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NotíciasTranscrição
00:08Muito bom dia, bem você está no ar, obrigada pela sua companhia nesta manhã de terça-feira.
00:15Olha, o Brasil vive uma crise silenciosa dentro das empresas em 2025, mas de 546 mil pessoas
00:24ficaram afastadas do trabalho por transtornos mentais, um crescimento de 143% em apenas 5 anos.
00:32A ansiedade e a depressão já são a segunda maior causa de licenças médicas no país.
00:37Incrível, né gente?
00:39O peso recai principalmente sobre as mulheres que respondem por 63% desses afastamentos,
00:45reflexo da sobrecarga, da dupla jornada e das pressões do dia a dia.
00:49Em 2026, as empresas já foram alertadas pelo Ministério do Trabalho de que precisam mapear
00:57e reduzir os riscos psicossociais no ambiente de trabalho sob pena de multas e até responsabilização jurídica.
01:05A saúde mental deixou de ser um detalhe e virou questão de sobrevivência dentro das organizações das empresas, né?
01:12Para entender as causas desse adoecimento e o que pode ser feito para mudar esse cenário,
01:18recebemos a psicóloga Adriana Moraes.
01:21Bom dia, Adriana. Tudo bem?
01:22Bom dia, Thais. Um prazer estar aqui. Tudo bem?
01:26Olha, impressionante esses dados que a gente trouxe aqui na abertura do programa, né?
01:31Já muitas pessoas vivendo depressão, ansiedade no ambiente de trabalho,
01:36muitas vezes por conta de situações de trabalho, de relacionamentos com colegas,
01:41de pressão para bater meta, né?
01:43Isso. A síndrome de burnout, ela é uma depressão que está expressa diretamente relacionada ao trabalho.
01:55A pessoa que apresenta essa sintomatologia, ela traz uma sequela importante no contexto de sobrecarga,
02:04como se fosse uma exaustão.
02:05Se a gente pensar no estresse, o estresse vem do latim extringeria, espremer.
02:11Então a pessoa tem uma sensação de que ela está espremida,
02:15de que ela não está fluida, de que ela não está descontraída,
02:18de que ela não está emocionalmente estruturada.
02:21Então ela, se a gente pensar também, ela começa a não se perceber assim,
02:26e esse é um dos fatores, é um dos critérios diagnósticos para o burnout,
02:30em que ela passa a não se reconhecer.
02:32Eu não era uma pessoa triste, eu não era uma pessoa infeliz,
02:36eu não me vejo mais da forma como eu sou.
02:39E essa forma de não se perceber é uma característica predominante.
02:43O burnout, ele é o excesso de trabalho, ou ele é a pressão psicológica que a pessoa sofre no trabalho?
02:53Não seria exatamente o excesso de trabalho, porque às vezes num trabalho remoto a pessoa pode desenvolver.
02:59Mas é a forma, é o manejo desse trabalho.
03:01Às vezes um ambiente hostil, onde, como você disse, que precisa ser batido metas,
03:08que não se respeita a questão da própria maneira como cada um é no mundo,
03:14em que as pessoas querem, que praticam assédio moral, assédio sexual,
03:21que não contemplam as especificidades dos elementos que cada ação e cada...
03:30Eu fui contratada para uma determinada função e, de repente, querem que eu execute outra,
03:38que eu faça um retrabalho, que eu não administro aquilo que eu fui contratada.
03:43Então, me sobreposicionam aquilo.
03:45Então, há uma falha desse respeito diante do cenário de trabalho.
03:50Isso não significa exatamente que seja um excesso de trabalho,
03:53mas a forma como cada um vai interpretar ali a subjetividade dentro desse trabalho.
03:59Às vezes os colegas ali, às vezes a gestão,
04:03a uma má distribuição de funções.
04:10Então, aquela pessoa começa a questionar a própria...
04:16Como se ela passasse a duvidar da capacidade dela.
04:20Nós temos uma sensação de competência pessoal,
04:23que cada um de nós, ao executar o trabalho, tem uma certa autoestima.
04:27No burnout, a pessoa começa a questionar e a duvidar.
04:32Apesar daquilo não ser exatamente a realidade.
04:35Mas como alguém está me fazendo eu desacreditar de mim mesma,
04:39isso começa a impulsionar uma sensação de autoestima diminuída,
04:43de baixo repertório, de sensação de não conseguir, não dar conta,
04:47eu não sou boa o suficiente, ninguém me valoriza.
