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A enxaqueca, considerada uma doença neurológica incapacitante, afeta cerca de 32 milhões de pessoas no Brasil — o equivalente a 15% da população, segundo dados do Governo Federal. Chamada clinicamente de migrânea, a patologia depende, também, da mudança de hábitos para ser mantida sob controle. Recentemente, um novo medicamento foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o Aquipta (atogepanto). A medicação é recomendada para adultos que passam por, pelo menos, quatro episódios mensais.
REPORTAGEM: LÍVIA XIMENES
IMAGENS: WAGNER SANTANA
REPORTAGEM: LÍVIA XIMENES
IMAGENS: WAGNER SANTANA
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NotíciasTranscrição
00:00Foi por volta de 1996, eu comecei a sentir umas dores de cabeça, que não passava só com analgésico, demorava
00:08demais a passar.
00:12Aí, foi, foi, e lá por volta do ano 2000, eu já procurei um tratamento, demorou, mas procurei um tratamento
00:22com neuro,
00:24e comecei a fazer uso do propolonol, e depois do prestique, depois, foram diversos medicamentos, mas principalmente a longo prazo
00:37foi esses dois, que eu mais demorei.
00:39Eu fiz o tratamento a longo prazo com o propolonol e o prestique, aí depois comecei a usar uma droga
00:47mais forte, que é o sumax,
00:49e aí, a gente não pode tomar assim todo dia, mas às vezes a enxaqueca incomodava tanto que eu tinha
00:56que tomar.
00:56Aí, meu filho, ele é endócrino, aí ele sugeriu um outro tratamento, ele falou assim, não, mamãe, vai com o
01:03neuro,
01:04eu tenho um neuro, que é o doutor Vitor Lopes, e o doutor Vitor Lopes falou assim, vamos tentar um
01:10novo tratamento,
01:11que está tendo agora, lá em São Paulo, numa clínica, a clínica se chama Redake, e eu estou fazendo isso
01:18há seis meses,
01:19e há seis meses eu estou sem dor de cabeça, não estou tomando medicamento, estou me sentindo muito bem,
01:26sem medicamento, né, que prejudica outros órgãos da gente, e são as aplicações que a gente faz na cabeça,
01:36e eu estou me sentindo muito bem.
01:39Isso passa por uma alimentação, aí, além do neuro, né, o neuro mandou passar com,
01:46a gente passa com a fisioterapia, passa com a nutricionista, psicólogo, passa com o dentista, né,
01:58eu estou do dentista, e tem alguns alimentos que, tem alguns alimentos que desencadeiam a enxaqueca,
02:09alimentos gordurosos, no caso, eu comecei, tem alguns alimentos que eu tinha tirado do meu cardápio,
02:21porque me desencadeava dor de cabeça, e não tinha jeito, eu não fazia uso,
02:27mas, ultimamente, assim, o café, por exemplo, o café a gente não pode mais tomar café,
02:34isso é a base da cevada, então, outro tipo de café, que não esteja, como que é o nome da
02:39droga do café?
02:40Que não esteja cafeína, que é o café de cevada, café de chicória, café de milho,
02:46aí esses podem, mas o café, o café não, e é um alimento que eu gostava muito, que era do
02:52café.
02:52Aí tem outros alimentos também, assim como alguns tipos de pimenta,
03:02não posso.
03:04Quem já teve dor de cabeça, sabe que os sintomas colaterais da medicação são presentes,
03:14um mal-estar, uma moleza, uma prostração, uma náusea, né, isso pode vir aí do uso da medicação,
03:22taquicardia, palpitação, pode ser associado, e tem limitações de uso, né,
03:26como, por exemplo, você não pode usar em pacientes cardiopatas, enquanto essa medicação você pode.
03:30Então, basicamente, ela trata a enxaqueca na base fisiopatológica da doença, né,
03:37que seria ali no receptor que você citou, ou seja, RP,
03:41e não tem efeitos colaterais outros que incapacitem ou que limitem o uso dela.
03:47E, doutor, além disso, o senhor falou, né, por exemplo, que as outras medicações pessoas cardiopatas não podem utilizar.
