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  • há 28 minutos
Filhos agridem pais para conseguir dinheiro para as drogas

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Transcrição
00:00As drogas, mais uma vez, destruíram uma família aqui no nosso estado.
00:05Um irmão matou o outro a facadas para defender a mãe.
00:08Olha que tristeza essa história, gente.
00:11Fabrício Antônio de Souza, de 47 anos, era usuário de drogas.
00:16E todas as vezes que queria dinheiro para sustentar o vício, o que ele fazia?
00:21Ele brigava e agredia a mãe, uma idosa de 71 anos.
00:25Ela, inclusive, tinha uma medida protetiva contra o filho.
00:30Aí ontem, Fabrício descumpriu a medida, pulou o muro, invadiu a casa da família e foi ali para cima da
00:37mãe.
00:37O irmão, gente, na tentativa de defendê-la, pegou uma faca e acabou ferindo o Fabrício, que não resistiu e
00:45morreu.
00:46A nossa equipe conversou com o vizinho da família e ele contou que o homem que matou o irmão já
00:53havia sido ameaçado por ele.
00:56Ele conversou comigo antes, acho que em alguns dias, na situação que ele estava apreensivo e tudo com a situação,
01:01o irmão dele ameaçou de morte e tudo, mas que ele jamais pretendia fazer qualquer coisa com o irmão.
01:06Então, porque ele pediu uma medida protetiva justamente para o irmão sair e não haveria mais esse embate entre eles,
01:10o irmão estaria fora.
01:11O morador nunca causou transtorno, porque ele nunca se envolveu com o morador.
01:14O transtorno que ele causava era para a família dele mesmo.
01:17A mãe, o irmão, estava sempre tendo problemas seriosos, por vezes até de ter que separar, porque senão ele avançava
01:24na mãe, avançava nesse irmão.
01:27E agora mostra exatamente o poder devastador das drogas.
01:31Imagina a dor dessa família, imagina a dor desse homem, desse homem que teve que escolher entre a vida da
01:38mãe e do irmão.
01:40A polícia entendeu esse caso como legítima defesa e ele foi solto.
01:45E a gente vai debater esse assunto agora aqui no nosso estúdio.
01:48Eu recebo o advogado, o doutor Flávio Fabiano, muito obrigada pela sua participação.
01:53Gisele Martins, muito obrigada também pela sua presença.
01:57Ela é psicóloga.
01:58E hoje a gente também recebe aqui o Fabiano, que já viveu um pouco desse conflito, dessa violência, dessa agressividade
02:07que as drogas traz para a vida do ser humano.
02:10Entende bem desse assunto, né Fabiano?
02:13É, como você ressaltou, é um efeito devastador.
02:17Ao qual eu já fui um desses, passei por isso.
02:20E hoje, como eu estou ajudando a tratar pessoas que também estão passando por esse processo.
02:25A que nível de violência você chegou a praticar com as pessoas da sua família?
02:29Eu logo, quando eu me casei, eu espancava muito a minha esposa.
02:32Eu chegava drogado em casa, espancava muito a minha esposa.
02:34E depois de um certo período, até espalhar em fogo contra o meu próprio irmão.
02:38Contra o irmão?
02:39É.
02:40Você tinha noção de tudo que você estava fazendo?
02:42Como é que ficava o dia seguinte, quando você também tinha essa...
02:47Quando em algum momento batia nessa percepção de tudo que você estava causando por conta das drogas?
02:53Ah, no momento ali da agressão, no nosso pensamento, a gente achamos que estamos certos.
03:01Mas não é o que estamos certos, é o que o efeito da droga traz na nossa mentalidade.
03:04Ela consegue tanto transtornar a mentalidade, fazer você pensar que está errado, pensar que está certo.
03:11Porém, isso está totalmente errado quando o efeito da droga passa, você para, passa o sinal que você fez,
03:15você vai entender que você está errado.
03:17Mas também isso não evita de você consumir a droga de novo.
03:21E aí acaba que você entra num ciclo de violência e não consegue sair dele também.
03:24Não consegue sair.
03:25E vai praticando ali, começa a ser um hábito dentro de casa, dentro da família.
03:29E a violência não é só na agressividade, vai no psicológico da família.
03:33A família acaba sendo maltratada psicologicamente pelo efeito da droga.
