- há 2 dias
Ciência, tecnologia, história, cultura... Você acompanha tudo isso há anos no site, na revista e nas redes da Super. Agora, temos também um programa de TV.
O Mundo Super é a sua dose semanal de conhecimento apresentada pela redação da Superinteressante. Na bancada estarão Rafael Battaglia, editor-chefe, e Maria Clara Rossini, editora-assistente. Outros membros da equipe também aparecerão ao longo do programa.
Em cada episódio, vamos mostrar notícias, curiosidades, entrevistas, dicas e reportagens aprofundadas. A ideia é transmitir em vídeo a mesma experiência da revista: conteúdos sobre os mais diversos temas explicados à nossa maneira, além do óbvio.
Alguns dos quadros do programa são inspirados em seções clássicas do impresso. No "Oráculo", por exemplo, a redação responde dúvidas enviadas pelo público. No "Conexões", ligamos personalidades que, à primeira vista, não têm nada em comum.
Com quase 40 anos de história, a Superinteressante é referência em jornalismo explicativo e divulgação científica. O Mundo Super é exibido todo domingo às 15h no Veja+TV, canal lançado em 2025 pelo Grupo Abril. É de graça. Basta estar conectado à internet.
Mundo Super
Quando?
Todo domingo às 15h.
Reprises às quartas, 21h.
Onde?
Canal Veja+TV:
Samsung TV Plus (canal 2059)
LG Channels (126)
TCL (10031)
Roku (22)
App NXTV
site de Veja.
Os episódios também ficarão disponíveis no YouTube.
O Mundo Super é a sua dose semanal de conhecimento apresentada pela redação da Superinteressante. Na bancada estarão Rafael Battaglia, editor-chefe, e Maria Clara Rossini, editora-assistente. Outros membros da equipe também aparecerão ao longo do programa.
Em cada episódio, vamos mostrar notícias, curiosidades, entrevistas, dicas e reportagens aprofundadas. A ideia é transmitir em vídeo a mesma experiência da revista: conteúdos sobre os mais diversos temas explicados à nossa maneira, além do óbvio.
Alguns dos quadros do programa são inspirados em seções clássicas do impresso. No "Oráculo", por exemplo, a redação responde dúvidas enviadas pelo público. No "Conexões", ligamos personalidades que, à primeira vista, não têm nada em comum.
Com quase 40 anos de história, a Superinteressante é referência em jornalismo explicativo e divulgação científica. O Mundo Super é exibido todo domingo às 15h no Veja+TV, canal lançado em 2025 pelo Grupo Abril. É de graça. Basta estar conectado à internet.
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Quando?
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Categoria
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AprendizadoTranscrição
00:01Esse som que você está ouvindo é provavelmente a gravação mais antiga já feita de uma baleia
00:06jubarte.
00:06O áudio foi gravado em março de 1949, perto das Bermudas.
00:11Naquele mês, pesquisadores estavam a bordo do navio Atlantis, fazendo testes de sonar
00:16e equipamentos acústicos.
00:18Gravar sons debaixo d'água ainda era uma técnica nova, e nem sempre ficava claro
00:22o que os pesquisadores estavam ouvindo.
00:24Agora, graças a um trabalho de digitalização do acervo, o áudio foi redescoberto e está
00:29sendo estudado pelos pesquisadores.
00:32E é com esse registro histórico de uma baleia falando baleiês que a gente começa o primeiro
00:38episódio do Mundo Super, o novo programa da Super Interessante.
00:42Pois é, essa revista aqui, com quase 40 anos de história, ganhou um programa só dela aqui
00:48na grade do Veja Mais TV.
00:49Eu sou o Rafa, editor-chefe da Super.
00:52E eu sou a Maria Clara, editora assistente.
00:54Eu e o Rafa seremos os apresentadores desse programa.
00:57Um passeio semanal pelo mundo da ciência, da tecnologia, da cultura e também pelos
01:02bastidores da Super.
