00:00A gente vem acompanhando essa movimentação, como você disse bem, não só no bairro da Penha,
00:06como várias comunidades aqui da Grande Vitória, mas o bairro da Penha ali é o local que mais concentra esse
00:12medo, né?
00:13Pelo simples fato de você vai cobrir uma história lá na Serra, eles falam, ah, foram os caras do bairro
00:19da Penha que vieram aqui tentar invadir.
00:20Então, há um tempo atrás, uma situação que meio que fugiu do controle,
00:24mais ações estão sendo tomadas para tentar reparar, para tentar diminuir esse impacto causado em toda a sociedade.
00:33Aqui do meu lado, para poder falar um pouco melhor sobre essa história, o secretário estadual de Segurança Pública,
00:38o coronel Alexandre Ramalho, e estava conversando com ele aqui, o Eduardo, não é porque está aqui do lado,
00:43realmente vem fazendo um bom trabalho nos últimos meses para cá, a gente sente a polícia mais atuante,
00:50a gente vê a polícia mais nas ruas, subindo, descendo o morro.
00:54Coronel, primeiramente, bom dia, seja bem-vindo ao Espírito Santo no ar.
00:59Novamente, parabéns pelo trabalho que vem sendo desempenhado, a gente trabalha com jornalismo policial há mais de 10 anos,
01:05e a gente está vendo realmente que está acontecendo essas ações.
01:10Segurança Pública não se faz somente com polícia, a gente estava conversando aqui.
01:14Um exemplo claro é lá no Morro da Piedade, com ações na tentativa de trazer a autoestima de volta para
01:21o morador.
01:22E no bairro da Penha, aquela região, bairro da Penha, São Benedito, Gurijica, Alto e Tararé,
01:28nesse final de semana teve mais um confronto, teve o baile do Mandela, quais ações estão sendo tomadas,
01:32e o que pode ser feito lá para a gente diminuir isso daí?
01:36Mais uma vez, bom dia, coronel.
01:37Muito bom dia, obrigado pela oportunidade, bom dia a todos que estão nos assistindo.
01:42Infelizmente, áreas, né, Schneider, ocupadas desde a década de 50, 40, de forma desordenada,
01:49quando havia uma expectativa de emprego na capital, isso atraiu muito a gente,
01:54ocuparam esses locais de forma desordenada, sem coordenação,
01:59e isso foi ficando, se perenizando ao longo da história.
02:03E a história vai contando o passo a passo da criminalidade.
02:07Então, a gente tem a fase do roubo a banco, a gente tem a fase das fugas de presídios,
02:13tem a fase das rebeliões, e tem a fase do tráfico de entorpecentes,
02:18que permanece ainda muito forte, com ramificações internacionais, inclusive.
02:23O que nós percebemos hoje nessas áreas, principalmente nesses morros que você citou,
02:27é uma criminalidade juvenil, ligada diretamente ao tráfico de entorpecentes,
02:33com famílias desestruturadas, sem um amparo devido, educacional, religioso, social,
02:39que enxerga apenas como oportunidade de vida a questão do tráfico de entorpecentes.
02:45E com isso eles se rivalizam.
02:47Então, você falou muito bem, ele vai buscar um ponto de droga lá na Serra,
02:51ele vai buscar um ponto de droga lá em Aracruz,
02:53que ele quer buscar aquele ponto mais rentável,
02:55ele quer ampliar o que ele chama do seu negócio.
02:58O que fica de recado para esses jovens e para essas famílias é que é uma vida curta,
03:02o tráfico está ceifando uma etapa muito importante da vida desses jovens de 12 a 28 anos.
03:10E o que nós temos percebido é um aumento muito forte de armas de fogo de grosso calibre.
03:16Somente no bairro da Penha nós apreendemos de abril até agora 24 armas de fogo
03:22e detivemos 215 pessoas.
03:25Quando eu falo em arma de fogo, eu estou falando em submetralhador, em pistolas turcas, pistolas austríacas, pistolas alemãs.
