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  • há 23 minutos
Velhice passa a ser classificada como doença pela OMS.

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00:00A partir de 2022, a Organização Mundial de Saúde vai incluir a velhice na classificação de doenças e problemas relacionados
00:10à saúde.
00:11Não, você não entendeu errado, é isso mesmo. Velhice, gente, vai ser classificada como doença. Acompanhe.
00:19Segundo a OMS, o número de pessoas com idade acima dos 60 anos chegará a 2 bilhões até 2050.
00:26Aqui no Brasil, até 2030, o número de idosos vai ultrapassar o total de crianças entre 0 e 14 anos.
00:34Essas projeções ajudam o governo a pensar e planejar políticas públicas voltadas para os idosos.
00:41Vale lembrar que envelhecer é um processo natural, mas a partir de 2022, a velhice passa a ser classificada como
00:48doença, com CID tudo.
00:50Será a CID 11. E doença é uma coisa que ninguém quer. A velhice, ao contrário, pode ser saudável, produtiva
00:58e feliz.
01:00É, gente, essa inclusão aí está dando o que falar, está dando uma polêmica danada e provocando reações das entidades
01:07ligadas à saúde dos idosos que estudam o envelhecimento.
01:12Então, bora bater um papo sobre isso?
01:13Olha só que maravilhosa, para tudo, gente, que eu recebo aqui no estúdio a médica.
01:18E ela também é gerontóloga, Neidio Espínola da Costa. Primeiramente, a senhora é maravilhosa, que energia gostosa, linda, com sorriso
01:28de orelha a orelha.
01:29A senhora tem 70 anos.
01:3070 anos, muito bem vividos e espero envelhecer durante 70 anos, muito bem vividos e espero viver mais um bocado
01:39de anos com essa alegria e com essa vontade de viver que eu tenho.
01:43Como que a senhora, como ser humano, recebeu essa notícia e também como profissional que estuda a saúde dos idosos?
01:52A questão da considerar a velhice como doença é um problema muito sério.
01:59Nós, velhos, no meu caso específico, sou sujeito e objeto do estudo, considerar a velhice como doença,
02:07Existem adoecimentos que são comuns, frequentes nessa fase do envelhecimento, mas velhice não é doença, assim como adolescência não é
02:20doença.
02:21Não existe um código, uma classificação de adolescência como doente.
02:27Então, por que velhice como doença?
02:29Entretanto, Roberta, existe um interesse de vários profissionais, de interesse de seguro.
02:37Nós estamos falando de uma indústria com muito dinheiro por trás dessa história de classificar a velhice como doença.
02:47Nós já temos um código, a partir de janeiro de 2022, o código é MG2A, onde você tem a classificação
03:01de velhice como doença, no CID-10.
03:05É claro que nesse período nós vamos ter que adequar isso, é para o mundo inteiro, não é só para
03:13o Brasil.
03:13Mas o que vai ser considerado, então, velhice?
03:17Porque aqui no Brasil a idade é a partir dos 60, na Itália 75.
03:22É, nos países desenvolvidos 65 anos.
03:25Então, a grande preocupação é não poder trabalhar com os profissionais.
03:32Quais são as doenças que acometem mais frequentemente essa faixa de idade?
03:38São as doenças cardiovasculares.
03:40Então, é muito mais simples colocar velhice ao invés da doença cardiovascular.
03:49Mas, espera aí, isso vai mascarar doenças?
03:54Exatamente.
03:55E como é que ficam as políticas públicas voltadas para os idosos?
03:59Eu quero morrer velha, eu não quero morrer de velhice, eu quero morrer de uma causa, uma doença cardiovascular, enfim,
04:07um adoecimento.
04:08Mas eu não gostaria de ter no meu atestado de óbito, velhice, morreu de quê? Velhice.
04:16Então, quando você tem, por exemplo, recentemente a gente morreu o príncipe da Inglaterra.
04:28Ele morreu de uma doença cardiovascular que acometeu uns meses antes.
04:35Então, você considerar, ele morreu de velhice.
04:39Então, você vai ter uma epidemia de velhice.
04:42E como é que você vai acompanhar os cânceres, as doenças cardiovasculares, as doenças neurológicas?