03:57Nós vimos que a nova medicação, ela é indicada para adultos, mas existem casos específicos,
04:04ou é qualquer adulto que tenha enxaqueca?
04:07Muito bem.
04:08Você precisa ter um diagnóstico de enxaqueca, você tem que passar com um médico,
04:11de preferência um neurologista, mas não é um diagnóstico exclusivo do neurologista, né,
04:16qualquer médico tendo o conhecimento necessário pode realizar esse diagnóstico,
04:22isso se aplica basicamente a toda a medicina, né, mas é importante a gente frisar isso.
04:26E aí a indicação vem por quê?
04:29Porque os estudos, inicialmente, são feitos em seres humanos adultos,
04:34por questões de consentimento, né, uma criança para fazer parte de um estudo é muito mais delicado, né,
04:40então os estudos com medicações novas são feitos em adultos e é realizada uma liberação
04:45baseado nesse estudo, que a gente chama de estudo pivotal.
04:50Então, inicialmente a medicação se inicia nos adultos, depois de forma observacional,
04:55ou seja, caso a caso é indicado em crianças, como, por exemplo, essas injeções subcutâneas,
05:00algumas você já pode usar a partir de seis anos de idade.
05:04Então, as enxaquecas da infância, que acontecem, que em geral vem muito associada a vômitos cíclicos, né,
05:10você pode utilizar essas injeções subcutâneas.
05:13As medicações novas, o GEPAM, que a gente chama elas, né, o RENI-GEPAM e o A2-GEPAM,
05:20elas já são mais destinadas a adultos, mas que com o tempo vão se aproximar aí das crianças, né.
05:27E também tem um outro público muito importante nas crises de enxaqueca, que é a grávida, né.
05:32A paciente grávida tem muita contraindicação à medicação, né, e os estudos estão se mostrando aos poucos seguros.
05:39Como é que são esses estudos?
05:40Mulheres que não sabiam que estavam grávidas acabaram tomando remédio e é analisado o caso dela.
05:46É analisado a criança, quando nasce e tudo mais.
05:48Então, o estudo nessas populações específicas, eles são mais lentos, né,
05:52por questões éticas e questões também de desenho de segurança do estudo clínico.
05:58Uma parte um pouco mais estatística da coisa, né.
06:02Mas, basicamente, a indicação com o tempo, logicamente, deve se extrapolar aí para as demais idades, né.
06:07E a nossa próxima pergunta foi justamente o que o senhor citou, sobre o RIME-GEPAM,
06:13que é uma outra medicação da classe dos GEPAMs também.
06:18Qual é a principal, ou as principais diferenças e mudanças que ele tem para o ator GEPAM?
06:25Muito bem.
06:26Eles são muito próximos.
06:28Basicamente, são de empresas diferentes.
06:30O objetivo de ambos é inibir esse receptor, né, de antagonizar, que a gente fala, esse receptor, né.
06:38O benefício clínico é muito próximo, né, ambos podem ser utilizados tanto na crise como na prevenção da dor.
06:45Então, o objetivo deles é muito mais comercial, né, de partículas diferentes.
06:50Então, cada uma tem uma patente diferente, né, você não pode copiar a molécula de uma outra empresa farmacêutica
06:58e fala, assim, com outro nome, né, no tempo que essa patente era vigente.
07:03Então, é basicamente uma questão mais comercial, assim,
07:06mas eles têm equivalência técnica e ambos, né, não estão ainda disponíveis para venda no Brasil.
07:12Quando a Anvisa libera, inclusive o GEPAM foi antes do ator GEPAM, não foi precificado ainda.
07:19A gente acredita que o preço vai ser muito próximo aí a essas medicações injetáveis subcutâneas
07:25que eu comentei para você em que o uso é mensal, né.
07:28Eu creio que a indústria também crê que o preço comercial dessas medicações fiquem pelo mesmo valor.
07:35E qual é o preço, doutor, a média?
07:39É uma pergunta muito boa.
07:41Eu sempre guardo ela com uma nuance de explicação.
07:44Porque é um preço elevado, mas a gente está falando de uma...
