- há 9 minutos
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NotíciasTranscrição
00:06Muito bom dia, bem você está no ar. Obrigada pela sua companhia nesta manhã de segunda-feira.
00:12Você sabe que a gente sempre começa aqui a semana trazendo um alerta importante de saúde.
00:18Presta bem atenção no tema de hoje.
00:20Setembro é considerado o mês vermelho, dedicado à conscientização e à prevenção das doenças cardiovasculares.
00:27E o alerta este ano vem de um dado preocupante.
00:30O infarto tem crescido cada vez mais entre os jovens.
00:34As internações por infarto em pessoas de até 39 anos aumentaram 59% em uma década, com alta de 9
00:44% nas mortes dentro desse grupo.
00:46O que era considerado um problema de idosos, de pessoas mais velhas, hoje se tornou prioridade para quem ainda nem
00:53chegou aos 40.
00:54O alerta reflexo de quê? Do sedentarismo, da mal alimentação, do estresse crônico da vida moderna.
01:00Para falar sobre este assunto e trazer também um pouquinho mais sobre conscientização e prevenção dessas doenças cardiovasculares,
01:08a gente recebe a médica cardiologista Cecília Cavalcante.
01:12Bom dia, doutora Cecília. Tudo bem?
01:14Bom dia, Thais. Um prazer estar aqui mais uma vez.
01:16Setembro é um mês super importante, né?
01:19Um mês que vocês acendem ainda mais esse alerta com relação a essas doenças cardiovasculares.
01:26E um dado que preocupa bastante, né?
01:28Esse aumento do infarto entre jovens.
01:31Sim. Setembro é um mês de muitas cores, Thais.
01:33É um setembro amarelo que chama atenção para a prevenção da doença mental e de suicídio.
01:38Ele também é verde numa campanha muito importante de estímulo à doação de órgãos.
01:43E ele é vermelho, ele é bem vermelho para chamar atenção à população,
01:48para cuidar da sua saúde em relação às principais causas de morte no mundo,
01:53que são as doenças cardiovasculares.
01:55Dado importante, que é o aumento do internamento por infarto entre jovens no Brasil.
02:02E isso traz um alerta muito grande a essa população que acha que juventude é um escudo para a doença
02:09do coração.
02:10E, na verdade, não é.
02:11Exatamente isso, né?
02:12A gente sempre tem essa ideia de que doença do coração está associada a pessoas mais velhas, né?
02:17E que o jovem, ele vive ali a vida que foi e não vai ter problema.
02:21Mas antes da gente entrar um pouco mais nesse assunto, né?
02:25Do infarto entre jovens, né?
02:27As causas também, os sintomas que podem surgir.
02:31E vamos falar um pouquinho sobre mitos e verdades, já que a gente está no Setembro Vermelho,
02:34para a gente dar uma geral aí no que a população ainda pensa que é mito ou que é verdade,
02:40tá?
02:40A gente preparou uns cards aqui com as principais frases, né?
02:44Que as pessoas ainda têm algumas dúvidas.
02:47Sobre o cigarro, por exemplo, a gente já começa com esse.
02:50O cigarro só faz mal ao pulmão e não causa problemas no coração.
02:56Isso é mito ou é verdade?
02:56Mito, um grande mito.
02:57Muito mito, né?
02:58Grande mito.
02:59O cigarro, na verdade, a nicotina, seja ela através do cigarro convencional
03:03ou através do cigarro eletrônico, do vape, ele é um risco dos maiores para a doença cardiovascular.
03:10Inclusive, esse vape, ele está muito acessível aos jovens, né?
03:14Exatamente.
03:15Que acham gostosinho, que acham que é uma coisa que não faz tanto problema, né?
03:20Alguns jovens acreditam que o vape nem nicotina tem e que mal não faz.
03:24Quando, na verdade, é um dispositivo que causa ainda mais dependência do que o cigarro convencional
03:29e precisa ser bastante combatido na prática, no hábito entre os jovens.
03:34Agora, doutora, a gente vem de uma geração que decidiu não fumar, né?
03:40Acabou com... ou diminuiu, reduziu bastante esse hábito do cigarro.
03:44E aí vem essa nova geração voltando com esse vape.
03:47É preocupante, né?
03:48E, infelizmente, uma crescente na exposição à nicotina, principalmente entre os jovens, né?
03:54Foi um dispositivo muito atraente para essa população, que faz o uso recreativo desse dispositivo
04:02e muitas vezes desconhece o risco que está trazendo para a saúde.