01:03No programa de hoje, você vai ver a maior cobra selvagem do mundo, o relançamento de
01:09um produto fracassado da Nintendo, o primeiro protótipo de uma bateria quântica, a extinção
01:14dos anfíbios e muito mais logo depois da vinheta.
01:34Mas, Ita, me ajuda a medir o comprimento dessa mesa, por favor?
01:39Vamos lá.
01:41Vamos lá, atrás do computador.
01:44Deu dois metros.
01:45Dois metros?
01:46Uhum.
01:46Legal.
01:48Muito obrigado.
01:50Gente, a protagonista da primeira notícia do programa tem cinco metros a mais do que
01:55essa mesa.
01:56Recentemente, o Guinness reconheceu uma píton reticulada de sete metros e vinte e dois centímetros
02:02como a maior cobra selvagem já medida no mundo.
02:05O animal foi encontrado na ilha de Sulawesi, na Indonésia, e ganhou até o nome à altura,
02:10Ibu Barão, ou a Baronesa.
02:13Pra você ter uma ideia do tamanho, são necessárias cerca de nove pessoas pra carregar a cobra,
02:18já que ela pesa mais de 96 quilos.
02:20Pra ser reconhecido pelo Guinness, a medição tem que ser feita com fita métrica, que nem
02:25a gente fez aqui.
02:26Tem que ter registro em vídeo e foto.
02:28O registro da Baronesa foi feito pelo fotógrafo de vida selvagem Hadou Frentiu, e ela foi medida
02:34por Dias Nugraha, que é um guia turístico e tratador de cobras licenciado.
02:39Um detalhe é que a cobra não estava anestesiada quando foi medida pelos especialistas.
02:43Eles acreditam que, se ela estiver completamente relaxada, ela pode ser até 10% maior.
02:49A espécie Pithon reticulada já é conhecida por ser a mais longa do planeta.
02:54E apesar do tamanho assustador, ela não é venenosa.
02:57Essas cobras matam por constrição, ou seja, elas enrolam o corpo na presa até interromper
03:03a circulação e a respiração.
03:05Ataques a humanos são raros, mas eles existem.
03:08E o avanço humano sobre o habitat natural delas pode aumentar o encontro com essas cobras.
03:13Atualmente, a Baronesa está sob os cuidados de Budi Puruanto, ambientalista local que possui
03:19uma espécie de santuário para essas cobras selvagens.
03:22Mas ó, vale ressaltar que essa é a maior cobra já medida na natureza, mas tem em cativeiro
03:27uma que vence em tamanho.
03:29A medusa é uma piton que vive em uma atração de casa mal assombrada lá nos Estados Unidos.
03:34Em 2011, a medição oficial mostrou que ela tinha incríveis 7 metros e 67 centímetros
03:41de comprimento.
03:42Agora deixa eu te fazer uma pergunta, você se lembra do Virtual Boy?
03:46Se não, tudo bem, ele foi um fracasso da Nintendo nos anos 90, mas olha só, ele vai
03:52voltar.
03:52E quem contou o porquê é o editor Bruno Garatonin, no quadro Tech.
03:58Na década de 90, a indústria de games ficou obcecada com a realidade virtual.
04:05Só que os consoles domésticos da época não tinham nem de longe a capacidade de processamento
04:11necessária para isso.
04:12Depois de anunciar o seu capacete de realidade virtual e enrolar por alguns anos, em 94 a SEGA
04:20desistiu de lançar o produto.
04:22A desculpa da empresa, hilária, foi que o SEGA VR era realista demais.
04:29Mas a Nintendo foi adiante.
04:31Em julho de 95, colocou no mercado o Virtual Boy, um console totalmente dedicado à realidade
04:38virtual.
04:39Ele tinha gráficos tridimensionais, o que chamava a atenção, mas eram monocromáticos,
04:45na cor vermelha.
04:46Não emplacou, a Nintendo vendeu apenas 770 mil unidades do console antes de parar de
04:53fabricá-lo em 96.
04:56Agora o Virtual Boy está sendo relançado na forma de um acessório de 100 dólares para
05:02os consoles Switch e Switch 2.
