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O secretário de estado da saúde, Nésio Fernandes, explica quais medidas do governo do Estado está adotando para conter o avanço do Novo Coronavírus no Espírito Santo
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00:00Hoje eu recebo no estúdio o secretário de Estado da Saúde, Nézio Fernandes.
00:04Boa tarde, secretário.
00:06Boa tarde, Juliana.
00:07Bem-vindo ao Fala Espírito Santo.
00:09Bem, hoje tivemos aí um número que chamou muito a atenção,
00:13que foi dos casos de morte, 59 de um dia para o outro.
00:18Até então, desde o início dessa pandemia, não havíamos registrado tantas mortes em 24 horas.
00:25Então, o que ocorre?
00:26As mortes que foram anunciadas ontem, elas se distribuem ao longo de vários dias.
00:31Não são mortes das últimas 24 horas.
00:33No entanto, não é menos significativo e revela, de fato, uma doença que tem um desfecho desastroso.
00:39Um desfecho que, de fato, faz evoluir a óbito uma quantidade grande de pessoas que são infectadas pelo vírus.
00:46A quantidade de pessoas que evoluem a óbito, ela vai ser sempre proporcional à quantidade de pessoas infectadas na população.
00:52Então, enquanto nós não conseguimos reduzir a quantidade de pessoas totais infectadas, não havendo vacina ou tratamento específico,
01:01a proporção de óbitos tende a avançar.
01:04E muito.
01:05Ainda que a gente tenha leitos de UTIs e leitos hospitalares para poder atender a população que possa vir a
01:11ficar doente e evoluir com desfecho crítico.
01:14Então, na verdade, essas 59 mortes, elas não aconteceram em 24 horas.
01:19Foram mais dias.
01:20Agora, por que houve uma mudança nessa forma de divulgação?
01:24Porque a gente vem, falando de segunda-feira, porque a gente tem os casos do fim de semana que, às
01:30vezes, não são tão atualizados,
01:31mas a gente teve, por exemplo, na segunda-feira de 1º de junho, 24 mortes,
01:35na segunda-feira de junho, 39 mortes, na segunda-feira de junho, 32 mortes e nesta segunda, 59 mortes.
01:43Um cálculo que foi feito de uma forma diferente?
01:45Não, não há diferença.
01:47É simplesmente que o dado do painel, ele aponta os óbitos registrados nas últimas 24 horas.
01:53Não necessariamente é a data do óbito.
01:56Então, os hospitais, os serviços de saúde, o laboratório liberou o resultado desses casos
02:04nas últimas 24 horas, então eles foram confirmados.
02:06Nós devemos atualizar o painel para poder corrigir essa informação
02:11e permitir que ela possa ser distribuída ao longo de fato com os dias do óbito.
02:16Secretário, com a situação hoje do Espírito Santo, a gente está num patamar de queda de casos.
02:22Inclusive, mostramos aqui que o prefeito de Vitória, o Luciano Rezende,
02:25ele fez uma publicação nas redes sociais dele na última semana, falando o seguinte,
02:30que a capital Vitória está, abre aspas, saindo do vai passar, fecha aspas, para o, abre aspas, está passando.
02:39Essa é a situação da capital Vitória e a gente estende que essa também é uma tendência para outras cidades?
02:44O que ocorre?
02:45Na gestão pública a gente faz análise de tendências, aguarda que as tendências se consolidem
02:52para que a partir dessa consolidação da tendência e que ela possa ser percebida de fato naquele território
02:58em um período de tempo, ela possa dar segurança ao gestor na tomada de decisões.
03:03Nós avaliamos que nos últimos 15 dias havia uma tendência de estabilização da doença em Serra
03:10e no município de Vitória, ainda com uma aceleração do crescimento de casos em Cariacica e Vila Velha.
03:20No entanto, a gente ainda está falando de tendências.
03:23Essas tendências, elas podem não se consolidar, elas podem ser interrompidas
03:31em uma tendência contrária de novo crescimento, a partir do momento em que o distanciamento social das pessoas
03:38ele não seja respeitado, a partir do momento em que as pessoas, por decisão espontânea,
03:43por decisão das suas vidas, decidam sair do isolamento social, do distanciamento social.