04:07Ó, vamos para o próximo assunto.
04:09Café. Tomou muito café, Dola?
04:13Uma jarra de café.
04:14E o coração fica acelerado, palpitando.
04:16Fica palpitando.
04:17Já é fraco, né?
04:18Já é fraco, né?
04:19Mas o café vem para...
04:20Para dar um ar.
04:21Ó, café faz mal ao coração e deve ser evitado para prevenir doenças cardiovasculares.
04:27Thaís, isso ainda bem que é mito.
04:29Falou aqui uma pessoa que adora café.
04:31Isso é mito.
04:32É uma jarra de café por dia de...
04:34Não, é exatamente.
04:35O exagero, ele nunca é bom, tá?
04:38Para nada.
04:39Então, mas o consumo moderado do café, ele não causa problema para a maioria das pessoas, né?
04:44O consumo moderado seria mais ou menos o que a gente fala em 400mg de cafeína, o que
04:49daria mais ou menos a 3 ou 4 xícaras de café coado no dia.
04:55Se for expresso, é um café mais forte, essa quantidade vai cair para metade na recomendação.
05:01O cuidado que se deve ter é com o excesso e entre as pessoas mais sensíveis à cafeína,
05:06aquelas pessoas realmente que sentem como se fossem sintomas de ansiedade, coração acelerado,
05:11uma sudorese, uma falta de concentração.
05:14Aí sim, isso não vai estar fazendo bem para essa pessoa.
05:17Mas de uma maneira geral, é mito.
05:19E o café, ele por si só, não faz mal ao coração, tendo até alguns dados que mostram benefícios.
05:24Tem que vir com moderação.
05:26Moderação.
05:27Agora, o café também, sendo consumido no fim da tarde e à noite, é ruim porque interfere no sono.
05:32E uma boa qualidade de sono é bom para o coração também, né?
05:35Exatamente.
05:36A gente deve evitar com que o consumo exagerado do café interfira em outras variáveis, né?
05:42Que não lhe deixe mais ansioso, que não lhe prive o sono, porque aí sim, de forma
05:46forma secundária, ele vai estar prejudicando a sua saúde global.
05:49E se você é sensível à cafeína e tem realmente o sono prejudicado com o consumo do café,
05:55você ajusta esse consumo para os horários mais cedos do dia.
06:01Olha aí, vamos para o próximo?
06:03Problemas cardíacos sempre dão sinais antes de acontecer?
06:07Mito.
06:08Mito.
06:09Mito, isso.
06:09Ah, a gente pensa que vai sentir alguma coisa, né?
06:11Uma dor no coração, uma...
06:13A gente tem como fator de risco para problemas cardíacos, o mais muito frequente, endêmico,
06:19o nosso meio é a hipertensão, que é uma doença perigosíssima por ser exatamente silenciosa.
06:24A pressão alta, ela não traz sintoma algum.
06:27Muitas vezes acha que, ah, porque vai dar dor de cabeça.
06:29Eu não devo ter pressão alta, eu não tenho dor de cabeça.
06:31Isso é um mito que a gente combate.
06:33Pressão alta, ela não vai dar dor de cabeça.
06:36A pressão alta, ela é silenciosa e por isso mesmo ela é tão perigosa.
06:40Até mesmo existem infartos que acontecem de forma silenciosa, tem infartos também.
06:46Então, assim, a gente não tem que esperar que o coração avise que está adoecendo.
06:52A gente não precisa esperar o primeiro sinal.
06:55É por isso que a prevenção é tão importante para a doença cardiovascular.
06:59Para a detecção precoce daquelas doenças que a gente pode modificar esse rumo e não
07:04deixar o pior acontecer.
07:05O infarto, ele sempre tem aqueles sinais clássicos, porque quando a gente imagina
07:10que uma pessoa está infartando, é aquela dor no peito forte, a pessoa, né, desmaia,
07:14cai no chão.
07:15Mas a pessoa pode sentir outros sintomas, completamente diferentes, e está infartando?
07:19Com certeza.
07:20Tem os chamados sintomas atípicos que são mais comuns em mulheres, idosos e diabéticos.
07:27Essa população é uma população que precisa de muita atenção para sintomas de infartos
07:32que não são os habituais, né?