05:04Também vai ter uma versão mais barata, de papelão, que vai custar 25 dólares.
05:09Em ambos os casos, o funcionamento é o mesmo.
05:12É só acoplar o dispositivo ao Switch e destacar os Joy-Cons para jogar 14 títulos do Virtual
05:19Boy, incluindo Tetris e Mario Tennis.
05:23Mas atenção, é preciso assinar o serviço Switch Online para jogar.
05:28Segundo a Nintendo, o acessório só será vendido nos Estados Unidos e no Canadá.
05:36Toda semana a gente recebe aqui na Super dezenas de perguntas dos nossos seguidores.
05:41É a gente querendo saber por que o céu é azul, se é possível dirigir um carro de
05:45Fórmula 1 na cidade e tem coisas bem peculiares, tipo se o gás do Pum é tóxico e pode matar.
05:51No nosso próximo quadro, a redação da Super selecionou algumas dessas perguntas, consultou
05:57especialistas e agora traz as respostas.
06:00Com vocês, o Oráculo.
06:05Silvestre Risato pergunta, se eu quisesse, eu poderia fabricar meu próprio caixão?
06:09A resposta é sim, mas ele precisa seguir várias regras, leis e normas específicas de cemitérios
06:16e também de agências sanitárias.
06:17O mais importante é que o caixão consiga impedir o vazamento de líquidos e substâncias
06:22do corpo para não contaminar o lençol freático, o solo da região e também os trabalhadores
06:27da funerária.
06:28Você já conhece aquele formato clássico de caixão que você sempre vê por aí nos
06:32cemitérios, mas na verdade ele não é obrigatório.
06:34O mais importante é que, claro, o corpo caiba dentro dele e que o fundo seja feito de
06:39um material biodegradável.
06:40A Anvisa, por exemplo, estabelece que os caixões devem ser feitos de material resistente
06:45impermeável e também há outras normas que proíbem secultamentos em caixões de metal.
06:50Então, se você está com a ideia de fabricar o próprio caixão, eu recomendo que você
06:54aposte em materiais mais clássicos, de madeira mesmo, como mogno e carvalho.
06:58Ah, e vai lembrar que esse caixão artesanal ainda tem que passar por vários testes, laudos
07:02técnicos e certificações para garantir que ele cumpra com todos os requisitos necessários.
07:08Sandro pergunta, eu poderia usar a gasolina do meu carro para abastecer um avião comercial?
07:12Não mesmo, não só porque a conta do posto ficaria altíssima, mas também porque os
07:16tipos de motores são diferentes.
07:18Os carros usam motores a pistão, em que a combustão da gasolina movimenta uma peça
07:22cilíndrica de metal que gera uma energia mecânica.
07:25Essa energia é passada por um sistema de transmissão que faz as rodas dos carros girarem.
07:29Já os aviões comerciais usam motores a jato, em que o ar é aspirado, comprimido e depois
07:35misturado ao combustível.
07:36A mistura entra em combustão e os gases são expelidos para trás, gerando aquela propulsão que faz o avião
07:42ir para frente.
07:43Por causa disso, o combustível de cada um tem especificidades diferentes.
07:47Já o querosene de avião é incolor, menos inflamável e tem uma maior estabilidade térmica.
07:52Ele suporta as temperaturas negativas, típicas de altitudes elevadas.
07:55Ele consegue ficar líquido e estável até chegar à câmara de combustão.
07:59Se algum maluco usasse gasolina de carro para abastecer um avião, o mais provável é que
08:03iria falhar e o motor a jato não iria conseguir funcionar.
08:06O David pergunta, qual a origem da expressão pão duro?
08:09E aí, se você pesquisar na internet, vai encontrar muitas, muitas versões falando que
08:14essa expressão surgiu de uma peça de teatro da década de 40 que tinha esse nome, o pão
08:18duro, de um dramaturgo chamado Amaral Gurcheu, do Rio de Janeiro.