03:37Isso já afeta muito a família, né?
03:40Quem é mãe, quem tem um ente querido na família, que infelizmente enfrenta essa realidade, sabe o quanto isso afeta.
03:49Agora, Gisele, qual é essa relação?
03:50Como, de que forma, né?
03:51Que a droga interfere mesmo no comportamento da pessoa para chegar a esse ponto.
03:57É, Roberta.
03:58As drogas, né?
04:00Elas são substâncias depressoras do sistema nervoso central.
04:05Então, quando o sujeito se utiliza dessas substâncias, ele de fato não há, dependendo da quantidade e da cronicidade daquela
04:16ingestão,
04:17ele já não tem mais consciência do que está fazendo.
04:20Ele de fato perde o controle.
04:23Como ele acabou de dizer muito bem, você acha que está fazendo certo, mas está fazendo errado.
04:28Porque já começa a ter sintomas de psicose, de neurose, então começa a ver coisas, ouvir coisas, achar que está
04:37sendo perseguido, achar que estão falando dele.
04:41E aí começa a querer se defender, agindo normalmente de maneira extremamente agressiva.
04:47E aí, quando o efeito da substância passa, se depara muitas vezes com uma cena de horror, que ele mesmo
04:56provocou, muitas vezes sem ter tido domínio sobre as suas emoções, sobre os seus comportamentos e sobre os seus pensamentos.
05:05Porque o uso de substância, aqui a gente pode colocar as drogas, o álcool, alguns tipos de medicação, eles de
05:13fato mexem com os nossos pensamentos e transformam como consequência o nosso comportamento.
05:20Então, ainda que o sujeito queira agir de determinada forma, ele já não consegue mais.
05:26Porque aquela substância tomou de assalto o seu pensamento, fez modificações neuroquímicas no seu cérebro, mexeu com neurotransmissores, aqui é
05:37uma questão bem cerebral ali, modulou aquele cérebro e ele já não consegue mais achar, suportar.
05:45E aí começa usando pouquinho, já não dá mais efeito, vai aumentando, vai aumentando, vai aumentando e quando vê, já
05:54não há mais controle.
05:55Então, se torna de fato um desafio para o poder público, nós enquanto sociedade precisamos cobrar dos agentes públicos maneiras
06:06para que a gente possa ajudar essas pessoas.
06:11Porque precisa ali de um comportamento psicológico, assistência social, precisa de uma multidisciplinariedade para ajudar esse sujeito.
06:21Porque simplesmente dizer, não use mais, não é suficiente, precisa de muito mais.
06:28Até porque no outro dia, quando ele se dá conta de tudo que fez, como o Fabiano já contou aqui
06:32agora, o consumo continua.
06:35Então, a gente precisa interromper mesmo esse consumo.
06:38Agora, doutor Flávio Fabiano, esse caso que a gente mostrou, essa mãe, gente, ela tinha conseguido a medida protetiva na
06:45segunda-feira.
06:46Olha aí, dois dias depois, olha a tragédia que aconteceu com essa família, né?
06:52Lamentável.
06:53Essa medida protetiva, ela visa garantir a segurança da vítima.
06:59Vítima é essa mulher que tenha coabitação ou tenha tido uma relação íntima na forma da Lei Maria da Penha.
07:05O descumprimento da medida protetiva, da MPU, medida protetiva de urgência, é crime.
07:11Ele é crime que a prisão ocorre em flagrante.
07:14Inclusive, a família, se tivesse condições, poderia ter acionado a Polícia Militar e aquela invasão, se desse tempo,
07:23poderia ter sido contida pela Polícia Militar com a prisão em flagrante do agressor, do filho, que nesse momento se
07:30tornou vítima.
07:31Mas, pelo que tudo indica, em razão da urgência do momento, o irmão interveio e, a partir daí,
07:41para que ele entendeu que, muito provavelmente, a vida da mãe estava em risco, ele agiu em legítima defesa de
07:47terceiros.
07:48O nosso Código Penal estabelece que matar alguém é crime.
07:52Só que a mesma lei penal, ela disciplina que não há crime quando se pratica em defesa própria ou de
08:01terceiros.
08:02Ou seja, em legítima defesa.
08:04Se é sua ou de terceiros, não faz diferença.
08:07Basta que impeça uma agressão iminente.
