo viver essa vida de tráfico de droga, de cadeia,
11:36e por fim, hoje, livre e liberto.
11:40E está aqui como psicanalista ajudando pessoas a enfrentar, superar essa fase.
11:45Agora, Pablo, quando a gente fala dessa idade, a gente sabe que os adolescentes
11:52acabam tendo um papel importante, eles são interessantes para o tráfico de drogas.
11:56Qual o papel deles?
11:59Aproveitando aqui a deixa do Dr. Carlito, é muito importante esse exemplo positivo.
12:04A gente teve algumas semanas aqui com a Mirella também,
12:07que é possível superar essas dificuldades, e ele tocou num ponto muito importante.
12:13Hoje, na nossa sociedade, falta muito também essa relação de afeto, de amor dos pais com os filhos,
12:20acompanhar a supervisão da rede de relacionamento, de amigos também.
12:26E você tocou num ponto fundamental, o controle.
12:30Tem uma teoria nos estudos que a gente desenvolve lá na UVV, no mestrado de segurança pública,
12:34que é a teoria do autocontrole.
12:36Na fase da criança, infantil, adolescência, você pode começar simplesmente esse aparelhinho aqui.
12:43Se a gente deixar o celular na mão da criança, os pais, fica muito cômodo.
12:47Eu posso fazer minhas tarefas, a criança tem que ter tido o dia todo, vendo vídeo, brincando no celular.
12:53Se você começa a colocar controle de horário, só no final de semana ele consegue ter acesso ao celular.
12:59Isso é um tipo de mecanismo que se começa a colocar limite desde cedo na criança.
13:04Horário de sair na hora da adolescência, 10 horas, retornar para casa, acompanhar a rede de amizades.
13:11A gente sabe que, mesmo tomando esses cuidados, às vezes a criança, o adolescente se desvia, né?
13:17E vai para esses círculos de amizades que são perigosas.
13:21Aí tem um outro ponto importante também.
13:24E já me solidarizo aqui com o Márcio, a perda de um filho, né?
13:29É uma perda incalculável, né?
13:31Deixa a marca para a nossa vida toda.
13:34E aí a gente tem um outro ponto, que é o lado das lideranças criminosas.
13:39Os traficantes não são os jovens que vão buscar.
13:42Os traficantes também, os líderes criminosos, eles vão cooptar esses indivíduos.
13:49E aí é a promessa de ganhar dinheiro fácil, é a promessa de ter a liderança, o destaque ali na
13:56comunidade.
13:57Então é importante também a gente rever as nossas leis penais.
14:00É um crime hediondo, um líder criminoso aí, adulto, cooptar crianças de 15, 14 anos para o mundo do tráfico
14:09de drogas.
14:09E o nosso código penal é da década de 40, né?
14:13A gente tem leis muito brandas.
14:15Uma pessoa dessa não pode ficar impune cometendo vários crimes contra uma geração inteira, né?
14:22Sim.
14:23E olha só, no começo desse mês, o corpo do jovem Matheus Rocha, de 26 anos, foi encontrado no alto
14:29do morro em Santa Clara.
14:30No morro Santa Clara, aqui em Vitória, aqui no centro, gente.
14:33O Matheus era usuário de drogas e o pai lutou muito para que o destino de Matheus fosse diferente.
14:40Olha aí o depoimento desse pai.
14:42Até hoje eu tenho sentido essa dor, eu sinto saudades, entendeu?
14:48E a gente vê fotos, vê tudo isso.
14:51E só a gente que vive essa situação para sentir a dor.
14:56Nós vemos aí pais como eu enterrando seus filhos, né?
14:59Na verdade, era para o filho enterrar os seus pais, às vezes por velhice ou doença.
15:05Hoje são os pais que estão aí chorando a morte dos seus filhos tão precocemente, né?
15:11Ela alerta que eu deixo para os filhos que obedeçam aos seus pais e que seus pais, que os parentes,
15:18amem mais os seus filhos, amem mais os seus subterrinhos, porque a dor é grande, entendeu?
15:24Porque a droga, ela tem atingido não só aqui na classe média ou na classe mais pobre,
15:29tem atingido as classes sociais tanto ricas como altas.
15:34Então a droga tem entrado na casa e tem destruído famílias.
15:38Totalmente, né?
15:39E olha só o comentário da Sheila Silva.
15:42Eu vejo os relatos sobre esse jovem, revivo a minha história com o meu filho.
15:45Lembro que busquei ajuda no início do envolvimento dele e nunca obtive.
15:50Por isso, sempre me senti a pior mãe do mundo, por ver como as coisas estavam caminhando
15:57e eu temia o futuro dele.
15:58E hoje eu perdi a guerra para o tráfico.
16:02Márcio, você também fez de tudo para tirar seu filho dessa vida?
16:07Sim, tudo o que eu pude até o que eu não pude.
16:10Foi um processo muito doloroso e de muita tensão.
