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#AGrandeFamília
Créditos: Rede Globo de Televisão
Créditos: Rede Globo de Televisão
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DiversãoTranscrição
00:01De jeito nenhum, seu Flô.
00:03Com a pressão alta do jeito que o senhor está, o senhor não vai sair de casa hoje.
00:07Vou sim. Você não é meu pai?
00:09Mas você é meu pai e eu estou dizendo que você não vai sair de casa de jeito nenhum e
00:12pronto.
00:13Muito bem.
00:14Se eu sou seu pai, sou eu que mando em você.
00:17Portanto, cale a boca.
00:21Senti firmeza, Flô.
00:22Aí, aproveita e põe ela de castigo, vai.
00:24Daí vão ficar os dois de castigo, pai e filha, sem poder sair de casa.
00:28Ai, que bonitinho.
00:30Bonitinho, uma pinóia.
00:31Eu vou sair de casa a hora que eu quiser.
00:33Ô, papai, papai, deixa de ser maluco.
00:36Você vai sair de casa com quase 18 de pressão, é?
00:38Ô, seu Flô, o que é que o senhor quer?
00:39Quer que tenha um piripaque na rua e cair morto, é isso?
00:41Não, morrer não, que é muito caro.
00:43É um negócio de túmulo lá, que isso aí, ó, está pela hora da morte.
00:45É depois também que eu vou ter que mandar fazer um vestidinho preto, assim, pro enterro, né?
00:50E um óculos, comprar um óculos estilo Jack ou...
00:52Ih, ô, vô, é melhor o senhor não sair não, viu?
00:55Não vai que o senhor morre na rua e a Bebel vai querer fazer uma cena no seu enterro,
00:59pra chamar atenção só pra ela.
01:00O senhor falou de vocês, tá com a pressão altíssima,
01:03e vocês ficam os dois aí falando besteira, né?
01:05Vocês estão vendo como é melhor eu sair de casa?
01:08Porque se eu ficar aqui dentro escutando besteira,
01:11essas besteiras, eu corro o risco muito maior de passar mal do que lá fora na rua.
01:16Pois, seu Flô, o que acontece é que lá fora na rua não tem a neném pra cuidar do senhor.
01:20O senhor não vai, seu Flop, não vai, não vai e não vai.
01:25Está decidido.
01:26Vocês são um chato, chato!
01:30Ora, será possível que um velho aposentado como eu não tem o direito de dar uma saída até a esquina
01:35no dia que ele recebe a sua mísera pensão pra fazer um joguinho?
01:40Ah, então era isso que o senhor pretendia fazer?
01:42Não, por que o senhor não falou logo, seu Floriano?
01:44Ei, eu sou obrigado a dizer, é?
01:47Eu faço isso todo mês, todo mês eu jogo 50 reais no 1953,
01:53que é o ano em que a neném nasceu.
01:54Ih, está caducando, pai.
01:56Eu, hein?
01:57Eu nasci em 1957.
01:59Você nasce em 1953, ok?
02:01Então eu não haveria de saber isso.
02:03Faz 49 anos que eu jogo no mesmo número, todo mês.
02:0849, imagina.
02:09Só porque a sua pressão fica alta, você fica aí aumentando a idade dos outros.
02:13Peraí, mãezinha, quando eu nasci, você não tinha...
02:16De jeito nenhum.
02:17Eu era muito mais nova do que isso.
02:19Eu ainda nem falei quantos anos você tinha...
02:21O ano que a neném nasceu, não importa.
02:24Jogar no bicho, seja em que número for, é perder dinheiro do mesmo jeito.
02:27Sr. Floriano, depois é o seguinte, o senhor está equacendo um piripá, que eu estou na boa,
02:30vou passar ali em frente à banca e eu faço o joguinho para o senhor.
02:32Ô, gênero, eu posso ter pressão alta, mas não tenho que ir embaixo, não.
02:36Você acha que eu vou botar 50 reais meus na tua mão?
02:40Ora, para comigo.
02:41O senhor está me ofendendo, estou ofendendo, Sr. Floriano, porque é o seguinte,
02:45com dinheiro assim, que não são dinheiro que tem uma coisa de sítio na vida,
02:48tudo bem que faça esse ato com os agora, com dinheiro importante de jogar no bicho,
02:50seria incapaz, incapaz.
02:54Olha aí, Agostinho, eu vou te...
02:57vou te passar os meus 50 reais, só dessa vez.
03:01Ih, ferrou.
03:02Com vocês se merecem, hein.
03:04Eu vou trabalhar, que é como se ganha dinheiro de verdade.
03:06Bom dia para todos.
03:07Bom dia, Alineu.
03:08Olha, você vai lá e crava no 1953, tá?
03:121957.
03:141953.
03:151957.
03:18Pelo amor de Deus, dá para anotar num papelzinho?
03:20Senão chega na hora e vai ter mó confusão.
03:21Você pode fazer confusão com 1957, adiante a vontade.
03:26Agora, não me venha com 1953 para baixo.
03:36E aí, Agostinho?
03:43Isso é que é responsabilidade aí.
03:46O mané aí vai sair para trabalhar, que eu jogo uma zinha aqui.
