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Você sabia que nem todo caso de TDAH exige medicação? No Papo Saudável, com Marcio Atalla, o psiquiatra Dr. Felipe Lobo explica que o transtorno em adultos apresenta quatro polos e que, dependendo do quadro, pode ser necessária a intervenção medicamentosa. Em outros casos, apenas a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) já pode ser suficiente. Vem entender!
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NotíciasTranscrição
00:00E para explicar sobre o transtorno do déficit de atenção e hiperatividade, eu tenho o
00:10prazer de receber o psiquiatra, o doutor Filipe Lobo.
00:15O prazer é todo meu estar aqui com você.
00:17Oh, que prazer.
00:19Agora vamos lá.
00:21CDAH.
00:22Eita, vamos lá.
00:24Eu vou começar da minha infância.
00:26Quando você ouve os relatos ali do que é o CDAH, o que são os sintomas, vamos dizer
00:35assim, provavelmente eu tinha e muitos coleguinhas meus ali tinham.
00:39Sim.
00:40Muita dificuldade em se concentrar, em terminar as tarefas.
00:45Você não tinha, na verdade, um grande diagnóstico e aí você ia muito na disciplina.
00:52Eu acredito que o meio ambiente ajudava, porque você não tinha tantas distrações como tem
00:59hoje.
01:00Perfeito.
01:00E as pessoas acabavam, não sei se, superando isso ou aprendendo a conviver, criando estratégias
01:09para conviver com isso.
01:10É.
01:11É por isso também que tem menos diagnóstico no passado do que hoje?
01:15Interessantíssimo, né, o que você está colocando.
01:18Assim, a compreensão sobre o TDAH é uma compreensão cada vez mais recente.
01:25Antigamente ela era entendida, né, e os primeiros nomes eram a doença da lesão mínima, porque
01:30se fazia lá um estudo no cérebro e não se via nada de diferente.
01:35Então, pensava assim, deve ter uma lesão mínima que ninguém está vendo nada, né.
01:37Mas o que eu quero colocar é assim, cada vez mais o entendimento e os critérios diagnósticos,
01:45a forma como a gente vê isso, tem evoluído.
01:48De tal maneira que, assim, se você pegar o critério diagnóstico de 10 anos atrás, é
01:52diferente do critério diagnóstico atual, né.
01:54Ou seja, a gente está ampliando o conhecimento e podendo nomear, identificar e se apropriar,
02:01falar, não, isso daqui é dessa síndrome, né.
02:04E aquilo que a gente achava que antes era, não é, e vai se diferenciando, que é o
02:08caminho mesmo da psiquiatria.
02:09Todos os transtornos psiquiátricos foram assim, né, foram sendo modelados a partir de
02:14entendimentos modernos, né.
02:16Agora, o que acontece, né, assim, a criança com TDAH, ela muitas vezes é tida como uma
02:22criança arteira, uma criança errada, né, assim, e os pais às vezes, né, vão para
02:28atitudes extremas, batem, botam de castigo.
02:32Lá, antigamente, então, pois é, né, assim, não ajuda.
02:38Por quê?
02:38Porque esse transtorno, né, o transtorno, ele acontece por uma deficiência de dopamina
02:47em projeções do lobo pré-frontal, que é a região que organiza o psiquismo, né,
02:53que ajuda nessa organização psíquica.
02:55Então, se falta dopamina, não é batendo que você vai resolver, né, assim, que essa
02:59dopamina aconteça.
03:01O que vai acontecer é que você vai, então, colocando um cabresto ali para a criança,
03:07então, de alguma maneira, ela ficar com aquelas deficiências, mas não externalizar da maneira
03:13que o adulto não gosta.
03:14Mas ela continua com aquelas deficiências, ela continua com aquele problema, né, assim.
03:18Você falou de uma síndrome que vai evoluindo o entendimento.
03:21Isso.
03:21Você tem algumas medicações.
03:24Isso.
03:25O ponto é, você acha que em determinado momento houve um exagero nesse diagnóstico?
