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  • há 2 dias
O Mundo Super é exibido todo domingo às 15h no Veja+TV, canal lançado em 2025 pelo Grupo Abril. É de graça. Basta estar conectado à internet.

Mundo Super

Quando?

Todo domingo às 15h.
Reprises às quartas, 21h.

Onde?

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Notícias
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00:09Você está ouvindo aquilo que seria o som de uma floresta jurássica, mais de 145 milhões de anos
00:16atrás. Cientistas produziram esse barulho a partir da análise de fósseis de insetos da época. Para
00:23fazer isso, eles observaram principalmente o formato das asas desses animais. Para entender
00:29o provável som delas. Além disso, eles também fizeram experimentos em insetos vivos e usaram
00:35simulação computacional para emular o som dos insetos que viveram junto aos dinossauros. Todo
00:41esse esforço foi feito para compor a trilha sonora da série Os Dinossauros, produzida por Steven Spielberg
00:47e disponível na Netflix. Olá, está começando mais um Mundo Super, programa semanal da Superinteressante
00:56aqui na Veja Mais TV e também no YouTube. Toda semana a gente traz as principais notícias da ciência,
01:01cultura, história e muito mais para a tela da sua televisão. E no programa de hoje você vai ver
01:06o novo telescópio lançado pela NASA. A câmera que faz edições com o IA automaticamente. O relatório da
01:14ONU sobre a meta do Acordo de Paris. Um bate-papo sobre essa capa aqui da Super, sobre terapia, como
01:20escolher a sua. Tudo isso e muito mais logo depois da vinheta.
01:40No final de agosto, a NASA lançou para o espaço o telescópio Nancy Grace Roman e agora a gente te
01:46conta
01:47tudo que você precisa saber sobre ele. Esse observatório espacial vai ficar a um milhão e meio de quilômetros
01:53de distância da Terra, um ponto que é chamado de Lagrange 2. Nessa região, as gravidades do Sol e da
01:59Terra se equilibram,
02:01o que faz com que as óbitas dos objetos deixados ali sejam mais estáveis e previsíveis. O telescópio James Webb,
02:07por exemplo, também fica em Lagrange 2. Ele e o Roman vão ser vizinhos.
02:12Chegando lá, o Roman vai passar por alguns testes antes de iniciar as operações. O novo telescópio vai
02:18funcionar sem parar observando planetas, galáxias, estrelas, buracos negros e eventos espaciais em geral.
02:25O Roman está sendo desenvolvido desde 2016. Em vez de focar em pontos distantes, ele tem maior amplitude de
02:32área observada. Isso quer dizer que ele vai captar informações de uma região muito maior do espaço
02:38de uma vez só. Embora não tenha a precisão do James Webb, ele pode estudar vários objetos
02:44simultaneamente, o que ajuda a identificar pontos de interesse que depois podem ser analisados em
02:49mais detalhe por outros observatórios. A câmera do Roman tem um campo de visão 100 vezes maior que
02:55a área do telescópio Hubble, lançado nos anos 90. O novo equipamento pesa mais de 10 toneladas e tem
03:0113 metros de altura. A previsão é que ele permaneça no espaço por mais de uma década. A primeira missão
03:07deve durar uns 5 anos. Só nessa etapa, o Roman deve mapear uma área 50 vezes maior do que tudo
03:13o que o
03:14Hubble já observou em 3 décadas. O nome Nancy Grace Roman é uma homenagem à primeira chefe de
03:20astronomia da NASA, conhecida como a mãe do Hubble. Ela defendeu os investimentos nesse primeiro
03:26telescópio e viabilizou o lançamento dele. É graças a ela que hoje podemos estudar o universo com imagens
03:32como essa aqui. Inclusive, eu sou muito fã de imagens dos telescópios espaciais. A minha tela, o meu fundo
03:39de tela do celular, não sei se dá pra ver, é uma das primeiras imagens do James Webb, então eu
03:43tô bastante
03:44animada pra ver o que o Roman vai trazer aí pra gente. Legal, achei que você tinha tirado a foto
03:48mesmo.
03:50Por falar em câmera, no próximo quadro, o Tec, o editor Bruno Garatoni vai falar sobre uma câmera que
03:56edita imagens com IA automaticamente. Bora lá ver.