03:48Então, nós tínhamos e vínhamos mantendo 44% de isolamento social sustentado ao longo de mais de 60 dias.
03:56A prevalência, aquela tendência de estabilização da doença, foi considerando uma população que estava exposta
04:04e 44% da população isolada.
04:08Como nós percebemos que nos últimos 10 dias, a população, sem que houvesse nenhuma alteração
04:14nos decretos do governo, nas portarias da Secretaria da Saúde, a população por si só passou a desrespeitar
04:19o distanciamento social, esse aumento da interação social passa a expor pessoas que antes estavam protegidas.
04:27Então, esse comportamento dos últimos dias pode, nesta semana e na próxima, apontar um comportamento diferente
04:34daquela tendência.
04:36Por isso que, de fato, havia esse comportamento de uma redução da velocidade,
04:41uma tendência de estabilização em Vitória, em Serra,
04:45só que ela pode ser, na verdade, rota com a indisciplina social.
04:51Agora, o que a gente não tem visto, os números estão sendo diferentes pelo interior do Estado.
04:56A gente tem visto um aumento nas cidades do interior, que vinham com baixos números sendo confirmados dia a dia.
05:03Inclusive, a gente tem essa taxa de contágio, que é a taxa de transmissibilidade,
05:07já quase que dobrando, se comparar com a Grande Vitória, com a região metropolitana,
05:11que é o local onde se concentram a maioria dos casos.
05:15E aí, vou dar aqui, para ficar mais claro para o pessoal de casa,
05:18olha, no interior, essa taxa é de 2,3%, ou seja, 10 pessoas podem transmitir para 23 pessoas a doença.
05:26Na Grande Vitória, estamos com uma taxa de 1,5%, 10 pessoas transmitindo para 15.
05:31O que acontece? O que está acontecendo aqui no nosso Espírito Santo?
05:34É o que eu coloquei na resposta anterior.
05:37Nós tínhamos uma população que estava exposta, um grau de isolamento sustentado,
05:42e para aquela população que estava exposta, a gente passou a ter uma tendência de estabilização e de desaceleração do
05:50contágio.
05:50É como se a gente fosse pensar que estamos em uma avenida que o limite é 60 km por hora,
05:56nós estávamos a 150 km, passamos a estar a 120 km, estamos a 90 km, mas ainda estamos por em
06:03cima da velocidade,
06:04ainda temos um crescimento desordenado, descontrolado e com um risco maior de ter um desfecho negativo.
06:11Então, e o comportamento na Grande Vitória e no interior tem uma diferença,
06:15porque nós desenhamos as curvas de maneiras distintas,
06:19de maneira que a Grande Vitória tem três semanas, vive uma fase três semanas à frente do interior.
06:25Então, o que nós vivemos no final de maio, início de junho, pode ser o que ocorra,
06:32e é o que nós estamos descrevendo do comportamento da doença no interior,
06:36no final de junho e início de julho.
06:38Então, por isso que o comportamento das curvas, ele é territorializado.
06:42Ou existe um comportamento na Grande Vitória e um comportamento no interior.
06:46Então, o senhor acredita que esses casos estão diretamente ligados ao isolamento ou não cumprimento do isolamento social?
06:53Ou seja, as pessoas estão saindo de casa e, consequentemente, o número de registros, de confirmações, ele está aumentando.
07:01Na ausência de vacina e tratamento específico, você tem duas formas de romper a cadeia de transmissão.
07:07Uma é conseguir isolar todas as pessoas sintomáticas respiratórias.
07:11Independente de ter testes ou não, toda pessoa que tenha sintomas respiratórios deve ir a um serviço de saúde,
07:18ser notificada com suspeita de COVID e fazer o isolamento por 14 dias.
07:23Então, você isolando as pessoas sintomáticas, independente da testagem, você consegue romper a cadeia de transmissão,
07:29porque essa pessoa passa a ter um protocolo de não interação social mais nem com seus próprios familiares.
07:34O outro instrumento para poder romper a cadeia de transmissão é o distanciamento social.
