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  • há 2 dias
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00:08Muito bom dia, bem você está no ar, obrigada pela sua companhia nesta manhã.
00:13Olha, o Brasil vive uma crise silenciosa dentro das empresas em 2025.
00:19Mais de 546 mil pessoas ficaram afastadas do trabalho por transtornos mentais,
00:25um crescimento de 143% em apenas 5 anos.
00:30A ansiedade e a depressão já são a segunda maior causa de licenças médicas no país.
00:35Incrível, né, gente?
00:37O peso recai principalmente sobre as mulheres, que respondem por 63% desses afastamentos,
00:43reflexo da sobrecarga, da dupla jornada e das pressões do dia a dia.
00:48Em 2026, as empresas já foram alertadas pelo Ministério do Trabalho
00:54de que precisam mapear e reduzir os riscos psicossociais no ambiente de trabalho
00:59sob pena de multas e até responsabilização jurídica.
01:03A saúde mental deixou de ser um detalhe e virou questão de sobrevivência
01:07dentro das organizações das empresas, né?
01:10Para entender as causas desse adoecimento e o que pode ser feito
01:14para mudar esse cenário, recebemos a psicóloga Adriana Moraes.
01:19Bom dia, Adriana, tudo bem?
01:20Bom dia, Thaís, um prazer estar aqui, tudo bem?
01:24Olha, impressionante esses dados, né, que a gente trouxe aqui na abertura do programa, né?
01:29Já muitas pessoas vivendo depressão, ansiedade no ambiente de trabalho,
01:34muitas vezes por conta de situações de trabalho, de relacionamentos com colegas,
01:39de pressão para bater meta, né?
01:41Isso.
01:43A síndrome de burnout, ela é uma depressão que está expressa diretamente relacionada ao trabalho.
01:53A pessoa que apresenta essa sintomatologia, ela traz uma sequela importante
02:00num contexto de sobrecarga, como se fosse uma exaustão.
02:04Se a gente pensar no estresse, o estresse vem do latim extringeria, exprimer.
02:09Então, a pessoa tem uma sensação de que ela está exprimida,
02:13de que ela não está fluida, de que ela não está descontraída,
02:16de que ela não está emocionalmente estruturada.
02:19Então, ela, se a gente pensar também, ela começa a não se perceber assim,
02:24e esse é um dos fatores, é um dos critérios diagnósticos para o burnout,
02:28em que ela passa a não se reconhecer.
02:30Eu não era uma pessoa triste, eu não era uma pessoa infeliz,
02:34eu não me vejo mais da forma como eu sou.
02:37E essa forma de não se perceber é uma característica predominante.
02:41O burnout, ele é o excesso de trabalho, ou ele é a pressão psicológica que a pessoa sofre no trabalho?
02:51Não seria exatamente o excesso de trabalho, porque às vezes, num trabalho remoto,
02:55a pessoa pode desenvolver.
02:57Mas é a forma, é o manejo desse trabalho.
03:00Às vezes, um ambiente hostil, onde, como você disse, que precisa ser batido metas,
03:05que não se respeita a questão da própria maneira como cada um é no mundo,
03:12em que as pessoas querem, que praticam assédio moral, assédio sexual,
03:19que não contemplam as especificidades dos elementos que cada ação e cada...
03:28Eu fui contratada para uma determinada função e, de repente, querem que eu execute outra,
03:36que eu faça um retrabalho, que eu não administro aquilo que eu fui contratada.
03:41Então, me sobreposicionam aquilo.
03:43Então, há uma falha desse respeito diante do cenário de trabalho.
03:48Isso não significa exatamente que seja um excesso de trabalho,
03:51mas a forma como cada um vai interpretar ali a subjetividade dentro desse trabalho.
03:57Às vezes, os colegas ali, às vezes, a gestão,
04:02há uma má distribuição de funções.
04:08Então, aquela pessoa, ela começa a questionar a própria...