16:15Muitas das vezes a gente tem que abrir mão de muitas coisas para dar 100% de atenção
16:21àquele caso, porque, na verdade, o meu filho, quando ele começou a se envolver com amizades,
16:26foi até a questão que o doutor Carreto falou sobre a influência, aos 13 anos de idade.
16:31Então, quando você tira um pouco da atenção, quando você viu, já está envolvido.
16:38As amizades já se envolveram.
16:40E aí, deu um dado momento, a gente conseguiu tirar ele, envolvendo ele no esporte, envolvendo ele no futebol.
16:47Mas a gente acaba, novamente, perdendo um pouco da atenção, aí voltam as influências novamente e acabam trazendo.
16:54E um conselho até que eu dou para os pais, o que puderem ter, o que tem os filhos envolvidos,
17:01é que abra mão do que for preciso para não perder a atenção.
17:05E fazer o que for preciso para tirar, principalmente das amizades, influências, envolver com algumas atividades,
17:13esportes, sociais, enfim, para que tire a atenção daquele adolescente,
17:19daquelas amizades que estão influenciando ele a esses caminhos que o final é doloroso.
17:24Doutor Carlito, queria que você deixasse um recado de que forma os pais, as mães que estão, assim, à beira
17:29do abismo,
17:30que já tentaram de tudo, o que ainda é possível ser feito?
17:34Os pais que já estão com problemas até dentro de casa, no casamento,
17:38já não conseguem mais conciliar trabalho com a família, o que ainda é possível ser feito por essas mães e
17:44por esses pais?
17:45Então, Roberto, como nós estamos observando aqui, tanto nas reportagens como nos gelagos aqui,
17:50que a importância de estar junto, de abraçar, de amar, é de suma importância.
17:56E temos percebido também que todo jovem tem a necessidade de se sentir aceito, de se sentir pertencente.
18:03Uma vez que ele não se sente pertencente dentro de casa, ele vai procurar, de alguma forma, se sentir pertencente
18:09lá fora.
18:11Um dos fatores que eu também tenho observado bastante, que tem influenciado jovens a procurar esse caminho aí,
18:19é pelo fato de não ter uma autoridade dentro de casa para poder colocar limite.
18:23Então, justamente, às vezes, a mãe é uma mãe solteira, e ela tem que trabalhar o dia inteiro para poder
18:28sobreviver,
18:28para poder manter o filho, e ela acaba terceirizando a educação.
18:32Então, ela não tem tempo para dar aquele momento de qualidade com o filho.
18:36Quando a gente terceiriza, infelizmente, quem vem para suplir a nossa presença acaba não sendo da forma que a gente
18:44queria.
18:44Então, o conselho que eu deixo para os pais, para as mães que estão tendo dificuldade com os seus filhos,
18:50que estão no caminho das drogas, procure amar, procure abraçar, procure entender cada vez mais.
18:56porque alguma coisa aconteceu que fez com que ele buscasse ser aceito justamente naquele lugar ali.
19:05Eu acredito muito que o vício tem cura, eu acredito muito que o vício tem cura,
19:11e um dos fatores de trabalhar isso é amando, é abraçando, é procurar entender.
19:16Não é só dizer não, mas é substituir.
19:20Temos que substituir.
19:21Então, esses programas sociais que nós temos na nossa sociedade,
19:25isso ajuda muito para tirar o jovem daquela vida lá.
19:29Porque, às vezes, por estar ocioso, acaba se envolvendo nas primeiras oportunidades que vêm
19:34para gerar alguma renda para a vida dele.
19:36E a gente sabe que a carreira no mundo do crime não vai longe.
19:40Só são dois fins, né, Pablo?
19:42É isso mesmo.
19:42As estatísticas apontam isso, né?
19:46Essa faixa etária, né?
19:47De 15 a 29 anos.
19:48O envolvimento com o tráfico de drogas, só para a gente ter uma ideia, né?
19:51Uma pessoa que não tem envolvimento com o tráfico de drogas hoje, no Espírito Santo,
19:56tem uma esperança de vida total de 80 anos.
19:59Então, se você não se envolve com o tráfico, não tem atividades aí de risco,
20:05você pode chegar e viver até 80 anos.
20:07O fato de você ter qualquer envolvimento com o tráfico de drogas,
20:12essa esperança de vida ao nascer cai para 40, 30 anos, né?
20:16E aí, infelizmente, os dois caminhos são ou a prisão ou, infelizmente, a fatalidade, né?
20:23Que é a gente perder a nossa vida, né?
20:26Então, muito importante essa questão dos pais, a supervisão, também políticas, né?
20:32O Márcio falou bem aqui, o esporte é um caminho também transformador nas nossas vidas, né?
20:37A educação, as instituições religiosas, é a sociedade fazendo valer o que está lá no artigo 144 da Constituição,
20:46que segurança pública é dever e responsabilidade de todos.
20:50Certo, gente.
20:51Obrigada pela participação de vocês aqui no Fale Espírito Santo.
20:54São todos muito bem-vindos, viu?
20:55E um grande abraço também para o senhor, viu, seu Márcio?
20:57Obrigado.
20:58Obrigada.