07:40Na medida que a gente consegue, então, fazer com que as pessoas que sejam oligosintomáticas,
07:45que não dêem valor e importância a pequenos sintomas respiratórios,
07:48que possam ser expressões clínicas leves do COVID-19 ou pessoas assintomáticas,
07:55não circulem e não interajam com outras pessoas.
07:57Então, o distanciamento social associado ao isolamento de sintomáticos respiratórios
08:02são as duas estratégias disponíveis.
08:04Como no interior você tinha um atraso do comportamento da pandemia,
08:11e o distanciamento ali era menor do que na Grande Vitória,
08:14pela própria cultura e disciplina das pessoas,
08:17e pela não adoção de medidas mais restritivas nas regiões do interior,
08:21então a doença passou a ter um comportamento de expansão acelerada.
08:25Por isso que a nossa matriz de risco, ela passa a reconhecer esse risco,
08:29e esse comportamento acelerado do crescimento de casos, dos óbitos,
08:33a redução do isolamento social, e ela passa, então, a adotar medidas mais restritivas
08:39nos municípios de acordo ao cruzamento desses indicadores.
08:43Falando aí sobre esse mapa, as estratégias do governo para o combate a essa pandemia do novo coronavírus,
08:50quais são as estratégias, quais os próximos passos do governo do Estado?
08:54A primeira e principal estratégia do governo em Casagrande é o diálogo,
08:57é o diálogo e a transparência permanente com a sociedade, com os poderes,
09:01com o foro das federações, com o movimento social, com as instituições de ensino e pesquisa,
09:07com toda a sociedade. Por quê?
09:08Com os veículos de imprensa, um trato respeitoso com os veículos de imprensa,
09:12porque por mais que o governo acerte em decisões,
09:15se essas decisões não tiverem legitimação social,
09:18não fizerem parte de um grande pacto, de uma grande coesão,
09:21elas não são eficazes.
09:22Então, nós construímos instrumentos para poder garantir um correto diagnóstico
09:29do comportamento de cada fase da pandemia no Espírito Santo,
09:34de maneira que cada etapa de desenvolvimento da pandemia
09:36tivesse um conjunto de medidas específicas a cada município.
09:39Isso é representado na nossa matriz de risco.
09:42A matriz de risco, ela leva em consideração, então,
09:44o grau de distanciamento das pessoas, de isolamento social,
09:47a letalidade nos municípios, o coeficiente de incidência de cada região,
09:52a proporção de população com mais de 60 anos também de cada município
09:55e a taxa de ocupação de leitos de UTIs.
09:58Nós desenvolvemos uma estratégia que foi bem precoce.
10:02Por quê?
10:02Ainda nos meses de fevereiro e março, o governo do Estado Espírito Santo
10:06já reconhecia a iminência e o potencial da chegada do Covid no nosso Estado.
10:12Ainda antes da decreditação do Estado de emergência,
10:15nós determinamos um conjunto grande de obras dos hospitais próprios do Estado do Espírito Santo
10:20para expandir, de maneira muito robusta, a quantidade de leitos
10:24em uma estratégia que foi dividida em cinco fases.
10:27A última fase, ela se materializa no mês de julho,
10:31que é onde nós poderíamos chegar a mais de 1.600 leitos hospitalares
10:36destinados ao Covid-19.
10:38E esses 1.600 aí se incluem tanto leitos de enfermaria quanto de UTI, não é isso?
10:42Isso, aproximadamente um por um.
10:44Para cada leito de UTI, um leito de enfermaria também.
10:47Então, e uma estratégia que valorizou e ocupou de expandir a rede própria,
10:51os hospitais públicos do Estado do Espírito Santo,
10:54de maneira que, inclusive, que esse investimento,
10:56ele pudesse constituir depois da pandemia como um legado para o sistema de saúde.
11:01Então, nós não aguardamos respostas do governo federal,
11:04não aguardamos respostas de outros organismos,
11:06e por conta própria, o governo de Renato Casagrande,
11:09então, decidiu uma estratégia para garantir o acesso
11:11de todo paciente crítico atingido por esta doença,
11:15que ainda estamos conhecendo, ao leito hospitalar,
11:18seja de enfermaria ou leito de UTI.