07:47Eu vou fazer só um parêntese, porque é muito importante a gente entender o que é enxaqueca no mundo, né.
07:52Ela é a principal doença neurológica que causa incapacidade.
07:56Ela é mais incapacitante que o acidente vascular cerebral.
07:59É a principal causa de afastamento ao trabalho, né, no mundo.
08:05Então, se você coloca, por exemplo, um profissional de alta performance, um empresário, um jurista, um professor, um médico,
08:15enfim, uma pessoa que tu afaste aí 20% da produtividade dessa pessoa,
08:19e que de 50% das vezes você acredita que poderia ser o melhor pai, uma melhor mãe,
08:24esse preço começa a ficar barato.
08:26Mas, em geral, é em torno de mil reais por mês, né, o tratamento com essas medicações.
08:31Para o nosso Brasil ainda é um valor que se aproxima aí de um salário mínimo, né,
08:36chega a ser boa parte do salário mínimo.
08:38Mas a tendência é baratear com o tempo, né.
08:40Quanto mais pessoas usarem, se for incorporada ao SUS,
08:44as empresas importadoras conseguem vender mais e, consequentemente, baixar o custo, né.
08:50Vocês estão vivendo aí de uma forma mais próxima, né, o preço dessas medicações para emagrecimento, né,
08:56que inicialmente era um valor bem alto, hoje já se pratica um valor inferior.
09:00E a tendência vai ser essa também.
09:03Então, o grande pulo é o início, né, e tudo no começo é um pouquinho mais caro.
09:10Sim, sim.
09:11E, doutor, o senhor citou sobre essa questão de que a aprovação imediata,
09:14ela não é, não significa que já vai ser comercializado.
09:18Depois da aprovação da Anvisa, o que é que precisa ser feito para esse medicamento ser vendido?
09:25E uma outra questão, ele vai ser comercializado em farmácias comuns
09:30ou as pessoas para adquirirem precisam comprar em pontos específicos,
09:34em locais específicos, hospitais ou algo do tipo?
09:39Tanto o subcutâneo, né, que já está no mercado,
09:43os antipotos monoclonais para enxaqueito,
09:45que nós temos dois no mercado brasileiro.
09:47Enquanto as medicações dos gifões, eles são comercializados sem receita médica.
09:52A única questão é que, às vezes, com a receita, você consegue entrar aí no clube de usuário
09:59frequente da medicação e entrar no programa de desconto, né?
10:03Então, em geral, vale a pena até mesmo para avaliar a eficácia.
10:06Se você vai na consulta, você tem certeza do seu diagnóstico, né?
10:10E, às vezes, quando você fica tratando uma outra patologia com essa medicação,
10:13o efeito vai ser limitado se não for uma enxaqueca, né?
10:16Ele tem essa limitação técnica aí, de diferente dos outros analgésicos,
10:20ele é direcionado para essa doença, né?
10:24O próximo passo após a liberação da Anvisa, né, que é a vigilância sanitária,
10:28é a precificação disso, né?
10:30Que passa também por regulamentações estatais, né?
10:33Tem a precificação, os impostos, até chegar no consumidor final.
10:37Essas medicações estão vendidas em farmácias de rede, né?
10:41Nas farmácias de bairro.
10:43E você pode também comprar pela internet, né?
10:45Cursar farmácias que entregam em casa.
10:48Então, na verdade, agora é uma questão mais administrativa das empresas de logística,
10:53de distribuição, que é necessariamente um marco, vamos dizer assim, um marco técnico, né?
11:02É muito mais administrativo.
11:04Creio que, antes do final do ano, esteja bem disponível nas farmácias.
11:08E essa corrida, né?
11:10Vendida ano passado, eu creio que ambos os medicamentos sejam ansiosos para serem comercializados.
11:15Enquanto não chega no consumidor final, a empresa, logicamente, fica tendo só prejuízo.
11:21Então, eu creio que eles estejam bastante interessados também em fazer essa medicação chegar no paciente.
11:26Mas é uma coisa muito mais administrativa e técnica, né?
11:30Do que necessariamente um problema aí junto à vigilância sanitária.
11:37Certo.