04:52Por outro lado, o que a gente observa é que, para os planos e seguros de saúde, isso é um
05:01problema sério, o que reforça o preconceito do idadismo, do etarismo.
05:07Então, o preconceito contra a idade, o preconceito muito grande contra a velhice.
05:14Vai aumentar o preconceito?
05:16Você vai aumentar o preconceito.
05:19Morreu, adoeceu, está velhinho, ele tem 80 anos, está na hora mesmo.
05:28Sendo que a hora, na verdade, quem decide, né, a gente sabe que é o homem lá de cima, o
05:33papai do céu, né, isso não está nem sempre relacionado com a idade, né?
05:37E a gente tem uma indústria farmacêutica do anti-envelhecimento, onde se considera que o cidadão bom é o cidadão
05:46jovem.
05:47É a busca eterna da juventude.
05:50E aí a gente tem uma indústria de anti-aging, quer dizer, que é anti-envelhecimento, muito grande.
05:57E a gente sabe que isso é uma falácia, mas isso gera muito dinheiro, muito dinheiro.
06:05Há pouco tempo, até algum tempo atrás, a questão do anti-envelhecimento era travestida das pessoas que usavam outras drogas,
06:21né?
06:21No nosso caso específico, nós estamos falando de uma indústria que pode buscar a questão do envelhecimento,
06:33a questão do anti-envelhecimento, né?
06:37A gente já já vai falar sobre isso.
06:39Antes, o que a gente fez?
06:41Nós fomos até as ruas para saber o que as pessoas pensam, dona Neidil.
06:47Pensam, doutora, doutora Neidil.
06:49Neidil, Neidil.
06:50Neidil, o que as pessoas pensam sobre essa história de velhice ser considerada doença.
06:56Olha isso, gente.
06:57Não tem nada a ver doença.
06:59Velhice para mim é experiência, é senão porque a pessoa viveu e está vivendo.
07:04Isso é uma dábora de Deus, é um presente dele, não tem nada a ver.
07:07Tem muitas pessoas que estão de idade e aí estão com mais saúde do que quem está novo.
07:11Pode envelhecer a idade, mas o espírito acho que é o mesmo.
07:17Delice realmente não é uma doença, é uma consequência da pessoa ter uma oratividade.
07:26As doenças é doença, velhice é velhice, não tem nada a ver com a outra.
07:30Tem muitas pessoas que chegam à terceira idade e estão bem de saúde.
07:36Como diz meu pai, Hugo Salgueiro, meu pai fala assim, só fica velho quem vive.
07:42E viver é um privilégio.
07:44É um privilégio.
07:45Então, velhice não é doença.
07:47Velhice é um processo que faz parte da vida.
07:50Você nasce, é jovem, adolece, fica adulto e envelhece.
07:58Isso é um processo de vida.
07:59Faz parte do curso de vida.
08:02Agora, a senhora tocou num ponto muito importante quando você falou que há um movimento,
08:08há um interesse até mesmo financeiro por trás disso.
08:11Então, quer dizer que pode vir a refletir até mesmo no bolso do idoso?
08:16Sim, porque é a questão dos planos de saúde, por exemplo, ou dos seguros de saúde.
08:23Quando você vai fazer um plano ou um seguro, se você já tem a questão do envelhecimento,
08:33não de doença cardiovascular ou o que seja, uma doença prévia, o próprio envelhecimento
08:40passa a ser uma doença, e isso significa que eu quero esse paciente ou não quero.
08:46Isso sem contar com as estatísticas, poder comparar.
08:51Está morrendo de quê?
08:53Qual é a principal causa de morte nos países?
08:57Está morrendo de quê?
08:59As pessoas adoecem de quê?
09:03Então, na verdade, o CID-10, que está vigindo atualmente, ele já tinha a questão do envelhecimento,
09:11só que era a senescência.
09:13E se mistura no atual, nesse CID-11 de 2022,
09:20se mistura doença com sinais e sintomas, por exemplo, se mistura tudo, doença, fragilidade
09:31com envelhecimento, com velhice, sem fazer uma distinção.
09:40E olha só, gente, eu estou sabendo, a senhora é superativa, a senhora já me contou,
09:45tanto é que está aqui, cheia de energia, conversando com a gente.