11:20Ocorre que a doença, ela tem um desfecho catastrófico.
11:25Você tem 69% dos pacientes que vão para a ventilação mecânica evoluem a óbito.
11:3380% dos pacientes que evoluem com insuficiência renal aguda evoluem a óbito.
11:39Nós temos hospitais no Brasil que chegam a ter 55% de pessoas internadas que evoluem a óbito.
11:45O nosso indicador de desempenho no Espírito Santo,
11:48ele se aproxima mais ao indicador da rede privada,
11:51tanto capixaba quanto brasileira,
11:53quanto dos indicadores da rede pública do Brasil.
11:56Nós temos uma qualidade assistencial.
11:58Essa qualidade assistencial foi uma outra opção estratégica do Estado.
12:02Por que não construir hospitais improvisados?
12:05Por que não construir hospitais de campanha, de seus chamados?
12:09Exatamente essa questão, secretário.
12:11O senhor avalia que essa foi uma boa medida adotada pelo governo do Estado
12:16em não investir em hospitais de campanha,
12:18que a gente tem visto aí cidades aqui no Brasil,
12:21e cidades em outros países também investirem nos hospitais de campanha.
12:26Aqui, o governo do Estado, ele investiu em ampliar os leitos,
12:29tanto nos hospitais públicos e na compra de leitos em hospitais particulares.
12:34Na sua avaliação, esta foi a melhor medida?
12:37Sem dúvida alguma, até porque a compra de leitos nos hospitais privados
12:41representa somente 16% do total de leitos disponíveis para o Covid.
12:46A compra de leitos nos hospitais privados é uma estratégia complementar
12:51à estratégia de ampliar leitos na rede própria,
12:54que representa 62% do total de leitos disponíveis para o Covid,
12:59e dos hospitais filantrópicos que já participavam do sistema único de saúde.
13:03Os hospitais de campanha são hospitais frágeis,
13:06hospitais de média e baixa complexidade.
13:09Os hospitais de campanha não constroem, não ofertam leitos de UTIs.
13:12Eles têm leitos de enfermaria e salas de estabilização,
13:16de quando o paciente complica na enfermaria,
13:18fica algumas horas numa sala de estabilização até ter um leito de UTI.
13:22Nós ampliamos e devemos chegar a 800 leitos de UTIs exclusivos para o Covid,
13:28sem comprometer os leitos de UTIs para outras doenças.
13:32O que determina, de fato, o esgotamento da capacidade hospitalar
13:36não é o leito de baixa complexidade,
13:39e sim o leito para o paciente crítico.
13:41Então, a modelagem que nós fizemos de dividir a expansão em cinco fases,
13:46ela se demonstrou acertada.
13:47A quinta fase vai ser no mês de julho,
13:50nela chegaremos a 800 leitos de UTIs.
13:53Até nos últimos 21 dias, nós expandimos 203 leitos novos no Estado.
13:59Nós praticamente entregamos um hospital de 200 leitos,
14:01ou dois hospitais de 100 leitos.
14:03Então, a estratégia no hospital de campanha,
14:05ela pode ser complementar,
14:08ela pode ser necessária em algumas realidades,
14:10em outros estados do Brasil,
14:11que, por exemplo, não tinham essa capacidade
14:14de poder expandir rapidamente leitos de UTIs e leitos de enfermaria.
14:18No nosso caso, nós ainda em fevereiro disparamos um conjunto grande de obras,
14:24nós nos antecipamos à pandemia,
14:26e por isso estamos conseguindo administrar a oferta de leitos
14:29e a garantia do acesso ao leito hospitalar.
14:31Está ali uma estrutura sendo construída,
14:33uma estrutura de leitos de campanha ali ao lado do PA,
14:37uma solução apontada em Vitória, já funcionando na capital.
14:41Isso não seria interessante se expandir?
14:43Não há necessidade de se expandir para outra cidade, secretário?
14:47Essa foi uma proposta que o Estado do Espírito Santo
14:49construiu junto com os municípios capixabas.