08:14Ou seja, está acontecendo ou que possa vir a acontecer.
08:18E, pelo que parece, é o caso.
08:20O histórico ali também contribui a favor desse irmão?
08:25Sim, o histórico, ainda que não tivesse histórico.
08:28Mas o fato dele estar repelindo uma justa agressão e agredir a mãe de uma forma violenta,
08:35a hora que você faz essa contenção, é uma razão justa.
08:40É uma justa causa para se agir.
08:42E o recurso que ele tinha naquele momento foi lançar a mão de um instrumento pérfuro cortante, uma faca.
08:49E o resultado foi a morte.
08:52Ele é profissional também da saúde, esse irmão que tentou defender a mãe.
08:57E aí ele tentou prestar socorro, ajudar o irmão.
09:01Isso também pode ser interpretado a favor dele?
09:05Sim, além dele ter defendido a mãe, ele ainda, por ter a obrigação aí, por ser da área de saúde,
09:13tentou prestar o socorro à vítima.
09:15Ainda que essa vítima tenha sido, em tese, atacada por ele.
09:21Temos a legítima defesa, que é confirmada, inclusive, pela prestação do socorro.
09:27Só que nós temos um caso corriqueiro de uma violência que já vinha acontecendo há certo tempo.
09:35E qual foi a causa dessa violência?
09:37O uso de entorpecente, o uso de droga, que é discussão, não é nem diária, mas horária, que é o
09:45tempo inteiro.
09:47Agora, uma questão é muito importante.
09:49A gente está falando aqui de uma medida protetiva, mas esse usuário de drogas,
09:54no momento ali da loucura dele, ele tem essa consciência de que ele não pode se aproximar da mãe?
10:02Ele vai perder essa consciência, né?
10:04Será que existem outras formas que a gente precisa pensar, que o Estado precisa pensar,
10:09de proteger essas pessoas que sofrem com outros integrantes da família que fazem esse uso de droga?
10:17Por que ele perde essa noção, não perde, Gisele?
10:20Perde.
10:21Dependendo da quantidade que foi ingerida da substância, perde completamente.
10:26Não é uma questão para justificar.
10:29Isso não é motivo algum para justificar usar como pano de fundo esse tipo de agressão.
10:36Não pode, óbvio.
10:38Mas, de fato, dependendo dessa quantidade, realmente se perde completamente o juízo.
10:44Ele não consegue mais dominar as suas emoções.
10:49E, como consequência, não consegue dominar os comportamentos.
10:53E aí, quando vê, já fez o que não devia e aí já não consegue mais consertar.
10:58Fabiano, melhor do que ninguém para falar aqui para a gente.
11:00A experiência nesse ramo das drogas me fez entender muitas coisas ao qual eu passei e não quero passar de
11:09novo.
11:09Coisas que eu já fiz e não quero fazer de novo.
11:12Então, a comunidade terapêutica Projeto Homem Mais Um, que tem o pastor Márcio da Vitória, que é um presidente,
11:17eu sou o pastor e diretor lá, nós não tratamos só o usuário de droga.
11:21Nós tratamos também a família, nós tratamos os dois lados.
11:24Nós fazemos os dois tratamentos, com o usuário e com a família.
11:27Nós tratamos eles dentro da clínica e tratamos o familiar de lá de fora.
11:30E logo após, depois de sete meses, nós fomos fazer a reintegração desse usuário à família, já sendo tratado.
11:37Por que isso é necessário?
11:38É necessário que a família comece a entender que ele também está sendo moldado para estar voltando.
11:43E a família está recebendo esse aluno de volta.
11:45Até porque a família também precisa muito desse suporte.
11:48Não é fácil encarar esse momento, né?
11:50E olha, esse é o segundo caso que a gente mostra só essa semana de idosas que foram agredidas pelos
11:57filhos por conta de dinheiro para comprar drogas.
12:01Em Rosa da Penha, Cariacico, uma idosa de 77 anos ficou ferida durante um surto da filha, que é usuária
12:09de drogas e queria dinheiro para bancar o vício.
12:11Inclusive, essa senhora, gente, ela recebe uma pensão pela morte do marido e não vê a cor do dinheiro.
12:20A filha, segundo ela, fica com tudo.
12:23Dessa vez, essa mulher só conseguiu escapar de uma situação ainda mais grave porque os vizinhos ajudaram e prestaram socorro.