04:14Como se ela passasse a duvidar da capacidade dela.
04:18Nós temos uma sensação de competência pessoal,
04:21que cada um de nós, ao executar o trabalho, tem uma certa autoestima.
04:25no burnout, a pessoa começa a questionar e a duvidar,
04:30apesar daquilo não ser exatamente a realidade.
04:33Mas como alguém está me fazendo eu desacreditar de mim mesma,
04:37isso começa a impulsionar uma sensação de autoestima diminuída,
04:41de baixo repertório, de sensação de não conseguir, não dar conta,
04:45eu não sou boa o suficiente, ninguém me valoriza.
04:48As pessoas se sentem...
04:50E a pessoa vai entrando em depressão, estresse e tendo riscos inerentes a tudo isso.
04:57Em 2026, esse ano, o Ministério do Trabalho editou uma norma para as empresas
05:02de que elas tinham que monitorar essas situações de assédio,
05:07essas situações de alguém que tem um mal-estar no trabalho.
05:10Como é que isso é, na verdade, na prática, que funciona ou que deveria funcionar?
05:17O ANR1, ela vem para decretar que a saúde mental do trabalhador é preciso ser validada.
05:26E aí, entra uma série de questões que estão relacionadas à depressão,
05:33precisar identificar que se a pessoa tem uma alteração de humor, de apetite,
05:38uma alteração da libido, uma alteração de concentração,
05:41uma alteração, uma irritabilidade, uma sensação de fracasso pessoal.
05:47Então, essa lei, ela vem para perceber onde é que estão as zonas nevrálgicas da empresa,
05:53ou seja, onde é que existe uma dificuldade e, a partir dessa dificuldade,
06:00a gente vai tentar observar de que maneira nós podemos incrementar algumas ações
06:06que possam facilitar que o trabalhador se desenvolva melhor.
06:10Na prática, então, por exemplo, tem que ser criado um departamento nas empresas
06:15que vai receber essas demandas do trabalhador.
06:22Então, o trabalhador pode chegar lá e dizer,
06:23eu estou muito sobrecarregado, estou saindo sempre depois do meu horário,
06:29vai ter como se fosse uma ouvidoria, digamos assim, para o trabalhador
06:33com relação a essas questões de saúde mental.
06:36É isso na prática?
06:38Na prática, sim, isso tudo que você trouxe, mas muitas vezes o trabalhador,
06:42ele não consegue reconhecer que ele está em sofrimento,
06:46que ele está apresentando esses sintomas.
06:49Então, às vezes, é o colega de trabalho ao lado,
06:52vai ser um questionário que ele vai responder,
06:55vai ser um olhar de um profissional que tem uma percepção mais elevada sobre isso,
07:03porque, por vezes, aquela pessoa está ali tão acometida de tudo isso
07:08que ela não consegue identificar.
07:10Ela acha que faz parte dela.
07:12Ela começa a ter uma dificuldade de perceber as fronteiras
07:15entre o que é o horário de trabalho, o que é o horário de lazer.
07:20Então, são outras pessoas, são terceiros que vão sinalizar,
07:24olha, isso não está legal, esse teu comportamento você não tinha antes,
07:28a gente está percebendo reações desproporcionais às situações,
07:33você não tinha essa agressividade no discurso.
07:35Então, são outras pessoas que vão.
07:37Então, as pessoas que vão trabalhar com a NR1,
07:39elas têm um olhar mais aguçado para capturar todas essas nuances
07:44dos funcionários, dos profissionais que estiveram nas empresas.
07:48E se comprovado o burnout, através de laudo, médico,
07:53porque não é assim, estou com burnout,
07:55tem que ter toda uma equipe multidisciplinar nessa avaliação,
07:59o trabalhador tem o direito de afaixamento por doença,
08:02de receber pelo INSS durante o tempo que for concedido, não é isso?