08:22E aí, falava que essa peça era sobre um mendigo que ficava na porta de uma padaria pedindo pão
08:28velho.
08:28E aí, por isso pão duro.
08:30Mas quando ele morreu, todo mundo descobriu que, na verdade, ele era milionário.
08:34Então, por isso, ficou associado com uma pessoa avarenta.
08:37Daí, eu fui responder essa pergunta pra Super e eu pensei, gente, preciso de mais informações.
08:42E fui procurar o roteiro dessa peça, a história desse dramaturgo e não achava muita coisa.
08:47Eu descobri, com o bisnet do criador da expressão pão duro, ou seja, o bisnet do Amaral
08:52Gorgel, que a história não é bem assim.
08:54Ele não foi o criador da expressão.
08:56Essa expressão já circulava em jornais há muitas décadas.
08:59Acho que o registro mais antigo era a década de 20.
09:02Como realmente associado com uma pessoa avarenta e como se fosse um personagem comum.
09:06Tipo, encontraram um pão duro no Pará.
09:09E aí é uma história de uma pessoa que se passava por pobre, mas na verdade é rica.
09:13Um pão duro de saias, um pão duro de Moscou.
09:16E essa expressão existe há muito tempo.
09:18O que o teatro lá, a peça de 1940, fez foi usar essa expressão que já era popular nos jornais
09:25práticos para atrair o público.
09:27E aí teve um papel na popularização da expressão.
09:30E também não dá para saber quem foi que espalhou a versão de que teria sido essa peça que criou
09:34a expressão.
09:36Essa versão se popularizou nas últimas décadas.
09:39Mas o bisneto do Amaral Gurgel, o Guilherme Gurgel, que estuda o acervo do bisavô dele, está aí para falar
09:45que não é bem assim.
09:49Sabe quando a bateria do seu celular morre e você tem que ficar ali plantada do lado da tomada, como
09:54se tivessem te amarrado ali?
09:56Isso pode estar com os dias contados.
09:59Cientistas desenvolveram um protótipo de bateria que, no futuro, pode permitir recargas em segundos.
10:04Essa inovação é chamada de bateria quântica.
10:07Mas calma, isso ainda não está disponível para uso no dia a dia.
10:10O que os pesquisadores desenvolveram é uma prova de conceito, um experimento que mostra que essa ideia pode funcionar.
10:16Diferente das baterias tradicionais, como as de íon de lítio do seu celular, a bateria quântica não depende de reações
10:23químicas para armazenar energia.
10:25Em vez disso, ela usa princípios da física quântica.
10:28Entre eles, a superposição e o emaranhamento, que são fenômenos que só acontecem no mundo das partículas muito, muito pequenas.
10:36Na prática, isso muda a forma como a bateria carrega.
10:39Em baterias comuns, cada parte funciona de maneira independente.
10:43Isso significa que quanto maior a capacidade, mais tempo ela leva para carregar.
10:47É só pensar no celular, que leva uma hora para carregar, e um carro elétrico, que passa a noite inteira
10:53na tomada.
10:54Já na bateria quântica, todas as unidades trabalham de forma coletiva.
10:58Isso implica que quanto maior a bateria quântica, mais rápido ela carrega.
11:02Nos testes, os cientistas conseguiram carregar esse protótipo em femtosegundos, que são quadrilhonésimos de segundo.
11:10A energia ficou armazenada por nanosegundos, que parece pouco, mas esse tempo é cerca de seis ordens de magnitude maior
11:17do que o tempo de carregamento.
11:18Trazendo para unidades mais cotidianas, isso significa que uma bateria quântica que demorasse um minuto para carregar,
11:25seria capaz de armazenar energia por anos.
11:27O dispositivo funciona usando uma estrutura microscópica capaz de capturar luz.
11:33Essa energia é enviada por um laser e aí convertida em eletricidade.
11:38Ou seja, é um sistema sem fio, baseado em luz, e não em cabos ou tomadas tradicionais.
11:44Mas, apesar de todo esse potencial, ainda existem limitações importantes.