03:49Que trabalhar o quê, maluco?
03:50Vou defender uma fezinha no bicho, rapá.
03:52E jogar uma partidinha antes?
03:54Não, não dá não.
03:55Estou descapitalizado.
03:56Se tu está duro, como é que tu vai jogar no bicho?
03:58É, pá, eu estou achando que é meu dia de sorte.
03:59Porque, porra, rolou 50 pau na minha mão, esse otário me chamando.
04:03Eu vou aumentar esse capital.
04:03Vamos lá!
04:04Vamos lá!
04:04Vamos lá!
04:05Vamos lá!
04:05Olha lá aí!
04:05Vamos lá!
04:06Ah, eu quero ver!
04:08Vai, manda a cola que eu vou pegar nos tacos.
04:10É isso aí, eu vou estar aí, ó.
04:11Pessoa lá!
04:12Vamos lá, senta aí, dá que se tem aí.
04:13Vamos embora, vamos lá, você se vê.
04:14Não, não, não.
04:15O jogo tem uma dinâmica.
04:17Olha lá, olha lá.
04:17Não, não, não, não, não.
04:48Agostinho, eu não tenho nada a ver com isso.
04:50Eu acho que o mais justo é você dividir esse dinheiro com o senhor Floriano.
04:53Ô, pessoal, tu começou bem a tua palavra.
04:54Não tem nada a ver com isso.
04:55Não tem nada mesmo, não.
04:56Fica na tua, rapaz.
04:57Mas, Agostinho, se você apostou o dinheiro do senhor Floriano,
05:00nada mais justo é que você dividir o lucro com ele.
05:02Ué, e o meu senso de jogo?
05:04E a minha coragem de me arriscar?
05:05A minha visão empresarial?
05:07Ah, que visão empresarial o quê, Agostinho?
05:10É o remela, que é milpio e não viu você roubando.
05:12Ah, tudo bem.
05:15Eu dou 10% pro coroa.
05:16Pelo menos mil a meio, né, Agostinho?
05:18Ó, ou você dá 15 reais pro senhor Floriano,
05:21ou senão eu conto tudo pra ele.
05:22Que, eu roubando mil a meio, eu faço umas contas, pessoal.
05:2490% aí é do meu empenho na vida, tá entendendo?
05:27Aí você pega 4% mais ou menos de cada milpia que ele tinha,
05:30cada oito, dá 8%.
05:31Vamos dar aí 10%, tá entendendo?
05:32Então eu vou dar o quê?
05:333 reais pro senhor Floriano, é isso.
05:36Agostinho, você é um crápula.
05:39E agora a multa de 10% que você me ofendeu,
05:41eu vou ficar com a grana toda.
05:43Agostinho, ô Agostinho.
05:45Aí, aí.
05:49Aí, Agostinho.
05:51Aí, tava pensando aqui, aquela grana aí.
05:53Aquela grana minha lá, tava querendo ela de volta.
05:56Que isso, o remela, tá maluco, rapaz?
05:57Não tem jeito não, acho que é o seguinte, cara.
05:59Jogo, é jogo, morô?
06:01Pô, Agostinho, tu é meu amigo ou não é?
06:03Não, só eu.
06:03Pô, aquela grana ali é pra comprar outro óculos.
06:05Eu sei, cara, mas não é questão...
06:06Porque esse aqui não tá legal aí.
06:07Não é questão de amigo.
06:08Amigo é amigo, agora o negócio se a parte, tá entendendo?
06:10Eu penso assim.
06:11Pô, Agostinho, tu vai se arrepedir do que tu tá fazendo, morô?
06:13Aí, eu tô te avisando, hein?
06:15Tinho, tinho, tinho.
06:17Tu não sabe o que aconteceu.
06:19O papai acertou no milhar.
06:22Pessoa jogando bicho?
06:23Oi, Tinho, graças a você que foi lá jogar por ele.
06:26Olha como você é pé quente.
06:27E como você foi assim tão prestativo,
06:29a gente achou que você merecia dar notícia.
06:32Porra, ah, não encheu o trópico.
06:34Eu acho que a pessoa, ó, pressão alta aí.
06:36Ó, o que que dá?
06:37Piripaque.
06:37Tá, piripaque, Agostinho?
06:38Por ganhar cinco mil reais, tá louco?
06:40Ele vai se amelorar.
06:41Cinco mil reais?
06:42É.
06:42Cinco, porra, vou ter um pepaque.
06:44Não, não vai não, depois, depois.
06:46Agora você vai lá dar notícia, tá?
06:48Sim.
06:49Você.
06:50Quem vem?
06:51Você que vai dar, Agostinho.
06:58Ai, Agostinho.
07:00Ai, tá bom, tá bom.
07:02O Agostinho não quer falar,
07:05então eu mesma vou dar notícia.
07:08Se prepara, papai.
07:09É, se prepara mesmo,
07:11porque se é coisa do Agostinho,
07:12já viu, né?
07:13Escuta aqui, moleque,
07:14o Agostinho dessa vez foi herói, tá?
07:16Papai, adivinha que número que deu no bicho.
07:23Oxe.