03:32Todo mundo que tinha alguma outra deficiência, que não necessariamente essa, era diagnosticado
03:38com TDAH e entrava na medicação?
03:40É, esse ponto é importantíssimo, né?
03:43Olha o que acontece.
03:45Atualmente, a gente sabe que o TDAH, ele é extremamente prevalente, né?
03:49A gente está falando de uma condição que ela impacta, ela acontece em 8% da população
03:56mundial.
03:57Sempre foi assim?
03:58É, cada vez, é difícil de saber, né, assim, porque a gente está conseguindo ter uma medição
04:05mais adequada e acurada atualmente.
04:07Então, a gente não consegue dizer muito do passado se realmente, desde, se isso é um fenômeno
04:13da natureza humana.
04:14Eu tenho uma teoria.
04:16Pode falar.
04:16Vamos pensar.
04:17Que é assim, pensa assim, obesidade.
04:19Tá.
04:20Em 1989, o Brasil tinha 13% das pessoas acima do peso, menos de 4% obesas.
04:26Sei.
04:27Nossa genética não muda.
04:29A gente evolui ali, 35, 40 anos, você tem 70% da população, 68% acima do peso, mais
04:37de 30% obesas.
04:38Uau.
04:38Você tem uma questão do meio ambiente.
04:40Isso.
04:41que acaba levando as pessoas a manifestar alguma coisa.
04:44Perfeito.
04:45Com esse excesso de informação, de tecnologia, de estímulo, o tempo inteiro, você sendo
04:52acessado, muita informação, isso pode ter acendido esse pavio aí?
04:57Pode.
04:58Mas como é que a gente responde com mais precisão a essa pergunta?
05:02A gente responde assim, qual é o tamanho, nas compreensões atuais, qual que é o tamanho
05:10do peso genético para esse transtorno e qual que seria, então, por tabela, o tamanho
05:18do peso ambiental para esse transtorno?
05:20O nome disso é o conceito de herdabilidade.
05:24Herdabilidade é o tamanho do peso genético para algo.
05:27Qual que é a herdabilidade da depressão?
05:3036%.
05:30Ou seja, 36% do transtorno depressivo maior é determinado por gene.
05:35E o resto?
05:36Fatores ambientais.
05:37A depressão, o transtorno depressivo maior, ela é muito determinada por fatores ambientais.
05:41Mais 60%.
05:41Mais 60%.
05:43Então, como é que foi a vida dessa pessoa?
05:45Quais foram os traumas pelos quais ela passou?
05:47Como é que foi a relação com as dificuldades que ela teve?
05:50Como é que foi a vivência familiar?
05:51Como é que foram...
05:52Então, tudo isso impacta.
05:54E no TDAH?
05:55A herdabilidade do TDAH é de 70% a 80%.
05:58Ou seja, fatores genéticos impactam muito.
06:02Bastante.
06:02Ou seja, 20%, 30% é o fator ambiental.
06:06Mas, agora se você pegar, que é o que o Ponto está colocando, assim, a gente vive
06:10hiperestimulado.
06:12É longe.
06:12Será que uma rede social, não sei se posso falar o nome de rede social, mas uma rede
06:19social aqui, que fica ali, que você fica toda hora mudando.
06:22Você acha que ela está treinando o quê?
06:24Ela está treinando a manutenção atencional?
06:26De foco.
06:27Ou a mudança de foco a todo momento?
06:29A mudança de foco.
06:30Se você ficar ali meia hora...
06:32Você está fazendo um treino de mudança de foco.
06:34Depois você vai reclamar.
06:34Eu não consigo ficar lendo um livro.
06:36Claro, querido.
06:37Porque você passa oito horas do dia vendo uma rede social que está te treinando a ficar
06:43alternando, alternando, alternando, alternando, alternando, e sentindo prazer, prazer, prazer.
06:47Aí você vai pegar um livro que tem momentos chatos, aí você pega lá, assim, algum livro
06:50lá da romantismo, vai ficar, assim, cinco páginas de escrever na cortina do quarto da
06:56inocência lá, assim, do Visconde de Toné.