04:02O uso de inteligência artificial para gerar e modificar imagens já é algo comum, faz parte do dia a dia
04:09de
04:09muitas pessoas. Mas uma câmera que gerou polêmica antes mesmo do seu lançamento, promete levar isso a um novo
04:17patamar. Ela se chama Kyra, foi desenvolvida pela startup britânica Camera Intelligence e tem o lançamento
04:25prometido para este mês por mil dólares. O preço inclui a câmera em si, que gruda magneticamente no smartphone,
04:33ela é compatível com o iPhone 12 ou mais recente e uma lente semiprofissional Lumix de 25 milímetros.
04:41A câmera também aceita outras do padrão Micro Four Thirds. A Kyra tem o próprio sensor de imagem, é um
04:49Sony de 11 megapixels, bem como a própria
04:52CPU, uma Snapdragon de 8 núcleos e um chip de IA, o Google Edge TPU. Ou seja, na prática,
05:00o iPhone funciona só como uma tela para você mexer no aplicativo da câmera, que é a parte mais interessante.
05:07Ela roda o algoritmo de imagem nano banana do Google, o mesmo presente no serviço de IA Gemini.
05:14Logo depois de tirar uma foto, você pode pedir a IA que faça alterações nela. Nas coisas mais simples, como
05:21melhorar a iluminação e as cores, as mais radicais, como mudar o cenário, apagar ou adicionar elementos, ou até
05:29colocar um sorriso no rosto do fotografado, entre inúmeras outras coisas. Mas esse poder todo causou uma
05:36repercussão ruim. A Kyra começou a receber críticas, antes mesmo do lançamento. O receio é que ela venha
05:43a ser usada para adulterar imagens, inserindo ou removendo elementos e criando cenas que não existiram.
05:51Já é possível fazer isso com as IAs atuais, claro, mas ter essa capacidade embutida na própria câmera
05:57tornaria a coisa bem mais fácil e mais preocupante também. Por isso, o fabricante decidiu eliminar o prompt do
06:05aplicativo da Kyra. Agora o app só oferece comandos de IA pré-definidos e pré-aprovados pela Camera Intelligence.
06:14Atualmente o app tem 12 comandos, como trocar o fundo da foto ou endireitar os olhos do fotografado.
06:22A empresa promete adicionar um comando novo a cada mês. Para usar os recursos de IA é preciso pagar uma
06:29mensalidade
06:30de 7 dólares.
06:34Agora chegou a hora de responder as perguntas que vocês nos enviaram no quadro Oráculo.
06:39Bora lá para a redação falar com a equipe, que no caso é nós mesmos.
06:46A Bela, que sou eu mesma, perguntou como é feito um caldo perpétuo. Então, essa iguaria existe em várias
06:52culinárias asiáticas e supostamente existia também na culinária medieval e consiste em deixar um caldo
06:59fervendo eternamente, perpetuamente. Só ir acrescentando novos ingredientes e tirando o caldo para tomar.
07:06Hoje em dia, ainda tem pessoas que fazem caldos perpétuos. Tem um restaurante na Tailândia e um restaurante no Japão
07:11que tem caldos fervendo há décadas, apesar de que eles tiram o caldo da panela, limpam a panela
07:17e colocam o caldo de novo para manter a higiene. Mas se você mantiver o caldo em uma temperatura
07:22acima de 60 graus o tempo todo, não tem como criar colunas bacterianas ali.
07:28Ainda é importante se preocupar com fungos, porque se os alimentos forem colocados já morfados, as toxinas podem ser termoresistentes.
07:35Ou seja, elas podem sobreviver ali. Não é sobreviver porque elas não são vivas, mas elas podem ficar no alimento
07:40mesmo depois da temperatura alta.
07:42Aqui na Super, a gente não recomenda você tentar em casa fazer seu próprio caldo perpétuo. Isso aqui é só
07:47uma curiosidade.
07:48A gente conversou com uma professora de microbiologia e segurança de alimentos e com um cara que há 500 dias
07:53posta no Instagram
07:54o caldo perpétuo dele todos os dias, mostrando como ele acrescenta novos ingredientes e falando do gosto do caldo.
08:00O Zach makes. O Zach conta que a melhor coisa para se colocar no caldo são carnes, tubérculos, cogumelos, ossos
08:07e temperos.
08:08Que não presta colocar laticínios, peixe, massas que elas se degradam, a textura fica um pouco alterada, fica ruim.