08:06Isso. O que acontece é que o mais importante vai ser que essa rede de apoio
08:12faça alguma coisa com isso.
08:14Esse trabalhador vai precisar, possivelmente, ir para um médico,
08:19fazer uso de uma medicação, ele vai para um psicólogo,
08:22fazer uma psicoterapia.
08:23Então, ele vai ter ali uma rede de apoio profissional
08:26para conduzi-lo a uma melhora do quadro.
08:30Obviamente, as questões jurídicas vão estar aí transitando,
08:35mas o que nós, enquanto profissionais da área de saúde mental,
08:39vamos estar atuando é que ele possa observar com mais critério
08:44o que ele precisa melhorar, o que ele precisa aprimorar dentro dele
08:49para que ele tenha um trabalho que possa nutrir
08:52aí uma sensação de bem-estar subjetivo.
08:55Então, ele precisa, às vezes, reconhecer onde ele precisa ter
09:00uma comunicação mais assertiva, menos passiva, menos subjugada,
09:04menos agressiva também, menos arrogante,
09:08onde ele precisa também reconhecer limites que ele precisa impor ali,
09:12certas fronteiras para que as pessoas não se sintam muito à vontade
09:16para fazerem com que ele continue sofrendo.
09:20também calibrar ali reciprocidade, em que às vezes a gente está se doando
09:25mais do que recebendo, isso também deixa muito o trabalhador desconfortável,
09:30em que ele não é validado, não é valorizado no que ele pensa, no que ele sente.
09:34E sabe uma coisa, Adriana, uma coisa importantíssima?
09:38Terminou o trabalho, foi para casa, se desliga, né?
09:41Se desliga do trabalho, vai viver a vida, vai se dedicar à família,
09:46vai se dedicar aos filhos, vai ter um momento de lazer no fim de semana, né?
09:50Eu sei que muita gente, e de fato é, considera o trabalho muito importante,
09:54porque é o ganha-pão ali, é o sustento da família,
09:57então quer estar atendendo aquelas demandas ali do chefe,
10:00mas é preciso encontrar esse limite também, né?
10:02É preciso ter esse respiro, esse tempo para si,
10:06porque senão as pessoas vão enlouquecer, né?
10:09E isso é terrível.
10:11Esse autocuidado é riquíssimo, é valoroso,
10:14porém, às vezes, alguns profissionais me falam na clínica
10:17que o difícil é exatamente a quantidade de sobrecarga de trabalho
10:23que vai impedi-los de ter esse momento,
10:26aí esse trânsito familiar mais leve.
10:29Então, o que acontece aqui,
10:31o que a gente quer é dimensionar melhor isso
10:34para que o profissional consiga, por exemplo,
10:36não estar levando o trabalho para casa,
10:39para que ele não se sinta culpado,
10:40caso ele não exerça aquilo que foi solicitado.
10:43Exatamente.
10:43Então, tem todo um contexto que precisa se equilibrar.
10:46Isso. Muito obrigada pela sua participação aqui no programa, tá?
10:49E agora vamos fazer um rápido intervalo,
10:51daqui a pouco a gente volta trazendo informações
10:54sobre os direitos da mulher grávida
10:56quando o assunto é emprego.
10:58É já, já!
11:09E tem jogo desta sexta-feira,
11:12O segundo aberto de tênis Unimed Recife começa mais cedo hoje,
11:16a partir das cinco da tarde.
11:17O Lagoa Azul Tênis Clube, na Imbiribeira,
11:20recebe mais uma rodada de grandes disputas
11:23com atletas em busca de uma super premiação.
11:26E você é nosso convidado.
11:28Traga sua família, reúna os amigos
11:30e venha prestigiar o tênis pernambucano.
11:33A entrada é gratuita.
11:34E atenção, amanhã, sábado, dia 24,
11:37acontecem as grandes finais, a partir das nove da manhã.