07:24Mas foi, você ganhou no milhão.
07:32Deu mil novecentos e cinquenta e três.
07:34Ai, o ano que eu nasci.
07:36Ué, mãe, mas você nasceu em cinquenta e três ou cinquenta e sete?
07:39Eu imagino, em mil novecentos e cinquenta e sete, é claro, né?
07:41Então, por que que você falou que foi o ano que você nasceu?
07:44Ai, gente, galera, fica tranquila,
07:45porque, olha, com essa grana toda do vovô,
07:47a mamãe vai poder fazer uma plástica,
07:48vai ficar assim como se tivesse nascido em mil novecentos e setenta.
07:51Bom, o fato é que,
07:52deu mil novecentos e cinquenta e três,
07:54você tá cheio da grana, amor.
08:02Caralho, caralho, caralho, caralho, caralho de Deus.
08:04Caralho de Deus, papai, papai, papai, papai.
08:06Eu falei, olha o que vocês fizeram.
08:08Gente responsável, falei.
08:10Papai, Deus, papai.
08:12Vai, vai, vai, vai.
08:23Nenê.
08:24Nenê, o que está acontecendo aqui, Nenê?
08:26É que o papai, ele...
08:26Não, pelo amor de Deus, não diga, não diga, não diga.
08:29Ah, meu Deus, meu Deus, não diga que o senhor Floriano...
08:34O que está acontecendo? Fala, Nenê.
08:36É para falar ou não?
08:41Quando a gente contou que tinha dado o número no milhar...
08:451953.
08:46O número que ele jogou.
08:48O ano que ela nasceu.
08:49Quer deixar eu contar, Bebel?
08:50Tanto, deixa que eu conto.
08:52O negócio é o seguinte.
08:53O vovô, ele caiu duro para trás, né?
08:55Aí o médico deu um apagador para ele.
08:57Aí Bebel, que não é boba nem nada, trouxe ele aqui para o quarto dela...
09:00Para puxar o saco do velho, né?
09:01Porque ele ganhou o prêmio, né?
09:02E olha, o médico disse que ele não pode ter mais emoções fortes.
09:06Sim, mas e o prêmio?
09:07É verdade. Cadê o Agostinho?
09:09Ai, meu Deus.
09:10Mais uma emoção forte!
09:12E olha, o médico disse que ele não pode ter mais emoções fortes.
09:16Sim, mas e o prêmio?
09:17É verdade. Cadê o Agostinho?
09:19Ai, meu Deus.
09:20Mais uma emoção forte!
09:21Eu devo é 5 mil, se eu trabalhar na base de 20 horas.
09:25Na virada, vai lá, Agostinho, na virada.
09:2620 horas, vai dar 5 mil.
09:28Betola aqui, 20 por 5.
09:29Dá? Dá 900.
09:31Eu vou trabalhar na média de 900.
09:33Espera aí, se eu fizer assim, ó.
09:35Faz assim, Agostinho.
09:36Vamos fazer 28 horas por dia.
09:38Espera aí, Agostinho.
09:39O dia não tem 28 horas.
09:41Dá um café para mim aí, Betola.
09:42Eu vou ter que trabalhar muito aí.
09:43Dá uma virada.
09:45Eu vou ter que dar uma virada.
09:47Alô?
09:48Alô?
09:49Agostinho, onde é que você está, hein?
09:51Não, bebê.
09:51O seguinte, eu vim aqui na banca do bicho para pegar aí o dinheiro do seu Floriano.
09:55E para que essa pressa toda você precisava sair correndo?
09:58O dinheiro não vai fugir, não, viu?
10:00Bom, a não ser que...
10:03Agostinho, o dinheiro está aí com você, né?
10:05Não, meu amor.
10:06Claro que está aqui comigo, 5 mil reais aqui no bolso do Agostinho.
10:10Juro para você.
10:11Agostinho.
10:11Toma um instantinho.
10:12Fala contigo, rapaz.
10:13Juro, 5 mil.
10:13Tá? Confio no teu Agostinho.
10:15Fica para cá?
10:15Fica para cá.
10:16Entra lá.
10:16Para quem que tu quer?
10:17Aí, Agostinho.
10:18Passa essa grana.
10:19Tá achando que eu sou bobo?
10:20Vai me enganar que...
10:20O que que é isso, meu amor?
10:21Fica essa grana.
10:23Que é tua mão de ser bobo, hein?
10:24Não interessa, eu quero a grana, eu quero 5 mil.
10:26Não tem 5 mil nenhum, rapaz.
10:27Isso aí não foi um engano do caramba que está vendo, tá entendendo?
10:29Eu tô pegando o cacete, eu quero 5 mil e passa a grana.
10:31Faz o seguinte, eu te dou o dinheiro que tu perdeu pra mim na sinuca, tá entendendo?
10:33Porra, Agostinho, porra aí.
10:35Tá pensando que eu sou maluco, Agostinho?
10:36Porra, eu quero 5 milzinha aqui na mão do remeto, ou então eu vou te detonar.
10:40Porra, nós somos amigos desde infância, desde garoto, cara.
10:42Amigos, amigos, negócios a parte.
10:44Que é isso, rapaz.