11:49A principal delas é a capacidade.
11:51A quantidade de energia armazenada hoje é muito pequena, insuficiente para alimentar um celular e muito menos um carro elétrico.
11:59Mesmo assim, os cientistas consideram esse avanço um marco.
12:02É a primeira vez que uma bateria quântica funcional completa o ciclo de carregar, armazenar e liberar energia.
12:09Antes, os protótipos só conseguiam ser carregados, mas não descarregar a energia de forma útil.
12:15As possíveis aplicações futuras são promissoras.
12:17Além de celulares, a tecnologia pode ser usada em carros elétricos e até na transmissão de energia sem fio.
12:23Imagina estar dirigindo o carro e não precisar parar para encher a bateria.
12:27Tudo seria feito por laser.
12:29No curto prazo, os primeiros usos devem aparecer na computação quântica, que já trabalha com fenômenos semelhantes.
12:35Mas, ó, vale ressaltar que vai levar tempo até que essa tecnologia chegue no mercado.
12:40Mas, se os desafios forem superados, você pode dizer adeus para as horas infinitas de carregamento.
12:46E você sabia que 40% das espécies de anfíbios estão ameaçadas de extinção?
12:51O Rafa aqui preparou uma reportagem para falar sobre o que está acontecendo com as rãs, sapos e salamandras mundo
12:57afora.
12:58Fiquem agora com o quadro Super Doc.
13:04Esses animais fofinhos que você está vendo aí na tela são os acholotes.
13:08Eles são um tipo de salamandra natural do México e são muito famosos por lá.
13:13Eles estão no peso mexicano e nas lojinhas de souvenir, onde dividem espaço com os Chaves e a Frida Kahlo.
13:19Mas não é só a fofura deles que chama a atenção.
13:21Os acholotes são estudados pela ciência pela sua alta capacidade de regeneração.
13:26Eles conseguem recuperar membros inteiros que foram amputados e até partes do cérebro e do coração.
13:32Eles são tipo o Wolverine da vida real.
13:37Os acholotes são comuns em laboratórios e como bichinhos de estimação.
13:42Mas na natureza tem sido cada vez mais difícil de encontrá-los.
13:46Restam só uns mil lá no México.
13:48Os acholotes são anfíbios, uma classe de animal que existe há mais de 300 milhões de anos.
13:54São mais de 9 mil espécies no mundo.
13:56E os acholotes, eu sinto falar pra você, não são os únicos em perigo.
14:01Segundo um estudo publicado na revista Nature, mais de 40% das espécies de anfíbios estão ameaçadas de extinção em
14:08algum nível.
14:09Não é nenhuma novidade. Nos anos 80, essa taxa já era de 38%.
14:15Afinal, por que isso está acontecendo?
14:17Bom, é claro que a perda de habitat e as mudanças climáticas ajudam a explicar o problema.
14:22Só que, no caso dos anfíbios, tem um fator a mais.
14:26Existe um fungo letal que, desde o século 20, se espalhou pelo mundo e colocou centenas de espécies em risco.
14:33Fica aí que eu já te conto essa história.
14:43Existem três grupos principais de anfíbios.
14:46O das salamandras, o das cecílias ou cobras cegas e o dos anuros, que são os sapos, rãs e pererecas.
14:53Se você não lembra a diferença entre eles, calma que eu te explico.
14:57Os sapos têm a pele mais grossa e preferem a terra.
15:01Já as rãs gostam das lagoas e as pererecas são as que escalam árvores.
15:05Os anfíbios descendem do Sarcopteryge, que é o grande ancestral de todos os tetrápodes,
15:12que são os vertebrados de quatro membros, que nem eu, você e a Eguinha Pocotó.
15:16Os Sarcopteryge eram animais aquáticos.
15:20Alguns deles tinham pulmões, nadadeiras bem desenvolvidas e uma pele permeável, que permitia trocas gasosas.
15:27Essa saladona de características fez com que eles conseguissem andar e respirar fora d'água.