12:32Mas, pelo corpo dessa senhora, a gente viu ali, né, que ficaram as marcas da agressão.
12:38E aí, doutor Flávio Fabiano, a gente volta naquele ponto que eu acabei de falar.
12:43Medida protetiva, ok, é uma ferramenta muito importante para esses casos.
12:47Mas o que mais precisa ser feito para a gente proteger?
12:51E a gente está falando de mães que não perdem a esperança e que lutam até o último segundo para
12:57salvar aquela pessoa que ela mais ama, que a gente está falando dos filhos.
13:01O que mais precisaria ter para defender essas idosas, principalmente os idosos?
13:06Antes de responder, eu quero fazer um destaque.
13:09O uso voluntário de drogas, de entorpecente, de álcool, não é excludente de qualquer estúdio.
13:15Ou seja, alguém que praticou um crime e justificou pelo uso de drogas, isso não tem qualquer amparo legal.
13:23O único amparo que se tem é quando há um embriaguez, um uso involuntário.
13:28Alguém que é drogado, que é embriagado por terceiros, que forçam em Boa Noite Cinderela, por exemplo.
13:37Ocorrem muitos casos de caminhoneiros que são amarrados, embriagados e ali são casos involuntários.
13:43Mas, para esse caso, a proteção, a pessoa que está com o ente nessas condições, a maior demonstração de amor
13:52que se pode dar é buscar o tratamento dessa pessoa.
13:55E não ficar, em muitos casos, quase que aceitando ser vítima dessas pessoas.
14:04E o Estado, pelo Poder Judiciário e pelo próprio Poder Executivo, oferecem caminhos para isso.
14:09As famílias que estão com vítimas, que nessas condições, podem ou contratar um advogado particular, se dirigir ao Ministério Público,
14:19à Defensoria Pública, buscando a internação compulsória dessas pessoas.
14:24Por que compulsória? Porque ela é involuntária, demonstrando que aquela pessoa está fora de si, que ela está perdendo a
14:32capacidade de agir, que está praticando crimes,
14:36que ela não tem mais discernimento e que ela representa o mal para si e para a sociedade, que ela
14:41seja afastada do seio social e vá para o tratamento, contra a vontade dela.
14:46Porque é notório que aqueles que se utilizam de entorpecente ou excesso de bebida, eles não querem, em muitos casos,
14:56sair da família.
14:57Agora, o triste é que, para conseguir essa internação compulsória, é apenas o pai ou a mãe, né, para fazer
15:04esse pedido.
15:05Porque, imagina, uma idosa de 71 anos, de 77 anos, foram os dois casos que a gente mostrou agora.
15:10Como que uma senhora tem forças, como é que ela tem, sabe, até mesmo força física e mental, coitada, para
15:17ela conseguir fazer isso?
15:18Então, acho que deveriam ser revistas essas questões para que, talvez, outros integrantes da família conseguissem ter acesso a esse
15:28pedido de internação compulsória, né?
15:30E a gente sabe que a violência que a droga gera só piora com o tempo, se esse usuário não
15:37receber ajuda.
15:38A Emily mandou um vídeo para a gente, relatando a história do irmão dela. Olha só.
15:43Por causa de vários transtornos, como, por exemplo, ele já tirou fogo na casa dele, ele já agrediu a esposa,
15:51já agrediu o meu tio diretamente, minha mãe, a mim.
15:57Eu já tive que sair de casa já por conta deles, meus sobrinhos foram muito... ele tem dois filhos, né,
16:02meus sobrinhos foram muito afetados com isso também.
16:07E, assim, ele já quebrou todas as janelas lá da minha casa, no acesso de raiva e a gente passa
16:14tanta coisa, sabe?
16:16Então, assim, e a justiça é muito enrolada.
16:19Ele já foi internado algumas vezes lá no... no Adalto, no antigo Adalto, né, que hoje tem o outro nome
16:28que eu acabei esquecendo agora.
16:29Mas ele ficou lá, mas é coisa de um dia e já no outro já é liberado.
16:35Temos estado até hoje com esse processo na justiça de internação compulsória para ele.
16:41E aí, recentemente, minha mãe recebeu uma resposta da defensoria pedindo para anexar mais documentos.
