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Renan Santos defendeu que o Brasil avalie o desenvolvimento de armas nucleares para assegurar soberania territorial e peso internacional.

A proposta de criar um programa nuclear militar altera a linha histórica da diplomacia brasileira, focada na não proliferação e na solução pacífica de controvérsias.

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Transcrição
00:00O candidato à presidência da República pelo partido Missão, Renan Santos,
00:04defendeu em sabatina ao Jornal Nacional que o país inicie discussões sobre o desenvolvimento de armas nucleares.
00:10Segundo o presidenciável, a medida seria estratégica para garantir a soberania territorial e militar do Brasil
00:17diante do atual cenário geopolítico global.
00:20A proposta enfrenta barreiras legais e contraria acordos internacionais dos quais o Brasil é signatário.
00:27A Constituição Federal determina que as atividades nucleares em território nacional tenham fins exclusivamente pacíficos
00:34e o país é aderente ao Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares e ao Tratado de Tlatelolco.
00:46É isso?
00:47Tlatelolco.
00:48Tlatelolco.
00:50Tlatelolco.
00:51Seu Asteca está perfeito.
00:52Meu Asteca não está lá, essas coisas.
00:56No ano passado, o ministro das Minas e Energia, Alexandre Silveira,
00:59defendeu também que o Brasil desenvolve energia nuclear para fins de defesa.
01:03Vamos lembrar.
01:10Um país que é gigante pela própria natureza, que tem 11% da água doce no planeta, que
01:17tem clima tropical, que tem solo fértil e que tem tantas riquezas minerais, é importante
01:26que a gente continue e leve muito a sério a questão nuclear no Brasil, porque no futuro
01:31nós vamos precisar da nuclear também para a defesa nacional.
01:39Garantindo a nossa soberania.
01:43Não foi a primeira vez que o ministro de Lula flertou com essa ideia.
01:47Logo no primeiro ano do primeiro mandato, o ministro da Ciência e Tecnologia, Roberto
01:52Amaral, defendeu a bomba atômica nacional em uma entrevista para a BBC Brasil.
01:57O deputado cassado Eduardo Bolsonaro, quando presidente da Comissão de Relações Exteriores
02:02da Câmara, defendeu, isso foi em 2019, que o Brasil tivesse armas nucleares e disse
02:07que o país seria levado mais a sério se tivesse um poder bélico maior.
02:11Vamos ver esse vídeo também.
02:12É um tema muito complicado, mas eu acredito que pode um dia voltar ao debate aqui.
02:18Quem sabe, resgatando as falas do doutor Enéas Carneiro, saudoso Enéas Carneiro, que
02:23quando falava isso falavam que ele era maluco.
02:26Mas, por exemplo, são bombas nucleares que garantem a paz ali.
02:29Cadê o colega do Paquistão?
02:30Tem um colega do Paquistão aqui, não tem?
02:33Como é que é a relação do Paquistão com a Índia?
02:36Se só um dos lados tivesse uma bomba nuclear, será que seria da mesma maneira que é hoje?
02:40Óbvio que não.
02:46Bom, a única pessoa que se importaria se o Brasil tivesse uma arma nuclear era os Estados Unidos, né?
02:51Você acha que ia ser uma boa política para apaziguar o Donald Trump e desenvolver uma bomba
02:57calúmica?
02:58Olha, se o Brasil tivesse uma bomba nuclear, eu ficaria preocupado.
03:02Porque imagina, com os presidentes que a gente tem, se a gente tivesse ali um botão vermelho...
03:09Iam apertar.
03:10Não é?
03:11Iam, é verdade.
03:12Não dá para confiar em ninguém aqui, né?
03:16Mas o que aconteceu, Graebi?
03:18O Renan Santos participou de uma sabatina ontem no Jornal Nacional.
03:24A primeira pergunta que foi feita para ele foi em relação a essa história da bomba atômica
03:29e ele defendeu.
03:30Ele acha que sim, é uma questão de segurança.
03:34E aí, até, conversando aqui com o nosso produtor, o Renato Barcelos, que fez um ótimo trabalho
03:40garimpando esses vídeos todos, né?
03:42E o áudio também.
03:45É importante para a gente lembrar que o Brasil não é que é uma coisa que é o Renan Santos
03:49e aí está todo mundo escandalizado, olha só o Renan Santos.
03:52A gente tem tradição, tanto à direita quanto à esquerda, de defender bomba nuclear no Brasil.
04:01Então, a gente teve o vídeo do Eduardo Bolsonaro, esse é um vídeo ainda de 2019, é o primeiro
04:07ano do governo do pai dele.