08:17E que no final é mais experimentar. Quem gosta de caldo perpétuo, fala que o sabor é inigualável.
08:23Jinx perguntou, para onde vai a tinta da tatuagem removida laser?
08:28Ela vai para os gânglios linfáticos. São estruturas em formato de feijão que estão espalhadas pelo corpo todo,
08:34mas se concentram principalmente no pescoço, axilas e virilha.
08:38Quando a gente aplica o laser em alta frequência, as partículas de tinta são esquentadas e fragmentadas em pedacinhos menores.
08:44Elas podem chegar a temperaturas entre 200 e 600 graus Celsius na epiderme. Então, é por isso que a remoção
08:51arde tanto.
08:52Uma parte da tinta é absorvida pelas células de defesa e transportada por os gânglios por meio dos vasos do
08:58sistema linfático,
09:00que é tipo um segundo sistema circulatório. As partículas maiores ficam nos gânglios para sempre, se acumulando lá.
09:06Já as menores seguem para o sangue, que vai ser filtrado pelos rins. Então, sai um pouquinho de tinta no
09:12xixi também.
09:12Uma sessão de laser não dá conta de eliminar tudo, porque parte da tinta é capturada pelas células da pele
09:18e continuam lá.
09:20É por isso que são necessárias várias sessões, e aí a tatuagem vai desaparecendo aos poucos.
09:28Se você também quer ver sua pergunta aqui no oráculo, é só escanear o QR Code que tá aparecendo aí
09:32na tela
09:33e nos mandar uma mensagem ou vídeo pelo Instagram da Super.
09:36Você provavelmente já ouviu falar do Acordo de Paris. Ele foi assinado em 2015 e tem como principal objetivo limitar
09:44o aquecimento global.
09:45As temperaturas do planeta têm aumentado desde a industrialização, lá pros anos 1850.
09:50Foi quando a humanidade passou a depender cada vez mais de combustíveis fósseis, que liberam grandes quantidades de CO2 na
09:56atmosfera.
09:57Para minimizar os impactos ambientais, os cientistas concordam que a gente deveria limitar o aquecimento do planeta
10:03em até 1 grau Celsius e meio em comparação ao que era antes da industrialização.
10:08Todos os 196 países que assinaram o Acordo de Paris se propunham a agir coletivamente
10:14e adotar medidas para se manter nesse limiar de 1 grau e meio.
10:18Só que as ações não têm sido suficientes.
10:21Em um relatório lançado em setembro, a ONU já considera essa meta inviável
10:25e admite que iremos ultrapassar 1 grau e meio de aquecimento nos próximos anos.
10:30Agora, mesmo com as projeções mais otimistas, a expectativa é que a temperatura média do planeta
10:36chegue a 1,8 graus Celsius acima dos níveis pré-industriais.
10:41Isso já chega muito perto do limite máximo do Acordo de Paris, que é de 2 graus Celsius.
10:47Cada fração de temperatura a mais traz impactos profundos no clima global,
10:51como o colapso de ecossistemas, aumento das ondas de calor e elevação do nível do mar, só para citar alguns
10:58deles.
10:58A COP30, que aconteceu em Belém no ano passado, terminou com uma resolução
11:03para manter o limiar de 1 grau e meio sob o alcance.
11:07Dez meses depois, esse valor já é considerado inviável.
11:10O ano de 2024 foi considerado o mais quente já registrado, com 1,55 grau acima dos níveis pré-industriais.
11:192024 sozinho não viola o Acordo de Paris, porque a medida usada pelo tratado
11:23considera a média de temperatura global ao longo de 20 anos.
11:27Mesmo assim, já é um indicativo do que vem por aí.
11:31Agora, o objetivo é passar o menor tempo possível no patamar acima de 1,5 grau.
11:36Se os países tomarem ações mais drásticas, seria possível chegar ao platô de 1,8 graus
11:42até retornar a 1,5.
11:44Só que isso vai exigir não só uma transição de toda a matriz energética global,
11:49mas também mais esforços para remover gás carbônico da atmosfera.
11:54Agora, a gente vai por um rápido intervalo.
11:56Mas fica aí que, na volta, eu e a Maria Clara vamos bater um papo sobre a capa da Super
12:00que ela escreveu.
12:02Terapia, como escolher a sua.
12:03Fica aí que a gente já volta.
12:10Olá, estamos de volta com o Mundo Super.