04:50As pessoas se sentem...
04:52Vai entrando depressão, estresse e tendo riscos inerentes a tudo isso.
04:59Em 2026, esse ano, o Ministério do Trabalho editou uma norma para as empresas
05:04de que elas tinham que monitorar essas situações de assédio,
05:09essas situações de alguém que tem um mal-estar no trabalho.
05:13Como é que isso é, na verdade, na prática, que funciona ou que deveria funcionar?
05:19A NR1, ela vem para decretar que a saúde mental do trabalhador é preciso ser validada.
05:28E aí, entra uma série de questões que estão relacionadas à depressão,
05:35precisar identificar que se a pessoa tem uma alteração de humor, de apetite,
05:40uma alteração da libido, uma alteração de concentração,
05:43uma alteração, uma irritabilidade, uma sensação de fracasso pessoal.
05:49Então, essa lei, ela vem para perceber onde é que estão as zonas nevrálgicas da empresa,
05:55ou seja, onde é que existe uma dificuldade e, a partir dessa dificuldade,
06:02a gente vai tentar observar de que maneira nós podemos incrementar algumas ações
06:08que possam facilitar que o trabalhador se desenvolva melhor.
06:12Na prática, então, por exemplo, tem que ser criado um departamento nas empresas
06:17que vai receber essas demandas do trabalhador.
06:24Então, o trabalhador pode chegar lá e dizer,
06:26eu estou muito sobrecarregado, estou saindo sempre depois do meu horário.
06:31Vai ter como se fosse uma ouvidoria, digamos assim, para o trabalhador com relação a essas questões de saúde mental.
06:38É isso na prática?
06:40Na prática, sim, isso tudo que você trouxe, mas muitas vezes o trabalhador não consegue reconhecer
06:46que ele está em sofrimento, que ele está apresentando esses sintomas.
06:51Então, às vezes, é o colega de trabalho ao lado, vai ser um questionário que ele vai responder,
06:57vai ser um olhar de um profissional que tem uma percepção mais elevada sobre isso,
07:05porque, por vezes, aquela pessoa está ali tão acometida de tudo isso que ela não consegue identificar.
07:12Ela acha que faz parte dela.
07:14Ela começa a ter uma dificuldade de perceber as fronteiras entre o que é o horário de trabalho,
07:20o que é o horário de lazer.
07:22Então, são outras pessoas, são terceiros que vão sinalizar,
07:26olha, isso não está legal, esse teu comportamento você não tinha antes.
07:30A gente está percebendo reações desproporcionais às situações.
07:35Você não tinha essa agressividade no discurso.
07:38Então, são outras pessoas que vão.
07:39Então, as pessoas que vão trabalhar com a NR1, elas têm um olhar mais aguçado
07:43para capturar todas essas nuances dos funcionários, dos profissionais que estiveram nas empresas.
07:50E se comprovado o burnout, através de laudo, médico, né?
07:55Porque não é assim, estou com burnout, né?
07:57Tem que ter toda uma equipe multidisciplinar nessa avaliação.
08:01O trabalhador, ele tem o direito de afaixamento por doença,
08:04de receber pelo INSS durante o tempo que for concedido, não é isso?
08:08Isso. O que acontece é que o mais importante vai ser que essa rede de apoio
08:14faça alguma coisa com isso.
08:16Esse trabalhador, ele vai precisar, possivelmente, ir para um médico,
08:21fazer uso de uma medicação, ele vai para um psicólogo fazer uma psicoterapia.
08:25Então, ele vai ter ali uma rede de apoio profissional
08:28para conduzi-lo a uma melhora do quadro, né?
08:32Obviamente, as questões jurídicas vão estar aí transitando,
08:37mas o que nós, enquanto profissionais da área de saúde mental,
08:41vamos estar atuando, é que ele possa observar, com mais critério, né?
08:47O que ele precisa melhorar, o que ele precisa aprimorar dentro dele
08:51para que ele tenha um trabalho que possa nutrir
08:54aí uma sensação de bem-estar subjetivo.
08:57Então, ele precisa, às vezes, reconhecer, onde ele precisa ter uma comunicação mais assertiva,
09:04menos passiva, menos subjugada, menos agressiva também, menos arrogante,
09:10onde ele precisa também reconhecer limites que ele precisa impor ali,
09:14certas fronteiras para que as pessoas não se sintam muito à vontade
09:18para fazerem com que ele continue sofrendo.