11:40A Unimed Recife agradece as empresas parceiras
11:44Cicrede, Calas, Arquimed, Clínica Mundos,
11:48Real Hospital Português, Urbano Vitalino,
11:51Plan Corp, All Care, INE, UID Via Sul,
11:55Colégio Elo, GSH Banco de Sangue,
11:59Max Day Hospital, Polinésia Vila,
12:01Capriche, Labor Câmbio e MV.
12:04Segundo aberto de tênis Unimed Recife 2026.
12:08É hoje, às 5 da tarde, na Lagoa Azul.
12:11Não perca a realização Unimed Recife,
12:14Instituto Unimed Recife.
12:20Para você que está chegando agora,
12:22fica com a gente, porque o assunto é
12:23direito da mulher grávida no ambiente de trabalho.
12:27Estabilidade, licença maternidade,
12:29proteção contra demissão,
12:31são alguns dos pontos que ainda geram muita dúvida
12:33entre as trabalhadoras.
12:35Quem vai esclarecer tudo para a gente
12:36é a advogada Natália Mendes.
12:39Tudo bem, Natália?
12:40Olá, Thaís.
12:41É uma alegria estar aqui com você
12:42para compartilhar sobre esse tema.
12:44Olha, a primeira coisa que eu queria perguntar é o seguinte.
12:46Era muito comum, antigamente,
12:49a mulher que entrava de licença maternidade,
12:51quando retornava ao trabalho,
12:54retornava ainda com, às vezes, 4 meses, 5 meses,
12:57ainda no período de amamentação exclusiva,
13:00ela era demitida.
13:01Como é que acontece hoje em dia?
13:03Então, é importante saber uma premissa que é a seguinte.
13:06A mulher grávida, ela tem estabilidade no trabalho.
13:08O que isso quer dizer?
13:09É que ela não pode ser demitida,
13:11exceto por justa causa daquele emprego.
13:13A mulher grávida, porque está grávida, né?
13:14Sim, exatamente.
13:14É os 9 meses.
13:15Exatamente, ela tem essa estabilidade.
13:17E essa estabilidade continua também
13:19após 5 meses do parto.
13:21Ou seja, aquela mulher que tem uma licença maternidade ali
13:24de basicamente 120 dias,
13:25que equivale a 4 meses,
13:27quando ela voltar a esse trabalho,
13:28teoricamente, ela teria mais 1 mês de estabilidade.
13:30O que acontece também, interessante, é o seguinte.
13:32As empresas, elas podem se filiar,
13:34filiar, no caso, cadastrar em um site chamado Empresa Cidadã.
13:37E que isso traz benefício para a empregada,
13:40como também para a empresa.
13:41De que forma?
13:42Através desse cadastro,
13:43você pode aumentar em até 60 dias a licença maternidade.
13:47E não só isso.
13:48Para a empresa também tem um benefício
13:49de não só reter aquela funcionária,
13:51que vai trazer realmente uma empatia naquela situação,
13:54mas também tem incentivo fiscal.
13:56Ah, que interessante.
13:57Então, entra no site, faz o cadastro.
13:59Exatamente.
13:59Empresa Cidadã.
14:00Maravilhoso isso, porque é muito cruel, né?
14:02Com a mulher, ainda meio que no puerpério, né?
14:06Ter essa demissão, né?
14:07Muitas vezes ali é uma renda,
14:08para ela garantir o sustento do filho,
14:11da família, né?
14:11Muita crueldade, né?
14:13Isso acontecer.
14:14A mulher grávida, ela tem a sensibilidade no emprego,
14:18e quando ela tem o filho, né?
14:21Quando ela dá a luz,
14:21ela tem a licença maternidade pelo INSS.
14:25Também.
14:25O que acontece?
14:26A empresa que ela trabalha, no caso,
14:28ela vai conceder, se ela for inscrita, digamos assim, no INSS.
14:32Isso acontece para mulheres que são contratadas no regime de CLT,
14:36seletista.