11:38E, doutor, além da vantagem da medicação agir diretamente na enxaqueca e não causar efeitos colaterais,
11:47no caso dos que o senhor citou, né?
11:49Como as náuseas e tudo mais.
11:51Existem outras vantagens que essa medicação tem sobre outros remédios?
11:56Sim, porque a grande dificuldade, a grande dificuldade do tratamento da enxaqueca, né?
12:02Tenho que ficar me segurando quando falo migrânia, né?
12:05Mas a grande dificuldade são os efeitos colaterais, sim, né?
12:09As pacientes que têm enxaqueca crônica, o que é crônica?
12:12Duração de mais de 15 dias por mês por mais de 3 meses.
12:16Ou seja, a maioria das pessoas tem um quadro...
12:19A maioria não, mas a boa parte tem um quadro crônico, né?
12:21Um quadro que requer um acompanhamento para você não ter crise.
12:25Muito parecido com outras doenças crônicas, como a pressão alta, a diabetes.
12:29São doenças que requerem um controle, né?
12:31Para você não ter complicações.
12:33A enxaqueca crônica tem o mesmo aspecto.
12:35Então, basicamente, as medicações para a enxaqueca crônica, elas são do grupo dos antidepressivos,
12:42o grupo dos antiepiléticos, são medicações de controle especial, com retenção de receita, né?
12:48Algumas medicações podem causar calvície, né?
12:52Não 100%, às vezes não pode gerar queda de cabelo.
12:55Outras podem aumentar o peso, outras podem mexer com ansiedade.
13:00Algumas até tratam ansiedade, mas aumentam o peso, né?
13:04Então, veja, você tem que dançar a prescrição de acordo com o perfil do paciente e das suas comorbidades.
13:10Comorbidades são doenças que o paciente tem.
13:12Por exemplo, uma medicação que reduz o apetite e melhora a enxaqueca, posso usar na pessoa obesa.
13:18Uma medicação que melhora a ansiedade e melhora a enxaqueca, posso usar na pessoa ansiosa, né?
13:24Mas todas elas têm ali uma questão de efeitos colaterais e também limitações em alguns grupos.
13:30Por exemplo, mulheres em idade fértil, né?
13:33Se você, no caso do paciente, está em idade fértil, você, sem o método contraceptivo,
13:41você não pode usar, por exemplo, o topiramato, né?
13:44Porque é uma medicação que na gestação ele é proscrita, que a gente fala.
13:48Só não tem em pacientes com extrema necessidade, pacientes de epilepsia de difícil controle, por exemplo.
13:55Então, veja, tem uma série de nuances que tem que ser conversado com o paciente.
13:59Então, o grande quê da enxaqueca, fora o difícil, que é a mudança do estilo de vida,
14:04se hidratar, dormir bem, se alimentar bem, ter relações interpessoais saudáveis,
14:10controlar o nosso psiquismo, controlar o nosso sono, né?
14:14Tem também os efeitos do remédio.
14:16Então, veja, é um caminhar cheio de nuances.
14:20E você desenhar isso pro paciente, pra isso se encaixar na vida dele,
14:24como uma chave fechadura, é muito mais fácil,
14:26quando o perfil de efeito colateral do remédio é nenhum, basicamente.
14:31Então, fica muito mais fácil medicar.
14:33Por várias vezes eu tive que trocar a medicação,
14:36porque o paciente não tolerou efeito colateral do topo.
14:38Controlei enxaqueca, mas esse ganho de peso aqui foi maior do que o esperado.
14:42Tem como a gente ver isso?
14:44O tratamento é baixar a dose do remédio, aumentar a possibilidade de crise.
14:49Então, fica aí nesse lençolzinho curto, né?
14:52O tratamento, a gente está aqui, cobra bastante da consistência,
14:55tanto do médico quanto do paciente.
14:57É o paciente que tem que ser revisitado.
15:00Revisitar como ele está tratando as crises.
15:02Revisitar a forma que ele está se expondo aos remédios pra crise,
15:05pra evitar tomar excesso de analgésico.
15:08Orientar as medicações pra crise.
15:10E, lógico, tomar as medicações preventivas.