09:23Também calibrar ali reciprocidade, em que, às vezes, a gente está se doando mais do que recebendo.
09:29Isso também deixa muito o trabalhador desconfortável,
09:32em que ele não é validado, não é valorizado no que ele pensa, no que ele sente.
09:36E sabe uma coisa, Adriana, uma coisa importantíssima?
09:40Terminou o trabalho, foi para casa, se desliga, né?
09:43Se desliga do trabalho, vai viver a vida, vai se dedicar à família, vai se dedicar aos filhos,
09:49vai ter um momento de lazer no fim de semana.
09:51Eu sei que muita gente, e de fato é, considera o trabalho muito importante,
09:56porque é o ganha-pão ali, é o sustento da família,
09:59então quer estar atendendo aquelas demandas ali do chefe,
10:02mas é preciso encontrar esse limite também, né?
10:04É preciso ter esse respiro, esse tempo para si,
10:08porque senão as pessoas vão enlouquecer, né?
10:11E isso é terrível.
10:12Esse autocuidado é riquíssimo, é valoroso,
10:16porém, às vezes, alguns profissionais me falam na clínica
10:19que o difícil é exatamente a quantidade de sobrecarga de trabalho
10:25que vai impedi-los de ter esse momento,
10:28aí esse trânsito familiar mais leve.
10:31Então, o que acontece aqui,
10:33o que a gente quer é dimensionar melhor isso
10:36para que o profissional consiga, por exemplo,
10:38não estar levando o trabalho para casa,
10:41para que ele não se sinta culpado caso ele não exerça aquilo que foi solicitado.
10:45Exatamente.
10:45Então tem todo um contexto que precisa se equilibrar.
10:48Isso. Muito obrigada pela sua participação aqui no programa, tá?
10:52Muito importante, tá, gente, esse assunto, né?
10:54A gente está no mês do setembro amarelo,
10:56então é sempre importante a gente validar essas questões todas
10:58sobre saúde mental o ano inteiro, inclusive, né?
11:01Muito obrigada.
11:02Obrigada também, Thaís.
11:04E agora eu tenho um recadinho para você, olha só.
11:07Preste atenção nessa dica imperdível.
11:10Se tem uma coisa que a gente sabe é que o futuro começa com uma boa escolha.
11:14E quando o assunto é carreira,
11:16o SENAC é aquele caminho que vale a pena seguir e indicar.
11:20Há 80 anos, o SENAC forma profissionais com qualidade, inovação e conexão com o mercado,
11:27transformando a vida de milhares de pessoas todos os anos.
11:31Porque aprender, se preparar e buscar novas oportunidades
11:35também é um jeito de construir o amanhã.
11:38SENAC 80 anos.
11:40A gente se vê amanhã.
11:43E agora vamos fazer um rápido intervalo.
11:45Daqui a pouco a gente volta trazendo informações sobre os direitos da mulher grávida
11:50quando o assunto é emprego.
11:52É já, já!
12:03Bem, você de volta.
12:04Para você que está chegando agora, fica com a gente,
12:07porque o assunto é direito da mulher grávida no ambiente de trabalho.
12:11Estabilidade, licença maternidade, proteção contra demissão.
12:15São alguns dos pontos que ainda geram muita dúvida entre as trabalhadoras.
12:19Quem vai esclarecer tudo para a gente é a advogada Natália Mendes.
12:23Tudo bem, Natália?
12:24Seja bem-vinda.
12:25É uma alegria estar aqui com você para compartilhar sobre esse tema.
12:28Olha, a primeira coisa que eu queria perguntar é o seguinte.
12:30Era muito comum, antigamente, a mulher que entrava de licença maternidade,
12:36quando retornava ao trabalho,
12:38retornava ainda com, às vezes, 4 meses, 5 meses,
12:41ainda no período de amamentação exclusiva,
12:44ela era demitida.
12:46Como é que acontece hoje em dia?
12:47Então, é importante saber uma premissa que é a seguinte.
12:50A mulher grávida, ela tem instabilidade no trabalho.
12:52O que isso quer dizer?
12:53É que ela não pode ser demitida, exceto por justa causa daquele emprego.
12:57A mulher grávida, que está grávida, né?
12:58Até os 9 meses.
12:59Exatamente, ela tem essa estabilidade.
13:02E essa estabilidade continua também após 5 meses do parto.