16:48Ela já tinha histórico de todas as vezes que ele deu entrada no hospital psiquiátrico,
16:55todas as vezes que ele foi para a reabilitação pelo CAPS e voltou, porque lá é por livre e espontânea
17:02vontade.
17:03Então, quando a pessoa falar que não quer mais, ela pode sair.
17:07Então, tem essas coisas, tem as questões, as denúncias também que já sofremos.
17:12Então, é uma sucessão de coisas, infelizmente.
17:16E a família sofre, né?
17:17Ó, que a gente conhece o caso da Emily aí, que ela não consegue essa internação compulsória,
17:23que cada hora é um pedido novo, ó, vamos anexar mais documentos, agora tem que ser assim.
17:27É uma dificuldade, enquanto isso a família sofre muito, né, Gisele?
17:30Roberta, é um desafio.
17:33Não é simples, não é fácil, é muito delicado.
17:37Explicado, os agentes públicos não oferecem o atendimento necessário, é muito difícil ter acesso.
17:46Ah, nós temos ali, ela disse do Adalto Botelho, né, que hoje se chama EAC,
17:51só pode ficar ali mais ou menos em média cinco dias.
17:55Não é mais como antigamente, né, que era também um depósito de pessoas ali no EAC.
18:02Nós temos os CAPS-AD de álcool e outras drogas, mas não é suficiente.
18:08Porque você chamar um usuário, vamos para o atendimento, não é simples.
18:14Precisa de ajuda psicológica para a família, suportar esse tempo,
18:19ajuda psicológica para o usuário, para que ele seja psicoeducado
18:24e entenda a necessidade de buscar ajuda.
18:28E ali vai entrar a motivação, que é o quê?
18:31O motivo mais a ação.
18:34Por que eu vou parar?
18:36Qual é o estímulo que esse usuário vai ter para parar?
18:41E a disciplina, que é a repetição daquele comportamento de parar de usar a substância.
18:49E a família sofre muito.
18:50Os pais, os irmãos, porque já não sabem onde buscar.
18:55Eu costumo dizer, né, você não tem um comprimido que a pessoa tome
18:59que vai ajudar a eliminar o vício.
19:03Não tem.
19:04É muito psicológico.
19:06É muita conversa.
19:08É muita psicoeducação.
19:10É muito ajuda no diálogo.
19:13Para que aquela pessoa seja convencida, de maneira consciente,
19:18de que ela precisa de ajuda.
19:21Que do jeito que ela está, ela não vai muito longe.
19:24Porque aí já começa a dever, vem os problemas de saúde, vem os problemas com a justiça.
19:31Então, de fato, o final dela não é um final feliz.
19:36Não é um final satisfatório.
19:38Então, nós estamos vendo ali os pais e familiares, muitas vezes, enterrando os seus filhos.
19:44Olha só, aqui no nosso Facebook, as pessoas estão solidárias com o sentimento dessa mãe.
19:52Porque, se imagina, chega o momento da vida que você mais precisa do que descansar, né?
19:56Trabalhou tanto, cuidou tanto dos filhos.
19:58Mas não.
19:59A preocupação parece que nunca acaba.
20:02Tem aqui o comentário...
20:04Cadê?
20:05Os comentários vão subindo.
20:06A Maricida Borges fala...
20:07É desesperador, a família toda sofre com isso.
20:10Agredir a própria mãe, que deu a vida pelo filho e sempre quer o melhor para ele.
20:15Isso é doloroso.
20:17Sem contar que o risco, ele também está colocando a própria vida em risco.
20:21E, para você, Fabiano, o que aconteceu?
20:24O que chegou a esse ponto, né?
20:25Na sua história aí, você com o seu irmão, que você chegou ao ponto de dar um tiro nele?
20:31Eu era mais novo, então eu tinha muita droga dentro de casa e eu contava e guardava.
20:36Só que eu estava muito com alucinose, usando muita droga, fazia uns três dias, e eu contei e estava faltando.
20:42E só tinha ele dentro de casa.
20:44E eu perguntei para ele se estava, se ele tinha que pegar, ele falou que não.
20:46Eu achei que ele estava mentindo, debochando a minha cara.
20:48Eu estava armado, disparei uma arma contra ele.
20:50Mas naquela alucinose de droga.
20:52No outro dia, quando parei de usar, eu fui ver, eu achei a droga onde estava.