12:13Eu quero convidar você para assinar a Super Interessante.
12:16A gente vive ouvindo histórias de pessoas que assinavam a Super Antigamente,
12:20então eu estou aqui para dizer que a revista impressa segue viva e pode chegar na sua casa todos os
12:25meses.
12:25É só escanear o QR Code que está aí na tela para assinar.
12:28E eu também vou convidar você para assinar a newsletter que a gente envia toda sexta-feira
12:33com as notícias mais lidas do site da Super.
12:36Não precisa pagar nada, é tudo de graça.
12:38Pode escanear o QR Code que está aparecendo aí na tela e digitar o seu e-mail.
12:42Bom, o bloco agora é um papo com a Maria Clara.
12:45Ela escreveu a matéria de capa da Super Interessante de agosto sobre terapia
12:48e as várias abordagens que existem para tratar a saúde mental.
12:53Má, a primeira pergunta que eu pensei aqui...
12:56Eu li a matéria, então eu vou fazer as vezes de que...
12:58Muito importante, né?
13:00Vou fazer a mediação aqui para quem ainda não leu.
13:03Eu queria entender que você explicasse como que surgiu a terapia
13:07e se foi o Freud mesmo que surgiu com tudo.
13:09Então, acho que tudo na ciência é muito difícil de cravar uma origem exata.
13:14A gente tem marcos históricos importantes, né?
13:17Então, um dos marcos mais utilizados quando a gente vai falar de terapias,
13:21de psicoterapias, né, de uma maneira mais recente,
13:24é o tratamento da Bertha Pappenheim,
13:27que foi relatado com o pseudônimo de Anna O.
13:31Em 1880, ela passou por algumas sessões de conversa com o Joseph Brewer
13:38e aí ele escreveu um livro em conjunto com o Freud.
13:42E ela dizia, a própria paciente dizia que falar sobre as questões dela
13:46era como se ela estivesse fazendo uma limpeza de chaminé.
13:49Então, e ela descreveu isso como uma cura pela fala.
13:53Então, a gente tem esse marco de 1880, mais ou menos,
13:57e também a abertura do primeiro laboratório de psicologia experimental em 1879.
14:03Então, a gente pode colocar mais ou menos a psicologia como uma área de estudo específica
14:10e as psicoterapias ali para os anos 1880.
14:15Antes disso, eram coisas mais esparsas, assim, não tinha, não era algo muito formalizado mesmo.
14:21Entendi.
14:22Na reportagem você cita quatro grandes áreas da psicoterapia.
14:28Explica um pouquinho quais são elas e qual surgiu primeiro, qual surgiu depois.
14:33Então, eu mesma não sabia que existiam tantas abordagens quando eu comecei a pesquisar.
14:38Existem centenas, assim, são muitas mesmo.
14:40E aí tem essa classificação que ela não é uma classificação oficial.
14:44Ela é mais didática para as pessoas entenderem e para os próprios alunos de psicologia estudarem
14:51quando eles estão na graduação.
14:52E ela se baseia em correntes de pensamento.
14:55Então, tradições filosóficas que embasam um pouquinho elas.
15:00Então, basicamente são quatro, né?
15:02Que eu descrevo na matéria.
15:03Tem as psicodinâmicas, que são as que derivam,
15:07compartilham ideias do Freud, da psicanálise, na verdade,
15:11como a existência de um inconsciente.
15:13Então, a gente vai ter, por exemplo, Jung, que apesar dele ter se separado de Freud,
15:21ainda é considerada uma psicodinâmica porque compartilha de algumas dessas raízes.
15:27Então, a gente tem a análise Jungiana, tem a psicoterapia psicodinâmica breve
15:32e a própria psicanálise, que a gente considera como uma das primeiras abordagens mesmo.
15:37Daí, a gente tem as cognitivas comportamentais,
15:41que são...
15:43Elas se originaram...
15:44É um conjunto de duas coisas, das cognitivas e das comportamentais.
15:48Então, quando a gente pensa nas comportamentais, a gente lembra um pouco dos experimentos com ratinhos,
15:54os experimentos com animais,
15:55ou mesmo condicionamento de comportamento mesmo.
16:00Só que aí, começa com o behaviorismo só focando no comportamento, sem o componente cognitivo, né?
16:11E aí, alguns pensadores passaram a incorporar o componente cognitivo.