10:44Sabe essa brincadeira aí, ó?
10:46Tu tá me assaltando, cara, hein?
10:48Tô sendo assaltado.
10:49Que coisa aí, Diego?
10:50Que coisa aí?
10:50Pede que eu estou sendo assaltado por você.
10:53Ah, a minha leva só que me assaltava.
10:55Aqui, ó, ó, apontando pra você.
10:57Abre a porta, abre a porta.
10:58Ó, só apontando pra você.
11:03...de casa e apostar os 50 reais de seu Floriano no bicho.
11:06Aí tu não me chamou pra jogar sinuca?
11:07Aí eu não apostei.
11:08É, tô ligado.
11:09Então, foi jogar, não joguei o dinheiro dele no bicho.
11:11O que que deu, cara?
11:12Deu no milhão, o cara ganhou.
11:13Eu não joguei.
11:14Tô ligado.
11:15Então, porra, eu não tenho coragem de voltar pra minha casa e dizer pra minha mulher que eu não joguei
11:18e que eu vou ter que trabalhar 900, não sei quantos dias pra pagar o dinheiro que eu não joguei.
11:21Eu tô ligado.
11:22Pô, tira esta arma da minha cabeça, tá me perturbando com essa arma aí, rapaz.
11:25Só quando tu me passar os 5 mil.
11:27Aí, Agostinho, eu posso ser milp, mas eu não sou otário.
11:30Pô, rapaz, fala com isso, nós coisas é desde pequenininha.
11:32E desde pequeno o quê?
11:33Passa a grana, eu te conheço.
11:34Esquecemos a bola aí, foi jogando bola.
11:36Tomei café na casa de tua mãe.
11:37E daí, pra cá o café que tu tomou.
11:41Pô, já namorei o meu irmão, tu aqui.
11:42E daí, nem fala dela, que ela tá saindo de casa.
11:44Não sei, fala dela, não.
11:45Desculpa.
11:47Agostinho, sumido, com 5 mil no bolso.
11:49Hã?
11:49Olha, eu não quero acusar ninguém, não, viu?
11:51Mas é claro que aconteceu o óbvio.
11:53Você quer ficar quieto, Tuco, pra não acordar o seu avô?
11:55Ele não pode mais ter emoções fortes.
11:57Ah, é?
11:58E quem é que vai contar pra ele que o dinheiro tá na mão do Agostinho?
12:00Olha, o Tinho já deve tá chegando com o dinheiro, tá?
12:02Do jeito que ele saiu correndo, ele já devia ter chegado, né, bebê?
12:05O que eu não entendo é como é que o Agostinho saiu correndo pra buscar esse dinheiro
12:09e deixou seu flor aqui, passando mal.
12:11Ah, qual é, galera?
12:12Agostinho, com 5 mil na parada, ele vai se preocupar lá com o vovô?
12:15Olha aqui.
12:16É justamente nessas horas, com alguém assim, passando mal, que a gente podia precisar
12:20do dinheiro, tá, meu filho?
12:21É, se a gente fosse depender desse dinheiro do Agostinho, o vovô já ia tá morto e enterrado.
12:25Ih, para de agorar o seu avô, que horror.
12:28Bebê, vai ligar, vai ligar pro Agostinho, vai.
12:30É, aproveita e faz uma ligação internacional, porque nessas horas o Agostinho já deve tá
12:33no Paraguai.
12:42Desce!
12:43Isso aqui é um lugar que eu tô tomando, deserto.
12:45Ô, René, vou ser assaltado aqui, vão me assassinar aqui.
12:48Ah, já é.
12:49Agora tu entendeu a ideia, né, Agostinho?
12:51Ou tu me dá essa grana, ou tu morre.
12:54Eu não tenho cara de grana nenhuma.
12:56Agostinho, tá me achando cara de trouxa.
12:58Porra, agora você...
12:59Desce, desce, desce, desce.
13:02Desce, desce, desce, desce, desce, desce, desce, desce, desce, desce, desce, desce, desce,
13:05Agostinho, tira a roupa, Agostinho.
13:07Aí, Agostinho, tira a roupa aí.
13:09Frio do caramba, aqui, Agostinho.
13:12Se tu não tirar essa roupa, eu te mato.
13:15Pô, mas era só o que me...
13:16Tira aí.
13:18É, quero ver, quero ver, sim.
13:20Quero ver, né, eu arrumo um emprego legal pra você, cara.
13:24Tu pode trabalhar de lanterninha.
13:25É ruim.
13:26Tu pode trabalhar, quer dizer, como contador, tu pode trabalhar aqui no táxi comigo.
13:30Tá vendo?
13:30Não tem nada aí, rapaz.
13:32Tô te falando.
13:32Tá com isso aqui.
13:33Pensa que eu não te conheço.
13:35Tu pensa que eu não te conheço.
13:41Pô.
13:44Só tem minxaria aqui.
13:46Te falei?
13:47O que que é isso, Agostinho?
13:48Tô te falando.
13:49Aí, Agostinho, não tem cinco mil nenhum aqui.
13:52Não tem, tô te falando.
13:53Rapaz, isso é uma confusão do caramba que tá dando aí.