15:12Aí, quando eu te dou uma medicação que tu pode usar na prevenção e na crise,
15:15tu facilita muito a vida do paciente, né?
15:18Eu te...
15:18Já dá pra ser até barato, já, né?
15:21Mas, realmente, ela traz uma série de benefícios aí,
15:26é um marco pra quem trata a dor de cabeça.
15:28E, doutor, agora não falando sobre a medicação,
15:31mas sobre a enxaqueca em si, a migrânia em si,
15:35quais são os principais pontos que diferenciam
15:38uma enxaqueca de uma dor de cabeça comum?
15:42Porque, às vezes, a gente tem a dor de cabeça comum
15:44e ela vem acompanhada de uma náusea,
15:46que não necessariamente é da enxaqueca.
15:48Mas, às vezes, a gente tem a enxaqueca e pensa,
15:51não, eu só tenho uma dor de cabeça e a náusea foi por outro motivo.
15:55O que é que o paciente pode se atentar de dizer,
15:59não, essa não é uma dor de cabeça comum,
16:00eu preciso buscar ajuda?
16:02É uma pergunta muito boa, né?
16:03Do ponto de vista prático, pra gente, o médico é fácil,
16:06porque o paciente, quando chega com a gente,
16:08ele já chega com várias experiências de dor.
16:11Ele sabe diferenciar.
16:12Mas, basicamente, pra quem nunca teve uma crise de enxaqueca,
16:15a enxaqueca, em geral, ela é unilateral.
16:18Ela não precisa cumprir todas essas características,
16:20mas essa seria, digamos assim, a enxaqueca,
16:22que a gente chama de nivro, né?
16:24Aquela enxaqueca com todas as características juntas,
16:27que seria unilateral, pulsátil,
16:31associada a náuseas, que é enjoo, né?
16:33Não precisa vomitar, né?
16:34Mas, ah, enjoo.
16:36Pode vir associado a vômitos.
16:39O som incomoda muito, que a gente chama de fonofobia.
16:43A luz incomoda muito, que a gente chama de fotofobia.
16:46E o principal, as crises são incapacitantes,
16:50ou seja, você tem que parar o seu dia.
16:53Na hora da crise pra frente, o seu dia tem que ser reavaliado,
16:57porque você não vai conseguir continuar.
16:59Então, esse aí é o cenário mais claro, né, enxaqueca?
17:02Agora, pode vir associado com tontura,
17:05com náusea, com intolerância ao movimento,
17:07com uma irritabilidade.
17:08O paciente sempre cita isso.
17:10E isso tudo, esses outros sintomas todos,
17:12melhoram aí quando você faz o acompanhamento,
17:14não só da crise, né?
17:16As pessoas melhoram, inclusive, do comportamento.
17:18Alguns pacientes referem, inclusive, melhor da questão alimentar, né?
17:22Há um entendimento de que crises de enxaqueca frequentes
17:26fazem com que a sua modulação do comportamento fique pior.
17:29Inclusive, a sua inibição do apetite.
17:31Então, uma alimentação muito repetitiva,
17:34em chocolates, em coisas gordurosas,
17:36pode ser, sim, sintomas que a gente chama prodômicos, né?
17:39De uma crise de enxaqueca, né?
17:41Não que todas as compulsões alimentares venham disso,
17:44mas o paciente que tem enxaqueca e tem uma questão alimentar,
17:46quando a gente controla a enxaqueca, ela tende a melhorar, né?
17:50Enquanto que essa aí é a enxaqueca, digamos,
17:54com 100% dos sintomas.
17:56Qual é a principal diagnóstico diferencial?
17:59Seria uma coisa que se pareça com a enxaqueca.
18:03É a cefaleia tensional,
18:04que é uma dor de cabeça mais em peso,
18:08bilateral,
18:09na fronte e na nuca, né?
18:13É associada a náuseas, vômitos e fotofobia,
18:15mais leve, incapacidade, leve, a moderada.
18:20Mais comum ao final do dia.
18:22E, basicamente, aquele paciente que está no trabalho e fala,
18:25nossa, eu preciso tomar um remédio para essa dor,
18:27mas ele segue ali,
18:29levando a vida dele normal.