16:15Então, pensando, tá, não é só um comportamento, não é tão preto no branco.
16:19Então, a gente precisa, a gente tem que pensar que o nosso pensamento influencia o comportamento,
16:23que influencia as emoções, que vai influenciar o pensamento.
16:26Então, é todo um ciclo, assim.
16:28E aí, a gente tem a abordagem mais famosa, é a TCC, que é a Terapia Cognitivo-Comportamental.
16:34E aí, tem várias outras que surgiram depois, né?
16:37Tem as ondas dessas terapias.
16:39Então, tem a Terapia de Aceitação e Compromisso, que é mais recente.
16:44Também a Terapia Comportamental-Dialética.
16:46Então, esse é o segundo tipo.
16:49O terceiro tipo, que são as humanistas e existenciais.
16:53Elas foram as mais difíceis de entender, pra mim, pelo menos.
16:56Porque elas se apresentam como uma terceira força
17:00que se opõe ao behaviorismo,
17:04às terapias mais comportamentais, e também à psicanálise.
17:07Então, é como se fosse uma terceira via, assim.
17:09E aí, elas vão focar no indivíduo como um todo,
17:14e muito sobre como ele vê o mundo,
17:16e quais são as influências externas do mundo pra ele.
17:20Então, um exemplo que um psicólogo me falou,
17:23que acho que fez bastante sentido pra mim.
17:27Em vez de você estar relatando uma ansiedade,
17:29que você tem ansiedade com alguma coisa.
17:31Em vez do psicólogo focar apenas em eliminar essa ansiedade,
17:35um psicólogo dessa terceira vertente vai focar também em entender
17:40o que essa ansiedade significa pra você.
17:43Como você vê essa ansiedade.
17:44Então, é muito como você interpreta essas coisas que estão acontecendo,
17:48inclusive os seus próprios sentimentos, né.
17:50E aí, a última...
17:52Enfim, alguns exemplos dessas terapias são a gestalt terapia,
17:56a fenomenologia, a abordagem centrada na pessoa também.
18:00Enfim, tem muitas, né.
18:01E aí, o quarto grupo que eu coloquei na matéria são as sistêmicas.
18:07Elas surgiram nos anos 1940 nos Estados Unidos,
18:10e muito influenciadas, o que chamou muito minha atenção,
18:14pela cibernética, por essa noção de que as coisas são conectadas.
18:19Então, você...
18:21O psicólogo não vai olhar só pra sua psique,
18:24ele vai olhar pra sua rede de relações,
18:27vai focar muito nessa rede de relações.
18:29Então, é muito comum que as abordagens sistêmicas
18:31sejam feitas em grupo, ou tipo terapia familiar,
18:35ou terapia de casal, mas também dá pra fazer sozinho.
18:38Então, é...
18:41Eu conversei com psicólogos dessas quatro abordagens, né.
18:44Lembrando que eu não sou psicóloga.
18:46Então, é...
18:47E nem teve como você colocar todas as abordagens que existem, né.
18:50Sim, com certeza. São muitas mesmo.
18:52Eu até conversei com psicólogos de abordagens que nem estão aqui.
18:55Mas, enfim, apresentei essas na reportagem
18:59porque são as grandes tradições, as mais conhecidas.
19:03E...
19:04Mas, enfim, óbvio, se você tiver...
19:06Se o leitor tiver interesse em se aprofundar em alguma delas,
19:10é só uma pincelada, porque dá pra entrar muito fundo nesse assunto.
19:15Sim, é um ponto de partida.
19:16É, exato.
19:19É...
19:19Existe um debate muito grande em torno da psicanálise.
19:22Existem os defensores ferrenhos,
19:25existe gente que é totalmente contra e acha que é uma pseudociência.
19:28O que que você descobriu na sua apuração e se dá pra dizer que a psicanálise
19:33é indicada exatamente pra um caso específico ou pra outro?
19:37Então, quando eu comecei a apurar essa matéria,
19:41essa era uma das questões que eu tinha bastante dúvida.
19:43E aí, é...
19:45A primeira coisa que eu pensei é definir o que que é eficácia.
19:49O que que é, tipo, ai, tal coisa funciona.
19:51Funciona pra quê?
19:52E qual método a gente vai usar pra dizer se aquilo funciona ou não.
19:56Então, o que que a gente faz na psicologia?
20:00Você tem um ensaio clínico, assim como de remédios, por exemplo.
