00:00A principal demanda atualmente dentro do setor são os pacientes que são vítimas de acidentes automobilísticos
00:06e de lesões na região da coluna, que são os traumatismos raquimedulares.
00:12A gente recebe esses pacientes em estado crítico mesmo, e ele vai progredindo com relação à melhora
00:19durante o período de internação aqui no Hospital Metropolitano.
00:23Todas as órteses de descompressão que temos no Hospital Metropolitano atualmente,
00:28ela é produzida aqui dentro do hospital e com materiais que a gente traz do almoxerifado.
00:36Pouquíssimos materiais que são comprados, esses poucos materiais em geral são de baixo custo e acessível,
00:41que são, por exemplo, o cano PVC, que é uma coisa que a gente acha que não faz muito sentido,
00:48mas ele tem essa finalidade e ele é acessível de baixo custo.
00:53Então a gente faz esse processo de tudo que a gente pode fazer que venha do hospital,
00:59a gente produz aqui, de materiais daqui, justamente para a gente fazer esse processo
01:04de alcançar o nosso paciente de forma rápida, eficaz e sustentável.
01:11Para poder, como são dispositivos que eles acabam sujando, eles precisam ser descartados,
01:16a gente precisa otimizar esse processo, para que eles sejam descartados de forma segura
01:21e para que eles sejam trocados de forma contínua e rápida, para poder garantir que a descompressão
01:27do paciente, que a saúde do paciente fique íntegra.
01:30A preocupacional já vem de berço com essa necessidade de trazer tecnologias assistivas
01:34para o ambiente hospitalar e houve a necessidade de trazer esse tipo de tecnologia assistiva
01:40para o metropolitano por causa do perfil dos pacientes.
01:44Foi a partir dessa necessidade que o grupo de profissionais desenvolveu um projeto muito
01:49bacana, onde houve a abertura do laboratório, que é justamente para trazer esse espaço
01:55apropriado para a confecção de dispositivos de tecnologia assistiva de forma segura para
02:01nós, quanto profissionais e para os pacientes.
02:04Trabalho diretamente com a reabilitação do paciente vítima de queimadura.
02:08De modo geral, eles têm deficiência nas habilidades práticas do dia a dia, são
02:14dependentes nas atividades básicas da vida diária.
02:16A minha atuação é diretamente focada para reabilitar e resgatar essas funções do paciente.
02:23Além disso, a gente usa também de órteses e adaptações para resgatar também a funcionalidade
02:29e preservar o membro, prevenir também retrações, deformidades causadas pela queimadura, que é
02:37muito comum nesse processo do paciente de cicatrização, de melhora da lesão.
02:41Esse aqui é um dispositivo de baixo custo, feito de couro sintético, feltro.
02:47Todo esse material aqui é fornecido pelo hospital.
02:51Essa parte mais dura aqui é PVC.
02:55A colher também é doada pelo hospital.
02:57Eu utilizo esse dispositivo para o paciente que foi vítima de amputação bilateral.
03:03Então, o paciente perdeu os dois membros, ele ficou dependente em atividades que são
03:08significativas para ele.
03:11Alimentação, escovação de dente, uso do celular, dependendo do paciente, é uma atividade
03:17importante.
03:18Eu me sinto muito realizada, né?
03:20O paciente, quando ele recebe a notícia que ele vai ter que amputar o membro, para ele
03:25é o fim.
03:27Aí, na verdade, é um novo começo.
03:29Vai ter dificuldades, o paciente vai passar realmente por situações difíceis, mas que
03:35não é o fim, né?
03:37Ele vai reaprender a viver.
03:39Eu sempre digo para eles, eu construí a adaptação, vocês vão conseguir comer, mas quando
03:43vocês voltarem para casa, vocês vão dar um novo jeitinho.
03:46E o paciente sempre dá um jeito de ganhar autonomia, de ter independência.
03:53Então, olhar para o nosso paciente, ver como ele chegou sem esperança, dependente, e ver
03:59que ao longo do processo, ele voltou a comer, voltou a socializar, voltou a utilizar o celular,
04:06ele dá esse retorno para a gente, que ele consegue mandar mensagem para a família, que
04:10ele consegue escrever no celular, mesmo sem a mão, é muito gratificante.
04:15Era, isso era da minha mãe que eu dependia.
04:19Tudo era minha mãe, escovar a dente, me dar comida, mexer no telefone, para mim eu mandava
04:24ela digitar para mim e tudo.
04:26Hoje em dia não, eu digito, mando áudio para todo mundo.
04:29Muita gente até pergunta, como é que tu digita, Samuel?
04:34Como é que tu escreve, manda mensagem?
04:36Aí eu pego e explico, não, agora eu já tenho já o repositor, aí eu mexo bem.
04:41Antes, logo quando eu fiz a cirurgia, eu chorava, toda noite chorava, chorei muito, muito,
04:47muito mesmo.
04:48Hoje em dia não, hoje em dia é só você já pegar até com as duas mãos numa garrafa,
04:53esses dias até ter uma garrafinha.
04:55Aí eu estava ali nos banquinhos ali com a minha mãe, aí minha mãe, eu peguei,
05:01mãe, eu quero água, a garrafa está lá no quarto.
05:03Eu vim sozinho, peguei a garrafa, botei debaixo do braço e fui.
05:06Tchau, tchau.
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