13:05Ou seja, aquela mulher que tem uma licença maternidade ali de, basicamente, 120 dias,
13:10que equivale a 4 meses,
13:11quando ela voltar a esse trabalho,
13:12teoricamente, ela teria mais 1 mês de estabilidade.
13:15O que acontece também, interessante, é o seguinte.
13:17As empresas, elas podem se filiar,
13:18filiar, no caso, cadastrar em um site chamado Empresa Cidadão.
13:21E que isso traz benefício para a empregada, como também para a empresa.
13:25De que forma?
13:26Através desse cadastro, você pode aumentar em até 60 dias,
13:30solicita maternidade.
13:31E não só isso.
13:32Para a empresa também tem o benefício de não só reter aquela funcionária,
13:35que vai trazer realmente uma empatia naquela situação,
13:38mas também tem incentivo fiscal.
13:40Ah, que interessante.
13:41Então, entra no site, faz o cadastro para a gente cidadã.
13:44Maravilhoso isso, porque é muito cruel, né?
13:46Com a mulher, ainda meio que no puerpério, né?
13:50Ter essa demissão, né?
13:51Muitas vezes, ali, é uma renda para ela garantir
13:54o sustento do filho, da família, né?
13:56Muita crueldade, né?
13:57Isso acontecer.
13:58A mulher grávida, ela tem essa estabilidade no emprego
14:02e quando ela tem o filho, né?
14:05Quando ela dá à luz, ela tem a licença maternidade pelo INSS.
14:09Também.
14:09O que acontece?
14:10A empresa que ela trabalha, no caso,
14:12ela vai conceder, se ela for inscrita, digamos assim, no INSS.
14:16Isso acontece para mulheres que são contratadas no regime de CLT,
14:20seletista.
14:20Olha, para as mulheres que são PJ, não vai haver uma empresa,
14:24teoricamente, que ela trabalha, no caso, né?
14:26Mas existe o que a gente chama de salário maternidade.
14:29Se você contribuir para o salário maternidade,
14:31diante do INSS, após o nascimento do seu filho,
14:34você pode fazer esse requerimento.
14:35E que você vai ganhar ali um valor estabelecido
14:37de acordo com o que você contribuiu.
14:39Ah, entendi.
14:40Até MEI, né?
14:40A mulher que é MEI também, ela, quando está pagando MEI ali,
14:43ela já está pagando o INSS.
14:46E para a mulher que tem filho, né?
14:49Quais são os direitos dela, no sentido de
14:51precisa levar o filho no médico?
14:53Então, ela pode, quantas vezes o mês for,
14:56atestado, ou de repente ela tem que revezar.
14:58Uma hora ela, outra hora, outro responsável.
15:00Ou ela sempre pode ir?
15:01Então, vou te falar primeiro em relação à gestante,
15:03porque nós temos que fazer diversos exames,
15:05exames de sangue e ultrassom.
15:06Então, não tem realmente muita complexidade
15:08durante a gestação.
15:09Na legislação trabalhista, existe um direito
15:12da mulher grávida de poder se ausentar,
15:14mesmo que diante da hora do trabalho,
15:17para fazer, enfim, exames, consultas médicas.
15:20Quantas vezes?
15:21Existe um piso de seis vezes, mas claro,
15:23isso pode ser muito conversado e aliado
15:25com o seu gestor, seu orientador.
15:27Não, durante toda a gestação.
15:29Seis vezes na gestação?
15:30Sim, considerando que você faz ali,
15:32teoricamente, uma...
15:33Uma consulta por mês, né?
15:35É, mais ou menos, é mais claro.
15:37Isso é o piso.
15:38Claramente, pode ser a mais,
15:40especialmente quando for estritamente necessário.
15:42O seu dever, enquanto funcionária,
15:44é, obviamente, trazer o atestado médico.
15:46Entendi.
15:47E aí, quando ela está com o filho ali,
15:49ela precisa levar o filho para o médico?
15:51Ou, às vezes, por exemplo,
15:53ela não teve...
15:54Ela é mãe solo, está com o filho ali,
15:57e não teve com quem deixar o filho.
15:59Não tem a rede de apoio.
16:00Aí, ela tem duas opções.
16:02Ou ela falta o emprego naquele dia,
16:04ou ela leva o filho para o trabalho, né?
16:06Ela, quando falta aquele emprego ali,
16:08ela tem o direito de ser abonada
16:09naquele caso específico e tudo mais,
16:12ou não?