07:34Como você bem falou, se espera que uma pessoa infarte com a dor no peito, apertando, que
07:39corre para os braços, que corre para o pescoço, que vem junto com a falta de ar, um suor frio,
07:44mas nem sempre vem assim.
07:45Como eu falei, é uma população de mulheres diabéticos e idosas, às vezes, apresentam
07:51sintomas completamente atípicos, de uma sensação de uma fadiga que ela não consegue
07:55explicar.
07:56Um cansaço.
07:57É uma cansaço, exatamente, uma sensação de cansaço, que ela não fala nem como falta
08:00de ar, mas é um cansaço, uma astemia, uma indisposição.
08:04Muitas mulheres chegam na emergência assim, tem alguma coisa diferente.
08:08Apenas com esse relato.
08:10E aí sim, pode ser um infarto.
08:12Olha aí.
08:14Vamos para o próximo?
08:15Alguns alimentos realmente beneficiam a saúde do coração?
08:20E quais seriam esses alimentos?
08:21Verdade.
08:21É exatamente os alimentos que muito se propaga sobre alimentos mais saudáveis.
08:26Então, frutas, legumes, verduras, carnes magras, são os alimentos que realmente, na
08:34verdade, previnem doenças como hipertensão, colesterol elevado.
08:39Então, dessa forma indireta, elas trazem benefício para a saúde cardiovascular.
08:44Exatamente, por não só prejudicar e trazer outros benefícios diretos, por ser rico nutricionalmente
08:51mesmo.
08:51E aí ficar muito de olho em quais taxas, na hora ali de fazer o check-up, os homens de
08:56100, quais são as taxas que a pessoa olha e diz, não, peraí, essa taxa aqui está alterada,
09:01então existe um risco direto associado a um problema cardiovascular.
09:06Principalmente o colesterol e a glicose também, porque a diabetes é um fator de risco muito
09:10importante.
09:11Mas taxa de colesterol alterado já é motivo suficiente para você procurar um médico
09:17e conversar sobre qual seria o valor normal para você, porque não é o mesmo para todo
09:21mundo, não é aquele que vem lá no papelzinho do laboratório.
09:25Muito cuidado com isso, porque as pessoas olham lá o valor de referência, acham que
09:29o seu colesterol está normal, baseado naquele papel, quando na verdade, graças ao seu risco
09:35cardiovascular, o seu normal não é aquele.
09:37Então, qualquer dúvida, procurar seu médico para esclarecer se aquilo ali está tudo bem.
09:41Mas, principalmente, taxa de colesterol e glicose são grandes alertas para a sua saúde.
09:49Certo.
09:50Outro, vamos para o próximo.
09:52Quem pratica exercícios regularmente está livre de doenças do coração?
09:59Mito.
10:00Isso é um grande mito.
10:01Um mito e um alerta, porque muitos atletas acham que são saudáveis por serem atletas.
10:08E não são, né?
10:10Na verdade, o exercício é um importante hábito, uma importante prática para a saúde.
10:16De fato, sabemos dessa importância.
10:18Mas ele não isenta aquela pessoa que pratica o exercício, muitas vezes, bem recomendado,
10:25bem orientado.
10:26Isso não isenta esse praticante do esporte a doenças cardiovasculares.
10:30Mas, inclusive, principalmente, se ele faz uso de substâncias, às vezes, para melhorar
10:36a performance do exercício, que aumente seu risco.
10:39Muitas vezes, testosterona, alguns estimulantes, pré-treinos com muito energético.
10:47Então, isso tudo vai aumentando o seu risco, na verdade.
10:50Então, muita atenção.
10:52Exercício é recomendado, certo?
10:54Ele precisa ser feito, mas ele não faz com que você esteja livre de doenças.
11:02Você sempre tem um acompanhamento médico, fazer o check-up, né?
11:06Cardiológico.
11:06Olha só, como a gente falou no início do programa, jovens também podem sofrer infarto.
11:12E quando a gente fala em jovens, a gente está falando aí de qual idade, mais ou menos?
11:16A partir dos 18 anos, Thais.
11:17A gente tem dados brasileiros de aumento no diagnóstico de infarto a partir dos 18 anos.
11:24Então, isso é uma verdade, uma verdade perigosa, porém real.
11:29É impressionante, né?
11:31Esse dado aqui, porque a gente sempre tem no nosso imaginário, né?
11:35De que um infarto, ele acontece em pessoas mais velhas, em pessoas obesas, em pessoas sedentárias.
11:43E existe todo um acompanhamento que você precisa ter, né?