06:59Você fala assim, meu Deus, eu não aguento.
07:00Então, a gente perde um pouco desse treino.
07:02Então, claro, o fator ambiental deve contribuir, e contribui, 20%, 30%.
07:07Mas é um transtorno que também tem muita questão genética.
07:10Mas a pessoa podia ter esse componente genético e não manifestar, por ser um meio ambiente
07:15menos estimulante?
07:16Poderia, poderia.
07:17Isso existe, né, assim, inclusive a gente pode pensar até assim, olha, todo o TDAH precisa
07:23tomar medicação?
07:24Essa é uma boa pergunta.
07:25É uma excelente pergunta.
07:26Né, assim, todo o TDAH precisa tomar medicação?
07:29Não.
07:30Por quê?
07:31Porque o tratamento completo do TDAH, ele envolve TCC e medicação, mas nem todo mundo precisa
07:39da medicação.
07:39Então, se for um TDAH mais leve a moderado, eu posso dar conta só com a TCC, porque aí
07:45eu vou fazendo esse treinamento dessas vias, né, se eu for ajudando essas vias a trabalhar
07:50melhor e tiro os confundidores do meio ambiente, entende?
07:53Entendo.
07:54Eu entrevistei alguns neurocientistas que falaram uma coisa pra mim, que o nosso cérebro, o ser
08:01humano, ele não é multitarefa, ele alterna a atenção.
08:06Isso.
08:06Perfeito.
08:07Então, quando você está falando que a pessoa já tem essa dificuldade...
08:11Isso.
08:12E hoje, dificilmente, você está fazendo uma tarefa só...
08:16Aham, isso mesmo.
08:17Perfeito.
08:18Isso acaba criando um desconforto, parece que muito maior na vida da pessoa, acaba atrapalhando
08:23mais a vida da pessoa.
08:25É mais ou menos isso?
08:27Isso, né, assim, na verdade, é assim, a dimensão psíquica que dá conta de tarefas, a gente
08:36chama de função executiva.
08:39A função executiva, ela é o secretariado do cérebro, né?
08:42É ela quem planeja, é ela quem determina, determina o objetivo, é ela quem sequencia
08:47etapas, é ela quem alterna a atenção, é ela quem monitora a atenção, é ela quem
08:52inibe, há uma etapa, não, agora não é essa hora, né, estou lá fazendo um bolo, aí
08:56eu já quero botar o fermento.
08:57Não, não, não, agora não é a hora do fermento, é essa etapa que é a hora do...
09:00Ela que faz a inibição.
09:01Percebe que a função executiva, ela está dando conta da funcionalidade total desse
09:05indivíduo, né?
09:06É, aonde repousa a função executiva?
09:09No lobo pré-frontal, né?
09:11E quem que aciona o lobo pré-frontal?
09:13Muitas coisas, mas a mais importante seria aí o influxo dopaminérgico, que é o que
09:18falta no TDAH.
09:20Falta esse influxo dopaminérgico.
09:21A gente tem que repor esse influxo para poder conseguir ter uma ativação plena do lobo
09:25pré-frontal.
09:25Por isso que, né, na abertura, você está falando ali, você já se viu em situação
09:29que você está fazendo várias tarefas e não conclui nenhuma, tem muito ruído na cabeça.
09:33O que é isso?
09:33Falta de controle inibitório, o ruído está vindo na cabeça, era para poder ter o controle
09:38inibitório.
09:38Falar assim, não, não é hora de pensar nisso, é hora de focar naquilo ali.
09:41Não, é hora de terminar essa etapa e não começar a outra.
09:44Isso é o secretariado do cérebro, né?
09:46Mas quem tem TDAH, se perde nisso, porque o lobo pré-frontal não está totalmente ativado.
09:51Mas você acha que, por exemplo, depois a gente entra em medicação.
09:54Tá bom.
