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  • há 1 dia
Uma colher adaptada, uma órtese ou um dispositivo feito de espuma podem parecer objetos simples. Para quem está em processo de reabilitação depois de um acidente grave, porém, eles podem representar a possibilidade de voltar a realizar sozinho uma atividade cotidiana, como se alimentar, escovar os dentes ou usar o celular. É com esse propósito que funciona, desde 2019, o Laboratório de Tecnologia Assistiva (Labta) do Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência (HMUE), em Ananindeua.

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Transcrição
00:00A principal demanda atualmente dentro do setor são os pacientes que são vítimas de acidentes automobilísticos
00:06e de lesões na região da coluna, que são os traumatismos raquimedulares.
00:12A gente recebe esses pacientes em estado crítico mesmo, e ele vai progredindo com relação à melhora
00:19durante o período de internação aqui no Hospital Metropolitano.
00:23Todas as órteses de descompressão que temos no Hospital Metropolitano atualmente,
00:28ela é produzida aqui dentro do hospital e com materiais que a gente traz do almoxerifado.
00:36Pouquíssimos materiais que são comprados, esses poucos materiais em geral são de baixo custo e acessível,
00:41que são, por exemplo, o cano PVC, que é uma coisa que a gente acha que não faz muito sentido,
00:48mas ele tem essa finalidade e ele é acessível de baixo custo.
00:53Então a gente faz esse processo de tudo que a gente pode fazer que venha do hospital,
00:59a gente produz aqui, de materiais daqui, justamente para a gente fazer esse processo
01:04de alcançar o nosso paciente de forma rápida, eficaz e sustentável.
01:11Para poder, como são dispositivos que eles acabam sujando, eles precisam ser descartados,
01:16a gente precisa otimizar esse processo, para que eles sejam descartados de forma segura
01:21e para que eles sejam trocados de forma contínua e rápida, para poder garantir que a descompressão
01:27do paciente, que a saúde do paciente fique íntegra.
01:30A preocupacional já vem de berço com essa necessidade de trazer tecnologias assistivas
01:34para o ambiente hospitalar e houve a necessidade de trazer esse tipo de tecnologia assistiva
01:40para o metropolitano por causa do perfil dos pacientes.
01:44Foi a partir dessa necessidade que o grupo de profissionais desenvolveu um projeto muito
01:49bacana, onde houve a abertura do laboratório, que é justamente para trazer esse espaço
01:55apropriado para a confecção de dispositivos de tecnologia assistiva de forma segura para
02:01nós, quanto profissionais e para os pacientes.
02:04Trabalho diretamente com a reabilitação do paciente vítima de queimadura.
02:08De modo geral, eles têm deficiência nas habilidades práticas do dia a dia, são
02:14dependentes nas atividades básicas da vida diária.
02:16A minha atuação é diretamente focada para reabilitar e resgatar essas funções do paciente.
02:23Além disso, a gente usa também de órteses e adaptações para resgatar também a funcionalidade
02:29e preservar o membro, prevenir também retrações, deformidades causadas pela queimadura, que é
02:37muito comum nesse processo do paciente de cicatrização, de melhora da lesão.
02:41Esse aqui é um dispositivo de baixo custo, feito de couro sintético, feltro.
02:47Todo esse material aqui é fornecido pelo hospital.
02:51Essa parte mais dura aqui é PVC.
02:55A colher também é doada pelo hospital.
02:57Eu utilizo esse dispositivo para o paciente que foi vítima de amputação bilateral.
03:03Então, o paciente perdeu os dois membros, ele ficou dependente em atividades que são
03:08significativas para ele.
03:11Alimentação, escovação de dente, uso do celular, dependendo do paciente, é uma atividade
03:17importante.
03:18Eu me sinto muito realizada, né?
03:20O paciente, quando ele recebe a notícia que ele vai ter que amputar o membro, para ele
03:25é o fim.
03:27Aí, na verdade, é um novo começo.
03:29Vai ter dificuldades, o paciente vai passar realmente por situações difíceis, mas que
03:35não é o fim, né?
03:37Ele vai reaprender a viver.
03:39Eu sempre digo para eles, eu construí a adaptação, vocês vão conseguir comer, mas quando
03:43vocês voltarem para casa, vocês vão dar um novo jeitinho.
03:46E o paciente sempre dá um jeito de ganhar autonomia, de ter independência.
03:53Então, olhar para o nosso paciente, ver como ele chegou sem esperança, dependente, e ver
03:59que ao longo do processo, ele voltou a comer, voltou a socializar, voltou a utilizar o celular,
04:06ele dá esse retorno para a gente, que ele consegue mandar mensagem para a família, que
04:10ele consegue escrever no celular, mesmo sem a mão, é muito gratificante.
04:15Era, isso era da minha mãe que eu dependia.
04:19Tudo era minha mãe, escovar a dente, me dar comida, mexer no telefone, para mim eu mandava
04:24ela digitar para mim e tudo.
04:26Hoje em dia não, eu digito, mando áudio para todo mundo.
04:29Muita gente até pergunta, como é que tu digita, Samuel?
04:34Como é que tu escreve, manda mensagem?
04:36Aí eu pego e explico, não, agora eu já tenho já o repositor, aí eu mexo bem.
04:41Antes, logo quando eu fiz a cirurgia, eu chorava, toda noite chorava, chorei muito, muito,
04:47muito mesmo.
04:48Hoje em dia não, hoje em dia é só você já pegar até com as duas mãos numa garrafa,
04:53esses dias até ter uma garrafinha.
04:55Aí eu estava ali nos banquinhos ali com a minha mãe, aí minha mãe, eu peguei,
05:01mãe, eu quero água, a garrafa está lá no quarto.
05:03Eu vim sozinho, peguei a garrafa, botei debaixo do braço e fui.
05:06Tchau, tchau.
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