09:48Além dela também, tem a dona Evanita, de 63 anos, que caminha, cuida muito bem da saúde,
09:56e ela mandou um recadinho para a gente sobre como que ela escolheu envelhecer.
10:01Olha aí que bacana.
10:02O paredão toca, você gasta seu batom de cereja, eu bebo cerveja, eu bebo cerveja.
10:14Vanita, eu moro em Mar de Fátima, tenho 63 anos.
10:18E quem disse que eu estou velha?
10:20Olha, só estou com meus cabelos brancos.
10:23Minha mente continua muito novinha.
10:26Gosto de dançar, gosto de cantar, gosto de passear, gosto de caminhar, adoro tomar uma cervejinha.
10:37Quem não gosta hoje, né?
10:39Ainda mais com o tempo de pandemia, em casa, com as irmãs, com a irmã.
10:44E eu gostaria que todas as pessoas idosas também,
10:48não se ficassem sentadas em poltrona, que saíssem, caminhassem e fizessem o que gostassem de fazer,
10:58o que gostassem de fazer, porque a vida é muito curta, a vida é um sopro.
11:03Então a gente tem que viver um dia de cada vez.
11:06Boa tarde para vocês, um beijo no coração.
11:11Ai, que linda, beijo no seu coração também.
11:14Olha aí, gente, que alegria.
11:15Que coisa bonita, a vontade de viver.
11:19E o pessoal aqui no Facebook está revoltado com essa decisão aí da OMS.
11:25Gabriel Júnior, beijo para o Gabriel Júnior, nosso querido chefe, que sempre participa aqui com a gente.
11:30Está falando, minha mãe é cheia de vida e com 72 anos, encara e trabalha comigo numa cozinha,
11:35tem mais disposição do que muitas pessoas jovens, olha isso.
11:40Até mais que o próprio chefe, ele está aqui falando.
11:42A Inês Freire está falando, observem aquela professora de ginástica com 100 anos,
11:48a corredora daqui do Espírito Santo, com 94 anos, corre mais que o neto de 37, aí por aí vai.
11:55A Denise Barros está falando, eu tenho 62 anos e não estou nem um pouco doente,
11:59sou dona de casa, artesã e com muita saúde.
12:03E enquanto isso, tem muitos jovens aí cheios de preguiça.
12:07A Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia do Espírito Santo,
12:13a Associação Internacional de Geriatria e Gerontologia,
12:18o próprio Ministério da Saúde e várias instituições estão se mobilizando
12:25no sentido de dificultar, de pedir que isso seja revisto.
12:30E o Brasil teve um papel muito importante na revisão do CID por ocasião da síndrome pós-pólio.
12:39Então, nós estamos com esperança, porque isso foram anos de trabalho, né?
12:44Então, nós estamos com esperança da possibilidade de revisão de se tirar a velhice como doença
12:52e colocar alguns agravos relacionados ao adoecimento.
12:58Agora, eu estava até me fazendo uma pergunta, doutora, que é o seguinte,
13:01se a velhice está sendo considerada doença, então, peraí, quer dizer, então, que tem cura?
13:06Que história é essa?
13:09Ótimo, ótimo.
13:10Quer dizer que tem cura? Se é doença, quer dizer que tem cura.
13:11Se a doença tem cura.
13:13E aí vem os anti-aging, né? Os anti-envelhecimento.
13:17Se é uma doença, tem cura.
13:19Se tem cura, se eu uso o meu produto milagroso, que você não vai envelhecer.
13:25Isso não existe.
13:27Não existe mesmo.
13:28E olha só, gente, como que você de casa pretende envelhecer?
13:32Sim, envelhecer também é uma escolha, viu?
13:36Muitos idosos estão escolhendo envelhecer com bom humor, exercício físico, boa alimentação,
13:41que é muito importante.
13:43Quer ver só um exemplo?
13:44A vitalidade do ator Ari Fontoura, que, inclusive, ele está conquistando cada vez mais seguidores
13:50nas redes sociais, super antenado, atualizado.
13:53Olha aí que bacana.
13:54Ari Fontoura é um dos atores mais queridos do país.
13:58Aos 88 anos, ele se tornou um sucesso também nas redes sociais, mostrando que leva a vida com
14:04alegria e muita disposição.