14:37Para mulheres que são PJ,
14:38não vai haver uma empresa, teoricamente,
14:40que ela trabalha, no caso, né?
14:42Mas existe o que a gente chama de salário maternidade.
14:45Se você contribuir para o salário maternidade,
14:47diante do INSS,
14:48após o nascimento do seu filho,
14:50você pode fazer esse requerimento.
14:51E que você vai ganhar ali um valor estabelecido
14:53de acordo com o que você contribuiu.
14:55Ah, entendi.
14:56Até MEI, né?
14:56A mulher que é MEI também,
14:57ela, quando está pagando MEI ali,
14:59ela já está pagando o INSS.
15:02E para a mulher que tem filho, né?
15:05Quais são os direitos dela,
15:06no sentido de,
15:07precisa levar o filho no médico.
15:09Então, ela pode,
15:10quantas vezes no mês for,
15:11ou atestado,
15:12ou de repente ela tem que revezar.
15:14Uma hora ela, outra hora,
15:15outro responsável.
15:16Ou ela sempre pode ir?
15:17Então, vou te falar primeiro
15:18em relação à gestante.
15:19Porque nós temos que fazer diversos exames,
15:21exames de sangue, ultrassom.
15:22Então, não tem realmente muita complexidade
15:24durante a gestação.
15:25Na legislação trabalhista,
15:27existe um direito da mulher grávida
15:29de poder se ausentar,
15:30mesmo que dentro da hora do trabalho,
15:33para fazer, enfim, exames, consultas médicas.
15:36Quantas vezes?
15:37Existe um piso de seis vezes,
15:39mas, claro, isso pode ser muito conversado
15:40e aliado com o seu gestor.
15:42Seis vezes por mês?
15:43Não, na hora de toda a gestação.
15:45Seis vezes na gestação?
15:46Sim.
15:46Considerando que você faz ali,
15:47teoricamente, uma...
15:49Uma consulta por mês, né?
15:51Uma consulta, é.
15:52Mais ou menos, é mais claro.
15:53Isso é o piso.
15:54Claramente, pode ser a mais,
15:56especialmente quando for estritamente necessário.
15:58O seu dever, enquanto funcionária,
16:00é, obviamente, trazer o atestado médico.
16:02Entendi.
16:03E aí, quando ela está com o filho ali,
16:05ela precisa levar o filho para o médico,
16:07ou, às vezes, por exemplo,
16:09ela não teve,
16:10ela é mãe solo,
16:11está com o filho ali,
16:13e não teve com quem deixar o filho.
16:15Não tem a rede de apoio.
16:16Aí, ela tem duas opções.
16:18Ou ela falta o emprego naquele dia,
16:20ou ela leva o filho para o trabalho.
16:22Né?
16:22Ela, quando falta aquele emprego ali,
16:24ela tem o direito de ser abonada
16:25naquele caso específico e tudo mais?
16:28Ou não?
16:28Então, eu acredito que das empresas,
16:30já vai muito a empatia, realmente,
16:31para a situação.
16:32Existe uma estabilidade que é prevista em lei.
16:35Quando o filho já está mais velho,
16:36enfim, após essa estabilidade,
16:38realmente não existe na lei
16:39que prevista essa possibilidade
16:41daquela funcionária se ausentar.
16:42Mas, veja, é muito importante
16:44para aquela profissional,
16:45antes mesmo de ser mãe,
16:46você cumprir um compromisso como esse.
16:48Então, assim, vai muito realmente
16:49da empatia do seu chefe.
16:51Enfim, quando eu fui mãe,
16:52eu tive um gestor, enfim,
16:54que foi muito compreensível.
16:55E isso não só me acalentou
16:56naquele período tão difícil
16:57do puerper e tudo mais,
16:59mas como também me motivou muito
17:01a ficar naquela empresa.
17:03Então, eu acho que depende muito
17:05dessa empatia, né?