15:33É claro que essa conquista da terra não veio da noite pro dia.
15:37Ela começou no período devoniano, há 400 milhões de anos, e só vingou no carbonífero, há uns 300 milhões de
15:44anos,
15:45onde é considerado a era dos anfíbios.
15:47Dar um rolê na superfície era um bom negócio pra esses animais.
15:51Na água, a competição por comida era bem grande e eles precisavam ficar em alerta pra não virar jantar de
15:58tubarão.
15:59Quem pôs a cabeça pra fora encontrou um cenário bem diferente, sem predadores e com um buffet de insetos à
16:06disposição.
16:06As espécies maiores eram presas mais visíveis e aí acabaram extintas.
16:11Mas sobraram as pequenas que seguem com a gente.
16:14Beleza, qual é a primeira coisa que vem na sua cabeça quando a gente fala em sapos?
16:19Talvez o ciclo de vida deles, que se divide na fase aquática com os girinos e na fase terrestre?
16:25Bom, isso realmente é algo bem comum, mas essa não é a característica que define os anfíbios.
16:32O que une eles é a ausência de anexos epidérmicos.
16:36Vou traduzir.
16:36É que eles têm a pele lisinha, sem penas, pelos nem escamas.
16:41Essa skin care invejável ajudou os anfíbios a sair da água.
16:46Só que hoje essa vantagem é o principal ponto fraco deles.
16:51Em 1989, aconteceu no Reino Unido o primeiro congresso mundial de herpetologia,
16:58que é a área que estuda anfíbios e répteis.
17:01De cara, dezenas de pesquisadores perceberam algo incomum nos seus trabalhos.
17:05Em várias partes do mundo, os anfíbios estavam morrendo.
17:09Os cientistas já acompanhavam esse fenômeno de forma isolada desde os anos 70.
17:14Mas foi a partir daí que o problema começou a ser encarado como um fenômeno global.
17:19Dez anos depois, a ciência finalmente descobriu a culpada pela matança.
17:23Era a quitrideomicose, uma doença causada por dois fungos.
17:28O quitrideo, que é conhecido como BD, e o Bessal, que é uma espécie irmã e que ataca só salamandras.
17:36O BD e o Bessal são fungos aquáticos.
17:39E as suas células reprodutivas têm rabinhos usados para se locomover, tipo um espermatozoide.
17:44Elas podem ser carregadas pela chuva, pela neblina e, claro, por outros animais infectados.
17:50O quitrideo invade os anfíbios pela pele.
17:53Lembra que eu falei que eles não têm nenhuma camada de proteção?
17:56Pois é, o caminho fica livre para o fungo, e o estrago é grande.
18:01O fungo desregula a entrada de oxigênio e sais minerais, o que leva à insuficiência cardíaca.
18:07O Bessal é ainda mais agressivo, já que ele também causa úlceras e lesões.
18:11A linhagem do quitrideo vem da Península da Coreia.
18:14Lá, algumas espécies de anfíbios já estavam acostumadas com o fungo.
18:18Só que na primeira metade do século XX, uma variante se espalhou e deu origem a várias cepas,
18:24algumas delas bem violentas.
18:26E aí passaram a infectar espécies que não tinham uma imunidade prévia.
18:31O quitrideo já afetou mais de 500 espécies de anfíbio, e dizimou 90 delas.
18:36Mas, afinal, como é que ele se espalhou pelo mundo?
18:39Bom, isso aconteceu graças ao aumento do comércio de anfíbios, principalmente para a alimentação.
18:45Pois é, apesar de não ser a carne mais consumida no mundo, sapos, rãs e companhias são preparos
18:51típicos em diversas culturas, principalmente na Ásia e em países como França e Bélgica.
18:57Estima-se que o mundo consuma 3 bilhões de sapos e rãs por ano.
19:01O problema é que esse é um setor pouco regulado, que explora espécies já ameaçadas e coloca outras em risco.
19:09Os Estados Unidos, por exemplo, preferem que os anfíbios cheguem lá ainda vivos,
19:13o que aumenta o risco de transmissão de doenças pelo caminho.