18:31É muito bom que eu vejo as tuas caras, né?
18:33Eu tenho sempre uma amiga.
18:34É porque eu tenho enxaqueca, doutor.
18:38Quando me passaram essa pauta,
18:40falaram assim, olha, é a tua cara.
18:42Então, o senhor está falando, eu estou assim, é verdade.
18:46Uma consulta, você está ganhando uma consulta.
18:48É, mais ou menos,
18:49para eu já ir para encaminhamento,
18:51porque, ultimamente,
18:52umas crises aconteceram aí.
18:54E é justamente essa foi uma das questões
18:56que fez a gente buscar falar.
18:59Porque eu tive uma crise,
19:01e conversando com a chefia,
19:03nós notamos que outras pessoas também tiveram.
19:06Pessoas do nosso meio de convivência,
19:09notícias.
19:10Então, nós ficamos,
19:10peraí, tem alguma coisa acontecendo
19:12para muita gente ter,
19:14receber o diagnóstico
19:15e começar a tratar a enxaqueca.
19:19E aí veio a notícia dessa medicação.
19:21E uma coisa, doutor, que o senhor falou
19:23foi sobre a questão da alimentação,
19:25que, às vezes, tem um padrão alimentar
19:27que é proveniente da enxaqueca.
19:30Mas também existem,
19:32é verdade, melhor dizendo,
19:35é verdade que também existem alimentos,
19:38cheiros, locais,
19:39que desencadeiam,
19:41que são como um gatilho para a enxaqueca?
19:43Às vezes, as pessoas falam,
19:43ah, eu não posso tomar suco de maracujá,
19:45eu não posso comer pepino,
19:47porque me dá enxaqueca.
19:48Isso é um fato?
19:50Ou é muito,
19:51ou depende muito,
19:52ou é uma coincidência?
19:55Essa pergunta, ela é muito boa.
19:57É uma grande curiosidade,
19:58mas ela já é mais bem estudada.
20:02Nós temos os dois cenários.
20:05Existem algumas medidas,
20:06vamos começar pela alimentação como causa.
20:10A alimentação como causa da uma crise,
20:13isso é uma grande mentira.
20:17O que não quer dizer
20:19que ela não possa ser o estopim,
20:22o gatilho da crise?
20:24Ou seja, não existe enxaqueca alimentar.
20:27Já ouviu falar isso?
20:28Eu já ouvi isso pela internet.
20:30Por exemplo, tem vários neurologistas
20:31que devem ser bloqueados nas redes sociais,
20:34mas não existe enxaqueca alimentar.
20:36O que acontece é que a exposição
20:40a alguns corantes,
20:42sejam naturais,
20:44algumas substâncias,
20:45alguns conservantes,
20:46eles propiciam a crise.
20:49Por exemplo, aqui na nossa região,
20:51o açaí tem um efeito muito dicotômico.
20:54Ele é cheio de substâncias anti-inflamatórias,
20:57como flavonoides,
20:59mas, comumente,
21:00aquele açaí roxo,
21:01que tem até umas empresas
21:03que comercializam como uma nova marca da empresa,
21:05ele tem corante,
21:07o açaí aterroso.
21:08Ele tem conservante.
21:11Então, esses conservantes e corantes
21:13nos produtos naturais,
21:13eles podem causar, sim,
21:15o estopim de uma crise.
21:17Alimentos específicos
21:18vai muito mais do paciente,
21:20mas, por exemplo,
21:21melancia, que é vermelho.
21:23Alguns pacientes têm sucos gordurosos,
21:26como o tipo de açúcar.
21:28Ah, tem algum corante específico?
21:30Talvez tenha.
21:31Mas o paciente,
21:32quando tem muita crise,
21:33por coisa pequena,
21:35eu sempre comento isso no consultório
21:36e a gente vê a melhora disso,
21:38quando você controla a frequência da crise,
21:41melhora a exposição a essas coisas
21:44que davam crise antes.
21:45O que eu sempre dou
21:47é quando o relacionamento,
21:49o relacionamento entre o casal,
21:51não está bom,
21:51que qualquer coisa é motivo para a briga.