17:06E eu acho que, assim,
17:08é muito difícil para a mulher,
17:10para o homem, né?
17:11O homem já é mais fácil
17:12resolver o quanto é isso,
17:13mas é muito difícil para a mulher.
17:15Muitos vezes tem que se desobrar em mil, né?
17:17Para dar conta do filho,
17:18para dar conta de levar um filho
17:19no método, levar um filho na escola
17:21e trabalhar, né?
17:22A gente vê muitas mulheres,
17:23inclusive, que amamentam,
17:25levando o filho para a empresa, né?
17:26Então, existem até empresas, né?
17:28Que quando podem,
17:29criam espaço ali de uma creche, né?
17:32De um lugar para deixar o filho,
17:34porque isso é importante também, né?
17:35Que as empresas adotem essa postura
17:37quando possível,
17:38de ter um espaço ali
17:40para receber as crianças
17:41quando as mães
17:42não puderem deixar com ninguém.
17:44Exatamente.
17:45E isso daí é importante frisar o seguinte,
17:47nem todas as pessoas
17:47têm o interesse
17:48e possibilidade financeira
17:50em colocar em um colégio, por exemplo.
17:51Muito embora que foi a minha situação,
17:52mas independente da nossa escolha,
17:54colocar em colégio,
17:55deixar com o babá,
17:56levar para o trabalho,
17:57tem uma coisa que a gente,
17:58como mãe,
17:58normalizou muito,
17:59que é a culpa.
18:00Nós normalizamos isso.
18:01Nós não sentimos culpadas
18:03porque colocamos no colégio,
18:04deixamos com o babá,
18:05deixamos com a avó.
18:06Então, a parte da empresa
18:07pode realmente ter simpatia
18:08para diminuir, talvez,
18:09um pouco dessa culpa.
18:10Talvez não descontar
18:11no salário dela
18:12aquela falta,
18:13eventualmente,
18:13que teve que ser feita,
18:14o filho doente
18:15ou que precisou realmente
18:16se ausentar mais cedo
18:17para ir a um pediatra.
18:18Então, é muito importante
18:19realmente essa conversa
18:20em conjunto
18:20para poder chegar
18:21em uma situação legal,
18:23tanto para a empresa
18:24como também para a funcionária.
18:25Ou, às vezes,
18:26transformar a jornada
18:27em híbrida,
18:28que é possível também.
18:29De repente,
18:29se você trabalha
18:30só ali no computador,
18:31não faz mais nada.
18:32Se você trabalha
18:33no computador,
18:34conversa, de repente,
18:35com o gestor
18:36para ver se você não consegue
18:38passar três dias na semana
18:40em casa,
18:41dois dias você vai.
18:42Eu acho que tudo
18:43tem que ser adaptado,
18:45mas tudo sempre pensado
18:46com muita empatia.
18:47Porque, infelizmente,
18:48a gente não tem
18:48uma legislação robusta
18:50que proteja as mulheres,
18:52que protejam as mães.
18:54Enquanto isso,
18:54a gente vai ter que viver
18:55de solidariedade
18:58e empatia
18:59nas empresas.
19:00Exatamente.
19:00Exatamente isso.
19:01E um recado
19:01que eu posso dar
19:02não só para os funcionários,
19:04mas também para as empresas.
19:05As funcionárias
19:05que conheçam os direitos,
19:06que entendam eles,
19:08que não fiquem
19:09achando o que acontece.
19:10Procure um advogado
19:11especialista nisso daí,
19:12especialmente na área
19:13trabalhista,
19:13que vai poder realmente
19:14orientar de uma forma
19:15concreta e correta.
19:16Para as empresas,
19:17eu também sugiro
19:18essa questão da empatia
19:19que é muito forte.
19:20É muito importante.
19:21A mulher pode passar
19:22por diversas questões
19:23após o parto,
19:24não só de profissão,
19:26como se reconhecer
19:26enquanto profissional.