19:17Mesmo um mercado com mais regras, como a Europa, ainda peca pela falta de fiscalização.
19:22A maior parte da produção mundial acontece em criadouros de rãs, os ranários.
19:27No Brasil, o primeiro surgiu ainda em 1935.
19:31Só que a produção só ganhou tração nos anos 80.
19:35Foi nessa época que países com tradição na produção de rãs, como Índia e Bangladesh,
19:40proibiram a exportação do animal.
19:42A partir daí, outros países tomaram a dianteira e seguem na liderança até hoje, como é o caso da Indonésia.
19:48O Brasil chegou a ser o segundo maior criador do mundo, com 600 ranários.
19:52Hoje, a produção é mais modesta.
19:54São 151 fazendas que, juntas, produzem 400 toneladas por ano.
19:59A rã mais popular por aqui é a rã touro-americana.
20:03Todos os produtores têm que ter registro no Ibama e há diretrizes do governo federal para uma produção sustentável.
20:09O problema é que a fiscalização é insuficiente.
20:12Um estudo da Unicamp, por exemplo, detectou a presença do quitrídeo em todos os ranários do Brasil.
20:18A rã touro é imune ao fungo, só que ela pode servir de vetor,
20:22já que é bem comum que ela escape das fazendas e vá para a natureza.
20:28Existem esforços regionais de conservação, que monitoram a doença e capacitam os produtores.
20:34Mas ainda falta um plano nacional mais estruturado para combater o fungo.
20:39Diante de tantos problemas ambientais que a gente vê por aí, pode parecer besteira falar dos sapinhos.
20:45Mas saiba que os anfíbios têm um papel fundamental na natureza.
20:48Eles estão bem no meio da cadeia alimentar.
20:51Sem ele, os seus predadores ficam sem comida.
20:54Ah, e a população de insetos, claro, cresceria absurdamente.
20:58Num cenário assim, as plantações teriam que usar mais pesticida para conter os insetos.
21:03E o resultado seria uma alta no preço dos alimentos.
21:06Ou seja, a compra no mercado ficaria muito mais cara.
21:10E tudo por causa dos anfíbios.
21:12O quitrídeo não é invencível.
21:14Dá para matá-lo com antifúngicos, certos tipos de vírus e até com calor.
21:19Melhor lidar com isso agora, antes que a situação se torne irreversível.
21:25Muito obrigado, Rafa. Muito simpático você.
21:28Astrônomos podem ter testemunhado um dos eventos mais raros do universo, a colisão entre dois planetas.
21:35O possível impacto aconteceu num sistema estelar a cerca de 11 mil anos-luz da Terra.
21:40Essa colisão pode ajudar a explicar como que planetas se formam, inclusive o nosso.
21:45A descoberta foi feita por pesquisadores da Universidade de Washington, que analisavam o comportamento de uma estrela chamada Gaia 20EHK.
21:54É, é dificilzinho mesmo.
21:55Ela fica na direção da constelação de Pupis.
21:58Essa é uma estrela semelhante ao Sol, que costuma ter um brilho regular.
22:02Mas não foi isso que os cientistas observaram.
22:05A partir de 2016, o brilho da estrela começou a cair de forma irregular.
22:10E, por volta de 2021, o comportamento ficou ainda mais estranho.
22:14Ao mesmo tempo em que a luz visível diminuía, a emissão de radiação infravermelha aumentava.
22:20Isso é um sinal importante, porque indica a presença de material quente, como poeira e detritos, orbitando a estrela.
22:26A melhor explicação para esse fenômeno é justamente a colisão entre dois planetas.
22:31Quando dois corpos desse porte se chocam, o impacto gera uma enorme nuvem de fragmentos, com rochas, poeira e gás
22:39superaquecido.
22:40Esse bolo de matéria forma uma nuvem que pode ficar anos ao redor da estrela.
22:45Essa nuvem bloqueia parte da luz da estrela e, ao mesmo tempo, emite calor, e é exatamente o padrão da
22:51nova descoberta.