09:55Mas quando você é garoto e você tem ali uma base disciplinar muito forte, isso
10:03pode ajudar de alguma maneira.
10:05Isso pode.
10:06Eu vou dar um exemplo mais prático.
10:08Tá, vamos.
10:09Eu e meu irmão.
10:11Tá.
10:11Meu irmão é um cara organizado, começa, sabe onde quer chegar.
10:18Eu era tudo aquilo que você definiu aí de TDAH, né?
10:22Só que a gente foi estudar num colégio onde era extremamente rígido, não sei o quê.
10:27Eu tive muita dificuldade e muita facilidade.
10:29Mas essa dificuldade me ajudou o resto da vida a ter secretariado que você falou.
10:36Perfeito, perfeito.
10:37Mas isso, veja, então o que você está me dizendo?
10:40Que a depender da minha inteligência, aí eu vou ter que usar outras funções psíquicas.
10:45Eu vou criando mecanismos compensatórios que vão me dando a possibilidade de, em tendo
10:51o TDAH, ainda assim, prosperar e tá aí hoje o Márcio Atala, conhecido, famoso.
10:57Ou seja, se você tem outros recursos psíquicos que conseguem fazer um sistema de compensação,
11:03ótimo.
11:04Se você não tem esses recursos, você vai padecer.
11:08Porque a gente tem que tomar um cuidado de que o TDAH não é um problema só de disciplina.
11:15A disciplina pode ajudar.
11:17Ela pode ser um dos mecanismos compensatórios que dá conta.
11:20Mas uma pessoa que tá sofrendo lá de TDAH e que tá perdida, e muitas vezes tem muita
11:25disciplina, mas não consegue mesmo, né?
11:27E aí essa pessoa vai ter que tomar uma medicação, né?
11:30Só a medicação resolve?
11:32Ou você tem que entrar com uma série de comportamentos pra ajudá-lhe?
11:36Essa pergunta é ótima, viu?
11:39Veja, então, o TDAH do adulto, ele é, as pessoas têm uma imagem, né, de que TDAH é
11:46transtorno de déficit de atenção e hiperatividade e impulsividade.
11:52Só, acabou, e, enfim.
11:54Não.
11:55Né, assim, o TDAH do adulto, ele tem, na verdade, quatro polos.
11:59Ele tem o déficit de atenção, ele tem a hiperatividade e barra impulsividade,
12:03ele tem a disfunção executiva, que é essa questão do secretariado,
12:07e ele tem a desregulação emocional.
12:10Medicação dá conta de quê?
12:12Desses dois aqui, ó.
12:13Medicação dá conta de atenção, medicação dá conta de hiperatividade e impulsividade.
12:18Disfunção executiva?
12:21Disciplina, TCC, né?
12:22A gente tem que encaminhar o paciente pra TCC.
12:23Às vezes o paciente fala assim, eu tô tomando remédio de TDAH, né, assim, tô fazendo tudo,
12:28mas eu continuo deixando um bando de coisa pelas metades.
12:30Mas, assim, mas eu tô mais focado, o barulho me distrai menos, tá?
12:33Mas eu deixo as coisas pela metade.
12:34Pois é, querido, porque você, focadamente, eu estou focado,
12:39e eu focadamente largo o que eu estou fazendo.
12:41Começo a fazer o que eu lembrei, que o outro, uma pendência que eu tinha pra fazer.
12:46Não é uma questão de estar na distraibilidade,
12:50é que você está tomando decisões atravancadas.
12:53As decisões, então isso é da disfunção executiva.
12:56Quem que resolve isso?
12:57A TCC.
12:58Isso não é medicação.
12:59Você pode aumentar, botar a dose máxima, explodir a dose da bula,
13:02que não vai resolver, né, assim.
13:04Mesmo que, outro ponto é a desregulação emocional.
13:09Desregulação emocional, pra quem tem TDAH, sabe que, assim,
13:11eu tô daqui de boa, rindo, tal.
13:14De repente, acontece alguma coisa,
13:15ai, gente, ela dá uma explosão.
