- há 24 minutos
Evandro Santo assume vício em drogas e pede ajuda: 'Estou doente'.
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NotíciasTranscrição
00:00Você lembra daquele programa famoso de humor, o Pânico na TV?
00:03Então, no elenco tinha o humorista Evandro Santo, que era um amor de pessoa, ele é um amor de pessoa.
00:10Ele fazia o personagem Christian Pior, lembra? E ele ficou super famoso, né?
00:16Só que essa semana, gente, ele fez um triste desabafo nas redes sociais e aí chamou a atenção dos fãs.
00:21Acompanhe.
00:23Evandro chegou a participar da Fazenda, mas o humorista, sempre engraçado, bem-humorado, escondia um drama.
00:30Evandro acaba de admitir que está internado pela quinta vez em uma clínica de recuperação por causa do vício em
00:37drogas.
00:38Eu acabei começando a usar, a usar, a usar, então eu tive um uso muito pesado de 2014 a 2020.
00:46Estou na quinta internação. Eu sinto muito informar vocês, mas essa doença, ela não escolhe nível intelectual, não escolhe nível
00:54social, não escolhe se é bonito, se é feio.
00:57É uma doença, tanto que ela é espalhada em todas as classes sociais, A, B e C, de diversas pessoas,
01:03diversos tipos.
01:04Segundo ele, tudo começou aos 29 anos, quando usou droga sintética pela primeira vez.
01:10Evandro diz que passou a usar e depender de um anestésico para cavalo extremamente forte.
01:16Ele pretende ficar pelo menos um ano internado e essa foi a primeira vez que ele se internou voluntariamente.
01:23Quando você assume que você tem essa doença, você tem uma responsabilidade, sim.
01:26Você pode escolher entre lutar, que é dia após dia que a gente vive só por hoje, ou se entregar.
01:32Eu preferi lutar.
01:36Isso aí, Evandro. Lute sempre, viu? Lute sempre.
01:39Então, bora falar sobre esse problema que tantas famílias enfrentam e que se agravou ainda mais agora na pandemia, né?
01:46Aqui no estúdio, gente, eu recebo a psiquiatra Janine Moscon.
01:50Muito obrigada pela sua presença.
01:51Boa tarde, Janine.
01:52Obrigada, querida. Boa tarde. Boa tarde a todos.
01:54Como a gente viu aí, o próprio Evandro disse que é uma doença, é um vício que não escolhe classe
02:01social, não escolhe cor, não escolhe...
02:04Qualquer um está sujeito a essa doença, desde que a gente dê abertura para ela.
02:11Como que a gente deve enfrentar, Janine?
02:13Então, acho que a gente tem que primeiro pensar, talvez, em prevenção, né?
02:18Porque o grande problema em relação à dependência química e todos os comportamentos aditivos que a gente fala,
02:26que são os comportamentos compulsivos, e pode ser a compulsão alimentar, pode ser a compulsão por jogos.
02:32Essas são alterações do comportamento muito difíceis da gente controlar.
02:38Na verdade, não tem cura.
02:40As pessoas, quando desenvolvem esse transtorno, elas vão ter alterações no cérebro delas, em que ela perde o controle.
02:49Então, é aquela pessoa que, se ela chega num ponto que ela desenvolve um alcoolismo, ela não vai voltar a
02:55beber socialmente.
02:57O tratamento é para que ela fique abstinente, porque cada vez que ela tiver contato com aquela substância, ou que
03:03ela jogar,
03:04ela vai estar perdendo o controle.
03:05Então, se você está falando de uma doença, de um transtorno que não tem cura, vai ser só tratamento e
03:12controle para a vida toda,
03:14o ideal é que a gente tente prevenir, evitar o contato.
03:18Esse seria o cenário ideal, né?
03:19Seria o cenário ideal.
03:20Mas você vê que ele fala, na entrevista, que é assim, aos 29 anos ele começou a usar substâncias.
03:26Isso que eu ia te perguntar, né?
03:28Às vezes passa até por uma fase já da maturidade.
03:31Ele passou pela juventude, né?
03:34Digamos assim, aquela fase de começar a sair com os amigos, de ir para as baladas, a partir dos 18
03:40anos.
03:41Dez anos depois que ele foi se envolver com drogas.
03:45Isso.
03:45Ele fala, assim, que na adolescência, tudo que ele fez, ele fez de cara limpa, entre aspas, né?
03:50E que aí, aos 29, ele resolveu provar.
03:53O mais comum é que quanto mais jovem você tenha contato com qualquer tipo de substância,
04:00seja ela álcool, cigarro, maconha, qualquer outra droga, você vai desenvolver, vai ter maior chance de desenvolver a dependência,
04:09porque a gente está falando de um cérebro imaturo, que não está formado ainda, principalmente aquelas regiões cerebrais,
04:16que a gente brinca que fala que é do juízo, que vai dar o controle de impulsos, a capacidade de
04:21avaliação de risco.