22:52Eventos como esse são extremamente difíceis de observar.
22:55Eles acontecem em escalas de tempo muito longas.
22:58E, muitas vezes, já terminaram quando conseguimos detectá-los.
23:02Por isso, essa colisão é tão valiosa.
23:04Ela está sendo captada agora pelos instrumentos que temos aqui na Terra.
23:08Além disso, o fenômeno pode ajudar a explicar a origem do nosso próprio planeta.
23:12A principal teoria sobre a formação da Lua diz que ela surgiu após uma colisão entre a Terra primitiva e
23:18um corpo do tamanho de Marte,
23:20há mais ou menos uns 4 bilhões de anos.
23:23Os detritos dessa colisão teriam ficado em volta da Terra por muitos e muitos anos, até que, aos poucos, eles
23:29foram se aglutinando e aglutinando até formarem a Lua.
23:33Impactos gigantescos como esse fazem parte do processo de formação de sistemas planetários.
23:38Por isso, estudar esse tipo de evento em outras estrelas ajuda os cientistas a reconstruir a história do nosso próprio
23:44sistema solar.
23:45Com telescópios mais avançados, como o do observatório Vera C. Rubin, inaugurado no Chile,
23:51os astrônomos acreditam que poderão identificar eventos semelhantes a esse.
23:58Para finalizar o programa, temos duas indicações para fazer.
24:02Esse é o quadro final do Mundo Super, chamado Playlist.
24:08Má, começa você, por favor, com as suas indicações.
24:10Beleza.
24:11Aqui nas minhas mães...
24:13É melhor morrer pelas minhas mães do que morrer na mão do inimigo, meu nobre.
24:16Está o jogo entre linhas, versão super interessante.
24:19Esse é um jogo cooperativo, então não tem competição entre os jogadores.
24:23Todos têm que trabalhar juntos para fazer o maior número de pontos possível.
24:27As cartas são dispostas numa mesa, como se fosse uma matriz.
24:31Em cima, tem os números de 1 a 5 e, na lateral, as letras de A a E.
24:35Embaixo de cada um desses, você coloca uma palavra escolhida aleatoriamente.
24:40Na versão da Super, a gente colocou várias palavras relacionadas à ciência.
24:43Daí, cada jogador tira uma carta dessas, que tem uma letra e um número.
24:48E o objetivo é dar uma dica para os outros jogadores que relacionem essas duas palavras.
24:53Os outros jogadores têm que entrar em consenso para falar quais são as palavras relacionadas.
24:58O objetivo é acertar todas as combinações, mas a gente já adianta que isso é bem difícil.
25:03Valeu, Mazita. A minha recomendação, para surpresa de ninguém, é mais um jogo da Super Interessante.
25:11Esse aqui é a nossa versão do E-Top.
25:14São mais de 100 cartas inéditas e, assim como o Entre Linhas, também foi produzido pela equipe da Super.
25:20O objetivo aqui é acertar o Top 10 de algum assunto aleatório.
25:24Por exemplo, quais são as séries de TV mais caras da história.
25:28Ao longo da rodada, os jogadores vão dando palpites.
25:31E os outros jogadores podem aceitar o palpite ou contestar.
25:35E é aí que a coisa fica legal.
25:37Se você contestar um palpite e estiver certo, o jogador que falou abobrinha perde uma vida.
25:42Agora, se você estiver errado, é você que perde.
25:46O E-Top é daqueles jogos legais de jogar em festa.
25:49Você tem que manter a pose e sustentar, mesmo que você não faça ideia do que está falando.
25:54E é com esses dois jabás aqui que a gente se despede do primeiro mundo super.
25:58Agora, você pode acompanhar a gente toda semana aqui no Veja Mais.
26:02E, claro, continuar seguindo a gente nas redes sociais, lendo nosso site e comprando a nossa revistinha.
26:09Tem super em formato para todos os gostos.
26:11É isso aí, gente. Até a próxima.
26:13Até.
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