13:55Aí, isso.
13:56Ah, isso.
13:57Você é deixado no vibra-cote.
13:59Desculpa, só vou atender aqui.
14:00Qual o problema?
14:01Alô?
14:02É minha esposa.
14:02Bebel, eu não posso agora.
14:03Eu tô sendo assaltada aqui no galpão, né?
14:05Sei, sei.
14:06E cadê o dinheiro do vovô, hein?
14:08Não tem dinheiro nenhum.
14:09Deixa eu te contar a verdade.
14:09Sabe o que aconteceu?
14:10Não joguei.
14:11Peguei dinheiro.
14:11Não joguei.
14:12Então eu não joguei.
14:13Ele não ganhou.
14:13Então eu não peguei dinheiro nenhum.
14:14Não acredito nisso, Tinho.
14:16Nem você, nem o Ramel.
14:18É lógico.
14:19Quem acredita?
14:21Não acredita.
14:22Ninguém acredita, Bebel.
14:23Olha aqui, Agostinho.
14:24Você faz o favor de vir diretamente pra casa agora.
14:27Você não vai me envergonhar na frente de toda a minha família, né?
14:31Eu exijo que você venha pra casa agora com o dinheiro, senão eu mato você.
14:38Agostinho, é o seguinte, eu perdi minha paciência.
14:41Se tu não me entregar essa grana, eu te mato.
14:43Mata?
14:44Mata, Ramel, mata.
14:45Eu mato.
14:46Tá todo mundo querendo me matar.
14:47Quer saber o que vai?
14:48Agora quem quer morrer sou eu.
14:49Tá aqui, ó.
14:49Eu vou matar.
14:50Atira.
14:51Eu vou atirar.
14:51Eu vou atirar isso também, cara.
14:52Porra, Agostinho, é o seguinte, eu vou embora.
14:54Eu tenho que ainda trabalhar 200 não sei quantos dias que eu tô tudo enrolado na minha vida.
14:57Eu não vou ficar aqui com o maluco, senão que vai matar ela, mata nada.
15:00Agostinho, caralho.
15:01Se tu entrar nesse carro, eu atiro.
15:06Boa noite, boa noite.
15:08Flores para o seu flor.
15:11Imagina, Beissolo, não precisava ter se incomodado.
15:14Ah, precisava sim.
15:15Eu vim correndo assim que eu soube pra deixar bem claro que o seu Floriano não comeu um pastel hoje.
15:20Portanto, não é minha culpa.
15:21Hoje a culpa não é tua não, viu, Beissolo?
15:23Hoje a culpa é da Agostinho.
15:25Escuta aqui, meu marido foi lá pegar o dinheiro pro vovô, tá?
15:28Você fica aí caluniando ele.
15:29Ah, foi buscar?
15:30Aonde?
15:30No Paraguai?
15:31Eu não aguento mais.
15:32Eu não aguento mais.
15:34Mas todo mundo desconfiado do meu marido.
15:35Ninguém está desconfiando do seu marido, Beissolo.
15:38Calma aí, eu não sou ninguém.
15:39E estou desconfiando do Agostinho, sim.
15:41Tá bom, tá bom.
15:41Mas eu e a Nenê não estamos.
15:43Olha, desculpa, eu sei que eu não tenho nada que ver com isso.
15:45Mas eu ouvi da boca do Agostinho que ele não ia entregar esse dinheiro pro seu Floriano.
15:48É mentira!
15:49É mentira!
15:50É mentira!
15:50Eu não sou o Agostinho.
15:52É mentira!
15:54Mas se o Agostinho não ia fazer uma coisa dessas...
15:56Desculpa, mas eu juro pela minha santa mãezinha.
15:59Eu ouvi ele falar que ele ia ficar com todo com dinheiro pra ele.
16:02Mas isso é um caso de polícia.
16:03Bom, se é de polícia, vamos chamar o FBI, porque essa hora ele já atravessou a fronteira
16:06há muito tempo.
16:07Olha, olha, eu até falei pra ele assim, vai dizer, ô Agostinho, o que é isso?
16:11Pelo menos a metade do lucro pro seu Flor, os 15 reais.
16:1415 reais?
16:15Sim, que antigamente o bicho dava mais dinheiro.
16:17Que bicho?
16:18Não, peraí, gente.
16:19O vovô aposta 50 reais, ganha e fica com 30?
16:22O seu Flor apostou 50 reais na milhar?
16:25Não.
16:26O Agostinho, que é uma pessoa muito prestativa, foi lá e apostou pra ele.
16:30Desculpa, eu sei que não tem nada a ver com isso, mas o Agostinho não apostou esse
16:35dinheiro no jogo do bicho, não.
16:37Ele apostou, foi na sinuca com o Remela.
16:40Remela?
16:41Remela, remela?
16:42Aquele que anda com um berro aqui?
16:43Meu Deus do céu!
16:46Então o Agostinho tava mentindo esse tempo todo?
16:49Minha Nossa Senhora, então o Agostinho tava dizendo a verdade!
16:53Ele tá sendo assaltado mesmo!
16:57Senta aí, senta aí, senta aí, senta aí, senta aí, porra.