13:17Você fala assim, o que que é ir?
13:18Calma.
13:19Né, assim, tem uns momentos de rompande.
13:21Tem isso.
13:21De 20% a 80%, né?
13:24Olha, em estatística, tem estudo que 80% dos adultos que tem TDAH,
13:28tem estudo que fala 20%, 30% tem.
13:31Mas você vê, a disfunção executiva é de 30% a 50%, né?
13:34E a desregulação emocional é de 20% a 80% dos adultos.
13:37Então, assim, essas questões, né, a medicação, às vezes, não dá conta.
13:42Então, por isso que eu digo, o tratamento integral seria uma associação dos dois
13:48para os casos em que o paciente precisa realmente tomar medicação.
13:51Porque quem é muito leve, a TCC pode dar conta de tudo.
13:54Aí, agora, falando dos medicamentos.
13:58Boa.
13:58Olha que louco.
14:00Você tem um efeito, parece que um desses medicamentos,
14:03ou dois desses medicamentos, classe desses medicamentos TDAH,
14:07ele tem um efeito off-label, que é de emagrecimento.
14:12Isso.
14:12O que virou um label, né?
14:13Atualmente é label já.
14:15E aí, muita gente acaba consumindo sem ter o transtorno.
14:22Isso.
14:22Isso é muito...
14:22Causa algum problema para a pessoa?
14:25É isso.
14:25Veja, eu posso só fazer um parênteses, né,
14:30que eu acho muito importante ser dito, assim.
14:34Todo mundo que está tomando remédio psiquestimulante tem realmente TDAH?
14:38Não.
14:38Tem um erro, temos erros diagnósticos.
14:41Mas nem todo mundo que tem TDAH está tomando a medicação que deveria tomar.
14:45Uma parcela do que deveria tomar não está tomando.
14:48Uma condição que acomete 7% da população brasileira era para 16 milhões de pessoas terem sido diagnosticadas.
14:57Não tem 16 milhões de pessoas diagnosticadas.
14:59Mas tem muita gente que não é e que tem e que está sendo diagnosticada.
15:02Entende?
15:02Entendi.
15:03Tem uma distorção aí.
15:04Agora, falando da medicação.
15:06E aí, tanto para quem não tem e está tomando a medicação, né, que está dentro desse erro diagnóstico,
15:11quanto para quem está tomando a medicação para outros fins que não deveriam, que não deveriam ser.
15:15Qual que é o problema do psiquestimulante?
15:17É que ele propõe um aumento massivo de dopamina, né?
15:21E não necessariamente essa dopamina está conseguindo ser reposta na velocidade em que está sendo consumida.
15:28Qual que é o problema, então, da utilização de psiquestimulante, se eu não tenho o diagnóstico e estou lá tomando,
15:35ou se eu estou tomando ele para outros fins, né?
15:38É que a velocidade com que está sendo consumida a dopamina pelo uso do psiquestimulante
15:44pode não ser a velocidade que eu consigo repor essa dopamina.
15:46Então, eu estou, na verdade, cultivando uma escassez dopaminérgica que está sendo mascarada pelo uso do psiquestimulante,
15:54que ele está ali, o pouco que tem, ele está consumindo, né?
15:57Vai chegar um momento que eu estou mais predisposto a um transtorno depressivo maior, né?
16:03Muitos pacientes que tomam, muitas pessoas que estão tomando psiquestimulante aí, né, sem critério, vão abrir quadro de depressão.
16:09E aí, um transtorno pode levar a um outro problema, que é o caso depressivo.
16:14Exato, né?
16:15Assim, o uso do psiquestimulante...
16:17Porque, veja, os estimulantes geram depressão, né?
16:20Cocaína.
16:21Qual que é o problema da dependência de cocaína?
16:22Grande parte dos pacientes vão entrar na depressão.
16:24Está consumindo a dopamina.
16:26Assim, crack, depressão.
16:28Assim, é psiquestimulante de farmácia, né?