20:55Mas, no momento ali, eu achei que eu tinha...
20:58Ele tinha pegado de mim.
20:59Então, isso pode acontecer, aconteceu comigo e com o meu irmão.
21:02Mas pode acontecer com o filho, achar que a mãe guardou, a mãe escondeu.
21:06Pode achar que o pai escondeu.
21:07E pode querer agredir o pai e a mãe da mesma forma, com a alucinose da droga.
21:11A droga causa esse efeito no nosso organismo.
21:14Nosso organismo acaba, quer assim, guardar, quer manter aquela droga aí, porque é um combustível para ele.
21:20O tiro chegou a acertar no seu irmão?
21:21Chegou a acertar nele.
21:22Aonde?
21:22Na cabeça, pegou de raspar na cabeça dele.
21:24Ou seja, por pouco...
21:26Por pouco, eu não tiro a vida do meu irmão por causa das drogas.
21:28As drogas, realmente, elas trazem um efeito devastador na família.
21:33Eu perdi a minha família.
21:33Como é que ficou essa relação de vocês?
21:34Hoje, assim, hoje eu entendo, ele me entende, ou me teme, né?
21:38Porque, no momento, ele ficou com medo de mim.
21:41Aí, só que hoje, eu tenho a minha vida mudada, ele já tem uma relação melhor, né?
21:44A gente conversa melhor, temos uma relação amigável, né?
21:48Mas deixou aquele transtorno, né?
21:50Que nem agora, nesse caso desse jovem que morreu, que o irmão matou.
21:53Ele já morreu.
21:55Mas deixou um transtorno na mãe, deixou um transtorno nos irmãos.
21:57Eles vão carregar essa marca aí.
21:58Pra sempre.
21:59Então, deixa a marca.
22:00As drogas deixam a marca terrível.
22:02É devastador.
22:03Não adianta a gente achar que passou.
22:05Vai continuar aquela marca.
22:06A gente tem que lutar todos os dias, brigar e defender e tentar ressocializar esses jovens.
22:11Porque, senão, nós vamos perder eles.
22:13Olha só, em julho, a gente mostrou outro caso de violência também contra o idoso, envolvendo
22:19o problema das drogas.
22:21Sempre como pano de fundo, né?
22:22As drogas.
22:23Uma senhora de 90 anos precisou levar um ponto na cabeça depois de ser agredida pelo filho.
22:30O homem, de 53 anos, teria chegado em casa alterado e bateu na cabeça da mãe com um cabo
22:37de rodo, minha gente.
22:39A família contou que ele estava sob o efeito de álcool e drogas.
22:43O suspeito seria o filho, que estaria sob o efeito também de álcool e drogas.
22:47Ele foi preso e o caso foi levado para o plantão especializado da mulher.
22:52A idosa foi atendida em uma unidade de saúde.
22:56E aí a gente chama atenção para as denúncias, porque as mães não têm coragem de denunciar.
23:02A gente precisa fortalecer as mães, os pais.
23:06Essa idosa, na época, disse na nossa reportagem que não desistiria do filho, que ele precisava
23:12de ajuda.
23:13Olha só.
23:15Tudo pelo chão.
23:16Eu quebrou a vassoura, o cabo da vassoura, quebrou o cabo do rodo.
23:20O outro rodo quebrou tudo.
23:22De nada ele me deu, abriu o portão e empancou o cabo da vassoura.
23:27Dei em cima de mim, mas com toda a força.
23:29Nossa senhora, e que aí o sangueiro desceu?
23:32Eu quero que ele seja internado em uma clínica para diminuir essa droga, talvez até acalmar,
23:38né?
23:38Porque fica em uma clínica, ele tem muita palestra, muitas pessoas conversam e tudo, né?
23:46A gente sente, né?
23:47Na fala dessa mãe, a esperança dela lutar até o fim pelo filho.
23:51Agora, doutor, estava aqui comentando nos bastidores que casos como esse aí se enquadram
23:57na lei Maria da Penha, né?
23:59Sim, exatamente.
24:00Todas as vezes que nós presenciamos uma situação de agressão, devemos agir.
24:07E como podemos agir?
24:08Se não for possível fazer uma intervenção ali para proteger a vítima, temos que ligar
24:13para o poder público.
24:15190, polícia militar.