14:52Nós, no mês de maio, oferecemos aos municípios,
14:55ao município de Cachoeira e Itapemerim,
14:57ao município de Serra, de Viana, Cariacica, São Mateus,
15:01vários municípios do Estado,
15:03o Estado poderia construir unidades modulares,
15:07leitos de campanha,
15:09acoplados às UPAs ou aos hospitais no interior do Estado.
15:13E, de fato, foi a estratégia que foi adotada pelo município de Vitória,
15:17que, com recursos próprios, teve um protagonismo extraordinário.
15:20E isso é o que o sistema de saúde, nesse momento, precisa,
15:23de protagonismo de todos, gestores municipais,
15:26gestores estaduais, do Ministério da Saúde,
15:28da sociedade, das federações, da indústria, do comércio.
15:32E estamos construindo, neste momento,
15:34uma ampliação da estratégia que também foi adotada pelo Estado em Colatina.
15:37Em Colatina, nós fizemos leitos complementares,
15:41em tendas de campanha, acoplados ao hospital.
15:44Nos parece oportuno e mais adequado,
15:47essa estratégia de unidades acopladas a hospitais,
15:50para pontualmente complementar alguma oferta de leito,
15:53ou transferir áreas administrativas de dentro do hospital,
15:56e, na área interna do hospital, colocar leitos,
15:59que é a estratégia que nós estamos desenhando para São José dos Calçados.
16:02Nós estamos desenhando estratégias que vão ampliar alguns leitos modulares
16:06em alguns hospitais, para poder ampliar a oferta na rede própria.
16:11Pois é, porque exatamente, muitas vezes, a preocupação é com relação aos leitos,
16:15a ter leito para todo paciente que necessite dele.
16:18Vamos só para a gente atualizar aqui a ocupação, hoje,
16:22de leitos exclusivos para o tratamento da Covid-19,
16:25na rede pública do Espírito Santo.
16:27Segundo as últimas informações da Secretaria Estadual de Saúde,
16:30a taxa de ocupação está em 84,87% na região metropolitana.
16:37No total, são 476 leitos, destes, 404 já estão ocupados e restam, então, 72.
16:45Em todo o Espírito Santo, são 662 leitos exclusivos para a Covid-19,
16:52541 já estão com pacientes, uma taxa de ocupação que atinge 81,72%.
16:59A região norte voltou a ter uma taxa de ocupação acima dos 80%.
17:04São 78 leitos disponíveis, sendo que 64 estão ocupados.
17:09E os leitos de UTI adquiridos pelo governo do Estado nos hospitais da rede privada
17:14ou filantrópicos para tratamento da Covid-19 estão com 100% de ocupação.
17:21É o caso do Hospital Vila Velha, do Hospital São Francisco, em Cariacica,
17:25e do Hospital Rio Doce, que fica em Linhares.
17:28Esses dados que a gente divulgou agora, eles estão disponíveis no painel da Secretaria de Saúde,
17:33fazem referência a leitos de UTI exclusivos para a Covid-19 nos hospitais públicos
17:38ou, então, leitos pagos pelo governo na rede privada ou em hospitais filantrópicos.
17:42Vamos falar sobre essa compra de leitos nos hospitais particulares?
17:47Até é uma questão de estratégia, mesmo se vão avaliar.
17:50Porque a gente tem aí hoje 25% da população capixaba que tem um plano de saúde.
17:54Ou seja, precisando de um atendimento, vai buscar o hospital que está ligado ao seu plano.
18:00E a gente já registrou, inclusive, aqui na TV Vitória, casos de pacientes com plano de saúde
18:06que buscaram atendimento no hospital particular e não conseguiram porque todos os leitos estavam ocupados.
18:11Essa compra de leitos não pode prejudicar esses pacientes de planos de saúde que representam 25% da população?
18:21Eles não ficariam desassistidos com tanta compra do setor público na rede privada?
18:26Como coloquei, a compra de leitos na rede privada, ela representa somente 16% da oferta de leitos totais
18:34que o Estado disponibiliza para o Covid.
18:36A nossa estratégia não se pautou e não se fundamentou como uma coluna vertebral do enfrentamento ao Covid
18:45para garantir acesso ao leito hospitalar na compra de leitos privados.