16:31Assim, se eu ficar usando ele incorretamente, depressão.
16:34Outro problema é a possibilidade...
16:37Esse é um problema um pouco mais teórico, mas a gente que é da área já viu, né?
16:41Uma abertura de um quadro psicótico.
16:43Assim, porque você está mexendo na regulação de um neurotransmissor, que é o principal neurotransmissor envolvido nas psicólogas, que é a dopamina.
16:51A dopamina é qualquer questão da esquizofrenia, um desbalanço dopaminérgico.
16:55Falta em uma região e tem acesso em outra.
16:58E a pessoa está ali tomando psiquestimulante e está propondo excessos dopaminérgicos.
17:01E depois uma falta dopaminérgica pelo consumo.
17:05Então, a utilização do psiquestimulante de uma maneira não criteriosa, sem indicação, vai impactar tanto o humor quanto o sono, nutrição.
17:17E isso pode piorar o sono.
17:18Pode piorar o sono.
17:20Na verdade, até para quem tem TDAH, às vezes a pessoa tem o TDAH, precisa do psiquestimulante.
17:25E aí, o problema é que você passa o psiquestimulante e ele tem um problema de sono secundário do psiquestimulante.
17:30Então, a gente precisa saber manejar isso, né?
17:32É da área, a gente saber manejar.
17:34Agora, existem alguns hormônios que quando você faz o uso sem necessidade, o corpo entende que, opa, eu não preciso produzir.
17:44Ah, entendo. Perfeito.
17:45Isso pode acontecer com o TDAH?
17:47Não, não. Não é dessa natureza, né?
17:50Assim, porque os eixos que são assim, são eixos em que são outras substâncias quem determinam a produção daquela.
17:58E aí, se eu tenho muito daquela, vai ter que ter uma supressão dos que determinam.
18:02Como é, sei lá, um eixo tireotrófico, tireoide, um eixo gonadal, né?
18:08A pessoa que toma lá anabolizante vai ter uma redução.
18:10Mas, no caso da dopamina, a gente não está mexendo num hormônio, a gente está mexendo num neurotransmissor.
18:17A gente está fazendo a reposição, tentando ajustar a quantidade de dopamina que estava faltando.
18:25Então, a gente está repondo mesmo, é uma reposição de dopamina.
18:28Só que eu reponho quando falta.
18:30Se não houver falta, eu estou consumindo demais.
18:33Estou colocando um excesso de dopamina ali que vai ser depois degradado e vai faltar.
18:38Essa é a questão.
18:38E aí entra sempre o problema, eu quero tocar duas coisas aqui de rede social.
18:44A primeira delas é o seguinte, como o problema fica muito discutido e hoje, mesmo os médicos precisam se apresentar nas redes sociais para ter algum tipo de relevância.
18:57Tem uma vitrine, né?
18:58Tem uma vitrine.
18:59Como escolher um profissional bacana, que vai ser criterioso e conseguir identificar isso, desses profissionais de internet que saem prescrevendo sem muito critério?
19:14Isso é um desafio muito grande, né?
19:15Porque já é desafio em outras áreas menos sensíveis.
19:18Então, não existe uma receita de bolo, né?
19:23O que a gente costuma ver é que a gente tem que tentar, né?
19:27Acho que a orientação que eu pensaria para a população é assim, procura realmente ver a formação daquele médico que você vai, né?
19:35Existem pesquisas que mostram que as pessoas, que o público leigo não tem ideia do profissional, julgam a qualidade do profissional por critérios que não são curriculares.
19:50Se ele está bem vestido, se ele tem muitos seguidores, e aí a pessoa compra aquela ideia ali, né?
19:57Se ele está oferecendo uma solução com menos esforço.
20:00Exatamente, né?
20:02É uma coisa milagrosa, né?
20:04Ou se ele está dizendo que eu não tenho algo que todo mundo já disse que eu tenho, mas ele fala que não, que não existe isso e que se eu tomar suplementos, eu vou ficar...