16:12Então, eu acredito que das empresas,
16:14já vai muito da empatia, realmente,
16:16para a situação.
16:16Existe uma estabilidade que é prevista em lei.
16:19Quando o filho já está mais velho,
16:20enfim, após essa estabilidade,
16:22realmente não existe na lei
16:23que previste essa possibilidade
16:25daquela funcionária se ausentar.
16:26Mas, veja, é muito importante
16:28para aquela profissional,
16:29antes mesmo de ser mãe,
16:31você cumprir um compromisso como esse.
16:32Então, assim, vai muito realmente
16:33da empatia do seu chefe.
16:35Enfim, quando eu fui mãe,
16:36eu tive um gestor, enfim,
16:38que foi muito compreensível.
16:39E isso não só me acalentou
16:41naquele período tão difícil
16:41do puerper e tudo mais,
16:43mas como também me motivou muito
16:45a ficar naquela empresa.
16:47É, então, eu acho que depende muito
16:49dessa empatia, né?
16:50E eu acho que, assim,
16:52é muito difícil para a mulher,
16:54para o homem, né?
16:55O homem já é mais fácil
16:56de resolver contar isso,
16:57mas é muito difícil para a mulher.
16:59Muitas vezes tem que se desobrar
17:00em mil, né?
17:01Para dar conta do filho,
17:02para dar conta de levar
17:03um filho no método,
17:04levar um filho na escola
17:05e trabalhar, né?
17:06A gente vê muitas mulheres,
17:07inclusive, que amamentam
17:08levando o filho para a empresa, né?
17:10Então, existem até empresas, né?
17:12Que quando podem,
17:13criam um espaço ali
17:14de uma creche, né?
17:16De um lugar para deixar o filho,
17:18porque isso é importante também, né?
17:19Que as empresas adotem
17:20essa postura quando possível
17:22de ter um espaço ali
17:24para receber as crianças
17:25quando as mães
17:26não puderem deixar com ninguém.
17:28Exatamente.
17:29E isso daí é importante
17:30frisar o seguinte,
17:31nem todas as pessoas
17:31têm o interesse
17:32e possibilidade financeira
17:34de colocar em um colégio,
17:35por exemplo.
17:35Muito embora que foi
17:36a minha situação,
17:37mas independente da nossa escolha,
17:38colocar em colégio,
17:39deixar com o babá,
17:40levar para o trabalho,
17:41tem uma coisa que a gente,
17:42como mãe,
17:42normalizou muito,
17:43que é a culpa.
17:44Nós normalizamos isso.
17:46Nós não sentimos culpadas
17:47porque colocamos no colégio,
17:48deixamos com o babá,
17:49deixamos com a avó.
17:50Então a parte da empresa
17:51pode realmente ter simpatia
17:52para diminuir talvez
17:53um pouco dessa culpa,
17:54talvez não descontar
17:55no salário dela
17:56aquela falta
17:57que teve que ser feita,
17:58o filho doente
17:59ou que precisou realmente
18:00se ausentar mais cedo
18:01para ir um pediatra.
18:02Então é muito importante
18:03realmente essa conversa
18:04em conjunto
18:05para poder chegar
18:05numa situação legal,
18:07tanto para a empresa
18:08como também para a funcionária.
18:09Ou a gente transformar
18:10a jornada em híbrida,
18:12que é possível também.
18:13De repente,
18:14se você trabalha só ali
18:15no computador,
18:15não faz mais nada
18:16na empresa.
18:17Se você trabalha
18:17no computador,
18:18ou conversa de repente
18:19com o gestor
18:20para ver se você não consegue
18:22passar três dias na semana
18:24em casa,
18:25dois dias você vai.
18:27Eu acho que tudo
18:27tem que ser adaptado,
18:29mas tudo sempre pensado
18:30com muita empatia,
18:31porque infelizmente
18:32a gente não tem
18:32uma legislação robusta
18:34que proteja as mulheres,
18:36que protejam as mães.
18:38Enquanto isso,
18:38a gente vai ter que viver
18:39de solidariedade e empatia
18:43nas empresas.
18:44Exatamente,
18:44exatamente isso.
18:45E um recado
18:45que eu posso dar
18:46não só para os funcionários,
18:48mas também para as empresas.
18:49As funcionárias
18:49que conhecem os direitos,
18:51que entendam eles,
18:52que não fiquem achando
18:54o que acontece.