04:10Não melhorou nada, né?
04:12Nesses anos todos.
04:13O Alexandre Silveira, ministro de Minas e Energia do Lula, também a gente já tem, ele cita,
04:19o Eduardo cita o Enés Carneiro, que também defendia.
04:24Outros ministros do Lula também, lembro no comecinho lá, o Roberto Amaral também defendia.
04:30Então, não é uma coisa que é exclusivo do Renan Santos agora.
04:35Eu acho completamente inútil e perigoso, porque a bomba nuclear, o Renan argumenta ali
04:43para ser um fator de dissuasão, né?
04:46Então, você deixa de ser atacado porque você mostra que você tem uma bomba nuclear
04:51e olha, se você me atacar, eu jogo uma bomba na sua cabeça.
04:54Ok, mas quem é que vai atacar o Brasil, né?
04:58É a Venezuela, é o Peru, é o Uruguai...
05:03Trinidad e Tomago.
05:06Assim, é...
05:07E aí você investir muito dinheiro num projeto desse, não faz sentido nenhum.
05:14Esse aqui já é um país que vai entrar em recessão ano que vem,
05:17por causa de desequilíbrio fiscal, não faz sentido.
05:22Um país que não tem dinheiro para investir, nós vamos construir uma bomba atômica com
05:27que dinheiro, né?
05:29E mais, quando você faz uma coisa dessa, bom, primeiro tem problemas...
05:35A Constituição, nossa, deixa muito claro, né?
05:40Aqui, tecnologia nuclear é para fins pacíficos, né?
05:43Então, tem que mudar a Constituição.
05:44Isso ia dar uma confusão gigantesca, mas vamos supor que se supere esse obstáculo interno.
05:50Se você faz uma bomba nuclear, você vai criar, inimizade, problema, vai receber sanções do resto do mundo inteiro.
06:01Com certeza.
06:01Não é?
06:03Se o Brasil desfruta de alguma boa vontade internacional, né?
06:08Se tem alguma espécie de soft power, né?
06:11Para conversar com os outros países, uma das razões é essa.
06:14É um país que sempre se posicionou como um mediador de conflitos, como um protetor da paz, né?
06:22Sim.
06:22Jamais teve essa ideia bizarra de querer desenvolver uma bomba atômica, né?
06:29Quer dizer, já teve várias vezes a ideia e tal, mas nunca levou adiante isso, né?
06:33Então, é isso que você está falando.
06:35O Brasil ia cair alguns degraus na maneira como ele é visto internacionalmente, né?
06:43Exato.
06:43E o Brasil já gozou desse soft power, de se mostrar como um país pacífico, né?
06:50Que tem relações com todos.
06:53Na época, o Brasil foi um dos primeiros países a apoiar, por exemplo, a fundação da ONU.
06:57Teve o Oswaldo Aranha, que participou ali das reuniões da ONU que decidiram pela partilha da Palestina.
07:07E foi super elogiado no mundo inteiro.
07:11Uma referência de um diplomata íntegro, imparcial e pacifista.
07:19Hoje a gente perdeu isso totalmente também.
07:21Esse soft power, o Brasil, graças ao governo Lula, tem um lado no mundo que é o lado negro, né?
07:28Que é o lado das autocracias, é os BRICs, é isso.
07:33E aí agora ressurge essa história da bomba atômica.
07:37Que eu acho, Graeve, que é um pouco uma coisa meio de gente que acha que precisa de valorizar o
07:49próprio ego.
07:50Eu acho que é uma coisa meio de honra, de brilho, sabe?
07:55Gente que não está segura de si, precisa ter alguma coisa a mais.
07:59É o sujeito que se puder vai comprar uma arma e deixar na gaveta dentro de casa.
08:04Olha o revólver que eu tenho, a bomba atômica que eu tenho, né?
08:07Não vai servir para nada.
08:09Não, olha só, Duda, eu comecei mencionando isso, mas o único país que agiria caso o Brasil começasse a desenvolver
08:21uma bomba atômica,
08:22como agiu contra o Irã, são os Estados Unidos.
08:25Os Estados Unidos não admitem que países que ele entende,
08:29que estão ou muito perto de um aliado importante, numa região estratégica como o Oriente Médio,
08:35ou que estão no quintal americano, que é assim que os Estados Unidos vêm à América do Sul,
08:42os Estados Unidos jamais admitiriam isso.
08:44Isso ia criar um...
08:45Aí sim, o Trump ia despejar um monte de G.I. Joe aqui em cima
08:51e ia levar o Renan Santos amarrado na camisa de força, com óculos escuros, que nem o Maduro.