18:48Então, assim, nós, de maneira complementar, nós partimos de uma premissa na negociação com a rede privada.
18:54Sempre que eu sentava para negociar com os hospitais privados o interesse de compra do Estado e serviço,
19:00nós colocamos que essa compra por parte do Estado não poderia prejudicar a estratégia e a oferta de leitos para
19:07os planos de saúde.
19:08Ocorre que o Estado paga uma diária de R$ 1.600,00 para cada leito.
19:14Os planos de saúde pagam de R$ 3.000,00 a R$ 5.000,00 e poucos reais
19:17a diária.
19:18Os planos de saúde possuem uma capacidade de compra e um apelo de mercado muito maior do que o poder
19:25público.
19:26E cada plano de saúde, desde o início da pandemia, também tratou de traçar estratégias de contingência
19:33para poder expandir a sua capacidade de oferta de serviços.
19:37Quem não o fez pode, então, ter a sua capacidade de oferta de mercado comprometida.
19:42No entanto, todos os planos de saúde, toda a saúde suplementar e a saúde pública desenhou estratégias para poder garantir
19:49essa oferta de leitos.
19:50Quem subestimou a expansão da pandemia e não se preparou, pode, sim, passar por situações de aperto.
19:57Ocorre que o paciente do plano de saúde, se ele não tiver um leito na rede privada, o SUS garante
20:02um leito para ele.
20:04Agora, se faltar um leito na rede pública, o leito da rede privada não garante o acesso.
20:09O Sistema Único de Saúde é um sistema universal.
20:12Nós tivemos o caso de uma paciente parente, de uma pessoa muito conhecida no Estado, que era afiliada a um
20:20plano de saúde.
20:21A regulação do plano negou o leito, ainda no início da pandemia, e o familiar foi atendido pelo Sistema Único
20:28de Saúde.
20:29O Sistema Único de Saúde tem essa característica de ser um sistema universal e que ele atende todo e qualquer
20:35cidadão brasileiro ou estrangeiro,
20:37qualquer ser humano que pise solo brasileiro, tem a garantia do acesso no SUS.
20:41Então, a nossa estratégia, ela preservou os leitos destinados a outras doenças e expandiu a oferta e, de maneira complementar,
20:49também comprou leitos na rede privada com a premissa, isso foi sempre posto na negociação com os hospitais privados,
20:55de não comprometer a oferta dos planos de saúde.
20:59Então, não há esse problema aqui no Espírito Santo, não vai haver esse risco,
21:05porque a gente já mostrou o caso de paciente que não conseguiu um atendimento no leito,
21:08mas aí o senhor afirmando que, então, vai para um leito, por exemplo, um leito público,
21:12a transferência de um hospital particular para um público ou vice-versa.
21:16Ocorre que o Estado não pode responder pelo não funcionamento ou não entrega do resultado
21:23das estratégias de contingência dos planos de saúde.
21:26Então, assim, cada plano de saúde necessita construir sua estratégia,
21:30sua negociação com os hospitais privados para poder garantir o acesso ao leito hospitalar
21:36dos seus assegurados.
21:38Então, essa estratégia é a responsabilidade da saúde suplementar,
21:42não é a responsabilidade do Estado do Espírito Santo.
21:45Agora, vamos falar sobre essa estrutura até dos próprios leitos.
21:48Há uma divergência no número de equipamentos recebidos, porque, por exemplo,
21:51a CESA disse que recebeu 80 respiradores, mas o Ministério da Saúde afirmou ter enviado 90
21:59aqui para o nosso Estado, outros 30 para outros municípios do Estado.
22:03Por que o Ministério da Saúde diz o número e a CESA está com outro?
22:07Na verdade, a gente trabalha com os números que são de equipamentos que são patrimoniados.
22:12Os equipamentos que chegam até a CESA são patrimoniados, são distribuídos nas unidades hospitalares
22:17e esse número de equipamentos que chegam e são patrimoniados, talvez ocorra o lapso
22:22do anúncio do Ministério de quando foi dada a ordem de distribuição em Brasília ou a da chegada.