24:18Para a polícia militar, imediatamente.
24:20Porque a sociedade, ela tem obrigação de autoproteção.
24:24Todas as vezes, identificamos um vizinho, um familiar numa situação de risco e que essa
24:30pessoa está indefesa, nós devemos agir enquanto sociedade, enquanto cidadão, por ser
24:37inclusive uma obrigação legal.
24:38Porque também podemos aí, nesse caso, pela omissão, responder.
24:43Porque é crime a omissão.
24:46Pessoas que moram em condomínios, com habitação de diversos vizinhos, o síndico é obrigado
24:53a agir se ele toma conhecimento de uma violência contra a mulher, contra uma menina, contra uma
25:00mãe, ele é obrigado.
25:01Então, nós, esse dever do cidadão é preservar, buscar preservar a vida do seu próximo.
25:09Se não puder agir para defender, em uma legítima defesa, que vá até o poder público,
25:17que ligue para as forças de segurança.
25:20Para a partir dali, temos as guardas municipais, temos a própria polícia civil, temos a polícia
25:27militar para que essas forças de segurança venham a agir na defesa daquela vítima.
25:34É algo muito grave.
25:36Aqui no nosso Facebook, a gente está tendo mais comentários.
25:39A Carmelita da Luz fala aqui, filho grato, misericórdia.
25:42É o sentimento que a gente tem, né?
25:43A gente que está de fora, a gente enxerga com esses olhos, né?
25:46A mãe deu tanto amor, cuidou do filho.
25:49A gente também tem aqui o comentário da Mário Vasconcelos.
25:51Ela diz, já passei por isso com o meu filho, mas graças a Deus, ele se livrou desse vício.
25:57Só que ele nunca chegou a me agredir, né?
26:00Mas a gente sabe que conforme a quantidade, né?
26:04Conforme, na verdade, o vício, né?
26:07O vício vai aumentando, o nível de agressividade também vai aumentando, Gisele?
26:11Vai aumentando.
26:12Vai numa crescente.
26:14Porque normalmente a pessoa não começa usando uma grande quantidade.
26:19Ela vai aos poucos.
26:21E aí o organismo, ele vai se dessensibilizando.
26:24Que é o quê?
26:25Vai ficando tolerante.
26:26Então, se era um pouquinho, vai aumentando um pouco mais, e um pouco mais, e um pouco mais.
26:31Até que a ingestão da substância precisa ser cada vez maior.
26:37O custo começa também a ficar cada vez maior.
26:41Porque já não é mais com um pouquinho que aquele organismo se satisfaz.
26:45Porque ele vai ficando tolerante.
26:48E aí precisa comprar cada vez mais, usar cada vez mais.
26:52Vai ficando mais agressivo, mais cronificado.
26:56Pode falar. Vamos lá, doutor.
26:58Há um problema aqui, até social.
27:02Que no conceito, no entendimento de boa parte das pessoas,
27:06a agressão é somente aquele toque, aquela ofensa física, quando você machuca alguém.
27:12Mas no âmbito doméstico, não é somente isso.
27:15Todas as vezes que há uma ameaça, não agrediu.
27:19Mas ameaçou agredir aquele comportamento grosseiro, estúpido, dentro de casa.
27:24Que você vai tomar o patrimônio da mãe, da mulher, da filha.
27:30Isso também configura agressão nos termos e na forma da lei Maria da Penha.
27:34Você tomar o salário da mãe, da mulher, da filha, configura violência doméstica também.
27:42Tudo isso, você retirar uma TV de dentro de casa, por exemplo, para fazer a venda, pegar um equipamento celular,
27:49os objetos de dentro de casa, você retirou aquilo ali.
27:54Quem está perdendo, muitas vezes não consegue agir por uma questão subjetiva.
28:00E onde é que está esse subjetivismo?
28:03Não é o sentimento de estar ameaçado.
28:06E isso configura violência também.
28:08E nisso os anos vão passando e aí quando o pai ou a mãe fica, realmente abre o alerta, aí
28:15pode ser tarde demais.
28:16Não dá tempo.
28:17Quando você vê, já está naquela situação.
28:19E agora, o que eu faço?
28:21Gente, muito obrigada pela participação de vocês.
28:23Fabiano, que bom que hoje você está aqui ressignificando a sua vida e ajudando a salvar outras, viu?

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