08:58É, e esse tratado é uma coisa muito do Ocidente,
09:03desses valores pacifistas e que estão muito nos Estados Unidos e estão muito na Europa, né?
09:09É claro que eles têm as suas bombas atômicas,
09:12mas costuraram esse acordo, que é o Tratado de Não-Proliferação Nuclear,
09:16com vários países do tipo, olha, quem já tem a bomba já ganhou a sua,
09:21os outros, o resto da turma...
09:23Deixa pra lá.
09:23Deixa pra lá, né?
09:25E a gente te ajuda vocês, de repente se quiser fazer uma usina nuclear aqui ou ali,
09:30mas a bomba ninguém mais vai fazer.
09:32E isso tem funcionado mais ou menos, né?
09:38Claro que a Índia e o Paquistão saíram dessa história,
09:41Israel também, a Rússia agora do Putin mandou bomba lá pra Belarus, né?
09:45A Coreia do Norte é um par internacional, está lá desenvolvendo a sua bomba atômica, né?
09:50Agora, Japão não tem, né?
09:53Arábia Saudita não tem.
09:55Um monte de países da Europa não tem bomba atômica.
09:58Exato.
09:58E aí se o Brasil vai atuar mais um contra isso,
10:05isso vai fomentar que esses outros países que hoje não têm e têm muito mais dinheiro que a gente,
10:11e conhecimento também queiram ter a sua bomba.
10:13E outra, você também pode gerar uma, certamente geraria uma corrida nuclear na América Latina, né?
10:19Porque aí a Argentina vai querer ter, o Chile vai querer ter, e aí, enfim, ninguém ganha com isso.
10:26Imagina se o Milley não ia querer ter uma bomba atômica se o Lula tivesse...
10:31É, e fica naquela história que nem o Trump falando do Kim Jong-un, né?
10:34A minha bomba é maior que a sua, né?
10:36O meu botão é maior que o seu.
10:38É uma coisa ridícula, infantil até.
10:40Olha, ideia de Jirico, do Renan Santos.
10:44Desculpa.
10:46Sim, é verdade.
10:48Tem uma bomba atômica, muda o patamar de um país e o torna praticamente intocável, né?
10:55Mas não é o único jeito de você conseguir esse resultado.
10:59O Brasil nunca foi ameaçado há séculos, né?
11:03Não é ameaçado por invasão estrangeira, sem nada disso.
11:06Então, é aquele tipo de coisa que você joga na...
11:10É aquela bomba que você joga no debate público para fazer barulho, mas não serve para nada.
11:15É, a última vez que a gente foi invadido foi lá em 1870, acho que foi a invasão do Paraguai,
11:20né?
11:20A guerra do Paraguai invadiram a gente, invadiram a Argentina.
11:25Mas hoje o risco do Paraguai invadir a gente não existe mais, né?
11:29Quer dizer, é porque o Paraguai é um país que está super sincrético ali com o Brasil, né?
11:37Assim, a economia paraguaia depende muito da economia brasileira.
11:41Ter um fluxo enorme de gente, de pessoas, de empresas, não faria sentido nenhum.
11:47Mas eu tenho a impressão que Suriname, às vezes, olha meio enviesado para o Brasil.
11:51Você já não viu isso?
11:53É, Suriname, né?
11:54É.
11:55Até quando você vai deixar que criem narrativas para esconder a verdade de você?
12:00O bombardeio diário de informações, o barulho das redes sociais e as minhas verdades
12:05só servem para uma coisa, te confundir.
12:08Mas o jogo político real acontece nos bastidores.
12:12Mas existe um lugar que não baixa a cabeça, onde a velocidade da notícia em tempo real
12:17de um antagonista se une à investigação profunda, sem amarras, da revista Cruzoé.
12:24Nós vigiamos quem está no poder.
12:27Não importa o partido.
12:30Assinar o nosso combo significa ter na palma da sua mão os bastidores de Brasília em tempo
12:36real.
12:37Análises de quem conhece o jogo político por dentro e grandes reportagens que a imprensa
12:42tradicional muitas vezes prefere não mostrar.
12:48E hoje você não precisa escolher entre a agilidade e a profundidade.
12:53Preparamos uma condição exclusiva para o nosso público do YouTube.
12:57Um combo promocional imperdível para você garantir o acesso total ao antagonista e à Cruzoé
13:03por um valor que cabe no seu bolso.
13:05Não seja apenas mais um espectador da história.
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13:18Assine o combo agora e mude sua forma de ver o Brasil.
13:35E aí
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