11:48Para ver a sua condição cardiológica.
11:51Vamos fazer o seguinte, a gente vai continuar conversando sobre, principalmente sobre esse assunto, né?
11:56Sobre jovens que estão cada vez mais tendo infarto.
12:00Mas antes, eu quero dar um recadinho para vocês.
12:04Preste atenção nessa dica imperdível.
12:06Se tem uma coisa que a gente sabe, é que o futuro começa com uma boa escolha.
12:11E quando o assunto é carreira, o Senac é aquele caminho que vale a pena seguir e indicar.
12:17Há 80 anos, o Senac forma profissionais com qualidade, inovação e conexão com o mercado.
12:25Transformando a vida de milhares de pessoas todos os anos.
12:28Porque aprender, se preparar e buscar novas oportunidades, também é um jeito de construir o amanhã.
12:36Senac, 80 anos. A gente se vê amanhã.
12:41Agora a gente faz um rápido intervalo e daqui a pouco a gente volta falando mais sobre mitos, verdades.
12:47Sobre os sintomas dos infartos nas pessoas jovens com a doutora Cecília Cavalcante.
12:53Já, já.
13:00Bem, você de volta, você acompanhou aí no primeiro bloco a gente falando sobre mitos e verdades relacionados aos problemas
13:09cardiovasculares.
13:11Estamos no mês de setembro, do setembro vermelho, mês de conscientização à prevenção de doenças relacionadas ao coração.
13:19Estamos aqui com a médica cardiologista Cecília Cavalcante, que vai falar pra gente agora sobre os sintomas do infarto em
13:27pessoas jovens.
13:27Tem aumentado o número de pessoas com menos de 40 anos que são internadas por problemas cardiovasculares.
13:35E eu queria saber se esses sintomas são semelhantes ao que a gente vê nas pessoas mais velhas.
13:40Sim, Thaís. Os sintomas são semelhantes. Os jovens, eles normalmente infartam com apresentação clássica do infarto, com uma dor em
13:49aperto no peito, com falta de ar, suor frio, certo?
13:53Porém, é uma população que não espera que mesmo com sintomas clássicos isso seja um infarto, por achar que devido
13:59à idade não são suscetíveis a esse evento.
14:04O que acontece é que essa população, além de apresentar hoje em dia fatores de risco que são considerados clássicos
14:13do infarto,
14:14mais precocemente, que é a pressão alta, o diabetes, o colesterol alto, é uma população que tem seu perfil cardiovascular
14:21modificado ao longo dos anos.
14:24Por ser uma população que anda de forma semelhante à população adulta, economicamente produtiva, mais madura, de ser uma população
14:32com estresse, ansiedade.
14:34Uma população jovem, mas que não dorme bem, por inúmeros motivos, que não se alimenta bem.
14:41Então ele começa a desenvolver essas doenças que são fatores de risco de uma forma mais precoce,
14:47por esse comportamento dentre os jovens que já reproduzem aquela população mais velha.
14:53E fora isso, eles agregam outros fatores de risco que também são grandes complicadores,
14:59como, por exemplo, o aumento da exposição à nicotina com o uso do vape, do cigarro eletrônico,
15:05o uso de esteroides anabolizantes, que é maior entre os jovens,
15:10a utilização de estimulantes sexuais de uma forma recreativa, que tem sido uma epidemia entre os jovens,
15:17que também aumenta o risco desses jovens, certo?
15:20Então isso é uma somação de fatores de risco para o coração,
15:25que vai se acumulando, se concentrando nessa população mais jovem,
15:29que termina tendo esse desfecho que para eles e para a população, de maneira geral, é inesperado.
15:34Você falou aqui sobre ansiedade, né?
15:37Que eu acho que é um mal que tem acometido muita gente, pós pandemia principalmente, né?
15:42O que a gente pode fazer no nosso dia a dia, né?
15:45Para a gente conseguir melhorar essa questão de ansiedade.
15:49Claro que, né?
15:50Quando é um caso muito extremo, a pessoa precisa ir para um médico, tomar um remédio,
15:55mas assim, quais os pequenos hábitos que a gente pode modificar no nosso dia a dia
15:58para a gente melhorar esse ponto?
16:00Tá, Thais, eu acho que a rotina saudável ajuda muito em relação à ansiedade, né?
16:07Até para os jovens a gente ensinar que o dia a dia ele precisa de uma rotina saudável,
16:12e a rotina saudável vai incluir tudo aquilo que você precisa fazer,
16:16mas que caiba dentro do seu tempo, certo?