17:00Agostinho, Agostinho, fala sério, Agostinho, passa logo essa grana, Agostinho.
17:03Melhor que um tiro, porra.
17:04Quer saber do que é mais, cara?
17:06Tô de saco cheio dessa história, vou embora pro meu carro, morô.
17:08Acabou, lembrando.
17:09Vai embora, vai embora pra tu ver, entra naquele carro pra tu ver, que eu te dou um tiro.
17:12Toda a história, vou dar um tiro, vou dar um tiro, não atira!
17:13Eu vou atirar, não atira!
17:15Eu só não atirei ainda em nome da nossa amizade, morô.
17:17Mas se tu entrar naquele carro, considere-se morto!
17:21Considere-se morto, hein, palha?
17:23Cara que se chama Ramela, ela considere-se...
17:26Tá vendo muito filme, neguinho.
17:28Quer saber do que é mais?
17:28Tu não sabe jogar sinuca, tu não sabe atirar, tu não sabe atirar, tu não sabe...
17:30É milpia, vai atrapalhar.
17:32Aí, aí, aí, celular atrapalhar, vai atrapalhar.
17:35Telefone, morô.
17:35Seu telefone, merda, é porra, é meu.
17:38Alô?
17:39Tinho, Tinho, você tá sendo assaltado mesmo, meu amor?
17:42É, bebê, eu estou realmente sendo assaltado.
17:45E se você ficar me telefonando toda hora, o assalto não vai acabar nunca.
17:48Fica frio e quando acabar aqui eu te ligo, tá bom?
17:50Ô, Agocinho, ô, Agocinho, porra, hein?
17:52Mas ele tá armado?
17:54Não tá?
17:55Tá armado?
17:56E se ele atirar?
17:58Atira nada, bebê.
17:59O cara se chama Ramela.
18:01Vê se um cara que se chama Ramela vai atirar em alguém.
18:05Aí, Ramela, tá dizendo que tu vai atirar, ó.
18:08Ai, ele atirou.
18:09Meu Deus, mas...
18:11Meu Deus, que desgraçado.
18:15Você atirou, cara?
18:16Sim.
18:18Tô morrendo, estou morto?
18:19Eu acho que não.
18:20Se tu tivesse morrido, tu tava aí.
18:22É merda.
18:23A poxa tá morta, tá falando, aí tá andando, tá aí perto.
18:25Se tu tivesse morto, tu não tava aí falando, né?
18:27É, eu não estou morto, estou vivo, né?
18:28Ah, tá vivo.
18:29Como é que tu atira no teu melhor amigo?
18:31Leva a mão não, leva a mão não, mas o problema é...
18:34Eu fiquei nervoso, Agocinho.
18:35Fiquei nervoso, eu fiquei nervoso.
18:37Porra, tu é milho, faz tudo errado, cara.
18:39Porra, tu poderia ter me acertado, eu tava morto, aí tu tava preso.
18:41Também tu só fica reclamando, tu fica reclamando que eu não acerto nunca.
18:44Eu devia ter acertado, porra, pra tu parar de reclamar.
18:47Olha a polícia ali, ó, porra, dá essa arma aqui.
18:50Então, perigo na mão do assassino, cara.
18:53Eu não sou assassino, não, hein?
18:54Porra, vamos embora, eu vou te deixar ir, tá?
18:55Vai embora, que isso, meu irmão, não me dá carona aí, Agocinho.
18:58Tu vai ficar aí, vai ser assaltado, vai ser estuprado aí.
18:59Tá, tu não vai fazer isso com o teu melhor amigo, né, Agocinho?
19:02E vim pra tu aprender, tá entendendo?
19:04Porra, moqueirão, segura pra mim aqui.
19:08Morreu.
19:08Eu?
19:09Não, o carro, né, Agostinho?
19:11Tu pode não morrer, mas esse teu carro aqui tem a maior vocação pra difanto.
19:17Mas como é que pode, no mesmo dia, o cara ser assaltado, sequestrado, morou assassinado,
19:21e ainda acabar a gasolina no carro, porra!
19:22Pô, fica calmo, Agostinho, dá o dinheiro aí, que eu vou lá no posto comprar.
19:25Que dinheiro, cara? Tu não me assaltou?
19:27Pega você, o dinheiro do assalto, vai lá e compra a gasolina.
19:29Eu vou lá, porra, porra.
19:30Fala sério, perigoso pra caramba aí.
19:33Quem tem um amigo como você não precisa de inimigo, pô.
19:35Meu amor, Bebelzinho, calma, meu amor, você tá melhor.
19:39Fica uma belezinha, meu amor.
19:41Graças a Deus, eu tô bem melhor.
19:44Eu pensei que dessa vez eu fosse empacotar.
19:47Bebel, Bebel, Bebel, você sabe que se ele disse em chifre de calpão, é esse?
19:51Não, pai, não.
19:52Ele só falou que era um galpão.
19:56Eu perdi o tio com culpa minha, mãe.
20:00O Agostinho morreu?
20:02Morreu, pô, morreu.
20:04Eu sou viúva, teu novinha, porque eu não acreditei no meu marido.