20:04Então, você pega pessoas que tem um quadro clínico semelhante
20:07e aplica a psicoterapia segundo um protocolo ali de estudo,
20:12nesse grupo de pessoas.
20:13E aí, você pode usar um outro grupo de pessoas que não vai receber a terapia
20:18e depois comparar, ver qual que melhorou mais e tudo mais.
20:21É bem parecido com os estudos clínicos de remédios.
20:27Só que tem muitos problemas em estudos clínicos de psicologia.
20:32Primeiro, porque a expertise do profissional conta muito.
20:36Então, você pode colocar um profissional que está muito bem preparado
20:41ou outro que está menos preparado.
20:43A relação...
20:44Porque existe uma parte muito importante da terapia,
20:47que é a relação...
20:48O vínculo do paciente com o terapeuta.
20:51Então, não é só tomar um remédio.
20:53Não é qualquer, assim...
20:54Uma coisa impessoal, né?
20:56E aí, você pode comparar com uma terapia...
21:02Tipo, uma comportamental com a psicanálise.
21:04Você pode comparar a psicanálise com o placebo.
21:07E tem muitas variáveis...
21:10Quando você tem um problema muito grande que eu descobri também,
21:13é que muitas terapias são comparadas com uma lista de espera.
21:17Então, você pega pessoas que estão numa lista de espera para receber a terapia,
21:22só que elas nunca são chamadas.
21:24E aí, elas podem acabar piorando por causa disso.
21:26Pensa, pô, eu não fui chamado para receber a terapia.
21:28Enquanto as outras que foram chamadas acabam melhorando.
21:30Então, como que você vai isolar o que é da terapia e o que é de uma decepção que já
21:34aconteceria antes, sabe?
21:36Então, basicamente, existem muitas questões, muitos...
21:41Foi uma das coisas que mais me surpreendeu na matéria, que não é tão preto no branco.
21:46Os estudos clínicos não são tão sólidos quanto eu imaginei que eles seriam.
21:52Mas eles existem e a gente sabe que terapia funciona.
21:55Existe uma melhora clara, assim...
21:58Em relação à psicanálise, existem, sim, estudos que mostram que a psicanálise funciona.
22:05O que, assim, funciona para certos casos.
22:08Então, existem estudos clínicos que mostram uma melhora em quadros de depressão,
22:13em quadros de borderline.
22:17Principalmente algumas...
22:18Não só a psicanálise, mas outras psicodinâmicas também.
22:21Porque a psicanálise clássica, ela demora muito tempo.
22:24Então, é muito difícil de encaixar ela no estudo clínico.
22:27Então, geralmente, se utiliza as psicodinâmicas breves.
22:31Por exemplo, a terapia baseada em mentalização.
22:35Enfim, outras terapias baseadas em transferência.
22:39Que usam, meio que, ideias da psicanálise, mas elas são terapias mais curtas.
22:45E existem estudos mostrando que elas realmente promovem uma melhora para...
22:50Os estudos que eu vi eram para ansiedade, depressão e borderline.
22:56Então, para esses existem.
22:58A grande questão é que elas são muito comparadas com a TCC e as cognitivos comportamentais.
23:04E, de fato, as cognitivos comportamentais, elas têm muito mais estudos.
23:09Porque elas surgiram como uma proposta de tornar a psicologia mais mensurável, mais científica.
23:19Então, de fato, tem muito mais estudos, tem muito mais método nelas.
23:24Então, é difícil de...
23:27É por isso que existe um debate tão grande, principalmente em oposição a essas duas.
23:32Quando você vai falar de humanistas e existenciais, eles não gostam tanto de fazer estudos.
23:38Então, nem tem tantos estudos assim para comparar.
23:42Mas...
23:43Resumo da ópera.
23:45A psicanálise, existem estudos que mostram que ela promove melhora, em alguns casos.
23:50O que a gente não tem comprovação é do...
23:56Aquilo que embasa ela.
23:58Então, por exemplo, a gente não tem a comprovação da existência de um inconsciente.
24:01É muito difícil que a gente tenha também.
24:03Mas...
24:04Que é toda a base da psicanálise.
24:06Mas as ferramentas que a psicanálise usa podem ser úteis para algumas pessoas.
24:11E, no final das contas, o que eu entendi muito com essa matéria é que...