19:28Então, ter essa contrapartida
19:30por parte do emprego,
19:31essa disponibilidade,
19:33entender aquele momento
19:34é muito importante.
19:35Nathalie,
19:36como é que foi para você
19:37esse momento de retorno
19:39ao mercado de trabalho,
19:41quando você passou
19:42pela sua gestação?
19:43Porque a sua história
19:44pode inspirar
19:45outras mulheres aí
19:46que estão nos assistindo.
19:47com certeza.
19:48Então,
19:49a minha profissão
19:49antes de ser mãe
19:50sempre foi um ponto
19:51de partida da minha vida,
19:52sempre foi o norte.
19:53Eu sempre procurei
19:54ser um excelente profissional,
19:55realmente entregar
19:56o meu melhor.
19:57Mas quando o meu filho nasceu,
19:58realmente as minhas prioridades
20:00mudaram.
20:00Eu não era mais
20:01aquela Natália de antes.
20:02Então,
20:02eu lembro com muita clareza
20:04que eu retornei
20:04após seis meses
20:05ao escritório que eu trabalhava.
20:06Eu estava muito feliz
20:08por estar ali,
20:09convivendo com outras pessoas,
20:10mas também me senti
20:11muito ocupada,
20:12porque eu estava com a minha mãe
20:13cuidando do meu filho,
20:14Arthur,
20:14mas eu pensava,
20:15poxa,
20:16eu poderia estar em casa
20:17com ele eventualmente.
20:18Eu até mesmo pensei
20:18em largar o meu trabalho
20:19em algum momento,
20:20pode me indicar
20:21a mãe da minha profissão.
20:22E ainda bem
20:23que eu não tive
20:23essa atitude,
20:25digamos assim,
20:26porque hoje eu vejo
20:27o quanto eu sou feliz
20:28em ter realmente retomado
20:29a minha vida profissional.
20:31É,
20:31a gente sente muita culpa,
20:33né,
20:33a vontade que a gente tem
20:33de largar,
20:35né,
20:35até porque quando o filho
20:36está em casa,
20:36quando a mãe está sem o filho,
20:38todo mundo pergunta,
20:39cadê seu filho,
20:39você está com quem?
20:40Quando o pai está sem o filho,
20:41ninguém pergunta.
20:42Então a sobrecarga emocional
20:44para a gente
20:45é muito grande.
20:46Muitas mulheres acabam
20:48saindo do emprego,
20:49o CLT, né,
20:50se tornando MEI,
20:51empreendendo,
20:52essas coisas,
20:52para ter mais tempo
20:53e dedicação com os filhos,
20:55porque de fato
20:55é uma decisão muito difícil
20:57e que bom que você,
20:59né,
20:59e outras mulheres também
21:01venceram,
21:01superaram esse desafio
21:02e seguiram
21:03no mercado de trabalho,
21:05né,
21:05e trazendo aqui,
21:06ó,
21:06essa experiência sua
21:07e trazendo essas informações suas
21:09tão importantes aqui.
21:10Estou muito feliz em compartilhar isso,
21:12não só como advogada,
21:13mas como mãe também.
21:15Maravilha.
21:15Obrigada,
21:16viu, Natália,
21:17pela sua participação aqui no programa.
21:18Volte sempre,
21:19esclarecendo aqui os direitos,
21:20principalmente para as mulheres,
21:21né, Dola?
21:22E aqui a gente fala para a mulher,
21:23direito da mulher,
21:24saúde da mulher.
21:25Não é isso?
21:26Sou boa,
21:27até uma afinetada aí no final.
21:31E obrigada pelo carinho
21:32da sua audiência,
21:33um bom fim de semana,
21:34um ótimo fim de semana para você
21:35e na segunda-feira,
21:36às 8h35 da manhã,
21:37a gente se encontra aqui
21:38na TV Tribuna, hein?
21:40Cheiro!

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