18:54Procure um advogado especialista
18:56nisso daí,
18:56especialmente na área trabalhista,
18:57que vai poder realmente
18:58orientar de uma forma
18:59concreta e correta.
19:00Para as empresas,
19:01também sugiro
19:02essa questão da empatia
19:03que é muito forte.
19:04É muito importante.
19:05A mulher pode passar
19:06por diversas questões
19:07após o parto,
19:08não só de profissão,
19:10como se reconhecer
19:11enquanto profissional.
19:12Então,
19:12ter essa contrapartida
19:14por parte do emprego,
19:15essa disponibilidade,
19:17entender aquele momento
19:18é muito importante.
19:19Nathalie,
19:20como é que foi para você
19:21esse momento de retorno
19:23ao mercado de trabalho,
19:25quando você passou
19:26pela sua gestação?
19:27Porque a sua história
19:28pode inspirar
19:29outras mulheres
19:30que estão nos assistindo.
19:31Com certeza.
19:32Então,
19:33a minha profissão
19:33antes de ser mãe
19:34sempre foi um ponto
19:35de partida da minha vida,
19:36sempre foi o norte.
19:37Eu sempre procurei
19:38ser um excelente profissional,
19:39realmente entregar o meu melhor.
19:41Mas quando o meu filho nasceu,
19:42realmente as minhas prioridades mudaram.
19:44Eu não era mais aquela Natália de antes.
19:46Então,
19:47eu lembro com muita clareza
19:48que eu retornei
19:48após seis meses
19:49ao escritório que eu trabalhava.
19:50Eu estava muito feliz
19:52por estar ali
19:53convivendo com outras pessoas.
19:54Mas também me senti
19:55muito culpada.
19:56Porque eu estava com a minha mãe
19:57cuidando do meu filho Arthur,
19:59mas eu pensava,
20:00poxa,
20:00eu poderia estar em casa
20:01com ele eventualmente.
20:02Eu até mesmo pensei
20:02em largar o meu trabalho
20:03em algum momento.
20:04Ou abdicar a mãe
20:05da minha profissão.
20:06E ainda bem
20:07que eu não tive
20:07essa atitude,
20:09digamos assim.
20:10Porque hoje eu vejo
20:11o quanto eu sou feliz
20:12em ter realmente retomado
20:13a minha vida profissional.
20:15A gente sente
20:15muita culpa,
20:17a vontade que a gente tem
20:18é de largar.
20:19Até porque
20:19quando o filho está em casa,
20:20quando a mãe está sem o filho,
20:22todo mundo pergunta,
20:23cadê seu filho?
20:23Achei com quem?
20:24Quando o pai está sem o filho,
20:25ninguém pergunta.
20:26Então,
20:27a sobrecarga emocional
20:28para a gente
20:29é muito grande.
20:30Muitas mulheres acabam
20:32saindo do emprego,
20:33o CLT,
20:34se tornando MEI,
20:35empreendendo,
20:36essas coisas,
20:36para ter mais tempo
20:37e dedicação
20:38com os filhos,
20:39porque de fato
20:39é uma decisão
20:40muito difícil
20:41e que bom que você
20:43e outras mulheres também
20:45venceram,
20:46superaram esse desafio
20:46e seguiram
20:47no mercado de trabalho.
20:49E trazendo aqui
20:50essa experiência sua
20:51e trazendo essas informações
20:52suas
20:53tão importantes aqui.
20:55Estou muito feliz
20:55em compartilhar isso,
20:56não só como advogada,
20:57mas como mãe também.
20:59Maravilha.
20:59Obrigada,
21:00Viu, Natália,
21:01pela sua participação
21:01aqui no programa.
21:02Volte sempre,
21:03esclarecendo aqui os direitos,
21:04principalmente para as mulheres.
21:06Não é, Dola?
21:06E aqui a gente fala
21:07para a mulher,
21:08direito da mulher,
21:08saúde da mulher.
21:09Não é isso?
21:10Sou boa,
21:11até uma afinetada
21:11aí no final.
21:15É isso, gente.
21:16Obrigada pelo carinho
21:17da sua audiência.
21:17Amanhã a gente se encontra
21:18às 8h35 da manhã, tá?
21:21Cheiro!
21:22Tchau, tchau!
21:23Tchau!
21:23Tchau, tchau!
21:25Tchau!