24:15Assim como o remédio não vai funcionar para todas as pessoas,
24:19Você pega lá ibuprofeno.
24:20Vai ter gente que não vai responder o antidepressivo.
24:23Vai ter gente que vai usar um antidepressivo.
24:25Outra pessoa vai usar outro.
24:27Independente da...
24:28Da eficácia geral que eles tenham.
24:31Então, vai ter gente que vai se dar bem com a psicanálise.
24:34Vai apresentar melhora.
24:35Vai ter gente que vai se dar bem com a TCC.
24:37E vai apresentar melhora.
24:40É...
24:40Então, eu entendi que...
24:43Vai...
24:43Varia muito de pessoa para pessoa.
24:45E, no final das contas, existem os fatores comuns a todas as terapias.
24:50Que é o vínculo, o acolhimento, a escuta ativa.
24:55Que são algo que todas as abordagens precisam ter.
24:57E isso também já promove uma melhora.
25:00Então, às vezes, a abordagem em si.
25:03As ferramentas e aquilo que vai embasar a corrente teórica.
25:07Talvez para o paciente não seja tão importante quanto essas outras coisas.
25:11E aí, ele vai ter que, enfim, testar terapeutas diferentes.
25:15Precisa de uma resiliência e uma paciência muito grande para encontrar...
25:19É, isso que eu ia perguntar.
25:20Além de ler a matéria, o que você daria de dica para quem está procurando uma terapia?
25:25A coisa mais importante é ver se o psicólogo tem registro no CRP.
25:30Porque a palavra terapia não é exclusiva da psicologia.
25:33Então, tem muita gente que se passa por terapeuta, mas não é psicólogo.
25:37Então, isso é muito importante.
25:39E também ficar atento com alguns truques.
25:44Então, por exemplo, constelação familiar.
25:46Muita gente confunde abordagem sistêmica com constelação familiar.
25:50E são coisas totalmente diferentes, né?
25:52Constelação familiar é algo que o CRP não reconhece como terapia.
25:56Não faz parte da prática ética dos psicólogos.
25:59E, o que eu falei, ter muita paciência para encontrar um psicólogo certo.
26:04Eu acho que todo mundo pode se beneficiar de terapia,
26:07assim, independente de qual seja a sua demanda, qual seja o seu quadro clínico.
26:12Ter paciência, testar abordagens diferentes e encontrar uma que você se sinta mais confortável.
26:18Legal, Mazita. Muito obrigado, viu?
26:20Pessoal, agora a gente está indo para o final do programa.
26:23E, como sempre, a gente vai dar as recomendações culturais da semana.
26:26No quadro Playlist.
26:30A minha recomendação da semana é um podcast.
26:34Oito anos atrás, o jornalista Rodrigo Alves criou o Vida de Jornalista.
26:37Um projeto em áudio bem legal, com episódios sobre grandes nomes e histórias do jornalismo brasileiro.
26:44Nesse ano, o Rodrigo criou o Vida Analógica.
26:46Uma série em quatro episódios para refletir sobre os rumos do jornalismo em meio à IA
26:51e sobre o quão dependentes todo mundo é das big techs e da tecnologia no geral.
26:57É um podcast voltado para a galera da comunicação,
27:00mas eu juro que qualquer um vai achar interessante o jeito que o Rodrigo decidiu contar essa história.
27:05Tudo de forma analógica.
27:06Ele gravou com fitas cassete, marcou entrevista via carta e usou vitrola para fazer a trilha sonora.
27:13Eu juro que ficou um experimento bem legal de ouvir.
27:15Ouve aí um trechinho.
27:16Tá na hora de botar uma musiquinha, né?
27:19O podcast tem que ter uma trilha sonora.
27:21E para entrar no clima, a trilha desse episódio vai ser com um disco de vinil na vitrola.
27:27Pode ser?
27:34O Vida Analógica está disponível em várias plataformas de áudio.
27:37Procure aí.
27:39O Mundo Super vai ficando por aqui, mas semana que vem tem mais.
27:42O programa vai ao ar na Veja Mais TV todos os domingos às 3 da tarde.
27:46E se você quiser assistir de novo esse episódio ou a outros que a gente já gravou,
27:50vai lá no YouTube da Super.
27:52Valeu e até semana que vem.
27:53Até.
27:54Tchau.
27:57Tchau.
28:10Tchau.
28:17Legenda Adriana Zanotto

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