03:32Então, eu estou falando de um grande poder de fogo.
03:35E daí a gente ouve, já emendando outro assunto, algumas pessoas falarem
03:39vidas importam, importam muito, principalmente a vida dos nossos policiais.
03:44Então, nós não vamos ficar subindo o morro, que você já acompanhou essas operações conosco,
03:49você sabe o quão isso é desgastante.
03:51Nós não vamos ficar subindo o morro para levar tiro de vagabundo.
03:55Nós vamos atuar forte em cima de tráfico e homicida.
03:59Percebeu a presença da polícia?
04:01Seu filho está armado?
04:03Manda ele botar a arma no chão, mão na cabeça e se entregar.
04:06Nós estamos falando de polícias legalistas.
04:08Mas nós não vamos admitir que os nossos policiais sejam atingidos,
04:12porque eles estão indo ao encontro desses criminosos,
04:15para levar segurança às comunidades que necessitam de segurança.
04:19Coronel, mais de 20 armas apreendidas, mais de 200 pessoas presas,
04:23no entanto, a movimentação do tráfico acontece.
04:26O que falta para a gente dar um fim, dar um basta nessa violência lá no morro
04:32e evitar que os moradores acabam ficando arrepentos?
04:35Porque o menino, como você disse, de 12 anos, sai para soltar pipa,
04:39vê o cara vendendo droga, ele acaba se espelhando em quem está mais perto.
04:42Falta oportunidade, falta acesso à formação, área de lazer, escola,
04:47integração entre as secretarias. O que é que falta?
04:50Eu imagino e penso que falta uma discussão interdisciplinar.
04:55Entrando nessa discussão a academia, o Ministério Público, o Poder Judiciário,
04:59claro, todas as secretarias nas três esferas de governo estadual, municipal e federal.
05:04Agora, quando a gente fala nesses assuntos, onde é que a cobrança recai?
05:08Em cima da polícia.
05:10Ah, cadê a polícia? O que a polícia está fazendo?
05:12A polícia está prendendo 215 pessoas, a polícia está retirando 24 armas de grosso calibre de circulação.
05:19Agora, a lei não alcança esses menores.
05:22A legislação é muito branda para quem está armado, imediatamente ele vai alcançar a soltura.
05:27Para onde que ele vai voltar quando ele for solto?
05:29Para o mesmo local.
05:30Aí ele vai ter que dar conta daquela arma que ele perdeu, daquela droga que ele perdeu.
05:34E se ele não der conta, ele vai pagar como?
05:36Com a vida.
05:37E isso aumenta o que?
05:39Os índices de homicídios, que nós lutamos tanto para reduzir anualmente.
05:43Então, é um problema realmente.
05:45Sempre tem alguém para tomar o lugar do outro.
05:47E a legislação não alcança esses jovens, principalmente com idades até 18 anos.
05:52Coronel, a gente tem uma pergunta lá no estúdio.
05:54O Eduardo Santos, tem uma perguntinha lá.
05:57Dudu, pode falar.
05:58Ele não te ouve não, mas eu ouço e repasso aqui para o coronel.
06:01É interessante o coronel Ramalho falar a respeito do papel do Estado no combate à criminalidade,
06:07mas a gente queria ouvir ele falar também a respeito do papel da família,
06:12que também tem que ajudar a combater a criminalidade.
06:15Tem que ajudar a tirar o filho do tráfico.
06:22Uma coisa que o Eduardo Santos citou, que você tinha falado aqui,
06:25a gente sabe do papel do Estado, mas é muito importante o papel da família,
06:30saber educar seu filho, saber a hora de colocar um filho no mundo, né, coronel?
06:35Afinal de contas, o papel da família é muito importante.
06:37Tem muita gente que mora no morro que a mãe segura ali com rédeas.
06:42Você estava falando aqui, seu filho está armado, mãe?
06:44Fala para ele colocar a arma no chão.
06:47Fala um pouco, coronel, sobre o papel da família, da importância do pai e da mãe.