14:06Ari tem mais de 2 milhões de seguidores e posta de tudo, desde receitas a vídeos divertidos.
14:13Nesse, ele aparece dançando e dizendo que ainda é possível sorrir.
14:27Muito bacana, né?
14:29A alegria dele é contagiante.
14:30Se eu vejo o Ari Fontoura fazendo isso, eu também quero fazer, também posso fazer.
14:36Como é que a gente faz para envelhecer com essa vitalidade toda?
14:40Hoje, as pessoas envelhecem muito melhor do que envelheciam há 30 anos atrás e eu espero
14:46que envelheçam melhor cada vez.
14:48São escolhas feitas ao longo da vida.
14:51atividade física, alimentação saudável, meditação na medida do possível, a questão da espiritualidade,
15:01que transcende a questão de religião, espiritualidade, a gente podia passar a tarde inteira discutindo,
15:09não é o caso, mas meditação, espiritualidade.
15:14E uma coisa que é fundamental, que a gente não está podendo fazer nessa pandemia, que
15:20é o relacionamento social.
15:22Que está fazendo muita falta, né?
15:23Que está fazendo muita falta.
15:25A convivência, a rede, o suporte social.
15:30E muitos idosos, muitos vovós foram esquecidos pelas famílias, né?
15:36Durante a pandemia, porque uma coisa é o isolamento físico, outra coisa é isolar o sentimento.
15:44Então, existem outras formas da gente expressar esse amor.
15:48E na velhice tem uma coisa que é fundamental, é a questão da funcionalidade.
15:54Eu posso ser hipertensa, eu posso ser diabético, mas eu estou funcionando?
15:59Eu trabalho?
16:00Eu ando?
16:01Eu faço atividade física?
16:03Eu manejo o meu dinheiro?
16:05Eu administro a minha casa?
16:07Então, essa funcionalidade, ela é muito importante, né?
16:11E a gente, para isso, a gente precisa ter feito escolhas de envelhecimento ativo ao longo da vida.
16:20Uma vez eu entrevistei o geriata doutor Rônimo Camal, você é a senhora da Conhecer, né?
16:25E ele falou uma frase muito importante, o idoso, deixa ele se sentir útil, né?
16:31Às vezes você aí de casa pensa assim, ai, nossa, mas meu pai, minha mãe, meu avô, minha avó, é
16:35tão teimoso.
16:36Deixa ele se sentir útil, é muito importante.
16:39Sim, sem dúvida.
16:42Muito importante a questão.
16:43E às vezes se fala, né, para o pai ou para a mãe,
16:47ah, você já está, ou para a avó, você já trabalhou tanto, agora fica repouso.
16:52Não, a gente tem a eternidade para repousar.
16:55O idoso, as pessoas têm que ser ativas.
16:59A senhora, por exemplo, gosta de fazer o quê?
17:01Para distrair, para o lazer, é o quê?
17:04E ao cinema, que eu viajar, como é bom viajar, como é bom ter amigos, como é bom encontrar com
17:11amigos, né?
17:12Fazer atividade física e academia, coisa que a pandemia, há um ano e meio a gente não faz.
17:17Mas se Deus quiser, em breve...
17:19Vamos fazer, estamos vacinadas, as duas vacinas, breve a gente vai estar em outro momento.
17:25Agora, para encerrar essa entrevista, vou pedir para os nossos cinegrafistas fecharem na senhora...
17:30Vamos fazer o seguinte, levanta, quero te mostrar, gente, dos pés à cabeça.
17:34Olha que maravilhosa a doutora, olha...
17:37Gente, para, não precisei nem pedir para ela dar uma volta.
17:41Que mulher maravilhosa, que energia, que alegria.
17:45Adorei, você é toda fashion também.
17:47Tem um cabelo com uma cor diferenciada, veio combinando com a roupa.
17:51Parabéns, a senhora está aqui como um exemplo vivo de que, de fato, a gente está nessa vida para aproveitar
17:57cada segundo.
17:58Parabéns, viu?
17:59E a gente tem que lutar contra o idadismo, contra o preconceito, sabe?
18:03A gente, isso é muito importante, velhice não é doença.
18:08E a gente pode usar o que a gente quiser.
18:11Tá certo, obrigada pela sua presença.
18:13Boa tarde.
18:13Boa tarde.

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