22:28No entanto, são, sem dúvida alguma, divergências por conta de lapso de tempo de publicação
22:34do registro de cada ente.
22:36Você acredita que esses equipamentos, então, chegarão ainda ao Estado?
22:39Existe uma previsão, algum cronograma?
22:41Sem dúvida alguma.
22:42Ocorre que nós solicitamos no início da pandemia 300 ventiladores para o Ministério da Saúde.
22:51Não havendo resposta celere naquele momento às demandas do Estado, nós não aguardamos
22:57nem a expressão de doação de outras entidades ou a solidariedade da sociedade e nem a ação
23:03do Ministério.
23:03O governo de Renato Casagrande comprou ventiladores da indústria nacional da Itália para fins de
23:10poder garantir a expansão de leitos novos necessários para atender os pacientes com
23:14Covid.
23:14Todos os ventiladores que vêm chegando agora do Ministério, nós estamos reforçando
23:19a estratégia e recompondo, inclusive, mais unidades hospitalares e até ventiladores sendo
23:25enviados para pronto-atendimentos e UPAs para poder melhorar a qualidade do atendimento
23:30aos pacientes críticos que descompensam em unidades da rede de urgência e emergência
23:35pré-hospitalar.
23:36Como é que o senhor avalia a ajuda do governo federal para a Secretaria de Saúde aqui para
23:42o Estado do Espírito Santo?
23:43Veja só, dentro do Sistema Único de Saúde, a gente trabalha com uma tradição de não
23:49politizar a relação entre os entes federados.
23:52Então, assim, sempre a relação entre os municípios, os estados, o Ministério da Saúde é uma
23:57relação que trata de buscar consenso, composição, convergência.
24:00No entanto, o Ministério da Saúde, de fato, apresentou muitas limitações ao longo da
24:06epidemia com uma mudança constante de ministros, com divergências de opiniões, com descompassos
24:12entre posições das áreas técnicas do Ministério com as áreas mais políticas do governo federal.
24:19E isso, sem dúvida alguma, prejudicou e muito a condução do enfrentamento à pandemia no país.
24:26Até o presente momento, dos mais de 600 leitos de UTIs disponíveis para o Covid no Estado,
24:33temos somente 165 leitos habilitados, financiados pelo Ministério da Saúde.
24:39Existe um atraso muito grande na capacidade do Ministério em conseguir responder com ações de financiamento,
24:48de estrutura aos estados e municípios, na velocidade que a pandemia avança e cresce no país.
24:55Então, graças a Deus, nós vivemos num país que é uma República Federada, onde existe um conjunto grande de autonomia
25:01de governadores e prefeitos e eles conseguiram carregar grande parte do enfrentamento da pandemia até agora.
25:10Existe um conjunto grande de recursos ainda disponíveis no Ministério da Saúde que ainda não foram nem empenhados nem liquidados.
25:17O governo deixou a desejar, secretário? O governo federal?
25:19Sem dúvida alguma, existem avaliações que demonstram muitas insuficiências por parte do governo federal
25:25no enfrentamento à pandemia, em especial na capacidade de liderança da União em coesionar o país,
25:33em unir o país em lógicas e metodologias de trabalho coesas, uniformes,
25:38de maneira que estados que vivessem no mesmo momento da pandemia pudessem ter medidas qualificadas,
25:43classificadas, iguais de enfrentamento, que as áreas da economia que foram afetadas pelo distanciamento social,
25:50que salva vidas, tivessem talvez um apoio financeiro e econômico mais robusto por parte do governo federal,
25:57medidas que foram tomadas em países de todos os tipos, em países dirigidos por governos de esquerda,
26:03de direita, de centro, por ecologistas, pelos verdes, países de toda matriz ideológica e política,
26:09tomaram medidas econômicas muito mais robustas para permitir que a economia,
26:16para que áreas como, por exemplo, o comércio, a indústria, o turismo, a cultura, as pessoas mais frágeis,
26:21não fossem prejudicadas com o distanciamento social.
26:24As medidas de conjunto encaminhadas pelo governo federal, sim, foram insuficientes até o presente momento
26:30para poder coesionar e unir o Brasil.
26:32Obrigado.