04:23A gente, enquanto adolescente, não tem essas áreas formadas.
04:26Ele, no caso, já tinha, né?
04:29Essas áreas já formadas, ele já estava com 29 anos, mas pode ser que ele tenha alguma tendência genética.
04:35Pensando na família, às vezes, um perfil de ansiedade, casos de depressão na família,
04:41ou a pessoa está passando por uma fase depressiva, tem insônia.
04:46Então, aquilo que a gente vê, às vezes, assim, eu bebo todo dia para melhorar o meu sono.
04:51É um comportamento arriscado, né?
04:54Porque você começa a usar como se fosse um remédio, não é um remédio e pode se tornar um problema
04:59grave.
04:59E isso pode potencializar?
05:02A presença de um transtorno mental?
05:04É, vamos supor, você associar, né?
05:06Você tem, na sua família, você tem pessoas já que têm crise de ansiedade.
05:10E aí você passa a experimentar drogas, você quer usar, então, na hora que ativa...
05:19O risco fica maior.
05:20Exatamente.
05:20Isso pode potencializar a ação da droga no organismo, a dependência.
05:25Sim.
05:26Se você tem um histórico familiar de dependência química ou de um transtorno mental, né?
05:33Mais recorrente, vários casos de depressão, de ansiedade, crise de pânico.
05:38Ou se você mesmo já está passando por isso, né?
05:42Hoje, posso falar no consultório, a gente tem visto como tem aumentado o número de casos de ansiedade, de insônia,
05:51de depressão.
05:52A gente está passando por uma grande crise mundial.
05:54E esses casos de transtorno vão aumentando.
05:57Quando você usa droga, como eu havia falado no caso da insônia, você pode estar pensando que você está cuidando
06:05de alguma forma.
06:07Ah, eu não quero tomar remédio.
06:08Eu prefiro aqui tomar uma dose de uísque, tomar uma cervejinha todo dia e com isso eu relaxo.
06:14As pessoas, às vezes, acham que isso vai ser menos nocivo do que uma medicação.
06:18Mas depende, se ela tiver um perfil de desenvolver esse comportamento compulsivo, dependente, e aí a gente não tem como
06:26saber se a pessoa já nasceu com essa predisposição ou não,
06:30ela vai aí sim desenvolver a dependência com muito mais facilidade.
06:34E olha só, gente, as drogas já acabaram com a carreira e a vida de vários artistas.
06:39Um dos maiores ídolos do mundo, a gente sabe, olha, o Michael Jackson, também morreu vítima do uso abusivo de
06:45analgésicos.
06:46A Whitney Houston também foi encontrada morta na banheira de casa depois de consumir uma grande quantidade de cocaína.
06:54Aqui no Brasil, o cantor Chorão, do Charlie Brown Jr., teve uma overdose de cocaína, segundo o laudo médico.
07:01E a eterna musa da música popular brasileira, Elis Regina, morreu tão nova, gente, aos 36 anos, também vítima de
07:09uma overdose de cocaína misturada com bebida.
07:14Doutora, pessoas, às vezes o usuário de drogas não quer ajuda.
07:19Como que a família ajuda essa pessoa que não quer ajuda?
07:25Qual a melhor forma de atuar?
07:27Muitas vezes é difícil para aquela pessoa que está no uso compulsivo enxergar que está vivendo um problema.
07:34Então, o que é o ideal da família?
07:37Olha, muitas vezes a gente pensa assim, ah, vamos internar.
07:41A internação, ela pode sim ser necessária.
07:44Então, se a pessoa não está tendo esse insight de que ela está com problema, de que ela está tendo
07:50prejuízo,
07:51se ela está se colocando em risco ou colocando outras pessoas em risco,
07:56é um alcoolista que dirige embriagado com frequência, se coloca em risco subindo o morro, vendendo as coisas dentro de
08:04casa e não está tendo controle,
08:06a família pode sim acionar o Ministério Público e fazer a solicitação mediante ao laudo médico, né,
08:13de que há essa necessidade de uma internação involuntária.
08:17Mas esse não é o cenário ideal.
08:19Faz diferença no tratamento a internação compulsória ou então a internação por livre e espontânea vontade,
08:26que foi o caso aí do Evandro, né, que ele já se internou várias vezes e agora pela primeira vez,
08:32né, ele está pedindo ajuda, ele quer, né, ele procurou ajuda.
08:36Os estudos falam que as internações voluntárias, elas podem propiciar um tempo maior de abstinência.
08:45Lembrando sempre que a gente está falando de um transtorno que é crônico e recorrente.