21:54Então,
21:56quando você está com um relacionamento afinado,
21:59pode vir um problema maior
22:00que vocês resolvem sem brigar.
22:01Então,
22:02é basicamente assim o controle de crise.
22:04Então,
22:04não é culpa da vergoncia,
22:06é culpa do assunto.
22:07Logicamente,
22:08uma alimentação
22:10mais regrada,
22:11melhor.
22:11Mas, por exemplo,
22:12estudos que expuseram
22:13os pacientes ao chocolate,
22:16como gatilho da crise,
22:17não se mostram
22:21positivos.
22:21Então,
22:22acredita-se o quê hoje em dia?
22:23Que alguns comportamentos alimentares
22:26seja um sintoma,
22:28um sinal
22:31premonitório da crise.
22:32Ou seja,
22:32a crise vai vir
22:33quando aquela vontade
22:34de comer doce
22:35já é um sintoma cognitivo
22:37da crise que está aqui,
22:38que vai evoluir para a dor
22:39lá na frente.
22:40Entendeu?
22:41Então,
22:42é interessante a gente se observar,
22:44né?
22:45Quando a gente trata a dor de cabeça,
22:47em geral,
22:47faz o Diário de Cefaléria,
22:49que é um aplicativo
22:50que vocês podem baixar no celular,
22:52chama-se Diário de Cefaléria,
22:53ele é verde,
22:54é de uma empresa,
22:55que eu não preciso citar,
22:56mas ele é muito interessante.
22:57E você leva para a consulta
22:59e já vai com os fatores
23:00gatilhos amarrados
23:01e você começa a ver
23:02que alguns gatilhos
23:04não são tão gatilhos assim,
23:05outros que você nem presta atenção,
23:07como a questão emocional.
23:08Ah,
23:09eu tenho uma reunião de pauta
23:11toda quinta-feira de manhã.
23:12Na quarta-noite,
23:13você está com dor de cabeça.
23:14Você está entendendo?
23:15Então,
23:17essa questão comportamental
23:19é muito presente,
23:20muito mais do que
23:21a questão alimentar.
23:23eu acho que é basicamente isso
23:25em relação a essa grande
23:26tema,
23:27alimento.
23:28Sim,
23:29e o mesmo equivale para cheiro?
23:31Porque algumas pessoas falam,
23:32ah,
23:32se eu sinto um cheiro doce,
23:33se eu sinto um cheiro cítrico,
23:35eu tenho enxaqueca.
23:36É enxaqueca,
23:38ou às vezes é uma dor de cabeça
23:39por reação do próprio organismo?
23:42O cheiro já é outro mecanismo.
23:44O cheiro pode ser um gatilho.
23:46Porque o cheiro acaba
23:48que ele mexe
23:50com as porções
23:53do cérebro
23:54mais visceral,
23:56que a gente fala,
23:57mais...
23:59do nosso lado mais animal.
24:01Alguns cheiros,
24:02eles deflagram
24:05gatilhos
24:05numa região do cérebro
24:07que a gente não tem tanto controle.
24:08Então,
24:08pode sim,
24:10como se fosse uma coisa mais
24:11tipo um ferormônio,
24:13um hormônio
24:15que deflaga
24:16o comportamento
24:17do ser humano.
24:19Então,
24:19isso acaba deflagrando
24:20e sim,
24:21um disparo
24:21dos neurônios
24:22que podem causar
24:24a crise de dor.
24:25Agora,
24:27cheiros específicos.
24:28Isso foi visto
24:29como positivo,
24:30essa relação.
24:31Mas é muito pontual.
24:32A grande maioria
24:33das pessoas
24:34que tem um perfume,
24:35um cheiro específico,
24:36ela não usa o perfume
24:37e está tudo bem.
24:38Não se torna um problema.
24:39a alimentação
24:40gera uma série
24:41de evitações
24:42desnecessárias.
24:44Certo.
24:45E doutor,
24:46para a gente encerrar,
24:48quais são os principais
24:50fatores associados
24:51à enxaqueca?