16:20Orientar a estabelecer a meta daquele dia,
16:22porque o que a gente vê é que são muitos jovens perdidos em relação às suas funções,
16:26em suas tarefas, responsabilidades que eles não sabem lidar.
16:29Tem uma questão geracional da expectativa, assim, de ser tudo muito breve.
16:35Então, essa questão é muito complexa.
16:37Ele precisa ser visto de forma individual, né?
16:40A situação de vida de cada jovem, o momento que eles vivem, né?
16:44Momentos de estresse, sabidamente conhecido pela família,
16:48como, por exemplo, situações pré-vestibular, pré-concurso público.
16:52Então, dá mais uma atenção nesse momento, né?
16:55Mas a questão de rotina saudável, não abandona a prática de exercício,
16:59não deixa de se alimentar bem, tenta preservar o sono,
17:03mantenha as boas relações sociais,
17:06separa aquele tempo pra fazer o que você gosta de fazer.
17:09Isso, sim, diminui a ansiedade.
17:10E, obviamente, procurar um profissional, um psicólogo, né?
17:14É sempre recomendado.
17:15Se a pessoa não tá se sentindo bem,
17:17ou se tá, realmente, num momento que vai gerar ansiedade,
17:21sabidamente, pra poder conversar
17:23e poder ser acompanhado da melhor forma possível.
17:27E, falando ainda sobre infarto, né?
17:29A pessoa que está ao lado da pessoa que tá infartando,
17:32o que a gente faz nessa hora, assim?
17:34Pega a pessoa, leva imediatamente pra emergência?
17:38Ou tem algo que a gente possa fazer pra ajudar naquele momento?
17:41Enfim, o que é que se faz?
17:43Não, não existe uma orientação específica do que uma pessoa ao lado
17:46possa fazer quando a pessoa está referindo a algum sintoma.
17:50O que se tem que fazer é valorizar o sintoma
17:53e procurar uma ajuda médica pra avaliação.
17:55Realmente, só o médico vai conseguir afastar,
17:58em definitivo, se aquilo é um infarto ou não.
18:00O que a gente tem de algumas medidas necessárias
18:04que podem ser úteis à população
18:05é um paciente já com um evento de desfecho pior possível
18:09com uma parada cardíaca.
18:10E aí, sim, existem alguns treinamentos de reanimação, né?
18:15Que são direcionados pra população geral,
18:18que algumas pessoas são treinadas a fazer,
18:21inclusive pessoas não necessariamente da área de saúde,
18:24que faz o que a gente chama de BLS,
18:26que é o suporte básico de vida,
18:27que aí, sim, pode fazer,
18:30iniciar uma reanimação,
18:31mas de antemão, antes de qualquer conduta,
18:33inclusive, numa situação de parada cardíaca,
18:35que é o que o infarto pode levar,
18:37é acionar o SAMU, né?
18:40Pra poder chegar de forma imediata
18:42e poder intervir da melhor forma.
18:44Mas quem tem treinamento,
18:45inicia as medidas,
18:46mas diante de um sintoma,
18:48é valorizar e ajudar a levar
18:50a uma avaliação médica o quanto antes.
18:53É, você falou num ponto importantíssimo aqui
18:54sobre valorizar o sintoma,
18:56porque às vezes,
18:57nem mesmo a própria pessoa
18:59valoriza o que está sentindo, né?
19:00Acha que tomou água que vai passar,
19:02tem uma reunião importante,
19:03não quer adiar, né?
19:05E aí, pode desencandear
19:07numa coisa mais grave, né?
19:09Então, isso é importante,
19:10ficar atento, valorizar,
19:11não minimizar, né?
19:12O que a pessoa está sentindo
19:14e correr pra emergência,
19:16chamar o atendimento aí do SAMU,
19:19pra que essas medidas efetivas
19:21sejam tomadas e o pior não aconteça.
19:25Isso.
19:26As pessoas, principalmente,
19:27como a gente vem falando,
19:29os jovens não imaginam
19:31que esse tipo de diagnóstico
19:32pode ser dado a eles,
19:34mas tem que estar atento,
19:36muita gente se tem,
19:37até a questão do mito
19:39envolvendo infarto em jovens,
19:40mas é, quer dizer,
19:41nossa, jovens saudáveis infartam,
19:44estão infartando,
19:45o que é que vem acontecendo?