20:09Coitado, coitado, coitado.
20:10Bebelzinho, não fica assim, olha, pelo menos você vai poder comprar aquele seu vestido preto
20:14e aqueles óculos tipo Jack O para o enterro.
20:16Mas que enterro, pelo amor de Deus?
20:17Calma, calma, o senhor não pode ter emoções fortes.
20:21Pelo amor de Deus, o Agostinho, onde é que está o Agostinho?
20:24O Agostinho pode ter escapado e entrar ali por aquela porta?
20:28Mas escapado?
20:29Mas o Agostinho tá fugindo de quem?
20:30O Agostinho é um santo, santo Agostinho.
20:35Ele deve estar no céu agora, tio.
20:38Pelo amor de Deus, alguém quer me dizer o que está vendo que eu vou ter outro piripaque?
20:42Eu vou ter outro piripaque.
20:43Eu acho que não vai dar mais pra escolher dele.
20:46Ô, Tuco, pelo amor de Deus, pego o remédio de pressão do seu avô.
20:49O remédio dessa vez, acho que não vai dar jeito não, viu?
20:51O cara já tem pressão alta, perde cinco mil reais, o marido da neta.
20:54Tudo no mesmo dia, isso é motivo pra duas mortes.
20:56Ah, pera aí.
20:58Sabe, o piripaque pela perda dos cinco mil eu já tive.
21:02Agora, perdeu o Agostinho, não é motivo pra morrer, é motivo pra festejar.
21:05O piripaque pela perda dos cinco mil, o senhor já teve?
21:08Ah, claro, você acha que eu já me senti mal?
21:10Por quê?
21:11Porque eu perdi cinco mil reais.
21:13Eu dei o número errado pro Agostinho, foi isso.
21:16Culpa da dona Nenê, pra essa história de mentir a idade, é isso que deu.
21:19Mas pera aí, o Agostinho não disse que tava por cinco mil reais no bolso dele?
21:23E tava, o tio não mente.
21:26Ah, menti assim, Bebel, eu menti quando tava vivo.
21:29Mas o Agostinho morreu?
21:32Morreu, morreu, morreu.
21:34Ele foi assaltado, levou um tiro.
21:37Bebel, ninguém sabe se ele levou um tiro, o que se sabe é que alguém atirou.
21:42Do jeito que o Agostinho é, perigo é dele não ter feito o meu jogo.
21:46E olha, digo mais, os meus cinquenta reais é capaz de estar no bolso daquele safado.
21:50Bom, e se ele não tiver perdido tudo na sinuca?
21:52Isso, seu assaltante não levou.
21:54Bom, e se ele não morreu?
21:56Quem morreu?
21:57Gente ruim não morre.
21:58Ô, papai, ele levou um tiro.
22:00Ninguém sabe se ele levou um tiro, levou um tiro, levou um tiro, coisa ali, eu aporto com quem quiser.
22:06Que ele não levou um tiro nenhum, que ele não foi assaltado coisa nenhuma.
22:10Ele inventou essa história de assalto pra não devolver os meus cinquenta reais.
22:13É, corte sim, rápido, rápido, próximo vídeo.
22:17Ninguém sabe que eu faço falando.
22:19Se eu tenho que jogar foi isso, me deu uma prova.
22:22Se ele não viu, se ele não viu, se ele não viu.
22:25Que ele não viu.
22:26Agostinho?
22:27Tinho?
22:28Tinho?
22:30Tinho, você tá vivo, amor.
22:33Eu não morri, mas foi por pouco, sabe.
22:36Violência, porra, assalto, gente pra caramba.
22:39A briga cai em cima de mim no pau, pá, batendo mesmo, aí peguei também, não vou deixar
22:43mole, ó, voei, peguei a arma deles.
22:46E aí, o que que aconteceu?
22:47E aí, vieram em cima de mim, eu com a arma, eles caíram, pá, me tomaram a arma, tomaram
22:52a arma, aí, pô, o dinheiro, o dinheiro, aí dei o dinheiro, levaram os dinheiros, cinco
22:56mil, levaram, e ainda me deram um tiro, pá!
22:58Ele levou cinco mil?
23:00É, levou.
23:01Aham, e aí deram um tiro em você?
23:02É.
23:03E você tá aí, vivinho?
23:05Cada bebê, o do neném, na hora que foi atirar, tocou o celular, vai ver os celulares,
23:09respeitaram, atendi, atiraram, pegou no celular, pá!
23:12Ô, Agostinho, conta essa história direito, deixa de mentira.
23:17Pô, vocês estão achando que eu tô mentindo?
23:18Não tô falando, pô, fui assaltado, levei um tiro, o bebê está de prova que eu levei
23:21um tiro, ó, aqui, ó, destruiu completamente o celular, ó.
23:24E o remela?
23:25E a sinuca?
23:26E os trinta reais que você lucrou com os cinquenta que o papai te deu?
23:31Agostinho, você é um mentiroso.
23:34Tudo bem, peraí, não, eu conto, é verdade, tudo certo, realmente, eu estava indo jogar
23:40no jogo do bicho, passei na sinuca, isso é verdade, o remela estava lá, me desafiou,
23:45ficou me diminuindo, tá entendendo, dizendo coisas de mim que eu era, que eu não era, aí
23:48por ti, fiquei revidar.