08:50Você internar uma pessoa não significa que ela vai sair dali curada, mas se ela buscou o tratamento,
08:57se ela já está conseguindo observar que aquilo é um problema, que lhe traz prejuízos, prejuízos aos familiares,
09:04se ela vai ao encontro desse tratamento, a chance dela conseguir manter esse comportamento depois,
09:10porque ela vai ter que falar muito não, ela vai ter que fazer sacrifícios, ela vai ter que deixar de
09:16frequentar locais,
09:17ter contato com pessoas, deixar de viver algumas situações que iriam colocá-la em risco.
09:22Então ela vai ter que fazer escolhas melhores depois dessa internação.
09:26Então se ela interna de forma voluntária, é mais provável que ela consiga fazer escolhas melhores na pós-internação.
09:34E quais são os sinais de que essa pessoa, o pessoal que está agora acompanhando em casa, de repente tem
09:40um familiar,
09:41tem alguém aí na família que precisa desse tipo de ajuda, mas e aí, está na hora, não está de
09:45procurar ajuda, de internar?
09:46Quais são os sinais que a gente deve começar a observar nessa pessoa, doutora?
09:52Então, assim, usar droga por si só não é uma doença.
09:55A gente tem pessoas que conseguem, a gente fala, né, a bebida, o cigarro, eles não são proibidos.
10:01Então, vamos falar especificamente do álcool.
10:04A gente tem pessoas que usam álcool no fim de semana, numa festa, com um contexto, e não tem prejuízo
10:11nenhum disso.
10:12É o famoso social, né?
10:13Seria um uso social.
10:15Ah, Janine, mas tem gente que faz uso social de maconha ou de cocaína?
10:19Tem?
10:20Tem.
10:21Tem gente que prova, usa de vez em quando, usa lá uma vez por ano.
10:25Não vou aqui defender esse tipo de uso, né, porque a gente não sabe em que contexto,
10:30mas, assim, isso por si só não é uma doença.
10:32Agora, a pessoa começa a colocar na vida dela, ou essa substância, seja ela qual for,
10:39ela dá um papel de destaque, de centralidade.
10:42Então, eu só vou numa festa, se eu puder ir nessa festa, se tiver bebida.
10:46Eu não vou pra confraternizar, eu não vou pra socializar.
10:49Eu só vou em tal lugar porque o pessoal lá vai estar usando maconha.
10:53Eu vou pra praia pra usar maconha.
10:55Eu não vou pra praia por outro motivo e, por acaso, uso de vez em quando.
11:00Então, quando a pessoa começa a só fazer coisas, ou, na maioria das vezes, está fazendo
11:05coisas, pra propiciar esse uso da substância, ou convive com pessoas que facilitam, medeiam
11:14o acesso dessa pessoa ao uso da substância.
11:18Ela começa a ter prejuízo no estudo, então, o adolescente que começou a faltar, trocar
11:23o dia pela noite, não consegue estudar, baixa de rendimento escolar, no trabalho, aquela
11:29famosa segunda-feira da ressaca, uma pessoa que toda segunda-feira chega atrasada, falta
11:33ao trabalho, isso é um problema.
11:36Pessoa que está se endividando, deixando de cumprir com os compromissos da casa, está
11:40desviando o dinheiro, ele recebe.
11:42E aí, aquela semana após ele receber, é a semana que o salário vai todo embora, porque
11:47ele gastou isso tudo comprando droga, bebendo, saindo, enfim.
11:51Você vai identificar prejuízos em todos os contextos, de convívio, de trabalho, de estudo.
11:58Essa é a hora, e o quanto mais cedo a gente perceber isso, de buscar ajuda.
12:03Porque, muitas das vezes, a gente vê pai, mãe, às vezes, até fechando os olhos, não
12:09querendo enxergar essa realidade, né?
12:11Porque não é fácil, não é fácil para ninguém identificar, você olhar para um
12:15filho adolescente, que você ali colocou um monte de expectativa, a gente faz alguns
12:22investimentos e tal, e você começa a ver e sabe que é um caminho difícil, um caminho
12:27que a pessoa está trilhando e que a volta dele é muito dura.
12:31Então, pode ter, sim, algumas famílias que são, às vezes, mais permissivas, menos
12:35permissivas em relação a isso, depende um pouco também da visão da família em relação
12:42àquele consumo.
12:43Tá certo, doutora.
12:44Obrigada pela sua participação, levando essas orientações, essas dicas muito importantes
12:49para a nossa família, né?
12:50Para a família, de um modo em geral, porque a gente sabe o quanto, né?
12:55Um pai, uma mãe sofre de ver, por exemplo, o filho envolvido com droga e tá aí o grande
13:00exemplo do nosso humorista, o Christian Pio, então, Evandro Santos.
13:05Eu já tive o privilégio de conhecê-lo, de trabalhar um pouquinho com ele, ele é um
13:09amor de pessoa e ele falou aí para a gente, vou lutar até o final e que assim seja também
13:14caso você esteja passando por isso em casa.
13:16Obrigada, viu, doutora?
13:17Eu que agradeço, boa tarde.
13:18Boa tarde.