19:46Inclusive, várias teorias
19:47que se levantam na população.
19:50Na verdade, não.
19:51Esses jovens que infartam
19:53são como a maioria das pessoas
19:54independente da idade que infartam,
19:56eles não são saudáveis.
19:57Eles acham que são saudáveis.
19:59Tem um dado americano
20:00muito interessante,
20:01que mostra que 90%
20:03das pessoas que infartaram
20:05entre 18 e 44 anos,
20:0790% tinham pelo menos
20:09um fator de risco
20:10que podia ser modificado.
20:12O principal deles
20:12era o cigarro.
20:14Cigarro,
20:14depois colesterol alto.
20:16Então, assim,
20:17não eram jovens saudáveis.
20:18Já eram jovens
20:19que tinham problemas de saúde
20:21e simplesmente não sabiam,
20:23desconheciam.
20:23Uma coisa importante
20:25é que
20:25se você tem história familiar
20:27de infarto,
20:28isso já é um problema
20:30que você tem
20:32e que precisa da sua atenção.
20:33Então, você tem uma mãe
20:36que infartou aos 40 anos,
20:38no máximo com 30 anos
20:40já vá procurar um cardiologista.
20:42Você é com 10 anos antes
20:43do evento que aconteceu
20:44com o seu parente,
20:45isso no máximo.
20:47Então, assim,
20:48história familiar,
20:49saber da sua história familiar,
20:51seus parentes
20:52que tiveram infarto,
20:53busque informação,
20:55faça os seus exames de sangue.
20:56Essa conversa
20:57a gente tem que estender
20:58ao pediatra.
20:59Sim.
20:59Aquele pediatra
21:00que cuida daquela criança
21:02que vira adolescente
21:04e que vai pedir, sim,
21:05os exames de sangue
21:06e não vai negligenciar
21:07um colesterol alto mais.
21:09Não vai.
21:11Recentemente,
21:11tivemos no Congresso Europeu
21:13mais recente de cardiologia,
21:15aquele Congresso
21:15que muda a conduta clínica,
21:17que causa um grande impacto
21:19na prática clínica
21:19de todos os cardiologistas
21:21do mundo,
21:21mostrou que tem jovens
21:23que já tem placa de colesterol
21:26nas principais artérias do corpo,
21:29carótidas, femurais
21:30e do coração,
21:30muito, muito jovens.
21:32Um dado alarmante
21:33que mostra que pessoas
21:34de 30 a 40 anos
21:35foram estudar
21:36pessoas sem sintomas,
21:38sem doença cardiovascular.
21:39Vamos ver essas artérias
21:40como estão.
21:41Entre 30 e 40 anos,
21:4335% dos homens
21:44já tinham placa de colesterol
21:46e 20% das mulheres.
21:48Isso mostra que
21:49não significa que
21:50eu tenho placa,
21:51eu vou infartar.
21:52Não,
21:53mas significa que
21:53você já não,
21:55suas artérias já estão doentes
21:56e podem evoluir
21:57para um desfecho como esse,
21:59muito precocemente.
21:59Doutora Cecília,
22:00para a gente encerrar
22:01aqui a nossa conversa,
22:03diante desse quadro,
22:05que os jovens
22:05estão infartando,
22:08cada vez mais,
22:09a partir de que idade
22:11um jovem
22:12deve começar a fazer
22:13o check-up
22:14com o cardiologista?
22:15A partir de qualquer sintoma
22:17que ele perceba
22:19diferente
22:19em relação
22:20à falta de ar,
22:21dor no peito,
22:22vista escura,
22:22desmaio,
22:23principalmente se aquilo ali
22:24é induzido no esforço,
22:2610 anos
22:27antes
22:28de qualquer parente
22:29primário,
22:30pai e mãe
22:31que tenha infartado,
22:33tá certo?
22:34E para a população geral,
22:35a partir dos 40 anos
22:37já é mandatório.
22:38Doutora Cecília,
22:38obrigada, viu,
22:39pela sua participação
22:40aqui no programa
22:41nesse mês de setembro vermelho,
22:43trazendo esse importante alerta
22:44para a população.
22:45Muito obrigada,
22:46obrigada a todos.
22:48E olha,
22:48obrigada pelo carinho
22:49da sua audiência,
22:50a gente se encontra amanhã
22:51às 8h35 da manhã
22:53aqui na TV Tribuna.
22:55Cheiro!