23:49Jogando sinuca?
23:50É, tinha que mostrar pra ele que eu era melhor em alguma coisa.
23:52Ô, Agostinho, você não vai falar a verdade, não?
23:55Gente, vamos parar de pressionar meu marido, vem cá, vocês não acham que ele já sofreu
24:00coisa demais, não, hoje?
24:02Não, sim, tudo bem, tudo bem, eu admito, eu errei, realmente, eu joguei esse luca com
24:08o dinheiro que era do meu avô, se me permite chamar o senhor de meu avô, porque eu não
24:13tive, então o senhor pra mim é como se fosse um avô, né, então joguei, está errado,
24:19mas aí depois fui realmente assaltado, porque fui lá, joguei, ganhamos, né, os cinco mil,
24:23aí fui assaltado também, não tem culpa, mas quer o quê?
24:25Peço desculpa de joelho?
24:26Peço?
24:27De joelho.
24:28Deixa eu só botar uma almofadinha aqui, o senhor falou, Leandro, queria pedir pro senhor
24:31perdão, por ter realizado o seu dinheiro na sinuca, e depois ter sido assaltado, peço
24:35perdão, por isso que garanto, vou trabalhar novecentos e sei quantos dias pra lhe pagar tudo
24:39que lhe devo, tá?
24:41O pedido, então, é isso, eu juro, tá?
24:44Agostinho, você não perdeu cinco mil reais, você não perdeu cinco mil reais porque
24:49eu não ganhei cinco mil reais, eu lhe dei o número errado, seu safado mentiroso.
24:58Como é que estou com o seu parceiro, se aperto toda a toa, seu Floriano?
25:01É isso?
25:02Vou lhe dizer, então, retiro-lhe o perdão que lhe pedia, retiro-lhe ter ficado de joelho
25:05e retiro-lhe até chamar o senhor de avô, retiro-lhe tudo.
25:08Vem cá, vô, afinal de contas, qual foi o número que você deu pra Agostinho?
25:11Ah, vamos mudar de assunto, alguém que é um ensopadinho, tem um...
25:14Eu dei mil novecentos e cinquenta e sete, e a nenê nasceu em mil novecentos e cinquenta
25:19e três.
25:19Meu Deus, eu já disse que eu não nasci em mil novecentos e cinquenta e três.
25:23Nasceu sim, mãe, isso você já admitiu, né?
25:25Bom, agora que não tem mais dinheiro nenhum, não vai dar pra fazer plástica, acho melhor
25:28você começar a se contentar aí com o seu visual mesmo, viu, mãe?
25:31É, e a culpa é sua, dona Nenê, com essa história de mentir a idade.
25:34Não, vocês estão vendo como a mentira só dá errado.
25:37O Agostinho quase morreu por causa dessa confusão.
25:40Ah, você acha pior o Agostinho ter quase morrido do que eu ficar mais velha a cada ano que passa?
25:44Dona Nenê, a ciência quase morrida é uma coisa sem fim.
25:46Agora só tá mais velha, mas, pô, tá cada vez mais um chuchuzinho.
25:49Olha lá, mas é muito abusado mesmo.
25:51Gasto o dinheiro da minha avó na sinuca, ainda fica chamando minha mãe de chuchuzinho.
25:55Brincadeira.
25:56Muito bem lembrado.
25:57E o dinheiro da sinuca?
25:58Seu Floriano é o seguinte.
26:00Quinze reais ficou pra gasolina, no resto fica com a ramela.
26:05A culpa é do remela que não te matou, entendeu, Agostinho?
26:07É, sei. E você me deve cinquenta reais.
26:10Então você me deve aqui um celular novo, tá? Um celular novo.
26:13É, pode deixar, pode deixar.
26:14Mas digo mais a vocês todos, o mês que vem tô lá, cravando seco.
26:18Mil novecentos e cinquenta e três.
26:20E vou levar você.
26:21Papai, eu nasci em 1957.
26:23O que é isso?
26:24Você quer botar a minha idade?
26:25É 57.
26:26Ô, filho, o que é isso?
26:27Você nasceu em 56.
26:29Não nasci, papai, você tá fazendo confusão, se eu deu pra confundir a minha idade.
26:33Você é seu pai, minha irmã.
26:33Eu sei que você é meu pai.
26:35Eu não tive pai, mas quando meu pai nasceu, eu tinha.
26:39Não é, não.
26:39Não é, não é, não.
26:39Não é, não é, não é.
26:40Não é quando eu venho.
26:42Então, você calcou bem.
26:43Se você fosse hoje, tava aquela chuva danada.
26:46Quando eu nasci.
26:46Sua mãe só senti doce.
26:48Eu não sei.
26:49Eu não sei.
26:49Eu não sei.
26:50Não sei.
26:51Não sei.
26:52Não sei.
26:53Não sei.
26:53Não sei.
26:58Não sei.
26:58Não sei.
27:00Não sei.
27:00Não sei.
27:01Não sei.
27:02Não sei.
27:04Eu sou o pai.
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