24:53Tem a questão do estresse,
24:54tem a questão emocional,
24:56existem outros fatores
24:58do dia a dia,
24:59da rotina,
25:00como um tipo
25:01de luz específica
25:03em casa
25:03ou um determinado
25:05ambiente
25:06que se frequenta
25:07e que tem muita exposição
25:08à luz
25:08e ao som?
25:10Eu faço um caminho
25:11muito contrário
25:12nas consultas
25:14de enxaqueca.
25:15Eu faço,
25:16passa,
25:16se aproxime
25:17do estilo
25:18de vida saudável
25:19que os gatilhos,
25:21eles vão ter
25:21menos valores
25:22da sua vida.
25:23Um exemplo,
25:24eu estou em um ambiente
25:24aqui institucional,
25:26a luz é branca.
25:27O que eu posso fazer?
25:29Você entende?
25:30Mas talvez,
25:30se eu tiver
25:31uma academia
25:32sendo realizada,
25:33um sono regular,
25:34um controle da minha emoção,
25:35um controle da minha alimentação,
25:36uma alimentação saudável,
25:38beber bastante água
25:40que faz,
25:41nossa região é quente,
25:43talvez essa luz branca
25:44nem me toque dela,
25:45você entendeu?
25:46Mas se alguns estímulos
25:47muito invigorosos,
25:48que é uma luz muito branca,
25:49um som muito alto,
25:50um cheiro muito intenso,
25:53podem deflagrar a crise.
25:54Mas eu sempre comento
25:55para o paciente
25:56que o mais importante
25:57para evitar,
25:58o cenário ideal
25:59é se aproxime
26:00do seu estado de saúde.
26:02Faça tudo aquilo
26:03que é fácil falar
26:05e difícil fazer, né?
26:06Tentar ter uma regularidade
26:08no sono,
26:09tentar ter uma alimentação
26:10à noite regular,
26:12sem muitas extravagâncias, né?
26:14Evitar produtos
26:16ultraprocessados
26:17e conservantes
26:18como a gente já faz.
26:19Beber bastante água,
26:21tentar fazer
26:21uma atividade física
26:22regular independente
26:24da sua vontade.
26:25Atividade física
26:26não precisa ser
26:27prazerosa sempre,
26:28ela é uma obrigação
26:29do seu corpo.
26:30Se puder ser um esporte
26:31que você gosta,
26:32ótimo,
26:32mas se não for,
26:34faça uma academia
26:35perto da sua casa.
26:36O bom,
26:37ele é inimigo do ótimo, né?
26:39Então, às vezes,
26:39o bom bem feito
26:40de forma consistente
26:41é melhor do que o ótimo
26:42uma vez por ano, né?
26:44Então, é basicamente
26:45isso que eu bato, né?
26:46Em relação a estilo de vida.
26:50O apogepano,
26:51ele é uma medicação
26:52que ele é uma medicação
26:53alvo específico
26:55para enxaqueca, né?
26:56E a atuação no organismo,
26:58ele é bem precisa.
26:59Ela atua no receptor
27:00que nós só temos
27:02basicamente
27:03na região da cabeça
27:05e pescoço, né?
27:06Nos neurônios
27:07que sentem a dor,
27:09que é o CGRP.
27:10E esse receptor
27:11que tem o nome
27:12comprido,
27:13que é receptor
27:14do peptídeo
27:15parecido com a calcitonina,
27:16né?
27:17Essa tradução
27:18vem do inglês
27:19e a sigla do inglês também,
27:21ele é um antagonista
27:23desse receptor.
27:24Então,
27:24esse receptor
27:25que deflagaria
27:26a crise de enxaqueca,
27:28ele é inibido.
27:29ele é antagonizado,
27:30o que a gente fala
27:31na medicina.
27:32E acaba sendo esse aí
27:33o objetivo do remédio,
27:36antagonizar,
27:37inibir
27:37a crise
27:38de enxaqueca.
27:41Ah, bem.
27:41Muito obrigada,
27:42doutor.
27:43Agora concluímos.
27:44Obrigada mesmo.
27:46E assim que a matéria sair,
27:47como eu falei,
27:48a gente manda para o senhor.
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