06:53O próprio Eduardo Santos veio de uma comunidade muito pobre, muito humilde,
06:58que é criminalidade lá desde os anos 80 e 90,
07:01e está aí hoje apresentando o jornal pelo papel da família, né, coronel?
07:05Eduardo, meu abraço.
07:06Lembro muito do Eduardo, da época que a gente trabalhava na companhia de choque,
07:10policiamento de estádio, de campo de futebol ainda.
07:12Velhos tempos, idos lá da década de 90.
07:15Mas o Eduardo toca num ponto fundamental.
07:17O que nós percebemos hoje, lamentavelmente, são famílias totalmente desestruturadas, Chinay.
07:23Crianças feitas no final de semana no Mandela, sem nenhuma proteção,
07:27sem nenhuma medida eficaz que permita que aquele jovem não esteja inserido nesse contexto.
07:34Então, o papel da família é fundamental.
07:36A polícia não vai educar filho de ninguém.
07:39Nós não vamos conseguir chegar nesse nível.
07:41Nós até participamos muito de programas sociais, de iniciativa das próprias polícias,
07:47inclusive no bairro da Penha, lutando pela vida, outros projetos, mais que a polícia militar e a polícia civil
07:53tentam desempenhar para se aproximar dessas comunidades.
07:56Mas a família é fundamental.
07:59Onde é que está seu filho, que não chegou até uma hora da manhã, meia-noite?
08:02Seu filho está ligado ao tráfico entorpecente?
08:04Você está sabendo?
08:06Ele está botando dinheiro dentro de casa?
08:07De que forma?
08:08Seu filho está armado?
08:09Você percebe a movimentação estranha dos seus filhos com outros companheiros?
08:13É o momento de tirar o seu filho daquela comunidade?
08:16É o momento de levar o seu filho para uma outra casa de um outro parente?
08:19A família tem um papel fundamental de aproximar o jovem da escola, de aproximar o jovem da igreja,
08:27que é muito importante a religião nesse momento, e é claro, buscar cursos profissionalizantes,
08:33cursos que são cedidos aí, que estão ao alcance dessas famílias mais humildes,
08:38mas obviamente que nesses locais existem pessoas sérias, honestas, dignas,
08:44pais que controlam seus filhos, e é por isso que nós temos que estar lá.
08:47Então não vem com esse papo de que a polícia não pode subir morro,
08:51de que a polícia está violenta...
08:52Não, nós estamos lá para proteger exatamente essas famílias que cuidam dos seus filhos,
08:57porque se nós não o fizermos, quem vai fazer é o tráfico.
09:00É isso aí, Eduardo.
09:01Quem educa é a família, quem educa é a escola.
09:04Polícia foi feita para poder proteger, polícia não consegue ser onipresente,
09:08está em todos os lugares.
09:11A gente continua acompanhando essa movimentação, torcendo por dias melhores,
09:14de um tempo para cá, a gente notou uma mudança muito grande no comportamento do criminoso,
09:19que antes via polícia corria, agora atira.
09:22Então a gente não sabe o que vai ser o dia de amanhã.
09:26Agradeço aqui a disponibilidade do coronel Ramalho, secretário de Segurança Pública,
09:30falar aqui com a gente, esclarecer um pouco dessas políticas que estão sendo realizadas,
09:36e é claro, a gente continua aí acompanhando toda essa movimentação da grande vitória.
09:40Eu gostaria, Chinás, se eu permitir, de agradecer à TV Vitória,
09:43acho que cada matéria que é colocada positiva de uma ação policial
09:47é um incentivo que os senhores dão aos nossos policiais,
09:51e por intermédio disso, agradecer muito aos nossos policiais
09:54por todo o empenho, por toda a dedicação.
09:57Nesse momento de pandemia não tem sido fácil,
09:59isso também nos atinge fortemente, aumentando muito o número das nossas dispensas,
10:04e nós temos que nos multiplicar para poder atender a sociedade.
10:07Fica o meu agradecimento à TV Vitória e a todos os nossos policiais militares,
10:12policiais civis e as forças de segurança municipais e federais.