20:12Ah, então está dialogando com o meu desejo de não ser doente.
20:15E não com o desejo de cuidar do que a gente tem.
20:18A gente pode... Todos nós temos as nossas questões, né?
20:22A gente tem que saber o que a gente faz com as nossas questões.
20:24O que eu faço com os meus defeitos?
20:25Eu ignoro, finge que não tenho?
20:27Fico procurando alguém dizendo que eu não sou assim?
20:29Né?
20:29Assim, calma aí, eu vou cuidar desse defeito.
20:31Conheço muita gente assim.
20:35Agora, deixa eu perguntar outra coisa.
20:38Você comentou de Instagram, TikTok e tal, que ele estimula demais...
20:45Alternância.
20:46Alternância, esse estímulo muito rápido.
20:50Para uma criança, limitar o uso é importante?
20:55Fundamental.
20:56Fundamental.
20:57Assim, não é a psiquiatria só quem diz isso, né?
21:02Se você pegar as orientações da Sociedade Brasileira de Pediatria, né?
21:06E, claro, a psiquiatria da infância em si, né?
21:11Que é uma área mais especializada ainda.
21:13Não existe em nenhum lugar do mundo a ausência desta orientação.
21:20Deve-se limitar o tempo de tela das crianças.
21:23E, assim, não só na questão mental, mas também na questão cardiovascular, osteoesquelética, né?
21:32Assim, ela precisa se desenvolver e ela se desenvolve na atividade, mas é uma atividade física também, né?
21:38Assim, a tela, ela propõe uma limitação de diversos sistemas, não só o psiquismo.
21:45E aí você tocou num ponto que eu gosto muito, que é o seguinte.
21:50Esse programa devia durar três horas.
21:52Vamos fazer uma rave.
21:53É, é um rave.
21:55O que acontece?
21:56Você falou de saúde integral, né?
21:58Então, muita gente fala, vou cuidar da saúde da mente como se isso fosse uma coisa dissociada do corpo.
22:05Quando a gente sabe que, muitas vezes, você fazendo uma atividade física, você colocando o seu corpo em movimento,
22:10você vai liberar uma série de neurotransmissores, uma série de hormônios,
22:14você vai produzir muitas substâncias que vão ajudar esse equilíbrio.
22:17Perfeito.
22:18É por aí?
22:19É por aí, né?
22:20E eu acho, não, a gente sabe que as atividades físicas também melhoram o TDAH em si,
22:27porque promove mais liberação dopaminérgica, poupando até da pessoa ter que usar muita medicação.
22:33Então, se eu tenho um paciente...
22:34Isso para todos os transtornos, viu?
22:36Assim, depressão é a mesma coisa, né?
22:39Na depressão, a gente tem um nome que é dado, que é ativação comportamental.
22:45Assim, claro que não dá para fazer com todos os pacientes.
22:48Se o paciente estiver num quadro depressivo muito grave, você não consegue falar, vai, levanta, vai ver a vida.
22:53Não, não dá, né?
22:54Assim, tem que sair do quadro grave.
22:55Mas tendo uma depressão mais leve à moderada, né?
22:58Assim, o estímulo de sair, viver, se relacionar e, assim, propor ativações de comportamento, né?
23:06Isso promove liberação de neurotransmissores e neuromoduladores que vão ajudar no trofismo dessas vias, né?
23:12Manter essas vias mais ativadas.
23:14No TDAH é a mesma coisa.
23:16E você vê muitos pacientes que têm TDAH é meio, entre aspas, viciados em esporte.
23:22Então, isso é interessante, porque ele está procurando recursos de fazer essa liberação, que é mais dificultosa para esse sistema.
23:31Ou é isso, ou você vê também, o que é muito comum, TDAHs e o uso de substâncias.
23:37É um dos principais fatores de risco para a dependência química, é ter TDAH.
23:40Porque está em busca da dopamina perdida.
23:42Cadê minha dopamina?
23:43E começa a achar, né?
23:44Na cocaína, é um problema.
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